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9 de agosto de 2009

SAMEIRO 2009 - MAIS FOTOS

Estas são as últimas fotos que foram recolhidas no Encontro do Sameiro, 2009. Só agora consegui acabar, mas acabei. A todos desejo que desfrutem da contemplação desas fotos, podendo reproduzir as que desejarem....
Abraços a todos......
augusto castro





























89 Comments:

Anonymous Mário Neiva said...

Iniciei as «crónicas» sobre o Encontro Sameiro 2009 referindo o Universo Diferente (reinventar a física na era da emergência) do prémio Nobel da física 1998, Robert B.Lauhghlin. Hoje volto ao laureado.
Não sei quantos vão ler este apontamento, mas se for apenas um, valeu por inteiro cada minuto que vou dar-lhe.
A comunicação que se estabelece entre dois seres humanos é o acontecimento mais extraordinário do universo conhecido. A impressão que fica é que o mundo existe para este climax: Eu sou! Tu és! Nós Somos! Num só instante de consciência afirmativa, vencemos biliões de anos de evolução e antecipamos futuros ainda só adivinhados. É a vertigem da consciência da nossa condição. Num momento como este, ao mesmo tempo de êxtase e drama, é um infinito conforto sentir a «tua» presença junto a «mim». E a «tua»... E a «tua»...E em coro podermos dizer: «nós!».
Assim começa a festa da vida.
E deste início de festa que é o acordar para a consciência do nosso lugar no mundo nasce o desejo de querermos mais e mais companhia...Esperamos não estar sós no universo, numa ânsia de comunicação sem fim!
(Às vezes fico a pensar se a recente expectativa, quase tornada obsessão, de encontrar vida extraterrestre não é o sucedâneo do “movimento religioso” dos nossos antepassados).
A amizade e o amor são as formas intensas da nossa presença uns aos outros.

13 agosto, 2009 08:40  
Anonymous Mário Neiva said...

(continuação)

De um modo extremamente simplista podemos dizer que para haver uma festa basta um pouco de música, uns comes-e-bebes , umas roupas mais ou menos na moda e, naturalmente, um grupo de pessoas motivadas para o efeito, por uma razão ou outra. Destes poucos elementos concorrentes, organizativos e organizados, resulta a festa.
Foi mais ou menos assim, de forma aparentemente «simples», que aconteceu «Sameiro 2009».
Mas aprofundemos os factos, como faria o autor de Um Universo Diferente e consideremos os seguintes factores: a concepção do evento e a notificação do mesmo; as pessoas envolvidas e os meios utilizados; a história de cada pessoa participante, desde o dia em que nasceu (ou desde que nasceram os seus remotíssimos antepassados); o historial de cada um dos meios utilizados para a convocatória- escrita e telecomunicações- resultado de numa estonteante cadeia de descobertas e invenções; o transporte utilizado (uma cadeia incrível de inventos); sem contar os remédios que tomamos pela vida fora e nos fizeram subir, com saúde, o monte do Sameiro…
E o acontecimento único, para todos aqueles que estiveram presentes (com os seus familiares) que uniu vontades e afectos: um dia termos sido «marianos» na Falperra ou no Sameiro.
Sem grande esforço de imaginação dá para entender que foi uma quantidade incontável de pequenos e grandes acontecimentos que concorreram para que aquele encontro se desse naquele lugar, naquele dia, daquela forma e com aquelas pessoas. E da conjugação impressionantes desta miríade de factores resultou o ENCONTRO, a FESTA.
Era perfeitamente possivel contar os carros que nos transportaram, as pessoas presentes, as sardinhas assadas e comidas, os copos bebidos, as preces realizadas, e até as palavras proferidas. Tudo realidades palpáveis e mensuráveis. Contudo, não nos seria possível apalpar ou medir, fotografar ou filmar a realidade resultante, o ENCONTRO em si mesmo, algo bem real mas transcendente a qualquer dos factores considerados individualmente.
Só o conjunto de todas aquelas «partes» e a conjugação de biliões de factores, impossíveis de enquadrar numa equação ou fixar numa fotografia, fez gerar o «acontecimento». Queria fugir de uma linguagem sempre ambígua, mas não tenho outra à mão: um encadeamento de biliões de factos fez juntar aquelas pessoas naquele lugar e naquele dia e gerar algo que transcendeu cada uma delas: a ALMA ou o ESPIRITO-ACONTECIMENTO.

13 agosto, 2009 08:44  
Anonymous Mário Neiva said...

(continuação)

Insisto: cada um de nós não foi a “alma-encontro” mas aquela “alma” só foi possivel tornar-se uma realidade para todo o sempre, porque cada um de nós esteve lá presente, dando-lhe a visibilidade e o suporte de um corpo.
Fique o registo de uma pequena luz sobre a realidade do «ser» e «não ser». Afinal, a metafísica com o garrafão de vinho do Emídio pendurado no braço, como que a dizer-nos que o «nada» é sempre alguma coisa…Nem que seja um garrafão de vinho. A dar um «corpo» a uma «alma». Convenhamos que é de uma irreverência extrema dizer que de um garrafão de vinho pode nascer uma alma. E no entanto ele foi um dos múltiplos factores a entrar na génese e na festa do “espírito-encontro”.
Segundo Lauglhin, nada é efeito de uma causa simples. No livro que venho referindo ele afirma que a realidade que nos envolve emerge (é fruto) de um entrelaçamento de factos impossíveis de equacionar. Vamos equacionando alguns e nisso consiste o avanço da ciência. E deixa bem claro que os cientistas não criam a Realidade mas vão descobrindo as suas leis. E alerta para o facto de que se queremos compreender a realidade temos de a «olhar» como emergência resultante da conjugação de muitos factores. Se nos apresentassem em separado duas porções de oxigénio e três de hidrogénio nunca saberíamos o que é o prazer de saborear um copo de água fresca, porque só a «fusão» daqueles dois gases e naquelas proporções faz emergir o precioso liquido!

Se cada um daqueles antigos marianos e seus familiares não se tivessem juntado no Sameiro, em 27 de Junho 2009, nunca aquela festa, que chamei de «alma encontro» veria a luz do dia. Até parece uma afirmação estúpida., não é? Mas dá-nos bem a ideia do sentido do «antes» e «depois» dos «factos»: o que antes não existia, agora existe de forma indelével para a eternidade. Verdadeiro “marco” na nossa história. E tão definitivo como cada evento do nosso dia-a-dia. Tão simples e tão real quanto parece, o que equivale a dizer que em cada dia criamos o corpo e a alma que somos, numa sucessão de acontecimentos entrelaçados numa História que vem de trás. Assim parece, deixando atordoados os inconformados filósofos, enraivecidos os ateus, indiferentes os agnósticos e em delírio os crentes.

Agora imaginem se a alma de cada um de nós também emerge (surge) de forma semelhante!
Que haveríamos de concluir? Que aquilo a que a gente chama de «matéria» não é algo tão estupidamente “ceguinho” como nós pensávamos. Aliás, os físicos até já usam um termo mais subtil: energia. E também já nos vão dizendo que traduzir aquela «coisa» em equações inteligíveis é tarefa mais para deuses que para homens.
Aqui para nós que ninguém nos ouve: que a matéria é energia já todos tínhamos percebido há muito tempo. Disseram-me que aquele bagaço que o Emídio levou para o encontro até dá vida a um morto! E eu que não provei!

13 agosto, 2009 08:46  
Anonymous Mário neiva said...

«O ingnorante afirma,
o sábio duvida,
o sensato reflecte»
(Aristóteles, o Filósofo)

«O começo de todas as coisas é o espanto de as coisas serem o que são»

(Aristóteles, o Filósofo)

«O intelecto anula o destino. Quem raciocina é livre».

(Ralph Emerson)

16 agosto, 2009 10:29  
Anonymous jorge dias said...

Caríssimos, em espaço de ser , o silêncio é ausência mas não deixa de ser espaço de vida... Logo voltaremos com novos desafios que em vida fazem a contempação e essa vertente, quase exclusiva dos carmelitas,o profetismo do anúncio do amor em dádiva ao irmão, bem como da Ressurreição, do que se ressuscita em corpo novo se comer, nem mesmo que seja em espaços distantes como as Filipinas, por exemplo, e onde a criança Filipina é resultado da comtemplação carmelitana. Bem haja aos que o sendo no silêncio o são simplesmente porque são contemplativos num corpo novo de Cristo em carne verde e somos muitos. Como D. Sebastião em manhã de nevoeiro... mas garantida a audiência num quebrar de silêncio fúnebre que pesa como chumbo ou como silêncio!Pois alevá.

24 agosto, 2009 16:16  
Anonymous Mario Neiva said...

Estou longe, na Suiça, e em PC emprestado, a pedir-te para explicares como a contemplaçao carmelitana pode resultar em criança filipina. Ate poderaa ser, mas nao estou bem a ver. As imagens e noticias que chegam dessa terra infeliz antes nos fazem pensar que o sal nao foi sal nem o fermento fermentou. Ate parece que o sopro do Espirito passou ao lado; ou por dentro e ninguem ligou.

24 agosto, 2009 17:39  
Anonymous jorge dias said...

Não há nada melhor que um misteriozinho ou um mexerico para mexer com a alma do português ou do filósofo (?). Do filósofo não, nem do carmelita...
Gostei muito da notícia de hoje. Tibães - mosteiro - com irmãs carmelitas que farão a ligação com a comunidade visitante e local através de um restaurante e uma hospedaria e povoarão como comunidade o espaço outrora de convento. Gostei... mas espero que elas sirvam à mesa... como cidadãs normais e cuidem dos quartos ganhando o pão nosso de cada dia como trabalhadoras ao serviço da boa nova e dos irmãos. Garantido que vocações não faltarão... Um Paradigma moderno para freiras de hoje!
Que a Suiça saiba bem... que o espírito sopra onde quer e não há distância para as suas obras.

25 agosto, 2009 02:08  
Anonymous jorge dias said...

Para algum interessado aqui deixo um endereço para pesquisa sobre as Carmelitas em Tibães.

http://historiaporumcanudo.blogspot.com/2009/04/tibaes-acolhe-missionarias-donum-dei.html

26 agosto, 2009 00:22  
Anonymous jorge dias said...

A Regra I
Pessoa das minhas relações fez-me umas interessantes provocações sobre a Regra carmelita, a grandeza hoje da nossa espiritualidade no mundo... E respondi-lhe assim:

"Compreendo todas as vidas que dêem mostras de serem "boas novas", evangélicas. A Regra tem os problemas que tem e o evangelho não tem nenhum. A Regra só é essencial no que toca ao carisma: contemplativo, profético e irmão de Maria. O paradigma que a suporta há muito que se esgotou por força dos tempos. Nunca os pobres das Filipinas caberiam no paradigma que suporta a Regra, mas tão só algumas vertentes milenares e, se remontássemos ao tempo de Elias, Essénios, Cruzados, Templários e tantos outros mais "regulares", já tínhamos uma grande salgalhada. Estou a ler Inocêncio III... os problemas do Inicio de um novo milénio, o de mil para mil e cem da nossa era trouxe problemas cuja resolução na Igreja com ele se iniciou. E os problemas já nessa altura tinham muito a ver com os nossos dias e com a ânsia do ser humano encontrar soluções, entenda-se, mudança de paradigma. Como assim, precisar de Regra para ser carmelita?! Entendamo-nos: para ser contabilizado como carmelita? Mas quem quer saber disso? Para se ser contemplativo, profético e irmão de Maria, qual Regra?

Irmão de Maria somos por dádiva, carmelita e profético sou-o por fé, aprendizagem e trabalho. Qual Regra? Recuso a Regra? Não. Apenas tento provocar a mudança de paradigma, como aliás outros o fazem com as crianças das Filipinas e eu o faço nas comunidades a que me dedico, desde logo na familiar.

Em absoluto com todos no que toca à genuína espiritualidade carmelita no mundo, mas precisamente porque se foi além da Regra. Por mim digo mais, encontrei entre os ex-freis e ex-falpera e sameiro gente absolutamente fantástica e de uma capacidade contemplativa, profética e ascética que corre o risco de ficar desconhecida que, em minha opinião, são verdadeiros expoentes modernos do que historicamente se tem chamado ascese carmelitana. E só não comparo para não voltar a provocar. Por mim entendo-me a viver num mundo quase perfeito e muito mais para a frente no caminho do alfa para o omega do que o que normalmente nos concedemos.

28 agosto, 2009 01:48  
Anonymous jorgedias said...

Regra II
Refundar a Ordem! Isso é obviamente uma redundância. Mas quando se escreve e ou fala é forçoso envolver os humanos numa linguagem estimulante senão mesmo provocatória. É fácil ser apoiante e participante monetário numa actividade a favor dos outros longe de nós. Mas é mais difícil o exercício do profetismo com o nosso vizinho ou no espaço de um blog como o aaacarmelitas. É fácil fazer OH quando as "tween tawers" tombam, mas é muito mais difícil ser paciente com um vizinho que nos provoca ou profético com os meus concidadãos que reclamam de mim a cultura de que me revesti... É fácil mandar bocas aos filhos que não avançam, mas muito mais profético de exemplo é pegar nos bens que temos e dizer-lhes: estão aqui, estão em teu nome, vai, faz render 100% e nisso os nossos filhos perceberão que somos diferentes dos outros pais, precisamente porque afinal somos de outra cultura: contemplativa, profética e irmãos de Maria. Não há vocações porque não há paradigma novo...Eu não deixei a Ordem do Carmo, eu deixei um paradigma medieval que a Ordem do Carmo me convidava a viver pela sua Regra, paradigma este que nos esgotava psicologicamente sem nada nos dar em troca.

Independentemente de outros aspectos, sem dúvida interessantes e valiosos, como a Ressurreição, cuja guarda o Carmelo levou a cabo pelos séculos, as outras vertentes, as essenciais (contemplação e profetismo) são absolutamente necessárias aos nossos dias. Já são realizadas por muitos outros, até não crentes, filósofos, pensadores,mas vejam agora em termos humanos, o contra-senso do Carmelo inter-muros, sem ligação cultural à humanidade! Hoje, os conceitos de espiritualidade de um Deus a aplacar ou tirano, ou das virgindades e tretas afins, só farão sentido, se fizerem, ao darem espaço ao irmão em quem Deus é. Os "big brothers" mostraram ao vivo como são as relações das pessoas que vivem em circuito fechado.

O que sempre caracterizou o Carmelo na alma do povo foi o dar nas vistas. O profeta anuncia e denuncia. Por isso foram seguidos os carmelitas, foram seguidos pela alma do povo. Seguidos nas mortalhas com que queriam ser sepultados, seguidos na devoção à Senhora do Carmo através de oratórios nas famílias, dos quadros espalhados por imensas igrejas, das imensas Igrejas dedicadas à N.Sra do Carmo, nos nomes e apelidos que se deram... Ser carmelita é tudo menos silêncio porque é profético. Silêncio só na humildade. Por me sentir e ser filho de Deus, mas também pela escola carmelita que me foi dado fazer, hoje sinto-me ser cada vez mais um cidadão do mundo e convidado a anunciar.

28 agosto, 2009 02:00  
Anonymous Mário Neiva said...

De regresso.

Quando, mais acima, referi que me encontrava na Suiça, foi, antes de mais, para justificar o meu silêncio. Mas fi-lo principalmente por outro motivo. Na verdade, como foi possivel, um teso como eu, que nem dinheiro tem para mandar cantar um cego, viajar para tão faustosas paragens? E vocês nem podem imaginar o programa que me foi preparado e oferecido e à minha mulher. É que eu lembrei-me, quando gozava uma estadia tão inesperada quanto deslumbrante, de um video-clip que um dia me enviou o meu antigo condiscipulo na Faperra, Adriano Machado. Nesse «clip» se afirmava que a vida nos dará na medida em que nós lhe dermos. Para o meu caro Adriano, na altura eu comentei que recebera muito mais da vida do que aquilo que alguma vez lhe poderia retribuir.
Esta estadia na Suiça que me foi oferecida por um casal amigo, ela portuguesa e ele suiço, foi mais uma prenda da vida que eu jamais poderei retribuir. Serei um eterno devedor perante tanta gente de bem que se vai cruzando na minha vida.Neste caso concreto, um gesto insignificante de solidariedade da minha parte e da minha mulher é retribuido de uma forma que eu estaria longe de imaginar.
Em todo o tempo que passei naquela terra, o calor e a beleza da amizade foi rivalizando com as paisagens paradisíacas porporcionadas pelos vales profundos e pelas montanhas altíssimas das neves eternas dos Alpes.
Como a parte portuguesa do casal é leitora do nosso blog, estou certo que não me levará a mal por este reconhecimento "público" do carinho com que nos recebeu, a mim e à minha mulher.
E posso concluir, sem falsa humildade: pobre de mim se a vida me desse apenas na proporção do que à vida dou!

29 agosto, 2009 18:06  
Anonymous Mário Neiva said...

Estou surpreendido por saber que as irmãs carmelitas «viraram» camareiras de uma pousada de turismo religioso-rural. Sempre é uma forma de integração na sociedade. Que, desta forma, o "fermento" do evangelho se funda e morra na "massa". Ficam, porém, a sobrar, como relíquias do passado, o hábito monástico, o título de «carmelitas» e os votos absoletos de obediencia, castidade e pobreza.
Um novo paradígma seria os valores da fraternidade evangélica emergindo numa Humanidade feita «Corpo Místico», como releva das palavras de Paulo de Tarso. A dinâmica própria do «sal» e do «fermento» será essa. Os que ainda estão no caminho do passado, como aquelas freiras carmelitas, preparem com amor evangélico o surgimento do novo paradígma. Será essa a sua missão se souberem ler os sinais dos tempos.

29 agosto, 2009 18:52  
Anonymous jorge dias said...

Caro Mário, e toda esta imensidão de amigos,me fico pelo teu escândalo e pelo escândalo provocado pelo hábito! E já agota e porque haveria um hábito de ser causa de escândalo e não de qualquer outro estímulo.Quando minha companheira em Carnaval saiu à ru de freira, e que bom, todos a queriam! Além do que, se são terceiras , será que usam mesmo hábito? E precisava? Precisava de quê?. Desse teu comentário bem rente ao chão?
Caro amigo... na Suiça ainda não estive, mas dizem os guias que nos Açores existem várias Suiças e paisagens tão arrebatadoras como os maiores amores... estás convidado. Agora quero ver o que valem?! Preço: a passagem. Estadia: um comentário no blog aaacarmelitasblogspot.com, em maré baixa. Quer dizer,já ou a combinar.
Mas fazer camas não é oração, amor evangélico! E limpar rabos de crianças ou de idosos é?
Oh Mário... tem dó do São Paulo e de ti! Onde estavas tu? Mário, Deus é só, mesmo só e nada mais , o irmão. Não é o ABC. É apenas e só o A. Tu,meu caro, és o provocador máximo, mas só aparentemente, porque o máximo são mesmo as mulheres. Como provocação: mas nisso eu sou doutorado. Venham mais. Aguardo que me digas quando queres vir e encheremos o blog. Um abraço

31 agosto, 2009 00:34  
Anonymous Mário Neiva said...

Obrigado, Jorge, pela tentadora sugestão, mas só dentro de um ano posso viajar, que a minha mulher ainda não está reformada.
Há destas coisas: na viagem de regresso e ainda dentro do avião que nos trouxe da Suiça, a minha mulher disse-me que o próximo passeio poderia ser à Madeira ou aos Açores. Propus Cabo Verde, porque o Zé Moreira me aguçou o apetite. Mas ainda falta uma eternidade!
Não consideres rasteiro o meu comentário sobre as carmelitas de Tibães. Nem escândalo meu a referencia ao hábito religioso. O que tenho feito é sugerir um novo paradígma, como tu dizes, para quem quer ser «mais humanidade» e isso passará, também, por deixar cair os adereços que já fizeram a sua história. Tive cá em casa uma freira no mês de Julho e tenho outra neste mês de Agosto (amanhã regressa à comunidade) e nunca me passaria pela cabeça fazer comentários rasteiros à sua opção de vida. Fraternalmente, em plenitude, porque são também irmãs de sangue, trocamos impressões sobre as nossas vidas. E estas estão sempre acima dos tais adereços, que pouco mais são que as marcas do tempo.

