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5 de fevereiro de 2010

REVISÃO DOS ESTATUTOS - I I

Não reparei que o número de comentários já tinha ultrapassado os 200.
Acontece que quando o número de comentários ultrapassa os 200, os remanescentes vão para arquivo. Assim foi necess+ario reeditá-los e colocá-los novamente como se de texto se tratasse: assim convido os comentaristas a continuar os seus comentários agora neste espaço pois passa a ser a segunda parte da revisão dos estatutos. Comecei a recolocar pelo comentário do Jorge Dias, que ainda consta dos comentários anteriores.
Boa conversa e aprendam muito uns com os outros, ppois todos temos um pouco de válido a dar a cada um dos nossos companheiros de viagem.
Mas não somos pides; nem pensar nisso é bom.... mas nunca esqueçam que...quem disso fala algo tem que se lhe diga...eh eh eh eh eh eh eh eh eh...
Abraço
augusto castro


jorge dias deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS ESTATUTOS":
"O que nos distingue é a forma de estar no mundo e de pensar"
Que satisfação esta! Que gratificação!
Aleluia! Aleluias! Finalmente, aqui, a palavra, tal como a dança e a concertina nas desfolhadas,veio a terreiro! Estou em crer que com um tão bom número de tocadores, teremos material bastante de provocação e dança! E com elas mais crescimento, caminho feito, novos amores, mais danças e futuros! A palavra, que revela a inteligência, sempre é criadora e "fazedora" de melhor futuro!
Claro que o copo está mesmo meio cheio!... mas ainda vai encher mais e vai transbordar.
A seguir encheremos outro, depois mais outro, a seguir mais outro ainda e outro e outro...
Como em tudo na vida. "Começa por um: mudando pessoas muda as organizações" ... Efeito dominó:
"Você começa por mudar as pessoas, um a um, e muda as organizações. Muda as organizações e mudará as instituições. Muda as instituições e mudará os países" (Hal Gregersen).
Agir para podermos teorizar o agir, a palavra para podermos teorizar os conteúdos da palavra! Agir, agir diferente, agir seja o que for no respeito dos outros, agir primeiro para pensar inovando, para pensar outro, melhor se possível e, naturalmente, diferente! Ninguém pensa diferente a partir do nada! Agir nem que o agir seja a combinação associada de observações, perguntas,experimentações e convívios em rede com gente muito diversa (por forma a reduzirmos o sectarismo e os fundamentalismos). Conviver...
Ir em frente, inovar, ser irreverente, perguntar, perguntar, imaginar, escrever, escrever palavra, palavras e mais palavras, originais, se possível diferentes, e senão, que sejam iguais, mas que sejam muitas e sempre... A palavra sempre educa, sempre forma, sempre liberta, sempre cura, sempre faz crescer! Só a palavra faz felicidade, paz, amor, futuro...
Publicada por jorge dias em Antigos Alunos da Ordem Carmelita a 04 Fevereiro, 2010 00:46


Mário Neiva deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS ESTATUTOS":

Citação de uma citação, trazida a este blog pelo Jorge: Eu não podia estar mais de acordo!
"Você começa por mudar as pessoas, um a um, e muda as organizações. Muda as organizações e mudará as instituições. Muda as instituições e mudará os países" (Hal Gregersen).
Retenham para o futuro, para quando surgirem mais propostas de leis e de ideias fracturantes, como aquela que temos em cima da mesa e que belisca uma das mais «sagradas» instituições: o casamento. A mudança é de filosofia e de estatuto legal. De filosofia, porque se passa do acasalamento animal e natural entre macho e fêmea com vista à propagação da espécie, constituindo-se, desta forma, a célula-base da sociedade, para o casamento entre pessoas, numa relação desligada da procriação, com vista à partilha da vida ou de um ideal. Neste último caso a sociedade aceitou, perfeitamente e sem conflito, a familia baseada na fé, como acontece nas ordens religiosas constituidas em familias, em que partilham tudo o que diz respeito ao corpo e ao espirito -menos o sexo! Vá~se lá saber porquê. (Costuma-se dizer que é, simplesmente, porque se transformou sexo em tabu, o que não acontece com qualquer outra das nossa funções vitais, como beber, comer, ouvir, ver...). Mudança também de estatuto, consagrando-se em lei algo de totalmente novo na organização da sociedade.
E porque se tem referido a história com orgulho do passado que nós fomos, quem sabe da história humana algo mais que a poética narrativa do livro do Génesis, sabe de ciência certa que a instituição casamento evoluiu como qualquer outra instituição e ainda hoje persistem diferentes formas de casamento, em sociedades actuais. A poligamia legal é uma delas. Poderemos considerá-la um atraso civilizacional? Sem dúvida, porque já não se justifica que o macho dominante tenha para si as fêmeas todas. Aliás, neste nosso tempo já só falamos de «pessoas» e não de machos e fêmeas entre os humanos. E as «pessoas» não são conquista nem propriedade de ninguém. Nem marido e mulher são propriedade um do outro. Mas ainda há quem pense que é assim e se acha no direito de maltratar e até matar quem se «possui».
Estou a ser desmancha-prazeres voltando a um tema tão arreliador? É possivel. Mas não podia perder a oportunidade oferecida pela citação do Jorge.
Também concordo que a palavra é mobilizadora: quando apela à tradução em estatutos, da espantosa singularidade da Pessoa Humana, revelada na consciência da sua dignidade.
Seguramente, essa dignidade não reside na diferenciação sexual. Está num patamar bem mais elevado.
Repito: não fora o tabu ancestral à volta do sexualidade e todos tinham visto na «familia religiosa» (carmelita, por exemplo) a prefiguração da familia do futuro.
Por causa daquele tabu andamos aqui às turras uns aos outros. E acautelem-se comogo, que nesta luta levo vantagem, sendo touro de signo! Como tal, é pressuposto ostentar um par de poderosos chifres.

Publicada por Mário Neiva em Antigos Alunos da Ordem Carmelita a 04 Fevereiro, 2010 09:23



Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS ESTATUTOS":


Certamente todos temos, menos eu!...
Já nem sei de nada, melhor dizendo. " Só sei que nada sei "
Este mundo é dos espertos e não adianta bradarem aos céus, porque os SANTOS , já não são o que eram.

Publicada por Anónimo em Antigos Alunos da Ordem Carmelita a 04 Fevereiro, 2010 11:46



Mário Neiva deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS ESTATUTOS":

Estava indeciso se devia publicitar ou não os e-mails que troquei com amigos meus a propósito deste tema do casamento entre pessoas do mesmo sexos. Como voltei ao assunto e vos «obriguei» a reflectir sobre ele, aqui fica o testemunho de uma experiência magnifica, onde se pode divergir e fazer da divergência cimento de amizade em vez de semente de ódio. Aqui fica, com toda a sinceridade e honestidade intelectual. Não é para convencer ninguém e vale só como expressão da minha alma humana.
Também para todos vós, deste espaço do blog, o meu abraço
Mário

Meus caros amigos

Mantive, ao longe de algumas semanas, com um amigo, uma troca acalorada de argumentos acerca do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Divergimos desde o princípio e acabamos divergentes e mais amigos que antes do "embate". Tal como eu, é ex-clérigo. Católico convicto e acérrimo lutador contra o referido casamento. Como advogado que é, não me deixou põr o pé em ramo verde. Encerramos um debate a dois, que decorreu sempre com muita frontalidade e elevação. Ninguém cedeu e nem era preciso e nem era isso que procurávamos: a derrota do amigo.

Apetece dizer que o homem transcendeu o conceito e a amizade superou a diferença. Para saberem como tudo acabou, aqui fica o meu ponto final na «refrega». Já tenho a sua resposta. Não posso publicitar porque, naturalmente, tenho de preservar a intimidade do. Mas... foi ouro sobre azul.

Um abraço para todo

Mário Neiva
É das coisas mais lindas e mais intensamente humanas: respeitar-nos e amar-nos uns aos outros, apesar da carga pesada dos nossos pre-conceitos. Podes retirar o sentido pejorativo que é costume estar associado a estes pre-conhecimentos. Nós nunca nos aproximamos "virgens" na abordagem de qualquer assunto. Já vamos, de certo modo, «formatados». Depois, é uma questão de mais ou menos ginástica na hora do confronto. Poderemos convergir ou poderá haver luta e um muito claro ou pouco claro vencedor ou ainda, simplesmente, um empate. Mas se no fim do jogo de conceitos e pre-conceitos nos abraçarmos, sairemos reforçados em nossa humanidade e dignidade. Certamente nos admiraremos mais uns aos outros, ganhando sempre, mesmo quando se perde ou empata.

No que nos diz respeito e a propósito do casamento homo, é a melhor homenagem que podemos prestar ao «nosso» João Lobo.

Quanto à homossexualidade reconhecida em lei de casamento, entreguemos à história o que da história será.

Para nós dois fica a certeza de uma amizade reforçada na diversidade. Pode parecer, mas não é dito em abono da tua tese: o que mais me fascina e encanta na mulher é exactamente ela ser diferente. Tão diferente que acaba por se tornar para mim a encarnação do próprio Mistério da Vida. Fico sempre com a impressão de que foi por ela, a mulher, que descobri a alteridade absoluta de um ser em relação a outro. Por isso, amá-la e ser por ela amado, é sentir-me ligado à Fonte da Vida. Agora, não sei o que é solidão, acreditas? Mas já a sofri, de forma quase insuportável.

Quando vejo a vossa fé num Deus que definem como Amor e penso na maravilhosa ideia da teologia cristã a proclamar uma Divindade em Três Pessoas, não posso deixar de murmurar comigo mesmo: como eles estão perto da felicidade, crendo numa Comunidade de Amor, a que deram um nome desoladoramente vazio (SS. Trindade)!

Presunçosamente, eu, não crente, penso que estou ainda mais perto...Tudo uma questão de pre-conceitos.

Um abraço

Mário

Publicada por Mário Neiva em Antigos Alunos da Ordem Carmelita a 04 Fevereiro, 2010 14:32



Miki (1947) deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS ESTATUTOS":

Precisamos Saber Viver a Vida

Eu sempre ouvi dizer que a gente, para construir uma vida feliz e gratificante, é preciso que se eleja ideais de valor, perenes, pelos quais valha a pena viver. E até morrer, se preciso for. Quantas pessoas se vê por aí, que viveram uma vida medíocre, correndo atrás de coisa pequenas, presas ao dinheiro, à posição social e ao status, e chegaram à velhice com aquele gosto amargo do fracasso na boca. Há suicidas da Terceira Idade que decidem pelo gesto extremo depois de perguntarem:
“Qual foi o ideal da minha vida? Será que vivi todos estes anos, só por isto?”.
Para estabelecer ideais de vida que valham a pena, é preciso que saibamos construir, a nós mesmos e a forma como se quer ser feliz. É preciso ter a preocupação constante, a partir das coisas simples, de construir para a vida.
Há dias li num desses “blogs” da Internet que, quando colhemos uma flor para nós, um gesto banal, começamos a perdê-la, pois logo a seguir ela vai murchar nas nossas mãos ou no nosso vaso, e não dará sementes para outras na primavera.
O mesmo ocorre com o pássaro que aprisionamos numa gaiola. Deixará de cantar para todos no bosque, nem criará filhotes no seu ninho. Quando a gente guarda dinheiro, automaticamente começa a perdê-lo. O dinheiro só tem valor pela alegria que ele nos pode proporcionar. No banco ou debaixo do colchão ele torna-se neutro às sensações de bem-estar.
Conheci um homem idoso, há mais de trinta anos atrás, que juntava dinheiro em latas de leite em pó, debaixo da cama. Era um património que ele amealhou ao longo de sessenta anos, desmatando florestas, cortando árvores e carregando os toros para a serração. Um dia, quando tinha uns oitenta anos, pressionado pelos filhos e netos, resolveu chamar o gerente do banco, para contar aquela fortuna e depositá-la numa conta. Depois de abrir todas as latas constatou que o dinheiro, com as várias trocas de moeda, tinha perdido o seu valor. E o que sobrou ficou, a cheirar tanto a mofo que foi incapaz de ser aproveitado. O homem trabalhou a vida toda, juntou muito dinheiro e não pode usufruir absolutamente nada.
No tocante à liberdade (e ela está intimamente ligada à felicidade humana), ocorre um facto análogo. Quando não arriscamos a nossa liberdade começamos a enfraquecê-la, porque a liberdade que temos realiza-se quando optamos e decidimos, mesmo sob risco.
Durante a nossa vida, quando mantemos os filhos presos aos nossos cuidados e caprichos também arriscamos a perdê-los, porque pode ser que nunca os veremos voltar para nós, livres, maduros e vencedores.
A gente ganha sempre o que se deixa, e perde-se o que se retém.
Miki (1947)
Publicada por Miki (1947) em Antigos Alunos da Ordem Carmelita a 04 Fevereiro, 2010 16:48


Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS ESTATUTOS":

Já vai de chifres? Escandaliza esses beatos de meia tijela.
Publicada por Anónimo em Antigos Alunos da Ordem Carmelita a 04 Fevereiro, 2010 17:01


Miki (1947) deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS ESTATUTOS":

Amigo Mário Neiva
Como podes constatar Miki, até é nome
de "Santo"













DIA 6 - Sábado
São Paulo Miki
e companheiros, mártires
Memória obrigatória
(vermelho)

Paulo, sacerdote Jesuíta, e vinte e cinco companheiros, religiosos e leigos, são os primeiros mártires do Japão, canonizados em 1862 por pio IX.Depois de muito maltratados por pregarem o Evangelho, foram conduzidos à cidade de Nagasaki, onde sofreram o martírio sendo cruxificados no dia 5 de Fevereiro de 1597.
Miki (1947)
Publicada por Miki (1947) em Antigos Alunos da Ordem Carmelita a 04 Fevereiro, 2010 19:47


Miki (1947) deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS
ESTATUTOS":
Precisamos Saber Construir a VidaEu sempre ouvi dizer que a gente, para construir uma vida feliz e gratificante, é preciso que se eleja ideais de valor, perenes, pelos quais valha a pena viver. E até morrer, se preciso for. Quantas pessoas se vê por aí, que viveram uma vida medíocre, correndo atrás de coisas pequenas, presas ao dinheiro, à posição social e ao status, e chegaram à velhice com aquele gosto amargo do fracasso na boca. Há suicidas da Terceira Idade que decidem pelo gesto extremo depois de se perguntar:
“Qual foi o ideal da minha vida? Será que vivi todos estes anos, só por isto?”.
Para estabelecer ideais de vida que valham a pena, é preciso que saibamos construir, a forma como se quer ser feliz. É preciso ter a preocupação constante, a partir das coisas simples, de construir para a vida.
Há dias li num desses “blogs” da Internet que, quando colhemos uma flor, um gesto banal, começamos logo a perdê-la, pois a seguir ela vai murchar nas nossas mãos ou no nosso vaso, e não dará sementes para outras na primavera.
O mesmo ocorre com o pássaro que aprisionamos numa gaiola. Deixará de cantar para todos no bosque, não criará filhotes no seu ninho. Quando a gente guarda dinheiro, automaticamente começa a perdê-lo. O dinheiro só tem valor pela alegria que ele nos pode proporcionar. No banco ou debaixo do colchão ele torna-se neutro a sensações de bem-estar.
Conheci um homem idoso, há mais de trinta anos atrás, que juntava dinheiro em latas de leite em pó, debaixo da cama. Era um património que ele amealhou ao longo de sessenta anos, desmatando florestas, cortando árvores e carregando os toros para a serração. Um dia, quando tinha uns oitenta anos, pressionado pelos filhos e netos, resolveu chamar o gerente do banco, para contar aquela fortuna e depositá-la numa conta. Depois de abrir todas as latas constatou que o dinheiro, com as várias trocas de moeda, tinha perdido o seu valor. E o que sobrou ficou, cheirar tanto a mofo que foi incapaz de ser aproveitado. O homem trabalhou a vida toda, juntou muito dinheiro e não pode usufruir absolutamente nada.
No tocante à liberdade (e ela está intimamente ligada à felicidade humana), ocorre um facto análogo. Quando não arriscamos (utilizamos) a nossa liberdade começamos a enfraquecê-la, porque a liberdade que temos realiza-se quando optamos e decidimos, mesmo sob risco.
Durante a nossa vida, quando mantemos os filhos presos aos nossos cuidados e caprichos também arriscamos a perdê-los, porque pode ser que nunca os veremos voltar para nós, livres, maduros e vencedores.
A gente ganha sempre o que se deixa, e perde-se o que se retém.
Miki (1947)
Publicada por Miki (1947) em Antigos Alunos da Ordem Carmelita a 04 Fevereiro, 2010 20:21


Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS ESTATUTOS":

Trata do corpo, que a alma já não tem salvação.
Publicada por Anónimo em Antigos Alunos da Ordem Carmelita a 04 Fevereiro, 2010 21:01



teresa silva deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS ESTATUTOS":

Então caríssimos muito se tem discutido neste blog...

Hoje foi um dia particularmente interessante, pois adoro convívios e diálogos em que possamos trocar ideias, opiniões, e por entre visitas a amigos mais um copo e mais uma conversa. Por entre compadres e comadres infiltradas.
Como já disse atrás vivo numa ilha e para terem uma pequena ideia percorri cerca de 200 km nesta pequena ilha.
Adoro trocar ideias, seja pessoalmente, ou seja aqui, com as novas tecnologias temos hoje em dia acesso a tudo praticamente.
Com isto crescemos, aprendemos, tiramos alguma coisa para as nossas vidas, por mais pequena que seja vale sempre a pena trocar opiniões, contar histórias.
Como disse atrás a nossa vida é um desafio, saibamos aceitá-lo com todos os prós e contras que daí advém. Claro que sabemos que a vida não é um mar de rosas e sabemos que todas as rosas têm espinhos.
Os espinhos são os problemas inerentes da vida de cada um. Houve, há e sempre haverá problemas, mas a forma de os enfrentar é que vai distinguir um cristão. Não nos podemos deixar abater perante a primeira adversidade que se nos depara.
Confiemos. Temos que perceber que os problemas e adversidades também são precisas , pois são elas que nos fazem crescer, é com elas que percebemos quais são os objectivos traçados.
Sempre haverá problemas, mas ser derrotado por eles aí a conversa é outra, aí a escolha é nossa. Escolhermos a opção de sermos derrotados.
Fracassos, perdas, revoltas, medos faz tudo parte da condição humana. Caímos e logo a seguir levantámo-nos. Recuperamos a força com a ajuda do Pai.
Ele ama-nos incondicionalmente. Se pensássemos nisso por um bocadinho que fosse os psiquiatras ficavam sem emprego, pois não precisavam de prescrever mais antidepressivos. Vamo-nos abaixo muitas vezes por dá cá aquela palha.
Na bíblia, as histórias que nos contam acerca de Jesus perante tantas adversidades vemos sempre uma pessoa forte, alegre, que sabe dar a volta aos problemas que também lhe surgiam naquele tempo.
O segredo está em amar e em perdoar.
Publicada por teresa silva em Antigos Alunos da Ordem Carmelita a 04 Fevereiro, 2010 21:29



Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS ESTATUTOS":

??????????????????????????????????????????Tem pide, por aqui??????????????
Publicada por Anónimo em Antigos Alunos da Ordem Carmelita a 04 Fevereiro, 2010 22:06
 
 
teresa silva para mim

mostrar detalhes 4 Fev (há 1 dia)
teresa silva deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS ESTATUTOS":
A aparência de Deus...
Não o vemos é certo. Não tem imagem definida. Mas sentimos a sua presença. Sabemos que gosta de nós. Dá-nos conselhos quando o pedimos em silêncio.Podemos contar com ele nos momentos bons e menos bons da nossa vida.
Ele perdoa-nos, ele ama-nos, ele consola-nos, dá-nos força e energia, é o nosso descanso quando estamos cansados.
Não nos obriga a nada, leva-nos a pensar na forma mais correcta de resolver os assuntos pendentes.
Ele escuta-nos, ele liberta-nos. Ele é o pão da vida. É o nosso amigo mais fiel.
Se pensássemos um bocadinho nisso seríamos as pessoas mais felizes na face da terra.
Jesus veio ao mundo dar o seu exemplo.
Tornou-se humano apesar de ser Deus. Com todas as fragilidades de ser humano, soube sempre ultrapassar as adversidades. Tomemos o seu exemplo. Responsável, alegre, simples, humilde.
Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.
Publicada por teresa silva em Antigos Alunos da Ordem Carmelita a 04 Fevereiro, 2010 22:31


teresa silva deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS ESTATUTOS":

Senão houver Deus nas nossas vidas então estas serão vãs e tristes, com aparente alegria mas no fundo sem qualquer sentido, tal como este soneto de Antero de Quental:
O Palácio da Ventura:
"Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busca anelante
O palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!


Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas de ouro, ante meus ais!

Abre-se as portas de ouro, com fragor..
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão-e nada mais!"

Publicada por teresa silva em Antigos Alunos da Ordem Carmelita a 04 Fevereiro, 2010 23:24
 
 
 
jorge dias deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS ESTATUTOS":

Sempre se volta ao local..
Nada de confusões e nada de confusões em vários sentidos!
Tenho o problema de enfeites resolvido na minha alma e nos meus afectos, não obstante ser signo de "touro".
Caro Mário, o tema que repões é fracturante! Lembro-te que eu próprio nem cheguei a responder a algumas das tuas afirmações precisamente por serem das mais fracturantes e provocantes. A retoma, nem entendo que a tenhas feito. Que a faças com base numa citação inserta em comentário meu, de um teor, na forma e letra da palavra, insuspeito, e sem associação possível, nem mesmo no sentido mais genérico e generalista do comentário no seu todo. Só uma leitura descontextualizada e bem retrocida encontrá nessa citação qualquer link associativo com o cassamento gay.
Referes-te a um modelo de família na base da fé. Base da fé ou cultura dos povos?
Quem andou por aqui a defender o modelo de família na base da fé! O Bispo? E que qerias que fizesse? Alguém que de cultura só tem a da fé? E depois?
De ti é que não se esperava, homem de outras ideias e cultura! E,no entanto,foi nas tuas ideias que apareceram argumentos religiosos a favor do casamento gay e depois arrepiaste caminho. Por aqui, que me tenha dado conta, emitiram-se mais argumentos e opiniões contra, e no teu caso a favor, do casamento gay.
Mas, as opinões no tocante ao acesso a uma família, do acesso dos homosexuais a uma família, as minhas foram francamente favoráveis e a generalidadedr das opiniões foi omissa.
Não considero nada a poligamia, como aliás não considero a poliandria um atraso, um problema, bem pelo contrário, uma solução de um certo tempo e espaço que, se regulada e emergir da sociedade, pode até ser uma excelente solução e que como tal não tem nada mesmo a ver com machos ou fémeas dominantes, mas sim com desiquilíbrios em número nos géneros. Em qualquer dos casos nada têm a ver com os casamentos gays por razões óbvias.
Publicada por jorge dias em Antigos Alunos da Ordem Carmelita a 05 Fevereiro, 2010 01:02



jorge dias
 deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS ESTATUTOS":

O Tabu que não é
Neste espaço, como já o referi, este tema é fracturante precisamente por não ser um tema tabu! Casamento homosexual neste espaço pode ser tudo menos tabu! Então que mais querias que se dissesse!?
Que se dissesse que sim à tua opinião?
Mas a resposta foi não na forma proposta e na encontrada pela maioria parlamentar!
A palavra inteligente
Aqueles que nos habituaram com palavra inteligente devem brindar-nos com os mesmos níveis elevados de palavra.
O rincípio citado
Aplica este princípio à inovação, à filosofia, à pratica do bem, à renovação pessoal e colectiva, ao relacionamento das pessoas umas com as outras, ao código da estrada, ao respeito que os outros nos merecem, aos objectivos pessoais, aos objectivos das famílias, das comunidades, das sociedades, dos países, à globalidade de um amor que se insinua e se passa! E depois disso tudo se a homosexualidade precisar, aplica também.
"Você começa por mudar as pessoas, uma a uma, e muda as organizações. Muda as organizações e mudará as instituições. Muda as instituições e mudará os países" (Hal Gregersen) eis como podemos ou não ser empreendedores, provocadores, inovadores em nossa casa, nos nossos grupos e espaços, ao serviço de valores colectivos e um bem maiores.
Publicada por jorge dias em Antigos Alunos da Ordem Carmelita a 05 Fevereiro, 2010 01:14



Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS ESTATUTOS":
Com que então o Blog é pidesco, heinnnnnnnnnnnnnnn.
Publicada por Anónimo em Antigos Alunos da Ordem Carmelita a 05 Fevereiro, 2010 08:



Miki (1947) deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS ESTATUTOS":
Que se passa?
Os comentários desaparecem ?
Miki (1947)
Publicada por Miki (1947) em Antigos Alunos da Ordem Carmelita a 05 Fevereiro, 2010 13:
 
 
 
Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS ESTATUTOS":

Afinal quem tem aqui o lápis azul?
" Quem não é por nós , é contra nós ".
Apesar de apontamentos telegráficos, parce-me que incomodam os donos do Blog, será?
Publicada por Anónimo em Antigos Alunos da Ordem Carmelita a 05 Fevereiro, 2010 19:34

 
deAnónimo noreply-comment@blogger.com

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deLYNUZ

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data5 de Fevereiro de 2010 19:35
assunto[Antigos Alunos da Ordem Carmelita] Novo comentário sobre REVISÃO DOS ESTATUTOS.
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LYNUZ deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS ESTATUTOS":
Alma feliz…
O mistério da vida eleva-nos á realidade eterna.
Ser homem carnal é ser nada, mesmo em lealdade fraterna.
Viver a vida em espírito leal e de verdade
Conduz-nos a uma eterna realidade.

A pomba voava
Espetando seus olhos
No longínquo firmamento.
Suas asas, cansadas,
Deixavam para trás
Léguas de nada.
Levava consigo a esperança
Que amanhã era outro dia,
O dia do tudo,
E para sempre.
Não chorava a inutilidade,
Sabia que se cansada,
Se sacrificou para a verdade
Que a esperava.
E lá está….eternamente!...



LYNUZ
data5 de Fevereiro de 2010 19:48
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Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS ESTATUTOS":
Sim, desapareceram, talvez por magia. Vou ter de usar tb um nome, talvez IKIM, ou será mal pensado?
Agora que estava a gostar disto, riscam-me o rabo com uma telha francesa. Que injustiça meu, não aceita o contraditório, mesmo com pouco tempo para grandes delongas, estava atento a quem aproveitou algo dos tempos de Carmelita, como eu.
Publicada por Anónimo em Antigos Alunos da Ordem Carmelita a 05 Fevereiro, 2010 19:48

206 Comments:

Anonymous Mário Neiva said...

Curiosamente, já me tinha ocorrido a ideia do tal limitre das 200 "entradas" em caixa de comentários. É o que faz a experiência de um longuissimo Almoço Muito Especial.
Como vês, caro anónimo, não há por aí ninguém a escutar conversas em blog, café ou restaurante para depois nos ir denunciar... a quem? Digamos que só pode ser ao diabo, que Deus não tem ouvidos para «bufos».

Ao Jorge tenho a dizer que a ligação que fiz das palavras sábias de HalGregersan ao "tema fracturante" casamento homo foi a pensar na dinâmica própria das sociedades que vão criando estatutos e instituições, que se tornarm incarnações do pensamento e do sentir de sociedades em permanente evolução. E é também nesse sentido que nós estamos a pensar em rever os estatutos da Associação dos aaacarmelitas. Que eu espero que seja no sentido de lá caberem todos, quem sabe até um casal de homossexuais de ex-marianos casados. Quanto a mim, hetero até à medula dos ossos, abraça-los-ia com a mesma fraternidade. Antes de mais, são pessoas.
Como fui criado, tal qual a maioria de vocês, num meio cultural em que nos habituamos a considerar os homossexuais como despreziveis maricas e mariconços, até admito que a primeira reação iria ser um tanto embaraçosa. Como está a ser terrivelmente embaraçosa para quase todos a aceitação de um estatuto legal que os equipara às restantes pessoas.
Estou convencido que estes sinais de mudança na antiga e «sagrada» instituição que é o casamento e, consequentemente, na instituição da celula-base da presente sociedade, que é a familia, representam uma viragem, mais uma, na História Humana. Não sei até onde nos vão levar as novas técnicas de prevenção e de assistência intra-uterina ao embrião humano. Uma coisa eu sei: os pais de uma crianças vão deitar mão de tudo o que a ciência coloca ao seu alcance para que o seu filho nasça o mais perfeito possivel, como já agora se faz.Áliás, é seu dever, dentro das suas possibilidades.
Aqueles que têm em alto apreço ou máximo apreço a dignidade da pessoa humana não poderão ficar agarrados a preconceitos e desmazelos desculpabilizantes do génro «foi Deus que assim quis» ou «seja o que Deus quiser».
Preparemos o nosso espirito para mudanças radicais que se avizinham. Esta do casamento homo apanhou-nos a todos quase de surpresa. A mim, seguramente, me surpreendeu. Esta surpresa só me fez entender que procedo de um «outro mundo», onde tal coisa nem pela cabeça me passava. Já me sentia constrangido em aceitar a homossexualidade, agora o casamento dos «maricas»...Em mim foi quase uma luta contra-natura. Mas penso que estou no caminho certo e por ele me bati. Devo ao cristianismo que me formatou a alma esta abertura para ver primeiro a pessoa e em segundo lugar o sexo com que nasceu.
Compreendo o vosso pensamento e sentimento. Respeito. Dar-me-ia por muito feliz se tivesse contribuido com os «meus argumentos» para que todos os que me leram fossem um pouco mais abertos a uma realidade que veio para ficar. Porque a história não pára e cada vez mais o homem do futuro será o do «homem espiritual». Por enquanto ainda nos perdemos em discussões intermináveis à volta do sexo com que nascemos.

06 fevereiro, 2010 11:08  
Blogger Associação Antigos Alunos Carmelitas said...

jorge dias deixou um novo comentário na sua mensagem "REVISÃO DOS ESTATUTOS":


Aleluia para esta libertação de tantas inteligências e afectos das vidas!
Afinal a palavra é tão provocante que reagi antes do download terminar! Onde estão os comentários antigos!? Alguém explique que isto tem muito suor e quero voltar a eles...

Deu para verificar que temos candidatos a donos do Blog! Faria precisamente esse desafio! Até pagava de meu bolso um prémio para o melhor comentário, em mil, com juri idóneo! Como o Freud tinha razão quando criou a teoria dos actos falhados! Ou seja a teoria de que sempre revelamos o que nos vai na alma numa afirmação em despropósito! A isso eu responderia, pois que aqueles que assim consideram haver donos neste Blog, pela palavra, se façam os novos donos!

Mexam-se, toquem as teclas e mostrem os vossos valores susceptíveis de serem seguidos ou reagidos! Afinal, as tendências de dominação sempre emergem, subreptícias! Venham e sejam, desde que a dominação não seja de género sobre género nem tão pouco dentro do mesmo género!

Há uma afirmação aí para cima que não percebi! Mas que o seu autor diga da sua justiça! "Ser homem carnal é ser nada"...

Bem pelo contrário, é ser tudo! Cada coisa a seu tempo e a seu sítio, carne à carne, espírito ao espírito e no homem, segundo a nossa cultura cristã e filosófica, dois em um! Dois em um mas não como aberração, simplesmente por ser... e nos dois em um, o espiritual que também é racional (psicológico), faz com o bio-fisiológico, a trinomia perfeita da criação que se denomina de ser humano. Nada, não somos, pela simples razão de que cada um de nós é o expoente máximo conhecido da criação! Simplesmente, a maravilha da criação chamada ser humano e com direito a total plenitude e gozo de todas as suas potencialidades só por ser. Claro que também implica exigências, mas isso não vem ao caso!

Mas tem mais, na nossa fé, somos tudo, o máximo, o apogeu da criação e desafiados para viver todos os prazeres desse ser carnal e também todas as limitações que lhe são inerentes e nesse desafio somos tudo o que Deus fez de nós e em nós, o desígnio da criação, se vivido, no limite, na carne e na razão (espiritualidade).

Uma vez mais saúdo a palavra de tantos, e até dos anónimos ainda mais ou menos resentidos com a vida que julgam lhes dever tudo, como se tudo não tivessem já! E porque julgam que a mais têm direito, como se alguma coisa lhes tivéssemos roubado, andam por aí à estocada como se fôramos touros em arena, à boa maneira espanhola! Anónimos, venha a vossa palavra catártica, mas aqui não é Espanha, e embora Açores, por isso, ainda, por mais algum tempo, Portugal! E saúdo-vos porque me dá prazer saudar-vos, porque sou livre de o fazer e quero e gosto de o fazer! Acho mesmo que o devo fazer! Para se maestro? Cada coisa no seu lugar. A vida ensina-nos que com a idade já não há tempo para essas "tonterias" de ficar calado pelos respeitos humanos! Compreenderão que já perdi tudo o que tinha a perder e que agora só posso ganhar! Aliás como a maioriaa dos ilustres comentaristas!

As flores sempre são mais viçosas quando são de estufa... mas nem por isso menos flores! Pois alevá!

Para aqueles que diziam que o nosso espaço nãoa era grande, toca a engolir! Nem a pt nos aguenta! Comentários como neste espaço? Onde?... Digam lá! Grande e de que tamanho! Augusto não te assustes! São só uns gigantones comentadores...



Publicada por jorge dias em Antigos Alunos da Ordem Carmelita a 06 Fevereiro, 2010 00:37

06 fevereiro, 2010 19:46  
Blogger teresa silva said...

Com que então mudamos de espaço? Ok.
Mas os comentários continuam mais vivos que nunca.
Também fiquei meio assustada quando me dei conta de que os comentários tinham desaparecido!!!!!!!
Mas afinal, não. Mudaram de lugar. Por acaso não sabia que não podia ultrapassar os 200 comentários.
Bom, limites são limites e há que respeitar.

07 fevereiro, 2010 00:00  
Blogger jorge dias said...

Depois de um longo dia de trabalho tenho a exacta noção de que depois de tanta palavra feita verbo neste espaço, o fim de semana gerou a natural acalmia que as vidas em outas coisas se fazem, como a lida da casa, limpezas extras, hortas, viaturas a cuidar, etc,etc...

Já me enjoa o tema casamento gay pelo continuado despropósito da sua abordagem face a mil e um problemas de subsistência que nos encurralam como povo em cada hora das últimas e presentes que estamos vivendo já que as futuras se nos impõem como desafio!

Todavia, desafiarei e provocarei ao limite todos os que neste espaço continuam a fazer de conta de que o casamento gay é um problema maior e que nos querem obrigar a discutir, mesmo contra toda a lógica e oportuniade!! Não é um porblema maior e evidenciarei a minha total frontalidade para que nunca se pense que pelo silêncio consentimos a inversão do que por natureza somos em género masculino e feminino. Não obstante, jamais o farei sistematicamente, como aliás, não o fiz até agora! Mas, se insistirem, fá-lo-ei menos a partir de agora, mas de preferência com mais radicalidade porque a paciência também se adapta à provocação! Por mim não sou nem nunca fui adepto da confusão total típica de quando alguns querem fazer vingar estranhas opiniões de pseudo cientismo nunca estudado e muito menos provado! Mas cheiro-lhes a pólvora que as envolve!

Num tempo muito difícil para tantos que procuram alguma folga no pão que comem e "condutos" que lhes restaurem as energias, vivo angústias e sofro insónias por tantos irmãos a quem escasseia o pão nosso de cada dia nestes tempos difíceis que estão condenados a viver num país em que dia a dia na comunicação social, e na praxis diária, se confirma a devastação do bem e, o mínimo que se pode dizer, a proliferação da batota e indevidas apropriações dos bens de todos, ou em linguagem mais cristã, a destruição do bem estar dos outros, pelas possibilidade que se anulam, objectivos que não se definem, e até por apoios (subsídios) desenquadrados que se fornecem e que só criam mais dependência por não serem aompanhados de desafios para a autonomia!

Este mundo português está a ficar mesmo um mundo mais cão! Não serei eu o profeta da desgraça mas começo a sentir vontade de dar uns gritos bem fortes para que o número de cães seja controlado!

Onde afinal lugar para o bem neste mundo tão cão? Porque se destroi o lugar do bem?

São deprimentes as solicitações que diariamente nos são servidas! O lugar dos outros ao nosso lado e nós ao lado dos outros postula qualquer coisa que nos está faltando! Temos a obrigação cristã da escrita da narrativa de Deus, hoje! Ou se quiserem, em outra linguagem, de afirmar os direitos de todos os humanos só por serem humanos! Cheia a vida de cada do direito de "a subsistência", logo cuidaremos dos deveres. Aqui e agora! Venha a palavra...

07 fevereiro, 2010 00:26  
Anonymous Miki (1947) said...

Meu Amigo Mario Neiva

Hoje lembrei-me de ti


Deus precisa de ti

Hoje, chamou-me a atenção uma música, para a liturgia, que cantavam, cuja letra simples diz que “Deus precisa de ti, muito mais do que possas imaginar...”. Como a letra da música está ligada ao tema que queria abordar, estabeleci alguns paralelos procurando estabelecer a responsabilidade de cada um na tarefa missionária, na evangelização e na difusão dos valores do Reino. Pois a mencionada letra expressa o que todos nós já sabemos: Deus quer usar-nos, quer utilizar, todo o nosso potencial, no seu trabalho de derramar amor, paz e bênçãos sobre a humanidade. Nós somos chamados a ser agentes disto.

Deus precisa de ti
muito mais que possas imaginar...
precisa de ti
muito mais que das estrelas,
precisa de ti
muito mais que do mar,
precisa de ti...

A minha Igreja, infelizmente é mais litúrgica (sentada) do que missionária (dinámica). Falamos em desenvolver um “projecto missionário”, ir para a rua à procura das “ovelhas desgarradas”, levar o evangelho àqueles que ainda não conhecem a boa-notícia, todos acham maravilhosa a idéia, mas fica tudo aí na ideia (na mesma). Os que vêm à igreja não precisam ser tão evangelizados quanto os que estão lá fora, e que são a maioria.

É difícil desinstalar as pessoas e as estruturas. Ficamos sentados, a esperar que eles venham à missa, às novenas e contribuir para as despesas do culto e não saímos de porta-em-porta a anunciar a novidade do Reino. Enquanto isto as seitas festejam a presença de 50 mil pessoas numa jornada de renovação. Sabem de onde saíram essas pessoas? Dos nossos templos!

Deus precisa de ti, muito mais do que possas imaginar...

O facto é que Deus precisa de nós, ele quer nos “usar” para desenvolver o seu projecto no mundo, e nem sempre pode contar com pessoas disponíveis. Por que será? Preguiça? Descrença? Falta de coragem? Inexistência de verdadeiros líderes cristãos? Falta de objectivos definidos? Eu não sei...

O caso é que Deus desde todo o sempre chamou pessoas, homens e mulheres, crianças, jovens e idosos para trabalhar nas suas obras de plantio, conservação e colheita e nem sempre pode contar com a nossa disponibilidade. Dizem por aí que Ele não chama os capazes, mas capacita os chamados. Desde o começo Ele designou profetas para esse trabalho:

Antes de serem formados no ventre da mãe, eu o conheci;
antes que fosse dado à luz, eu o consagrei para fazer de ti
um profeta das nações (Jr 1, 5).

Quando se fala em trabalhar nas coisas do Reino, ajudar a regar a semente e profetizar, a idéia que surge é que essa tarefa é uma exclusividade das hierarquias religiosas, como se o baptismo não conferisse a todos os cristãos a tríplice missão de servir, santificar e profetizar. Os profetas eram todos leigos. Não consta que Deus tenha vocacionado alguém de dentro dos templos, dos palácios ou das sinagogas. Os profetas saíram sempre do meio do povo.

A grande questão é que muitos não sabem identificar um profeta nem valorizar o seu trabalho. As pessoas acham que só o padre é profeta. O padre, por sua vez, afirma que só o bispo é profeta, e a coisa fica por aí. Alguns atribuem aos leigos, em função da tríplice missão baptismal, o múnus profético, para os deixar restritos a funções inexpressivas, secundárias, como meros sacristãos-crescidos.


...Continua

07 fevereiro, 2010 00:39  
Anonymous miki (1947) said...