31 agosto, 2009 18:12  
Anonymous jorge dias said...

Caros e caro amigo "maré baixa" nada de rasteiro... que mais rasteiro é mesmo a matéria orgânica e essa é que dá a melhor "novidade", primores na horta.
Maré baixa cá em casa significa quartos livres, espaço disponível para te instalares comodamente só no sono... porque nesta terra, quando se vem com pouco tempo, dormir é roubar vistas às vistas! Rasteiro não, "maré baixa", eu sei, impropriamente, peço dsculpa, quer dizer sómente lugar com mais privacidade... porque lugar tem mesmo sempre. Já leste a página que indico acima?Vale a pena!

01 setembro, 2009 15:48  
Anonymous Mário Neiva said...

Repetitivo, ad nauseam

Peço desculpa por me repetir até causar fastio, nesta minha insistência no fim da era das ordens religiosas tradicionais, de freiras e frades, primeiras ou terceiras, com hábito ou sem o dito, com um voto só ou os três de uma assentada. Venho repetindo que o fermento morrendo na «massa» realiza em plenitude a sua missão, que o «corpo místico» de Paulo de Tarso não é um novo «povo eleito» à maneira do judaísmo, mas o «corpus» da própria Humanidade, a contar já com 7 biliões à face desta Terra que, se não é a prometida, bem parece, pois não se vislumbra outra que se lhe assemelhe, até onde alcança o engenho humano em busca de companheiros de viagem, para a vida única que ainda somos.
Cada um de nós, consciente, talvez mais do que nunca, da pertença a este «corpus», entenderá que a nossa realização plena consistirá em ser mais humanidade e não em fugir dela, como se foge de uma maldição.
Caíram os muros dos conventos e ficaram expostas as comunidades que se abrigavam sob os seus claustros, fazendo dos frades, párocos. O hábito monacal resiste apenas em cerimónias de circunstância. As horas canónicas já não são cantadas em coro, ou porque não há coro suficiente ou porque não há tempo e, como alternativa, são mastigadas à pressa, tão rotineiramente como quando eram entoadas em coro. (Confesso que, no meu tempo, conseguia arrepiar-me um pouco, de vez em quando, em certas passagens mais belas e emotivas)).
Eu sei que há relíquias, por esse mundo fora, desse passado monástico. Mas são relíquias, hoje, o que ontem foram grandes e motivadas comunidades. É esse passado que respeito, que foi parte da história de muitos e de mim próprio.
Não o desdenho, não o apouco, muito menos o ridicularizo.

Falemos do principal, os votos religiosos, como verdadeiro programa de vida que era.
Já todos parecem esquecidos da guerra que eclodiu na igreja de frades e freiras quando se deixou cair a veste talar. Os «irmãos» e «irmãs» não andaram à estalada mas ficaram por lá perto, remoendo rancores que acabaram diluídos no tempo. Percebeu-se, com a idade que nos vai dando sabedoria, como é secundária a veste e foi-se dando razão ao povo que sempre intuiu que «o hábito não faz o monge».
Pois bem, meus caros companheiros aacarmelitas, e esta é a minha «provocação», está a chegar a hora de remeter para plano secundário o próprio “programa de vida” que são a profissão de obediência, castidade e pobreza!
Já não fazem lá muito sentido e por isso não são apelativos e não geram vocações. Tiveram o seu tempo e foram sal e fermento no tempo certo, se assim se pode falar.

O exercício pleno da vontade humana, que o coloca acima de qualquer outro ser vivo, não pode ser alienado por voto, sob pena de acabarmos por alienar uma parte do que de mais sagrado somos. As «ordens religiosas» nasceram da vontade indómita dos Franciscos de Assis de todos os tempos. Estivesse ele sujeito, por obediência até à morte, à Santa Regra Beneditina e nunca o seu «carisma» veria a luz do dia.
Nem Teresa de Calcutá, sendo obediente carmelita em Tibães, percorreria as ruas pobres e imundas da terra para contemplar, ao vivo, o rosto de um Deus abandonado à sua sorte miserável.
Num tempo de responsabilização crescente pelos nossos actos, mesmo quando se trata de não poluir com sacos de plásticos praias e bosques, a renúncia à vontade própria aparece aos jovens como algo de intolerável.
E renunciam ao voto de obediência, deixando «às moscas» os conventos!

02 setembro, 2009 00:13  
Anonymous Mário Neiva said...

Que dizer do voto da pobreza, quando o mandamento claro é para ganharmos o pão com o suor do nosso rosto?
O pão, a veste, o calçado, a habitação, a formação, o recreio... Em suma, o trabalho que a vida nos dá e a festa que nos proporciona viver!
A não ser que o cristianismo não preconize a «festa da vida» mas a «renúncia» à vida! Como se estivéssemos na vida, de passagem, nem vivos nem mortos, mais condenados e encarcerados (no corpo!?) que seres livres e, pior do que tudo, incentivados a desejar a morte (do corpo?!) como finalidade da nossa existência. Seria a renuncia consentida à nossa própria realidade humana. No fundo, significava deixar de acreditar no mistério do homem e seu universo, perder a esperança na História e fazer coro com o ateísmo: tudo não passa de um perfeito absurdo (Sartre ou Saramago).
Os crentes a proclamarem o absurdo «desta vida» (a «outra» é que é!) e os ateus a proclamarem o absurdo da vida em si mesma, esta ou qualquer outra.
Não me consta que seja isto que a teologia cristã propõe! Mas sem dúvida que muitos teólogos, cristãos e não só, propõem tal.

02 setembro, 2009 00:18  
Anonymous Mário Neiva said...

ContinuaçãoPor fim, o voto da «santa castidade».
É difícil saber até que ponto a renuncia ao exercício da sexualidade está ligada, não ao «evangelho de Jesus», mas a filosofias estranhas ao judaísmo-cristianismo. Mas sabemos, de ciência certa, que a castidade não tinha qualquer valor em si mesma no contexto bíblico e continua a não ter na teologia cristã-católica. E parece-me que se esquece este facto com demasiada facilidade. Com efeito, biblicamente falando, os «abusos» no que diz respeito ao sexo, estão na mesma linha de tudo o que atente contra a dignidade dos «filhos de Deus». A carga negativa acrescida que incidiu sobre a sexualidade humana foi importada de filosofias e teologias que têm pouco a ver com o cristianismo e com a sua teologia fundamental da Ressurreição da Carne. Mas o certo é que um infausto acervo de ideias maniqueístas fez escola, pegou de estaca e modelou a face do cristianismo que chegou até nós. No cristianismo, todo, de uma forma difusa, às vezes, outras nem tanto, foi-se entranhando a ideia de que sexualidade e pecado são irmãos, filhos do mesmo pai, o diabo. Pouco faltou para afirmar o absurdo de que fazer um filho é fazer um pecado. Daí a luta sem tréguas entre cristãos, até ao ódio, até ao cisma, até ao assassinato, na defesa de certos dogmas relacionados com a sexualidade, como a «virgindade perpétua» da mãe de Jesus. De forma implícita ou de forma explícita se ensinou à cristandade que sexo é “infracção” à vida e não “fonte” de vida, equivalendo a dizer que cada um de nós é um erro ou uma mancha desde o nascimento!
Todos sabemos como se tentou e tenta ainda branquear esta vergonha teológica falando em sublimação dos afectos, em disponibilidade para a oração e para o apostolado e outras desculpas encobridoras de uma filosofia/teologia espúria. Não há dúvida alguma de que se considerarmos o corpo que somos uma realidade maldita e morada traiçoeira de uma «alma» de um «outro mundo», em tal contexto a sexualidade só serve para atrapalhar a história e a felicidade de cada um. E fazer um filho será, efectivamente, dar um grande tropeção nesta nossa vida. Bem, bem, seria irmos todos para frades e freiras. Acabava-se a Humanidade? E qual o prejuízo, se este «corpus» humano é mesmo desprezível, descartável e dispensável? Não é isso que ensina, em convergência com este «cristianismo» mas de forma coerente e ajustada, a filosofia-teologia da reencarnação? Que diz esta filosofia-teologia? Com clareza, isto: as almas já estão todas criadas, há muito tempo, (ou em tempo algum!) e vão saltando de corpo em corpo (de gente ou de cão) até se aperfeiçoarem no voo definitivo para o mergulho no infinito!
Sei, de fonte segura, que a teologia cristã não está a fazer caminho nesta direcção. Bem pelo contrário e em coerência com a sua «esperança na ressurreição da carne», alinha na sexualidade humana e desalinha quanto a um «corpo de cão» reencarnado.

Sei que há aacarmelitas fervorosos crentes na reencarnação, em corpo de gente, de cão ou de camelo. Defendam as suas propostas, mesmo que o tenham de fazer sob anonimato. Ou com pseudónimos, que é bem mais do meu agrado. Digam da vossa justiça, que o assunto está na berra.

Mas que diabo tem o voto da castidade a ver com isto? Tudo! Pensem bem se a renuncia à sexualidade não será, no fundo, a renuncia ao corpo-que-somos. Ou a renuncia ao corpo-que-efectivamente- não-somos, como determina a teoria da reencarnação!

De qualquer modo reconheço que é uma estranha forma de abordar o voto religioso da castidade. Mas que havia eu de fazer, se nascemos do jeito que nascemos e amamos do jeito que amamos?

02 setembro, 2009 00:20  
Anonymous jorge dias said...

E eu vou por aí, caríssimos, com o amigo Mário... mas não vou co alguns pormenores. Mas isso é irrelevante. Em todo caso, vou com a boa nova de Jesus... e com o homem liberto de todos os pensadores. Penso que a boa nova é uma indiscutivel mais valia e um desafio sem limites. Não me repugna nada que se tenha que obedecer,porque a nossa gregariedade isso impõe, mas tenho cada vez mais dificuldade que tentemos anular o homem e a mulher, sexuados, e que ganham, segundo o desígnio do criador, (e exigência genética) o pão com suor do seu rosto...
Em Tibães, à mesa do restaurante, ou no arranjo da hospedaria, que diferença fará das irmãs da Caridade da Madre Teresa na India ou N. York ou de quando eu me faço de cozinheiro no convento da minha família? Com hábito, sem hábito, vestido ou semi-nu... só importa mesmo o irmão, mesmo quando ele é filho ou companheira.
Que mundo de lindo estamos construindo... Já agora, caro Mário, como está longe de nós um Sartre! Já não diria Saramago porque em Lanzarote a sua companheira, com idade de filha, fez o inimaginável. Saramago já não é bem a mesma coisa. É mais humano e isso basta. Aliás, que somos nós hoje de diferentes?

02 setembro, 2009 01:26  
Anonymous Mário Neiva said...

Certo, Jorge, em Tibães ou nas ruas de Calcutá, mas pensando em deixar cair apêndices que o tempo criou e desgastou, obedecendo, apenas, ao irresistível impulso criador que faz a mudança e o avanço da história. "Obedecer" ao que já está «criado» é tornar-se cegamente repetitivo, como as abelhinhas que fazem as suas colmeias, da mesma forma, há milhares (milhões?) de anos. No fundo, ser «conservador» é alienar a criatividade humana e renunciar a uma História Humana que procura a felicidade fazendo um trajecto, em progresso, de irreprimível esperança, em vez de voltas em círculo, em veneração paralisante dos seus feitos passados. Por mais grandiosos que estes sejam, a meta está no futuro porque o caminho ainda mal começou a ser trilhado. Hoje, temos a noção aguda de que estamos apenas na fase de arranque. Basta pensar na juventude da vida humana, comparando-a com os biliões de anos da velhinha Terra-Mãe.
Faça-se o voto da criatividade, que os jovens vão aderir em massa!
Faça-se o voto do trabalho para a festa da alegria, que os jovens vão aderir em massa.
Faça-se o voto de amar esta vida presente, qual filho que se estreita nos braços, que os jovens vão aderir em massa.
Ser obediente, como a formiga, pobre, como um deserdado da vida e casto, como um mutilado, é um programa de vida de quem não acredita que este Homem, nesta Vida, faz todo o sentido.
Já pensaram os cristãos que crer na «Ressurreição da carne» e anunciar a «Ressurreição da Carne» pode significar a vitória da «carne» contra a sua própria morte? Mas como pode ser isso? São Paulo pensa que explicou direitinho aos Coríntios! Vão lá ler.
Entenda-se como «carne» o homem integral do cristianismo-judaismo e não a parte maldita e desprezivel do «homem-maniqueu» ou do «homem-reencarnado», sendo que, neste último caso, para fazer um "homem" até pode servir carne de cão. E não caiam na tentação de pensar que "carne" de cão é igual a "carne" de gente, porque as potencialidades da carne da gente são únicas no Universo. Pelo menos até mais ver.

02 setembro, 2009 08:41  
Anonymous jorge dias said...

Gostei imenso, apenas para te dizer que concordo contigo... e mantenho a minha obediência sociológica a um projecto. Só que esperava que me tivesses percebido à primeira. Experimenta não integrares a obediência na tua vida e de e do grupo nada restará. Delicio nesta leitura de boas novas dsafiantes.

02 setembro, 2009 16:17  
Anonymous jorge dias said...

Perdoem-me os erros que não vi. Mas entenderão os desafios! Se não entenderem inventem outros. Um abraço de um carmelita no século. Como vai lindo o futuro!

02 setembro, 2009 22:39  
Anonymous Ana Emília said...

Que grandes filósofos!
Apreciei muito a leitura e continuarei a acompanhar o desenrolar das V/conversas ...que me fazem reflectir!

09 setembro, 2009 16:12  
Anonymous Emídio said...

Ou, pessoal,

... E que tal se fôssemos a Tibães almoçar um dia todos juntos? ... Pelo menos os que íamos lá passar lá aquela semanita de campo...
Alguém se lembra ainda de quando o Pe. Olavo nos fez lá um daqueles jogos de "escuteiros", com setas, mensagens, e etc., nas matas do convento de Tibães, em que tentamos encontrar um tesouro escondido? E que, após várias peripécias, lá encontrámos nós o já falecido Bernardino, um santo rapaz que, juntamente com o Sampaio, eram os únicos do 6º ano!? ... e que, após o descobrirmos levados pelas setas e mensagens, o obrigamos a confessar, ao bom estilo de "escuteiros", onde estava o tesouro escondido?
Nós estávamos convencidos que esse tesouro era algo de "comes e bebes" para compensação de tanta esforço físico e de investigação. ou então alguma boa noticia do que se seguiria naquele dia (ou dias seguintes), verbi gratia, um filme, ou assim algo de divertido. Eis senão quando o Bernardino, após nossa pressão para o obrigarmos a confessar qual era o tesouro, se sai com esta, com os "esses" (sss) pronunciados à maneira de "Viseu", que também se gastava em Cedovim:
"- Sim. Eu tenho um tesouro guardado no meu coração! E vós também tendes! Jesus Cristo mora no meu coração! E no vosso também... "
- Ora porra!!! Démos meia volta e viémos todos embora, chatiados. Então andámos nós um tarde inteira na brincadeira para ouvir um sermão?
... E lá ficou o Bernardino com o Pe. Olavo. Não sei se alguém ficou com eles, que eu fui dos primeiros a dar a meia volta...

Ouvi dizer que aquelas escadarias e fontes do convento foi tudo destruido e vendido, que a talha da igreja, pricipalmente do coro, desapareceu quase toda,que os quadros dos priores e o retrato do D. Sebastião e do Cardeal rei D. Henrique desapareceram, enfim, que foi tudo bandalizado...
Se foi, é pena!!!
Mas podíamos juntarmo-nos e ir lá almoçar um dia... Tanto se nos dava que as carmelitas nos servissem com hábito, como sem hábito!
Enquanto petiscávamos, podíamos ouvir o Jorge e o Neiva a "filosofar", e a Ana Emília a reflectir!
E já agora, fazia falta

uma do "malho",
aquele bandalho!...
...Nunca mais apareceu!
Será que o paspalho,
Foi prós lados de Viseu?

Um abraço.

10 setembro, 2009 00:55  
Anonymous O Malho said...

Ó Emidio, quantas vezes provaste do teu bagaço antes de fazer este relato de Tibães? Lembro-me muito bem da tal «semanita», dos jogos de escuteiros, das assobiadelas populares quando nós lhe oferecemos, generosamente, melodias do nosso grupo coral, ensaiadas e dirigidas pelo irascivel Pe Pascoal, que ia perdendo a compostura, pelo insulto das assobiadelas aos seus pupilos...Lembro-me dos banhos no lago de água gelada e da atrapalhação do Sousa Marques (de Sande) que teve de ser socorrido pelo Pe Ambrósio. Mas onde foste tu buscar um Pe Olavo a brincar aos escuteiros? E um Bernardino do sexto ano, já falecido ainda por cima, se apenas me lembro do Bernardino Barbosa, ainda vivinho da Silva e de Barcelos? Foi o bagaço que te fez trocar os nomes e adulterar os factos ou estás a falar de uma outra «semanita» que não foi a minha? Dou-te o benefício da dúvida. Até lá, vou continuar a pensar que é do bagaço...

10 setembro, 2009 10:51  
Anonymous Mário Neiva said...

O Silencioso Milagre da «Presença»

Quem algum dia teve o privilégio de sentir nas suas, as mãos trémulas de um velhinho; ver-lhe, nos olhos cansados, um súbito e inesperado brilho, como um sorriso deslocado; descobrir, no rosto enrugado, as próprias raízes expostas da gratidão da alma humana; e adivinhar-lhe no peito a ternura inefável do pulsar frágil do coração fatigado, jamais poderá esquecer que esteve por dentro do milagre silencioso da «presença» de um ser humano face outro, seu igual.

Eu atrevo-me a dizer que o ser humano está preparado para um momento como este e à espera que um dia tal milagre aconteça na sua vida. Não importa quando, como, com quem, e de que forma. Aconteça no amor, na amizade, na solidariedade, na caridade, na compaixão! Ou até, em gesto pouco mais que instinto carinhoso de animal que sempre fomos! Pouco interessa a forma, de facto, porque o destinatário vai sentir o milagre silencioso da presença de Alguém: da nossa presença.

Deixem-me registar já, que não aguento esperar mais: se em cada um destes gestos humanos que referi, indicativos da nossa “presença”, se fizer no contexto do reconhecimento mútuo, capacidade única da vida que somos, emerge o Amor, num encantamento que fez delirar os poetas e os filósofos, os crentes e os não crentes de todos os tempos.
Este Amor de que se fala tem esta peculiaridade: obrigatoriamente exige a «presença» de duas pessoas, porque não se ama sozinho e muito menos sem corpo, nem que seja para transmitir um pouco de calor àquelas mãos velhinhas, trémulas e sempre frias.

Dir-me-ão: a descoberta desta «presença» também pode ser para rejeitar, não necessariamente para amar. Será verdade? É verdade, mas nesse caso alguém está doente ou simplesmente está em fase de crescimento, rumo à generatividade (lembram-se deste tema, trazido à colação pelo Jorge em Um Almoço Muito Especial?) que nos fará desembocar na plenitude da vida que é o Amor

Afirmei, com demasiada facilidade, que quem não ama está doente ou é imaturo. Estou consciente disso. Mas pensem na paixão imoderada que o ser humano tem em querer comunicar! É um impulso vital que parece radicado na essência da nossa humanidade. Queremos comunicar com tudo e com todos. Até a própria curiosidade, que fez nascer as ciências, faz parte da irresistível vontade de comunicar e que, neste caso das ciências, assume a forma de «conhecimento». E daí também saber-se que, quem mais sabe, melhor e mais pode comunicar. Salvo se estiver “doente” e, neste caso, o conhecimento de pouco ajudará à comunicação e felicidade que procura.

E comunicar é, fundamentalmente, manifestar a minha «presença» na esperança de partilhar a tua.
Como entenderemos bem tudo isto, se nos recordarmos do suave milagre do primeiro amor da nossa juventude!
Uma vez por dia, pelo menos, devíamos meditar nesse milagre de ontem, para ser também de hoje.
Podem alindar a oração-meditação, murmurando os versos que o imortal Camões nos deixou:
«Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste».

10 setembro, 2009 14:11  
Anonymous Mário Neiva said...

Saramago condena Deus e absolve Caim

No seu novo livro «CAÍM», anunciado em Espanha, Saramago considera Deus o «autor intelectual» do crime de Caim.

Pelos vistos, Saramago retoma o argumento velho e gasto de que se Deus criou tudo, também criou o mal e, assim sendo, a autoria «moral» do crime de Caim é do próprio Deus. Dentro desta lógica se poderia afirmar, também, que o desgraçado Judas pagou, de forma horrorosa, o preço da redenção do género humano, porque a «Redenção» era um desígnio de Deus, e Judas estava predestinado a fazer o «trabalho sujo». Não havia como escapar ao seu miserável destino. E, de facto, só aparentemente teve liberdade de escolha. Tal como Caim.

Os ateus gostam de esgrimir este argumento para atacar a crença num Deus pessoal, omnisciente, omnipotente e infinitamente bondoso. Racionalmente, os crentes ficam encostados à parede porque não dá mesmo para entender.

Há dias recebi um belíssimo videoclip com fotos de planetas e seus satélites, estrelas e seus planetas e galáxias com biliões de estrelas e milhões de anos-luz em distâncias! E de perder o fôlego.
As fotos foram obtidas pelo telescópio Hubble, colocado em órbita terrestre. No fim do videoclip, como habitual nestas mensagens, vinha este comentário: «Para que ele exista (esse imenso e maravilhoso universo) é necessário que haja um Criador. Com poder, inteligência, criatividade, gosto pela beleza e pela vida, em grau máximo. É um privilégio da nossa geração poder conhecer melhor e ser participante desta obra incomparável de Deus».

O ateu e o filósofo intervêm nesta paz de espírito e lançam a confusão no que parece tão simples, tão lógico, tão evidente.
Alegam eles: estamos nós aqui, na Terra, vivendo a nossa vida como sabemos e podemos, já tão numerosos que nos contamos por biliões e eis que surge a notícia fulminante de que um calhau cósmico, muitíssimo maior do que aquele que se pensa terá atingido a Terra e provocado o desaparecimento dos dinossauros, se dirige directamente para a Terra! Não temos hipóteses e vamos ficar reduzidos a pó.
Possibilidade aterradora e demolidora de um pensamento benevolente sobre quem permite tal catástrofe. Afinal de contas, um pedaço da beleza cósmica, obra de um incomparável Criador, «com gosto pela beleza e pela vida, em grau máximo», está prestes a aniquilar o lindo Planeta Azul e toda a vida que nele pulula! Saramago diria que fica, do mesmo modo, reduzida a pó a ideia de um Deus bom em grau mínimo e, mais ainda, «em grau máximo». Qual de nós, sabendo e podendo, não desviaria, para bem longe desta Terra, povoada de uma vida inigualável, um calhau brilhante que do espaço se precipita na sua direcção?
É apenas uma eventualidade, no extremo das nossas considerações. Mas, sem extremo algum, acontece a «normalidade» dos tsunamis, dos tufões, das epidemias! Aqui e agora. Ontem e sempre.

Que fique a lição para os crentes: Inferir a existência de Deus, contemplando a beleza e grandeza do universo, não passa de um exercício atabalhoado e fútil, que só convence quem já está convencido. Por esse caminho, o crente estará, sempre, a fazer um Deus à nossa imagem e semelhança, de nós e do nosso mundo, nós que somos vida e morte, beleza e fealdade, bondade e maldade, conhecimento e ignorância. Realidades contraditórias que resultarão numa não menos contraditória ideia de Deus, ao concebê-lo como um de nós. Curiosamente, num passe de mágica, ensinou-se o inverso: nós somos a imagem e semelhança de Deus. É uma afirmação ainda mais inaceitável para o não crente, porque tal afirmação pressupõe, imagine-se, o conhecimento do próprio DEUS! Era como se estivéssemos a afirmar: Deus é assim e assado e nós somos como ELE…Que presunção, meu deus!
É esta ideia, de um tal Deus, que é visada pelos ateus. E por Saramago, em «Caim».

10 setembro, 2009 22:49  
Anonymous jorge dias said...

A Cresta ou a fraternidade deste encontro do Sameiro feito Vida ou a Ana Emília, qual Marta a acolher, mas qual Madalena, com seu disponível compamheiro Tonecas, a quererem saber mais do amor da boa nova e deste Jesus que nos desafia a sermos para lhe darmos existência nos outros e em noite impar, em minha casa, nos levaste a todos a mergulhar na Bíblia e na nossa mudança para, construindo-nos, estarmos com Ele nos outros. Obrigado e vem mais.Com a novíssima do Emídio, de irmos a Tibães, rendo-me e alinho-me.
Hoje singelamente, enquanto as mentes de outros se reorganizam um testemunho do meu convento, que me encheu. Mário, gosto de te ler... escreve.
Como apicultor, fui à cresta. Lugar díficil...mas mel anundante e delicioso... Uma super-carrinha... Tudo preparado, a caminho com o meu filhote mais novo, homem das engenharias, assumidamente forte e decidido frente aos riscos. Face ao caminho, francamente difícil, mas é óbvio que o carro vai e vem, dizia ele. Que dúvidas que eu tinha! Face à cresta, e face às primeiras picadas das abelhas, ficou criança e deixou-me quase só. Lá me desembaracei e saquei uns bons 40 Kgrs de mel de duas colmeias. Quente, o tempo, a armadura de apicultor já nos des-hidratara ao fim de duas horas. Preparados para o regresso vencemos bem 50 metros de caminho.Não vencemos os últimos 5 metros. Usei os adequados instrumentos para tentar melhorar o caminho. Mas o calor e as abelhas impedindo-nos de tirar os fatos fizeram o colapso do filhote. Em baixa de açucar... fica redondo no chão à fresca de uma árvore. Um transeunte interessado leva-o à povoação mais próxima e a fraternidade do Sameiro aconteceu também ali num povoado que dá pelo nome de Salga, que de salgado nada teve. Agora mesmo, uma hora depois à mesa dizia ele, assim se fazem as memórias da vida e criamos acontecimentos que nos fazem crescer e ser amigos e lembrança de afectos. O dia e a cresta valeram por isto. O meu convento ficou de festa. O amigo da fraternidade (do reboque) tem direito a mel, a Ana Emília, como sempre. O Emídio e o Mário e todos os demais,se passaraem por aqui, também.
Quanto aos escuteiros e a essa semana com o frei e reverendo Olavo, daqui o saúdo por tudo o que foi, de limite, e ainda tenta ser.
Na circunstância, também de limite, que hoje me foi dado viver, permiti-me que volte a saudar na fraternidade que hoje me dispensaram, a fraternidade do Sameiro e permiti-me que conclua com a memória do Emídio. "- Sim. Eu tenho um tesouro guardado no meu coração! E vós também tendes! Jesus Cristo mora no meu coração! E no vosso também... "

12 setembro, 2009 19:29  
Anonymous jorge dias said...

"Continuarei"
Poema de uma mensagem que circula por aí bipolarizando os autores do bem, sempre nós, e do mal, sempre os outros. Tentativa de o transformar em afirmação de bem de toda a humanidade.

Continuaremos a acreditar, a ter esperança, a amar, a construir, a falar de paz.... Continuaremos a iluminar-nos e a iluminar. Continuaremos a gritar mesmo no silêncio e, se preciso, desenharemos sorrisos nos rostos com lágrimas. A dor se aliviará face aos motivos de alegria e juntos caminharemos até à exaustão. Na vida, sempre lá estarão as crianças, o sol, a água, a vida, a possibilidade de sermos a suprema surpresa, pessoas. Um Abraço.

13 setembro, 2009 17:52  
Anonymous Emídio Januário said...

Oula, pessoal.
Acabo de chegar a Mirandela, depois de passar uns dias a apanhar amêndoa, a minha e a dum colega meu, além de ainda ter ido ajudar a uma vindima doutro do meu grupo. Há já vários dias que não sei o que é descanso, que esta época das colhetas é muito dura. Felizmente lá nos vamos ajudando uns aos outros, evitando pagar jeiras, que isto de lavouras, se não fôr feito pelas nossas próprias mãos, só dá prejuizo.( É certo que não vivo da agricultura, mas custa-me deixar por cultivar aquilo que os meus pais e sogros nos legaram e que foi a sua vida e o seu suor!)
Mas não foi por isto que entrei no Blog. Foi apenas para dar mais uma força a esta amizade e união que a ordem carmelita entre nós, antigos alunos, criou, e que a nossa associação fomentou e mantém, pondo-nos para o efeito este blog.Obrigado Castro e demais menbros da direcção.
Não sei "filosofar" como o Jorge e o Neiva,sou mais do estilo do "Malho", só que eu não pretendo nem quero criticar ou corrigir ninguém. Gosto da convivência, boa disposição e do bom humor como modo de vida, aliado ao trabalho do dia a dia. Quando vejo alguèm soltar uma gargalhada fico satisfeito. Claro que há outras coisas sérias, outras reflexões, e nessas alturas também eu me concentro e penso nelas, mas essencialmente, tento fazer da vida um tempo de alegria. Não foi alegre o nosso convívio em Fàtima? Quantas gargalhadas não soltamos aí, além da reflexão e participação religiosa? E no Sameiro? A mesmíssima coisa: o encontro, a participaão na missa, a alegria do convívio,as anedotas,etc. Não deixemos morrer isto!
Já agora, voltando a Tibães: Ó Malho, foi mesmo o Pe. Olavo (para quem mando um abraço) que originou aquele episódio do "tesouro escondido", com o Bernardino. É certo que o chefe dos escuteiros era Pe. Ambrósio, mas, se calhar, nesse dia o Pe. Ambrósio não estava, e foi o Pe. Olavo que orientou tudo. Se não acreditas, pergunta ao Mário Neiva, que ele também lá estava, e ainda não tinha bebido bagaço!
Também me lembro da nossa actuação, mas não me ralei muito com as assobiadelas. Fiz o que pude e sabia no espectáculo, ou melhor, no "concerto" que démos!!!
Também me lembro de que, quando regressámos à Falperra, me calhou a mim levar o saco do açúcar e lambro-me também do esforço que fiz para que o Pe. Olavo, que passou por mim, me não visse com as beiças todas enlambuzadas de açúcar!... E confesso-vos que era doce! Não sei se era tão doce como o mel do Jorge, mas que era doce, lá isso era!
Quanto ao Bernardino, não sei como não te lembras dele, ó Malho. Era natural de Cedovim, concelho de Foz-Côa. Parece-me que se chamava Bernardino Ferreira e eram ele e o Sampaio os únicos do 6º ano quando o Mário Neiva, o Delfim, o Hilário, o Esteves Ferreira, etc., andavam no 5º ano. Eu era do 4º ano.
Em Fátima perguntei por ele ao Aristides Freixinho, e fui então informado por ele que o Bernardino terá falecido...
Por isso, ó Malho, não foi do bagaço que eu disse o que disse! Se não acreditas em mim, pergunta ao Mário Neiva, que ele também lá estava.
Já agora, ao Jorge: Tens razão quando aprecias "o tesouro guardado no coração" . Eu também o aprecio, só que naquele dia não contava com ele àquela hora e naquelas condições!!!...
E quanto a Tibães, mantenho o repto: Vamos lá almoçar um dia? Gostava de voltar lá.Levei lá um dia a minha mulher e os meus filhos, mas só visitámos a igreja, não o convento nem a quinta.
Um abraço.
EJ

13 setembro, 2009 22:57  
Anonymous Mário Neiva said...

O CORPO E A ALMA DA GENTE


Quando olhamos, no «álbum» de família ou numa simples moldura pendurada na parede da casa ou assente no móvel da sala ou do quarto, o rosto da nossa infância ou da nossa juventude percebemos, de imediato, que transformações profundas se operaram em nós ao longo da vida. Inunda-nos a alma um sentimento indescritível, que chamamos de saudade, e não raro a comoção nos enche de calor a alma e de água os olhos. Não há sulcos, leves ou vincados, na pele, os cabelos estão lá todos, a vida parece brotar de cada poro e os olhos irradiam luz, como estrelas em noite sem luar. Admiramo-nos que, passados tantos anos e tantas peripécias vividas, mantenhamos uma identidade que nos torna intemporais, porque se é evidente que aquela criança que fomos mudou tanto no corpo, as mudanças na alma não foram menos acentuadas. E a saudade da nossa meninice e juventude é saudade do “conjunto” único que somos: corpo-alma.
Para quem se habituou, sem dar conta e sem fundamento algum, a pensar que muda o corpo mas a alma permanece imutável, é tempo de cair em si e constatar a realidade. A saudade é, genuinamente, da alma jovem e sonhadora e do nosso corpo fresco e vibrante. Só o preconceito milenar, nascido de um desejo incontido de conservar intactos os sonhos e vigor da juventude, nos induziu no erro crasso de separar o que a Mãe-Natureza uniu. Da juventude do corpo nasce a juventude da alma e quando o corpo vai quebrando, uma sombra de nostalgia nos cobre a alma e escurece o nosso olhar. Não vale a pena esconder que a «força anímica já não é o que era», como os músculos não respondem com prontidão nos jogos de «solteiros e casados».
Apesar das mudanças, sempre profundas e quantas vezes dolorosas se não mesmo incapacitantes, como a loucura ou simples perda de memória, como a paralisia ou simples «ferrugem» nervosa e muscular, a nossa identidade permanece e é reconhecida, se não já por nós, pelos outros, de certeza.
A sociedade moderna interiorizou, como nunca o havia conseguido, a verdade da unidade do ser humano. O avanço das ciências foi fermento da nova «massa» e pouco se importou com o alarido das vozes agarradas ao passado dualista. Bem puderam, essas vozes, gritar que assim ficava insolúvel o problema da morte! A ciência respondeu, cada vez mais serena e sabiamente, que esse problema ficava por conta da fé de cada um. Nestes nossos dias de uma humanidade cada vez mais amadurecida e verdadeira, já nem os crentes queimam ou enforcam os sábios, nem estes chamam incultos aos que persistem na fé dos nossos pais.
E assim se respeita o sonho de uma juventude que se ambiciona imortal e se luta, no campo da ciência, por inventar terapias eficazes que prolonguem mais e mais uma «mente sã num corpo são».
Ninguém se ofenda por eu dar um novo sentido àquela máxima do evangelho cristão, sábia como poucas, e que traduzo assim: se não amas o corpo que vês, como hás-de amar o espírito que os olhos não enxergam?
A ciência está no caminho certo. Tem pela frente um caminho longo e árduo como é longa e dura a História Humana. E quem tiver muita pressa, vá-se «apegando» a teorias de filósofos e teólogos. Mas não mate ninguém por causa delas porque tudo, afinal, faz parte da nossa condição. E esse «apego», se for sensato, pode ajudar a ter esperança e ganhar fôlego, para enfrentar a dureza inesperada do dia a dia. A filosofia e a Teologia pode ser «parte da solução e não do problema».
Também será por isso que eu vos escrevo todas estas coisas. Do jeito que posso e com a melhor das intenções. E ao fazê-lo, no contexto deste blog, marco encontro aprazível, com uma parcela grande da minha adolescência e juventude.

14 setembro, 2009 08:51  
Anonymous Mário Neiva said...

Ainda a «existência de Deus»
I Parte
Na discussão sobre a existência de Deus os crentes costumam vir a terreiro com argumentos que julgam inatacáveis. Muitos recorrem às chamadas cinco «provas» (da existência de Deus) enunciadas por São Tomás de Aquino. Na realidade, e eu lembro-me bem da advertência feita por Frei Bento Domingues nas suas aulas de teologia dogmática, não se trata de «provas» da existência de Deus, mas de simples pistas que ajudariam, não à compreensão, mas à aceitação da Realidade Divina. Por isso São Tomás, coerente com esta postura filosófica e teológica, insiste na doutrina de que a Fé é um dom de Deus e não uma conquista do nosso intelecto. Ensina que a Fé resulta da Graça Divina e não do poder da razão.
Quando se procura rebater Saramago e quem pensa como ele, sem ter em conta esta verdade fundamental da Fé cristã, cai-se invariavelmente no disparate e Saramago fica a rir-se. E pode rir-se, sim senhor, de todas as filosofias e teologias, como eu me posso rir da sua filosofia e dos seus argumentos. Não posso é rir-me da falta de fé de Saramago ou da fé confessa dos crentes, porque tanto uma atitude como outra são manifestação evidente da humana condição.
Só o ser humano atingiu este patamar, onde se afirma ou se põe em causa, a transcendência.

16 setembro, 2009 08:50  
Anonymous Mário Neiva said...

Ainda a «existência de Deus»

II Parte

E que pretendo eu dizer com «transcendência»?
Algo de espantosamente simples: eu sou parte do Universo mas o universo está para além de mim, de uma forma tão real e evidente como cada um dos meus filhos, que são vida da minha vida e, no entanto, cada um deles é um mundo que se “confronta” com o meu.
Está tão escandalosamente à vista esta realidade da “alteridade”, perceptível quando falo de mim e o universo, de mim e o meu filho, de mim e o meu amigo ou o meu amor ou o meu inimigo, que muitos pensadores passam ao lado dela, dando-lhe tanta atenção como às areias dos caminhos que pisamos.
Muito mais atentos, talvez porque o pensamento ainda era jovem e virgem, os nossos antepassados não tinham problemas com a «transcendência». Não tinham necessidade de provar a sua existência, porque a percebiam dramaticamente misteriosa e inacessível, mergulhados nela e beneficiando ou sofrendo ao seu contacto. Perguntar-lhes se a «transcendência» era uma realidade, era a mesma coisa que perguntar a alguém se que se afoga no mar, se a água existe!
Pelos testemunhos incontáveis, deixados em todas as formas de cultura, fica a afirmação absoluta da consciência humana: NÓS e o UNIVERSO.
Muito tempo depois do despertar desta consciência e numa clara tentativa de entender e definir a NOSSA relação com o UNIVERSO, foram-se formulando as mais diversas teorias filosóficas e teológicas.
À guisa de resumo eu diria que temos em cima da mesa o seguinte:
1 - a teoria dos que pensam que NÓS e o UNIVERSO somos uma realidade indivisível e eterna, sem sombra da «alteridade» (dualidade) «NÓS e o UNIVERSO»;
2 - a teoria dos que sustentam a NOSSA autonomia face ao UNIVERSO, traduzida na relação intersubjectivada criador/criatura, pai/filho ou, mais +intimista ainda, Tu e Eu;
3 - e, finalmente, a teoria ateísta que opta pela negação da validade da consciência humana, estacionando, imagine-se, na ante-câmara de qualquer conhecimento, reduzindo toda a experiência humana e o próprio universo a um imenso, silencioso e absurdo CALHAU.
E já agora: note-se a convergência de fundo entre a teoria da absoluta UNIDADE universal e a teoria do imenso e absurdo CALHAU. A diferença entre ambas parece limitar-se a que, no primeiro caso, tal facto dá-lhes imenso gozo e, no segundo, tornou-se uma angústia existencial.