...Continuação

Naqueles dias, o Senhor desceu na nuvem e falou a Moisés. Retirou um pouco do espírito que Moisés possuía e deu-o aos setenta anciãos. Assim que repousou sobre eles o espírito, puseram-se a profetizar, mas não continuaram. Dois homens, porém,que tinham ficado no acampamento (...). O espírito pousou igualmente sobre eles (...) e eles profetizavam no acampamento. Um jovem correu a avisar Moisés que eles estavam profetizando. Josué (...) disse: “ Moisés, meu Senhor, manda que eles se calem!” Moisés respondeu: “Tens ciúmes por mim?” Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta, e que o Senhor lhe concedesse o seu espírito” (Nm 11,25-29).


No tempo de Jesus o ciúme também rondou os apóstolos, que vieram dizer a Jesus que haviam proibido um homem que não fazia parte do grupo de expulsar demónios em nome do Mestre. A resposta é notável e pedagógica:

Não proíbam, pois ninguém faz um milagre em meu nome, e
depois pode falar mal de mim. Quem não está contra nós está a
nosso favor (Mc 9,39)

Esse ciúme, medo de perder prestígio ou alguma posição é que enseja um certo boicote a quem poderia colaborar mais. Vejo, com tristeza, que outros leigos instruídos são excluídos de trabalhos mais profundos, como pregação em novenas, romarias, etc., em favor de outros, de oratória sofrível e formação doutrinária deficiente, apenas porque pertencem à hierarquia.

O facto é que Deus sempre precisou dos seres humanos. Se forem profetas, missionários ou mestres, melhor ainda. Se é verdade que ele se basta a si próprio, também é verdadeira a convicção que ele sempre preferiu contar com a ajuda de cada um de nós. Compreender a missão é entender o mistério da teologia da criação. Deus criou o mundo e deixou-o inacabado. Não por desleixo nem esquecimento, mas para que os homens fossem os ajudantes da criação. Ele cria, mas somos nós que ficamos encarregados de zelar, pelas coisas materiais, pela natureza do planeta e também pela harmonia entre as pessoas.

Ao colocar o homem como “zelador” do planeta e dos demais seres, ele chama e envia-nos para essa missão, plena de responsabilidade, doação e complexidade. Hoje fazem muitas “reuniões” por aí, onde fica “tudo combinado e nada resolvido”. é como diz um conhecido teólogo : “Afiam muito as facas mas até agora não cortaram nada”. A resposta que Deus dá ao profeta quanto à essência do envio, também se aplica a cada um de nós:

Ouvi, então, a voz do Senhor que dizia: “Quem é que vou
enviar? Quem irá da nossa parte?” Eu respondi: “Aqui estou.
Envia-me!” Ele me disse: “Vai, e diz a esse povo: Escutem...”
(Is 6,8s).

A partir da constatação que Deus precisa de nós, ocorrem-me quatro perguntas que são capazes de balizar o nosso raciocínio:

07 fevereiro, 2010 00:41  
Anonymous miki (1947) said...

... continuação

1. A quem quer Deus usar?

a) A quem, como o profeta Isaías, teve uma experiência profunda e transformadora do poder de Deus, tornando-se limpo de todo o pecado;

b) Aos dispostos a escutar a sua voz; a quem não tem má-vontade;

c) A quem quer ser usado; a quem se mostra disponível ao chamamento;

d) A quem se submete à sua vontade; a quem faz do jeito que o Senhor quer; mas afinal, o que Ele quer de nós?

• Ele quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade (1Tm 2,4);

• A vontade de Deus é que vivam consagrados a Ele, que se afastem da libertinagem, que cada um saiba usar o próprio corpo na santidade e no respeito, sem se deixar arrastar por paixões libidinosas, como os pagãos que não conhecem Deus (1Ts 4,3ss);

• Não se embriaguem com vinho, que leva para a libertinagem, mas busquem a plenitude do Espírito (Ef 5,18);

• Façam morrer aquilo que em vós pertence à terra: fornicação, impureza, paixão, desejos maus e a cobiça de possuir, que é uma idolatria. Isso é o que atrai a ira de Deus sobre os rebeldes. Outrora, também vocês eram assim, quando viviam entre eles. Agora, porém, abandonem tudo isso: ira, raiva, maldade, maledicência e palavras obscenas, que saem da boca de vocês. Não mintam uns aos outros. De facto, vocês foram despojados do homem velho e de suas acções, e revestiram-se do homem novo que, através do conhecimento, vai se renovando à imagem do seu Criador (Cl 3,1-10);

• Como escolhidos de Deus, santos e amados, vistam-se de sentimentos de compaixão, bondade, humildade, mansidão, paciência. Suportem-se uns aos outros e perdoem-se mutuamente, sempre que tiverem queixa contra alguém. Cada um perdoe o outro, do mesmo modo que o Senhor vos perdoou . E acima de tudo, vistam-se com o amor, que é o laço da perfeição. Que a paz de Cristo reine no coração de vós. Para essa paz que vós fotes chamados, como membros do mesmo corpo. Sejam também agradecidos (Cl 3, 12-15).

e) É preciso saber que Deus usa quem ele quer:

• O nosso Deus está no céu, e faz tudo o que deseja (Sl 115,3).

Nesse aspecto é salutar não ter inveja das escolhas de Deus, do tipo: Porque Deus usa este? eu sou mais santo, porque não me chamou Ele a mim? Tenhamos sempre em mente que os caminhos de Deus são diferentes dos nossos caminhos: Ele não vê como o homem vê.

2. Quais os objetivos de Deus em me querer usar?

a) Porque todas as vezes que Deus usa alguém, o primeiro favorecido é aquele que é usado, pois torna-se alguém “coberto de bênçãos”, senão, vejamos alguns, entre tantos:

• Noé
• Abraão
• José, filho de Jacó
• Daniel

b) Deus quer usar-te porque Ele quer te abençoar! Quer usar-te para te converter num instrumento para a transformação dos homens;

c) Deus tem coisas que ele quer entregar só a ti, como, por exemplo, procurar as coisas do Alto:

• Se vós fosteis ressuscitados com Cristo, procurem as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Pensem nas coisas do alto, e não nas coisas da terra. Vós estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo se manifestar, ele que é a nossa vida, então também nos manifestaremos com ele na glória (Cl 3,1-4).

07 fevereiro, 2010 00:43  
Anonymous miki (1947) said...

...continuação

3. Onde quer Deus que eu actue?

a) Através de prioridades geográficas, conforme Jesus determinou:

• Mas o Espírito Santo descerá sobre vós, e dele receberão força para serem as minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até aos extremos da terra (At 1,8).

b) Onde estariam essas prioridades?
... ; Jerusalém
Tua casa, tua família, teu bairro;

...; Judéia
Teu ambiente de trabalho, tua igreja;

...; Samaria
Locais mais próximos, cidades;

...; Confins da terra
Lugares mais remotos e distantes.

Hoje existem missionários e profetas, leigos como nós, que atravessam o país e vão até outras nações para pregar a “vida nova” em Cristo. Outros utilizam os meios-de-comunicação para esse propósito.


4. O que eu tenho que fazer para me tornar um instrumento de Deus?

a) Converter-me;
b) Mudar de sentimentos;
c) Instruir-me a respeito da doutrina cristã;
d) Organizar as minhas prioridades;
e) Dar um vigoroso testemunho de vida cristã.


Eu falei em “quatro perguntas”, mas ocorreu-me uma outra: talvez a mais importante!

5. Quando devo actuar?

A resposta parece ser uma só: AGORA!
A necessidade é que faz a gente dar prioridade . Nem tudo que se enfrenta, pode ser modificado, mas nada pode ser modificado, até que seja enfrentado. é no agora que precisamos colocar a nossa coragem e a nossa determinação. Não se vence nenhum desafio sem persistência, fé e desejo de vitória. Nas Escrituras temos várias admoestações que apontam para a insistência no trabalho missionário e profético:

• Proclame a Palavra, insista no tempo oportuno e inoportuno, advertindo, reprovando e aconselhando com toda paciência e doutrina (2Tm 4,2).

07 fevereiro, 2010 00:46  
Anonymous Miki (1947) said...

... continuação
Nas palavras do Coélet há uma advertência no sentido de discernirmos que há um tempo para cada coisa (cf. Ecl 3, 1-8). Deus conhece todos os momentos, por isso, Ele que precisa do nosso trabalho, envia-nos em missão. Jesus, mais tarde, alerta-nos que a colheita para o Reino é iminente e não pode ser adiada.

Vós não dizeis que faltam quatro meses para a colheita? Pois eu digo-vos : ergam os olhos e olhem os campos: já estão dourados para a colheita (Jo 4,34s).

Porquê agora? Porque os campos estão prontos, o fruto maduro na terra não pode esperara mais. Não são aceites mais desculpas, do tipo “eu preciso de me preparar”, ou “vou estudar a Bíblia ou a Teologia”. Não! A atitude do Cristão não pode adiar mais! A hora é agora!

Saindo da simbologia plantio/colheita, vemos no aspecto concreto que este é como disse São Paulo, “um tempo de conversão e um dia de salvação” (2Cor 6,2). É preciso que os cristãos sejam agentes de anúncio e testemunho do evangelho, pois há muitos irmãos nossos, em todos os ambientes, a necessitar dos consolos da Palavra de Deus.

Comportem-se dessa maneira, principalmente porque vós conheceis o tempo, e já é hora de vocês acordarem: a nossa salvação está agora mais próxima do que quando começamos a acreditar (Rm 13,11).

É a necessidade que faz a gente preparar-se. Prestem atenção a estas palavras de profecia: “estou a dizer estas coisas para vocês que me ouvem (e me lêem). Deus quer fazer uma coisa notável aqui!”. Ele precisa de vós! Não tenham medo! Não sintam vergonha! Não se deixem acovardar! Deus precisa de todos nós!

Jesus orou ao Pai pela unidade da sua Igreja (cf. Jo 17) e pela perseverança de todos os seus discípulos. Desde a Antiguidade o salmista reconhece como é salutar a unidade centrada em torno dos mesmos ideais espirituais.

Vejam como é bom, como é agradável os irmãos viverem unidos. É como óleo fino sobre a cabeça, descendo pela barba, a barba de Aarão; descendo sobre a gola de suas vestes. É como o orvalho do Hermon, descendo sobre os montes de Sião. Porque aí Deus manda a bênção e a vida para sempre (Sl 133, 1ss).

Na verdade, eu poderia ter falado ou escrito outras coisas, ou para outras pessoas, mas creio – tenho certeza – que Deus quis que eu escrevesse este texto que fala da necessidade de nos tornarmos disponíveis à realização do projecto de Deus. Este escrito converte-se em palavras proféticas. Foi escrito para vós como bênção e missão.




Deus precisa de ti muito mais que possas imaginar

Deus tem um projecto, justo e amoroso, para mim, para ti, para todos nós. Ele quer que o homem seja marido, pai, amigo, irmão; à mulher é solicitado um papel de luz e equilíbrio do lar; aos idosos, a uma missão de enriquecer a família e a sociedade com a experiência, conselhos e bons exemplos. Tudo inflete no sentido de tornar os jovens o futuro das famílias e da nação.

Na XXIII Jornada Mundial da Juventude, ocorrida em Sidney, na Austrália, em 2008, o Papa Bento XVI assim se pronunciou:

É este o amor, o amor de Cristo ao qual o mundo aspira. Deste modo, sois chamados a “ser suas testemunhas”. Alguns de vós tendes amigos com escassa motivação real nas suas vidas, talvez envolvidos numa busca fútil de experiências infinitamente novas. Levai-os também convosco para a Jornada Mundial da Juventude! Com efeito, observei que, contra a onda de secularismo, numerosos jovens estão a redescobrir a busca satisfatória da beleza, da bondade e da verdade autênticas. Através do vosso testemunho, vós podeis ajudá-los na sua procura do Espírito de Deus. Sede corajosos neste testemunho! Esforçai-vos em vista de propagar a luz orientadora de Cristo, que dá motivação a toda a vida, tornando possível para todos a alegria e a felicidade duradouras.

07 fevereiro, 2010 00:47  
Anonymous Miki (1947) said...

...Continuação


Lamentavelmente, as estatísticas mundiais informam que de cada quatro jovens do mundo, um está corrompido pelas drogas ou pelas bebidas de álcool, numa das maiores perversões morais de todos os tempos. Que sucesso terá uma sociedade se aqueles que podem ser o seu futuro estão de tal forma desvirtuados?

Para coibir os desmandos da sua sociedade, o profeta prega bênçãos, vitória, necessidade de mudança, a eficácia dos valores morais e compromisso com o Reino dos céus.

Das tantas perguntas que fiz aqui, ainda pode surgir mais uma, quem sabe a derradeira: A quem iremos? Quem será o destinatário do nosso trabalho missionário?

• Pessoas afastadas do evangelho;
• Quem não vai mais à igreja (as ovelhas desgarradas da casa
de Israel);
• Aqueles que perderam a fé e a esperança;
• As famílias em dificuldade.


Deus precisa de ti muito mais que possas imaginar


Mas cuidado! O trabalho é árduo e a missão cheia de obstáculos. Alguns sentirão inveja e ciúmes de vós. Coisa chata é ciúme e boicote dentro da comunidade! Outras pessoas, sistemas ou estruturas podem querer usar-vos para o mal. Cuidado, pois!

Sempre que a gente começa a denunciar certas posições contrárias ao evangelho, os adversários inventam histórias, atacando a Igreja, a pessoa de Cristo (a quem, como os espíritas, é negada a divindade) e aos ministros, e agentes da pastoral. é bom que todos saibam que o nosso Deus está vivo!

É um homem que “cobra” de nós uma atitude. Mesmo diante dos obstáculos do Maligno, o cristão é chamado a ser luz. “Que a luz de vós brilhe...” (Mt 5,16). A pertença a Cristo a partir do baptismo torna-nos membros da sua Igreja:

Vós pertenceis ao edifício que tem como alicerce os apóstolos e profetas; e o próprio Jesus Cristo é a pedra principal desta construção. É sobre Jesus Cristo que toda a construção se ergue bem ajustada, para formar um templo Santo do Senhor (Ef 2,20s).

Ao apóstolo e profeta é pedido esforço de anunciar o Reino e dar testemunho da verdade que brota do Deus Uno e Trino.

A mim, o menor de todos os cristãos, foi dada a graça de anunciar aos pagãos a incalculável riqueza de Cristo, e de esclarecer a todos como se realiza o mistério que esteve sempre escondido em Deus, o criador do universo (Ef 3,8s).

Deus precisa de ti muito mais que possas imaginar

É preciso, mais do que nunca, parar de ficar enclausurados dentro de quatro paredes, em cultos que servem mais para alisar egos de sei-lá-quem. Enquanto estamos dentro nos cultos e das actividades litúrgicas, embalados por canticos e rezas, lá fora cerca de 10 milhões de pessoas estão perdendo-se, renunciando á graça do seu baptismo, indo para o inferno. Pessoas que, dentro do plano de Deus, precisam de nós, esperam ser libertadas.

É bom que a gente saiba que o evangelho não tem “agente secreto”. Ele precisa ser anunciado de forma escancarada, sem vergonha. Não nos cabe uma atitude envergonhada, encolhida, anónima. Como vamos mudar se somos apáticos? Deus precisa de nós como instrumento de mudança e renovação na família, na Igreja, na sociedade.

Deus precisa da Igreja! Ele quer que ela seja um meio de santificação, de renovação (a partir do seu interior) e de retoma da verdadeira espiritualidade. É certo que Deus quer usar a Igreja. Estamos prontos? Estamos unidos? A nossa vida é um testemunho vivo da boa notícia da salvação? Estamos aptos para ser os agentes das transformações necessárias. Ou somos “agentes secretos”, anónimos, escondidos? Somos sinais do Reino de Deus, ou pobres sinais da mediocridade e da indiferença? Quando Deus perguntar: A quem enviarei? Que se escute a nossa voz, forte e decidida:

07 fevereiro, 2010 00:49  
Anonymous miki(1947) said...

...Continuação

Envia-me , Senhor!

A questão inicial aparece com um a quem, para exprimir uma idéia indefinida. Ao perguntar a quem enviarei ocorre uma pergunta impessoal, sem um agente definido. Quando respondemos “envia-me ” estamos a personalizar a nossa opção pelo plano de Deus, afinal Ele precisa de nós, de mim, de ti, de todos nós. A quem enviarei é genérico; envia-me é especifico.
Num mundo cruel e egoísta. O ser humano é número, cifrão, dado estatístico, coisa. O cinema e a televisão tem estabelecido uma banalização da vida. Nos filmes de Rambo, Bradock ou Shwarzenegger, o herói mata centenas de inimigos e a platéia vibra de emoção. Para nós, hoje, a vida humana vale pouco. As notícias dos jornais são frias: foi encontrado um corpo na rua tal. Na verdade, esse corpo, teve alma, uma história, família, sentimentos, projectos, mas com a morte converte-se apenas numa idéia disforme e fria.
A distorção dessa banalização, que é um pecado grave contras as criaturas de Deus, aparece na própria legislação do país. Se alguém matar uma pessoa, depende da defesa, não vai preso, ou é libertado logo em seguida. Esta é uma situação de pecado que caracteriza a nossa sociedade, da corrupção, dos desrespeito e da impunidade.
A imprensa faz um “auuuu”,(e bem) para denunciar “estão a matar as baleias!”, enquanto a Assembleia Nacional liberaliza o aborto, um crime contra o ser humano indefeso e inocente. E a gente fica quieto, não diz nada...
O nosso ser profeta impele-nos a uma atitude radical. Profeta, independente do estado de vida de cada um, é uma pessoa decidida que anuncia (o Reino), denuncia (os obstáculos ao plano de Deus) e anima a comunidade (para retirá-la do marasmo usual). Existe outra música que se canta em encontros que também se adapta bem ao tema de hoje:
Cristo Jesus , Tu me chamaste, Eu te respondo: estou aqui.
Tu me chamastes pelo meu nome, Eu Te respondo estou aqui.
Será que teremos coragem de dizer bem alto :
ESTOU AQUI, SENHOR, ENVIA-ME!



Miki (1947)

07 fevereiro, 2010 00:51  
Blogger teresa silva said...

Não é que me apetecesse muito voltar a este tema, mas vá lá desafio aceite.
Casamento homossexual. A minha opinião é esta sou contra. Sou contra porque o casamento deve ser entre duas pessoas de sexo diferente, a fim de posteriormente constituir família, porque é esse basicamente o objectivo do casamento, formar família. Deixar descendência.
Agora por mim eles podiam continuar a viver em união de facto ou viver juntos como queiram chamar.
Retrógrada? Talvez sim, talvez não...
Há coisas que devemos respeitar e se foram criadas assim, mexer porquê? Como todas as sociedades há normas e regras a cumprir e esta é uma delas.
O casamento homossexual não gera descendência. Adoptar?
Nem uma coisa dessas me passava pela cabeça. E os conflitos posteriores em relação à criança? Dois pais? Duas mães?
Como explicaria isso Sr. Mário?
Esse é um problema menor entre aqueles que o país vive...
Temos tido sorte em as pessoas não se revoltarem e provocarem uma guerra civil da maneira que este país está. O desemprego a aumentar, o défice já ninguém nos bate e para mim a única forma de combater o défice é subindo os impostos que o ministro das finanças diz que não vais fazer, duvido muito.
A política no nosso país vai muito mal. Agora faz-se um drama por tudo e por nada. Tenham juízo senhores políticos ou este país nunca mais endireita.

07 fevereiro, 2010 00:53  
Anonymous Mário Neiva said...

Para a Teresa

Porque me fez uma pergunta directa, vou responder-lhe da maneira que posso e sei. Até porque mais dia menos dia (já deve estar aacontecer nos países que têm a lei)as crianças farão a pergunta.
Antes disso, porém, permita-me DrªTeresa, um pequeno reparo à sua afirmação «há coisas que devemos respeitar e se foram criadas assim, mexer porquê?» Se a Teresa aceita que o mundo não foi criado em seis dias, nem tem uns escassissimos seis ou sete mil anos, mas uns largos milhões de anos, saberá que nem sempre fomos assim e houve até mais mexidelas na nossa própria estrutura corporal e espiritual do que nos estatutos que fomos inventando para nos governarmos em sociedade. É da História, se acreditarmos que temos uma História de imensos milhões de anos. Se a Dra Teresa não aceita isto, e não será a primeira nem a última, esqueça o que eu acabo de dizer, porque já não está cá quem falou.
Acerca das perguntas que as crianças farão quando confrontadas com «dois pais» e «duas mães».
Penso que a Teresa concordará comigo quando afirmo que aquilo que uma criança precisa, acima de tudo e para toda a sua vida, é carinho e amor. De pouco lhe servirá um pai mau até à violação ou uma mãe feita cabra. Isto quer dizer que a existência de um núcleo familiar só por si não garante o amor e carinho de que falamos.
Tenho uma irmã freira que passou uma longa parte da sua vida de religiosa tratando de crianças abandonadas, aqui em Viseu. Costumava dizer-me que «nós freiras somos o seu pai e a sua mãe». E ainda no ano transacto essa minha irmã veio de Lisboa para uma festa convívio promovida por ex-frequentadoras do Internato, todas elas já casadas, algumas com formação superior. E eu vi as fotos e sei do carinho que elas dispensam aquela mãe…E vice-versa.
Mas isto que acabo de relatar são lugares comuns, Teresa e talvez esteja, mesmo, a falar do pai-nosso ao vigário.

O que tinha para lhe dizer, especificamente, e para não me estar a repetir, vou reencaminhar-lhe a resposta que dei a um amigo, ao qual uma sobrinha colocou o problema das perguntas que as crianças lhe fizeram ou poderiam fazer ao verem dois homens ou duas mulheres casadas. Aqui fica, Teresa, o sentido de uma resposta possível:

«Essa tua sobrinha esqueceu-se da resposta que era costume os pais darem quando os filhos pequenos lhes perguntavam donde vinham os bebés: de França e no bico de uma cegonha.
Quando se está contra uma ideia tão imprevista quanto esta do casamento pensado como relação entre duas pessoas humanas e não como uma relação animal macho e fêmea, inventam-se todas as desculpas para não ensinar aos filhos o que é o amor entre dois seres humanos e outra coisa bem diferente que é a a opçao maravilgosa de gerar um filho! Tão simples e tão fácil de entender por uma criança! Quem quer casar para ter a incrivel alegria de gerar um filho já sabe que, nesta nossa sociedade actual (não sei no futuro) tem de ELE amar ELA, como o pai e a mãe que eles tão bem conhecem e amam. «Porém, meu amorzinho, há outros casamentos em que as pessoas não têm filhos, seja porque não podem, seja porque não querem assumir tal compromisso. É o caso daqueles dois».
Meu caro…, será tão dificil a tua sobrinha falar deste jeito aos seus filhinhos? Ou vais ficar a repetir, uma e outra vez, como aquele bispo de Aveiro: uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa? Nunca tinha ouvido «boca» tão sábia! Foi para isto que estudaram tanto e durante tantos anos?
Se achares bem, dá este meu e-mail a ler à tua sobrinha. Talvez seja apenas uma dica para ela responder aos filhinhos sem ter que chamar aberração ao casamento dos seus irmãos homossexuais.
Um abraço, com a amizade de sempre
Mário»

07 fevereiro, 2010 07:56  
Blogger jorge dias said...

No retorno ao tema dos alegritos e seus lobbies para uma vez mais denunciar a provocação que congrega a polémica, com alarido, à volta de causas minoritárias e sem interesse prático para o colectivo, e cria um debate que distrai do essencial. Nesta provocação, a mais delirante aberração é a de se pretender, por arrastamento, conceder aos casais homesexuais o direito a adoptar crianças. A outra aberração não menos delirante, é a de enfraquecer a família tradicional, como muito bem dizia D. Vitalino Dantas, nivelando por baixo.

Afinal, qual é o problema dos próprios homosexuais?

R. É que vão continuar homosexuais, isto é, par do mesmo género face a toda e qualquer lei. Isto para dizer que a anomalia vai continuar lá, nas suas suas mentes, afectos e corpos, imutável, já que, entre pares, jamais se conseguirão alinhar na lógica reprodutiva, único fim de todo o vivo à face da terra. Tudo o mais é verbo de encher para enganar distraído. E é esta incapacidade, entre pares, que lhes é penosa e redutora de todas as conquistas. Mesmo que a sociedade não os rejeite, rejeita-os a natureza ao eliminá-los em cada geração.

Todos os seus sucessos não são mais que a evidência comprovada de uma civilização em processo natural e anti-tese, isto é de procura de valores, para novas conclusões e novos avanços dialéticos, novas leituras dos mesmos valores, a menos que por sermos gordos, drogados, estúpidos e delinquentes já tenhamos assinado a nossa auto-destruição por perda da virilidade e da fercundidade de que este tempo político e de debate que vivemos aqui, também, é um bem evidente sintoma!

07 fevereiro, 2010 20:55  
Blogger jorge dias said...

Missionar

É como a chuva que lava
E como o fogo, a brasa,
Tua palavra é assim,
Não paassa por mim,
Sem deixar um sinal!

O problema da missionação é um problema transversal a toda a ideologia, conjunto de ideias consistentes, objectivos e caapazes de congregarem seguidores e, por isso, propagação e conquistar novas adesões!

Entendo que a a missionação é uma questão problemática na medida em que mexe com os valores dos outros, e lança abertamente a discussão sobre os valores! Mas dando essa perpectiva de barato, resta-nos, a nós católicos (universais) a obrigação de resolver a dicotomia "Ide por todo o mundo...." ou ficar onde estamos.

A Igreja há muito abandonou a ideia de proselitismo, ou de conversões à força, e enveredou muito mais por uma sã e sadia convivência! A redescoberta de uma nova profundidade e transversalidade da boa nova como algo de comum a toda a humanidade, tem vindo a chamar e a entusiasmar os cristãos a serem missionários de proximidade, o que aliás sempre deveria ter sido, por forma a que se veja no próximo mais próximo, aquele, aqueles, aquela, aquelas, que estão ao nosso lado, o nosso grande objecto de missionação. Mas entendamo-nos, a grande missionação, hoje, começa por mim próprio, começa pela minha própria conversão, e a apartir daí emanar, como em vasos comunicantes, para os mais próximos e todos os outros!

A grande missionação ideológica, judaico-cristã, está feita... a missionação de proximidade está aí... e só não trabalha quem não quer! Os chamados são óbvios! As leituras é que são dificeis porque não está lá escrito o que às vezes gostaríamos de ler.

Entendamo-nos, Deus não precisa de missionação nenhuma! Só nós humanos precisamos que o amor se espalhe e seja integrador social. Nem sonham o custo policial de uma sociedade que só a força integrasse. Mas podem imaginar! Pois imaginem e vão ficar surpreendidos! Os custos seriam astronómicos...

Só somos cristãos, hoje, e missionários, se o nosso objecto de amor for, primeiro, o irmão ou irmã que está a nosso lado e como enviados, missionários, lhes dermos o nosso amor, integrados no projecto mais vasto de escribas da narrativa de Deus nos tempos que são os nossos.

07 fevereiro, 2010 21:27  
Blogger jorge dias said...

"Outra coisa é outra coisa"...

É uma frase do Bispo do Porto, não de Aveiro, em entrevista ao Expresso, e com esta afirmação se referia à alteridade de géneros necessária para haver casamento, por oposição a qualquer outro pseudo casamento.

07 fevereiro, 2010 21:35  
Anonymous domingos coelho said...

É preciso chorar...

(JOÃO LOBO)

Em algum tempo na vida temos de enfrentar a morte, de um jeito ou de outro ela se impõe, sem limites entra pela porta da frente, vestida de gala ou nua, repentina como um vento que arrepia a alma.
Vem sorrateiramente e nos derruba solenemente
Disfarça-se de bela e luminosa Luz em túnel a outra Vida nos conduz
Estrelas a brilhar no céu escuro abaixo, chuvas e tempestades sem aviso de calmaria revolvem sentimentos que nunca pensamos existir dentro de nós, revela-nos aos outros e a nós mesmos que somos tão frágeis sem nada chegamos e sem nada saímos de cena fica o palco onde irão actuar os coadjuvantes da nossa vida, com ou sem a nossa presença... a ausência, sentida é lembrada a cada outro acto que se inicia em novos horizontes caminha.
Afecto, Luz e renovação... nossos amores sempre se vão e nós também um dia iremos por essa razão as lagrimas nos refrescam o coração, libertam a dor e sobrepujam qualquer mágoa de alma lavada sobrevive a Vida de todo dia.

Nota: Hoje, companheiros do JOÃO LOBO na Falperra estiveram em Ronfe. Oramos pelo seu eterno descanso.

D/C.

07 fevereiro, 2010 22:33  
Blogger jorge dias said...

Meu rico amigo este João, mansinho que nem um lobo domesticado! Como o estimamos, familiarmente, em vida, e como juntos partilhamos! Sejamos solenes, mesmo solenes e confrades, em silêncio de respeito e comum a todos, em memória de quem em vida viveu erguido!
Que os epitáfios lapidários sejam só, mas mesmo só, comuns à grandeza de todos os vivos.

07 fevereiro, 2010 23:15  
Blogger jorge dias said...

Isaías o nobre, Paulo o judaico e Pedro o industrial, três personalidades da mesma QUESTÃO, a questão da integração social de ontem de hoje e de amanhã. Três homens que como nós, hoje, foram chamados a uma missão de integração social pela via do espiritual, da denúncia e anúncio de uma nova ordem... Três, número perfeito que a cada um de nós desafia nesta missionação universal em que nos incluímos. Mas neles se nos coloca outro problema, como a eles próprios se colocou, o de aceitarmos, mesmo que em sentido lato, uma semelhante vocação!

Pois é, esta é a nova missionação, a nova vocação planetária, e que através desta internet se realiza avassaladoramente se palavra houver, como o nobre Isaías, o Paulo Hebreu, ou o Pedro industrial de pesca!

07 fevereiro, 2010 23:28  
Anonymous Mário Neiva said...

Amigo Miki

Tenho uma longa "carta" para te escrever,não sei se tão longa como a que me acabas de dirigir na última entrada que fizeste em comentários, porque tu mereces. Deixaste-me enternecido com aquela de fazeres de «avô palhaço» para os netos e agora falas-me, serenamente, numa linguagem que eu percebo ser um convite amigo para eu te acompanhar na fé que acarinhas e te enche a vida, como quem diz, «anda comigo Mário, que desejo para ti os dons que a minha fé me proporciona».
Sejas quem fores a esconder-te atrás desse nome Miki, que afinal é nome de santo, revelas-te um tão bom amigo quanto ternurento «avô palhaço» dos teus netos.
Aprendi de um tio meu que viveu e morreu no Bairro, a terra do Amaro, do Adriano e do Bessa, que «um homem nunc'aba outro» (olha a brejeirice do meu tio). Mas permite-me que abra uma excepção, com promessa de não te fazer corar outra vez, para te dizer que escreves muito bem.
Agora não tenho tempo, mas logo mais vou então responder à tua «carta».
Entretanto, deixo-te um abraço

08 fevereiro, 2010 11:55  
Blogger teresa silva said...

A morte...

A nossa companheira desde o dia em que nascemos.
Cada dia se morre e cada dia se nasce outra vez.
Não pensamos muito nela a não ser quando nos bate à porta, querendo entrar, seja connosco, seja com pessoas próximas, seja no mundo em geral.
O que acho é que não damos muito valor à vida, gestos muitas vezes simples poderiam salvar vidas. Estou a pensar neste momento por exemplo nos limites de velocidade ou no consumo de álcool ou de drogas aquando da condução.E quem diz este há outros exemplos.
Um carro, uma máquina em que temos o controlo sobre ela porque o homem domina a máquina e por vezes morremos por descuido, por um gesto insensato, uma ultrapassagem mal feita, mal calculada.
Não digo para termos medo das coisas, longe de mim tal ideia, mas que pensemos mais e preservemos a vida da melhor forma possível.
A vida foi-nos dada, foi uma dádiva de Deus. E nós o que fazemos muitas vezes? Não pensamos, não reflectimos. Temos actos irreflectidos, tipo instintos animais de sobrevivência, de adrenalina, de puro prazer irreflectido.
A morte é o fim da vida terrena,neste mundo, mas há outro bem mais bonito do que este. Daí acreditar na ressurreição do espírito, ou da alma como queiram chamar.
Quando nos bate à porta o que sentimos? Revolta, tristeza, sentimentos e emoções por vezes difíceis de descrever. Mas esquecémo-nos que ela faz parte de nós desde que nascemos. Não aceitamos o limite do corpo ou da vida.
Pobres humanos.
O que fica? A recordação da pessoa amada, próxima. Ela vai permanecer eternamente nas nossas memórias enquanto também formos vivos.
Prestemos homenagem aos vivos e não depois de mortos, digamos o quanto gostamos das pessoas ainda em vida e não depois de mortas, pois já não nos podem ouvir.
Gestos tão simples como um bom dia, boa tarde, um sorriso, simpatia é quase amor. E por vezes não damos valor a eles, perante a nossa vida stressante, desgastante.
Temos medo. Mas medo de quê? Santa ingenuidade.
É com pequenos gestos, simples gestos que tornariam a vida das pessoas melhor, mais alegre, mais descontraída, no fundo mais feliz.
A frase mais dita por Jesus na bíblia é: Não temais. Eu estou convosco.
Então se temos um amigo como este a dizer vezes sem conta não temas temos medo de quê? De quem?
De mim, dos outros, dos fantasmas que nos assombram no nosso inconsciente mais profundo. Traumas, opiniões dos outros que muitas vezes não conseguimos ultrapassar sem ajuda de técnicos especializados, perdas de familiares/amigos próximos injustificadas do tipo suicídio.
Mas temos que ter força e coragem de dizer eu sou capaz de ultrapassar, com a ajuda de Deus nada temo. Se Ele colocou-me nesta situação é porque queria que aprendesse qualquer coisa com ela. Nestas situações temos mais é que ter fé e acreditar em Deus ainda mais. O amor a Deus tem que prevalecer sobre todas as adversidades da vida. E nunca o pôr em causa.
Ele está lá escutemos o nosso coração, oremos e vamos ouvir a sua resposta.
Temos mais é que confiar nele acima de todas as coisas.

08 fevereiro, 2010 19:48  
Blogger teresa silva said...

Ao Miki...

Estive agora a ler o teu comentário, simplesmente espectacular.
A nossa vida de cristãos resume-se à nossa disponibilidade de receber Deus em nossas vidas, aceitando o desafio que Ele nos impõe. De coração aberto, tendo consciência de que o fardo é pesado, mas que temos um companheiro nessa longa jornada de profetizar.
Começando por nós em sermos capazes de dizer: "Eu estou aqui Senhor". E avançando para os outros em sermos pessoas simples, alegres, felizes, capazes de dizer não nos momentos certos, de sermos capazes sem no entanto nos exaltarmos, sem sentirmos inveja, ciúmes, porque isso corrompe o nosso caminho. Afasta-nos do propósito inicial.
Deus precisa de cada um de nós.
Gostei particularmente daquela do agente secreto.
Sei que muitas vezes falar é mais fácil do que fazer e pôr e prática.
Não serve de nada sermos apáticos, temos que nos mostrar, sermos capazes de ter a coragem , a confiança.
O Sim de Maria deve ser o nosso exemplo.
Como disse o fardo é pesado. Mas vendo a vida de Jesus, foi uma vida plena, com todos os seus objectivos cumpridos. Que melhor exemplo queremos?
Façamo-nos à estrada da vida.

08 fevereiro, 2010 20:29  
Blogger jorge dias said...

A vida em marcha nas mãos de mulheres e homens que pela palavra fazem caminho, afinal fazem a fraternidade comunicante, a missionação dos bens insertos no coração destes humanos que se redescobrem voluntários do bem comum e parte da felicidade de todos.

09 fevereiro, 2010 00:43  
Anonymous Mário Neiva said...

Para o MIki e em homenagem ao meu querido professor de Filosofia Pe Matias O.Carmo

A melhor maneira de começares a compreender o que se «passa» com este teu amigo é conheceres a sua filosfia de vida. Há dias escrevi sobre ela a um outro amigo, colega de trabalho do meu filho mais velho, o Tiago, commo qual me pôs em contacto, porque ele é um interessado em filosofias...
Aqui vai inteirinho o último e-mail que lhe enviei, há dias.
Conhecendo um pouco da minha filosofia, ficará mais fácil explicar-te como vivo o Mistério da Vida.
Convencidos de que me distanciei, apenas me distanciei, da fé da minha infância e da minha juventude,dois sacerdotes amigos com quem mantenho correspondência protestaram dizendo que eu não perdi a fé, antes aprofundei a fé que recebi e chegaram ao ponto de me escreverem que a minha fé era «mais pura que de muitos crentes».
As coisas não são assim tão simples. Quase me disseste o mesmo, Miki. O melhor é começares a ler e depois julga.
Como escrevi para alguém que tem formação superior mas não em filosofia, procurei a linguagem simples, acessivel a qualquer um;e familiar, porque "não sei" escrever de outra maneira; e popular, que me orgulho das raízes ainda enterradas na pequena aldeia de Balugães; e com acarinho, na secreta esperança de que quem tiver paciência de ler até ao fim, aproveite qualquer coisinha.

09 fevereiro, 2010 09:51  
Anonymous Mário Neiva said...

Meu caro Luís, há muito tempo que descobri a razão do meu á vontade perante aquilo que chamo o Mistério da vida. Comecei por tomar consciência que “aquilo” é mesmo complicado e depois assumi, com humildade, a minha quase condição de «boi a olhar para um palácio». Por isso até nem me importava de ser muito mais impiedosamente desancado, depois das ousadias que te escrevi. Espero que leves em conta o reconhecimento antecipado da minha ignorância e não te sintas ofendido por qualquer burrice entranhada, às vezes em palavras alindadas. É só para disfarçar. Quanto a ti não precisas de te preocupar em fazer qualquer tipo de confissão, porque já me deste a entender que andas tão à rasca quanto eu.
Sendo assim, Luís, desprovidos de peneiras, vamos confrontando as nossas ideias, aproximando as pequenas verdades dos nossos pequenos conhecimentos, na esperança, e até na certeza, de que duas candeias alumiem mais que uma só.
Posto isto, vamos ao que interessa.
Concluis que do «ponto de vista convencional», as nossas verdades são verdades convencionadas, como quem diz, o que é verdade hoje pode ser mentira amanhã, porque, «pessoas», «coisas» e «formas» são menos que espuma das ondas. Admites, porém, outra verdade, a que resulta da nossa pretensão de «conhecer a realidade absoluta das coisas». Pretensão, dizes bem.
Penso que aceitas a velhinha ideia dos antigos filósofos gregos, segunda a qual esse «conhecimento absoluto» - a SABEDORIA- é privilégio exclusivo dos deuses e os humanos são simples «amigos dela». E assim se passou a chamar filósofos aos que pretendem chegar a ela.
E voltamos ao meu preâmbulo: eu não sei e tu não sabes; vamos lá ver se descobrimos qualquer coisinha mais; chega cá a tua candeia ao pé da minha.

09 fevereiro, 2010 09:54  
Anonymous Mário Neiva said...

E com as candeias juntas, olha como já estamos a ver que aquela história da liberdade de escolha é uma verdade tão convencional como as outras, a fatalidade perde aquele carácter definitivo e opressor de coisa sem remédio e até as leis da física são verdades a crescer, deixando-nos na expectativa de outras e mais profundas novidades. Começamos a entender que, absoluta, só mesmo a nossa ignorância.
Comparas a «vida real» a um «jogo» (seja de xadrez). Este problema foi debate aceso entre Platão e Aristóteles (embora não ligado à liberdade) e mantém plena actualidade. O que veio depois deles foram variações em filosofias menores.
Platão diz que só as ideias (podes chamar-lhe padrões mentais e arquétipos) são reais e, como tal, imutáveis, eternas, perfeitas. Se o fogo ou a água destruírem o tabuleiro ou as peças do xadrez e até as mãos que movimentam as peças no tabuleiro, a ideia associada a cada um daqueles objectos permanece intacta no «disco rígido» da alma incorruptível. Se o corpo “portador” daquela alma prenhe de ideias se puser a viajar pelo mundo, onde quer que encontre um tabuleiro ou uma peça de xadrez, seja ela feita de areia ou de ouro recordar-se-á infalivelmente da ideia que tem da «coisa».E nunca valoriza a «coisa» em si, mas a ideia que tem da «coisa».

09 fevereiro, 2010 09:56  
Anonymous Mário Neiva said...