A alternativa, «NÓS e o UNIVERSO», «TU e EU», pode ser bem mais incómoda, mas infinitamente mais motivadora.
E é como se regressássemos ao tempo dos sábios gregos ou de São Tomás, quando não havia necessidade de provar o que é óbvio e está diante de nós, não como uma revelação dos mistérios da vida, mas como simples exibição da Inefável Realidade, desafiando a nossa inteligência, a nossa imaginação, o nosso sentido de beleza e a nossa vontade:
na imensidão do COSMOS,
no perfume de uma ROSA
ou nos olhos do nosso AMOR.

16 setembro, 2009 08:54  
Anonymous Anónimo said...

Olá amigos

Tenho andado arredado de comentários, o que não quer dizer que não passo por cá, faço-o quase todos os dias, porque gosto muito do que dizeis!

Em relação ao Pe Olavo, tenho mantido uma grande aproximação com ele, pois, a minha vida de seminário foi por si marcada, de que guardo grande saudade.

A última vez que estive com ele foi no final da tarde de 26/08 no Seminário do Sameiro, depois de saber que ele tinham vindo passar uns dias ao seminário a convite do Padre Monteiro.

Continua o mesmo Padre Olavo, mas muito surdo, com quem é muito difícil manter um diálogo.

Apesar da sua idade avançada, continua em terras alentejanas a dar o melhor de si Homem e de si Padre, com muito amor, na ajuda da salvação daquelas almas, percorrendo vários Kms diários numa correria constante.

Quem o quiser visitar, está em Ervidel e gosta muito de receber visitas.
Este ano viu-se privado da visita do seu sobrinho Frei Bauker que costumava passar com ele uns dias em Ervidel, mas teve um acidente quando se deslocada numa peregrinação a Santiago de bicicleta desde da Holanda.

Um abraço a todos, espero por vós no dia 10 nas bodas de ouro

ROSALINO DURAES

16 setembro, 2009 21:37  
Anonymous jorge dias said...

Reflexão profunda sobre o homem, e por isso, essência e razão da nossa fraternidade e existência.
É desta forma que fazemos vida nesta nossa aaacarmelitas. Ela é porque nós somos e será enquanto este blog e outras formas lhe derem vida.
Com prazer imenso mais uma presença a verbalizar a fraternidade, o Emídio. E que bem! Ligando-a à vida, à ajuda...
Com este introito apenas preparava uma citação do teu texto supra:
"Não foi alegre o nosso convívio em Fàtima? Quantas gargalhadas não soltamos aí, além da reflexão e participação religiosa? E no Sameiro? A mesmíssima coisa: o encontro, a participaão na missa, a alegria do convívio,as anedotas,etc. Não deixemos morrer isto!"

Será que fraternidade se extingue com o último ?!

17 setembro, 2009 01:01  
Anonymous O Malho said...

Pois é, Emidio,não me recordo do Bernardino de Cedovim. Pode ser que o tenha associado a algum dos seus apelidos, Ferreira, por exemplo, e o nome de Bernardino não me diga nada. Mas é verdade que o Sampaio de Ruivães ficou sozinho para ingressar no noviciado, teve que ficar à espera e repetiu, com a minha turma, o 6º ano.
Pelos vistos, à hora da manhã em que escreveste ainda não tinhas ido ao bagaço...Costumas "matar o bicho" mais tarde, não é?
Um abraço

17 setembro, 2009 07:33  
Anonymous Anónimo said...

A Morte...

O que vocês entendem por morte?
Para mim a morte é só e apenas o fim deste corpo que nos foi dado, pois o espírito continua a viver para além da morte terrena e física.
Jesus morreu e ressuscitou ao fim do 3º dia, mas para mim ele ressuscitou logo a seguir à morte física. O seu espírito permanece até hoje e já lá vão 2000 anos.
Posso me dar ao luxo de pensar assim pois fomos feitos à Sua imagem e semelhança.
A morte deveria ser celebrada não como tristeza, dor, luto, perda. Mas sim como um ritual de passagem para uma nova vida espiritual, plena, de comunhão com o Pai. As pessoas deveriam alegrar-se com isso.Deveriam dar os parabéns pela hora em que o Pai o chamou para a sua última morada.
Por isso não gosto pessoalmente de velar os mortos, enterros e todas estas tradições de quando as pessoas morrem. Se a pessoa está morta temos que a velar porquê? Com isso ela vai para o Céu? Para mim não existe céu ou inferno depois da morte. Jesus ama-nos tanto que nos perdoa pelos nossos pecados, foi por isso que Ele veio ao mundo e dar-nos um ensinamento: Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.

18 setembro, 2009 23:42  
Anonymous Emídio Januário said...

Olá,pessoal todo, especialmente o Malho.
Começo a escrever às 22,20 do dia 18 de Setembro, véspera do dia 19, dia de S. JANUARIO, e hora a que cheguei a casa vindo da minha aldeia, MACEDINHO, concelho de Vila Flor, a 15 Km de Mirandela. Como amanhã é feriado em minha casa, fiz hoje a vindima, para não trabalhar amanhã. Uma canseira dos diabos, já que há semanas que andamos contra a amêndoa e agora são as vindimas, diàriamente. Nem dá para "matar o bicho", como faz o Malho...
Pois é, Malho, estás com algumas falhas de memória, que já não lembras do Bernardino,de Cedovim, que entrou para a Falperra no mesmo ano em que tu!!!
Ora pergunta ao Mário Neiva, que ele deve lembrar-se. Era o colega do Sampaio no 6º ano, só eles os dois. Por o Berrnardino ter saído no fim do 6º ano, o Sampaio não foi para o noviciado e ficou convosco no 6º ano, embora oficialmente andasse no 7º. Como o Sampaio, de Ruivães, era muito moreno de tez, quando fizemos aquelas célebres quadras no encerramento do ano lectivo, eu fiz esta, cortada pela censura:

" O 7º ano é o menor,
é por isso o ano anão,
o seu único componente
é um saco de carvão"

Não te lembras desta?

E desta ao Pe. Ambrósio, que foi cantada?:

O Sr. Pe. Ambrósio,
quando se sente inspirado,
agarra no violão
e põe-se a cantar um fado!"

E desta ao Pe. Olavo:

" Do Sr. Pe. Olavo,
libera nos, Domine,
quando não sabemos nada,
pões-se logo: mé, mé, mé".

Já não me lembro da do Pe. Pascoal. Só me lembro que terminava assim:

.................
.................
quando está a reger o coro,
é uma manivela a andar!


Havia outras de que já me esqueci, pois nunca as coligi, o que tenho pena, tal como me esqueci do hino nacional da Falperra:

" uma tarde na Falperra,
les eleves jogaverunt
um ludus bem chamado futebol!

etc. etc. etc.

Lembro-me de parte do refrão:

ó eis, mia, en
ó que jogo very well, etc. etc. etc.

Enfim, Malho, vamo-nos esquecendo, vai-nos faltando a memória, mas não se esquece tudo. Ficam, felizmente, as boas recordações e as amizades feitas na altura, que persistem, apesar do regulamento dizer (sic): "são proibidas as amizades particulares". Não existiam amizades particulares, mas existiam,e não tenho dúvidas em afirmar, grandes amizades gerais e colectivas. Eramos todos solidários e grandes amigos uns com os outros, e mantivémos, pela vida fora, essa recordação e uma grande alegria quando nos revemos. Só na tropa fiz amizades maiores, que ainda hoje mantenho, do que na Falperra.( E no trabalho também, felizmente.)
E espero que a amizade e camaradagem não acabem, com espera o Jorge e que, com a continuação dos encontros, os novos se vão integrando e se faça uma cadeia entre velhos e novos e se mantenha o espírito, não só de camaradagem e amizade, mas o espírito carmelita que foi semeado no nosso coração em meninos e que todos fomos alimentando e não deixamos morrer pela vida fora .

Um abraço.
EJ

18 setembro, 2009 23:45  
Anonymous jorge dias said...

Acompanhante do Emídio nas lides das colheitas, no meu caso, na cresta, ando eu... e já agora quanto ao hino brincalhão.
Uma tarde na Falperra
Les elèves jogavernt
Um ludus bem chamado futebol!
Era perna para cá,
Perna e meia para lá,
Nicaô eniquesa cai.

Oh eis mia ein
Oh que que jogo very bien
Nossa bola nunquam vidit parar...
...
A música é que ainda vai toda direitinha...no acordeon.

A fraternidade não acaba, não. Quanto à morte não vou lá agora... prefiro a vida, não que tenha medo da morte, mas porque em vida sei fazer fraternidade mais facilmente.

E a fraternidade é seguramente parte do novo paradigma, parte da modernidade da Ordem do Carmo e, ao que parece, quase a única razão da consistência desta linda "aaacarmelitas". Penso que todos terão reparado que a extensão do conceito "fraternidade" é de tal modo grande, que o que importa é que a fraternidade aconteça, independentemente das razões que a fazem acontecer. E digo isto de propósito porque normalmente não tenho comentado a análise "hercúlea" do amigo Mário para dissecar as variáveis hipoteticamente intervenientes num simples acto de amar. Gosto mesmo de ler... por um lado transporta-me ao passado quando me questionava se Deus sabia mesmo tudo o que nos ia acontecer! Ou ao tempo dos medievos quando se questionavam do número de anjos susceptiveis de serem suportados na cabeça de um alfinete! Ou ainda às ângustias de Sartre em cuja feitura ocorria sempre mais uma variável não ontrolada.
Quanto à fraternidade, a única coisa importante, a única coisa que faz dela um factor de integração social e por isso decisivo na aldeia global, é que exista, é que seja. Estou mesmo a ver que queriam que eu dissesse que resulta da minha fé, mas já agora, com o Mário, da nossa humanidade!? Afinal o problema sou eu! Pois se nem a mim mesmo me conpreendo. Mas isso faz diferença?
Mudem rumos aos foguetões
Que há mundos dentro de mim!
Astros e cosmos, tudo acaba,
Só o homem não tem fim!
(Antero de Quental?)

19 setembro, 2009 00:44  
Anonymous Mário Neiva said...

A morte e a vida
Duas faces da mesma moeda


Como quem diz, as duas faces da mesmíssima Realidade.
E eu gosto de falar da morte como gosto da falar da vida, porque falo do meu mundo e do nosso universo.
Claro que esta não será a resposta que o caro Anónimo esperava. Mas permita-me que comece por assinalar-lhe uma contradiçãozinha no seu credo sobre a nossa morte e a nossa vida. Ora repare no que afirma:
«Para mim a morte é só e apenas o fim deste corpo que nos foi dado, pois o espírito continua a viver para além da morte terrena e física.
Jesus morreu e ressuscitou ao fim do 3º dia, mas para mim ele ressuscitou logo a seguir à morte física. O seu espírito permanece até hoje e já lá vão 2000 anos».
Começa por dividir o homem em duas partes, a física e a espiritual, e que a parte física é perfeitamente descartável, sobrando como nossa inteira identidade a parte espiritual. Equivale a dizer que somos essencialmente e exclusivamente espírito. E como diz que só a «parte física» é que morre, está a afirmar taxativamente que o homem não morre e, se não morre, também não tem necessidade de ressuscitar, nem ao primeiro dia, nem ao terceiro dia, nem no final dos tempos!... Afirmando-se cristão e invocando a pessoa de Jesus, o meu caro anónimo está a renegar a fé no dogma fundamental do cristianismo e do seu credo que é a «ressurreição da carne». Deve recordar-se que São Paulo foi categórico: se de facto não ressuscitamos (e São Paulo só conhece um ser humano feito de carne- osso-espirito) então somos os mais miseráveis dos homens…
Já expliquei, de forma até repetitiva, que a teologia cristã repudia a separação entre homem-corpo e homem-espírito e defende, contra o que parece por demais evidente, o ser humano integral «corpo-alma» e, em consequência, proclama o dogma da ressurreição da carne. Isto significa, para quem não quiser passar a vida a falar de «almas do outro mundo» que quando morremos, morremos na totalidade! Nem mais: morre o corpo e morre a alma. Então é o fim da linha? Não! Diz a fé cristã, pois tal como Jesus Cristo vamos ressuscitar. Assim pregou Paulo de Tarso e a teologia cristã. Solenemente. E se o sr Prior ou o Sr Abade anda a ensinar outra coisa, vão ter de lhe dizer para ir à «revisão» da catequese…
Poucas pessoas dão atenção a algo de espectacular que foi proclamado no «livro da revelação» do Evangelista São João. Aí «profetisa» não só a ressurreição da Humanidade mas do próprio universo! Então o universo também vai morrer e ressuscitar? Nem mais! e nem podia ser de outra maneira, na fidelidade ao pensamento judaico-cristão, acerca do homem integral «corpo-alma». Nós somos parte do universo e se com ele morremos, com ele seremos ressuscitados (glorificados). Paulo farta-se de falar do Homem-Novo.E o Apocalipse, dos Novos Céus e Nova terra. O destino de um é o destino de outro, como não podia deixa de ser.
Se algum cristão imaginou que, morrendo, vira alma penada, desengane-se, porque a sua fé lhe ensina algo de bem diferente e bem mais complicado. E ponham complicação nisso! como dizem os brasileiros. É bem mais difícil acreditar na «ressurreição da carne» que acreditar na imortalidade da alma e na sedutora teoria da reencarnação. Talvez por isso se esteja a resvalar constantemente por essa ladeira, onde o esforço é mínimo e onde parece mesmo que «todos os santos ajudam».

Não era por aqui que pretendia levar o meu pensamento acerca da vida e da morte. Foi a minha vez de escorregar. Prometo que vou recomeçar, porque o tema da vida e da morte me arrasta para os limites do que penso, sinto e amo.
Espero que estejam a ter um bom Domingo, o dia da Ressurreição, entre os cristãos.

20 setembro, 2009 12:38  
Anonymous domingos coelho said...

Vida e Morte
Não há nada melhor do que fazer na vida,
da vida e em vida uma gloriosa espera
pela morte.

Com certeza isso é algo profundo! Desde o momento que temos consciência de nós mesmos e responsabilidades por pensamentos, palavras e obras...
Fazer na vida... quer chova quer faça sol, rico ou pobre, doente ou sadio, inteiro ou quebrado, só ou acompanhado, analfabeto ou letrado...
e um monte de uns e falta de outros predicados favoráveis e ou não... É aproveitar que estamos aqui a viver para fazer... de preferência tudo! Tudo que engrandeça o portador da Vida que por esta existência estagia!
Daí... pensamos: Para quê, só para morrer? O nosso amigo aí sabe, e todos nós sabemos que fomos criados para a Grandeza, então não queremos uma morte qualquer! Fomos criados para a felicidade, então queremos ser felizes vivos ou mortos! E queremos uma morte gloriosa!!!
Que glória tem morrer? Pode até ser cedo para saber... ou não!...
Mas por que não paramos um pouco para pensar de verdade, neste aspecto da nossa situação de mortais, para termos o direito de não sermos apanhados, tão sorrateiramente na ignorância, hein? É algo a se pensar, em vez de eternamente fugirmos do assunto. Ele requer seriedade!!!
Esperarmos por ela lutando, como bravos soldados, sem ignorarmos que esta batalha terá fim um dia... é uma! Uma alternativa louvável, sensata e acima de tudo corajosa! Mas, é uma façanha viver corajosamente ! A outra é morrer corajosamente! E isso só acontecerá se tivermos vivido a vida de acordo com os objectivos que traçamos para alcançar enquanto vivemos.
E a glória da morte onde estará? Em alguns casos na certeza de que ela é só uma etapa para uma nova vida! Em outros, o sentimento de liberdade... liberdade para sair da trincheira não ter mais medo dela (morte) e liberto da luta para sobreviver, dar o útimo suspiro aliviado: Fui!!!
Noutros caso aquela esperança bendita de que enfim sós! Eu e o meu paraíso! Eu e meu Pai que cuidará de mim, que me dará tudo do bom e do melhor porque fui bonzinho, pelo menos não lhe rejeitei a paternidade! Em mais casos, aquela gloriosa curiosidade: agora que estou a morrer pelo menos vou ver como é que é isso! Viver sem compromisso! Que glória! São tantas as glorias concebíveis, na mente humana...
Eu sei que, enquanto a chama do pavio do lado de cá se apaga, com aquela pressão terrível, do indicador com o polegar abafando a chama, que sem falar ou atender diz adeus, até logo ou até nunca mais... uma gloriosa esperança segue conosco seja lá para onde for: Que a Vida seja mesmo Eterna, Infinita e acima de tudo sempre melhor na próxima, seja aqui ou algures! Choros, lamentos, lutos, flores, túmulos luxuosos, caixões acolchoados revestidos de veludo, procissões, ai... ai... não nos dirão nada. O que tivermos sido em vida continuaremos a sê-lo na hora do sêlo na boca. E tudo o que precisaremos mais que nunca é de um sentimento absolutamente difícil de experimentar aqui ou em qualquer outro lugar: Paz!!!
Aí já é outra história, e comprida.

20 setembro, 2009 21:54  
Anonymous Anónimo said...

Vida...

Cada dia deve ser vivido intensamente, como do último dia se tratasse. Não pensemos no passado, nem no futuro, mas apenas no presente, o hoje o aqui e agora. Dar intensidade às 24 horas de cada dia para amar, para descobrirmos em nós e no próximo a luz de Deus.
Aí temos uma vida plena. Não quero dizer que também não haja desilusões, mas que façamos destes momentos, momentos de reflexão para amarmos cada vez mais a nós próprios e os outros.
Mas para amarmos os outros, temos que começar por nos amarmos e quanto mais nos amarmos mais vamos amar os outros.Difícil sim, mas não impossível.
A palavra presente é o hoje, é um presente que nos foi dado por alguém que nos ama muito. Por isso temos a obrigação de agradecer por este presente todos os dias da nossa vida. Por isso devemos fazer o bem sem olhar a quem. Cada dia é um presente e como presente devemos sentir sempre alegria, paz, felicidade com tudo o que nos rodeia. Por mais que a vida nos pregue algumas partidas neste presente há sempre algo de bom temos é que saber descobri-lo. E se as coisas não coorem como desejamos é porque estamos a pedir a Ele de forma incorrecta, ou mesmo se nada nos acontece, é porque Ele achou que não era a hora nem o momento exacto de acontecer.
Bom , parece que já me desviei um pouco do assunto ou do tema principal.
É a vida...

21 setembro, 2009 01:31  
Anonymous Mário Neiva said...

«Não há nada melhor do que fazer na vida,
da vida e em vida uma gloriosa espera
pela morte».

Não acredito, meu caro Domingos, que a citação acima seja da tua autoria.Tu, um homem tão comunicativo e alegre, pensar que devemos transformar a nossa vida numa espectativa da morte! E ainda por cima pensá-la como «gloriosa espera»! Não pode ser.Não imites, nisto, antepassados nossos que, convictos de que esta vida e este mundo foram parto do diabo, se refugiaram em conventos, cavernas e desertos, para aí, lentamente, se suicidarem na esperança e na fé de alcançarem a «verdadeira vida», bem longe deste degredo, para onde o Diabo os atirara.
Esta vida que somos tem todas as sementes dos sonhos que sonhamos. Pensa nisso. Alguém já to disse, na catequese que recebeste, e nem reparaste. Ou alguém te anda a esconder a verdade deta vida...

22 setembro, 2009 10:54  
Anonymous domingos coelho said...

Meu caro Mário
E um dia,
entrava na caserna dos pára-quedistas em Tancos e li: Pára-quedista tu foste feito para morrer, mas, se te deixas matar morres duas vezes.
A citação não é de facto minha,(também já não sei de quem era)mas adopteia para dar mais vida à morte. «Não há nada melhor do que fazer na vida,da vida e em vida uma gloriosa espera pela morte».

23 setembro, 2009 13:28  
Anonymous Mário Neiva said...

Expectativa da Morte?


E já que insistes, Domingos Coelho, em dizer que é coisa boa e gloriosa permanecer na expectativa da morte, preparando-nos para ela, a preceito, voltemos então ao assunto. Espero bem que não tenhas comprado um cronómetro digital de última geração e o tenhas disparado em contagem decrescente…Como sabes, não adianta, porque a morte «vem como um ladrão» e quando menos se espera. O evangelista não foi nada meigo, ao chamar-lhe ladra. Tem o que merece, nesse nome feio.
Demorando um pouco o nosso pensamento sobre a morte, começamos a ter a sensação de que a morte só é tragédia quando se transforma em ladra, quando arromba a porta da vida, violentando a nossa intimidade e os nossos sonhos e atalhando um percurso, o nosso, ainda mal esboçado, ou a meio, ou no auge das potencialidades de cada um. Em suma, é trágica quando nos rouba um “projecto de vida”.
E por isso eu disse, acima, que a morte não é projecto de vida. Nem sequer na forma de expectativa, porque a expectativa foi sempre, num pensamento sadio e lúcido, uma expectativa de «mais vida».E a Humanidade foi encontrando sempre novas formas de superação não só da morte ladra e violenta, como da própria morte esperada e natural, do fim do ciclo vital. A esperança, o sonho e a fé na reencarnação ou na ressurreição, ou qualquer forma de pensamento que nos aponte a «vida para além da morte», são o sinal do inconformismo do Homem perante o fim de cada um de nós, ceifados no tempo das colheitas ou precocemente dizimados na primavera da vida ou no calor arrebatador do verão.
E tudo estaria bem, se fosse cumprido o ritmo natural das estações da vida, semeando na Primavera e colhendo no Outono. Tudo a seu tempo, sem assaltos ou atalhos imprevistos. Mas o Homem não é um bichinho qualquer da natureza e deu-lhe para sonhar com mais vida, mais dias e meses nos anos da existência. Quer prolongar, sem medida, a vitalidade da Primavera, o sol relaxante do Verão e o calor morno, deleitoso e sábio do Outono.
Permite-me, Domingos, que eu te provoque e a quem escreveu a citação que fizeste: não te prepares para uma morte condigna, porque a morte será sempre uma grandessíssima ladra. Prepara-te para viver uma eternidade, sabendo que cada minuto vivido não tem retorno e cada minuto que te for dado viver é vitória sobre a dita ladra. E então, sim, podes dizer, cada vez que abrires os olhos e em cada manhã: «Onde está, ó morte, a tua vitória?».
Indo à luta por mais vida, poderemos afirmar, enquanto o Outono for a linda estação da sabedoria: «Combati o bom combate».
E, quase sem dar por isso, descobriremos que perdemos o medo do escuro e enigmático Inverno.
Bom Domingo para todos.

04 outubro, 2009 10:30  
Anonymous Mário Neiva said...

O premio Nobel da Medicina 2009

E, nem de propósito, na procura persistente de «mais vida», o prémio Nobel da Medicina para 2009 foi atribuído a três mulheres cientistas que, depois de 20 anos de pesquisa paciente, no encalço da enzima que está na origem do envelhecimento das células, descobriram o processo por elas utilizado e que conduz ao cancro da morte. Resta agora inventar o antídoto apropriado e, assim, fazer nascer a esperança de mais vida.
Esta vida que nos habituamos a chamar, indevidamente, «material» ou «terrena», é o suporte único, até prova em contrário, da nossa alma, mente ou espírito. E a ciência não faz a mínima ideia como prolongar a existência desta alma para além do desmoronamento da magnífica e maravilhosa estrutura que a fez nascer e da qual não a separa nunca: o "corpus". Por isso mesmo, cada vitória por mais uns anos de vida para este homem corpo-espírito, é assinalado como um triunfo sobre a morte violenta e ladra ou a morte tão simplesmente natural como a que recebemos.
A quem ficar assustado por ouvir falar de um "corpo", agarrado até à essência, a um "espírito", recordo apenas que recebemos este corpo-espírito dos nossos pais e avós, através de uma cadeia interminável que mergulha as raízes no "principio dos tempos". E, como estão lembrados e professam no credo muitos daqueles que me estão a ler, «no principio era o Verbo e o Verbo se fez carne».
Exactamente, meus caros colegas e amigos, essa mesma “carne” que os maniqueus e com eles o Doutor da Igreja, bispo de Hipona, Santo Agostinho, quiseram tornar miserável, vergonha, opróbrio, amostra do diabo, podridão (como se os estrume não fosse fecundo!), perdição e causa de perdição do homem! Como se todo o Universo, que é carne da nossa carne, fosse obra imunda, de uma entidade (paralela a Deus?) perversamente diabólica. E, em suma, cada um de nós fosse uma mentira «encarnada», ou, em alternativa, encarnado na mentira (a «matéria»).
Que cada um permaneça firme na sua atitude: A ciência defendendo o homem integral e o crente de credo cristão, confiante na «ressurreição da carne». É que os dois falam da mesma «carne», como quem diz, do mesmo Universo. No meio do enigma que uns e outros pressentem, aos crentes acresce o consolo da fé na «ressurreição».

A mim consola-me, por causa da matriz cristã da minha criação e cultura, a aproximação de fundo entre a ciência e a fé cristã. Apesar do Bispo de Hipona...

06 outubro, 2009 15:01  
Anonymous Mário Neiva said...

Amor, poesia e oração. Às vezes complica-se o que é fácil de entender, sobretudo quando aquilo que procuramos perceber está dentro de nós ou diante de nós. Basta um pouco de atenção. É elementar que para surgir o amor, sonhado por todos os homens e mulheres, cantado pelos poetas, especulado pelos filósofos, é necessária a presença de duas pessoas. Não se ama sozinho. Não será nunca o «homem e a sua paixão», o «poeta e o seu sentimento». Serão eles, sim, e a sua amada. Se não sabemos exactamente o que é o amor – e sabemos nós, exactamente, seja o que for?- podemos, de certeza, constatar que amor é partilha de sentimentos, de emoções, de pensamentos. É a impossibilidade de comunicar com alguém até à raiz do nosso ser, tu e eu, olhos nos olhos, que faz chorar os poetas numa dor de «fogo que arde sem se ver», sentindo-se, mesmo assim, na antecâmara do paraíso, num «contentamento descontente», alegria e desesperança de quem se apercebe de uma tão intensa e linda paixão não correspondida.
A sensação é de desespero e morte e não há oração ou poema que atenue a dor. Quando assim acontece, o poeta não canta o amor mas o desencontro com a vida. E orar é tentar iludir a realidade da solidão. O amor não é algo que eu tenha dentro de mim e que posso dar, como se pode oferecer um colar de diamantes. Isso é apenas o meu sentimento. O amor só se realiza se, do outro lado, o meu amor se torna presente a mim e me dá o beijo da vida. Bem se pode dizer que o amor não é meu nem é teu, nem existe dentro de mim ou dentro de ti, porque só existe como «nosso». E, como tal, não depende da minha vontade ou da tua, mas da «nossa».
Por isso o amor nos parece sempre tão perto e tão distante, tão ao nosso alcance e tão impossível! Quem ora, já desistiu dele? Ou procura, em Deus, um amor substituto!
E depois há isto: os amantes não sofrem a tortura da ausência e da distância, porque quando estas acontecem, nesta vida efémera e cheia de surpresas, fica a doce saudade que nos enche de calor o peito e de água os olhos.

Nota: não escrevi este texto para o nosso blog, mas achei por bem partilhá-lo com vocês.

07 outubro, 2009 10:05  
Anonymous Mário Neiva said...

Nunca é de mais falar nele...

Se leram com atenção, notaram que eu escrevi, com as letrinhas todas, que o amor só surge quando estão duas pessoas em presença. Até lá, permanece um sonho, uma utopia, um desejo, um projecto, uma vaga ideia, uma ilusão, uma miragem. Neste momento ecoam, dentro de mim, aquelas palavras que ouvi desde menino: «onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles». Eu vou dizer que quem fala não é o «Senhor» mas o Amor. Na verdade, para o crente cristão vai dar no mesmo, porque os seus livros sagrados profetizam: «Deus é amor».
O que importa é chegar à ditosa realidade do amor. Se dois ou três se podem juntar para conspirar e darem à luz o horror, também o podem fazer para que o mais belo dos sonhos de cada um se torne realidade.
E que ninguém, iludindo-se a si próprio e aos outros, pense que, para chegar ao amor, basta o seu esforço, a sua tenacidade, a sua inteligência, a sua riqueza de sentimentos ou sua beleza física. Não se iluda, porque o amor só emerge, como sol radioso das nossas vidas, no encontro amoroso de mais que um, dois ou três.É um milagre tão grande, o amor, que não basta um de nós para o realizar. E se for uma humanidade inteira, imaginem o tamanho do prodígio! Não me admiraria que do amor de uma Humanidade inteira emergisse um novo universo feito de uma só substância, nascida de um único sonho...de amor.
Neste ponto, permitam-me que recorde, repetindo-me pela enésima vez, aquilo em que crê o cristão no «dogma da SS Trindade»: três pessoas divinas que se unem pelo amor. E deste amor surgiu o Universo e nós com ele, ainda segundo a doutrina cristã.
Se eu quiser ter uma teologia, será sempre esta ou outra que a ela se assemelhe. É fascinante, e parece mesmo pensada à medida do nosso sonho de amor. Mais que um, mais que dois, para ser possível o amor.
Cada um medite nas verdades decorrentes de uma tal teologia e de uma tal filosofia. Já todas foram ditas essas verdades, vezes sem conta, mas parece que nunca quisemos entender. Vou repetir-vos um resumo de todas elas e que vale como sobreaviso contra teorias falaciosas: se não amas o irmão que está ao teu lado, como te atreves a dizer que amas um outro que nunca viste?
Sei que a sentença bíblica não é bem assim. Ponham lá as palavras certas e depois... façam a reconversão das vossas ideias, se for caso disso.
Permitam-me uma advertência: não vale a tentativa de amar «almas» ou amar com a «alma». Porque tais «almas» não existem. Existem homens e mulheres, uns longe, outros perto e ali, onde os encontrarmos, realizemos o milagre. E é tão sedutor e bom, se começarmos por "amar o nosso amor". Esse mesmo, em carne e osso, o da nossa juventude, vigoroso, belo, sensual, estuante de alegria.
Ai a juventude da vida, que belo pretexto para começar o caminho maravilhoso do amor!
Que bela oportunidade, a primavera da vida, para iniciar o percurso do amor!
Mas é preciso criar as condições propícias, desde o primeiro instante da existência, para que tudo corra bem ou, pelo menos, o melhor possível. E é altura de lembrarmos, aqui, a proclamação dos «direitos da criança». Esta Humanidade do século XXI, no meio da dor intensa de um parto difícil e tão demorado, para a pressa que temos, vai-nos enchendo de esperança com proclamações como esta, impensáveis há um século apenas.

08 outubro, 2009 11:48  
Anonymous Mário Neiva said...

Nunca é de mais falar nele...

(continuação)

São muitas as formas e muitos os caminhos que nos conduzem ao amor. Estejamos atentos aos sinais. Por exemplo, são cada vez mais os que pensam que o casamento não tem por finalidade específica a procriação. É o amor entre as pessoas que determina o acto, e a transmissão da vida será outra opção do casal. E é este o caminho seguro para se evitarem situações de uma aberração extrema, como aquela que vem documentada num vídeo-clip que o meu ex-confrade carmelita, Amaro Alves, me encaminhou ontem, em que uns senhores islamitas, seguindo a sua fé e tradição, desfilam com as suas noivas-crianças, vestidas a preceito para o enlace matrimonial, algumas de 4, 5, 6 anos de idade. Nenhuma com mais de 10 anos. De certeza, para procriar na idade própria. Como aliás, faziam, tantas vezes, os nossos príncipes cristãos. Aqueles islamitas, porém, estão parados no tempo. E nas ideias.
Esta minha chamada de atenção à vida real é propositada, para que saibam que quando falo em amor, não estou, propriamente, a sonhar, montado numa nuvem branca sobre um fundo infinito de azul celeste.

08 outubro, 2009 11:52  
Anonymous Mário Neiva said...

Correio para um amigo,que hoje me falava do pensamento de Buda...

«Buda perguntava se o mundo seria transitório ou eterno. Nós hoje perguntamos algo mais radical, simples e verdadeiro: o que é o «mundo»?
Depois desta pergunta fundamental, feita tanto pelos «físicos» como pelos «metafísicos», já pouca relevância têm as outras interrogações, como aquelas de saber se existe ou não o livre arbítrio, se o mundo é eterno ou transitório.
O que mais custa ao verdadeiro filósofo é ouvir ditar sentenças preconceituosas, querendo eu dizer com isto que, começa-se a pensar o homem e o seu universo como se já estivéssemos na posse da verdade fundamental. Ora o que é fundamental em filosofia é que «só sei que nada sei>». Toda a gente que pretende dar-se um ar de intelectual e de filósofo repete estas palavras do velhinho Sócrates. Na verdade, nem sabem o que estão a dizer e falam como papagaios».

14 outubro, 2009 11:37  
Anonymous jorge dias said...

Hoje venho aqui devotamente para celebrar, imaginem, o amor, a fraternidade... e foi com uma pergunra sobre a fraternidade que há tempos saí de cena quando me questionava se a fraternidade praticado no âmbito da aaacarmelitas ou em outro espaço qualquer acabaria. E aconteceu-me algo de único e que nunca vira antes. Saí para a rua e eram umas 23H00 e esforcei-me por ver a fraternidade que em todos havia. Podeis crer que em todos os lugares, quer as pessoas estivessem sós ou a dois, a três ou em multidão, a felicidade da fraternidade invadiu-me vinda de todas as pessoas que vi , e nela a aaacarmelitas, espalhada por todo o lado. Afinal o problema não era da fraternidade, era muito mais da minha compreensão. Debatia-me bastantes dias depois com esta realidade da fraternidade sediada no amor e acabei concluindo que "Onde dois ou três se reunirem em meu nome eu estarei no meio deles". Só que não era em nome de Jesus, era em nome do amor. Eis senão quando chegando ao Blog vejo o que meu caro Mário deixara escrito e transcrevo.

"Neste momento ecoam, dentro de mim, aquelas palavras que ouvi desde menino: «onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles». Eu vou dizer que quem fala não é o «Senhor» mas o Amor. Na verdade, para o crente cristão vai dar no mesmo, porque os seus livros sagrados profetizam: «Deus é amor».
O que importa é chegar à ditosa realidade do amor. Se dois ou três se podem juntar para conspirar e darem à luz o horror, também o podem fazer para que o mais belo dos sonhos de cada um se torne realidade".
Lembras-te Emídio Januário onde ia a nossa conversa? Aaacarmelitas sempre se for pela fraternidade e nem precisa ser confessional. Era o que faltava!

Eis como numa tarde de mau tempo no meio do atlântico o Amor se fez Deus no meu coração e me serviu em bandeja dourada o prato do amor e de seguida mo confirmou por um confrade de pensamento neste blog. A vida tem coisas...

Como querieis vós que eu fosse falar da morte ou de Budas e mundo transitórios ou eternos se o que me ocupava era o amor. Devo aliás confessar que algumas das abordagens da morte me horrorizaram como vivo e então as abordagens pseudo-teológicas... Sempre somos dados a destruir-nos! Porque será? Meu Deus, a vida a preparar a morte! Era o que faltava. Estava lixado.
A vida é para amar. Aleuia... Vida é para a fraternidade. Aleluia

15 outubro, 2009 00:41  
Anonymous Mário neiva said...

E porque o Jorge fala em vida...reenvio o poema que todos conhecem, tão lindo, tão verdadeiro, tão a condizer com este Outono morno, última estação da vida, quero dizer, de mais um ano, de mais uma folha que o vento leva nas suas asas.
Do ternurento poeta João de Deus:

A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa;

A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai:
A vida dura um momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai!

A vida é flor na corrente,
A vida é sopro suave,
A vida é estrela cadente,
Voa mais leve que a ave:

Nuvem que o vento nos ares,
Onda que o vento nos mares,
Uma após outra lançou,
A vida - pena caída
Da asa da ave ferida
De vale em vale impelida
A vida o vento levou!"

16 outubro, 2009 20:39  
Anonymous jorge dias said...

Pois é Mario, eu adorei o poema, podeis crer caríssimos aas... Só que a vida é mais... é mais em cada um de nós nas essências biofisiológicas que emprestamos à genética e fisicamente nos eternizam! A vida é mais nas culturas que criamos, nos amores que construimos nos filhos e amigos que temos e tivemos, a vida é eternidade física no bem que geramos no coração dos outros e que sempre se propagará, etc...
Levou-me a ladra da morte um grande amigo! Mas os dois nos vingamos nas vicissitudes da vida deste seu atrevimento porque ele viverá no conhecimento que me passou. Bom pai, amigo inexcedível... Companheiro de jornada e serviço...olá amigo... ainda estás por aqui. Lembras-te, professor! Contigo aprendi pedreiro, ladrilhador. Lembras-te das canalizações de água! O segredo da estopa e do linho? A velas de sebo holandês? E a pintura do carro em que me iniciei com aquele teu compressor aspirador! A electricidade e tudo o que é preciso fazer na vida para dominarmos a coisa, seja ela plaina, serrote, farrenta que sefaz! Pois esquecia-me o serralheiro, da primeira vez que utilizei a tua grande rectificadora. Espero que ouças os gritos do meu telhado de casa onde ela tanto trabalhou. Pronto, está bem... e aquele teu jeito na cozinha! Que almoços caro amigo! Ainda hoje me esmero só por causa desse teu jeito de fazer que todos aprendiam! Aqueles bifes de vinho e alho de uma semana!... Já tenho amigos só por causa da tua arte! E depois aquele amigo que no desamor de cotovelo, no serviço, nos fazia encolher os ombros! Claro, porque sendo todos irmãos e filhos de Deus, segundo George Orwell, em o Reino dos Porcos, os animais são todos iguais mas uns são mais iguais do que outros... E até para se tratar alguém como filho de Deus é preciso que ele deixe!
E o sexo, amigo! As nossas companheiras! Quando estavamos na Ilha de Santa Maria e no teu fim de semana foi mesmo atrás da porta na hora da partida! Que delícias partilhadas e momentos de interioridade vivemos...Santa Maria, Santa Maria... O ciclone que nos levou as folhas-telhas zincadas da segunda grande guerra e só nos demos conta quando começou a chover! E os aviões amarrados e a turbinar parea o vento não os levar! E a electricidade no chão e os fios partidos e nós a apanhar a salsa e a levar choques! Os truques da pintura em esmalte! As portas em tom de casca de ovo e o verniz... Tanta coisa. Compreenderás professor, eu aprendi... Eu sei que tu ainda estás por aqui embora já estejas por aí. Vou ficar mais uns tempos porque tenho ainda aqui uns amores para realizar, mas já irei ter contigo. Eu sei que me ensinaste muitas outras coisas, mas, como sabes, com a emoção, esquecemo-nos. E depois também não é relevante porque eterno serás na infinitude da matéria do teu corpo transformado, na infinitude genética dos teus filhos e sobretudo na infinitude cultural do amor que distribuiste prodigamente. Até já...

17 outubro, 2009 00:05  
Anonymous Malho said...

Andavas com saudades do Malho, Emidio?
Pois ele voltou. A entrada do Jorge, empolgado, com sexo atrás da porta,
deu-me o pretexto
e eu fiz o texto.

Um abraço aos dois.