É claro que o conhecimento não se baseará só em ideias de objectos. Há ideias para tudo e até ideias nascidas de ideias. Mas deixemos isso agora. Basta reter algo que marcou a história de uma certa filosofia: os objectos não têm consistência real. E se a têm vale tanto como uma construção na areia que desaparece à primeira onda que lhe bata ou como um boneco de neve que se derrete quando a temperatura sobe. O mundo verdadeiro e real é o «mundo das ideias», dos padrões mentais, os conceitos, produtos de uma alma humana imortal que unifica o que neste mundo sensível é múltiplo e disperso. Numa ideia simples de «árvore» cabem todas as árvores do mundo, pequenas ou grandes, vermelhas ou amarelas. E quando não houver nenhuma que se veja, porque o fogo devorou tudo à sua passagem, a ideia de «árvore» permanece luminosa e triunfante, desafiando a imortalidade dos deuses. Realíssima, na nossa alma!
Estava tudo tão certinho e lindo nesta filosofia do «outro mundo» do genial Platão, mas tinha de vir o seu desalinhado discípulo Aristóteles estragar a festa e a dizer, para que não lhe chamassem um cão raivoso a morder as canelas do mestre: «Amo Platão, mas amo mais a verdade».
Ele era um apaixonado pela natureza. Dissecou e coleccionou centenas de animais. Amava aquele mundo fugidio, múltiplo, diversificado, sedutor nos perfumes, nos sabores, na estonteante beleza das cores, na melodia das vozes, na maciez da pele de uma donzela e no aveludado das pétalas de uma flor.

09 fevereiro, 2010 09:58  
Anonymous Mário Neiva said...

Não podia ser irreal tanta exuberância! Magia não era, de certeza, que ele bem via e sentia o pulsar da vida: o nascimento, o amor, a beleza, a virtude, o crime e a morte.
Vai daí, estabeleceu uma verdade que ainda hoje deixa admirados os que se interessam pelo modo como se processa o conhecimento humano: Todo o nosso conhecimento começa nos sentidos. E assim ele concluiu que nunca a sua alma conceberia a ideia de rinoceronte e da sua ferocidade se nunca tivesse visto nenhum, terrível e ameaçador, à sua frente.
Aristóteles, um «físico» e, como físico, usou a experimentação para obter conhecimentos. Os dados da experiência simples do dia a dia e os que resultavam da experimentação eram processados pela nossa mente dotada de uma superior faculdade para o efeito: a razão. E assim da «física» ele transitou para «metafísica».
A «fonte» destes dois tipos de conhecimento era sempre a mesma: a Realidade. Na «física», as «coisas-SERES» individualizados, na «metafísica» sob a forma de conceitos unificadores, em crescente abrangência, até englobar tudo no único e universalíssimo conceito de SER.
Aristóteles estabeleceu que a realidade existe independentemente dos padrões mentais que a partir dela concebemos. Chama conceitos a esses padrões mentais e são a forma de tornar a realidade inteligível, isto é, capaz de ser “lida” pela nossa alma. A multiplicidade e diversidade dos objectos são tão intrinsecamente reais como a própria alma humana, que delas capta a essência, lendo-a, interpretando-a. Está bom de ver que a «leitura» não é a Realidade em si mesma. Como era insuportável ficar sem certezas, afirmou-se que Realidade e a nossa interpretação dela eram coincidentes. Mas os gregos tiveram o cuidado de dizer que este supremo encontro com a Realidade, a que se pode dar o nome de Verdade ou Sabedoria, é privilégio dos deuses! E nós apenas peregrinos em busca incessante, a rezar em cada dia: sei que nada sei.

09 fevereiro, 2010 09:59  
Anonymous Mário Neiva said...

Podia a humanidade organizar-se e suportar viver na incerteza? Não pôde! E encontrou uma saída airosa: se nós não podemos ir até à Verdade, vem a Verdade até nós. «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida». São as palavras colocadas na boca do Filho de Deus, Jesus Cristo. Por Ele (e cada religião tem o seu Revelador) ficamos a saber a Verdade sobre todas as coisas.
O problema é que passados milénios sobre tal «palavra reveladora» continuamos todos à rasquinha sobre o assunto e a dizer que aqueles gregos é que estão certos. Todos, não! Só eu e o Luís.

Repara Luís, que deve ter passado pela cabeça de Aristóteles algo de parecido com isto, para se agarrar daquela maneira ao conhecimento que começa nos sentidos: se começarmos por negar a autenticidade dos múltiplos seres, como poderemos sustentar a autenticidade do SER?
E vale para nós: como vou admitir que sou algo consistente se começo por afirmar que tu não és mais que um «padrão mental» que existe no meu cérebro e nem eu seria mais que «o padrão mental» que de mim fizeste?
E no entanto houve quem seguisse esse pensamento, como os solipsistas, Eles aperceberam-se que existe, realmente, uma interdependência de base, dos seres entre si. Só que levaram a coisa para o exagero. A título de exemplo permite-me que cite Carl Sagan (Um Mundo Infestado de Demónios): «Muitos gurus Nova Era –entre eles Shirley Maclaine – vão ao ponto de defender o solipsismo, afirmando que a única realidade são os seus próprios pensamentos. «Eu sou Deus», é o que eles de facto dizem. «Penso que estamos a criar a nossa própria realidade», referiu uma vez Shirley Maclaine a um céptico. «Penso que o estou a criar a si neste preciso momento».
E nós perguntamos quem criou a Shirley Maclaine…

09 fevereiro, 2010 10:01  
Anonymous Mário Neiva said...

Este resvalar para a negação da realidade de si e dos outros só pode resultar de uma grande falta de atenção. Peguemos num exemplo tão simples, que até o sacristão lá da minha aldeia de Balugães, em Barcelos, compreende com natural facilidade.
Somando 2+2, temos o resultado certíssimo =4. Ou 3x5 =15. Substituindo os números, que são padrões mentais (os conceitos de Aristóteles) por vacas ou pêssegos, teremos para o primeiro caso 4 vacas e no segundo 15 pêssegos. E também compreendemos que estes padrões mentais que são os números se podem aplicar a uma infinidade de coisas, além de vacas e pêssegos Serão sempre 4 e sempre 15, fazendo aquele cálculo. Até podemos estar a contar o número de números: 20 algarismos. E por aí fora. É um jogo? Sim. E muito mais que um jogo. E o jogo acaba precisamente quando esbarra com a Realidade.
O sacristão compreendeu perfeitamente tudo o que acabo de dizer. E vai compreender também o que vou acrescentar: 2+2=4 e 3x5=15, ovelhas ou berlindes. Mas já não podemos substituir aquele «2» por dois Luís Ferreira ou por quinze Torres de Belém. Pela simples razão de que não existem, não são reais. Há apenas um Luís Ferreira, aquele que me interpela e eu interpelo, e só existe uma Torre de Belém!
Parecia que ia tudo tão certinho: 2+2=4…Afinal, como tu muito bem dizes, trata-se apenas de «verdades-realidades convencionadas». A verdade-verdadeira ficou “colada” à vaca, ao Luís e à Torre de Belém.
A conclusão é que a Realidade não é criada pelos nossos padrões mentais e estes são apenas engenho da nossa mente para se aproximar da Senhora Realidade. Se ela não «estiver lá», o nosso engenho, por mais aguçado que seja, só encontrará o vazio.
O rinoceronte e a sua ferocidade existem porque eu os “vi” e, porque os “vi”, construí um padrão para os identificar, sempre que tornar a vê-los.

09 fevereiro, 2010 10:03  
Anonymous Mário Neiva said...

Parece tudo tão simples: nós e a Senhora Realidade que não se deixa «convencionar» enquanto Verdade Absoluta e Definitiva. Mas tinha de voltar a confusão!
E agora é a minha vez de dizer: amo a mecânica quântica, mas amo mais a verdade.
Assombrados, literalmente, com o «comportamento» das partículas sub-atómicas, refractárias às equações aplicadas à novel relatividade geral de Einstein, os físicos quânticos desatam a pregar que a existência de algo depende da haver alguém que a observe e até ao momento da observação permanece irreal. Na prática, era como dizer que «o observador faz a coisa ex-nikil», em vez de a descobrir, compreender e interagir com ela. Ora eu penso que o observador quântico faz, a outro nível, o que qualquer sacristão faz no dia a dia: cria um padrão da coisa que descobriu e não a própria realidade. Faz uma “medição” e não uma “criação”.
Acabaremos por compreender, que a pessoa do Luís, a Torre de Belém, um berlinde ou uma vaca não se deixam medir, nem pesar, nem multiplicar, dividir, subtrair ou somar enquanto Realidades. Mas podem todos ser reduzidos a padrões mentais, por forma a não nos perdermos no meio da espantosa e diversificada floresta da vida. Enquanto nos embrenhamos mais e mais na densa floresta, vamos elaborando mapas cada vez mais complexos e completos, E é como numa «caça ao tesouro» em que o homem tem de inventar as pistas e sonhar, apenas sonhar, que a busca incessante nos conduzirá a um tesouro. Reducionismo, isto? Nem pensar. Reducionismo é pensar que a Realidade é a soma das «medições» que dela vamos fazendo, quando, de facto, a Realidade está, inteirinha, sempre diante nós. Tu, Luís, és uma absoluta Realidade, apesar de não seres a REALIDADE TODA. Que eu também sou gente, carago!
Pensa na «caça ao tesouro»: se tal tesouro não existir «antes», ninguém o poderá observar «depois». Tu e eu temos de ser realidades absolutas para, «depois», podermos conversar com ELA. Além do mais, como poderíamos responder à pergunta que todos alguma vez já fizeram ou ensaiaram ou não tiveram coragem de verbalizar: que me interessa um tesouro de que nunca poderei aproveitar?
Tanto quanto me apercebi é este o objectivo do teu jogo: «compreender a verdade última das coisas». Podes ir por aí, até dares contigo a perguntar «Quem criou o Criador». Ou podes ir para monge, sentares-te em cima dos calcanhares, meditabundo, a procurar na direcção do umbigo a «verdade última», a «realidade última», esquecido da verdade primeira que tu és.
Também podes fazer como aquele cientista que agarrou a Realidade pelos tomates e a vai fazendo gritar cá para fora tudo o que tem. «Somos muito, mas queremos mais»!
(Perdoa-me, Einstein, chamar-te torturador da Verdade!).
Mas tu já decidiste e bem: «Resolvi não me contentar em ser uma peça no tabuleiro».
Pois é isso aí! Não te esqueças de dar um realíssimo beijo na tua querida mulher e nos teus filhotes.
Assim se começa a abraçar a Senhora Realidade, a “primeira”, que a “última” interessa mais aos crentes e aos que decidiram ficar sentados na borda do caminho, cépticos, agnósticos ou ateus de tudo.

Prometo que vou estar um mês sem escrever para o blog....

09 fevereiro, 2010 10:05  
Anonymous Mário Neiva said...

Por lapso não passou uma pequena alteração, que é importante: Que me interessa um tesouro de que nunca poderei aproveitar? Se eu for um «relativo- de-realidade...»

09 fevereiro, 2010 10:16  
Blogger teresa silva said...

Então Sr. Mário vai deixar de escrever porquê?
A opinião de cada um é importante. E todos podemos fazer a diferença.
Não faça isso. Os seus comentários são importantes aqui neste espaço.
Peço-lhe que reconsidere.

09 fevereiro, 2010 15:11  
Anonymous Mário Neiva said...

Ó Teresinha, estava a fazer humor, depois daquela entrada brutal com Aristóteles e Platão. Eu agora vou ter que contar ao meu amigo Miki como foi a minha transição para a "falta de fé". E quero fazê-lo não por "fofoca", mas para que vocês crentes compreendam como se pode "perder a fé" sem perder a fé na vida e muito menos a esperança, esta maravilha que nos deixa o coração sempre nas nuvens. Permita-me, Teresa, que seja presunçoso, como já o fui aí mais acima: tenho o melhor que "vossa fé" me deu, porque é uma etapa da minha vida que amei e continuo a amar, e ainda o mais que recebi para além dela. Não me aconteceu uma heresia, antes um aperfeiçoamento inesperado, que valeu como uma conversão, do género daquela de Paulo de Tarso. Mas sem visões e sem que tivesse sido arrebatado ao terceiro céu, como ele diz que foi, não sabe se no corpo ou fora dele. Quando retomar a conversa com o Miki, vou começar exacatamente por aqui, por S.Paulo.

Quando vi a sua entrada, Teresinha, pensei que me ia ralhar por eu ter contado como o Einstein espremeu a Realidade...Sou incorrigivel!

09 fevereiro, 2010 18:00  
Anonymous Anónimo said...

Meu amigo Mário:Convém que insistas no Paulo de Tarso, porque a Igreja actual fala muito em S. Paulo, mas continua a pensar e dirigir essa mesma Igreja como se fosse o imperador romano, que se instalou na mesma cidade romana para "imperare"no mundo.Tu estás muito confiante, se calhar porque tens mais fé que eu, mas não é a opinião daquele teólogo que escreveu aquela carta ao Papa, e que afirma que a Igreja Católica regressou aos tempos do Concilio tridentino, quando tudo era teologia dogmática.Com os pés assentes na terra, este mundo globalizado quanto a mim não está a dar ares de os homens corrigirem a trajectória, pois se nas sociedades modernas que se dizem democráticas a corrupção não olha a meios, e se a Humanidade não vê referêrncias em nenhuma instituição, então esse teólogo que atrás referi está com carradas de razão, e voltámos a retroceder.
Eu quero contribuir para o optimismo de alguns, tentando, dentro das faculdades que me foram dadas ao longo da vida, compreender o quao bom è conquistar o Amor, qual montanha íngrme mas ao alcance de cada um.Cumprimentos. A.Costa

09 fevereiro, 2010 19:44  
Anonymous Miki (1947) said...

Meu Amigo Mario Neiva

Fé e consciência...
Parte - I

A consciência é desenvolvida com o viver, e elucidação da nossa percepção diante das experiências que passamos... Como o citado por Adolx Huxley: "Experiência não é o que te aconteceu... Mas o como reagistes com o que te aconteceu..." Experiência é tudo o que nos acontece na vida... De bom ou de ruim... O modo como digerimos e entendemos essas ocorrências faz-nos desenvolver os nossos (pré)conceitos do certo e do errado.

Na verdade, não existem rapazinhos nem bandidos no mundo... Toda a alma bondosa e iluminada tem as suas sombras, os seus maus hábitos, as suas tendências... Toda a mente mórbida tem a sua luz, o seu brilho, as suas ideias, os seus sentimentos... Todos nós somos culpados e directamente responsáveis pelas coisas erradas do mundo... Mundo em que vivemos, criamos e interagimos com ele... Porém todos somos inocentes por sermos ignorantes, a partir do momento em que destruímos o nosso próprio meio, acabando com as chances da nossa própria sobrevivência.

Criamos mentiras nas nossas vidas e vivemos galgados nelas. Intactos, estagnados, doentes e dependentes de uma fórmula mágica que salve as nossas vidas.... Não há milagres... Não há sorte ou falta de sorte. Não há profecia ou presságio que mudará positivamente a tua vida.

O único milagre que nós somos capazes de realizar é evoluir nós mesmos. Cada um no seu meio, com os seus problemas... Interagindo para somar, para auxiliar, acrescentar... Interagindo para melhorar... Oferecendo as suas habilidades em troca do que precisa...

Saber negociar justamente... Entender que o melhor património que podemos ter é a nossa credibilidade... Ser justo consigo mesmo, procuar e estender essa justiça ao seu meio.

Quebrar os próprios preconceitos, vencer limitações de si... Criar novas coisas, estar sempre a conhecer coisas, idéias, lugares e pessoas diferentes... Ter consciência de que tu e o outro são gente... Cada um deseja coisas em comum para si mesmos... Todos querem paz, amar e ser amados, viver tranquilamente... Porém a maioria está perdida ou alienada no meio dos problemas e rotinas que a vida nos "impõe".

Cada ser é um universo individual, mas é preciso haver trocas nas nossas vidas... Trocas além de trabalho e dinheiro... Trocas de atenção, de conhecimento, de experiência, de ajuda; E, principalmente, troca de carinho, de amor de bons sentimentos que tanto faltam para a maioria de nós. Mas, nós na nossa "maturidade" pueril, deixamos as coisas mais importantes das nossas vidas para dar prioridade às "grandes coisas". Que, na verdade, não preenchem a nossa carência do que, ao nosso ver, é "tão pouco"... Desprezamos o que achamos pouco e sentimos falta de algo que dizemos ser insignificante... A coisa é simples, mas por que é tão difícil?

É fácil ser sincero quando se está triste, zangado ou chateado... Muitos ainda têm dificuldade em serem sinceros na hora de demonstrar as coisas mais valiosas que podemos ter... É difícil sorrir para quem amamos. Dizer que ama, o quanto admira e deseja... É difícil dizer as coisas boas... Afinal... O que temos de errado?

09 fevereiro, 2010 22:19  
Anonymous Miki (1947) said...

Fé e consciência
Parte – II

Ter Fé vai além de acreditar, vai da plena consciencia de tanto ler, ouvir, ver, sentir, captar e experimentar... Chegamos a ter "certeza" das coisas em que acreditamos... Porém, chegamos a um ponto imensamente perigoso... O risco de nos tornar fanáticos... Essa certeza cristaliza-se, deixando-o na torpe ideia de saber tudo; quando, consequentemente, se fecham os canais da sua consciência que trarão os novos conhecimentos que necessita, tornando-o completamente cego e tolhido de novas elucidações para melhor entender o meio em que vive.

Toda fé cristalizada é cega e paralítica... Existem milhares de interpretações diferentes da Bíblia... E nenhuma delas consegue "explicar" o todo... Existe um conhecimento muito maior anterior ao Cristianismo, que fora criminosamente perdido, pelos defensores da Fé em Deus... A eterna dicotomia em toda a história das religiões de que o Senhor do Todo... Que persegue e destrói uma parte de si mesmo...

Há muita coisa escondida e mutilada nos estudos e conhecimentos. Vale-nos lembrar das tantas bibliotecas que foram queimadas durante o período da "santa" inquisição... Ironicamente muitos dos mortos nas fogueiras reservadas aos hereges, acabaram por serem santificados pela mesma instituição que os condenou e os matou cruelmente.

Os santos foram sendo substituídos pelos antigos "Deuses", criando a versão do pseudo-monoteísmo... Só a consciência pode entender que mesmo entre tantos "Deuses" do politeísmo antigo, havia um Senhor Supremo, de várias denominações segundo cada religião... Que, de certo modo, nos dá a noção básica do monoteísmo... O supremo, e "deuses" (ou santos, anjos, fadas, espíritos, seja lá o que for), de uma hierarquia mais próxima a nós, com poderes superiores à nossa consciência ainda em desenvolvimento...

O fanatismo talvez seja uma das pragas do Apocalipse... A mente presa a uma certeza... Que acaba restringindo toda e qualquer nova informação que possa acrescentar a essa mente... A mente necessita de trocas de energias, de novas informações e experiências... A mente também reage às emoções... Temos que aprender... Temos que ser... Temos que aprender a sorrir... Temos que realizar as nossas capacidades, temos que “brigar”, que lutar, que superar os nossos próprios limites para emanarmos tudo o que tivermos de melhor..

A fé deve ser flexivel quanto às nossas íntimas formulações, que fazemos visando entender o todo... A nossa fé deve ser do tamanho da nossa consciência, e nunca o contrário... Se a tua fé te impede de saber e conhecer um pouco mais... Cria a tua própria fé... Todos nós temos capacidade para isso, porque os princípios básicos estão registados nas nossas consciências há muito tempo.... Basta entendermos o básico, e comum à maioria delas...

A verdade é única... Mas a mente e as interpretações dos homens diferem conforme as suas consciências.... Sempre haverá um pouco mais a descobrir, um pouco mais a saber... É uma tremenda pedancia achar que um único livro pode conter tudo sobre os poderes "ocultos" que existem no nosso mundo... Torpe mente doentia dos homens que ainda não entenderam o óbvio.

Precisamos do básico... O que todos nós queremos... Só teremos um mundo melhor se nos tornarmos pessoas melhores e mais justas... Justo consigo mesmo para ser justo com o outro... O outro nada mais é do que o "tu" dele mesmo, com a sua experiência e consciência distinta, que o faz individualidade... Todos queremos o básico... E precisamos uns dos outros... E queremos viver a nossa vida da melhor forma... E para isso precisamos da atitude de fazer, ao invés de esperar que "alguém" resolva... Ninguém fará nada pela tua vida senão tu mesmo.

09 fevereiro, 2010 22:21  
Anonymous Miki (1947) said...

Parte - III

Cada um tem a responsabilidade de cuidar de si... Se vive bem ou vive mal, depende da atitude de cada um... Atitude depende de consciência.... E a consciência deve ser adquirida com novas vivências, novos conhecimentos, novas visões, opiniões diferentes... E estar sempre aberto a somar e acrescentar sempre a si mesmo... É preciso viver da melhor forma porque somos "obrigados" a viver... É preciso ser responsável por si e reconhecer a essência e a individualidade de cada um à nossa volta.... A vida começa hoje, agora.... Hoje é eterno...Não nunca acaba
Fé e Consciência
... E deve ser aproveitado ao máximo... A cada minuto... Cada momento... Cada suspiro... E cada pensamento....
Bandeiras, papéis, rótulos, denominações, títulos, premios, diplomas, honrarias.... Nada disso revela quem tu és realmente ... Tu és tão somente o que pensas de ti mesmo e o demonstras no teu meio... Nada mais... E tu és apenas, tão somente a tua consciência... Individual, distinta, porém unida ao todo... A harmonia dessa união é da tua inteira responsabilidade...
Teremos do mundo de acordo com o que lhe dermos ... É preciso ser um eterno aprendiz para nunca estagnar a nossa consciência... É preciso manter a chama da adolescência acesa até ao fim dos teus dias... É preciso sempre conhecer, aprender, acrescentar, somar, descobrir o que não sabes, buscar o que desejas, é preciso errar porque todos estamos susceptíveis a isso, é preciso ter consciência da essência do poder supremo do universo contido em cada ser à nossa volta, é preciso ter consciência de entender que todos fazemos parte do todo.
É preciso desapegar-se do sentimento de vingança e de desforra porque ele consome tempo e energia, que pode ser sabiamente empregado para a evolução de nós mesmos; perdão não é bondade mas apenas uma atitude necessária para estar com a mente livre para evoluir mais. Só evolui quem dedica o seu tempo à sua própria consciência e aos seus próprios sentimentos... Quem persegue a vida alheia não cuida de si mesmo e vive sempre preso e restrito, vegetando em detrimento do viver.
É preciso ter desapego, e só o conseguimos quando temos consciência de que todos pertencemos ao Todo... É preciso ser justo, porém severo quando necessário... Mas sempre reconhecendo que, mesmo os nossos piores inimigos estão nesse todo; obedecendo à lei de dualidade, quanto mais luz criamos, mais sombras teremos quando essa luz esbarrar nos obstáculos dos preconceitos que estão à nossa volta... Preconceitos que ainda existem porque a maioria das mentes ainda não conseguiu quebrá-los... Apenas destruíndo os nossos preconceitos podemo-nos harmonizar com o todo, somente harmonizados com esse todo poderemos interagir positivamente com o nosso meio.

09 fevereiro, 2010 22:25  
Anonymous Miki (1947) said...

Fé e Consciência

Parte IV

É preciso errar.... E, mais importante ainda... É peciso reconhecer os erros e ter atitude para saná-los... Tudo é um movimento de dentro para fora, envolvendo matéria, sentimentos, raciocínio, libido, e todas as nossas energias.... Apenas conhecendo-te, é possível imaginar-se no lugar do outro para poder entendê-lo... Somente tendo consciência de si mesmo é possível interagir melhor com as pessoas à volta.
Para formularmos as nossas posições de atração ou antagonismo, precisamos experimentar, observar, e raciocinar sob os mesmos para criarmos essa posição... Quanto mais aprendemos, mais nos damos conta do quanto não sabemos e quantas coisas restam para descobrir... Viveremos uma vida inteira sem ter aprendido e nem conhecido tudo o que está ao nosso alcance... Há muito o que viver, muito o que aprender; e é preciso viver, relacionar-se, trabalhar, dormir, fazer todas as nossas tarefas com vontade... Com bons sentimentos.... Para podermos fazer melhor e aproveitar ao máximo tudo o que temos.
! É preciso ter fé no que agrada... É preciso acreditar, sem que isso nos impeça de aprender mais... É preciso quebrar conceitos e criar novos parametros, mais adequados à melhoria da própria vida...
Miki (1947)

P.S. – Faz o favor de ser “carteiro” e entregar na pessoa da tua Esposa um carinhoso beijo,porque ela o merece pela paciência em te aturar

09 fevereiro, 2010 22:27  
Anonymous Mário neiva said...

Estás enganado, Miki! Ela tem todo o prazer em me aturar, como eu tenho, ao carregá-la como doce cruz, no caminho de um calvário que se fez ressurreição. E não serei carteiro mas Cireneu, cumprindo a tarefas que me incumbes.

09 fevereiro, 2010 23:10  
Blogger jorge dias said...

Caro Mário, e, além do teu gosto pela vida, o que teremos nós a mais que tu não tenhas? Uma nesga por onde tentamos espreitar e ver o que não vemos? Pois é!... apenas uma tentativa e, então, a nossa fé não será a mesma coisa que a tua crença num homem que pode ser melhor?!

Um certo sabatismo faz bem... ja tive exigências íntimas semelhantes! Mas já agora explica antes de partires a razão do "empanturramento" com essa gnoseologia e cosmologia pré-histórica e em quase total esquecimento das filosofias existencialistas muito mais adequados a este espaço?! Numa coisa estou em absoluto acordo contigo: as perguntas que o prof Mathias Rekers sempre nos fez fazer! Mas, com todos os louvores, convenhamos que exagerou e, nesse aspecto, muito tive que me libertar porque questionava tudo! Questionava até o próprio ser abstracto bem como me questionava a mim, questionava todos os eles (e todos o Mários) e todas as elas! Foi uma formação sem contra-balanço.

Felicito a emergência do Costa, anónimo! Mas deu logo para entender que era outro, menos de estufa... as fotografias calejam-lhe a alma... Grande amigo, este amigo Costa! E que festa tu me deste no Sameiro! Que bocadinho maravilhoso, aquele jantar! Quem diria que era a despedida daquele amigo, quem diria!

A afirmativa e afirmada Teresa! A vida em festa ou a festa da vida! Sem papas na língua numa simplicidade invulgar de afirmação da sua fé que nos ilude a nós veteranos seminaristas e outros nem tanto, e nos desafia a mandar o mêdfo às ortigas... e que nos dá uma perspectiva de Jesus bem mais radical que aquela que tantas vezes papaguemos. Um Jesus operacional... Seguir e nada mais, toca a andar que se faz tarde! Livres daquelas perguntas do professor de história da filosofia que para seguir Jesus se perguntaria primeiro: tenho as mãos limpas? Fui à casa de banho? Lavei os pés? Comi? Tenho comida para a jornada? Levo roupa? Quanto tempo vou estar fora? Não torno a voltar? Eu vou parar porque garanto-vos que daqui a um mês ainda seria capaz de inventar uma pergunta que não estivesse escrita! Enchi-me... dá vomitos de perguntar o imperguntável quando o que se pretende é atrasar o agir a favor dos irmãos... Só o andar faz caminho. Mexam-me essas perninhas...

Este Miki é uma surpresa absoluta! Após algumas exitações iniciais, veio o seu valor ao de cima e como nos irmanamos neste espaço em que ao promover-nos somos contagiosos, comunicantemente, para a praça! Como a palavra te muda, caro amigo! Como a palavra nos muda!

Vai Mário, mas vem rápido! Tens lugar cativo, obra feita e atentos leitores de uma certa palavra de vida, de felicidade, de desafio, aquela mesmo do coração (paulino)!

09 fevereiro, 2010 23:55  
Anonymous Mário Neiva said...

E agora vai ser para o Jorge, que acha mais adequada a este espaço uma filosofia existencialista. Possivelmente, mais «civilizada» e ajustada aos tempos actuais, em contraponto com aquela outra, «pré-histórica», dos antigos gregos.
De facto, eu afirmei que as filosofias de Platão e Aristóteles são a matriz de todas as filosofias que se seguiram, sendo que estas pouco mais foram que «variações de filosofias menores». E lá cheguei, seguindo este rumo: o existencialismo do século XX afirma que a «essência» das coisas, de Aristóteles, não existe, porque tudo é perfeito devir, numa sucessão de acontecimentos que não deixa tempo para respirar, em que tudo parece nascer do nada para voltar ao nada. Emergimos na vida (talvez por geração espontânea) para mergulhar no nada. Não interessa conhecer uma tal Senhora Essência-Realidade, porque tal nem existe. E “nós” (nós e o nosso Universo) somos um perfeito absurdo.
O chamado «existencialismo cristão» salva-se desta visão catastrófica, postulando a fé em Deus. Ou seja, para salvar-se do abismo do nada e do absurdo da vida, sai do campo da filosofia e mergulha directamente na fé.
O que me choca nesta filosofia existencialista é a falta de uma perspectiva histórica do homem e do Universo, como se tudo acontecesse no curto intervalo da minha existência, que não vale mais que umas míseras dezenas de anos. De uma penada varre-se a História, que todos percebemos ser um encadeamento inimaginável de causas e efeitos e que tem levado físicos e filósofos a baterem com a cabeça no que parece ser a Infinita Parede da Realidade.
Apetece-me perguntar aos existencialistas se não têm vergonha de negar os seus próprios progenitores. Ae fizessem como os existencialistas cristãos que se entregaram nos braços do Pai Celestial, evitavam o absurdo da sua filosofia.
No século XIX há outra variante da filosofia grega, nas teorias do grande mestre Kant. Se os existencialistas negam a Essência-Realidade, Kant afirmou que a «Coisa» existe mesmo, mas somos absolutamente incapazes de chegar até ela. Ou seja, a Senhora Realidade é um facto mas a nossa razão é incapaz de entrar no seu castelo.
Outro «grande» nestas variações em «filosofias menores» foi Descartes, com o seu famoso «cogito, ergo sum». Não chega a dizer que a Senhora Realidade não é mais que o nosso pensamento acerca dela, mas ficou por lá muito perto. Implicitamente ele está a afirmar que se eu não penso, não existo. Coitadas das vaquinhas e dos pêssegos que não evoluíram até ao pensamento! Será que andamos a comer fantasmagorias em vez de bifes?
Digam-me lá se isto não são «variações menores» de Platão e Aristóteles! Para estes dois sábios a Senhora Realidade é mesmo uma Senhora Verdade e Sabedoria e nós partilhamos da sua intimidade. Mas é só partilha e à nossa medida. Somos apenas amigos dela porque o Noivo, esse, reside no Olimpo.

10 fevereiro, 2010 09:33  
Blogger teresa silva said...

Esta é para ti, Jorge.

Então caríssimo encheste-te de quê?
Espero que não seja do que aqui se vai falando e discutindo, pondo em ordem pensamentos e palavras.
Como já disse em alguns textos meus mais atrás não tenho o dom de filosofar como vocês têm, mas aquilo que escrevo vem do íntimo do meu ser. É simples, mas tenho a certeza que lá no fundo também toca a vocês aqui neste bonito espaço.
Senti-me desafiada ao escrever aqui no blog...
E ao escrever também ponho em ordem os meus pensamentos e a forma de viver a vida.
Obrigada a todos por estes momentos especiais.

10 fevereiro, 2010 16:52  
Anonymous Miki (1947) said...

Rosas...

São Rosas... Senhor , são Rosas!

A rosa como flor tem um encanto especial, e está inserida em muitos contextos da literatura, da mística, do romance, da música, do folclore e até da filosofia. Sobre rosas, o meu velho companheiro de jornada dizia que qualquer musica serve para cantar a Flor e a mulher, e eu que tenho rosas como tema, canto no compasso que quiser”.

O facto marcante é que as rosas estão intimamente ligadas com o amor e o romance. Quando se quer demonstrar afecto, homenagear, pedir perdão ou dizer alguma coisa além das palavras, nada melhor que um belo ramo de flores, especialmente rosas. Diz-se que as rosas vermelhas indicam paixão, as coral, sinceridade, as amarelas, respeito, as brancas, simpatia. É tudo uma questão de codificação, tudo inserido no glossário das flores. Rosas e amor são idéias e juízos afins.

Eu conheço um poeta, cuja namorada lamenta a pouca duração das rosas no vaso, que afirma não importar o quanto dura o ramo, pois o que conta é o brilho dos olhos da mulher que recebe essas flores como oferta.

No campo da mística e da espiritualidade há várias histórias como as rosas que Santa Terezinha fez chover, do dia de sua morte. A minha sogra Joana, hoje na casa do Pai, era devota da Pequena Teresa de Lisieux. Todas as flores que recebia ela as levava a Santa Terezinha.

Ainda sobre flores há uma história de um ateu-suicida, que foi salvo da perdição final por causa das rosas que – mesmo não crendo – dava à mulher para que esta obsequiasse Nossa Senhora.

No campo do folclore há várias histórias, entre elas a de um colega meu que entrou na florista para comprar flores para a “namorada”. Quando saía da loja com um enorme ramo de rosas, dá de cara com a esposa, não lhe restou outra alternativa senão dar as flores à própria.

Conheço outra história em que o marido “separado” nunca dava flores à esposa. No dia que ela morreu, encheu a casa de belas rosas vermelhas. Tarde demais! Flores e amor devem ser dados na hora certa. Depois não adianta mais...

Juntando os juízos de flores e morte, conta a lenda que no cemitério um japonês cobriu o túmulo do pai com grãos de arroz. Ali perto, um Portugês encheu a campa de rosas amarelas. Sem entender o ritual do nipônico, perguntou: “Você acha que o morto vem comer esse arroz todo?”. O homenzinho, na sua sabedoria oriental respondeu: “Vai sim, no mesmo dia em que o seu defunto vier cheirar as suas flores”.

Meu pai, Manuel, que hoje mora no Reino, era um “frasista” e gostava de filosofar. Pois afirmava ele que se deve ter cuidado ao oferecerr flores a uma mulher: “quanto maior o ramo maior o tamanho do remorso”.

Nota: mas o meu ramo de ROSAS BRANCAS vai direitinho para TODAS as Esposas e Companheiras dos ex A. Carmelitas.

Miki (1947)

10 fevereiro, 2010 19:31  
Anonymous LYNUZ said...

A Consciência

Feliz aquele que, no testemunho da sua boa consciência, espera seguro a coroa da glória.

Eu Nabucodonosor, esta tranquilo em minha casa e feliz em meu palácio (dan.4,1.). Que entendemos por casa senão a consciência? E que entendemos por palácio, senão a segurança da consciência e a confiança da segurança? O palácio é uma casa; todavia nem todas as casas se podem chamar palácio. O palácio é uma casa forte, alta e real. Se por casa devemos entender a consciência, com razão por palácio se entende a segurança da consciência. Na sua casa, portanto, está sentado tranquilo aquele a quem a sua consciência não remorde. Torna a consciência tranquila a condigna satisfação dos males passados e o cauteloso e providente afastamento dos males presentes.

Fica, portanto, tranquilo em casa aquele a quem a consciência não remorde nem da culpa passada nem da presente. Estava tranquilo em casa quem dizia com verdade: o meu coração me reprova em toda a minha vida (Job 27,6). Ficou tranquilo em sua casa aquele que pôde dizer com verdade: de nada me sinto culpado (1cor.4,4.). Estava tranquilo então em casa e vivia feliz no seu palácio, quando afirmava: a nossa glória é o testemunho da nossa consciência (2cor. 1,12.).

Porque o fruto é esperado na flor, justificadamente a flor é figura da expectação certa dos bens futuros. Porque a flor marca o início dos frutos vindouros, por flor entende-se a renovação dos progressos. A flor, portanto, figura ou a expectação certa de prémios, ou a nova promoção dos méritos. No seu palácio, portanto, vive verdadeiramente feliz aquele que, no testemunho da sua boa consciência, espera seguro a coroa da glória. Entretanto, no salto ou voo da contemplação, vai-lhe saboreando a doçura.

(Santo António de Lisboa, O homem no Corpo e na alma)

Nota: complemento á fé e consciência Miki

10 fevereiro, 2010 20:43  
Blogger jorge dias said...

Cheio eu? Mas de quê? Só se for cheio de vontade de ver gente em festa e feliz! E nesse aspecto esteblog e este espaço tem andado cheiito, mas ainda leva muitos mais lotes de 200.

Mas onde foi que eu disse que estava cheio? Os amigos nunca, mas nunca me chateiam... é uma questão de cultura. Sempre amigos, e em festa com eles, não necessariamente muitos, mas sempre, sempre e alguma presunção na fidelidade, na amizade que religiosamente cultivo! Deve haver qualquer confusão, cara Teresa.

Voltarei com os existencialismos modernos e os existencialistas cristãos...

Outras actividades comunitárias me chamam...

10 fevereiro, 2010 20:48  
Blogger jorge dias said...

Enchi-me das perguntas da filosofia que tínhamos que fazer na disciplina dehistória da filosofia! Ai, ai e então o contexto... Foi isto? Olá,lá,lá... Contexto...
Ia-me cá encher de ser feliz nesta maravilha da palavra!

10 fevereiro, 2010 20:54  
Anonymous Anónimo said...

Anónimos,peseudónimos ou nomes artísticos,não é a melhor forma de comunicar neste blog.Seria salutar que o lynius e o Miki não adotassem estes nomes, mas sim o seu próprio nome, pois parecem ser colegas de boa fé. A ausência de identidade serve indivídios com complexos de personalidade, que usam o anónimato como escudo do vale tudo para usarem uma linguagem menos própria ofendendo a dignidade de terceiros. O que aconteceu é que o Anónimono dia quatro de fevereiro, não foi feliz, comentando aqui há pide ????? - os donos do blog usam o lápis azul etc.,desconhecendo que por regras instituídasnos blogs os comentários quando atingem o número duzentos são retirados, o que muitos de nós desconheciamos. Mas o anónimo não perdeu tempo em apelidar o autor ou autores deste blog de "PIDE". Ser anónimo dá para tudo, é alguém que usa a couraça do anonimato para insultar. São actos de cobardia, como as danosas toupeiras que andam debaixo da terra danificando as plantas. de imediato o Presidente Dr. Augusto Castro deu a explicação, resolvendo o problema e o tal anónimo não teve duas palavras para pedir desculpa do erro cometido, motivo porque decidi levantar-me da plateia, para expressar a minha revolta. Sempre que posso acompanho os mais assíduos comentaristas, Jorge - Neiva - Durães - Coelho - Costa e Teresa Silva, a quem aproveito para dar os parabéns e que continuem, pois a todos conheço bem exceptuando a Teresa Silva, que admiro porque por vezes tenta fazer a diferença mudando a agulha de uma certa nostalgia para temas menos fastidiosos,não porque não sejam importantes mas que é sempre mais do mesmo, isto porque não tem o contágio da vida do Seminário. A razão faz a diferença é que num blog como o da Associação dos Antigos Alunos do Seminário Missionário Carmelita, não faz sentido o anónimato, porque foi no Seminário que durante anos coabitamos na mesma sala de estudo, no mesmo refeitório, no mesmo recreio na mesma capela rezando e muitos no mesmo dormitório e nas mesmas aulas.Eis a razão para uma boa relação quer na comunicação escrita, quer nos convívios num ambiente cordial e fraterno. Meus amigos faço votos que apareçam muitos mais comenteristas com os mais variados temas e que este espaço seja culto e útil onde oxalá encontremos permutas no conhecimento. Vamos a FÁTIMA e aí será uma oportunidade , para o Miki e o Lynus perderem a vergonha e tirarem a máscara e quem sabe o anónimo apareça ap+roveitando a ocasião para se retratar. Um abraço amigos até sempre. Evaristo

11 fevereiro, 2010 00:27  
Blogger jorge dias said...

Existencialismos e não só...
Ao correr da pena, e ainda na ressaca das perguntas que ao sabor daquele desafio da sabedoria sempre servida em referências bibliográficas desencarnadas da vida, em algumas referências de mais de dois milénios, afinal uma filosofia, sabedoria, com algo de perene, mas muito mais dirigida para as cócegas mentais que para a vida, como era natural que assim fosse no desenquadramento vital (existencial) em que vivíamos. Que ninguém pense que isto tira mérito ao distinto professor Mathias Rekers. Pelo contrário, dá-lhe mais valor... Afinal, ele vivia mesmo o problema da existência dos humanos e sobre ela se perguntava (filosofia existencialista) embora com um velho modelo.