SEXO ATRAS DA PORTA


Ah malando
Do camandro
Que faz sexo
Atrás da porta
No côncavo
Ou no convexo
Não interessa
Improvisado
Pela pressa
Do momento
E sem pecado
Que é dentro
Do casamento
Abençoado
Pela Igreja

(Parece dor
Mas é amor
Aquele gemer
Atrás da porta)

E já foi no chão
E na banheira
Que é boa e santa
A brincadeira

Também na praia
Atrás da duna
A olhar o céu
e a ver no mar
Sereia linda
Nua sem véu
E a vela branca
Que o vento enfuna

Espreitam do ar
Uma gaivota
E um avião
Aquele sexo
Assim exposto
Para desgosto
Do bom prior
Que acha bem
Tanta paixão
Mas só debaixo
Do cobertor

Não vale não
(Diz o prior)
Onde apetece
Porque o pudor
É condição
De que carece
O vosso amor
Pra receber
A minha bênção

(Parece dor
Mas é amor
Aquele gemer
Atrás da porta.

18 outubro, 2009 17:28  
Anonymous Mário Neiva said...

Saramago outra vez

Correm rios de tinta sobre o homem e até eu dei a minha opinião. Já neste espaço referi que não concordo com o seu pensamento e quanto ao cristianismo pode expender as ideias que lhe der na gana. Terá é que aceitar ser confrontado com a verdade ou falsidade das suas palavras. Sobre a qualidade literária da obra e sobre o seu conteúdo específico não me pronuncio, que ainda não li. Nem sei se vou ler, porque sou pouco admirador dos seus escritos, e do seu pensamento ainda menos. Aqui fica a minha apreciação das suas palavras em Penafiel, deixadas já, noutra página da Net:

«E indesculpável, incompreensível e completamente inesperada a postura de um prémio Nobel face a um escrito que contem textos com cerca de tres mil anos. Faz-me lembrar o Vasco Graça Moura a classificar de «rabiscos» as gravuras de Foz Côa. A senilidade até poderá ser invocada, não para ofender Saramago, mas para o desculpar pela sua insensatez. E se não é senilidade, é algo bem pior: ódio, má fé ou raiva. Vá-se lá saber porquê. E se não é uma coisa nem outra, isto pode ainda piorar: publicidade a troco da ofensa gratuita a milhões de pessoas.
Simplesmente incompreensível. Só me estou a referir às declarações dele, não à obra literária».



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21 outubro, 2009 09:55  
Anonymous Mário Neiva said...

Mais uma vez decidi partilhar com os leitores deste nosso blog o texto de uma carta a um amigo com quem costumo trocar impressões. Como se trata de um assunto por mim abordado inúmeras vezes no nosso blog, aqui fica mais uma achega...

Meu caro Zé Andrade

Eu podia dizer muita coisa sobre esta filosofia budista que vais pondo à nossa apreciação. Hoje, porém, vou resumir-te o que penso sobre ela, em confronto com uma verdade fundamental do cristianismo: a ressurreição.
O budismo, tomando como principio a dualidade inconciliável corpo/espirito, propõe-nos a libertação do espirito sujeito às misérias do corpo: a dor, o desejo desenfreado, a porcaria, a doença e a morte.
O nosso fado e garantia de salvação é o combate de uma vida ...à mísera e transitória carne.
O cristianismo, tomando como principio a unidade intrínseca do homem, propõe-nos, muito logicamente, a «ressurreição da carne», que não é outra coisa que a ressurreição do homem integral. E com esta «ressurreição», em perfeita coerência, a ressurreição do Universo, "carne" da nossa "carne". Por isso profetiza não só o Homem Novo mas também Novos Céus e Nova Terra. (O bispo de Hipona, o Dr da Igreja Santo Agostinho, maniqueu até a medula dos ossos, fez uma lamentável confusão entre corpos e espiritos irremediavelmente desavindos, e serviu à cristandade uma teologia com muito pouco de cristão, na sua imaginada Cidade de Deus).
Hás-de convir, meu caro Zé, que parece muito mais «lógica» a posição budista: um corpo que visivelmente se desfaz e um espirito que invisivelmente subsiste. Simples. Do outro lado temos a estranhissima proposta cristã que nos garante, pela fé, e contra todas as evidencias, que nem um átomo da nossa "carne" se perde e, do mesmo modo não se perde nem uma centelha da nossa identidade, no acontecimento da morte. É, de facto, exigida ao cristão uma fé capaz de transportar montanhas.
E, no entanto, é a proposta cristã que me apaixona. Porque será?
Um abraço
Mário

23 outubro, 2009 16:14  
Anonymous jorge dias said...

Oí amigos por aí e malhão de verdades! Então aquela minha mensagem toda só pegas o sexo atrás da porta? "Corisquinho"! Mas olha que naquela mensagem tinha mais expressões peculiares que lembro para que se entendam, como esta "essências biofisiológicas que emprestamos à genética e fisicamente nos eternizam!" Sobre isto nada! E esta outra sobre as culturas, os amores que nos eternizam! Nada. E aquela outra da eternidade na infinitude genética dos nossos filhos e dos nossos amores! Nada. Mas já as ouvi de teólogos...
Mas hoje não vou por aí. Também não vou com outros estilos supra, vou continuar a ir por mim embora com o sabor do malho e, desta vez, menos com outros e até meio em decepção porque não percebi se concordam ou discodam com os conteudos culturais das vidas, claro, por omissão dos comentantes.
Vou filosofar e, uma vez mais, referir o velhino princípio da sabedoria, estou sempre em aprendizagem e por isso "só sei que nada sei". Em contra-partida vou também tentar redigir o princípio da ignorância. "Tenho umas ideias sobre a Biblia que hei-de dizer sempre seja contra quem for..." Quando no tráfego vejo algum motoqueiro em violação pela agressividade de condução costumo dizer, está à procura de São Joaquim - nome do cemitério de Ponta Delgada. Mas não há dúvidas que o velhinho está em violação das regras do tráfego e isto não tem nada a ver com cristianismo, mas sim com a ignorância em que sempre viveu e a Pilar com a sua juventude ajudou a disfarçar. Então o velhinho só viu na Bíblia Incestos, traições, violências, um manual de maus costumes? Bem que o velhinho tentou fazer psicoterapia com Pe Carreira das Neves em directo na SIC... mas o Mário Crespo percebeu em tempo útil que ia acabar mal porque quando a ignorância chega ao ponto de tratar o Deus de milhões por "Filho da Puta" (Saramago- Caim, pgs 80-90), e lá lhe deitou a mão para o programa não acabar mal de todo, muito embora silenciando o Pe. Carreira das Neves. Saramaguinho, então, como foi possível anulares os teus amigos de Estocolmo que te deram o prémio por contares estórias de mistério e imaginação que potenciavam a humanidade? Abriste a boca, em solenidade, e declaraste milhões burros e ignorantes só por não terem os calores de uma Pilar como a tua! Como foi possível, velhinho de alcofa, julgar a Bíblia, livro de memórias da humanidade e que como nenhum outro desafiou a fazer o bem e evitar o mal e muito mais que os teus livros potenciou os homens e as mulheres a ser e a serem melhores, digo, como foi possível reduzí-la a declarações primárias, levianas e tontas, um livro de incestos, traições, violências, um Manual de maus costumes... Óbvio, irmão, que uma comunicação social, vazia, decadente, te apadrinhou, mas já não vais ter dias que chueguem para te arrependeres o suficiente da ofensa feita, porque mesmo que nós queiramos tratar-te como irmão, ou até mesmo filho de Deus, para ti Ele, não sendo, não obstante, acaba sendo quando o tratas por "filho da puta".
Sempre digo, só podemos tratar por irmão ou filho de Deus a quem quer...

25 outubro, 2009 01:46  
Anonymous Mário Neiva said...

Calma, Jorge, que se o Malho foi por maus caminhos, eu hei-de pegar nas coisas lindas que o teu texto nos trouxe. O Malho fez ao teu comentário aquilo que o Saramago fez à Biblia: focou só o acessório ou o anedótico. Cá por mim, atribuia o Prémio Nobel ao Malho, que não anda para aí a chamar «filho da puta» ao Deus que os nossos queridos antepassados pensaram ou imaginaram, conforme podiam e sabiam. Mas não é isso que me preocupa em Saramago e em todos os saramagos deste mundo. O que me preocupa é não aceitarem o Mistério da Vida, que entra pelos olhos da nossa razão e da nossa inteligência. Apesar de estarmos tão mergulhados neste Misterio, a ponto de quase nos confundirmos com Ele, não é razão para não nos darmos conta da Sua presença.
Como sempre, sabiamente, diz o povo: «Pior cego é aquele que não quer ver».

25 outubro, 2009 10:42  
Anonymous Mário Neiva said...

Mais Saramago...

Da Biblia, das religiões, da arte e da filosofia.

Partilhando convosco o cometário que fiz noutro contexto...

«Pois é Tra.quinas, esqueces os tribalismos todos, contemporâneos da produção da literatura bíblica. Por esse tempo, até na democracia grega havia gente que eram cidadãos de segunda ou quinta categoria. Porque é que nas religiões, filhas e mães dos movimentos civilizacionais, haveria de ser diferente? Até acredito que a religião, enquanto fermento que foi de civilizações, venha a fundir-se com a «massa» que ajudou a levedar. Tudo tem o seu tempo. Um olhar de lucidez e aceitação em relação à nossa História passada não deve impedir a mudança, que se fará sempre, quer se queira quer não, porque a História é como um rolo compressor feito de biliões de vontades a que nenhum clérigo e nenhum Saramago poderão fazer frente. A provocação gratuita e insensata (ou só senil ou reaccionária ou rabugenta) não impedirá o movimento da História. Mas atrapalha e provoca confusão. E fica muito mal a um Prémio Nobel, que assim o desmerece. Às vezes esquecemos, embalados no diletantismo da arte, que se esta é cultura, o próprio homem é muito mais que a sua arte: é filosofia. Mais que expressão de nós mesmos, nas artes, nas filosofias e teologias, nós somos aquele que acorda em cada manhã admirado com a jornada longa que temos pela frente. E seguimos viagem, deixando, como rasto indelével, uma parte da cultura que produzimos, enquanto a maior parte dessa mesma cultura segue incorporada no novo homem que vamos construindo. Como filósofos, cultivamos a esperança, nunca nos acomodando às filosofias produzidas. Saramago parece tê-la perdido, tão amargo que nós o vemos. Ele sintetizou, numa entrevista ao DN, essa amargura, nesta sentença: «acaba-se a vida, acaba-se a escrita».
Como se a vida e de um homem se resumisse à sua arte. Pobre de mim, que não sendo artista, nunca chegaria a ser gente!

27 outubro, 2009 07:07  
Anonymous jorge dias said...

Olá amigos, confesso que hoje não estava para comentários. Mas, face ao absoluto de perfeição do que li e transcrevo, rendo-me que mais não seja para a partilha do consenso:
"nós somos aquele que acorda em cada manhã admirado com a jornada longa que temos pela frente. E seguimos viagem, deixando, como rasto indelével, uma parte da cultura que produzimos, enquanto a maior parte dessa mesma cultura segue incorporada no novo homem que vamos construindo. Como filósofos, cultivamos a esperança, nunca nos acomodando às filosofias produzidas. Saramago parece tê-la perdido, tão amargo que nós o vemos. Ele sintetizou, numa entrevista ao DN, essa amargura, nesta sentença: «acaba-se a vida, acaba-se a escrita».

Pois, pois.... aqui mesmo é que divergimos com o velhinho perdido no deserto da Pilar. Como foi possível... "acaba-se a vida, acaba-se a escrita?" Mas é precisamente o contrário: "acaba-se a vida e eternizamo-nos na escrita que a
a todos legamos". Cada um tem os seus limites e é bom para o ego colectivo que nos contenhamos para satisfação de um "Nobel" na família. Afinal, que mal poderá vir ao nosso mundo? Fique para nós esta fraqueza aterradora... aleluia

27 Outubro, 2009 07:07

28 outubro, 2009 01:25  
Anonymous Mário Neiva said...

E verdade, Jorge, e temos de viver com a realidade que temos e os homens que somos. Mas sem nos conformarmos, nunca. Há muito tempo que eu entendi, e já o tenho dito aqui, que a fé dos homens é o movimento da alma humana «por mais vida». Por mais vida até às «loucas» propostas da imortalidade da "alma" ou da ressurreição do "pó". É esta aspiração e este sonho que a fé dos homens transformou em projecto de vida e assim nasceram as religiões.
Dizia, num outro blog, o meu interlocutor Tra,quinas, «que a religião não é palco para grandes dúvidas: normalmente é o palco privilegiado para grandes certezas e verdades absolutas».
E eu respondi-lhe deste jeito:
« E verdade, Tra.quinas, o que dizes. Por isso não sou crente de nenhuma «biblia», como não sou pregador de nenhuma filosofia. Aceito esta condição, esta nossa estranha forma de vida, que é ter de viver sem a Verdade. Esta é-nos servida gota a gota por todos os homens que se dispuseram a caminhar no seu encalço. A filosofia convida-nos a não nos sentarmos na borda da estrada ou a adormecer dentro da igreja, embalados ao colo mãe, no aconchego da fé. E fá-lo, interrogando sempre, desenganando aqueles que pensam que já têm todas as respostas na palma da mão. Nada mais. E a minha receita é: puxemos uns pelos outros porque, ao fim e ao cabo, estamos todos no mesmo barco. Ou alguém tem dúvidas sobre isso?»

É essa a minha convicção, caro Jorge: temos de encontrarnos na nossa humanidade. Começando, sempre, por realizar este encontro, e que o que vier além desta realização, seja bem-vindo. Até o sonho da «alma imortal» dos budistas ou a «boa-nova» da «ressurreição da carne» de uma surpreendente teologia cristã que se recusa a alijar borda-fora, como tropeço absurdo, este maravilhoso universo feito de estrelas, de planetas e de gente de carne e osso.

28 outubro, 2009 09:47  
Anonymous Mário Neiva said...

Para quem me tem lido neste nosso blog já não há novidade no comentário a seguir. Apenas uma formulação diferente:
«Deixaste-me meio atordoado, V., ao atreveres-te a avançar com uma definição de Deus: «Deus Caritas Est», disseste tu, «Deus é amor». Já é audácia, e só ao alcance do ser humano, propor a Sua existência. Devassar-Lhe a intimidade da alma só mesmo de quem tenha uma fé que ressuscita os nossos mortos um a um. E no entanto, caro V., o Homem cedeu a esta fé, praticamente desde o momento em que se tornou consciente de que era um universo face a outro universo. E não fez mais do que começar a balbuciar a conjugação do verbo SER: eu sou… tu és… nós somos…Quando começamos a tomar consciência deste universo único que cada um nós é, fomos assaltados por um sentimento de indizível solidão. Indizível e brutal, como o murro no peito. O autor dos «Miseráveis» fala desse momento como quem fala da entrada no inferno: «Todo o inferno está contido nesta única palavra: solidão». O mesmo Victor Hugo vislumbra a porta de saída deste inferno e encontra o caminho do paraíso: «A suprema felicidade da vida é a certeza de que somos amados». Ocorre-me dizer que a fé dos homens resulta da necessidade intrínseca que cada um de nós tem de «falar» com alguém, para lhe fazer notar a «minha presença» e chamar-te «a ti» para bem junto de mim.
Como não tenho essa tua fé explícita, fico-me pela «definição» da alma humana, esta que sou e tu és e nós somos. E não me custa nada entrar no paraíso de Victor Hugo, concordando com ele: a nossa suprema felicidade é a certeza de que somos amados. Não me aventurando a dizer «Deus é amor», fico-me pela maravilhosa definição do
que somos, à falta de melhor fala: O Homem é Amor.
Quando, da minha solidão, chamei por «ti», só o meu amor e o meu amigo responderam ao apelo. E estes foram-se afastando da religião como uma criança que sai da água do banho…
Faltava dizer, mas adivinhava-se: não deitemos tudo fora, a agua do banho e o bebé, como Saramago pretende fazer.

29 outubro, 2009 09:04  
Anonymous Anónimo said...

Adoro os vossos comentários. São muito engraçados,fazem pensar. Sou uma leitora assídua deste ponto de encontro de formas de vida e de linhas de pensamento.

31 outubro, 2009 23:45  
Anonymous Mário Neiva said...

O Corpo e a Alma, em Dia de Santos e Finados

Queixou-se o Jorge, e com razão, de que de todas as coisas cheias de interesse que nos deu, com o seu comentário do dia 17 de Outubro, apenas lhe pegou, O Malho, no sexo atrás da porta. Pois bem, aqui estou eu, hoje, para sublinhar algo de importante que aí foi dito e que eu resumiria assim:
A nossa vida é mais: é biologia e física que pela genética nos eternizam; é a cultura que criamos; é o amor que construímos no coração dos nossos filhos e dos nossos amigos; é o bem que geramos no coração dos outros e perdurará para sempre.

Hoje é dia de Todos-os-Santos, amanhã dia do Fiéis-Defuntos. No calendário litúrgico se ordenam estas comemorações respeitando a sequência da vida: no primeiro dia celebramos a Vida e no segundo a Morte. Sem receio de celebrar a morte, porque, no dia de finados o que se celebra, realmente, é a vida depois da vida. E o que é exactamente isto? O Jorge deu algumas dicas, aí acima.
A generalidade dos crentes acredita na «ressurreição da carne», mas está fora de causa que ela seja aquilo que foi para Jesus e Nossa Senhora. Para Jesus e Maria estava reservado o privilégio da imediata «ressurreição da carne», e por isso foram transportados ao céu em corpo já glorificado. A nossa pecadora «carne» fica a apodrecer na terra e a secar no túmulo. No fundo, estes dogmas da «Ascensão do Senhor» e da «Assunção da Virgem Maria», são a consequência lógica do outro dogma, a «Imaculada Conceição».
Registo aqui a convicção generalizada dos católicos e não só, de que a nossa «carne», no momento da morte, segue um destino diferente de Jesus e Maria. Todos sabem a «guerra» que tal crença tem provocado entre cristãos e, nos tempos que correm, tudo isto está, mais uma vez, a ser posto em causa. A simples hipótese de que possam aparecer as «ossadas» de Jesus provoca calafrios em milhões de corações cristãos. Pessoalmente não me interesso por esta polémica, que cada vez mais me parece ser uma discussão inútil, e mal irá o crente se fizer depender a sua fé em Deus da formulação daqueles dogmas. Até porque, fazendo finca-pé, de uma assentada, se compromete o ecumenismo, fomentando a divisão entre os homens POR CAUSA DA FÉ, e se enraíza nas mentes das pessoas a ideia de que o Deus em que se acredita é um Deus-feito-à-medida. Ou seja, cada um inventa o seu, e o seu é o verdadeiro.
Compreendo que não se pode moldar a fé das pessoas de um momento para o outro. Mas o caminho da mudança está aí, num afastamento imperceptível dos dogmas tradicionais e na recusa tácita de muitos preceitos propostos pelos clérigos. Sem renegar a fé dos seus antepassados, muitos crentes vão adaptando a sua fé à evolução dos «usos e costumes». Sem fogueiras e autos-de-fé, e cada vez menos com excomunhões. Sobrepõe-se a linguagem da conciliação, porta segura do amor entre os homens.

01 novembro, 2009 22:43  
Anonymous Mário Neiva said...