Já por muitas vezes o referi e uma vez mais o assinalo, há textos que são de máxima inspiração e, felizmente, também de máxima provocação. Assim estes do Mário.

Pois então alguma provocação:
- A filosofia existencialista uma filosofia civilizada! Então porquê?
- Platão e Aristóteles os senhores da filosofia matriz? Mas em que tempo? Talvez no seu tempo. Depois disso naturalmente, desenquadrados, embora, obviamente, como com todos os pensadores, com algo de perene! Matriz? Nem pensem e aqui fica a provocação: a matriz só pode ser e é o pensamento humano. O que os catapulta para uma certa perenidade e marco na história do pensamento foi o registo em grafia que permitiu analisar e reanalisar os conteúdos.

- As filosofias menores...
O epíteto “menores”, não é de música, porque seria triste... Mas menores em quê!? Em valor ou na busca da verdade - conhecimento (gnoseologia), dos valores, da existência!

- Como é possível afirmar que somos um perfeito absurdo!? Filosofias do absurdo, filosofias do nada (niilistas), não é?
Eu defendo filosofias de valores que mais não seja por auto-estima! Posso não viver para nada, mas ao menos vivo contente e feliz! Haja festa!

- O existencialismo cristão sai do campo da filosofia para mergulhar directamente na fé!?
Não me parece que seja assim, mas admitamos que é, significa isso que é menos válida essa perspectiva filosófica que qualquer outra? Mostram os factos que foi a corrente filosófica judaico-cristã que mudou o mundo e o marcou drasticamente pela positiva! Ainda bem!
Onde é que está o problema se até houve melhorias notórias para todos?

- Quanto à história
Mas quem é que tem uma visão mais integrada da história que os crentes? Não lembras Teilhard Chardin? O agente causador inicial das coisas no princípio é o agente (causador) final! Ou simplesmente a causa final (o nosso destino – objecto) é a causa criadora! Ou simplesmente Deus porque é o fim é que foi o princípio? Ou simplesmente, há alfa porque havia ómega.

11 fevereiro, 2010 01:29  
Blogger jorge dias said...

Este comentário foi removido pelo autor.

11 fevereiro, 2010 01:30  
Blogger jorge dias said...

Existencialismos e não só...

Vou voltar a esta questão, mas face ao material encontrado nos textos de tão excelentes comentários, não posso deixar de fazer o retorno gratificante, em reforço da auto-estima pelos esforços evidenciados por seus autores, em brilhantes escritos que mais acima estão plasmados precisamente versando a vida(filosofia existencialista).

Mas, para que estes comentários sejam práticos e operativos para os leitores, que melhor filosofia existencialista que alguns dos textos do Miki mesmo aqui mais atrás? Até Lynuz no seu texto sobre a Consciência!

Nada de complicar o que é simples nem de anular a grandeza de pensadores, hoje, face a textos gregos que mais não foram que um ponto de chegada de muitos outros anteriores a eles que lhes permitiram umas sínteses, de trazer por casa, e que só o registo projectou. Aliás, o velhinho Tomás de Aquino, deu-lhes muito mais vida e sabedoria que aquela que tinham e já em perspectiva muito mais existencialista!

Enquanto me envolvia neste comentário tive o prazer de mais um anónimo! E digo prazer!
Meu caro anónimo tens razão quanto aos que não se controlam, mas já aqui disse uma vez que não há mal que não se cure nem buraco negro que sempre o seja. Deixa experimentar o “underground” que a gente aguenta! As tempestades limpam tudo! E depois é assim, dizer asneiras também chateia o seu autor! De que maneira…Digamos que entendo o desabafo.

Quanto ao Lynuz e ao Miki, não me estragues os meus escritos! Eu não quero saber quem são. Que ninguém me diga! Seus curiosos!
Tem dó… Por amor de Deus, que nunca se revelem, que usem a máscara, qual teatro grego, e que sempre digam sob ela tudo o que quiserem, para ignorando nós os seus portadores lhes podermos também tudo dizer.

Vamos a Fátima…

11 fevereiro, 2010 01:36  
Anonymous Anónimo said...

Evaristo Domingues - Relendo corrijam-me alguns erros, não tenho muita experiência de uso desta caneta, como po ex: individuos.

11 fevereiro, 2010 09:14  
Anonymous Miki (1947) said...

E EU a APRENDER

Que bem escreve JORGE DIAS!

Parte I



««- A filosofia existencialista uma filosofia civilizada! Então porquê?
- Platão e Aristóteles os senhores da filosofia matriz? Mas em que tempo? Talvez no seu tempo. Depois disso naturalmente, desenquadrados, embora, obviamente,
como com todos os pensadores, com algo de perene!»»



O historiador britânico A. J. Toynbee († 1975) afirmou, numa das suas magníficas obras (A Study of History, III, 4, Oxford, 1961), que em tudo na vida nos deparamos sempre com um desafio histórico e contextual, bem como uma “resposta específica”, a que ele chama de chalenge and response, à força criadora do indivíduo, na sua realidade cultural. Cada civilização que existiu (e desapareceu) teve a sua cultura e, agregado a ela, o seu modelo moral. Assim, o facto histórico nos mostra que a moral não é eterna nem universal. Como as ideologias, ela representa um estado ético restrito no tempo e lugar, ou seja, próprio de cada cultura e época.

Se nos dias de hoje alguém tiver duas mulheres (ou uma mulher tiver dois homens), recebe a execração, quem sabe até pública, de uma boa parcela do seu grupo social ou religioso. No entanto, o rei Salomão († 922 a.C.) possuía setecentas esposas e trezentas amantes (cf. 1Rs 11, 3), foi considerado um justo e nenhum profeta apareceu para denunciá-lo. As Escrituras contam que Yahweh ficou zangado com Salomão, não por sua promiscuidade, mas porque ele permitiu (através de algumas das suas mulheres) a introdução da idolatria em Israel (cf. 1Rs 11, 9-13).

Igualmente, se hoje alguém mandar matar um concorrente no trabalho ou o adversário na política, é assassino e sujeito às penas da lei. No entanto, Salomão, a conselho de sua astuta mãe Betsabéia, mandou matar os seus desafectos, para reinar livre e sem ameaças (cf. 1Rs 2, 12-46). Também não é comentada a sua forma esbanjada de governar, sufocando o povo com impostos, cujos valores serviam para alimentar o luxo da corte e os sonhos militaristas do rei. Israel foi uma potência, com um povo oprimido. É dessa época que surgiu a divisa “o país vai bem, mas o povo passa mal”. Mesmo assim, Salomão foi considerado “o maior rei de Israel”, a ponto de apenas “sua glória” ser citada por Jesus (cf. Lc 12, 27). Isto confirma aquelas premissas que falam a respeito da temporalidade e circunstancialidade da moral.

Embora poucos moralistas católicos (para não dizer nenhum) de tendência teleológica (“fins que justificam meios”), aceitariam que nos seus escritos e nos seus ensinamentos fossem assumidas e justificadas como “moralmente boas”, escolhas deliberadas de comportamentos contrários aos mandamentos da lei divina e natural, não se pode afirmar que as propostas teleológicas dos moralistas levem, objectivamente, a essa conclusão. E mais, não se pode deixar de reconhecer que alguns axiomas e algumas soluções casuísticas da tradição teológico-moral tentavam solucionar os inevitáveis conflitos éticos que hoje em dia as correntes teleológicas, com uma teoria mais desenvolvida e mais generalizada conseguem resolver.
(A proposta moral de João Paulo II , Madrid, 1994)

O nosso dia-a-dia está cheio de exemplos de casos difíceis, geradores de angústias e desconforto. É o rapaz que avisa os seus pais que se está a separar da esposa e vai morar com uma nova “namorada”, colega de trabalho, que já espera um filho dele. A filha comunica à mãe que a amiga é mais que amiga, e que as duas desenvolvem há alguns meses uma relação homossexual. A outra moça avisa a família que se vai casar com o namorado, divorciado. Desesperada por não saber como encarar a sociedade (e os custos) uma jovem decide abortar o filho, fruto de uma relação efémera.

11 fevereiro, 2010 14:58  
Anonymous Miki (1947) said...

E EU APRENDER

Que Bem Escreve JORGE DIAS

Parte II


Do ponto de vista daquilo que B. Haering chama de “a moral dos manuais”, todos esses comportamentos estão errados e sem a mínima sustentação ética. Nessa moral manualista, apresenta Deus mais como um julgador tirano do que um pai acolhedor, alguém que não faz concessões.(Lembro o Revdº. Frei Salvador, nas jornadas em Fátima a prepósito de um salmo que cantamos) Essa “teologia do medo” é a responsável pelo desenvolvimento de uma religiosidade irracional, quando não geradora de uma “migração silenciosa” para outras religiões.

A grande verdade é que todos esses actos que consideramos eticamente incorrectos, ou moralmente condenáveis, vão continuar a existir e a aconter, a despeito de nosso julgamento. Então, se trata de uma realidade quase que irreversível no nosso tempo, não seria melhor, mesmo sem uma ampla justificação moral, tentarmos revestir tais atitudes de um parecer pastoral, humano e misericordioso? Para enriquecer o esforço pastoral, na prática daquilo que se chama moral renovada, é preciso superar o eternismo (através da história e do aggiornamento, contra o “sempre se fez assim...”, “...o pensamento sempre foi este”), o pessimismo (intimidar o homem pelo látego do inferno e do pecado), o legalismo tradicional (humano) ao invés das Sagradas Escrituras (divino) e, por fim, o privativismo, de quem dá excessivo valor às leis exaradas da autoridade terrena.
A moral renovada não nasce propriamente de textos do Vaticano II, por sinal não muito numerosos nesse particular. Ela nasce de todo o contexto de Igreja e de Teologia que prepara o Concílio e se desenvolve com ele. Sob o prisma da vida da Igreja, encontra-se a preocupação crescente em responder positivamente às interpelações do chamado “mundo moderno”. O diálogo Igreja-Mundo é como que o eixo central da renovação da vida eclesial e da Teologia .
Desta forma, a história do ser humano não considera a sua humanidade como algo pronto, acabado, mas algo em construção na história, como uma potencialidade que se está a realizar.

A aceitação do princípio da história pressupõe a dessacralização de certas elaborações teológicas. Não podemos parar nelas, mas devemos buscar um ponto de partida que se coloque além de todas elas, numa dimensão mais profunda
Essa aceitação, portanto, implica na instauração de um modelo dinámico da Teologia Moral, que não consiste tão-somente na invocação/aplicação de princípios, mas na busca, afanosa e sempre renovada de depurar as escórias do tempo e dos costumes anacrónicos, para, deste modo, revelar o aspecto essencial do ser humano de hoje. A renovação da Teologia Moral não se trata de moda, tentativa ou novas idéias que visem assustar ou angustiar os mais conservadores. Essa renovação implica num processo irreversível de transformação do pensar e do acolher, como o que agora se verifica. Deus é o mesmo, ontem, hoje e sempre, mas nós devemos aprender a nos relacionar com Ele e – sobretudo – com os nossos irmãos. Para tudo há uma medida e uma referência, plenos de misericórdia, acolhida de visão evangélica.

11 fevereiro, 2010 15:02  
Anonymous Miki (1947) said...

E EU APRENDER

Que Bem Escreve JORGE DIAS



Parte III


Eu tenho certeza que muitos (ou todos) dos assuntos aqui tratados têm outros angulos de visão, interpretações diversas ou pontos de vista diferentes daqueles aqui referenciados. O debate, especialmente nesta área, é assim mesmo: controverso e polémico, onde alguns classificam os autores como críticos, especialistas e até hereges. É preciso nunca perder de vista a riqueza do texto evangélico, junto com a crítica social, a psicologia humana e o bom senso-
Para os trabalhos de catequese e evangelização, em geral são apresentados assuntos de uma forma mais simples, fundamentalista algumas vezes, pois as crianças, os jovens, os recém iniciados na fé ainda não têm o discernimento de, através de uma visão crítica, olhar e debater alguns assuntos – como agora fazemos – vistos “pelo outro lado”. O debate na Teologia Moral requer amadurecimento, conhecimento e fé.

A visão que a Teologia Moral proporciona, não aponta para uma única via, mas para um emaranhado delas. Não se trata de trilhar uma viela de sentido único, mas caminhar por uma avenida larga que se bifurca em diversas variantes e alternativas. Diferente da justiça humana, a Teologia Moral procura trazer para a mesa do debate, não apenas o rigorismo da Lei, mas também – e privilegiadamente – a doçura da misericórdia.

11 fevereiro, 2010 15:03  
Anonymous Mário Neiva said...

Quem afirma que a «vida é um perfeito absurdo» é o existencialismo, não o Mário Neiva.
Devo andar a expressar-me de uma forma tão coxa, que depois dá isto. Desculpem lá a minha aselhice.
Bom fim de semana para todos.

11 fevereiro, 2010 19:13  
Blogger teresa silva said...

DEUS...

Deus é pai, amigo, companheiro eterno das nossas vidas. Alegra-se quando estamos contentes e quando estamos tristes serve-nos de consolo.
Enviou-nos o seu filho para podermos estar mais perto dele em gestos e actos. O seu filho foi morto por nós, para nos salvar.
Nunca uma pessoa amou tanto a humanidade como Deus ama e continuará a amar...
A herança que nos deixou: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.
Um amor desinteressado , que não nos força a nada. Está em nós descobrir este amor infinito.
Mais tarde ou mais cedo queremos fazer parte dele, queremos descobrir o que ele quer de nós.
É visível nas mais pequenas coisas que por vezes não damos muita importância, um sorriso, uma flor, a beleza de um riacho. Ele criou, ele está lá presente.
Como exemplo temos também a oração do pai-nosso. Simples, mas que resume tudo o que Deus quer de nós.Deus é pai de toda a humanidade, independentemente do nome que lhe possam chamar.
Gosta de nós como seus filhos. E é principalmente nos momentos difíceis das nossas vidas, em que por vezes pomos em causa a sua existência, que o devemos procurar com mais intensidade, para ouvirmos o que ele nos tem a dizer. Escutemos o nosso coração ele está lá.
E se mais dúvidas tivermos consultemos a sua palavra, e procuremos nela o consolo que nos falta.
A vida é difícil sem dúvida,mas pensemos que temos um pai que nos ama que logo o caminho será menos penoso.
Erramos, somo humanos. Mas vale a pena reconhecer o erro, pedir perdão e continuar em frente para mais alegre ficarmos nesta nossa jornada da vida.
Deus é a candeia das nossas vidas. A candeia que nunca se apaga. Mas para ela não se apagar também temos que fazer um esforço, senão não valerá a pena.
Por isso digo o fardo é pesado, mas com a sua ajuda caminharemos muito mais felizes.

12 fevereiro, 2010 00:00  
Blogger teresa silva said...

(Cont.)

Não há texto melhor para traduzir o amor que Deus tem por nós do que aquele das pegadas na areia.
Em que como pensamento humano e lógico temos a sensação de que a meio do caminho, caminhamos sós. E perante a nossa condição humana Deus parecia-nos ter abandonado e não. Quando vemos apenas um par de pegadas, foi ele que nos pegou ao colo.
Querendo proteger-nos, acarinhar no seu regaço, consolar, enfim tudo o que um pai deve fazer a um filho.

12 fevereiro, 2010 00:12  
Anonymous Mário Neiva said...

Ainda a propósito de filosofias pre-históricas, artes e humanidades: «Nas artes e humanidades, na literatura ou na musica, a categoria "progresso" tem apenas relevancia técnica.Novos materiais são disponibilizados para o arquitecto, o pintor ou escultor. A música pode-se tornar electronica.Mas de nenhuma forma substantiva houve progresso em relação a Homero ou a Shakespeare, Platão ou Bach. Arte e debate filosófico giram numa espiral de permanente contemporaneidade» (George Steiner). E ainda do mesmo autor: «...Qualquer que tenha sido a dinâmica subjacente,o génio implosivo da ciência grega,sendo inseparável do discurso da metafísica e da poética,foi a alvorada da busca e dos critérios ocidentais da verdade racional».

12 fevereiro, 2010 00:33  
Blogger jorge dias said...

"Desta forma, a história do ser humano não considera a sua humanidade como algo pronto, acabado, mas algo em construção na história, como uma potencialidade que se está a realizar." (Miki).Que se está a realizar para um fim diria Teilhard Chardin, diria eu, a estructura esquemática do enquadramento de uma filosofia existencialista, hoje!


"Quem afirma que a «vida é um perfeito absurdo» é o existencialismo, não o Mário Neiva.
Qual existencialismo pergunto eu?
E respondo que seguramente não o meu existencialismo,e considero-me filósofo.

Só em humanos vivos pode estar viva a matriz da filosofia...

Mas esclareçamo-nos: Não és "aselha". Bem pelo contrário! És nobre de pensamento, de pormenor na memória, com escrita a corresponder e, obviamente, gerado por um tempo e uma formação. Como todos. És inspiração e provocação.
- Mas, como poderás tu ler pela negativa outras tantas fontes de inspiração e provocação que outros te colocam debaixo dos pés? Não esqueças que são apenas oportunidades!

Então, amigo, alguma vez eu teria escrito aqueles comentários de "existencialismos e não só" sem as tuas provocações e inspiração nata nos teus comentários? E agora até coro do que o Miki diz!
E quando eu saí a abrir virado para a filosofia da nossa vida, da minha vida, hoje, para a maravilha dos comentários acima, em vez do hoje ou do futuro retornas ao passado e serves-me este desafio passadista:
... "a categoria progresso tem apenas relevância técnica...,
Nem vou comentar esta parte.

..."que a música pode torna-se técnica, mas de forma nenhuma substantiva"! ... Mas tu já não tocas bandolim? Estava tudo descoberto? Já não deves mesmo ser músico? A maravilha dos sons que nunca há dois iguais...

..."permanente contemporeneidade de... a arte e o debate filosófico, uma espiral! - George Steiner.
Para mim o mais fácil era dizer-te para George Steiner aplicar isso também aos ditos expoentes gregos! Mas até ele se esqueceu de o fazer. Mas eu faço-o nos meus comentários acima porque me interessa o aqui e agora, o hoje... numa filosofia de vida feita aqui e agora. E o gratificante, o loucamente gratificante é verificar neste espaço a emergência afirmativa de tantas ideias que estão vindo à luz do dia e a fazerem-se "vidas" porque o "aaacarmelitas.blogspot.com" existe como espaço espaço de palavra e, por isso, de vida (filosfia existencialista). Que nas memórias dos nossos pais, como há dias vi referido acima, nos inspiremos, e em tantos mais de outros tempos, porqque só nós fazemos o hoje e o amanhã.

12 fevereiro, 2010 02:13  
Blogger teresa silva said...

Pegando nas palavras do Jorge: O que interessa é o aqui e agora, o hoje. O que interessa é mesmo isso, o presente, o dia de hoje, que deve ser aproveitado ao máximo, que devemos tirar partido dele como se do último dia das nossas vidas se tratasse.
Em cada dia vamos crescendo ao longo das nossas vidas. Dias melhores dias piores.Como tudo na vida.
Ao longo do dia vamos passando também por diversas fases do nosso humor, Minutos mais alegres outros nem por isso.
E é a partir do hoje que construímos o amanhã. Melhorando se acharmos que temos algo a melhorar em relação ao dia anterior.Reflectindo em nossas decisões. Por isso é importante antes de dormir fazer o balanço do dia para sabermos o que podemos corrigir amanhã.
O que aconteceu de bom,o que aconteceu de menos bom, como me relacionei hoje, o que posso melhorar amanhã. Coisas tão simples mas que podem e devem fazer a diferença.

12 fevereiro, 2010 23:21  
Blogger teresa silva said...

Convívios...

Momentos solenes de festa, de integração, de partilha de vivências, de diálogo, de amizades,brincadeiras e boa-disposição.
Enfim, tudo o que de bom podemos desejar aos outros. Amena cavaqueira, troca de opiniões. Mais uma conversa e mais um copito, onde se exige um pouquinho de responsabilidade como cidadãos de posteriormente se conduzir não beba.
Momentos inesquecíveis para mais tarde recordar, como lembrança nostálgica.
Toda a gente bem-disposta, alegre, sem pensar muito no amanhã, mas aproveitando o máximo o momento, o hoje, a festa.
Jesus começou a fazer os seus milagres numa festa, num casamento. Ele também gostava de festas, de se sentir rodeado de pessoas. Mas claro que também teve os seus momentos de estar só, a fim de reflectir.
A isto se resume a vida. Estarmos com os outros e estarmos sós. Esta dicotomia essencial ao homem.

13 fevereiro, 2010 00:15  
Blogger jorge dias said...

Há pessoas que se nota que cresceram, há pessoas que se nota que continuam a crescer e, obviamente, há pessoas que entendemos e sentimos pelo que escrevem que em definitivo se integraram na categoria de adultos com valores assumidos e que agora expressam em manifestações de vida, quais suportes desta ordem cultural e social que nos faz humanos e afirmação do futuro!
Julgo que os dois comentários anteriores são uma evidência a este respeito. Só lhes acrescentaria uma nota sobre os valores do passado, sem os quais o presente não seria possível.
Reafirmaria o que já muitos por aqui disseram por outras palavras sobre a realização comunitária das nossas vidas, nesta ambivalência dicotómica persistente e continuada, e bem radical, de sermos sós, e de só sermos com os outros:
"Estarmos com os outros e estarmos sós."

Reafirmo nesta lógica a alegria e a festa da vida que sempre e só nasce na conta em que nos tivermos, no bem que nos quisermos, na nossa auto-estima..., como aliás referia S. Paulo quando dizia que a caridade começa por nós próprios.

14 fevereiro, 2010 01:07  
Anonymous LYNUZ said...

O trono da graça, o trono da misericórdia, lugar onde encontramos a salvação para as almas, que desgarradas vagueiam na sua inocência, por esta sociedade onde tudo vale, nem que seja a pontapear os indefesos e mais necessitados.

Senhor se não tiveres em contas os nossos pecados quem se salvará? A tua misericórdia brilha nas nossas consciências, para que na nossa pequenez te elevemos as súplicas para o bem-estar da humanidade. Só em ti encontraremos a luz que caminha na frente da jornada.

Quaresma tempo para parar, tempo para ouvir, tempo para meditar, tempo para crescer, tempo para acreditar.



Ei!, ó tu aí?
Pára! Eu estou aqui!.
Mas quem és tu afinal?
A voz da tua consciência,
O teu Rei imortal
A quem deves reverência.
Pára, por favor!.
Só um instantinho,
Sou o teu Deus de amor
Neste sitio escondidinho.
Vi-te entrar e pensei!
Deve estar perdido!?
Não conhece a lei,
Lei que salva,
Lei que o homem criou,
Lei que lava,
Pois Cristo ressuscitou!...

Páscoa 2007
Lynuz

14 fevereiro, 2010 12:22  
Anonymous Mário Neiva said...

Neve em Viseu, física e metafísica...

Mais uma vez vou partilhar, aqui no blog, com os meus amigos e amigas alguma da correspondência que vou mantendo com o Luis. No último e-mail, ele acabara por dizer-me que concordava com quase tudo o que eu dizia mas, apesar disso, não tirava uma virgula ao seu próprio discurso. Nem eu queria que o fizesse, porque não se destrói o pensamento do amigo. Mas podemos dizer como Aristóteles a Platão: «amo Platão, mas amo mais a verdade».





...Nem eu te estava a sugerir que retirasses uma única virgula que fosse. Em vez tirar, sugiro-te que acrescentes uma série de pontos de admiração e de interrogação. Vais ver que o texto, além de mais espectacular, fica mais enriquecido.
Um pouco apressadamente, acho, dizias que o todo não é maior que as partes. Em matemática funciona assim. 2+2=4. Este quatro é igual à soma das partes. Mas já não podes somar dois Luis Ferreira + dois Luis Ferreira. A fórmula continua correcta, como padrão de medida que é, mas realidade que é o Luis Ferreira está muito para além de todos os padrões ou conceitos que um observador possa concretizar. No momento em que o observador produz um padrão do Luis ou emite um conceito ou o reduz a uma elegante equação, faz em fanicos a "realidade irredutivel" que é o Luis Ferreira. Assim eu pude afirmar que a Senhora Realidade não se deixa «padronizar». E também é neste sentido que afirmo que o todo é maior e transcende as partes. De facto, já não estamos a falar de matemática nem dos padrões das leis da física, mas da metafísica.
Parece-me, Luis, que o enrascanso dos físicos da mecânica quantica, neste momento, é terem batido à porta da metafísica e constatarem que as equações começam a não querer funcionar. Mas a Realidade está mesmo ali, diante dos seus olhos, quero dizer diante das suas «medições», tal como um Luis Ferreira em carne e osso, a escapar a qualquer tipo de «medição» definitiva. Talvez quando conseguirem fazer um igual no laboratório...Mesmo assim será a partir de «realidades pre-existentes» e que nunca foram «medidas».
O melhor é mudar de assunto, que já começo a vislumbrar no horizonte aquela nuvem, escura no centro e luminosa nos contornos, que tanto te intriga: a consciência.

Como a neve cai aqui em Viseu! Está tudo branquinho. São quase 9,30 e a minha mulher acordou-me, para apreciar a beleza. Há muito que não via tanta neve...
Não me passa pela cabeça reduzir estes flocos fofinhos e gelados à distante e isolada realidade de moléculas de hidrogénio e oxigénio, depois do trabalho que esses dois nobres gases tiveram para me oferecer este espectáculo maravilhoso. E é como se também estivesse a ouvir essas mesmas moléculas, generosas na sua dádiva da neve, a sussurrar-me: também nós viemos de longe e o que «andamos para aqui chegar»...
É o Mistério da Vida, em toda a sua grandiosidade e profundeza.

15 fevereiro, 2010 10:08  
Anonymous Miki(1947) said...

Meu Carríssimo Mário Neiva

Permite-me uma analogia ao Mistério da Vida, nesta pequena história do" mesquito e o ..."

O Mosquito e o Mistério da Vida

Havia um mosquito que me torturava quando eu tentava dormir. Como chegou ele ao meu apartamento no oitavo andar, ninguém conseguia explicar, mas ele fazia-se presente toda a noite, antes do sono, com o seu zumbido a 100 decibéis que “PSIU” nenhum conseguia silenciar.

Já estava a travar essa batalha há dois dias - ele lutava pelo meu sangue, eu por uma noite de paz – quando o apanhei distraído entre a cozinha e a sala. Não pensei duas vezes e usei a primeira coisa que me veio ás mãos, um copo de vidro, e aprisionei-o entre o espaço do copo e a mesa de madeira. Entusiasmado, gritei de júbilo, conseguira capturar o mosquito maldito, que agora voava de um canto para o outro, para cima e para baixo, sem conseguir escapar da prisão de vidro.

Comecei a pensar em como deveria exterminá-lo: deixá-lo perpetuamente dentro do copo? Levar o copo até à pia da cozinha e afogá-lo com á água da torneira? Espalhar veneno mata-mosquito pela beirada do copo e observá-lo definhar? Qualquer que fosse a forma que eu escolhesse, esse mosquito jamais me picaria ou atormentaria novamente.

- Escolhestes a pessoa errada, Mosquito!!! – gritei, prestes a executá-lo.

Então, o rapazito vingativo e imaturo começou a dar lugar ao velho ser humano que também mora dentro de mim e comecei a dar-me conta que estava feliz com o infortúnio do mosquito. Eu estava realmente contente com a idéia de eliminar aquele “insecto” da face da terra, o velho não. Compreendam que o velho ser humano não tinha remorso pelas milhares de formigas que já pisara ou os outros mil insectos que tiveram o azar de bater no pára-brisa da sua vida; ele sabia que era virtualmente impossível, viver sem machucar esses seres, mas ele tentou explicar ao rapazinho que aquele combate já estava resolvido e o mosquito era o vencedor.

- Vencedor? Ficastes louco, velho – disse o menino – A vida desse mosquito está na palma da minha mão.

- Tu já sabes, garoto, que nunca conseguirás matar o mosquito, apenas a imagem dele; pois a vida não pode ser morta e a mesma vida que há no mosquito, habita em ti. A mesma faísca de vida que te movimenta, move o mosquito. A imagem do mosquito poderia até desaparecer entre as palmas das tuas mãos, mas não tenhas prazer com isso. Libertar ou matar não está em questão; o que peço é que reflitas sobre o que estás a sentir, diante da opção de matar ou não o mosquito.

continua ...

15 fevereiro, 2010 14:48  
Anonymous Miki (1947) said...

Parte II

O mosquito e o mistério da Vida


Coisa medonha esta coisa de anjo e demónio, rapaz e velho travam sempre combate dentro da nossa mente. Há momentos onde precisamos deixar o diabinho tomar as rédeas, mas há outros que os anjos velhinhos precisam de intervir e apertar o botão da sabedoria.

Se é impossível evitar pisar as formigas na rua; dá ao menos para, uma vez ou outra, treinar a compaixão e deixar viver aquele bicho, insecto, animal ou até mesmo uma rosa que poderia permanecer mais tempo viva no jardim, do que no vaso lá de casa.

Além do conto espírita da alma ...; o velho vive a dizer que depois da morte, não há nada mais senão vida.

Há somente vida, pura e livre, que se manifesta aqui e agora, ontem e amanhã, ou em qualquer espaço e tempo que ela quiser estar. Vida que entra e sai do mosquito e torna-se girafa e então menino; pois não há Deus ou Deusa, se eles não habitarem em tudo e em todos.

No passado, só viamos o homem, como ser divino na terra; hoje, sabemos que todos os seres vivos são partes de um mesmo organismo: extermine-se uma espécie e todas as outras sofrerão. Imagina, amanhã, quando descobrirmos que o muito que sabemos hoje, não passa de um mundo quadrado, esperando um Colombo, que com a analogia da forma de um ovo, virá explicar-nos que o mundo sempre foi redondo.

O velho ensina-me essas coisas com o seu conhecimento da vida; e o menino com as suas travessuras e dedos na tomada, que através da prática, formam a base da minha fé nas coisas, o meu ponto de vista e o meu amor pela vida.

Que ironia é viver em tempos, onde vemos espiritualidade até mesmo no mosquito. Exagero ou não, todas as formas de vida são sagradas e apesar de não aconselhar ninguém a se deixar morder por um mosquito, vale a pena, meditar nisso: o que será essa faísca de vida que move o mosquito e qual é a sua relação conosco?

Quanto ao mosquito, deixei-o partir. Sortudo, ganhou mais algumas horas de vida; mas a mesma sorte que o libertou, pode ausentar-se à noite, quando o velhinho estiver a dormir e o rapazito acordar irritado, com o zumbido no ouvido e usar a sandália do silêncio para calar o mosquito.


Miki (1947)

15 fevereiro, 2010 14:49  
Anonymous Anónimo said...

Na verdade, parece-me que o outro homem meteu a viola no saco e foi tocar para outra freguesia. Acho que não devia desanimar, porque ninguém tem culpa de não ser tão sapiente como os demais.
Quanto ao cara que não aceita que lhe chamem amigo, lá vai dando um ar da sua mosquitada, para animar este blog, que só de pai nossos e avé marias, não teria grande futuro.
Continuem, porque nós estamos a gostar, desde que não haja caneladas como na Falperra e no Sameiro, quando os mais fortes se queriam impor aos mais habilidosos.

15 fevereiro, 2010 19:32  
Anonymous Miki (1947) said...

Meu caro Anónimo


- Eu penso que se não és do meu ano,
deves ser do” a seguir” -

O leitor( anónimo) é também um criador orientado pelo autor; constrói personagens, convive com elas, extasia-se, sofre, transporta-se para outros locais e outras épocas, busca soluções, pensa, sente e vibra com o desenrolar da história ou do conto, reflete com as reflexões do autor, amplia os seus conhecimentos sobre o mundo e sobre os homens, aprende a ouvir, falar e escrever.
Através da leitura e da escrita podemos chegar a muitas partes e a muitos mundos, revisitar o passado ( e que passado na Falperra) e arrojarmo-nos para o futuro, reviver ou viver por antecipação.
Cada boa crónica é uma aventura particular e única que pode ser muito útil a quem empreende esta viagem ímpar. Os artigos são como os seres humanos: nascem, têm um tempo de vida e desaparecem. Podem surgir depois de muito tempo em novas narrações, se forem muito bons. Há os que têm conteúdo e os vazios, os bons e os maus; os inteligentes e os ignorantes. A sua leitura pode ajudar a leitura da própria vida, dos próprios dias, do próprio acontecer.
Devemos todos ler muito, bons artigos, (livros) e dar um exemplo para que os jovens aprendam a gostar de ler.
Há um livro, em especial, ao qual devemos dar a máxima atenção a cada dia da nossa existência: o nosso próprio livro, o livro da nossa vida, aquele que vamos escrevendo e lendo a cada dia, no qual somos autores e personagens, onde ficará consignada a nossa trajectória humana nesta breve passagem pela Terra. O livro dos livros, o livro da vida, a obra pessoal que cada um de nós pode e deve realizar.
Do pouco que escrevo se te servir, é de borla. Aproveita-o

Miki (1947)

15 fevereiro, 2010 20:36  
Anonymous Anónimo said...

Nem sou do teu ano nem do ano a seguir, mas podes dar mais umas mosquitadas para animar a malta.
De mim nada vais saber, a não ser que adivinhes, como o outro que espanta os diabos.
Eu acho que deves ser Frade, se não és, andas lá perto...
Quando ao que escreves, é engraçado, para quem goste, mas acho que ficaste muito longe de conhecer as agruras da vida, para tanta fantasia.
Do que tenho lido por aqui, constactei que uns doutores da mula russa, querem ser mais finórios que os outros dando palestras para anjinhos, pensam eles.
Como nem todos somos craques para as mesmas coisas, podes dar de borla a quem precisa dos teus sermões divertidos. Eu dispenso-os. Já de lá venho e felizmente sei para onde vou.
Como é altura de Carnaval manda aí outra mosquitada que ninguém vai levar a mal.

16 fevereiro, 2010 19:23  
Anonymous Mário Neiva said...

Está linda! linda! a tua historia do mosquito. A filosofia implicita não é bem a minha, mas andamos muito perto.Falta-lhe a «faísca» que só eu ou tu podemos introduzir, num mundo de uma vida indiferenciada.E essa "faísca" salta quando chamo pelo teu nome e me respondes para dizer : estou aqui, meu amigo! Atrevia-me a propor que o prodigio dos prodígios é poder marcar presença diante de ti, descobrindo-me em total alteridade, como num encontro de dois mundos.
Parece-me uma verdade tão paradoxal quanto prodigiosa. Mas vivo bem com ela. Se o meu "amigo" ou o meu "amor" não estivesse ali para responder ao meu chamado, nem posso imaginar a infinita solidão! Possivelmente ficaria grato que todos os mosquitos da Terra me picassem até à morte.
Meu caro MIKI, aprendi a conjugar o ver da VIDA: eu SOU, tu ÉS, nós SOMOS...e assim me tornei um infinito pessoal.
Esta linha do meu pensar e do meu sentir devo-a, inteirinha, ao cristianismo em que me criei.
Dizendo-te, ao mesmo tempo,meu amigo Miki, que estou fora da fé que tu pareces professar e a seguir uma linha de pensamneto que me pôs em diálogo com a Verdade. Essa mesma que és tu, meu amigo, e aquela que é o meu amor. Se outra houver, para lá das estrelas, não será mais genuina que esta que agora tenho diante de mim.
A vida que me dá identidade não será nunca confundivel com a vida de um mosquito. É certo que os dois partilhamos da mesma Vida, mas confesso que não sei porque a minha teria de ser infinitamente pessoal.
Como não compreendo, chamo-lhe Mistério da Vida.

16 fevereiro, 2010 19:31  
Blogger Orquerio said...

Haja maviosa música pra deleite dos leitores, qu'ist'agora tá baril, sim senhor, senhore doitores...

16 fevereiro, 2010 19:35  
Anonymous Miki (1947) said...

Amigo Mário Neiva

Como eu te compreendo!...

O mistério da vida e a certeza da morte

Há poucos meses atrás um paciente de mais de 80 anos e portador de um cancro lamentava-se assim:
Como é triste a vida, trabalhar, lutar incansalvelmente, constituir uma familia, construir uma independência financeira e depois ser condenado à morte por esta doença fatal.
E perguntei eu:
- Triste é a vida ou a morte?
Ele suspirando profundamente, respondeu:
- Triste é saber que a vida acaba com a morte.
A vida é o maior de todos os mistérios e a morte é a maior de todas as certezas. Todos os seres vivos nascem, crescem,desenvolvem-se e depois morrem, com o ser humano não é diferente. A única diferênça é que o ser humano têm consciência dos factos, e por ter consciência,sofre.
Tentando entender a complicada situação, lembrei-me do filosofo pré Socrático, Parménides que assim se referiu à vida: “ as mudanças são meras ilusões, tudo continua”. Décadas depois, outro pré Socrático chamado Heráclito, referiu desta maneira: “ tudo muda excepto a mudança”. Estes filósofos com os seus intricados conceitos somente servem para confundir a cabeça das pobres criaturas vivas.
Algumas décadas depois surgiu na Grécia outro filósofo, um pós Sócratico,Aristótles, que assim foi inquirido por um dos seus dicípulos:
- Mestre, tudo muda ou tudo continua?
Aristóteles deu alguns passos, olhou para dentro de si, parou suavemente de caminhar, voltou-se para o seu discípulo e respondeu:
- Tudo muda e tudo continua.
O discípulo meneou a cabeça como quem nada entendeu e pensou: “ o mestre pirou”. Engoliu em seco, e um tanto quanto desapontado exclamou:
- Como mestre! – E Aristóteles seranamente respondeu:
- A matéria e as coisas mudam, passam; mas,os princípios continuam.

16 fevereiro, 2010 21:48  
Anonymous Miki (1947) said...

O mistério da vida e a certeza da morte

Parte II

Meses depois, o mesmo paciente voltou ao consultório, já cansado de tentar uma solução para o seu insolúvel caso, lamentou-se:
- Doutor, eu consciensalizei-me que cumpri todas as etapas, a vida desta maneira não vale mais apena. Já procurei todos os recursos da medicina, que apesar de avançada, é incapaz de deter a morte.
A doença e a certeza da morte, muitas vezes inibem a arrogância humana e são instrumentos importantes para o ser humano se despojar dos seus bens, da família e da sua própria vida. A doença ajuda o homem, embora tarde, a rever os seus valores e a criar uma nova consciência da vida.
Quanto mais apegado à vida e aos seus valores materiais, mais dificil é encarar a morte; pelo contrário, quando os valores são princípios, o medo da morte é menor. Com a morte os valores materiais passam e mudam de dono o mesmo não acontecem com os princípios, com as ideias e com a arte que continuam como património do falecido.
Parménides, heráclito e Aristóteles viveram há mais de 2.500 anos atrás, mas, as suas ideias, os seus princípios continuam vivos e a eles recorremos quando necessitamos explicar alguma coisa.
A morte física não é um mistério, ela é uma certeza, infalível e comum a todos. O maior de todos os mistérios é a vida humana, somente temos a certeza do agora, o futuro é uma incógnita e o passado imutável. A morte é comum a todos, a vida é um exercício individual, onde cada um escolhe os seus valores para passar ou continuar.
Um abraço

Miki (1947)

16 fevereiro, 2010 21:49  
Anonymous Mário Neiva said...

Ias tão bem, Miki, até resvalares na parte final.Penso eu de que...
«A vida é um exercicio individual, onde cada um escolhe os seus valores...»
Afinal não me compreendeste bem.Que seria eu sem o meu amigo, sem o meu amor? Iria exercitar-me em quê, para quê e como? Penso, meu caro amigo, que sem ti, sem os meus amigos e sem os meus amores, ser pinheiro bravo ou mosquito ou seixo do rio, seria indiderente. Talvez seja suprema humildade reconhecer que «sem ti não sou ninguém». Não será uma loucura nem uma tolice dos namorados ou dos poetas que cantaram o amor, aquela frase mil vezes repetida: «Tu és a minha vida!»
Reconheço, Miki, mais uma vez, que do cristianismo me veio a inspiração. Chega aos meus ouvidos o eco daquelas sábias e elucidativas palavras: quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á. Quem a perder, por amor, salvá-la-á.
Do cristianismo aprendi que a vida não é «um exercício individual».
Talvez resida neste ponto, precisamente, o falhanço de tantos cristãos, nomeadamente das ordens monásticas, que pensaram ganhar a vida eterna através do «exercicio individual da vida».
Talvez a chave do Mistério da Vida esteja tão fulgurante diante de nós, que nos ofusca.
Acima eu disse, contrariando a verdade da matemática, que «o todo é maior que as suas partes». Quem sabe se no exercício solidário da vida, esse "mais que as partes", que chamamos amor, não faça a diferença entre a Vida e a Morte.
Se assim for, a morte não será mais «uma certeza».
E como o meu amigo Paulo de Tarso eu poderia perguntar: «Onde está, ó morte, a tua vitória?»
Meu caro Miki, não seria «o engenho e a arte» que nos iriam «da morte libertando», mas o encontro profundo, quando conjugamos o verbo ser e o verbo amar, no breve ou longo exercicio das nossas vidas.
E isso tranquiliza-me, Miki. É que não sendo nem poeta nem português façanhudo, no amor, a todos acessivel, poderei ganhar a imortalidade...
Às vezes custa-me a entender como os cristãos passam ao lado do maravilhoso legado que receberam. Por outro lado, lendo as insípidas «notas pastorais», de quem se const ituiu a «Voz do Mestre», não devia ficar, nem um pouco, admirado.
Um abraço

16 fevereiro, 2010 23:14  
Anonymous Anónimo said...

E vão dois, parece-me que vai haver ópera!...
O Frade e o Sacristão.

16 fevereiro, 2010 23:16  
Blogger teresa silva said...

Pois é amigos, a única certeza que se tem nesta vida é a de que vamos morrer. Tão certo como 2+2 serem 4. Nasce-se, cresce-se, passamos nesta vida e quando chega a hora de partir não queremos.
Não ficamos cá para semente. Temos que estar preparados para enfrentar as adversidades da vida sejam elas quais forem.
Com elas aprendemos, crescemos, tiramos proveito para outras situações que possam surgir e para quem sabe ensinar aos outros aquilo que aprendemos com essas situações difíceis.
Não se perde a fé, nunca se deve perdê-la. Por mais difícil que seja a situação que passemos a fé é o que nos salva.
O que deixamos como legado nesta nossa passagem pela terra é a nossa forma de ser ,de estar na vida e não o que temos materialmente. Este último não conta, muda de dono, vai-se com o tempo, não lembra nada nem ninguém.
A nossa forma de ser é que permanece eternamente.
Não queremos morrer porquê?
Somos limitados, somos muito ligados às coisas materiais.
Porque a morte significa o fim e não aceitamos que a nossa vida tenha um fim, mas esta é a única certeza que nós temos.Então a solução para isso é viver o dia de hoje como do último dia se tratasse. Fazer dele uma festa durante 24h. Cada hora, cada momento. O segredo é este.
Só não há remédio para a morte para o resto tudo tem solução.

16 fevereiro, 2010 23:18  
Anonymous Anónimo said...

Bem prega Frei Tomás......
Muito lindo, até os politicos falam bem, mas na prática de nada abdicam, para dar um sinal de que a única razão da sua luta, é o poder. Depois de instalados desapareçem os beijos e abraços,promessas etc. etc. . Só que o zé pagode gosta deles.Fazer o quê...também morrem como os outros, concordo com vossa senhoria.

16 fevereiro, 2010 23:29  
Anonymous Mário Neiva said...

Para o anónimo

Junta-te a nós, que vais ajudar à missa. Assim ficamos três que é a conta que Deus fez. Lembras-te? E volta a ler com atenção o que escrevi. Lê tudo. Sem pressa e não de esguelha.

16 fevereiro, 2010 23:31  
Anonymous Anónimo said...

Já lá vais? Pensei que andavas afastado, mas ainda bem, pois nunca é tarde para pegares ao pálio de tanta beatice que vai passando. Acho que deve ser para Inglês ver, rsrsrs.

17 fevereiro, 2010 00:26  
Anonymous Mário Neiva said...

De novo para o anónimo

Fazia-te uma proposta: abalança-te a mais qualquer coisinha nos teus comentários. Desmascara as beatices, todas, as minhas e as dos outros. Se tens lido o que escrevi aí para trás, já reparaste que me vejo em palpos de aranha para sair do nevoeiro da minha ignorância. De modo que, todos as luzes que forem sendo acesas neste espaço, me farão favor.
E acredita que não me importo nada de pegar ao pálio numa romaria qualquer, lá em Balugães, se daí vier mais uma gota que seja de verdade. Porque é de pequenas verdades que vivemos. Mas não penses, aa, que possuis a Verdade Grande.Querias!...Também eu.
Até te deixava um abraço, mas és capaz de fazer como aquele Pe carmelita, que foi meu Mestre de Noviços, esse mesmo, o Pe António, que negou um aperto de mão e virou costas a um ex-confrade sacerdote, que educadamente lhe estendia mão.
Acredita que se o visse, amanhã, não lhe fazia o mesmo. E era bem capaz, arrastando-o para a amizade, de lhe sugerir que reconsiderasse aquele seu gesto infeliz. E depois, quem não fez disparates nesta vida?

17 fevereiro, 2010 09:27  
Anonymous Anónimo said...

Esse deve estar podre de caruncho .
Por essa e por outras infelizes actuações de alguns caras, é que a maior parte dos ex- acrmelitas detesta estas hipocrisias, mas eu respeito. Só não alinho com os chicos espertose rezadores de padres nossos velhos. Mas carago " errar humanum est ".
Também levei umas lambadas na Falperra, mas se fosse hoje pagava com a mesma moeda, pena não encontrar esse FP.
Quanto ao facto desse padre, não ter dado o cumprimento de mão, certo já estava a prever a gripe AAAAAAAAAAAAAAA, coitado....

17 fevereiro, 2010 12:59  
Blogger teresa silva said...

Entramos num tempo de reflexão. Hoje é 4ª feira de cinzas. depois do tempo gordo, de diversão, de máscaras de alguns exageros, volta a vida normal e quiçá tempo de mudança interior.
Tempo de reflectir sobre o nossa vida cristã ,como anda interiormente.O tempo mais importante da vida cristã, a quaresma. São quarenta dias de preparação até à grande festa da Páscoa. A ressurreição.
Tempo de recolhimento, de interiorização e nesta ilha de S.Miguel de romaria. Saem romeiros que percorrem a ilha durante uma semana, debaixo de chuva e vento. De noite e de dia, rezando e cantando a Nossa Senhora.
Quem os acolhe em suas casas sente uma alegria enorme, prepara-se a comida melhor, arranja-se uma cama a mais ou várias conforme os romeiros que acolhemos.
Basicamente sentimos compaixão por estes homens que percorrem a ilha nesta semana e também queremos fazer o nosso melhor no comer e no acolhimento.
São pessoas que não conhecemos de parte nenhuma, sabemos apenas que são romeiros e que andam pelas estradas, mas a alegria é tão grande que é impossível descrever. Acolher romeiros em casa é uma experiência única que vale a pena passar por ela. E no meu caso repetir a experiência.
Estamos cá para servir os irmãos e é isso que fazemos nas romarias. Disponibilizar as nossas casas para acolher os irmãos.
Claro que o exemplo da romaria deve servir para o ano todo e principalmente para nos lembrarmos disso mesmo. Estamos cá para servir os outros.
É no dar que se recebe.

17 fevereiro, 2010 18:37  
Anonymous Rosalino Duraes said...

Anda aí um anónimo, que com o devido respeito, deve ter um défice cultural abaixo da média, do que se tem visto neste espaço.

Tem-se notado neste espaço, muita cultura, apesar de opiniões divergentes, mas nunca ninguém pôs em causa a liberdade do outro.

Só conseguimos ser livres a partir do momento em que liberdade do outro termina.

Haja elevação nas palavras que subentendidas se dirigem ao nosso próximo, pondo em causa a sua dignidade.

Se este espaço se tornar um local para o desabafar das nossas frustrações, estamos muito mal e então o gestor do blog terá de agir para restringir a liberdade daqueles que não sabem respeitar a liberdade dos outros.

A minha liberdade só começa onde acaba a tua!.

Rosalino Durães

17 fevereiro, 2010 21:28  
Anonymous Anónimo said...

Olha outro esperto, com cultura acima da média.
Não estás contente retira as mensagens, como já fizeram anteriormente. Não venhas com ameaças, porque se for só para dizer amen , vão ter em cena,os chicos espertos de sempre, sem quererem ouvir as verdades que incomodam muita gente,que se passaram na família carmelita, disse.

17 fevereiro, 2010 23:08  
Anonymous Anónimo said...

Nobre gesto humano, na Ilha de S. Miguel, parabens. Fiquei deveras impressionado, porque fez-me recordar os longuínquos anos em áfrica, que tudo faziamos para acolher aqueles que fugiam da fome e da guerra.
Nobres também são as suas palavras cultas que esbarram contra aquelas dos mais letrados, que se atrevem a insinuar que o próximo tem défice de cultura, só porque não desfia a ladainha já ultrapassada e gasta para os tempos que correm.
Já dizia o velho tirano Salazar; " Quem não é por nós, é contra nós ", há que eliminar, quanto antes do Blog. Liberdade engraçada e até com o direito de chamar frustrado ao próximo. Foi Carnaval, nem vou levar a mal, porque foi mesmo uma palhaçada.

18 fevereiro, 2010 09:16  
Anonymous Mário Neiva said...

Pedaços de e-mail a um amigo...


...Mas podia ter-lhe escrito há mais tempo, não fosse eu convencer-me que tinha abusado da sua paciência, que deve ter mais que fazer do que estar a aturar-me. Vejo que me enganei e vou moer-lhe o juízo…
Hoje estou em Balugães, para tratar do quintal e arejar a casa. A minha mulher não pôde vir por causa do Carnaval para as crianças do infantário. Domingo regresso a Viseu, que agora não se pode cultivar nada. Ficou tudo limpinho em casa e no quintal. Tratei as árvores e plantei uma videira de uvas de mesa. Vamos lá ver o que vai sair dali. E enquanto trabalhava, pensava no meu querido Paulo de Tarso. É o meu inspirador e, no entanto, não tenho a fé que ele tanto pregou. Quando responder ao MIKI vai entender porquê.
Não sei se chega a entender como se pode viver sem respostas para as nossas perguntas fundamentais acerca da vida e ao mesmo tempo sentir a bonança que só a humildade nascida do reconhecimento da nossa ignorância pode conceder-nos. Não é uma ignorância que nos convida ao conformismo, antes nos conduz a pegar em qualquer pontinha solta deste novelo maravilhoso que é a vida. Como eu dizia ao meu amigo Luis (leu no bolg?) nós temos a realidade absoluta diante de nós, mas não a realidade TODA. A consciência deste facto faz-nos sentir que temos o mundo na mão... embora só um bocadinho dele. É um fantástico paradoxo. Tudo o que fazemos é definitivo e absoluto. Apesar disso, quase nem sabemos onde estamos.
Mas o máximo dos máximos é olhar para a mulher que tenho ao meu lado todos os dias e senti-la como se fosse um outro universo, tão misterioso como tudo o resto. Só que «este universo» fala comigo e ama-me e eu amo esse universo. E por ele amo tudo o resto. Pelo menos poderei amar.
É esta dimensão "pessoal" que herdei do cristianismo. Por isso digo que o cristianismo formatou a minha alma. E por isso também olho para o cristianismo como quem olha para o pai que nos deu a vida.
Mas só isso. Como verá.

18 fevereiro, 2010 11:14  
Blogger teresa silva said...

Olá anónimo seja bem-vindo ao blog.
Seja lá quem for opiniões e debates são sempre bem-vindos. Acerca da vida, acerca do cristianismo, enfim acerca da questão fundamental. A fé.
Com fé ultrapassamos barreiras, atravessamos fronteiras. Não nos deixamos abater por dá cá aquela palha. Por vezes há momentos de desânimo, de frustração, connosco, com os outros. Mas tudo isso faz parte da vida. Dias mais alegres outros nem por isso.
Se Jesus não ressuscitasse vã seria a nossa fé.
A época fundamental da vida cristã é esta: a quaresma. Tempo de reflectir, de interiorizar, de mudar algo interiormente, a fim de estarmos mais próximos de Deus. Abrir a porta do nosso coração e deixar Jesus entrar.
Ouvi no rádio ontem uma história de um pintor que pintou um quadro em que Jesus se apresentava do lado de fora de uma porta. As pessoas que olhavam o quadro ficavam estupefactas porque era muito bonito. E uma das pessoas que observava o quadro reparou que a porta não tinha fechadura. Então questionou o pintor acerca daquele facto. O pintor respondeu: esta porta significa o coração humano,só pode ser aberta do lado de dentro. Precisamos de estar preparados para receber Jesus no nosso coração.

18 fevereiro, 2010 23:49  
Anonymous Anónimo said...

Assim é cristianismo, assim é humanidade, assim é respeito, assim é algo de bom se pode aproveitar aqui neste Blog.
Agora como alguém diz, é falta de civismo,o que este cara escreve, só porque não concordar com ele. Escandalizou-se um ex-colega por chamar amigo. Frustrado por não agradar as opiniões daqueles que não filhos de fotografos e infelizmente não ficam bem na fotografia. Que raio de religião é essa? Foi isso que Cristo pregou? Foi esse o exemplo que Ele nos deu.
Se esses beatos,( dois ou três ) não querem ouvir os outros que vedem o Blog ao público, mas não se atrevam a quererem ser melhores que os outros, enquanto houver liberdade de expressão. Agora qualquer um enjeitado vir para aqui alvorado em intelectual e doutor da mula russa, como já disse, fazer dos outros pacóvios, leva a resposta ao nível dele.
Quanto a si, obrigado pelas suas reflexões.
Alguém dizia; " Não há maus rapazes, às vezes os outros é que os querem tornar maus ".
Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade, que aceitam o próximo como ele é de facto, não como nós queremos que ele seja. Amen

19 fevereiro, 2010 09:07  
Anonymous Miki (1947) said...

Senhor anónimo

Já deu para ver que V. Ex.ª.,é amigo do Mário Neiva, só espero que não faça como da outra vez que por aqui andou.Vamos ficar por aqui,ok?

Com toda a educação que me alimenta, eu direi:

Toda a unanimidade é “BURRA”.


Toda a discussão deve ser imbuída de desacordos e ideologias discordantes, mesmo que coerentes, o afrontamento é imprescindível para consolidar a reflexão e aprimorar a dialéctica.
Concordar demais acaba com qualquer conversa.
As virtudes devem ser exercitadas, os defeitos devem ser corrigidos.
Somos e pensamos o que realmente nos propomos ser …
Somos o que somos, filhos de Deus.
Somos Um com Deus!

Miki (1947)

19 fevereiro, 2010 11:36  
Anonymous Anónimo said...

Senhor Miki
De quem sou amigo ou deixo de ser ninguém tem nada a ver com isso. Do Senhor é que não sou de certeza, já que me excluiu e muito bem, porque também não quero ter amigos de Peniche.
Quanto ao Mário Neiva, tem alguma coisa contra ele? Ou é só por vos acertar o passo no que diz respeito A cultura geral?
No entanto quer quera quer não, bons ou maus , somos todos filhos de Deus. " Tou certo ou tou errado ", como dia o Zeca Diabo.

19 fevereiro, 2010 11:48  
Anonymous Mário Neiva said...

Miki, não faço ideia de quem seja o anónimo que me chamou sacristão, como não sei quem tu és. E também não sei onde viste essa de o anónimo ser «meu amigo». Desejo que sejam todos, porque para isso aqui viemos. Costumo dizer, a todos os que estabelecem dialogo comigo, que temos uma promessa de amizade.
O bom, é que o diálogo se inicie.
O óptimo, é que a promessa se concretize.
O mau, é que as coisas descambem para a incompreensão e o insulto.
E não há necessidade.

19 fevereiro, 2010 12:40  
Blogger vanitas said...

e esta hein?!

19 fevereiro, 2010 13:13  
Anonymous ROSALINO DURAES said...

.

A todos quantos trazem os valores da vida a este espaço, bem hajam.

Os valores do respeito, os valores da mentalidade sadia, os valores da humildade, os valores da elevação, tudo quanto traga amor que brote dentro para fora e que traga sumo a quem está sedento.

Tenho sede, deram-me vinagre, mas minha mãe, manteve-se serena e meditou e guardou tudo no seu coração.

Tiram-me a túnica, desnudaram-me da minha dignidade, mas mesmo assim Ela esteve firme, ficando cá para nos dar um exemplo de humildade.

Tenho sede, descedentem-me na fonte dos valores.

19 fevereiro, 2010 14:21  
Blogger vanitas said...

I.G.I.F, hein ?!

19 fevereiro, 2010 14:48  
Anonymous Anónimo said...

Está melhor, já não tem cultura abaixo da média. Pena que sejam palavras feitas, por outras inspirações mais sadias.
Também quero paz e sossego. Quanto ao Mário Neiva deixa , sou tanto amigo dele como os outros...passamos por lá e mais nada.
Faz falta rezar para quem crê, mas o credo de alguns deixa muito a desejar, conforme alguém aqui citou, sem me conhecer de lado nenhum.
Até o Sr. Rosalino vem armado em pistoleiro para escorraçar os que não rezam pela cartilha.
Parece piada, mas ficou registado, eheheheheheh, com riu o outro.

19 fevereiro, 2010 15:09  
Anonymous Domingos Coelho said...

CARTA ABERTA AOS A.A.C.

Tenho pena daqueles que passam pela vida sem se divertir;
daqueles que estão sempre muito ocupados para perceberem a beleza de um céu estrelado;
daqueles que acordam com mau humor, permanecem assim o dia inteiro e quando vão dormir ainda se estão a lamentar que nada correu bem para eles;
tenho pena daqueles que desconhecem a beleza de fazer novos amigos;
daqueles que nunca olham para os lados quando estão a conduzir, e perdem todas as oportunidades de conhecer alguém interessante;
tenho pena daqueles que nunca desejaram ter um cachorro, por causa do trabalho que ele daria: são pessoas que nunca se entregaram por inteiro numa relação, e que jamais saberão o quanto é divertido brincar;
tenho pena daqueles que não sabem esquecer, porque esses também nunca perdoam;
tenho pena daqueles que desconfiam até da própria sombra: são pessoas que julgam os outros por si mesmo;
daqueles que se ocupam em cultivar pequenos problemas até que eles cresçam e se transformem em grandes empecilhos na sua própria felicidade.

Sim, eu creio no poder da cura e do perdão, e não entendo a vida como uma ferida aberta: prefiro a diversão.
Creio que há sempre uma forma nova de seguir em frente, de fazer diferente e mais correcta;
Sou daqueles que crêem que o bem-estar não depende da conjuntura política do país, do quanto confortável estamos no momento, tampouco do quanto recebemos no final do mês, mas sim da maneira como encaramos a vida e os problemas que surgem. Optimismo é fundamental, sem ele não há esperança num futuro melhor para nós, para a humanidade...
Procuro não me levar a sério demais, pois assim acabaria por me achar melhor do que eu realmente sou;
mas valorizo-me o suficiente para nunca esquecer que mereço ser feliz.
O passado é um bom professor, mas não o quero recordar o sempre, prefiro viver o presente;
se há algo de que me arrependo na vida, não é o que fiz de errado, mas o que nunca tentei fazer por um ridículo medo de errar.
Aprendi com os meus erros mas continuo a praticar alguns deles, enquanto isso for divertido.
Sim, eu creio no poder do sorriso, e creio também que o acaso é quando Deus tem rompantes de timidez.
Não me preocupo à toa, apenas sigo a viver, procurar fazer o melhor e da maneira mais divertida possível. Sei que ainda vou errar muitas vezes, e até outras tantas, até aprender. Mas não me importo: a vida é uma excelente professora e eu não tenho nenhuma pressa em me formar, prefiro ser um eterno aprendiz.
Então, não se lamentem, nem compliquem o que é tão simples. Façam da vossa vida um grande abraço: divirtam-se... E sejam muito felizes!

D/C.

19 fevereiro, 2010 16:12  
Anonymous Anónimo said...

Parabéns, amigo Coelho, não me levas a mal de te chamar amigo? Ok! Acho que não. Obrigado.
Os anos passaram , mas ficaram as marcas de alguns anos que vivemos na mesma casa. Não somos mestres, mas valha-nos Deus, também podemos dizer qualquer coisa sem sermos frustrados, ignorantes e não doutores , etc. etc.
Uns ouvem e calam. Outros não se calam porque são de temperamento forte e respondem a quem sulbtilmente pensa que dá doutos pareceres, como se fossem os donos de toda a verdade, menosprezando os outros irmãos em Cristo.
Sobre os aaacarmelitas, devo dizer que tenho as quotas em dia, mas se for preciso virar as costas a esta pessegada toda e me afastar dos fariseus, ficarei lá no fundo da igreja a rezar sozinho, como tantos outros samaritanos.

19 fevereiro, 2010 16:47  
Blogger jorge dias said...

Ora voltemos à festa,
A festa da vida, a festa dos amigos em ideias, amores e algumas frustrações que partilhamos... e por elas os acolhemos. Neles, temos mais uma estimulante provocação para sermos, crescermos e darmos forma às potencialidades da nossa humanidade que só caminhante se faz!...

Foram mesmo muitas as actividades em que me envolvi nos últimos tempos... Senhora das Candeias que celebramos aqui em Ponta Delgada à maneira dos Reis, no Continente. As Estrelas, assim se chama… A colaboração com dois grupos corais que por esta altura se mimetizam em grupos de cantares e saiem para a rua, a inesperada actividade de cantarmos em alguns casamentos, baptizados e até funerais provocaram uma mobilização geral dos tempos livres. E logo depois, afinal, o Carnaval! Não sei se foi mesmo a propósito dos anonimatos que a evidências das máscaras e dos disfarces se me tornaram tão apelativos que me arrastaram para o suporte musical que deu vida até a um desfile aqui pelas ruas de um certo burgo! Mas isto fica para outro comentário.

Hoje é para saudar a resistência de todos, anónimos incluídos! Estes, embora diferentes, cada um à sua maneira, ou à maneira do momento, são um aguilhão ao exercício da nossa humanidade e humanidade cristã! Entendo que a existência de anónimos é factor de estímulo, poderoso vector de associação de ideias e de crescimento deles e todos nós. Claro, temos que escrever e ler, ler tudo o que os outros pela palavra partilham.

Confesso que este espaço atingiu uma espectacularidade que a todos lisonjeia! E digo todos propositadamente! Os conteúdos partilhados e os novos conteúdos se ajustarão à medida do crescimento e das mudanças vividas que cada um for capaz de nos deixar saborear.

Fiquei surpreendidíssimo com o que aqui se escreveu desde a minha última oportunidade neste espaço... Que lindo e provocante tempo de leitura e meditação!
.Desfiz-me a rir com estória do mosquito...
.A do palio lá para uns certos lados..
.É no dar que se recebe...
.Aquela da promessa de amizade para quem chega ao nosso espaço é mesmo irmã daquela outra do convento familiar...
.Façam da vossa vida um grande abraço: divirtam-se... E sejam muito felizes!

Por mim, como sempre, o desafio é:
Ora vamos à festa, à festa da vida e, se já partilham, partilhem mais que por mim tentarei fazer o mesmo por aqui e por cá...

19 fevereiro, 2010 20:43  
Anonymous Anónimo said...

Bom Dia
Por estes lados temos a festa das amendoeiras em flor

20 fevereiro, 2010 10:46  
Anonymous Mário Neiva said...

Memento, homo…uma vida de mosquito?
I Parte

Volto à tua encantadora história do mosquito na palma da mão, ora do ponderado velhote, ora do irreflectido garoto, porque apenas comentei a ideia que ela faz passar de que o destino de cada «vivente», além de ser efémero, é tão irreal como ondas que se levantam e colapsam no mar da sua verdadeira realidade: a Vida informe. Eu acrescentaria, Vida informe e desoladoramente solitária! Em consequência concluíste que a «nossa vida é um exercício individual, onde cada um escolhe os seus valores».
Parece-me, meu caro Miki, que a tua história carrega uma contradição insanável e constituiu-se negação da filosofia que sustenta. Repara que, do principio ao fim, tudo acontece num diálogo permanente, onde entram a ponderação do velhote, que se desdobra em garoto irreflectido, e o confronto com a Vida perene e imutável, aquela mesma que «anima» efemeramente o mosquito, a rosa e o velhote. O diálogo ou interpelação surge inevitavelmente a partir do momento em que o velhote ou o garoto se confrontam com a Senhora Realidade, presente nas próprias personagens, no mosquito ou nas rosas. E no próprio cenário, onde tudo acontece. Diálogo? dizes tu. Interpelação? Isso mesmo, respondo eu. Imagina que estás tranquilamente, sozinho, na tua casa. De repente planta-se diante de ti uma figura que te é estranha. Depois de um primeiro instante de surpresa, começas a fazer as perguntas: quem será, donde veio, que pretende, etc.
E assim se vai, de pergunta em pergunta, até nos interrogarmos sobre nós próprios. Sem nos darmos conta, emerge do mais profundo do nosso ser um factor inesperado, subtil, intrigante e misterioso, altamente perturbador, numa história serena, suave, repousante: a CONSCIÊNCIA.
Eu chamo-lhe o ”factor de perturbação», realíssimo e exclusivo do velhote e que não está nem na rosa, nem no mosquito e também não o descortinamos na própria Vida, a não ser que consideremos o velhote, com a sua consciência, o coração da Vida. Nesse sentido eu tenho afirmando que, até onde nos foi dado conhecer, o homem é a Consciência do Universo e da Vida. Sendo assim, como não existe apenas um “velhote” no Universo, cada um de nós confronta-se com a multiplicidade das CONSCIENCIAS. Esta constatação, que para Jean Paul Sartre redunda num verdadeiro inferno (diz ele «o inferno são os outros»), para o pensamento cristão é a raiz da felicidade humana, anunciada no Evangelho que prega: a fraternidade humana, à semelhança da fraternidade divina, verdade encriptada no dogma da SSma Trindade.
Meu caro Miki, a tua história do mosquito fez-me recordar o que já disse e redisse neste blog: nós não nos pensamos como simples gotas viventes de um TODO oceânico impessoal, onde só poderíamos imaginar ouvir o eco da nossa próprio voz, perdida e solitária, num grito de perfeita loucura: EU SOU! Sim, e depois?
Em vez disso, em cada um de nós acontece o maior de todos os mistérios: uma frágil «vida», aparentemente em tudo igual a uma rosa ou um mosquito, transforma em sinfonia estonteante e maviosa, aquele inicial e único «eu sou», começando a conjugar o Verbo Pessoal do Universo: eu sou, tu és, nós somos…
E é quando a metafísica transcende a matemática, e se diz que «o todo é maior que as partes». De dois que se amam emerge uma nova realidade. o amor. Um + um já não serão dois, mas três, errando na matemática que aprendemos na escola, mas acertando o passo com o que aprendemos na catequese: do amor do Pai ao Filho acontece o Espírito Santo…

20 fevereiro, 2010 14:38  
Anonymous Mário Neiva said...

Memento, homo…uma vida de mosquito?
II Parte

Já estou a ouvir o anónimo a chamar-me outra vez sacristão e a dizer que estou a pegar ao palio das beatices, mas não me importo, porque eu penso que está para nascer uma interpretação da vida humana que seja mais bela e toque mais fundo o coração dos homens. Ter por horizonte uma família humana onde muitos fazem emergir o amor é um ideal que sempre vou acarinhar. Quem precisar de um incentivo como aquele de acreditar numa «Família Divina» pois que lance mão dele. Quanto a mim, prescindi dessa fé. Foi-me transmitida de uma forma tão embrulhada, que só ao fim de muitos anos comecei a entender do que é se estava a falar. E quando entendi, decidi que não precisava de ficar entalado nas estruturas da Igreja, que mais escondem que revelam “a imagem e semelhança» de uma Família Divina”. Quando o ecumenismo triunfar entre as religiões, serão os crentes que virão ao meu encontro.
Que presunção!

20 fevereiro, 2010 14:40  
Anonymous Anónimo said...

Vais levar no lombo seu macónico. Aqui quem não rezar vai para o inferno. Como no inferno estamos nós, vais ter de fazer mais penitência, sabe-se lá onde, se quizeres alcançar a felicidade eterna.
Quanto ao resto não te vejo com grande estaleta para seres sacristão, nem paliador, rsrsrs.

20 fevereiro, 2010 18:19  
Anonymous ROSALINO DURAES said...

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“PF” – Forças Poli traumatizantes

“Parir é dor, criar é amor”.

João Bosco, encontrava no menino de rua a força para amar positivamente.

As energias que encontrava dentro de si, era o abraço reconfortante de uma criança, que parida, não encontrou mãe para o amor de criar, mesmo que com aquelas sapatadas que sempre teem o perfume inebriante de educador.

Para João Bosco, não era necessária a agressão e violência física para educar, mas tão-somente o amor e o carinho que imprimia nos seus actos e que transmitia aos seus colaboradores e seus educandos.

Certamente na nossa vida de educadores e de educandos, nos sentimos traumatizados quando temos de agir de forma que não dignifica a nossa personalidade de racionais nesta vida física.

Quem em pequeno não levou uma palmada no rabo do seu avô, fugiu para trás da casa e na sua inocência o encheu de nomes feios, ao ponto até de balbuciar expressões do género “havias de morrer”?

Quem em pequeno, depois, desta cena, não se aproximou do avô e quando ele estava sentado no preguiceiro á lareira, o abraçou sentando-se no seu colo até adormecer?

Qual o avô que não pegou num destes meninos, o acariciou e já no leito o cobriu com um manto de amor?

Qual o educador, pais, padres, professores, após um dia difícil e que de algum modo tenha usado de violência para acalmar intrigas, não entra no seu quarto interioriza os acontecimentos se envergonha e pede perdão?

Num dia de férias, um menino de 2 anos resolveu chatear o pai com as suas diabruras. Seu pai manteve serenidade, pegou no menino ao colo e levou-o para casa, tendo a mãe ficado na rua a apreciar as belezas da vida. Chegados ao quarto, seu pai, colocou-o em cima da cama e meigamente espetou-lhe um pequeno tabefe na face. O menino chorou. O pai pegou na máquina fotográfica e registou momentos de rara beleza, os diversos momentos do choro do menino, mas do pai não, pai sofria. A dado momento da cena o menino abre os braços e salta para o colo do pai, aperta nos seus bracinhos de amor aquele pai sofredor.
Este menino tem hoje 31 anos e tem pendurado no seu quarto um quadro com esta cena encantadora de felicidade

O superar dos momentos maus, marcantes da vida, é feito com o amor e o perdão.

Rancores do passado, transportam forças que nos causam um sem número de traumas, de que só se encontra cura no perdão.

Se num exercício mental transportarmos o mal do passado, para a nossa realidade humana presente, encontraremos aqui a mais elevada condição de ideais humanos para viver o futuro.

Rosalino Durães

20 fevereiro, 2010 20:23  
Blogger jorge dias said...

Comentário de raro envolvimento este o do Rosalino... mas, por mim digo, eu cá não sou nenhum poli-traumatizado nem quero trazer à liça questiúnculas sobre forças que ignoro e nem as descortinei. Sou o que sou por força de múltiplas forças, nem boas nem más, às quais me habituei a reagir e a com elas aprender e reagir construindo-me! Sei que me levou tempo de aprendizagem e, por isso, fresca a aprendizagem, ocasionalmente ainda reajo intempestivamente! Mas, garanto-vos, também só eu sei a que carga de cavalaria me estou referindo! Só que estas forcinhas anónimas, se for o caso a que te referes, e que por aí andam, em boa verdade nem cócegas fazem! Pudera! Então não houvera de conhecer os cavaleiros? Rosalino, meu caro! Apenas cócegas estimulantes do sistema nervoso!

Parir com dor! Ainda assim, hoje?
Não tanto assim! Cá pelo meu convento sem dor e comigo a marcar o ritmo para o nascimento dos três! Do mais lindo que me podia ter acontecido! Do mais lindo do lindo de todos os dias da minha vida! Assim mesmo sem dor, mas com trabalho. Muito de preparação e algum de parto!

Volto com as máscaras do Carnaval, quais máscaras de anónimos que todos queremos ser!

Anoto a festa das amendoeiras em flor! Depois de Fátima, se ainda forem, vou andar por aí por causa dessa festa, da minha e da nossa!

21 fevereiro, 2010 01:13  
Anonymous Anónimo said...

As novas tecnologias, são uma plataforma social, rica de permutas de conhecimemtos sendo bem utilizadas. Ora também dá para mascarados de toupeiras como Miki, Lyniuz, Vanitas o e outro Anónimo das amendoeiras em flor que anda por a
í a dar caneladas para se vingar das que levou no Seminário. Só que lá levou-as de um brincalhão não mascarádo com coragem e aqui fá-lo com cobardia poque não se identifica. Outros usam nomes artísticos porque carregam a frustação envergonhada de mostrarem que andaram no Seminário de on enriqueceram o seu curriculo em troca de andarem no monte com a gado pastar.Enfim lembrai-vos do falecido Padre Calisto .Dizia Ele. Professor de Latim. Chegastes ao Seminário e nas próximas férias de Natal, já dissestes á Mãe . O minha Mãe . Um Biforum tão pequenórum patra um rapazorum tão grandorum?. Enfim em puoco tempo aprendestes muito. Completando a tua frase mais atrás. Dizia o Padre Américo não há rapazes maus o que é preciso é domesticá-los.Enfim tirai a máscara a aparecei em Fátima. Um abraço .Evaristo Domingues

21 fevereiro, 2010 02:16  
Blogger jorge dias said...

Este comentário foi removido pelo autor.

21 fevereiro, 2010 02:31  
Blogger jorge dias said...

jorge dias said...
Máscaras, mascarilhas, caretos e companhias!

No pensar mascarado de anónimo ou no pensar mascarado de mascarado que todos somos onde estará a diferença! Se alguém souber que diga que, por mim, só sei que não sei e mascarado sou, de nome revelado mas igualmente anonimado! Claro que a expressão em palavra só atrapalha porque nunca a verbalização escrita exprime fielmente a mente. Mas há que tentar! Ai crescimento e catarse ao que obrigas! Obrigas à escrita... cresçam escrevendo que haveremos de ler!

Máscaras, mascaradas, mascarilhas, caretos, caraças e carraças, anónimos e anonimados! Uns a fazerem-se mais e outros, um nadinha, menos!
Comentários de porrada, aqui e ali trauliteiros, sabem lá, traulitada! Traulitadas de formas benignas e coreografadas em arte no pau de Miranda, pauliteiros!
Ou antes, trauma, traumatizado, traumatismo, ou só um traumazinho invisível? Ou não será paizinho sim e mãezinha não? Ou paizinho sim e mãezinha não?! Precisamente no passado e na altura em que os valores se formam, aí pelos três anos, como limite, e a máscara não é mais que a evidência do facto traumatizante, senão mesmo ausente!
Claro que os anónimos são diferentes! Uns são só anónimos de computação mas outros são claramente anónimos vitimados. Por isso, no Carnaval, Carnaval, e no Carnaval ao longo de todo o ano, vivas as máscaras! E acreditem, os que querem, não há anonimato que não se cure.

Venham do globo, os mascarados,
Venham do século, os insólitos,
Venham de mãe, os não herdados,
Venham até de pai, os incógnitos!

Venham os anónimos de traumatismo,
Ou mesmo quem o é por devoção!
Venha quem por mental criacionismo,
A si anónimo se fez de coração!

À paz venham cegos e surdos!
À paz venham na liberdade!
À paz venham cochos e mudos1
Façam-na, mexam-se, não tem idade!

Do cancioneiro açoriano para os que gostam de uma rima feita com humor e significando o que significa em canto de desafio e sem nenhuma intenção direccionada que não a da elegância de atitudes, nem tão pouco animosidade, que não seja a interlocução com anónimos que usam simbologias de micoses e acurraladas ou outras que tais e na certeza de que entre dois a paz só não se faz se um não quer.
Pois ai vai esta delícia!

"Dizes que pareço ladrão,
Mas há pessoas que eu conheço,
Que não sendo aquilo que são,
São aquilo que eu pareço".

Boa Quaresma, que o mesmo é dizer boa metanóia, que o mesmo é dizer, que o pensar mude para a elegância que se adequa.

21 fevereiro, 2010 02:37  
Anonymous Rosalino Duraes said...

Olhando para um comentario de
Teresa Silva, "Romeiros Acoreanos", e porque Tenho acompanhado a vida de TAIZÈ, este é um artigo que vale apena ler.

atrevo-me a dar-lhe o titulo

TEMPLO SANTO DE DEUS, A FAMILIA.

Parabéns Nuno Folgado e obrigado
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Porto

Uma peregrinação ao santuário da bondade humana

É estranho ter que escrever um editorial depois de quatro dias afastado do mundo e dos seus problemas.

Durante quatro dias, peregrinei.

Uma «peregrinação de confiança através da terra», que desta feita teve lugar no Porto.

Durante quatro dias peregrinei, não em direcção a algum santuário material, mas em direcção a um santuário espiritual, «as fontes da alegria». Os trilhos foram substituídos pelas linhas de metro, os albergues pela casa da família Dias em Lavadores e o farnel no bornal deu lugar à couvette distribuída no estádio do dragão, mas o essencial da peregrinação permaneceu intocado e tão vivo como quando dou uso às botas de caminhada que vencem o alcatrão até Fátima ou Santiago, a vontade de caminhar em direcção à «consciência, o santuário onde o Homem se encontra a sós com Deus».

A peregrinação é um acontecimento para quem a faz, para quem ousa sair e arrisca o fracasso, mas também o é para quem recebe, e, nesta, ainda mais. Aos milhares de jovens peregrinos juntaram-se os milhares que acolheram, que abriram a sua casa a estranhos. Partilharam mais, muito mais, do que as suas coisas, partilharam a sua vida, as suas crenças, as suas esperanças. Foi uma peregrinação que cada um fez até ao santuário de cada família. Ao santuário da bondade humana, ao santuário da confiança em Deus e nos outros, sem garantias de que alguma coisa não possa correr mal, mas com a certeza de que alguma coisa há-de correr bem.

Mas que alegria é esta? Que sã loucura nos motiva?

Motiva-nos a certeza serena de que o amor de Deus dá sentido aos nossos trabalhos e canseiras, motiva-nos a possibilidade de fazer sorrir alguém, motiva-nos o rosto lavado de lágrimas porque o sorriso já não era suficiente para expressar a alegria e porque as gargalhadas são banais demais para algo tão sublime. Motiva-nos a certeza serena de que, haja o que houver, o caminho para Deus é a simplicidade e que o único sentimento que está à altura do Homem é o Amor, nas suas mais diversas manifestações.

Como em todas as peregrinações, ficam as marcas dos que nos tocaram durante o caminho, os laços criados com os que fizeram caminho connosco e a vontade de partir de novo, certos de que, cristãmente, cada chegada, longe de ser a meta, é um check point que nos assegura que vamos na direcção certa, Deus.

Nuno Folgado, O Distrito de Portalegre, 18/02/2010

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Rosalino Durães

21 fevereiro, 2010 13:30  
Anonymous Anónimo said...

Então os anónomos são todos imbecis? Só pode ser piada daqueles que no seminário aprenderam latir ( latim ).
O outro até era amigo do Mário Neiva. Nem sei porquê. E se fosse não podia? Ou o homem está mesmo condenado ao inferno, por ter as ideias dele?
Já reparam que nos tempos que correm quem falar contra a beatice, tem a pide à perna?
Quantos aos pastores em vias de extinção, é uma pena, porque são tão homens como os doutores, engenheiros, pedreiros, carpinteitos, etc . Também sabemos que em democracia o voto deles vale tanto como o dos finórios.
Alguém tem vergonha do passado de seus antecessores pastores, ou outra qualquer profissão?
Que falta de categoria, ao pensarem que são mais e melhores que os pastores e os outros.
Tenho um amigo padre que dizia:
" É preferível guardar cabras do que aturar cabrões ".Nunca soube o que ele queria dizer com aquilo, mas também não importa para o caso.
Venham mais anónimos enquanto é tempo, porque, ou me engano muito, ou o blog vai aquecer até chamuscar o rabo dos que não gostam de pastores e afins.

21 fevereiro, 2010 16:18  
Blogger jorge dias said...

Madeira, 20 de Fevereiro de 2010 – Uma manhã de torrentes sem controlo que vieram das montanhas que te fazem presépio natural! Por momentos pareceu o fim do mundo! E assim foi para umas dezenas de compatriotas nossos!