O Corpo e a Alma em Dia de Santos eFinados

II

Apesar de existir, claramente, uma distinção entre as filosofias «espiritualistas» (imortalidade da alma e sua encarnação-reencarnação) e as filosofias /teologias que preconizam a morte e ressurreição do homem como um todo, na prática, todos eles, acreditam e defendem que o homem é um corpo habitado por um fantasma, quer se lhe chame alma, espírito ou mente. Que a nossa «carne» produza a nossa «alma», nem pensar! Apesar de ser nesse sentido que as ciências apontam cada vez mais insistentemente.
Os dogmas católicos da Ascensão e Assunção são a única excepção a um duplo destino (pelo menos no imediato) deste “homem-dividido”, literalmente partido ao meio, em corpo e alma. A novidade que se vai desenhando, em crescendo, na teologia cristã, é a extensão da crença contida nos dogmas da Ascensão, da Assunção e da Imaculada Conceição a toda a humanidade. É uma verdadeira pedrada no charco!
Pelo que tenho constatado e releva de toda a pregação cristã e cristã católica, ninguém vai, abertamente, por esse caminho Como me dizia ainda ontem um católico praticante, ex-seminarista e professor licenciado em história, não se consegue “engolir” que o homem-cadáver, entregue aos bichos ou ao fogo, um dia possa ser reconstituído em homem novinho em folha!
E no entanto, dizem os teólogos católicos mais esclarecidos na teologia que professam, é mesmo assim e os dogmas da Ascensão e Assunção não são mais que prefiguração e profecia do que vai suceder a cada um de nós. Só não se sabe é COMO nem QUANDO, e isso fica por conta dos Mistérios que envolvem a fé.
Precisamente, este proclamado «não sabemos quando nem como», serve de ponto de partida para o diálogo com as outras crenças e com as próprias ciências.
As «dicas» do Jorge, que referi, vão nesse sentido. São uma tentativa de ajustar a fé, na «vida depois da vida», às realidades do nosso dia. Não só a amizade e o amor geram um «homem novo», como também a biologia e a física que somos nos eternizam porque, de certa forma, subsistem após o desmoronamento da nossa presença-física-inteira-organizada , vulgo corpo. Já não é segredo para ninguém que os «restos» que sobram, na morte, são muito mais que «pó». Mas enquanto a ciência estiver apenas a balbuciar estes assuntos, como de facto está, o cristão não terá outro remédio que não seja lançar mão da sua fé. A qual, neste caso, não é redutora da dignidade humana mas esperança de mais e melhor Humanidade. Além de fonte de alegria legítima e motivadora, quando se confia, simultaneamente, na fé e na ciência dos homens, permanecendo aberto às descobertas da ciência e nelas colaborando.
Quem sabe, a ressurreição não está feita mas é para se ir fazendo! Afinal, uma tarefa a nosso cargo, como da nossa responsabilidade é realizar o amor…

Se virem bem as coisas, sem preconceitos de espécie alguma, são os “homens” e não “os deuses” que nos transmitem uma e outra: a fé e a ciência. Por esta ordem. O conflito entre ambas só resulta da ignorância.
Haverá sempre aqueles que não acreditam que o Homem seja capaz de descobrir, por si mesmo, a sua origem e construir o seu futuro. São aqueles que anunciam, ao som de trombetas de ouro e prata feitas à custa das misérias presentes da humanidade, as verdades absolutas e definitivas que lhe foram segredadas ao ouvido por vozes do além…
É caso para dizer, também aqui, com o povo: «os cães ladram e a caravana passa».
Só quem não está atento não enxerga que a fé e a ciência podem andar de mãos dadas e fazer crescer a esperança no coração dos homens.
É claro que não estou a falar de um «deus feito à medida» de cada religião mas no Mistério que nos dá a vida.
Quanto às teologias, todas, aceitar discuti-las, como se aceita discutir as filosofias, é o primeiro passo para um verdadeiro ecumenismo, onde ninguém se irá declarar, presunçosamente, arauto legítimo do Mistério da Vida.
A mim, o que verdadeiramente me custa a “engolir” é a negação, pura e simples, deste Mistério. Entendo essa negação como a recusa da própria vida..

01 novembro, 2009 22:46  
Anonymous jorge dias said...

Olá,
A minha saudação para uma leitora anónima que se expressa e nos dá reforço. Obrigado!
Caríssimos e caro Mário,
Fé e ciência podem e devem (S.Tomás de Aquino) andar de mãos dadas e fazer crescer a esperança no coração dos homens. Em absoluto de acordo, caro Mário. Permite-me que te expresse os meus agradecimentos pelo reforço de esclarecimento que fazes do meu texto. Sabes uma coisa! Este pessoal percebe... vê as quadras poéticas noutro lugar, mas reserva-se muito a ver o que acontece!
Hoje, só vou reafirmar o que em outro espaço, há muito, referi da Imaculada Conceição. As palavras Imaculada Conceção aplicadas a N.Senhora querem dizer que no acto sexual da sua concepção o seu pai Joaquim e a sua mãe Ana, por não fazerem pecado, Maria nasce sem pecado original. Sobre isto,disse eu, que esta Imaculada Conceição, ao ser consagrada pela Igreja, era uma prefiguração da concepção sem mácula de toda a humanidade, que sempre assim foi e será, embora diversa tivesse sido a doutrina da Igreja durante séculos e ainda hoje, na hierarquia, o seja. Mas alguém tem que fazer o trabalho de bombeiro. Tempo virá. A nós, por agora, assiste-nos o direito, como pensadores, crentes, de sermos fieis também ao homem, porque a Deus, muitos de nós também são. Caro Mário, sobre isto não pode haver dúvidas.Não podemos recomeçar indefinidamente.Obviamente, concebidos sem pecado! Porque haveriam os nossos pais de serem diferentes do Joaquim e da Ana e os nossos filhos de Maria! Aleluia

02 novembro, 2009 00:56  
Anonymous Mário Neiva said...

Em dia de Finados vou falar-vos da Vida

Para um espírita ou um espiritualista é heresia afirmar que a «carne» produz o «espírito» ou o «corpo» produz a «alma». E, num primeiro momento, a razão e a lógica parecem estar do seu lado. Mas pensemos um pouco mais.
Costumo falar do Universo como a «carne da nossa carne». Esta ideia faz supor, logo à partida, que não é um qualquer “pedaço de carne”, ou, dizendo por outras palavras, não é um qualquer “corpo” que produz a nossa mente, ou o nosso espírito ou a nossa alma.
À luz dos últimos desenvolvimentos da ciência da natureza, o que poderá ser a «carne» do Universo?
Qualquer físico dos nossos dias adverte-nos para que não imaginemos os átomos e muito menos as suas partículas, como minúsculas esferas ou pontos. E li, há pouco tempo, um prémio Nobel da física que nos diz para pensarmos os átomos como fantasmas de energia e estes são de tal maneira pequenos que chegam a ser necessários dez milhões encavalitados uns nos outros e compactados, para se atingir a dimensão e visibilidade de um milímetro!
A este nível daquilo a que chamamos matéria já só se lida com fantasmas, perdão, partículas de energia.
Mas há mais. Os físicos de partículas andam há décadas intrigados com o comportamento destes ínfimos fantasmazinhos de energia, que em vez de pontos são ondas e como uma onda se movimentam, em movimento continuado. Ou seja, até onde já pôde chegar a ciência, o “tecido” básico do Universo é formado por energia ondulatória, como se fosse uma infinita manta onde vão emergindo aglomerados gigantescos de energia, de que resultam as galáxias, as estrela, os planetas e a nossa Terra cheia de uma vida que potenciou o Homem que somos.
Gerados, desta forma, por um tal Universo, todo ele constituído por fantasmas, perdão partículas de uma ainda muito pouco conhecida energia, qual a dificuldade em aceitar que deste”mar de energia” se produza o espírito humano? Aliás, se o espírito humano não for energia, o que será então?

02 novembro, 2009 19:14  
Anonymous Mário Neiva said...

Em Dia de Finados Vou Falar-vos da Vida

II


Se alguém ficou admirado quando se soube que este nosso “corpo” está repleto de biliões de bactérias, que organizadamente lhe sustentam a vida, pasme, agora, ao saber que foram necessários muitos mais biliões de partículas de energia para se chegar às bactérias e aos tecidos e à forma final que exibimos na «passerelle» da vida…
Para a ciência não restam dúvidas que há uma continuidade perfeita entre esse “tecido” do Universo e todos as formas que esse misterioso tecido de energia fez emergir, desde as estrelas até às formas vegetais e animais.
A nossa História Humana radica na História do Universo. Se quisermos entender o mistério da nossa “Alma” teremos que perscrutar os segredos do Universo. E vice-versa, porque, como alguém disse, cada um de nós é um pequeno micro-cosmos.
A consciência do que somos e do lugar que ocupamos permite-nos olhar para um passado, um presente e perspectivar um futuro. E nesse momento descobrimos que a nossa História ainda é uma criança. E cada um de nós sabe que, apesar de ter apanhado o comboio em andamento, somos livres de seguir viagem Não sabemos exactamente o destino? É verdade. Mas se a companhia é amorosa e se podemos desfrutar de uma paisagem mais que linda, porque nos havemos de queixar? Só se for da nossa preguiça, ficando de braços caídos, sem cuidar do conforto da nossa carruagem. Se temos pressa de chegar e de conhecer o destino, em vez de nos lamuriarmos, porque não inventar maneiras de o comboio andar mais depressa?
E esse destino bem pode ser a perfeição da nossa Humanidade, essa mesma que brotou do “tecido” do Universo, prenhe de surpreendentes potencialidades! Destaco a consciência de ser, o dom de amar, uma razão e uma inteligência ímpares e o dom das artes, sem paralelo no mundo dos viventes.
E faltou-me referir uma invejável capacidade imaginativa, para quem gostar de andar entretido com outros fantasmas, de outra natureza e do “outro mundo”. A esses pergunto se não lhes bastam os biliões de pequenos fantasmas que carregam às costas. Se acharem que é coisa simples e ligeirinha, ajudem os seus irmãos a carregar os deles, tornando mais leve a sua cruz…

02 novembro, 2009 19:20  
Anonymous Anónimo said...

Olá.
Cá estou eu novamente. Agora que comecei a ler os vossos comentários e como vos disse dão que pensar, agora lanço-vos eu um desafio.
A ciência hoje em dia está muito evoluída e quem diz a ciêcia diz também a medicina. A esperança média de vida é cada vez maior, mas será que temos qualidade nessa mesma vida que se prolonga por mais tempo?
O país está envelhecido, falta lares, muitos idosos vivem sós...
Pelos vistos hoje em dia há muitos filhos que não querem cuidar dos pais, ou porque não têm tempo, ou porque a vida simplesmente não permite ou há falta de ligação. Não se dá tanto valor aos idosos hoje em dia como antigamente. Hoje parecem um fardo para a sociedade.
Apesar de alguns aqueles que ainda se mantêm activos ou que tenham saúde, vemo-los nas universidades séniores, entre outras actividades em que ocupam o seu tempo livre.
Mas e quando a saúde já não é a mesma de 20-30 anos atrás?
A obrigação dos filhos é cuidar dos pais ou pelo menos assim deveria ser.
Muitas vezes vemos idosos abandonados nos lares ou mesmo nos hospitais. Estas são notícias comuns na televisão. Muitas vezes acamados,com feridas.
A doença é um sofrimento, mas ao mesmo tempo um desafio. Obriga-nos a repensar a nossa forma de estar na vida. Quando um pai ou uma mãe adoecem e vê-se que eles já não têm as capacidades que tinham anteriormente sofre-se muito, mas ao mesmo tempo é como disse um desafio à nossa forma de ser, de estar, de conviver com isso, pois sabemos que as pessoas quando vão envelhecendo, vão aparecendo as doeças, as demências, entre outros sintomas e doenças próprias da idade.
Medos? Claro que sim, a vida dá uma volta de 360º em função disso, mas é preciso haver muita colaboração, inter-ajuda entre filhos, maridos, esposas e até inclusivamente netos.
Há que valorizá-los, pois têm sabedoria experiência de vida, conselhos para dar. E quando não puderem e já estiverem naquela fase em que não há mais volta, o que resta é a compreensão por esta ou aquela atitude, o amor, o carinho.
Aí a plena sensação de dever cumprido aqui nesta terra.

04 novembro, 2009 00:12  
Anonymous Mário Neiva said...

De facto, como diz o anónimo (a), que nos importa, a mim ou a ti, mais anos de vida, se forem mais anos de penosa solidão e amargura? Estou a lembrar-me de um livro de Simone Beauvoire, intitulado o «Homem Imortal», um infeliz que não conseguia morrer…
Vencer a doença e a velhice é muito e muito bom. Vencer a solidão, pelo amor, é o que mais queremos nesta vida. Apetece dizer: não importa quantos anos vivi mas quantos amei e fui amado. O supremo ideal, onde estamos inteirinhos, é ser juventude e amor. Não imagino projecto de vida mais digno do Homem. É como entrar no paraíso em «corpo e alma», como professam os católicos na «ressurreição da carne»...

04 novembro, 2009 15:39  
Anonymous jorge dias said...

Oi a todos... para o anónimo /anónima...específicamente! Tenho pena, mas não dá agora para grandes delongas. Mas é óbvio que hoje vivemos mais e temos mais qualidade de vida, mesmo que a qualidade de vida que temos esteja aquém do que racionalmente entendemos ser o desejável! E então antigamente havia qualidade de vida!? Isso do apoio familiar na velhice não dava qualidade de vida e tudo suspirava pelo momento da passagem! E então se recuarmos no tempo ainda pior! E aquelas estórias do abafador e cada terra tinha os seus! Não embandeirar en arco, mas que progressos têm sido feitos! Hoje até nisso, apesar dos pesares, pelo menos há morfina! Duro! Um pouco. Todos os fins são complicados... mas há progressos e de que maneira. Morreremos e só nos servirão, mesmo nos últimos dias, o bem que tivermos servido!

08 novembro, 2009 03:15  
Anonymous Mário Neiva said...

Assino por baixo e acrecento a resposta que dei aum video clip que me enviaram:
«Não vou reencaminhar este videio-clip porque não estou de acordo com o pensamento que lhe está subjacente: que, em 2009, estamos a dar ao Planeta filhos e escolas piores que em 1969.
Costumo dizer que assumo cada passo que dei na vida, porque todos somados constituem a minha identidade. Posso gostar muito, pouco, ou nada da "fotografia", mas sou eu e não quero ser outra pessoa qualquer. Seria uma aldrabice, em primeiro lugar para comigo mesmo, tentar retocar a fotografia e historiar só os passos bem dados, certinhos, dentro da moral e bons costumes da época.
O que este video nos sugere é uma dupla aldrabice: por um lado, esquecer as condicionantes sociais e culturais de cada época (qualquer coisa como interpretar a biblia «à Saramago») e, por outro lado, confundir a visibilidade e exposição, sem paralelo na história, das coisas boas e más que acontecem, com aumento da "maldade" humana.
Na escola ou fora dela.
Desafio as pessoas que formularam a pergunta a provarem-me que o humanismo está em retrocesso e que a proclamação dos direitos do homem, da mulher, da criança, dos animais e até do próprio planeta terra são propostas de legislação de outros tempos.
A melhor forma de mostrar o nosso conformismo e de nada querer fazer para aperfeiçoar a sociedade é propalar o reacionarismo escondido na sentença ignorante: «antigamente é que era».
Vamos clicando...
Um abraço e bom Domingo
Mário»

08 novembro, 2009 09:09  
Anonymous Anónimo said...

Por isso é que entrei no vosso blog e gosto particularmente de lançar questões, dar a minha opinião e ler as vossas.

09 novembro, 2009 16:39  
Anonymous Anónimo said...

Não digo que temos menos qualidade de vida que tínhamos há alguns anos atrás, mas teremos qualidade no morrer?
Para ti Jorge, existe morfina claro, mas estarão os médicos preparados para ultrapassar determinados preconceitos relativamente a ela?
Em relação à dor é o analgésico mais potente, mas também é depressor do centro respiratório. As duas faces da mesma moeda.
Mas hoje em dia vê-se um país envelhecido, os idosos na sua maioria vivem sós. Isto apesar de terem filhos. Porquê? Não há tempo para cuidar deles? Os filhos não arranjam tempo por terem as suas vidas?
Mais uma pergunta que vos faço: Eutanásia, concordam ou não?
Não tenho o dom de filosofar como vocês, mas também gosto de lançar desafios e de ser desafiada.

Teresa

09 novembro, 2009 17:06  
Anonymous jorge dias said...

Oi amigos e cara Teresa,
Não tenho a menor dúvida que as questões agora levantadas não estão sob influência da Ordem do Carmo e iniciam uma nova fase deste blog que só peca por tardia.
Recordo que este espaço de comentários se iniciou a propósito da fraternidade que se desencadeou num invulgar encontro de antigos alunos da Ordem do Carmo no Sameiro em Julho deste ano.
Aquando do meu comentário anterior prefigurou-se-me que se comparavam duas problemáticas, a velhice antigamente e a velhice hoje, verifico agora, que a problematica que ali se colocava,
e neste último comentário foi esclarecido, é outra e bem mais profunda.
Concordo que somos efectivamente um país envelhecido e a envelhecer ainda mais, mas onde mais que o problema da velhice há um problema de natalidade que diminui assustadoramente num país em que a famíilia e a geração de filhos, vergonhosamente, não é apoiada. Ser pai e mãe soa hoje a castigo e a privação. Quando os políticos trazem à ribalta o casamento gay, estamos conversados quanto à celula de base de suporte da sociedade que é a família genitora! Eu não digo que a família é para ter filhos. Eu digo que a família genitora é a célula de base da sociedade. Estamos conversados quanto à subversão quase total dos valores.
O comentário levanta ainda o problema da eutanásia (boa morte ou morrer bem)! Todos somos por uma morte boa ou por morrer bem. Há muito que no seio dos cristãos se descute este problema. O testamento vital (uma declaração antecipada de vontade do cidadão) há muito advoga que não sejam administrados tratamentos futeis ou inuteis e desproporcionados para prolongamente de uma vida sem qualidade - Igreja Católica portuguêsa! (Público de 9 de Novembro de 2009 - pg 7). Mas a Eutanásia a que se refere a comentante, obviamente não é esta! Seguramente refere-se à morte por admininstração de um fármaco a pedido do cidadão doente! Esta morte, por agora, pelo menos, entre nós, é entendida como homicídio! Pessoalmente tenho alguma dificuldade em entender o fenómeno, embora reconheça que há circunstâncias que lhe emprestam um dinamismo avassalador. Reparo que a comentante também não emitiu a sua opinião. Por mim sempre gosto mais, muito mais da fraternidade - festa e da festa da vida.
Se quando seleciona o perfil fizer a opção Nome/URL poderá inserir o nome no cabeçalho. Que cresça e se multiplique esta comensalidade de comentários.

11 novembro, 2009 01:16  
Anonymous Mário Neiva said...

Voltando ao tema da velhice nos tempos actuais, eu considero que também quanto aos idosos estamos a ter uma sensiblidade cada vez maior. Já temos o «dia do idoso» e vemos nascer por todo o lado lares para idosos, que, não tenho dúvidas, serão aperfeiçoados à medida que a nossa sensibilade humana aumentar. Acabaremos a pensar que estão lá os nossos pais, avós, amigos...e antes da derradeira, essa vai ser, talvez, a nossa própria morada.
São cada vez mais «os velhos» que não se consideram velhos. E querem continuar a aprender, a amar, a divertir-se, a fazer exercício. Não me admiraria nada que, num qualquer dia futuro, manifestassem vontade de voltar ao trabalho! Assim a medicina os ajude.

Repito, porém, aquilo que já escrevi neste blog: não importa o número de anos que vivemos, mas os anos em que amamos e fomos amados. E é na velhice que se faz este acerto final das contas da vida...E com uma lucidez que nos deixa estonteados.

Sobre a eutanásia, estou como o Jorge, quase sem palavras para abordar o drama. Mas vou-me a ele, que não receio temas difíceis. A Teresa não vai ficar sem a minha opinião.

12 novembro, 2009 09:00  
Anonymous Anónimo said...