Desde os Idos de 1968 que me habituei a gostar da Madeira, quando a bordo do Funchal por ali passei duas vezes, a caminho de São Miguel e de regresso a Lisboa! Nas pequeninas incursões por terra dentro que essas escalas nos permitiam fazer, primeiro me sensibilizei com a dificuldade de, por ali, se ser gente! Com o tempo e com Abril de 1974, após algumas hesitações, a Madeira partiu para uma epopeia de progresso como jamais conhecera! A Madeira que hoje me encanta, por força das suas gentes, deu a Portugal um exemplo do que é aproveitar tudo a favor de uma economia que se suporta em boa parte nos serviços de Turismo! Se no meu tempo de criança se dizia e cantava que a Madeira era um jardim e como ela não havia igual em terras de Portugal, e era a terra, por excelência, a terra do “deixar passar esta linda brincadeira, a verdade é que a vida na madeira foi durante tempo demais de limites inimagináveis! Quando alguns anos depois de Abril de setenta e quatro por lá passei uma semana, três meses depois ainda tinha pesadelos provocados pelos precipícios envolventes dos caminhos rasgados nas arribas e nos penhascos!

Funchal e Ribeira Brava! Faz alguns meses revisitei a Madeira e o Funchal com a sua magia da festa das Flores e a policromia das gentes que a demandam! Imagens lindas, ainda vivas, de multidões satisfeitas que lhe fazem a economia! Uns meses mais e relembro a linda Ribeira Brava, onde por entre cânticos e danças do povo, desfrutei de uma semana maravilhosa a tocar viola da terra, cantar, a viver e saborear o fresco fino com o típico “dentinho” madeirense, à beira-mar, seu deleite e sol de bronzear!

Toda a nossa solidariedade para aquele povo e amigos, gente forte e valente, que por ali são parte dos meus afectos e referência! Solidariedade para aqueles que das arribas, dos penhascos, fizeram terras de cultivo, moradias, jardins e, do seu ventre, caminhos… e ali, no meio do Atlântico, Madeira e Portugal. Sim porque eu sou patriota!

És pérola e jóia apetecível e simbolizante da vanguarda de uma portugalidade moderna! Voltarás a ser! O madeirense só se curva na dança precisamente para simbolizar que nunca o fará na vida!

21 fevereiro, 2010 23:01  
Anonymous domingos Coelho said...

Obrigado Jorge Dias

Como consegues colocar amor em tudo que fazes!
Como gosto do teu "gostar", desta nossa Madeira.
Fiquei encantado com o que escrevestes e uma lágrima desceu esta face minha à procura de um porquê Senhor? Como me lembro do Manuel Fernandes, que eu não consigo contactar.
P.F. "Manel" dá noticias aos teus amigos A.A.C.
D/C.

22 fevereiro, 2010 15:54  
Anonymous Mário Neiva said...

Hoje nem estava com vontade de vir ao blog, por causa da tragédia da Madeira, que nos toca a todos.Também tenho em mente um comentário sobre o Haiti, que virá a seu tempo. Para já, é tempo de enterrar os mortos e cuidar dos vivos.
Não posso deixar passar em claro a afirmação de um dos anónimos comentadores que me refere como maçónico e que vou apanhar pelo lombo abaixo.
Admito que o sr anónimo não faz a mínima ideia do que seja um maçónico, caso contrário saberia que lá podem militar crentes e descrentes e, entre aqueles, até bispos católicos. Consulte no Google.
Quanto a apanhar no lombo, tenho de confessar que aí você tem toda a razão, pois no último encontro dos AA no Sameiro, vim de lá todo moído com os abraços que recebi, inclusive dos membros da Direcção, nomeadamente do «beato» Rosalino, que, pelo que podemos constatar, decidiu seguir as pégadas de S.Nuno. Como prova provada de que ele está no caminho certo, abraçou este incréu, que lhe retribuiu a demosntração de afecto, interesseiramente magicando quanto não valerá, um dia mais tarde, ter uma cunha junto de S.Pedro.
O seu comentário demonstra que é novato nestas andanças do blog. Se tivesse lido «a biblia» que deixamos escrita aí para trás, conheceria o pensamento e sentir dos que têm participado neste espaço.
Seja bem-vindo, amigo aa. Dê-se um pseudónimo, para melhor sabermos a quem nos referir, podendo conservar secreta a sua identidade. Fique certo que neste espaço já aprendemos a tratar-nos primeiro como aa e homens e, só em segundo lugar, discutimos as opções religiosas e ideológicas. Quem quiser discutir.
Diga piadas, seja irónico, ria-se das nossa «beatices» ou «incredulidades», porque às vezes nós somos mesmo ridiculos. Só não há necessidade de insultos, porque estes criam barreiras intransponiveis a uma amizade que se procura.
Não se esqueça, caro anónimo aa, que a internet tornou-se o prolongamento dos nossos braços, que à velocidade da luz, entram na sua casa distante para o abraçar.

22 fevereiro, 2010 16:07  
Anonymous Anónimo said...

Claro que essa de macónico foi piada. V. Exª. não entendeu, como diz o outro.
Mas note-se que por aqui tem mais anónimos, sabe-se lá quem são eles. Certamente para tirar, um " SARRO ", como diz o brasileiro.
Porém não te enerves, nem fujas, porque temos de conviver com tudo. Olha o que dizem dos políticos e eles arreganham os dentes todos os dias.

22 fevereiro, 2010 16:37  
Blogger teresa silva said...

Também estou muito triste com a tragédia que se abateu sobre a Madeira.
Considerada por muitos como a pérola do Atlântico, ilha bonita com a festa da flor.
Momentos de dor e consternação nos chocaram a todos os que viram as imagens através da tv. Ribeiras desgovernadas, água a saltar por tudo o que era lado, pedras a rolar tipo bolas de criança, desmoronamentos de terras, carros arrastados pelas torrentes de água.
Pelas imagens que vimos mais parecia o fim do mundo.
Quão frágil é a vida humana, dum momento para o outro não somos nada, desaparecemos da face da terra perante intempéries como esta que se abateu na Madeira.
Importa agora cuidar dos vivos como disse o presidente. Dar-lhes as mínimas condições de sobrevivência(água potável, luz, habitações condignas).
Arregaçar as mangas e trabalhar para reconstruir e também quem sabe tirar algumas ilações do que se pode melhorar e aprender com a mãe natureza.
Há sempre algo a aprender com estas tempestades.
Que Deus esteja convosco neste momento tão difícil das vossas vidas.

22 fevereiro, 2010 16:49  
Blogger teresa silva said...

Chocou ver a força da natureza e as pessoas impotentes sem nada poderem fazer. O desespero, a agonia, a estupefacção perante um cenário dantesco.
Estradas destruídas, populações isoladas, torrentes de lama encosta abaixo. Tanta água em tão pouco espaço de tempo.
Estamos solidários contigo, Madeira. Cada um de nós está contigo neste momento tão difícil. Apesar de sermos Portugal Continental e 2 Regiões Autónomas, nestes momentos somos um só.
Somos todos portugueses, apesar de vivermos em diferentes locais.
Madeirenses vós tendes a força para recomeçar. Para pôr de novo a Madeira como a Pérola do Atlântico como é conhecida.
O que não tem remédio remediado está. Agora o que importa é limpar, desobstruir, repor a vida normal o mais depressa possível.

22 fevereiro, 2010 17:22  
Blogger jorge dias said...

O Hooligan - I

O Hooligan transforma a sua origem e a experiência vivida na sua origem, infância e educação numa sensibilidade ou doença de provocação social. Esta provocação tanto pode ser de sucesso, de sucesso pelo poder reactivo que se transforma em criador e inovador, agente de sucesso e mudança social, como pode fazer do hooligan o mais destruidor e anulador de sonhos que cada um de nós possa imaginar, já que essa anulação é o ar que ele respira. Destruídos os seus sonhos, por si próprio, ou nem os tendo tido, por já lhes resistido na sua educação ou por defeito de educação, procura agora a igualdade social na destruição ilegítima dos sonhos dos outros para os rebaixar ao seu nível. No seu insucesso ou inadaptação social, a si próprio se dá um objectivo auto-destrutivo, primeiro de si e depois de anulação de todos os outros, como quem diz, já que eu não sou também ninguém será!

Os limites de sucesso ou insucesso das suas provocações são sempre os limites impostos pelos destinatários das suas provocações! Por agora, é bom que o hooligan se dê conta que os sinais de rejeição são mais que muitos, e isso significa claramente, à margem de quaisquer hipotéticos cenários pidescos ou religiosos, usados pelo hooligan, como camuflagem, significa, repito, que os limites foram ultrapassados com manifesta ofensa da elegância que este espaço postula.

Não deixa de ser curioso que tendo sido Lee Alexander McQueem, um costureiro, “hooligan da moda”, e com relativo sucesso criativo, se tenha suicidado após o falecimento da mãe. Exposto à angústia das provocações que o seu ser de “Hooligan da moda” provocava, e sem o elemento estabilizador e integrador que a mãe desempenhava, mãe que ele confessou ser o suporte da vida que o animava, não obstante a maturidade que se esperava dos seus quarenta anos, suicidou-se.

São assim as vidas quando construídas em desequilíbrios de família, vidas de filhos que se fizeram, às vezes contando apenas com metade daquilo a que tinham direito, pai e mãe presentes para a demarcação dos parâmetros de crescimento e dos valores que as deveriam integrar.

22 fevereiro, 2010 17:26  
Blogger jorge dias said...

O Hooligan - II

Mesmo quando visitado pela vertente do sucesso, o hooligan é sempre uma vítima de uma qualquer disfunção educacional, disfunção que se torna etiologicamente responsável desse mecanismo inconsciente que faz dele um agitador, agitador que ele próprio ignora ser. Nas sua imagens disfuncionais, a imagem do herói fortalece-lhe o “Ego” e alimenta-lhe em contínuo o manancial das provocações e desenquadramentos de discurso inconscientes, quais bocejos ou vómitos de que se vai libertando catarticamente.

No futebol, este fenómeno revestiu-se de particular gravidade porque o hooliganismo individual se transformou em colectivo e agressão física! Aqui, como no futebol, a questão não é propriamente uma questão de anonimato, mas mais uma questão de atitudes, neste caso, discurso em comentário, mas discurso reiterado e sistemático de atitudes não integráveis no espaço do blog e, no futebol, na plateia do campo de jogos.

Na vida e na relação humana o excesso, a tensão, a quezília, o conflito, a aversão, a violência, a crueldade, o desespero, a dor, a destruição, nem que seja só dos sonhos de uma criança, ou da fé de um adulto ou da beatice de uma idosa, não podem ser a regra nem sequer a excepção.

Os hooligans odeiam-se a si próprios e na lógica disfuncional do seu desamor, como doentes que são,deviam tratar-se. Quando perseguem objectivos disfuncionais de ódio para todos, à sua imagem e semelhança, os sistemas de valores que fazem de nós uma civilização caminhante só podem entrar em alerta.

22 fevereiro, 2010 17:46  
Blogger jorge dias said...

MADEIRA
Terra do Meu Sangue,

Com o título da tua missiva, datada de 21 De Fevereiro, te saúdo amigo Ernesto Fernandes. Como todos nós, neste espaço, o Ernesto é também um dos envolvidos numa cultura vocacional judaico-cristã em cuja centralidade o homem é o expoente.
É sinal positivo, bom sinal a tua referência aos afectos. Neles a recuperação da Madeira, já em marcha, se erguerá paradigmaticamente como um modelo a ser seguido.
Leio-te nos desabafos poéticos sobre uns deuses preguiçosos e sem ética! Claro que os avisos foram mais que muitos. Mas agora é hora de re-construir. Não gosto de funerais com carpideiras e já vi uma mão cheia delas à busca de protagonismo que nunca souberam construir. Sempre me pareceu o soluçar mais afectuso e o arregaçar das mangas para o trabalho mais virtuoso. Numa visão de gente que em poesia se re-ergue da lama e do monturo da destruição, e que a gostosa missiva que me remetes também celebra não obstante os horrores de tanto sofrimento, permite-me a partilha.

“A colisão das águas, entre os céus e os mares, devastou a minha Ilha, feriu o meu sangue, feriu a história da Pérola do Atlântico… o caudal das águas, entre os picos das marés e os picos da chuva implacável, a Madeira… em tempestade mortal”.

“Castigo dos deuses, negligentes em sua santa preguiça de anos, quando não avisaram para respeitar os leitos das ribeiras… em sábia configuração, acolhendo os saberes das ciências e das tecnologias. De facto, os deuses, se peritos fossem em prospecção e planificação, deveriam ter sentido ético, ou seja sinalizar a sua presença criadora por pequenos e persistentes avisos e não por esta sua estrondosa ou espectacular manifestação de destruição”.

“O Funchal, meu berço de nascimento e juventude… é uma cidade triste porque magoada em suas flores: o vermelho ou o branco dos antúrios, a graciosidade tropical das estrelícias, a diversidade das orquídeas, o vermelho afável das pitangas e o sabor quente das bananas. Uma cidade que voltada ao mar, padece em tristeza por… luxúria dos deuses…”

“É-me importante registar o campo da atenção – afectos. Nestas vinte e quatro horas… aconteceram 17 amigos meus que me telefonaram. É mesmo assim que deve acontecer para que a derrota dos deuses não se reproduza em desamor dos humanos”.

“Quem não cuidou do sofrimento da minha ILHA, amigos ou conhecidos está dispensado…Fique, se houver em si uma centelha de lucidez, em sua ilha.”

22 fevereiro, 2010 18:58  
Anonymous Anónimo said...

Não há dúvida que a catástrofe da Mdeira calou bem fundo , mesmo os corações mais insensíveis.
Palavras , leva-as o vento, vamos por isso ajudar, dentro das nossas possibilidades, as famílias atingídas por aquela desgraça.
Será V. Exª. o Hoolingan? Se não é, não julgue os outros, porque é muito feio, para não dizer asqueroso!...

22 fevereiro, 2010 21:17  
Anonymous Anónimo said...

Bom dia , para quem vier por bem.
Quem vier por mal, como o outro macaco que anda de galho em galho à procura de banana, dizendo que somos todos bem aparecidos; caras , caretos, caraças, cara....etc. Agora já somos hooligans. Excelente democrata!... Não tens espelho em casa? Deves ser o chefe dos hooligans, mas eu não alinho nisso
No comentário anterior, onde se lê Mdeira, deve ler-se Madeira e onde se lê hoolingan, deve ler-se hooligan.
Podes ter a certeza que sempre que quizeres ser mais importante que os outros e menosprezar os demais, levas a resposta á altura da tua educação. Já entendi que encaixas bem as caneladas,(dente por dente , olho por olho).
Como dizem os donos dos melões " O calado é o melhor ", mas ainda não tive vontade de desistir, sem responder às provocações dos finórios que já nem me podem ver. Tenham calma eu apareço lá sempre nas almoçaradas. Bem hajam

23 fevereiro, 2010 10:07  
Anonymous Anónimo said...

Caríssimos Irmãos
O tempo é de meditação e sobretudo, cuidar dos vivos e rezar pelos defuntos que a catrástofe da Madeira levou prematuramente.
Nada de guerras e unam as mãos, para ajudar os vivos, porque quanto aos que partiram para a casa do PAI que Deus os tenha em bom lugar.
Muita gente, nossos compatriotas choram neste momento por tão grande infortunio. Nestas situações partem os bons , os maus, etc. pensamos nós. No entanto só Deus sabe quem é bom. Se fossem todos bons, nem ELE teria vindo ao mundo para salvar os pecadores. Confiemos NELE, pois certamente é a única fonte de vida para os crentes. Não nos esqueçamos de pedir nas nossas orações, para que Deus dê o eterno descando aos que partiram e rezemos também para que de força e coragem a quantos perderam tudo, para poderem recomeçar de novo uma vida, na paz do Senhor.
Assim seja.

23 fevereiro, 2010 14:16  
Anonymous Mário Neiva said...

Decorre, desde ontem, aqui em Viseu, a «semana bíblica», promovida pelo bispo Ilidio Leandro e conta com a participação do bispo auxiliar de Braga.
Esta iniciativa diocesana pretende alcançar dois objectivos, a saber, colocar uma biblia em cada casa cristã e um «grupo orante» em cada paróquia.
Dou comigo a pensar que estes senhores bispos não têm emenda. Pergunto a mim mesmo para que servirá uma biblia em cada lar e um grupo orante em cada paróquia. Criar mais um "grupo", seja de ele a Opus Dei ou os famosos «Cursos de Cristandade», é mais um acto falhado de quem desistiu de criar uma comunidade real, que seria, logicamente, a comunidade paroquial como um todo, de ricos e pobres, de cultos e incultos, de bêbados e homens regrados, de prostitutas e moças bem encaminhadas na vida. Quem tentar algo, fora desta realidade, está a cuidar ou a pensar que cuida de ovelhas que nunca se tresmalharam. Essas nem precisam, quase, de pastor.
Em nome do «aperfeiçoamento» das ovelhas fiéis, esquecem, deliberada ou incosncientemente, os que mais precisam para o espirito e para o corpo. Assim se criou um divórcio inevitável e crescente entre o pastor e o rebanho. A presença do pastor que devia ser assidua junto dos que sofrem na alma e na carne, ficou reduzida a missas, confissões e baptizados para os que, obedientemente, pela fé, pela rotina ou tradição, nunca se afastam do curral.
De vez em quando os bispos, pastores consagrados, têm um sobressalto de consciência e tentam sacudir o marasmo com estas iniciativas votadas ao fracasso, porque passam ao lado da realidade e do evangelho professado.
Talvez dê para dormir de consciência tranquila.

23 fevereiro, 2010 15:21  
Anonymous Mário Neiva said...

E deixei para um segundo comentário o outro propósito da «semana bíblica» da diocese de Viseu (de 22 a 26 Fev.), uma Biblia em cada lar.
A leitura avulsa da Biblia só dá confusão, em lugar de formação. Temos o triste exemplo de Saramago, um homem letrado a ler a Biblia como um analfabeto, que o é, em exegese. Uma Biblia em cada lar cristão, assim, sem mais, é uma Biblia nas mãos de um analfabeto. Alguém impreparado a ler a Biblia vai confundir literatura com narrativa histórica, e relato teológico da fé que se professa, com reportagem jornalistica.E depois lá vêm as doutas afirmações de cada um: o mundo criado há seis mil anos e em seis dias; plantas, animais e homens moldados do barro da terra e animados por um sopro de vida; animais a falar; vinganças e ciúmes divinos; homens a viver novecentos anos; genocidio, em jeito de tira-teimas, dos primogénitos do povo egípcio (e seus dos animais!); cegos que nascem sem olhos e coxos que nascem sem pernas, curados de repente;e até mortos que ressuscitam, saem dos sepulcros e entram pelas ruas da cidade de Jerusalem ( como refere S.Mateus, aquando do momento da morte de Cristo na cruz). Mais espantoso ainda, o anuncio para muito breve (quando se escrevia), do apocalipse, do «fim dos tempos», do «fim do mundo», que afinal nunca chegou mas se crê sempre iminente...
A Biblia é um livro extremamente dificil de ler e perceber as suas multiplas mensagens e ensinamentos. Só quem desconhece o que realmente segura nas mãos e repete mecanicamente aqueles textos, poderá pensar que sabe o que está a ler.
De facto, para além daquela mensagem simples e universalmente inteligivel, «amai-vos uns aos outros», pouco mais o cristão comum, sem a escola da exegese, poderá retirar da leitura da Biblia, que o elucide e forme.
Era tempo de os senhores bispos reflectirem no que dá a leitura repetitiva e cega da Tora judaica e do Corão islâmico.
Querem ministrar aos seus fiéis a mesma receita? Houve cristandades que já o fizeram, com os desastrosos resultados que se vêem.
Todos conhecem aquela passagem evangelica em que os discipulos pedem ao Mestre que os ensine a rezar. Está na hora, também, de os cristãos exigirem dos seus bispos que digam o que está realmente escrito na Biblia.
Talvez muitos perderão a fé da sua juventude e dos seus pais, como aconteceu comigo, mas nessa mesma Biblia, finalmente lida e entendida, vão descobrir que há um Mistério de Vida que nos diz respeito e galvanizou os nossos antepassados, a ponto de gravarem em livro, para sempre, o seu encontro com esse Mistério.
A Biblia não revela esse Mistério, porque mistério subsiste, nem sequer nos aponta o rumo certo, mas dizem os nossos pais, na Biblia e fora dela, que devemos caminhar de mãos-dadas como irmãos, porque o nosso destino é um só.

23 fevereiro, 2010 16:35  
Blogger jorge dias said...

Meus caros, enquanto o Benfica está por ali a jogar, de relance por este espaço de afirmação da nossa humanidade, dei-me conta de dois comentários do nosso caríssimo Mário sobre questões que são, na sua génese, transversais a toda a cristandade. Tal facto vem confirmar, uma vez mais, como a análise das problematicas de crescimento das comunidades cristãs, se feitas à distância e até por pessoas não envolvidas emocionalmente nas questões, são sempre mais clarividentes! Não sei mesmo se retiraria alguma palavra ao que acabas de escrever, "mutatis mutandis" e aplicado às comunidades cristãs locais, que me são próximas. Provavelmente radicalizaria um pouco mais. Tenho-me questionado seriamente sobre esta questão e relembro que foi mesmo uma destas oscilações da hierarquia católica sobre a "Humanae Vitae" que desencadeou em mim o Click definitivo no abandomo da vida de professo. Vivemos sobremaneira este problema, precisamente neste momento, numa das comunidades em que somos parte mais activa. Nela, perplexamente, fico sem perceber, afinal, o que somos... nós os leigos, eles os sacerdotes e hierarquia, nas lógicas de um mundo secular de que esta hierarquia é cada vez mais parte profissional e menos evangélica e os fieis, preferencialmente, mais perfeitos se nem aparecerem. São coisas... venha o pálio.
Voltarei às causas da inadaptação social e ao exercício disfuncional da cidadania como provocação.

23 fevereiro, 2010 18:06  
Blogger jorge dias said...

Nunca esteve nem nunca estará em causa a grandeza e bondade intrínseca de todos os humanos sejam vivos ou acabados de transitar para o regaço de Deus, como agora aconteceu com irmãos nossos da Madeira. Era o que faltava depois dos horrores de uma morte em cenário de fim do mundo, envoltos por lamas, trucidados por pedras, senão moídos, e aguados pulmonarmente, ainda nos questionarmos do seu ser "bom ou mau". Felizes no regaço de Deus para seu descanso e tranquilidade nossa.

23 fevereiro, 2010 18:26  
Blogger teresa silva said...

De facto a bíblia é um livro complicadíssimo de interpretar, se estivermos sózinhos com ela no regaço do nosso lar. Se não tivermos ajuda de alguém mais experiente nessa matéria parece, perdoem-me a expressão, um burro a olhar para um palácio.
Daí ser importante formações sobre a bíblia, como interpretá-la nas escolas bíblicas, mas sem nenhum objectivo específico. Só pelo gosto em saber mais sobre o livro em si e debater ideias conforme os casos apresentados ou passagens que sejam apresentadas.
Acho que aí sim as pessoas iriam aderir. Mas o que se vê é precisamente o contrário, as pessoas afastarem-se da igreja e porquê?
Talvez os padres não cativarem muito as pessoas com aquilo que dizem.
Não se podia fazer da missa um ritual diferente, mais participativo por parte da assembleia?
Fazer alguma coisa nova.

24 fevereiro, 2010 00:02  
Anonymous Mário Neiva said...

Podia sim, Teresa. Quando o Jorge e eu eramos confrades, em Lisboa, não havia hóstias para a missa nem vinho especial. Eram fatias de pão e vinho do garrafão. Fomos denunciados ao cardeal e obrigados a seguir a tradição e as normas do concilio de Trento, realizado no sec. XVII. O superior da comunidade carmelita onde me integrava, por essa altura,era o próprio Pe Comissário Provincial, Pe Serapião. No fim desse ano lectivo abandonamos praticamente todos a Ordem do Carmo. A Ordem em Portugal ficou sem estudantes professos de filosofia e teologia. Rectifico: sobrou o que veio a ser o Pe Chico.
Quanto à leitura da Biblia, quando estudada em profundidade até se perceber como foi criada e o que lá é verdadeiramente teologia, literatura e história, o mais provável é acontecer o que me aconteceu a mim: encontrar-me, finalmente, completamente nu, perante o Mistério Insondável da Vida. Mistério esse que ainda perdura e por isso mesmo lhe chamamos Mistério. Como tens ouvido desde a catequese em criança, os padres invocam constantemente o «mistério da fé», quando não sabem responder às dificeis perguntas que honestamente tu e toda a gente coloca. Mas depois parece que toda a gente, a começar pelos proprios sacerdotes, esquece a existência do Mistério, a desatam a pregar que tudo está perfeitamente revelado desde há dois mil anos, acerca do nosso destino.
Por tudo isto, as hierarquias cristãs preferem não dizer o significado preciso das palavras da Biblia.
Verdade se diga que a grande maioria também pouco mais sabe que o simples cristão. Mas é de louvar a liberdade de investigação que reina na Igreja Católica, actualmente. Quem lê o Pe Carreira das Neves, frade franciscano e considerado um dos maiores biblistas portugueses, fica a perceber quais serão os caminhos a percorrer pelos pensadores cristãos.
De tantos cuidados que há por parte da pastoral da Igreja em não "chocar" a fé simples e hábitos religiosos do povo cristão, vai-se perdendo uma juventude sedenta de conhecer o Mistério da Vida e que já intuiu que lhe estão a contar histórias lindas de embalar meninos.
Esta juventude, e não só a juventude, sente-se cada vez mais atraída por movimentos espiritualistas que lhe falam de mistérios que não foram nunca revelados e é isso que os fascina, porque daquilo que já temos certeza, nada mais há a esperar. E o cristianismo, como aliás o judaismo e islamismo, são ensinados como realidades definitivas. A conclusão, na mente dos nossos jovens é simples: se está tudo revelado e, apesar disso, continuamos cheios de mistérios, alguém nos está a querer enganar.
E depois acontece, com naturalidade,a falta de vocações e de cristãos praticantes.
Insisto no que disse mais atrás: estamos num momento de viragem. As pessoas querem mais e ainda nem sabem bem o que querem. Uma coisa, porém, nós sabemos que não querem: "mais do mesmo".

24 fevereiro, 2010 01:05  
Blogger teresa silva said...

Rumo Incerto...

Nada na vida pode ser dado como certo, apenas duas coisas nasce-se e morre-se.
O resto da nossa vida é um rumo incerto.
Não há certezas de nada, nem o dia em que morremos.
Perante tamanha incerteza porque nos agarramos a bens materiais, às pessoas que amamos, ao trabalho, ao dinheiro e não nos agarramos ao que é mais óbvio? A Deus.
Vão me dizer porque somos deste mundo.Porque dá mais jeito. Porque vemos alguma coisa.
Não vemos Deus, mas sabemos que está sempre presente.Pode ser uma certeza ou uma incerteza conforme o nosso modo de pensar e de acreditar.
A fé é tão simples e ao mesmo tempo tão complexa.
Como podemos acreditar em algo que não vemos?
Resposta: FÉ.
Pode ser incerto para uns e certo para outros.
Tão simples como 2+2 serem 4.
Então temos medo de quê? Se não temos certezas na vida, o medo entra onde? Das nossas vivências, que podem ser ultrapassadas a cada dia que passa.
Há um dia que tem 24h que se chama presente, hoje, dádiva.
Amar e perdoar. As relações resumem-se a isso. A vida resume-se a isso. Não vivemos sozinhos. Somos únicos, mas vivemos em comunidade que exige responsabilidade de todos.
Dar a vida por um amigo. Seremos capazes? Ou a nossa vida é mais importante?
Estamos preparados para dar este passo?

24 fevereiro, 2010 01:32  
Anonymous Anónimo said...

Ai, ai, ai.... então onde é que Deus é? E O bombeiro na Madeira não deu a vida? Claro que estamos preparados! Só não sabemos do enquadramento! O que não podemos é estar sempre a fazer de conta que vamos começar ou que ainda não começamos a caminhada fraterna! Estamos em caminho...

24 fevereiro, 2010 01:44  
Blogger teresa silva said...

Obrigada Mário pelo teu esclarecimento.
Ás vezes o que sinto é que falta uma lufada de ar fresco em toda a sociedade e em tudo o que gira à nossa volta e nos grupos onde estamos inseridos. Parece estarem todos numa rotina difícil de desinstalar, difícil de mudar. Viva a mudança. Leva a questões, leva a divergências, a opiniões contra e a favor.
Como disse acima nada é certo na vida, então porque nos instalamos?
O que pretendemos com essa instalação? Poder? Ser mais do que os outros? Interesses? Ganhar mais dinheiro?
E isso traz-nos felicidade?
Somos mais felizes por sermos mais importantes?
Acabo por perceber que fica um vazio enorme no nosso coração.
Falta algo...
O silêncio é bom em determinadas situações. Em outras estamos a dar um sinal de conivência, de concordância, de passo a expressão não nos querermos chatear com determinadas situações. Mas não há que pôr em causa, há que perguntar,há que dialogar. No fundo há que sair da rotina.

24 fevereiro, 2010 01:58  
Blogger teresa silva said...

Olá anónimo...
Então vou te dar um exemplo que gostaria que me respondesses:
Estava a igreja cheia de pessoas numa missa, entra um grupo de militares armados de metrelhadoras em punho, o padre interrompe a missa perante aquele cenário. Um dos militares armados diz: Quem é por Deus vai morrer hoje aqui e agora e quem não é pode abandonar agora mesmo a igreja.
Sabes quem ficou na igreja?
Apenas o padre(se calhar com mais vergonha que vontade), alguns idosos que se calhar tinham problemas de audição e não perceberam a gravidade da situação e algumas crianças. O resto foi embora. A igreja ficou vazia. Preferiram a sua vida do que dar a sua vida por Jesus.
É disto que estou a falar.
Por isso volto a perguntar estamos preparados para esta situação?

24 fevereiro, 2010 02:14  
Anonymous Anónimo said...

Bom Dia
Já diziam os nosso antepassados que era tudo muito bonito, mas quando toca a feios, oh pernas para que te quero, porque na verdade quem tem rabo tem medo. Vale mais um cobarde vivo do que um hirói morto, ou não será?
Como Cristo, só ELE mesmo e o resto são cantigas.

24 fevereiro, 2010 09:39  
Anonymous Mário Neiva said...

«Acabo por perceber que fica um vazio enorme no coração. Falta algo». Confessava a Teresa Silva, no seu comentário anterior.

Parecia-me estar a ler outras Teresas, a carmelita Santa Teresa de Ávila ou Teresinha de Lisieux, outra santa carmelita. Ou Teresa de Calcutá, nossa contemporânea. Ainda há bem pouco tempo acabei de ler uma biografia comentada de Santa Teresa de Ávila. Fico sempre impressionado quando leio aquela mulher ou sobre o que dela se escreve.
Também estas Teresas sentiram um grande vazio no coração. Atravessaram um longo e árido deserto espiritual, sentindo um profundo desamparo. E sabes como venceram na caminhada? Foi descendo à Terra e pousando os olhos naqueles que podiam receber o seu amor, reconhecê-lo e retribui-lo. E se, muitas vezes, não vinha o reconhecimento e a retribuição, Teresa de Ávila tinha a compensação mais perfeita nos braços do seu Divino Esposo.
Claramente, a fé destas Teresas foi o amor substituto, o amor que os seus irmãos não lhe retribuíram ou só na pequena medida humana lhes chegava ao coração. E elas queriam mais e mais. Como cada um de nós, Teresa Silva. Queremos ser reconhecidos e amados e é cheios deste reconhecimento e amor que estamos preparados para ir ao encontro dos outros. Eu quase diria, que se nunca me tivesse sentido amado, dificilmente descobriria em mim o tesouro do amor.
Por isso não fico nada admirado que aquelas santas Teresas, depois de se convenceram do amor sem limites do seu Divino Esposo, amaram sem limites as freiras com que viviam e todas as pessoas com que se foram cruzando na vida. Não é à toa que Teresinha de Lisieux, sem nunca ter saído do convento, nos breves anos da sua vida, foi proclamada uma grande missionária. Mas nunca o teria sido, Teresa Silva, se não tivesse amado aquelas freiras de carne e osso que lhe fizeram a vida num inferno, pela mais mesquinha das razões: a inveja.
A sua fé lhe dava o amor do Esposo Divino, compensando-a do amor que as freiras lhe negavam. Assim se compreende que ela suspirasse por ver-se livre desta vida onde parecia que ninguém a amava, para cair nos braços do infalível Amor Divino.
De facto, estas Teresas suspiravam pela morte, onde esperavam encontrar quem lhe retribuísse o amor que as consumia e que era experimentado como doloroso vazio.
As dúvidas terríveis que as assaltavam tinham a sua origem na própria fé que professavam, segundo a qual Deus, aquele mesmo Divino Esposo, estava em cada uma das pessoas que elas amavam e no entanto, dessas mesmas pessoas, em vez de amor emanava um cortejo infindável de misérias humanas.
Viveram como puderam e souberam dentro da sua fé e sofrendo com o drama do "desamor" entre as pessoas.
Eu descobri que, com fé ou sem fé, o vazio que assalta o coração das pessoas é preenchido pelo amor que se recebe e que se retribui. É como se existisse um espaço aberto na nossa vida que só começa a ser ocupado quando despertamos para o amor. É como se, a partir desse momento, a nossa identidade ganhasse consistência. Como se nos sentissemos gerados pelo amor...E a ouvir o eco, já longínquo, das "loucuras" de quando estávamos super-apaixonados: «Amor, tu és a minha vida».
É só não deixar apagar a chama, ateando fogueiras à nossa volta. Começando sempre em casa, para termos a certeza de que não caímos no engano dos fogos fátuos.

24 fevereiro, 2010 10:09  
Blogger teresa silva said...

Olá Mário.
Para ser sincera, saltou uma lágrimazinha do canto do olho perante este teu comentário.
Muito bonito mesmo.
Estas perguntas também as faço a mim mesma e aqui. Dúvidas, incertezas, mas que lá no fundo achamos sempre a solução.
Sabemos que temos um longo caminho a percorrer.
Solução: O amor e a fé

24 fevereiro, 2010 11:40  
Anonymous Mário Neiva said...

II Parte

Este meu comentário tinha uma segunda parte. Não são bem comentários. São mais testemunhos do meu percurso espiritual. E foi a Teresa, com aquele seu desabafo sobre o vazio que sentia, às vezes, que me soltou a palavra.

Desenganem-se aqueles que pensam que o «amor a Deus» preenche o vazio dos seus corações. A fé naquele “amor de Deus” pode valer como inspiração e sinal do caminho, mas será insuficiente para preencher o espaço vazio na alma humana, que só um amor «à nossa medida» pode conseguir. Se persistirmos na busca do amor divino, impelidos pela fé, comos as santas Teresas de que falei, o máximo que conseguiremos é suspirar ardentemente pela morte, face a um mundo que não nos ama nem nos compreende. Encetávamos a caminho da fuga da realidade presente, na miragem de uma terra prometida e que a esta, só por engano, viemos parar. Porém, se o fizermos, como fizeram aquelas Teresas, sem darmos conta, estamos a alienar o maior dom que nos foi oferecido: a Vida Humana.
Se atentarem bem, a atitude das Santas Teresas é caminhada subtil para o auto aniquilamento levado quase aos limites, considerando a morte como uma libertação e realização. Nada mais contrário à Vida, que é um processo de afirmação crescente. Mesmo em face da fé na ressurreição cristã, o propósito não é o aniquilamento da vida presente, mas a sua transformação integral. Esta ideia, implícita na ressurreição cristã, da transformação tanto da materialidade como da espiritualidade do homem, poderia ter feito ver àquelas Santas Teresas que alguém as tinha desviado não só da realidade, como também da fé que professavam no credo que todos os dias repetiam. Sem saber o que realmente as palavras significavam! O cristianismo professa a ressurreição não das almas, mas «dos mortos». Até porque as «almas de Platão» são imortais e pré-existentes ao homem e, como tal, não morrem. Parece que também não nascem.
A atitude consequente e cristã, para evitar o sofrimento daquelas tão generosas santas, seria elas terem amado esta vida até aos limites do amor, amando tanto a espiritualidade como a materialidade do ser humano. Mas enveredaram pelo caminho oposto e a assim vemos Teresa de Ávila, extremamente sensível e amorosa, ficar confundida quando sentia na boca o “corpo” do seu Divino Esposo, no pão da eucaristia. Chegou mesmo a deixar de “comungar”, desconfiando de tanta emoção, sentida naquele acto de intimidade eucarística..
Ela vivia num tempo e dentro de uma cultura em que se considerava a materialidade humana como a fonte do pecado e, portanto, a emoção que sentia, ao contacto com a materialidade do pão, corpo do seu Amor, deixava-a baralhada.
Hoje, já sabemos que a nossa materialidade, ao fim de milhões de anos de evolução, se tornou fonte de vida espiritual. Muito difícil de entender, mas cada vez mais fácil de constatar.
Mas Teresa de Ávila não poderia saber tal.
Compreendendo esta notável mulher no seu tempo, na sua cultura e na sua sensibilidade, estaremos preparados para entender como noutros tempos, noutros
lugares e noutras culturas, se produziu o livro mais editado da história da humanidade: a Bíblia.
No fim da leitura fica uma certeza: os homens que escreveram a Bíblia, tal como Santa Teresa de Ávila ou Teresinha de Lisieux ou a nossa Teresa de Calcutá, fizeram encontro com o Mistério da Vida. Cada qual à sua maneira. Só isso e não foi pouco.
E nós, como está a ser esse encontro? Eu diria que somos uns privilegiados em relação a santa Teresa de Ávila porque neste nosso tempo ensinam-nos a amar o nosso “corpo” e a nossa vida e não a fugir dela como o diabo da cruz. Convenhamos que este ensinamento é meio caminho andado, para preencher aquele vazio com que nascemos e acabou por nos fazer cavaleiros em busca do Santo Graal: o amor desta vida que nos foi oferecida e nos vai abrindo horizontes fascinantes e sempre misteriosos.

24 fevereiro, 2010 12:30  
Blogger teresa silva said...

Por isso é que se diz que é o mistério da Vida. Nada nos é revelado. Vamos descobrindo ao longo de cada dia que passa.
Só Deus sabe o nosso percurso de vida. A nós cabe ir descobrindo este mistério.
Pegando nas palavras do Mário a Vida é um pocesso de afirmação crescente. Significa que se vais crescendo ao longo da vida, vamo-nos formando desde crianças até à idade adulta, com todos os valores e ensinamentos que nos são transmitidos e a partir daí formando a nossa personalidade.
Cabe a cada um fazer a sua busca espiritual e descobrir-se a si mesmo, depois a partir dessa busca melhorar alguma coisa à sua volta.
Mistério da Vida, Mistério da Fé e Mistério do Amor.
Todos eles estão relacionados. Todos eles são mistérios para nós, porque não são revelados, são descobertos, mas nunca totalmente. Há sempre revelações, há sempre incertezas perante eles.
Mas cada um que descubra porque fazem parte de nós(homem material e homem espiritual).
Temos que nos amar como somos, nestas duas vertentes. Elas são separáveis?
Não são.Fazem parte de uma só pessoa. De cada pessoa. Limitados materialmente, mas ilimitados em espírito, em pensamento.
Não são os mortos que ressuscitam, mas a sua alma, o seu espírito. Este é que é preservado para todo o sempre.

24 fevereiro, 2010 13:48  
Anonymous Mário Neiva said...

Então a Teresa está a contradizer a fé na «ressurreição cristã», tal como S.Paulo a anunciou e tal como é professada no credo católico, ao dizer que «não são os mortos que ressuscitam, mas a sua alma, o seu espirito». Em que ficamos, Teresa, com S.Paulo ou com Platão? Eu ficom com ambos, porque sei tanto como qualquer deles, ou seja, estou bem tramado perante este mistério da vida que a gente bem deseja que continue para lá da morte de cada um, mas não temos quem nos envie uma carta ou um simples sms, mais moderno e mais rápido, a informar como é que vai o tempo do "lado de lá".

24 fevereiro, 2010 14:09  
Anonymous Miki (1947) said...

Por uma catequese libertadora

Quando observamos por aí certas anomalias que dificultam o verdadeiro ser-cristão, bem como bloqueiam uma efectiva inserção na Igreja, a gente fica a perguntar as causas dessas distorções. O que se vê é um pluralismo, do tipo “todas as religiões são boas”, ou “para quê ir à igreja se Deus está em todo o lugar?”, “o que acontece depois da morte?” ou ainda “sou católico, mas acredito na reencarnação”, etc.

Esse tipo de pensamento revela um desconhecimento da doutrina cristã, deixando clara a ocorrência de uma catequese nula ou extremamente deficiente, onde um currículo burocrático se sobrepõe aos aspectos doutrinais, afectivos e consequentemente evangelizadores. As catequeses, em geral, como alguns cursos de teologia, incutem conhecimento, mas não evangelizam; dão formação intelectual, mas não são libertadoras.

Desde os primórdios, a catequese tem sido a verdadeira práxis da Igreja que está a serviço do Reino. Como “o anúncio de Jesus” ela é (ou deveria ser) um instrumento da evangelização, e como tal deveria estar ao serviço de todos, especialmente dos pobres, dos que tem fome de justiça e sede de Deus. Catequese libertadora é aquela que mostra o caminho do Reino, conduz ao seguimento de Jesus que é a causa do Reino. Para tanto, ela deve ser esclarecedora, provocadora e questionadora. Sendo assim, ela será libertadora e evangelizadora. Precisa estar centralizada na pessoa de Jesus Cristo.

Hoje existe uma direcção nacional de catequese, como referencia para essa actividade em Portugal, que não passa de um “prato feito”, uma “receita de bolo”, que parece querer impor limites à ação do Espírito Santo.

Catequese libertadora é aquela que leva em conta o contexto das realidades básicas da vida humana. De que vale ensinar a rezar, falar em céu e explicitar os sete sacramentos se não despertarmos na criança a solidariedade para com os que têm fome, ou não levarmos a descobrir o pecado na origem da pobreza? É preciso compreender o engajamento na Igreja através das lutas do povo. Sobrevivência, cidadania e crescimento actual na base do ser-cristão.

Enquanto alguns usam a Igreja de forma pragmática e interesseira, buscando tirar as mais diversas vantagens, outros buscam na participação alavancada na fé, a vivência de uma espiritualidade discernida, constructiva e comunicante. Essa atitude leva o cristão a saber enfrentar a falta de estabilidade e consistência moral que assalta a pessoa, a família e a sociedade.

Catequese libertadora é um processo dinamico, abrangente, procurando reintegrar muitos que vivem como pagãos. É preciso organizar, voltar a proclamar verdades que estão esquecidas, resgatando a consciência da presença de Deus no coração do ser humano, retirando-o de um contexto de individualismo e indiferença.

Miki (1947)

24 fevereiro, 2010 22:48  
Anonymous Mário Neiva said...

Aqui temos um católico que parece conhecer bem a sua fé! Realmente a mensagem central do Evangelho de Paulo de Tarso é acerca de Jesus Cristo ressuscitado e não reencarnado!E «ressurreição» é, antes de tudo, transformação de uma realidade actual precária e penosa em futura realidade "glorificada" e "espiritual".
Por isso somos convidados a agir para continuar a Criação...
Será algo parecido o que propões para «uma catequese renovada»?
Quanto à questão da ressurreição de Cristo resta o problema bicudo de «enquanto Deus» ter existido sempre. Nesse sentido já seria «um reencarnado».
Explica, se souberes e puderes, Miki. Não vale repetir o habitual «mistério da fé!». Mas se disseres que é o Mistério da Vida, já vou contigo, porque nesse caso já me diz respeito também. Não sei é se vais aceitar irmanar os homens com o «Filho Único de Deus», fazendo de nós deuses ou de Deus, homem.

25 fevereiro, 2010 09:50  
Anonymous Miki (1947) said...

Caríssimo

Os termos “ressurreição” e reencarnação são sinónimos?

Se for tomado por base de sinónimo para os dois termos a palavra “retorno”,
São sinónimos.
Há porém, um pequeno detalhe que diferencia os dois termos:

Na ressurreição, a vida espírito retorna ao mesmo corpo (é o caso de JESUS CRISTO e de LAZARO para os católicos, que, conforme a Bíblia, já havia sido dado como morto pelos parentes mas que, por interferência de CRISTO, retornou à vida)

Na reencarnação (para os adeptos do Espiritismo), a vida/Espírito retorna mas já num outro corpo.

Eu Creio na Ressurreição dos Mortos.

Miki (1947)

25 fevereiro, 2010 17:36  
Blogger teresa silva said...

Por isso é que considero este blog importante para esclarecer assuntos relacionados com religião e ficarmos a perceber mais um pouco sobre aspectos fundamentais do cristianismo.
Nunca gostei muito da catequese, quando era criança não estava muita para aí virada. Achava aquilo entediante. Não achava muita piada.
E nestas semanas que tenho estado aqui, tenho a sensação que aprendi mais um bocadinho, a descodificar assuntos que para mim eram tipo mistério.
Também já participei em algumas sessões de Escola Bíblica, mas também não foi muito do meu agrado, porque tinhamos que interpretar passagens da Bíblia, dar a nossa opinião e depois discuti-las em grupo. Claro que isto com a supervisão do padre e ela depois dá a sua interpretação.
Não me convenceu muito.
Aqui é diferente. Aprende-se mais e também podemos dar a nossa opinião.

26 fevereiro, 2010 00:39  
Blogger teresa silva said...

A arte de Cuidar...

Cuidar significa uma atenção especial que se vai dar a uma pessoa que vive numa situação particular, com vista a contribuir para o seu bem estar, a promover a sua saúde.
Então o cuidado deve ser único, merece uma atenção particular perante aquela pessoa que está à frente do prestador de cuidados.
São as mais pequenas coisas que por vezes fazem a diferença. Pequenos gestos, pequenas atitudes, que podemos considerar banais, mas que no fundo para a pessoa em causa fazem toda a diferença. Proporciona bem-estar às pessoas que recorrem ao sistema de cuidados.
Daí os cuidados de enfermagem serem tão simples e ao mesmo tempo tão complexos. Na sua realidade mais profunda os cuidados de enfermagem são assim, muito mais marcados pela subtileza, pela espontaneidade, pela criatividade e intuição do que pela técnica e pela ciência.
A pessoas doente espera de nós conforto, disponibilidade, um sorriso, se tiver sede um copo de água, ou mesmo o humedecer dos lábios, um toque. São estes pequenos gestos de que falo.

(Continua)

26 fevereiro, 2010 01:43  
Anonymous Mário Neiva said...

A explicação que prometi ao Miki...

Desculpe, Teresa, estar a intrometer-me nos seus pensamentos. Continue, que vou lê-la com muito gosto. Por agora, deixe-me falar de mistérios...

Aqui estou, Miki, porque o prometido é devido.
Vou tentar contar-te como transitei dos «Mistérios da Fé» para o «Mistério da Vida».
Já deu para tu perceberes que não nego os Mistérios da Fé», antes os «encaixo» no mais abrangente dos mistérios, o Mistério da Vida. A fé dos homens é uma manifestação eminentemente humana. Os animais não têm fé, como não fazem filosofia nem arte, apesar da sua imensa habilidade em fazer ninhos ou colmeias. Apesar da sua inteligência, memória, emoções e até alguma capacidade de raciocínio. Falta-lhe o «clic» da auto consciência, que nos permite a nós, humanos, fazer perguntas e descobrir a nossa identidade.
Não sei quem és, Miki, mas pelo que escreves dá para ver que estudaste filosofia e teologia. Talvez tenhas sido confrade meu, além de condiscípulo na Falperra.
Permite-me que traga ao blog (prometo que não vou chatear muito quem não estudou filosofia) o grande Descartes, dono daquela famosa sentença que toda a gente que sabe ler e escrever já alguma vez ouviu: «Cogito, ergo sum». Penso, logo existo. Como sabes, o nosso amigo filósofo cedo percebeu, como qualquer mortal, que nos enganamos a torto e a direito. E não são só os sentidos que nos levam ao engano, como ver ao longe um minúsculo castelo e depois vai-se a ver tem o tamanho de uma cidade! Também a nossa razão faz raciocínios disparatados e até a fazer contas nos enganamos .E Descartes era um grande matemático. E à matemática foi buscar o rigor que punha no seu pensamento. Perante esta queda do homem para a burrice, quero dizer, para o engano, achou por bem duvidar sistematicamente de tudo – recordo a sua também famosa "dúvida metódica"- até descobrir algo de que não pudesse duvidar. E pensa que chegou lá: posso duvidar de tudo menos do meu próprio pensamento, porque o acto de pensar e duvidar prova que existo.
Mas não ficou satisfeito, e com razão. Quem me diz a mim, pensou ele, que o meu pensamento e, portanto, eu próprio não sou também uma ilusão, um engano? E nós sabemos, por experiência, terá ele pensado, como nos enganamos e tentamos enganar os outros.
Sendo assim, concluiu Descartes, terá de existir algo absoluto que garante que eu não me engano pensando que existo. Esse algo terá de ser, como se diz em filosofia, absolutamente "necessário", isto é, sem precisar, digamos, de ser confirmado por "terceiros". Esse "algo" é Deus, que Aristóteles tinha designada por «causa primeira» ou «primeiro motor» etc.
Resumindo: a filosofia de Descartes postula Deus e a teologia, tal como em Aristóteles e Platão.

26 fevereiro, 2010 09:23  
Anonymous Mário Neiva said...

(continuação)

Convém dizer que, no meio cultural em que nasceram e viveram estes grandes homens, era absolutamente impensável deixar de lado o pensamento de «Deus». O que faziam na sua filosofia era atacar os múltiplos pequenos ou grandes deuses da crença simples ou simplória e nunca combater ateus. Simplesmente porque não havia a ideia do ateismo! E se os filósofos partiam do princípio da inevitabilidade de Deus, procuravam forma de «encaixar» Deus no seu sistema filosófico.
Se Descartes tivesse nascido um século depois iria certamente ser confrontado com aquela ideia. Mas não vou falar agora de como o ateismo fez caminho na história do homem.
Vou continuar com Descartes, para lhe dizer que ele não precisava de sair deste mundo para saber que não estava enganado acerca da sua absoluta existência. E não vai ser preciso dar-lhe uma valente estocada (era um exímio espadachim). Basta lembra-lhe que repare na pessoa com quem está a esgrimir.
É isso, Miki, o homem, senhor da sua razão e também da sua auto consciência, pode realmente enganara-se. Mas alguém o faz "cair na real", como dizem os brasileiros. E esse alguém és tu, ou eu, ou ele, ou nós.
Dá para entender que um ser humano, isoladamente, não terá quem o tire do engano e até da ilusão de ser. Como que nunca despertará do sono, quedando-se no limiar da consciência. E nós sabemos, pela experiência de cada um, como fomos «acordando», desde a nossa meninice. Como eu disse no Almoço Muito Especial deste blog, aquele despertar pode ser traumático, como um murro no peito, quando descobrimos e chegamos a pensar ou sentir que estamos sozinhos no mundo. Até que alguém, que pode ser o pai, a mãe, o amigo, ou, o mais lindo de todos, o «seu amor», lhe diga: não és uma ilusão, vales cada cabelo da tua cabeça, és único para mim...e todas aquelas "tolices" dos enamorados. Ouvindo estas mágicas palavras, que já antes podiam ter sido ditas pelo pai, pela mãe ou pelo amigo, ele acorda de vez e “reconhece” quem lhe está a confirmar a existência.
De uma forma muito mais romântica eu diria: Amo, logo existo.
E é de entrar no paraíso, quando percebemos que recebemos a vida e a podemos dar.
Quem não gosta de criar algo de novo?

26 fevereiro, 2010 09:24  
Anonymous Mário Neiva said...

Conclusão

Nunca mais esqueci uma aula do Frei Bento Domingues, meu professor de teologia dogmática, em que ele falou sobre o «sentido da vida». Nessa aula fez uma afirmação que ficou para sempre gravada na minha memória. Não recordo as palavras textuais, mas o significado era este: as coisas têm sentido por si próprias, logo não têm necessidade de um significado que lhe seja imposto «de fora».
Falando como se fosse para o sacristão de Balugães, eu traduzo o que o Pe Bento estava a ensinar-nos: as coisas já são sagradas em si mesmas, não precisam que se lhes atire água benta para cima.
A lógica do Pe Bento era esta: se Deus criou o mundo, criou-o perfeito à nascença, de forma a não precisar de lhe colocar remendos mais tarde, através de constantes “intervenções cirúrgicas” na História, acabando por deixar os seus créditos (de Perfeição Absoluta) por mãos alheias.
Eu entendi que o ensino do Pe Bento ia no sentido de que com fé ou sem fé o homem transporta em si, intrinsecamente, todas as capacidades para a sua realização e felicidade. E também entendi que se assim não fosse, era tremendamente injusto para quem nunca ouviu falar de fé alguma e por esse motivo não encontraria o caminho da sua realização, ou salvação, como se diz na linguagem do catecismo. Esta tese, que está implícita no ensino do Pe Bento, contraria abertamente o ensino de Santo Agostinho na sua «Cidade de Deus», segundo o qual «fora da Igreja (a dele) não há salvação».(Apesar de Santo e Doutor, Agostinho, bispo de Hipona, parece mais próximo de Maniqueu que de S.Paulo…)
Nessa mesma aula alguém o questionou nestes termos: «e então a «esperança cristã», nascida da fé? Quem não tem fé desespera…».
Eu e outros alunos rimo-nos com a resposta que o Pe Bento deu: os crentes hão-de desesperar à espera que os não crentes desesperem!

E eu que o diga, Miki. Avancei, tranquilamente, daquelas crenças lindas que me acompanharam na infância e na juventude, para mergulhar no Mistério da Vida, mais abrangente, e me acabou por ligar, sem «farda» e sem «fardo», a todos os homens do mundo. Sinto como se fosse apenas continuar a caminhada e por isso olha para trás com uma certa nostalgia, que se acentuou com o convívio que a AAAcarmelitas me proporcionou. É um querido encontro com o passado, sem me desviar do rumo que vou seguindo.
Sei que falei apenas um pouco do meu percurso espiritual (não tenho medo da palavra), mas o principal ficou dito: esta vida tem sentido em si mesma e aparece-nos como uma obra a realizar. E essa obra começa por «reconhecer-nos» uns aos outros.
E como não existe um exercito de diabos invisíveis, dispensamos a pia de água benta na porta da casa.

26 fevereiro, 2010 10:19  
Anonymous Miki (1947) said...

ÚNICA ESPERANÇA QUE NÃO MORRE


A gente ouve cada coisa! Somos acometidos por situações adversas, e fazemos declarações precipitadas. Muitas vezes até amarguradas. Não é verdade? Uma delas merece a nossa reflexão, inclusive tornou-se num dito popular: “a esperança é a última que morre”. Passei a considerar a questão: De que me vale uma esperança que, apesar de ser a última a morrer, também morre?

Nos anos que já vivi, conheci uma porção de pessoas que já partiram e que viviam tão somente na dependência de certas esperanças... Esperanças estas que acabaram por falecer antes ou no exacto dia da sua morte.

Algumas depositaram as suas esperanças no dinheiro, nos bancos ( BPP, BPN) – e hoje contemplam a ruína das suas esperanças. Outras depositaram as suas esperanças no relacionamento com certas pessoas que não eram certas e colheram a decepção traiçoeira das suas esperanças. Há aqueles que depositaram as suas esperanças na prática religiosa, na ideologia, na filosofia, e foram frustrados ao verem ruir as muralhas das suas esperanças. Por fim, outros apostaram tudo na esperança dos últimos avanços da ciência e da medicina... Viveram mais alguns anos, meses ou dias... E depois, foram sepultados juntamente com as suas esperanças.

De que me vale uma esperança que, apesar de ser a última a morrer, também morre?
Onde encontraremos uma esperança que não morra?

A única esperança que não morre tem que ser garantida por um ser eterno, que não morra, imutável, único e soberano. Onde o encontrar? ...
Procurei na Bíblia Sagrada e encontrei-o... “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente – Hb 13.8”. O novo e vivo caminho da “esperança que não morre” está garantido pelo poder da ressurreição do Senhor Jesus Cristo – I Pe 1.3-5.

Em que garantias estão fiadas as suas esperanças?
A sua esperança, ainda que seja a última, também morre?
O Senhor Jesus Cristo, é a única esperança que não morre nem com a morte, pelo contrário, na morte deixa de ser esperança. Concretizando-se na realidade bendita e eterna com Ele nos céus.
Nele deve estar depositada a nossa esperança.

Miki (1947)

26 fevereiro, 2010 15:22  
Blogger teresa silva said...

A Arte de Cuidar II

Quando alguém me pede para definir o que são cuidados de enfermagem digo: são a atenção particular prestada a uma pessoa ou grupo de pessoas(família/comunidade)por um enfermeiro/enfermeira com vista a ajudá-los na sua situação específica. Para isso utiliza-se todas as competências que nos fazem profissionais de enfermagem.
Envolve muita coisa por isso podem ser vistos como simples e complexos simultaneamente. Vejamos como: Procedemos a uma perfusão, como prestamos cuidados de higiene, explicamos a orgânica do serviço como reconfortamos os familiares, fazemos um penso como ajudamos alguém a ir à casa de banho, avaliamos sinais vitais como acompanhamos um jogo de futebol.
Tudo isto resume-se a uma acção interpessoal entre enfermeiro prestador de cuidados e indivíduo/família/comunidade, a fim de proporcionar bem-estar.
É também uma arte porque implica as mais pequenas coisas tais como: conforto, doçura, calor.
O profissionalismo resume-se a esta subtileza entre pequenas coisas e os conhecimentos necessários a fim de promover o bem-estar do indivíduo/família. Fazendo sempre o caminho com ele nas diversas etapas da vida.

26 fevereiro, 2010 22:42  
Anonymous Mário Neiva said...

Há cerca de cinco biliões de pessoas para as quais as suas últimas frases não têm qualquer significado. Temos que reflectir a partir de tal evidência. Mesmo neste Portugal cristão, quantos não ficarão a perguntar-se o que tais palavras querem significar. Por exemplo, o que quer dizer «realidade bendita e eterna»? O que quer dizer «com Ele nos céus»?
Penso que era esta «catequese» que causava o tédio de que falava a Teresa no seu comentário.
Já viu alguém com uma vontade enorme de «ir para o céu» para se encontrar «com Ele»? Já viu alguém desejar transpor os portões da «eternidade»?
Com certeza que não.E, no entando, era de esperar que assim fosse, face às delicias sugeridas na «catequese» ministrada.
Porque vamos persistir na ideia de que as pessoas não devem apaixonar-se por esta vida presente? Porque não aceitamos que aquilo que as pessoas mais desejam é a felicidade de amar e ser amadas, desenvolver a sua criatividade, ter uma vida longa, com saúde? Porque não aceitar a paixão das pessoas pela beleza, pelo conhecimento, pela música, pelos desportos, pelo amor a esta nossa Terra, o nosso sol, os espaços infinitos e as profundezas dos oceanos?
Todos querem estas realidades e permanecer junto delas por muito tempo e com toda a qualidade de vida possivel, para si e para todos.
Nunca como agora se pensou tanto em construir o «céu» aqui na terra. Haverá outros céus? Quem sabe! O mistério da vida é insondável. Mas o povo sempre vai dizendo que mais vale um pássaro na mão que um bando deles nos céus.
Se vamos continuar a catequizar as pessoas dizendo-lhes que estamos cá «de passagem» e que este não é o nosso mundo, estaremos cada vez mais a remar contra a maré da verdadeira esperança numa humanidade que desejamos mais humanidade.
Somos semente lançada à terra, literalmente, para germinar, crescer e dar frutos perfeitos e em abundancia.
Que à morte de cada um de nós fique como herança, para os nossos filhos, um futuro melhor, porque os que nos precederam também semearam quase tudo aquilo que em vida fomos colhendo.
Esta é a minha fé e a minha esperança, aqui e agora. Se mais vida houver, que eu não saiba, recebê-la-ei de braços abertos. Mas o que compreendo é que esta vida presente, para mim, faz todo o sentido. Ou deveria pensar que toda esta imensidão de universo é um simples capricho de Alguém?

26 fevereiro, 2010 23:02  
Anonymous Mário Neiva said...

Teresa, eu estava a comentar o Miki. Estou a dirigir-me a ele, não a si.
Mas já agora devo dizer que aquilo de que fala é o modo como vamos semeando a nova humanidade.

26 fevereiro, 2010 23:20  
Blogger teresa silva said...

A felicidade, a alegria, o amor devem ser construídos aqui nesta terra que nos foi dada para habitar.
A catequese deveria também ensinar coisas deste mundo, tal como o amor ao próximo, a solidariedade para com os mais desprotegidos. A partilha com os irmãos.
A vida deve ser vivida com o máximo de intensidade, com o máximo de amor, com grande capacidade de entrega, de disponibilidade, de humildade, de verdade. Enfim todas as características de uma vida plena na terra. Como dela se fizesse o céu.
Deve ser sempre assim.
Com todas as alegrias e tristezas que isso envolve, pois é natural porque somos humanos.
Dar o máximo sempre em função do outro(pai, mãe, irmãos, família, trabalho, grupos a que pertencemos).
Criar condições para que o mundo seja melhor, talvez agora já esteja a sonhar alto, porque primeiro há que trabalhar o nosso interior para depois partirmos em direcção ao outro.
Para partir em busca do outro, primeiro há que conhecer melhor o nosso melhor amigo(a própria pessoa) e só quando nos conhecermos bem aí podemos ir à conquista do outro. Amar e ser amados, dar e receber.
Frustrações, tristezas, perdas, são reveladoras da nossa condição humana e são bem-vindas porque crescemos com elas, são desafios à nossa capacidade de amar e de lidar com estas situações. Oportunidade para reflectir sobre o que podemos fazer melhor.
Podemos fazer o céu aqui na terra, basta querer.

27 fevereiro, 2010 00:07  
Blogger jorge dias said...

Dar a vida I


Só agora me acontece uma acalmia na floresta de coisas a fazer acontecer! Eu sou o anónimo que referiu o bombeiro da Madeira como dador da sua vida por uma causa! Mas também concordo, hoje, nos nossos dias, na fase evoluída do conhecimento humano sobre as coisas, que “mais vale um covarde vivo do que um herói morto”. Como também concordo com a frase, “como Cristo só Ele mesmo”. Quanto às cantigas prefiro as que eu canto e os grupos por onde ando!

Já que a isso fui desafiado devo responder à Teresa no tocante à estória que ela relata contada numa homília por um sacerdote. Estória que, de resto, já conhecia e já havia comentado noutros ambientes. Uma estorieta, de muito mau gosto, bem indiciadora do baixo nível de um certo clero que anda por aí de mãos vazias. Aliás, à estória que referes ao de leve, faltam-lhe os elementos indiciadores, embora posteriores, de que se tratava de um estudo sociológico, para aquilatar também de uma certa radicalidade pacóvia que um certo cristianismo anda ainda por aí a querer distribuir em sentido literal!

Jamais, mas jamais mesmo, precisarei, nos nossos dias, de renegar a minha fé. Mas, se alguma vez o tiver que fazer, para continuar vivo, garanto-te, que no momento seguinte continuarei igual, mesmo que diga que não, porque ser o que sou, depois de o ter sido, é uma questão psicofisiológica com suporte físico em engramas cerebrais que nenhuma confissão muda ou anula, nem a lavagem cerebral, precisamente por serem de natureza física! Se assim não fosse a todo o momento tudo se mudava! Questão técnica e científica!

A questão da vida, do amor à vida, é de resto a tónica da boa nova de Jesus, tão importante que é transversal a toda a boa nova de “amai-vos”, precisamente para que sejamos vivos e actores desse amor.

27 fevereiro, 2010 00:37  
Blogger jorge dias said...

Dar a vida II

A forma de darmos a vida, hoje, tem outro enquadramento, muito diferente do tempo de Jesus. Como alguém já referiu por aí, a vida tem hoje um valor absolutamente diferente do tempo de Jesus e para melhor. A vida em abundância é mesmo uma constante da boa nova e com alegria por ela toda, dia e noite, e em festa continuada!
Dar a vida tem hoje outra lógica: Eu vi aquele homem que foi buscar um quase afogado, eu vi aquele outro que foi buscar a mãe e o filho lá na onda bem longe da praia, eu vi aquela senhora que foi tirar das ondas a prima que já se ia e a pessoa que foi buscar as duas já em desespero de causa. Conheço as notícias das mães e dos pais que dão rins! Eu vi os bombeiros que entraram nas “Twin towers” minutos antes do desabamento! O Jovem que há dias neutralizou o suicida no avião da Holanda para a América. A boa nova é um desafio de mudança e dedicação, de entrega! Claro que hoje se dá a vida por causas, mas entregando-nos a essas causas e dando todo o tempo da nossa vida, ou parte, a essas causas, porque outra menos radicais, como a família, também podem muito bem ser espaços de vidas que se vão. Indira Gandhi, Nelson Mandela… As nossas vidas diárias... sempre que nos dedicamos aos outros... Esta civilização judaico-cristã transformou o mundo, a cultura e fez de nós agentes de um tempo novo, agentes no deslumbramento gratuito que dedicamos aos nossos e amigos, mas também, profissionalmente, aos outros todos, indiferenciados. Os médicos, os enfermeiros, os administrativos, outros técnicos, vítimas de vírus silenciosos e agressivos, os bombeiros, os astronautas, profissões de risco, os agentes sociais de mudança, assistência e reintegração, psicólogos, todos, quando vivem problemas que vão para além da força humana, que fazem senão dar a vida!? Não dêem a vida por Jesus, deixando-se morrer à mão do algoz, que Ele não precisa. Ele quer-nos vivos e actuantes. Escapem seja de que maneira for! Essa cultura hoje é um dado adquirido. Vivos e actuantes, obreiros da narrativa de Deus, hoje!

O que eu gostava de ter visto na estória relatada era uma boa reacção da comunidade para dominar os intrusos e não a falta de imaginação do pacóvio do celebrante que no relato patético de loucuras e frustrações mil se entrega nas mãos de outros tão loucos como ele! Quando no púlpito da Palavra se chega a estes extremos, é tempo de dizermos, fala-nos de Jesus,

27 fevereiro, 2010 00:47  
Anonymous Mário Neiva said...

Em que garantias estão fiadas as suas esperanças?»

É o repto, um tanto inesperado, que o Miki me faz. Aproveito para pedir desculpa por, abusivamente,o ter vindo a tratar por «tu».
E aí mais acima, onde disse «católico que parece conhecer bem a sua fé», devreia ter dito «cristão que parece conhecer...»

As minhas garantias de esperança são as garantias da vida, inscritas no mais profundo do meu ser e no coração daqueles com quem partilho a aventura de viver. E esta «vida» de que falo é tão imensamente rica que só pode fazer emergir em nós a esperança de nunca nos sentirmos encurralados nos limites de uma «história menor». E é uma experiência quase esmagadora ver como as sociedades resistem aos mais terriveis dos dessastres provocados, ora pela natureza, ora pelos próprios homens. Eu deixei escrito neste blog que a maioria esmagadora das pessoas «puxa» pelo nosso crescimento.
O Haiti, nascido da escravatura imposta à Àfrica, viu o mundo correr em seu socorro. E agora Portugal solidariza-se com a sua Madeira em luto.
Sinais dos tempos: há duzentos anos os europeus carregavam os navios negreiros de escravos. Hoje, inverteram a atitude e vão ajudar os filhos livres desses escravos. Ainda é pouco? Sim, muito pouco. Mas o coração dos homens iniciou uma volta de 180º.
Senhor Miki, é nisto, e muito mais, que fundamento a minha esperança. E não me custou nada transitar da esperança em «salvar a minha alma», grantindo um lugar bem aconchegadinho nos «céus» da sua fé cristã, para a esperança na vida da Humanidade, que vejo tão plena de sentido. Se há um Pai que nos gerou, esse pai soube muito bem o que fazia. Não precisamos ser remendados, qual obra já acabada, mas toda rota pelas nossas traquinices! Porque não se remenda uma obra ainda em construção! Nós estamos a crescer, por força da própria energia que faz de nós o que somos. Se quisermos criticar o «mestre d'obras», aguardemos a conclusão da "empreitada". E se bem que as obras, por esta altura, pareçam já ter atingido um ritmo surpreendente, a verdade é que, em cada dia que passa, aumentam exponencialmente as nossas exigências de perfeição. Direitos à saúde, da criança até à terceira ou quarta idade; direitos à habitação; direitos à liberdade; direitos à paternidade; direitos à livre circulação; direitos à nacionalidade; direitos à escolaridade; direitos à beleza do corpo e do espirito...
Já não nos contentamos com uma qualquer «construção». Espalha-se como sonho e boa-nova a ideia de uma mundo bom, em todos os aspectos, não só para alguns, mas para TODOS e esta é uma realidade cada vez mais interiorizada.
Paulo de Tarso foi no caminho certo: transitou, tempestivamente, como se lê, do messianismo judaico e estreito, para o messianismo da Humanidade e universal.
Eu limitei-me a seguir na sua esteira. Chegou a minha vez de reconhecer que o «fermento» fez o seu trabalho e a «massa» ganhou nova identidade, um mundo que pretende traduzir bons propósitos de fraternidade em estruturas físicas inovadoras, porque sem os tijolos ímpares da nossa «carne espiritual», teriamos a alienação por horizonte: Um reino dos céus não sei aonde, imaginado ainda por muitos judeus, cristãos e islâmicos.
Chegou a hora de guardar, no riquissimo Museu da da História, os livros e a linguagem espiritual dos nossos antepassados, sem recorrer a golpes publicitários e estultos, como tristemente fez Saramago.
A tal catequese que entediou a Teresa na sua infancia, como ela confessa, teimosamente servida pelos nossos bispos cristãos e católicos.
Já não basta pôr de lado as vestes talares, deixar o latim ou transformar uma teologia assente em Jesus Cristo «vítima de expiação» na teologia de Deus-Pai e Jesus-Irmão.
E teremos de ser nós a preparar a transição.
Será o fim da fé e da esperança? Não tenho dúvidas em afirmar: só para quem nunca teve nenhuma verdadeira!

27 fevereiro, 2010 11:55  
Anonymous Mário Neiva said...

Falhou o último parágrafo do comentário anterior e algumas correcções ao texto. Nem sei porquê.
Então, o último parágrafo.
O amor, de certeza, não acaba. Ainda Paulo de Tarso: a fé e a esperança findam com a morte, só o amor permanece.

27 fevereiro, 2010 12:09  
Blogger teresa silva said...

Respondendo ao Jorge Dias...

A minha ideia era mesmo aquela. Só referir aquela parte da história. Para ver qual a sua opinião.
É radical sim aquela história, que nos serve para pensarmos qual a nossa atitude, perante uma adversidade. Fugir ou ficar? Enfrentar ou pernas para que te quero?
Claro que o bombeiro da Madeira salvou os seus e ainda voltou para trás para ir socorrer uma senhora e foi aí que foi apanhado pela torrente de lama, água e pedras.
Dar a vida pelos amigos, não é isto de que fala no mundo de hoje?
Ontem também vi numa reportagem um pai e um filho que foram arrastados pela água no seu carro e foram agradecer à pessoa que os salvou da morte certa.
Um simples obrigado, pela vida que tornou a nascer precisamente naquele momento para aquele pai e filho.
Aí sim vemos então o amor ao próximo em pequenos gestos e atitudes e nunca fugir das adversidades da vida, porque elas ensinam-nos a ser mais e melhor.
Perante a morte certa tomamos consciência de que a vida é limitada e que há ainda tanto que podemos e devemos fazer a fim de melhorar um bocadinho este nosso mundo em que vivemos.
Viver ao máximo, tendo como base o amor aos outros, demonstrar uma grande capacidade de entrega aos outros.
E assim se faz Céu na Terra.
E os problemas,desafios e dúvidas que se nos apresentam durante a vida?
Devem ser resolvidos com calma, serenidade e confiança. Em busca sempre do melhor que se possa fazer. Em silêncio devemos colocar os prós e contras e depois resolver pelo melhor.
Tendo sempre como base o amor. É ele que permanece eternamente.

27 fevereiro, 2010 16:18  
Blogger jorge dias said...

Esta linguagem é bem diferente dos cristãos no Coliseu de Roma, quando eram pasto de animais selvagens e de multidões, cuja cultura de sangue se passava entre sadismos e masoquismos mil...
Mas quer no caso da estória pateta acima referida ou de outras provocações acéfalas, a grande conclusão, que justifica a existência deste espaço, é a de que, só enfrantando os factos, crescemos! Muito antes de ver a estória neste espaço já a tinha desventrado com outras pessoas e assumido a real palavra que no espaço das homílias nos está vedado.

27 fevereiro, 2010 22:30  
Anonymous Anónimo said...

Falta aqui o anónimo para espevitar o blob que anda muito relijoeiro, não acham?

28 fevereiro, 2010 15:56  
Anonymous Mário Neiva said...

Cada um traz ao blog o que lhe aprouver. Gostava que aparecessem aa a questionar afirmações que vão sendo produzidas. A crítica obriga a aprofundar os assuntos.

28 fevereiro, 2010 16:23  
Blogger jorge dias said...

A integração dos desintegrados e a adaptação dos desadaptados… Povo, que uma vez ou outra, todos fomos nessas circunstâncias…
Tirai-lhes a religião, que é quase gratuita, e a partir desse momento começai a contabilizar os gastos em outros meios de integração e adaptação social que os nossos impostos vão pagar! A religião a sair e os impostos a subir! Será a surpresa da vossa vida o custo que pagaremos! Tereis seguramente saudades não só de um blog "relijoeiro" como dos comentaristas que, na defesa intransigente dos factores estruturantes da nossa vida social, deixaram os espaços aberto aos valores estruturantes, mesmo os religiosos.

Não obstante, venham os anónimos… Caretos e contorcionistas, até trauliteiros, pudera se já se nota a inadaptação e, tanta vez, a não integração!

Percebo o Mário, julgo mesmo oportuníssima a tua chamada de atenção. Mas, nessa lógica, continuaríamos à espera dos pontuais salvadores do mundo… Vai mesmo ser o erro o grade professor e as heresias que por aqui e ali forem semeadas… e já anotei uma mão cheia delas. Mas a palavra sempre vence.

28 fevereiro, 2010 20:57  
Anonymous Miki (1947) said...

Hoje lembrei-me de todos!

Desculpa Mário Neiva, mas o tempo assim o quer e como não saí de casa,neste fim de semana lembrei-me escrever até dizer chega e mostrar
um pouco de mim.

Eu continuo a dizer: DEUS Precisa de ti, mais do que tu possas pensar.


A ESPIRITUALIDADE CRISTÃ - Parte I


“Não sou eu que vivo,mas é o Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).




Por mais incrível que possa parecer, e como veremos no desenrolar deste apontamento, muitos cristãos desconhecem o verdadeiro sentido da palavra espiritualidade. E é justamente por causa desse equívoco que não conseguem desenvolver adequadamente um cristianismo de acordo com o seu estado de vida. Confundir com “espiritismo” é o que fazem muitos, outros atribuem alguma relação exclusiva com o Espírito Santo, e alguns apontam para algum tipo de vida espiritual, sem saber conceituar nem tampouco avaliar como se desenvolve esta forma de viver.

Por ser a espiritualidade uma forma muito rica de relação com Deus, estabelecemos aqui alguns itens prioritários, para elaborar um modesto “roteiro”, sem que se queira esgotar o assunto, nem tão pouco dogmatizar a espiritualidade cristã apenas sob os tópicos aqui relacionados.

Como poderemos observar, o que se pretende aqui é sugerir um breve “itinerário”, nada mais que isto, uma vez que a espiritualidade cristã, suscitada pelo Espírito de Deus é supervenientemente rica, incapaz de caber num breve elenco de virtudes e atitudes, como as que aqui serão enunciadas. A estrutura do trabalho gira em torno de algumas idéias ou eixos, que actuam como realidades axiais para a nossa vida cristã. A espiritualidade cristã, como se verá ad nauseam, é um estilo de vida. De vida cristã.

O ser humano por ser uma justaposição de matéria e espírito, corpo e alma, soma e psique, é suscetível às influências dessas duas instâncias, que nem sempre se harmonizam. Por esta razão, as duas naturezas, corporal e espiritual digladiam-se dentro de nós, levando o nosso ser às vezes para a vida material, e em outras, para a busca de uma vivência exagerada das coisas do espírito.

Por esta razão, não é fácil para o ser humano estabelecer essa difícil convivência, das tendências da matéria com os apelos do espírito. As condições de vida, os meios de comunicação, o convívio com pessoas e grupos sociais, conseguem, em muitos casos, levar-nos a cultivar mais as coisas materiais, em detrimento da vida espiritual. O oposto também ocorre.

28 fevereiro, 2010 21:07  
Anonymous Miki (1947) said...

A espiritualidade Cristã - Parte II

O grande desafio da espiritualidade cristã é compatibilizar uma vida voltada para os apelos do Espírito na ambiguidade da vida material a que todos estão sujeitos. Não é possível a ninguém, alienar-se da sua vida material, social, profissional, familiar, política, etc. É justamente nessas circunstâncias da nossa existência que nos devemos encontrar com Deus, sem fugir do mundo, mas relacionando-nos com o Infinito conforme o nosso estado de vida. Reside aí o desafio: viver uma vida cristã, espiritualizada e voltada para o alto, sem se furtar à vida material e à dimensão sócio-fraterna inerente a esse tipo de vida.

É fundamental que se insista na necessidade que os cristãos têm, cada vez mais, de descobrirem eles próprios os caminhos da sua espiritualidade, de acordo com o estado de vida abraçado por cada um, sem que um queira viver na sua vida o tipo de espiritualidade do outro, conforme veremos no decorrer deste apontamento.

Tudo deve ter início, a partir da iluminação da fé, pela Palavra de Deus, numa formação bíblica e doutrinária adequada, assim como a descoberta de uma nítida consciência crítica, não jungidas a outros modelos de vida cristã, mas adequados à vida concreta de cada pessoa, conforme a sua missão no meio do mundo. Sendo a espiritualidade a forma como nos relacionamos com Deus, é importante que deixemos de lado certo tipo de cristianismo desvinculado com a vida e o mundo, demasiadamente “angelical”, sem o compromisso com as transformações que o evangelho de Jesus não se cansa de nos exortar.

Toda a religião vivida de modo alienado, torna-se alienante, para quem a pratica e para tantos quantos interajam com pessoas que assim actuam. Além disto, a vivência de uma espiritualidade incoerente é capaz de, pelo negativo do testemunho, desviar muitas pessoas do caminho recto, da amizade com Deus, da Igreja e do serviço aos irmãos.

Para auxiliar a trilhar pelos caminhos da espiritualidade, demos a este trabalho, como uma incursão fundamentada a partir do mistério do Deus Trino, o ápice da fé cristã, girando sobre a graça, a fé e o mistério da Igreja comunidade, tudo alavancado pelo estudo da Palavra, pela oração e pelas obras de misericórdia (a acção cristã), instâncias capazes de levar à conversão à perspectiva do Reino.

Nessa caminhada, deparamo-nos com Maria, mãe de Jesus, mestra da espiritualidade, ela que nos ensina como transformar a vida num sim contínuo ao projecto do Pai. Juntando todos esses factores, para ir desembocar nas realidades célicas, porto de chegada das nossas expectativas de felicidade e salvação eternas.

Como área de reflexão, a espiritualidade vem emergir mais claramente como actividade interdisciplinar, mas, ao mesmo tempo, uma reflexão que assume uma relação especial com a teologia, pois em ambas, a fé assume a característica de fio condutor. A cada dia aumenta o debate sobre o assunto, enquanto avolumam-se teorias, idéias e trabalhos sobre o tema.

28 fevereiro, 2010 21:08  
Anonymous Miki (1947) said...

A Espiritualidade Cristã III


A espiritualidade, como veremos no decorrer deste apontamento, preocupa-se com a dimensão abrangente da pessoa humana. Não apenas espírito, mas também com as suas realidades temporais. É a inspiração do espírito que nos torna solidários e voltados para as necessidades dos outros.

A estrutura deste apontamento, como já foi sinalizado, gira em torno de dois eixos: a metodologia da espiritualidade, metodologia esta que privilegia a “teologia da graça” e a vivência, a prática da espiritualidade como relação com Deus. Por oportuno, vale ressaltar nesta introdução, que o papa Bento XVI, um especialista, na Missa do Galo de 24 de dezembro de 2005, pediu mais espiritualidade ao povo cristão, como remédio contra o materialismo e egoísmo que minam as relações com Deus e com o próximo. É preciso, recomendou o Pontífice, espiritualizar-se para aspirar aos dons maiores.