Olá.
Embora tenha começado agora a partilhar as minhas ideias com vocês, tomei-lhe o gosto e cá vai mais alguns pensamentos:
Eutanásia, da palvavra grega "eu" que significa boa e "thanatos" que significa morte. Resumindo boa morte.
Para aliviar o sofrimento na fase final da vida, o acto de pedir a um médico que lhe administre um fármaco para terminar com a sua vida pode-se chamar de morte clinicamente assistida, o que na lei portuguesa não é permitido, pois é considerado crime e neste preciso caso, homicídio, porque foi causada a morte de uma pessoa apesar do consentimento desta.
É mais ou menos como o aborto, mas este agora foi despenalizado até às 12 semanas e os médicos podem alegar objecção de consciência e encaminhar para outro colega.
Mais um tema complicado, mas este fica para outra portunidade.
Quanto à eutanásia, temos todos o direito a uma boa morte seja ela qual for e como for, mas para isso, temos que deixar escrito em algum documento que não queremos que nos façam isto ou aquilo, que não queremos métodos invasivos.
Este pode ser o nosso desejo e se o queremos temos que lutar por ele.
Quanto à morte clinicamente assistida, concordo em determinadas situações:caso o sofrimento da pessoa seja tal e desde que ela tenha a capacidade de decidir que é essa a sua vontade, mas como não pode fazê-lo pede a outra pessoa que o faça netse caso o médico.
Por acaso sou adepta da morfina para o combate à dor intensa quando não há mais alternativas, tem o reverso da medalha como disse atrás, é um depressor do centro respiratório, mas é mais gratificante ver a pessoa não sofrer devido ao efeito da medicação do que ver a pessoa num sofrimento constante.
Não acho que seja um drama falar deste tema, são coisas reais, que em Portugal é considerado crime, mas que em outros países é permitido. Tal como a liberalização das drogas leves tal como marijuana, haxixe, entre outras e que em Portugal também é proibido o seu consumo.Mais um tema a ser discutido em outras ocasiões.

Teresa

13 novembro, 2009 00:55  
Anonymous jorge dias said...

Oi oi... animadíssimo!
Não vou em grandes filosofias hoje! Levei uma vida profissional ligada ao problenma da droga! Hoje, continuo a perfilhar a ideia, originária dos paíes anglo-saxónicos, que desde há muito perfilham a teoria da legalização das drogas, não liberalização! Liberalizar é deixar ao critério de cada um. Legalizar é definir os critérios de consumo!
Quanto à administração de morfina, uma pequena referência a uma ocorrência pessoal de saúde. Um problema numa glândula salivar com produão de uma pedra de 1,5cm de comprimento por 4mm de espessura, levou-me ao hospital para uma pequena cirurgia de lancetamento do abcesso criado. Mas a pedra ficou. Já no quarto do hospital, depois do bloco, e face á agessividade das dores, solicitei via campaínha a presença da senhora enfermeira a quem solicitei a resolução do problemas das dores ou se só me restava o salto da janela (quarto andar) face à agressividade da dor de que estava a ser vítima. Foi a morfina que me safou. Não deixo de lamentar a inabilidade de quem geriu a ocorrência de um "calhau" que estava para nascer de uma glândula salivar e que só mais tarde viu a luz do dia, porque no hospital, enfim...
Profissional à altura contactou o médico e pela via intra-venosa me resolveu o problema. Nunca maias a vi, mas, uma vez, mais obrigado,

15 novembro, 2009 01:01  
Blogger mario said...

Quando chega a hora de decidir em circunstâncias tão desesperadas, ou muito mais, como aquela que o Jorge relata da própria experiência, consideremos sempre a grandeza do homem. E essa grandeza reside na condição, única, de sermos conscientes de nós mesmos e de poder decidir o nosso destino. Em direcção ao céu ou ao inferno. Não queiramos cair na tentação de legislar para a sociedade de acordo com a fé de cada um, pois estávamos a criar um estado confessional à maneira islâmica e dos talibãs. A vida e a liberdade, num primeiríssimo tempo, foram-nos dadas e não impostas. São um dom e não uma imposição. E delas podemos dispor para o bem ou para a perdição.
É curioso pensar que podemos impor a morte, tirando a vida a alguém contra sua vontade, mas não podemos impor a vida, porque esta é inteiramente dom, desde o princípio. A morte, quando acontece ou quando nos é imposta, ou quando é por nós decidida no suicídio, por eutanásia ou outro meio, é sempre um encostar à parede do dom da vida. E dói sempre, mesmo quando esperada numa velhice tranquila.
A minha última palavra para a eutanásia é compreensão.
Quem se atreve a condenar a tragédia de Robert Henk? Criminalizar a eutanásia é tão absurdo como criminalizar o suicídio, porque, de facto, trata-se da mesma realidade.
Quem tenta chamar outra coisa à eutanásia está a tentar enganar alguém e por algum motivo. Quem pretender legislar contra a eutanásia decidida por um paciente, que legisle contra o suicídio, obrigando o falecido a pagar uma qualquer coima. Sabemos que a Igreja Católica legislou sobre o suicídio e a pena para o crime é capital: o inferno. O argumento de que não podemos dispor da nossa própria vida entra em flagrante contradição com a liberdade de escolha proclamada pela mesma Igreja, pela qual o homem é livre de escolher a «salvação» ou a «condenação». Ou seja, teologicamente não se pode legislar nem a favor nem contra a eutanásia. Como não se pode legislar para o suicídio. Se a tragédia acontecer, respeitemo-la.
É apenas a minha opinião. E vale o que vale.

17 novembro, 2009 23:21  
Blogger teresa silva said...

Oi caríssimos:
Também concordo que a vida é um dom, mas se o sofrimento é tal não temos o direito a decidir se queremos morrer desta ou daquela forma?
Será suicídio ou uma morte clinicamente assistida? Quando praticada por um médico, claro.
Falando do Robert Enke, ele suicidou-se num trágico acidente de automóvel, mas será que ninguém deu conta que ali poderiam morar alguns problemas psíquicos graves? Será que não houve ajuda e o seu sofrimento era tal que não haveria outra forma de o contornar?
Quando falo da eutanásia, esta seria conversada e discutida com a família inteira que quando chegasse o momento queria morrer desta forma e que principalmente não me deixassem sofrer.
Egoísta ou talvez não. Falo de uma boa morte.
É crime, sim. Pena.
Claro que não a vamos praticar por dá cá aquela palha, não. Nem isso seria justo, porque cada caso é um caso e cada pessoa tem o direito de decidir.
Lembram-se de batalhas jurídicas de pessoas tetraplégicas ou mesmo ligadas a um ventilador, em que os cuidados para a satisfação das necessidades humanas básicas dependem única e exclusivamente de terceiros e estas pessoas quererem terminar com a vida, mas não poderem porque não é permitido? Ou punido por lei?
É justo não poder satisfazer um desejo a uma pessoa se é isso que ela realmente quer?
Não concordo com o suicídio, porque acho que há outras formas de resolver o problema de base, consultas de psicologia, psiquiatria, grupos de apoio, inclusive medicação.
Muitas vezes não queremos ver o problema dos outros, ou fingimos não ver, porque não é nada connosco. Vivemos numa sociedade em que é cada um por si e Deus por todos. Apesar de haver mais tecnologia, mais condições de vida, parece que vivemos isolados, sós, falta diálogo entre as pessoas. Acho que o que falta muitas vezes é AMOR.
Esta linda palavra que significa o que de bom nos acontece. É porque alguém nos ama e nos protege. Falta as pessoas entregarem-se de corpo e alma ao que fazem , às pessoas que as rodeiam(família, trabalho, amigos, etc). Deus ama-nos muito e escolheu-nos para sermos seus filhos. Resta-nos seguir os seus ensinamentos. Amai-vos uns aos outros como eu Vos amei, disse o Seu filho Jesus.
Tão simples e ao mesmo tempo tão difícil.
Bom a conversa já vai longa e para não variar já fugi do tema principal, mas achei pertinente.

18 novembro, 2009 01:53  
Blogger mario said...

Teresa,

obrigado por ter corrigido o meu Robert Henk...
A sua opinião sobre a eutanásia é praticamente coincidente com a minha e a do Jorge. Mas não vale a pena adoçar as palavras. Eutanásia é mesmo suicídio e a recusa da CEP (Conferencia Episcopal Portuguesa)em aceitar uma lei sobre essa tragédia humana deve-se à coerencia da sua ~doutrina: o suicídio é criminoso e a eutanásia é criminosa. E se já há uma certa compreensão da Igreja Católica (que acho ainda muito débil) para com o suicídio, em relação à eutanásia mostra-se intransigente. E porquê? No suicídio há uma multidão de circunstâncias que podem conduzir uma pessoa ao desespero, mesmo até à loucura e daí ao suicidio. Na eutanásia é a pessoa, na posse das suas faculdades, que cede apenas por uma única causa: o sofrimento atroz. Não restam dúvidas para a Igreja que a pessoa decide e cede, em consciência. E é pecado.
É quetionável esta atitude da Igreja, exactamente como nós o estamos a fazer. Eu penso que, mesmo neste caso extremo de sofrimento, a condição humana de livre arbitrio permanece como marca indelével da sua dignidade.
A igreja tem toda a legitimidade em propôr a sua doutrina. O que não pode é pretender transpô-la para o código de direito civil, que será sempre não confessional.
E um católico poderá aprovar uma lei civil sobre a eutanásia, apesar de a recusar para si mesmo, por coerência com a sua fé. Excatamente como aceita o casamento civil para os não crentes. E não me digam que eutanásia é uma coisa e casamento é outra. Num caso e noutro é sempre a vida das pessoas que está em jogo.
A vulgaríssima lei dos semáforos se não for respeitada por crentes e laicos produz a morte.
Com isto quero significar que todas as leis são feitas pelo homem e para o homem. Seja ele crente de alguma fé ou descrente de todas elas.
Sabiamente, e de forma eminentemente provocadora, o evangelho cristão estabelece o primado do AMOR. Isto é tao novo e tão duro de engolir que as CEP.s de toda a cristandade não resistem ao fascínio da LEI. No fundo é querer impôr-se à consciencia dos outros. Ninguém tem esse direito.
AH, meu querido Paulo de Tarso, porque não vens cá de novo e gritar a todas as CEP.s, que «com Cristo deixamos de ser escravos da Lei«?
Quem foi que disse «ama e faz o que quiseres»?
Tudo o mais é uma questão de semáforos...

18 novembro, 2009 09:14  
Blogger teresa silva said...

Olá:
Gostava de saber mais coisas em relação à vossa associação. Quais são os vossos objectivos?Carmelitas vem de Carmelo não é?
O que significa Carmelo?

20 novembro, 2009 18:28  
Blogger Associação Antigos Alunos Carmelitas said...

Olá Teresa!
antes de mais gostávamos de ter a tua identificação mínima. Se, efectivamente, desejas saber mais sobre a nossa associação e sobre o Carmelo, envia um e-mail para o nosso endereço que é aaacarmelitas@gmail.com e nós na resposta te indicaremos sítios onde podes ir buscvar mais informação além de te podermos dar informação adequada sobre o assunto. Mas podes começar por visitar www.ordem-do-carmo.pt onde poderás começar a saber algumas coisas essenciais sobre o Carmelo em Portugal. o nome de Carmeçlo vem do Monte Carmelo na Palestina. Bem, manda o teu email e mais te poderá ser dito sobre este tema.
Um grande abraço ammigo
augusto castro (o presidente da AAACARMELITAS)

20 novembro, 2009 18:54  
Blogger jorge dias said...

Alegremente por aqui sempre a desejar que isto chegue a livro, face às coisas lindas e profundas que andam a ser escritas neste bonito espaço de bem.

21 novembro, 2009 03:39  
Blogger teresa silva said...

Olá,
Por acaso já estive no site recomendado e achei-o muito interessante. Permite conhecer melhor a ordem do carmo, descobrir mais coisas a cerca da ordem nomeadamente os objectivos que se baseiam na fraternidade, contemplação através da oração. Seguir Jesus através do profeta Elias e principalmente através de Maria sua mãe e fiel seguidora.
De facto Maria é um exemplo a seguir, um modelo de inspiração, de humildade e ao mesmo tempo de força interior. Nunca perdeu a esperança pois sabia que Deus estava com ela.
Deve ter sido difícil para ela compreender o porquê da sua escolha e mesmo assim ela disse "Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua vontade" e a partir daí o Espírito Santo esteve sempre com ela.
Seguir os preceitos de Jesus nem sempre é fácil, mas temos que compreender que no fim a recompensa é maior. Ele nunca nos abandona, apesar dos momentos difíceis que atravessamos nas nossas vidas. É preciso ter fé e acreditar que Ele está sempre connosco até ao fim dos tempos.
Na última noite conversando com colegas de trabalho, alguns achavavam a vida um sofrimento, mas isso depende de como encaramos a vida. Claro que nem sempre é fácil ou nem tudo é um mar de rosas, mas achar que a vida é um sofrimento também é demais. Então não estavamos por aqui nem Deus nos tinha escolhido para vivermos com Ele neste mundo.
Como disse há momentos bons e momentos menos bons, sendo estes essenciais ao nosso desenvolvimento e espírito crítico da nossa actuação e principalmente para sabermos que temos sempre um amigo connosco, com quem podemos conversar, chorar, partilhar com ele os nossos pensamentos mais íntimos. Conversar sabe sempre bem. Seja com Jesus ou com Sua mãe é igual, o sentimento é o mesmo. E através dessa reflexão interior saber como trazê-la para o exterior, para o nosso trabalho, para a nossa comunidade, enfim para no fundo darmos o exemplo do que é sermos cristãos e o que isto implica.
Para isso temos que acreditar que Deus está sempre connosco,essencialmente ter fé. Crer no amor como forma de mudar a nossa maneira de ser.
Jesus foi sempre firme nas sua convicções, no seu projecto e escolheu como apóstolos pescadores que depois se tornaram em pescadores de homens. Que no início não o entendiam e muitas vezes O ponham em causa, duvidando, questionando-se. Não percebiam tamanha grandeza. Mas depois acreditaram e evangelizaram por este mundo fora. O segredo foi o AMOR e ao perdoar, ama-se mais. O perdão dá lugar a mais amor e quantas vezes os discípulos O decepcionaram e Ele simplesmente os acolhia novamente. Grande é o Seu amor.
Como é que uma pessoa destas perante tanto AMOR pode ser crucificada?
Para transmitir o seu amor pela humanidade. Foi este o seu projecto o AMOR. Daí nunca podemos perder a esperança perante as adversidades da vida. Devemos enfrentá-las com sabedoria, fraternidade, alegria. Difícil, mas não impossível. Temos o exemplo do Mesre dos Mestres a seguir.
Dúvidas, vão sempre existir. Mas optemos por aquilo que nos pareça mais correcto, mais sensato. Até Jesus teve dúvidas quando disse no Monte Sinai: Pai, se for possível afasta de mim este cálice. Mas Jesus sabia que lá no fundo era este o seu projecto e foi para isso que o Pai enviou o Seu único filho.
Para nos ensinar o significado da palavra AMOR.

21 novembro, 2009 22:25  
Blogger jorge dias said...

Uma nova maneira de falar do mesmo amor e do mesmo projecto. Menos elaborado, seguramente, e não à nossa maneira (cognoscitiva), mas mais emocional e à moda da alma humana popular! Parabéns pela surpresa do que dizes e do amor de um Jesus que em ti se afirma.Permite-me uma pequena correcção. O Monte Sinai tem a ver com Moisés. A frase que referes de Jesus, e é referida nos evangelhos, é normalmente localizada como tendo sido dita no Getsemani, um lugar dentro de uma terra onde se cultivavam oliveiras nos arredores de Jerusalém. O Getsemani era a casa do lagar de extracção do azeite dentro da exploração das oliveiras. Get - pressão e semani - óleo. A pressão era exercida por uma grande pedra sobre os ceirões da azeitona moída e fervente, donde escorria o azeite, sob sua pressão. Getsemani, o espaço do lagar, eis o lugar onde Jesus entrou em "stress" no cumprimento da sua missão. Interessantíssimo, porque profundamente significante, hoje, face ao stress que nos envolve e atinge por todos o sentidos e provocações mentais.

23 novembro, 2009 01:40  
Blogger mario said...

Quem somos nós?» pergunta a Teresa. Somos vidas partilhadas, e através deste espaço no blog, lendo ou escrevendo, preparamos encontros anuais ou outros Escrever ou ler, neste espaço, é entrar nos preliminares da amizade e do amor. Preliminares que não dispensam o acto, antes para tal eles servem, porque pensamento sem acção é como alma sem corpo. E a inversa também é verdadeira, porque agir à toa não leva a nada. Por isso temos uns Estatutos.
Quanto mais partilharmos, escrevendo ou lendo ou falando ou fazendo, mais pleno será o encontro, porque a única forma da nossa alma se manifestar é abrindo as suas janelas, que são os seus cinco sentidos, aqueles mesmos que dizemos serem do corpo! A nossa alma está no olhar alegre, triste, espantado, encantado; está nas mãos que apertam, acarinham, aquecem; nas palavras que consolam, acalmam e declaram amor; no saborear do pão, dos vinhos e dos sumos, das carnes e peixes da terra fecunda; na fragrância de flores e plantas ou na essência dos perfumes das nossas mulheres, amigas e filhas.
Nisto tudo a nossa alma se manifesta, se alegra e faz a festa.
É chegada a hora de o nosso espírito fazer a paz com os seus sentidos. Nunca mais se diga ou pense: ou eu ou eles (os sentidos)! É hora de dizer «eu com eles», os-sentidos-que-sou. Renunciar aos sentidos é renunciar à essência da minha própria vida, tanto como renunciar à minha alma. (Quem estiver já a pensar em libertinagem dos sentidos, não se esqueça que também à alma não fazemos todas as suas vontadinhas, como, por exemplo, quando ela quiser violentar a vontade dos outros…)
É ao mundo maravilhoso dos sentidos da nossa alma que o homem destes tempos não quer e nem deve renunciar, como fizeram, no passado, monges e monjas carmelitas, julgando que encontravam mais vida em a perdendo, quando renunciavam à festa dos sentidos. Fugiram dos sentidos da alma como se estes fossem uma maldição e causa de perdição. Na verdade, Teresa, os monges e monjas carmelitas chamados contemplativos fugiram da própria vida mas na sua caminhada construíram um pedaço da nossa história. Os conventos que nos legaram estão cada vez mais vazios, porque nos tempos que correm já nos convencemos que é com os sentidos todos da alma que havemos de construir a nova Humanidade. Já não os pensamos como malditos e contrários ao espírito, antes os consideramos a nossa parcela individual da «poeira cósmica» que, ao fim de biliões de anos, germinou no Homem-Espiritual.

Privados de algum dos nossos sentidos, sentimos essa privação como uma mutilação da alma. E, quando acontece todos os cinco entrarem em colapso, a alma queda-se no silêncio insondável da morte…
E aí se prova como a minha mente e os meus sentidos são alma e voz de mim mesmo.

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25 novembro, 2009 11:17  
Blogger jorge dias said...

Meus caros, caríssimos e caríssimas,...
O dom da alegria, o dom da vida, o dom da partilha, para quem puder compreender, o dom de com os outros fazermos a festa! Festa da vida, festa dos sentidos, festa da alma, festa de nós nos outros e festa dos outros em nós, festa do corpo, festa da alma, festa da humanidade liberta e em caminhada... Uma total e avassaladora "gestalttheorie" de festa e
realização da humanidade inteira! Festa que afirma a vida, o dom ou dádiva da vida, festa de endorfinas (universidade de Dublin) que nos potenciam para realizações quase ilimitadas em espaço de almas e corpos humanos. Como gosto e aprecio a festa da vida, ou a vida quando nela fazemos a festa de sermos ainda, um pouco mais, vivos em acção com os outros.

02 dezembro, 2009 00:51  
Anonymous jual kebun sengon said...

Mampir nich dari JAKSEL...
menarik sekali blog anda, dan saya sangat suka..
Salam....
oh ya ada sedikit info nich tentang jasa ekspedisi . Semoga bermanfaat...

23 maio, 2011 03:45  

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