A vida do ser humano é uma só, e como tal, deve ser cristã. Nesse particular, a espiritualidade, como foi preconizada por Jesus, pelos santos e místicos de todos os tempos, deve abranger, de forma integral, a vida do homem e da mulher. Nessa forma de viver, discernida e consciente, crescente, comunicante e testemunhal, está no nosso modo próprio de viver a fé, e assim exprimir a nossa adesão integral a Cristo.

A palavra espiritualidade é compreendida como a ação do Espírito Santo no cristão; age nele e age através dele. Esse mistério da ação do Paráclito no ser humano, leva-o a orientar toda a sua vida para Deus, de acordo com os critérios que Deus lhe dá, por Cristo, através dos evangelhos. O Espírito que age no cristão leva-o a uma acção em favor do mundo, do próximo, da Igreja como núcleo de comunidade e dele próprio, já que elabora o itinerário da sua salvação.

Surge a partir daí a essência da vida espiritual, capaz de estabelecer a diferença (nem sempre bem apreendida por todos) entre a dinamica e a estática. Se o espiritualismo tem ligações com doutrinas espíritas e esotéricas, a espiritualidade refere-se àquela inspiração que é concedida ao cristão pelo Espírito de Deus.

O acto de orientar “toda a sua vida” refere-se ao homem todo, completo, devidamente estruturado, espiritualizado e inserido nas realidades do mundo em que ele vive. Espiritualidade, desta forma, é um estilo de vida, um modo de viver. Exprime a forma como nos relacionamos com Deus. E não só com Deus, mas com toda a sua Criação.

Para este pensamento vamos seguir um método, especulativo, intuitivo e orante. Por método entenda-se (metá) + (hodós), ou seja, segundo um caminho, aqui subentendido o caminho que o Espírito nos vai suscitar. Aprofundando mais esse modo de viver, veremos que ele exprime a adesão da pessoa humana a Cristo. Para a transformação do mundo, segundo o projeto de Deus, é preciso que o homem viva de forma consciente, objectiva, profunda e discernida a sua espiritualidade.

Ao dizermos toda a sua vida, não estamos a referir-nos apenas ao lado espiritual da vida humana, mas ao homem completo, inserto no mundo e nas realidades em que vive. Começa a delinear-se, a partir dessa adesão, um verdadeiro estilo de vida, na mentalidade e no comportamento do cristão. Espiritualidade, além de definir o nosso relacionamento com Deus, é o modo de viver cristãmente a nossa vida e assim impregnar o mundo com o suave odor de Cristo (cf. 2Cor 2,15).

A espiritualidade no puro sentido da palavra, surge como a qualidade do que é espiritual, ou seja é a forma de se viver, na prática e no cotidiano, a nossa fé. Nesse aspecto, constata-se que a espiritualidade autêntica consiste em estarmos atentos às exigências do evangelho, pois ele é o roteiro capaz de nortear adequadamente a nossa espiritualidade.

28 fevereiro, 2010 21:09  
Anonymous Miki (1947) said...

A Espiritualidade Cristã V

Os espirituais são os que se deixam penetrar pelo Espírito Santo. Nos textos do apóstolo dos gentios observa-se uma recomendação no sentido do desenvolvimento de uma espiritualidade encarnada com a vida, onde a fé em Deus é capaz de despertar a solidariedade com o irmão.

Quem quer inserir-se no amoroso projecto de Deus, e assim viver a sua fé de forma coerente e produtiva (as bases para a espiritualidade verdadeira), precisa fugir daquele cristianismo estereotipado, alienado, burocrático, “de fachada”, que não leva a nada, excepto ao descrédito da mensagem de Jesus e ao risco de perda da salvação para quem age desta forma.

A espiritualidade torna-se, assim, a fonte de uma vida plena. Por subentender um encontro com Deus, ela ajuda a viver melhor a vida. Algumas pessoas imaginam possuir uma fé completa, autêntica, mas vivem tristes, acabrunhadas, debilitadas por dentro, procurando a falta de alguma coisa para que a sua relação com Deus seja eficaz.

Às vezes essa relação peca por ser muito intelectual, quem sabe gerada apenas após um mero conjunto de idéias e doutrinas, como actividade de quem deseja apenas “saber mais”...Isto não basta para uma vida em plenitude. Noutras oportunidades, essa espiritualidade incipiente fundamenta-se em normas morais, onde o que importa é cumprir aquilo que imaginam ser a vontade de Deus.

Para uma contextualização da espiritualidade cristã, o fundamental é colocar-se irrevogavelmente “na presença de Deus”. Fora disto é alienação pura! Entrar na presença de Deus é torná-lo a essência, adotando-o como a força mais importante da nossa vida. Assim alcançamos a alegria maior, obtendo uma satisfação diferente e superior a qualquer outro prazer da vida.

Para que o encontro com Deus seja fonte de vitalidade e de alegria, ele precisa influenciar toda a existência concreta: os afectos, a imaginação, o desejo e o próprio corpo precisam entrar na presença divina. O que aprendeu a desenvolver adequadamente a sua espiritualidade, é aquele que quer sempre estar perto de Deus... sob o seu olhar paterno:

Para onde ir, Senhor, longe do teu sopro? Para onde fugir longe da tua presença? Se subo aos céus, Tu lá estás; se me deito no abismo, aí encontro-TE. Se tomo as asas da alvorada para habitar nos limites do mar, mesmo lá é a Tua mão que me conduz, e a T+ua mão direita me sustenta (Sl 139, 7-10).

A espiritualidade desperta naquele que crê, um imenso desejo de Deus. As experiências mais profundas começam com o desejo... Com o despertar do desejo... “como a coração anseia...” a porta do coração abre-se pelo lado de dentro.

Tudo tem início a partir da nossa escolha em relação ao projecto de Deus para a nossa vida. Essa decisão acontece no plano profundo da opção fundamental, que é aquela escolha radical do horizonte da vida, capaz de dar sentido à procura dos maiores bens/dons espirituais. É preciso desejá-los... Espiritualidade é acalentar um desejo do Eterno...

28 fevereiro, 2010 21:10  
Anonymous Miki (1947) said...

A Espiritualidade Cristã IV

Procurando ampliar ainda mais o raciocínio, podemos dizer que espiritualidade é tudo o que tem por objecto a vida espiritual e o nosso contacto com Deus, como elevação, transcendência e sublimidade, sem descaracterizar a existência corpórea, onde o lado espiritual favorece as virtudes que devem inflectir sobre o material. Somos seres humanos de carne e osso e, mesmo voltados para o transcendente, não é possível esquecer essa constituição.

O esforço de espiritualizamo-nos para chegar mais perto de Deus, ocorre de diversos jeitos, inclusive pela fraternidade. Há diversos modos de se amar a Deus, mas todos eles passam pela solidariedade e amor ao próximo. A grande constatação é que só tem o direito de chamar a Deus Pai aqueles que têm a coragem de chamar ao outro irmão.

Espiritualidade, deste modo, é permitir que o Espírito actue em mim, para que eu possa actuar em nome dEle. É permitir que o Espírito me transforme para que eu possa participar na transformação da Igreja e do mundo. A espiritualidade autêntica jamais me levaria a isolar-me do mundo, a escapar da vida e a alienar-me de mim mesmo. A verdadeira espiritualidade é a que produz engajamento, movimento e acção “pró-activa.”

Os grandes mestres da espiritualidade de todos os tempos, como o apóstolo Paulo, Francisco de Assis, Tereza de Ávila, João da Cruz e Mahatma Gandhi foram pessoas altamente comprometidas com as causas humanísticas do seu tempo e não adoradores contemplativos e alienados de um Deus sem substância e sem presença no mundo real.

Como disse Jesus aos seus discípulos: “Vocês são a luz do mundo... Não se acende uma lampada para a colocar sob a mesa, mas no ponto mais alto da sala, para que ilumine todos os que estão em casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5,14a.15-16).

No dualismo soma/psique (corpo/alma) do ser humano, o espírito actua de forma a favorecer e optimizar a vida do corpo humano. Nesse terreno, corpo e alma não se excluem, mas apoiam-se e interpenetram-se, pois o homem, assim como não é só corpo, igualmente não é só espírito, mas uma formidável realidade psicossomática.

Tanto assim que viveremos a eternidade em corpo e alma. Céu e terra, carne e espírito, vida material e mundo espiritual, não se opõem, mas, pelo contrário, se apóiam e se complementam, como limites da grande criação de Deus.

São Paulo, quando escreveu aos cristãos da Igreja nascente diz “... vocês que são ‘espirituais’ devem corrigir, com paciência e modéstia, algum irmão surpreendido em delito...” (Gl 6,1). Isto equivale a dizer que o apóstolo recomenda àqueles que vivem uma verdadeira espiritualidade, que exercitem a chamada “correção fraterna” como um acto de amor, no sentido de despertar em todos uma forma concreta de relação com Deus.

28 fevereiro, 2010 21:12  
Anonymous Miki (1947) said...

A Espiritualidade Crsitã VI

É muito bonita a decomposição etimológica da palavra desejo. Na etimologia latina, o verbete desejo (desiderium) aponta para um estar longe das estrelas e aspirá-las...tal qual faz o romantico ao contemplar a noite e o céu estrelado (de sideribus). Desejo, nessa conformidade poético-teológica, é aspirar a presença do Ausente. Há um texto lapidar de Santo Agostinho onde ele aponta para essa idéia: “Fizeste-nos inquietos e o nosso coração está inquieto enquanto não repousa em ti”.

Deste modo, motivada pelo desejo (de Infinito) que cada um tem no mais íntimo do seu ser, a opção fundamental (opção total por Cristo) realiza-se no concrecto da vida cristã (que subentende uma espiritualidade adulta, consciente e definida). Para entrar na presença de Deus é preciso desejar ardentemente estar em comunhão com ele, sentir necessidade dele, da sua luz, do seu amor, da sua glória, da sua paz. Nessa proposta não resolvem as simples palavras. É preciso um conjunto de atitudes de comunhão.

Ao chamar o Pai de Abbá, Jesus profere um integral acto de obediência e concordância ao projecto divino. O “sim” de Jesus nasce, portanto, do amor sem reservas, e a sua liberdade é a do amor de quem, para encontrar a própria vida, não tem medo de perdê-la (cf. Mc 8,35). Trata-se daquela capacidade espiritual, a mesma que animou a vida e o caminho dos santos, de arriscar tudo por Deus e pelos outros, audácia de quem vive o êxodo de si, sem exigir nenhum retorno do amor.

Encontramos traços desse modelo nas bem-aventuranças (cf. Mt 5,1-12). Neste sentido, as bem-aventuranças nada mais são do que a autobiografia de Jesus... “bem-aventurados os pobres... bem-aventurados vós que agora tendes fome... bem-aventurados vocês que agora choram...” (Lc 6,20s). A pobreza e o despojamento de Jesus, fruto da sua radical e livre escolha dos desígnios do Pai, transformam no homem de alegria, de paz, de oração e sobretudo, de ação em favor da humanidade.

Pobre em relação ao passado, ele abre-se ao futuro; pobre com relação ao presente, com fantasia e coragem, sente-se capaz de transformá-lo; pobre diante do pesaroso e obscuro futuro, que se lhe apresenta, Jesus vence a tentação do medo e abandona-se completamente nas mãos do Pai.

Os manuais de espiritualidade, bem como as pregações dos santos e dos grandes místicos, apontam, como inspiração para a espiritualidade autentica, as Bem-aventuranças. É justamente nos critérios do Sermão da Montanha (cf. Mt 5 – 7) que está desenhado o “espírito do Reino”. É ali que Jesus se mostra “de corpo inteiro”, e deixa delineado o caminho para os seus amigos viverem a verdadeira relação com Deus.

28 fevereiro, 2010 21:13  
Anonymous Miki (1947) said...

A Espiritualidade Cristã VII

Quem quiser pistas para o viver da sua espiritualidade cristã, busque-as nas bem-aventuranças. Essa espiritualidade deverá ser capaz de dar à Igreja e ao mundo, cristãos com vocação para a santidade.

Uma espiritualidade mal conduzida, incoerente, distanciada da verdade e da justiça, é capaz de criar barreiras à instauração do Reino, bem como predispor algumas pessoas contra o viver cristão, pois as más atitudes, as falsas posturas são capazes de criar rótulos e erguer obstáculos à adesão a Cristo e ao anúncio da Boa notícia.

Se alguém se afasta de Deus, da Verdade e da Justiça, por causa da nossa espiritualidade falsa, superficial ou alegórica, estamos a contribuir, de forma negativa e efectiva para a perdição de alguém. E nossa. Nesse aspecto, é lamentável dizer que o nosso mundo, em todos os seus ambientes, está repleto dessas falsas posturas, capazes de fazer tanto mal à expansão da fé e da solidariedade.

E se há coisa condenável é a incoerência, a incompatibilidade entre o que se diz e o que se faz. Na incoerência (especialmente religiosa) é que aparecem as falsas atitudes, distantes da verdadeira relação com Deus. Entre tantas atitudes inconsistentes, poderíamos relacionar:

• rotina, costume - é o cristão social, que só aparece na missa de 7o. dia, casamentos, baptizados; ele não age por fé, mas por costume, aprendeu assim, faz isto desde pequeno...

• pieguice - semelhantes aos rotineiros, são os que têm “prática” de tudo: oração para isto, “simpatia” para aquilo; devoção para “achar objectos perdidos”, reza para curar carecas; muita prática e pouca espiritualidade;

• beatice - igual aos que têm prática, os “beatos” têm fórmulas para tudo, atirando a verdadeira espiritualidade no ridículo. Mas cuidado! A verdadeira expressão beato é elevada, canónica e dignifica alguém que amou Deus em vida, como, por exemplo, Madre Teresa, beatificada por causa das suas obras de misericórdia; critica-se aqui a beatice, atitude de quem reza muito e age quase nada, assiste a todas as missas pela televisão e é incapaz de se colocar ao serviço; a beatice é uma falsa atitude, e denota uma espiritualidade coxa;

• os cristãos de “fachada” - são talvez os mais perigosos; dizem uma coisa e fazem outra; aparentam santidade e são perversos; trata-se dos legítimos “sepulcros caiados” (brancos na fachada e podridão por dentro); muitos dos “beatos” citados aqui, na acepção negativa da palavra, em geral são “cristãos de fachada”;

• mercantilista - é aquele indivíduo interesseiro, que só faz negócio com Deus num toma-lá-dá-cá: se eu conseguir tal coisa, acendo três velas; se passar no exame mando publicar “uma graça alcançada” no jornal; dizem que o mercantilista também é caloteiro, porque depois de atendidos não pagam as suas promessas; exclui-se aqui, é claro, as pessoas que fazem (e pagam) promessas, movidas pelo mais genuíno espírito de fé, religiosidade, confiança e devoção; é sempre bom distinguir uns dos outros;

• superstição - alguns “usam” Deus como um legítimo “quebra galho”, transformando-o em mero amuleto ou “pára-raios”; há os que mandam “correntes” (mande tantas cópias em três dias...) como se estas fizessem parte do projecto divino;

• intelectualismo - há os que buscam relacionar-se com Deus não pelos caminhos do amor e do coração, mas exclusivamente pelas vias intelectuais; essa falsa espiritualidade, rica em racionalismo e pobre em humanismo, vai aos poucos solapando a fé, a ponto de extingui-la ou imobilizá-la.

28 fevereiro, 2010 21:14  
Anonymous Miki (1947) said...

A Espiritualidade Cristã VIII

Estas atitudes, longe de serem uma manifestação da espiritualidade verdadeira, derivam para o que se chama espiritualismo de evasão, onde na impossibilidade de estabelecer um viver maduro e discernido da sua fé, algumas pessoas assumem uma postura superficial, às vezes fanática, e muitas vezes cética, para assim evadir-se do compromisso mais profundo com a conversão e com a devida atitude cristã. As falsas posturas de alguns cristãos atraem o descrédito para a obra da evangelização, para a essência da Igreja e até para a mensagem do Mestre.

O núcleo da espiritualidade cristã está radicada nos “dez mandamentos”, a partir do primeiro, que nos recomenda amar um Deus amor, pai, amigo, irmão, peregrino, rico em misericórdia. Igualmente o “mandamento novo” (cf. Jo 13,34) que manda amar o próximo (atitude cristã) com o mesmo amor que Deus nos amou (fé) enfeixa todas as dimensões do relacionamento com o Absoluto. Sendo um modo de viver a fé, a espiritualidade exprime uma adesão incondicional a Cristo, adesão esta manifestada nos mais variados modos e critérios da vida, como modo de pensar, de orar, de decidir, frequentar os sacramentos e de tomar atitudes.

Percebe-se, deste modo, mais claramente que, havendo vidas e situações diferentes, haverá sempre maneiras e estilos diferentes de cada um viver a sua espiritualidade. Nesse terreno não deve haver uniformidade, pois as circunstâncias são distintas. Embora o elemento comum da nossa espiritualidade cristã seja o ser Igreja, há formas diversas de vivê-la, de acordo com o estado de vida de cada um.

Existem muitas pessoas que não sabem definir o que seja “estado de vida”, fazendo alguma confusão do conceito, o que acaba por dificultar o entendimento. A compreensão desta palavra vai auxiliar sobremodo na compreensão mais profunda da espiritualidade. Cada um vive o espiritual conforme o seu estado de vida.

Cada pessoa vive de uma forma, conforme sua opção e vocação. Assim, cada um possui uma forma, um estado, um jeito de levar a sua vida. Cabe, portanto, para estabelecermos os pontos-chave da nossa espiritualidade, uma definição desse estado. Há gente que pertence a um determinado grupo e insiste em viver a espiritualidade do outro.

Entende-se por estado de vida aquela forma que cada um possui, em viver conforme determinam as circunstâncias da sua actividade. O leigo, pai/mãe de família, tem sua forma característica de viver e relacionar-se com Deus. O estado de vida deles é laico, familiar, procriativo, profissional, social e testemunhal.

28 fevereiro, 2010 21:15  
Anonymous Miki (1947) said...

A Espiritualidade Cristã IX

A sua consagração é a Deus (pelo baptismo), à família (pelo matrimónio e paternidade) e ao mundo (pela profissão, pelo estudo e pela vida social). Mesmo assim, uma pessoa adulta tem o seu estado de vida diferente de uma criança ou de um idoso. A espiritualidade da mulher, que vive no lar, é diferente daquela que trabalha fora. E assim por diante.

Já o estado de vida do presbítero, por exemplo, é sacerdotal, celibatário, missionário, obediente à hierarquia episcopal, ou à sua Congregação, voltado à missão de levar Cristo aos homens e vice-versa. A sua vida é de consagração plena a Deus e entrega aos irmãos. Do mesmo modo, os religiosos, irmãos, freiras, etc. têm formas diferentes de exercitar a espiritualidade, pois cada um deles tem as suas características de actuação, que nada mais é que o estado de vida de cada um.

Esse estado, como liberdade de escolha do ser humano, reflete a consciência da dignidade humana, superior a todas as coisas. O estado de vida, perfilado ao projecto da vocação de cada um, é fonte inesgotável de alegria e realização.

Sabemos que o nosso ser Igreja é composto de cristãos ordenados (os bispos, presbíteros e diáconos), leigos (os pais e mães de família, professores, profissionais, jovens, adultos, crianças e idosos) e os consagrados (religiosos, freiras, monges), cada um desses tem, conforme se viu acima, a sua forma característica e diferenciada de viver a sua espiritualidade, isto é, de relacionar-se com Deus.

Cada pessoa, seja ela leiga, ordenada ou consagrada deve viver conforme o seu estado de vida, e de acordo com a vocação e carisma específicos. É uma distorção, como se vê por aí, ver pessoas a querer actuar dentro do estado de vida do outro, o padre a querer viver nas realidades do mundo (política, docências, etc.), ou o leigo a querer ser um “minipadre”, um “sacristão de luxo”, enfurnado nas sacristias, quando o seu campo de actuação é o mundo, a família e os ambientes laicos.

Igualmente o religioso, que se dedica a outras actividades (actividade política, sindicalismo, exercício de actividades laicas, etc.) que não as suas específicas, foge do que é preconizado para o seu estado de vida. Todo aquele que se desvia das características da sua vocação, tem mais dificuldade em desenvolver uma espiritualidade autêntica. São sensíveis os danos à vocação de cada um, causados pela falta de identificação do estado de vida adequado a cada realidade.

Para o leigo, a verdadeira vocação aponta para o mundo: a família, o trabalho, a educação, a política, o lazer, etc. Este é o campo da sua vocação. Em paralelo, e acessoriamente, ele pode actuar, por convocação, na Igreja. Para o leigo, a leiga, “ser Igreja” não é ser um sacristão, nem viver enfiado na igreja/templo ou entrincheirado numa sacristia.

28 fevereiro, 2010 21:16  
Anonymous Miki (1947) said...

A Espiritualidade Cristã X

É fundamental que todos, consagrados e leigos descubram a forma mais adequada e racional de se relacionarem com Deus, e assim estarão a viver uma forma consciente e crescente de espiritualidade. Essa forma de viver a fé ajuda na descoberta do sentido da vida. Nesse particular, a fé precisa ser vivida nas dimensões individual, comunitária e social. Dessas dimensões dimana a justiça social.

Para o desenvolvimento de uma espiritualidade discernida, é preciso que cada um descubra a maneira adequada de viver a relação com Deus e com o mundo. Tentar viver uma espiritualidade fora de seu estado de vida é uma grotesca falta de discernimento. A aludida maldade do mundo pode ser atenuada e até transformada se tivermos cristãos que lutam na trincheira certa, pela justiça, pela partilha e pelo perdão.

A nossa Igreja em geral não costuma valorizar adequadamente o potencial teológico-pastoral dos fiéis leigos. Embora haja uma ponderável pleiade de leigos e leigas bem preparados, salvo algumas excepções (entre as quais eu me incluo), poucos são chamados a exercer actividades que passem além da catequese, ministérios “extraordinários” ou serviços de “sacristão”. Certas paróquias, por exemplo, nas suas novenas, preferem pregações de padres, muitas vezes vazias e inconsistentes do que a oratória sacra e o testemunho de determinados leigos.

O que se observa é que, em termos de espiritualidade, aos leigos é atribuída uma capacidade muito superficial, como se a espiritualidade só fosse a praticada exclusivamente pelos ordenados e monges.Há tempos, depois de alguns confrontos e incompreensões, um conhecido teólogo franciscano, Leonardo Boff pediu dispensa do seu ministério. Logo a Igreja anunciou que, em atendimento ao seu pedido, ele havia sido reduzido ao estado laico. “Reduzido?” A idéia de redução, se não estou enganado, aplica-se a algo como um “rebaixar”, o que não é o caso. Mesmo porque, como não eram sacerdotes nem integrantes de quaisquer hierarquias, Jesus e os seus apóstolos eram leigos.

28 fevereiro, 2010 21:17  
Anonymous Miki (1947) said...

A Espiritualidade Crsitã XI

Eu entendo que a nossa Igreja experimentará aquela expressiva renovação, de dentro para fora, preconizada desde João XXIII, quando aprender a aproveitar melhor o potencial profético dos seus leigos, homens e mulheres. Para muitos, a espiritualidade dos leigos deve-se restringir a três estágios:

a) ir à missa;
b) pagar a “ oferta” e ajudar a Igreja nas suas necessidades;
c) assistir a novenas, tríduos e procissões.

O facto é que o laico arregimenta a maior percentagem de pessoas, e não pode, tal qual uma massa meio informe, ser ignorado ou sub-utilizado como costuma acontecer.

O campo de actuação dos leigos, onde devem exercer activamente a sua espiritualidade, é prioritariamente no mundo: “Mas é no mundo, no vasto e complicado campo das realidades temporais que o leigo encontra o seu campo específico de actuação, onde ele tem a responsabilidade de ordenar as realidades temporais para colocá-las a serviço do Reino (P 789-790)”.

Há quem, para se refugiar do compromisso, esconde-se nas sacristias e nos movimentos eclesiais. Não é aí o lugar onde o projecto de Deus estabeleceu para a instauração da nossa acção cristã. Sem esse tipo de atitude não há nenhum tipo de transformação. A distorção maior do múnus ocorre com os padres na política, os religiosos nas finanças e os leigos na sacristia. Aí a coisa fica como o diabo gosta.

Para desenvolver uma espiritualidade autêntica e trabalhadora, do tipo “olhos no céu e pés na terra”, cabe aos cristãos, especialmente os leigos, não fugirem dessas realidades temporais, uma vez que perseverando, presente, activo e fiel, é ali mesmo que ele vai encontrar o Senhor.

Apesar de tão ricas conceituações, observa-se uma significativa dificuldade para o desenvolvimento de uma espiritualidade efectiva e eficaz: a formação religiosa (família, escola, catequese), muitas vezes é deficiente, clericalizada, com excesso de pieguismo, com a consequente ausência de solidariedade e discernimento quanto à missão do leigo, etc. É como o povo diz: muita parra e pouca uva.

A espiritualidade dos consagrados, presbíteros e religiosos, já que faz parte da essência de sua vocação, deve ser mais aprofundada e fecunda, uma vez que se instaura a partir de um compromisso, um voto de dedicação absoluta e eterna. Tratando-se de pessoas que a rigor devem trabalhar na evangelização, o mau testemunho provocado por uma forma indevida de espiritualidade, é capaz de provocar mal-entendidos, desvios e até escandalos.

28 fevereiro, 2010 21:18  
Anonymous Miki (1947) said...

A Espiritualidade Cristã XII

Considerando-se a actividade, de alguns, de docentes da fé e da ética, torna-se imprescindível, além da coerência já mencionada, um aprofundamento no sentido da formação e da actualização doutrinária. A liberdade, sabemos, é um dom de Deus, que os seres humanos têm o compromisso de instaurar nas suas sociedades. “Onde há liberdade, ali está o Espírito de Deus”, ensina-nos São Paulo (cf. 2Cor 3,17). É preciso que todos gozem de liberdade, social, política e religiosa para desenvolverem o modo mais adequado de exercitarem a sua espiritualidade.

A Igreja ensina que, resguardando a unidade nas coisas necessárias, todos na Igreja, segundo o múnus dado a cada um, conservem a devida liberdade, tanto nas várias instâncias da vida espiritual e de disciplina, quanto nas diversidades dos ritos litúrgicos, e até mesmo na elaboração teológica da verdade revelada. Mas em tudo cultivem a caridade. Agindo assim, manifestarão, sempre mais plenamente, a verdadeira catolicidade e apostolicidade da Igreja (UR 71).

Somos livres para viver e para morrer, para aprender e para ensinar. Assim se manifestaram os sábios da antiga Grécia, ao inculcar nos seus discípulos o valor da liberdade. No terreno da fé, que estabelece a âncora essencial da nossa espiritualidade, a liberdade aparece como um valor indispensável à prossecução da nossa amizade com Deus. Somos livres para aderir a Cristo, para atendermos o seu chamamento, para desenvolvermos a nossa vocação, como igualmente sermos fiéis ao nosso estado de vida.

No terreno da espiritualidade, o título “teólogo” não aponta somente para alguém que é capaz de fornecer uma análise especializada e informativa, enquanto fica uma distância pessoal do objecto de reflexão. Ser teólogo (que difere do “ser formado em teologia”) envolve um dever e uma capacidade da presença junto às realidades reflectidas.

Cabe ao especialista encarar questões desafiadoras a respeito da teoria e prática, fé e mística, contemplação e solidariedade. A necessidade de uma espiritualidade autêntica e encarnada desafia o teólogo que há em todos os baptizados.

A espiritualidade – às vezes definida imperfeitamente – requer de todos uma visão prática, mística e crítica, nas mesmas proporções. Assim, definindo, vemos que espiritualidade, mais que ciência é uma atitude. É a forma como nos comportamos, na nossa vida, perante Deus.

Vivemos na carne com olhos no Infinito; movimentamo-nos na matéria, com o desejo das realidades sobrenaturais; caminhamos na esperança, esperando a certeza. Nesse particular a fé vê o invisível, espera o impossível e recebe o inacreditável. Espiritualidade é, portanto, uma atitude humana, prática, com consequências espirituais.

28 fevereiro, 2010 21:19  
Anonymous Miki (1947) said...

A Espiritualidade Cristã XIII

De uma forma letrada, para melhor compreensão, quem sabe, poderia-se dividir a espiritualidade em dois segmentos. No místico há a “comunhão”: eu te louvo, ó Pai...; no prático, o “social”: eu tive fome e me deste de comer... Viver a espiritualidade é, segundo São Bernardo de Claraval († 1153), cada um saber beber no seu próprio poço.
Nada fora de Deus, é adorável. O homem cai na escravidão quando diviniza ou absolutiza a riqueza, o poder, o Estado, o sexo, o prazer, ou qualquer criatura de Deus, inclusive o próprio ser ou a razão humana. Há, portanto, uma história humana, que embora tenha sua própria consistência e autonomia, é chamada a ser consagrada pelo homem a Deus (cf. P 491).

Nesse terreno, espiritualidade nada mais é que aquela parte da teologia que lida com a perfeição cristã e com os caminhos que levam a ela. A teologia dogmática ensina aquilo em que devemos acreditar. A teologia moral ensina o que devemos ou não fazer para evitar o pecado, mortal e venial. Acima das duas, embora baseada em ambas, vem a espiritualidade, também chamada de teologia espiritual. Esta, novamente, pode ser dividida em teologia prática e teologia mística.

Enquanto mística, a espiritualidade adora; enquanto prática, coloca-se ao serviço. Nascendo encarnada nas virtudes teologais (fé, esperança e amor), ela vem iluminada pela luz do Deus Trinitário, e adquire, por conta dessa iluminação, uma vigorosa atitude de solidariedade. Espiritualidade é igualmente, um encontro multidimensional, consigo mesmo, com Deus, com o outro e com o mundo.

A espiritualidade cristã tenta responder à pergunta: “Que tipo de Deus temos nós e que diferença isso faz para nós?”. As doutrinas essenciais formuladas pela antiga Igreja Cristã eram as de Deus como Trindade e Jesus Cristo como verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Todas as afirmações humanas sobre Deus têm implicações práticas: vivemos aquilo que afirmamos. Espiritualidades ineficazes ou até destrutivas inevitavelmente refletem teologias inadequadas de Deus.

Espiritualidade é vida cristã, mudança, conversão que conduz à perfeição da alma e das atitudes humanas. O caminho da perfeição – ensina Santa Teresa de Jesus – passa pela cruz. Falaremos em cruz, num outro dia. Não existe santidade sem renúncia e sem combate espiritual (cf. 2Tm 4,6ss). Não se admite espiritualidade sem cruz.

É a partir da espiritualidade que se vive e se exprime a fé, e é das duas que brota a atitude cristã, a acção transformadora, característica da práxis da comunidade. Há uma inegável inter-relação entre espiritualidade e ética. Este é um dos fundamentos da disciplina chamada Teologia Moral. Nesse contexto, fé e prática (espiritualidade e ética) procuram encontrar uma linguagem comum numa antropologia teológica e um entendimento da graça renovados.

28 fevereiro, 2010 21:19  
Anonymous Miki (1947) said...

A Espiritualidade Cristã XIV

Espiritualidade e ética, nesse aspecto, não são totalmente sinónimos. A espiritualidade inspira a ética, mas não deve ser reduzida a ela. Sobre isto, Jesus dá a pista (cf. Jo 14,23): “Se alguém me ama (fé), cumpre a minha Palavra (atitude), meu Pai o amará (a graça) nós viremos a ele, meu Pai e eu (presença trinitária) e nele faremos nossa morada (salvação)”.

O ponto alto da espiritualidade é quando se observa os cristãos, cada um na sua faixa de actividade, a descobrir a sua vocação e nela perseverando. Ao leigo, por exemplo, pelo facto de estar mais ligado ao mundo, à família, à profissão, à política,ali perseverar. Mais profecia e menos diaconia. É preciso viver a espiritualidade própria de cada estado, jamais tentar usurpar, ou permitir que lhe imponham o papel de outrem.

A conversão, que brota da espiritualidade conscientemente direcionada precisa ser testemunhada e comunicante. Jesus alerta-nos que “...ninguém acende uma lâmpada para a colocar debaixo da cama” (Mt 5,15). Por esta razão, por questões de testemunho e de emulação cristã, a conversão precisa ser comunitária. Que os outros, vendo a minha conversão (autêntica) também se queiram converter.

A verdade é que ninguém se converte isoladamente. A conversão do cristão leva-o a completar a sua caminhada em comunidade e com a comunidade. Sintetizando, poderia-se afirmar que a espiritualidade é o terreno da liberdade dos filhos de Deus, tornando-se parte do processo anímico que organiza a vida do povo (cf. Rm 8,21) que se ergue e caminha na direção da casa do Pai (cf. Lc 15,18).

O facto é que a procura de Deus é o sentido definitivo de toda a espiritualidade. O grande desafio que se coloca diante da busca de uma espiritualidade autêntica é mostrar como a sua visão de Deus pode contribuir decisivamente para que o desejo encontre comunhão com os outros, e expresse compaixão pelo próximo, e dessa compaixão surja a obra de transformação do homem e do mundo.

A esperança nas promessas de Jesus ajuda os crentes a descobrirem nesse advento da parusia, em que vivemos, não um já, mas um quase. E a esperança, como diz São Paulo, é a ancora da nossa vida (cf. Hb 6,19).

A espiritualidade, é uma aventura comunitária. Trata-se do passo de um povo que trilha o seu próprio caminho em direcção ao Ressuscitado, através da solidão e das ameaças do deserto. É uma experiência espiritual, como um poço de água pura. O caminho de Jesus, objectivo básico da verdadeira espiritualidade, define a práxis do cristão. Neste particular, a espiritualidade (viver na presença de Deus, amando-o em Cristo e no Espírito) deve ser a profunda e constante preocupação do apóstolo moderno.

Tal preocupação aponta para a leitura, de modo particular, de alguns temas fundamentais do evangelho, que nos interpelam e nos levam a avaliar se o nosso acervo espiritual está ajudar a nos tornarmos mais justos e mais fraternos. Não basta fazer “ação de graças”, mas urge colocar a graça em ação, em favor do Reino e do irmão.

O viver do compromisso libertador ajuda a delinear em nós os traços da espiritualidade original. Para seguir Jesus é indispensável uma espiritualidade sincera, profunda, encarnada e perseverante.

28 fevereiro, 2010 21:20  
Anonymous Miki (1947) said...

A Espiritualidade Cristã XV

Um cristão reconhece-se, antes de qualquer coisa, pelo modo como se organiza para o futuro, e também como se preocupa com o bem-estar dos seus irmãos. Ele sabe que só merecem o nome de valores cristãos os que contribuem para a solidariedade e para a união das pessoas. É uma violação à espiritualidade e à solidariedade cristã todo aquele pensamento ou atitude que se preste a justificar a tirania, a imposição de hierarquias opressoras, ou separações e discriminações totalmente incompatíveis com o mandamento do amor.
Um cristianismo desvinculado, sem compromisso com a vida e com o mundo, alienado e alienante, só pode gerar uma espiritualidade distorcida. Fugindo do medo e da alienação, o cristão torna-se aquela pessoa capaz de assumir, enfrentar e realizar a tarefa que pelo baptismo lhe foi confiada. A espiritualidade abrange a vida integral do ser humano. A nossa vida é uma só, ensinavam os mestres medievais da Espanha, e toda ela deve ser cristã.
Falamos aqui a respeito dos conceitos equivocados a respeito de Deus e as falsas atitudes que nos impedem de desenvolver uma espiritualidade autêntica. É preciso fazer a experiência de Deus; amor, pai, irmão, rico em misericórdia, amigo, peregrino, que caminha conosco; na nossa vida. Nesse conjunto, a espiritualidade, como resposta daquele que crê em Deus, amando-o, é a acção do Espírito Santo em nós (e através de nós).Trata-se da forma como somos cristãos e como conduzimos o nosso relacionamento com Deus e com os outros. Espiritualidade não se refere apenas ao lado espiritual do ser humano, mas abrange todo o homem, completo, dentro do mundo, das realidades e ambientes onde vive e actua. É um estilo de vida, de viver os factos do cotidiano, viver na terra com os olhos no céu. Nessa opção, céu e terra não se opõem, mas – pelo contrário – se completam

28 fevereiro, 2010 21:25  
Anonymous Miki (1947) said...

A Espiritualidade Cristã XVI



A incessante busca de um progresso espiritual conduz a uma espiritualidade cada vez mais eficaz. Nesse particular, a eficácia corresponde à aproximação, cada vez maior, daquilo que Deus projectou para a minha vida. O progresso espiritual tende à união sempre mais íntima com Cristo. Essa união recebe o nome de mística, pois é por meio dela que participamos do mistério da encarnação/morte/ressurreição de Cristo.Unidos a Jesus somos chamados à conversão e à salvação pelo dom gratuito e generoso da graça. Dessa união decorrem várias consequências que são capitais para a compreensão dos desígnios de Deus para a nossa salvação.Com efeito, o Pai só pode amar o seu Filho, único objecto do seu amor. Porém, quando o Verbo se faz carne, e o Filho eterno de Deus se faz homem, ele atrai para a humanidade todo o amor do Pai (cf. Jo 3,16).A encarnação fez com que o homem entrasse em comunhão com o Filho, para receber a adoção que o tornaria filho de Deus. O ponto culminante da obra de Deus na terra está no mistério da Redenção. Deus vem a nós pela graça (e a encarnação perfila-se aí, privilegiadamente) e o homem responde a ela pela fé (a forma eficaz de viver a sua espiritualidade). No mistério da Redenção desembocam todos os outros mistérios de Deus.A redenção, vista a partir da morte de Cristo na cruz, prolonga a Encarnação, completando-a. A Ressurreição e a Ascensão formam um todo com a morte, que se torna o marco decisivo para a realização de tudo aquilo que Deus projectou. A inserção do homem nesse projecto ocorre pelo desenvolvimento da espiritualidade. O objectivo da espiritualidade é reformar o coração e a vida daquele que crê, coloca a sua fé em prática e dispõe-se a seguir JESUS.É preciso reformar, com amor e decidir tudo quanto nos pode afastar do projecto do Pai, da luz do Espírito e da graça de Jesus. Foi ele que prometeu: “Eu sou a luz do mundo! Quem me segue não andará nas trevas, mas possuirá a luz da vida” (Jo 8,12).A finalizar, é salutar lembrar que espiritualidade é amar um Cristo vivo, que interpela profundamente o nosso coração. Trata-se – conforme já vimos – de uma atitude! É a forma como nos comportamos, na nossa vida, perante Deus. Vivemos na carne com olhos no Infinito; movimentamo-nos na matéria, com o desejo das realidades sobrenaturais; caminhamos na esperança, esperamos a certeza. Espiritualidade é, portanto, uma atitude humana, prática, com consequências espirituais. Nessa firme convicção, Jesus deve ser para nós o Senhor que salva e liberta, a ponto de dizermos, como Paulo de Tarso:
Não sou eu que vivo, mas é o Cristo que vive em mim (Gl 2,20).
Miki (1947)

28 fevereiro, 2010 21:27  
Blogger jorge dias said...

Já ia numa mão cheia de questões à espiritualidade destes ecomentários. Ocorre que que há muito entendo a espiritualidade como parte intrinseca e da essência de todos os homens e não dos cristãos nem dos católicos.
Todavia, a perplexidade que em mim emergia deste radicalismo reducionista da espiritualidade, de comentário a comentário, e se radicalizava em alguns expoentes cristãos, apresentados como "Os grandes mestres da espiritualidade de todos os tempos... apóstolo Paulo, Francisco de Assis, Tereza de Ávila, João da Cruz e Mahatma Gandhi ", abortaram o meu projecto de leitura, e de questões, porque tudo passava a ser questionável a partir dos reducioniusmos que cosntituiam a tese da reflexão,a tese de que a espiritualidade é cristã.

Por muito boa que tenha sido a intenção deste nosso simpatiquíssimo Miki 1947, passe o fartote e a indigestão de 16 comentários , há mais mundos para além desta espiritualidade.

Ainda bem recentemente o filósofo e pensador do homem, Alvin Tofler, referia-se a este século como o século do homem espiritual e espaço de investimento do pensamento dos pensadores das questões humanas. Mas mais, este acontecimento do homem espititual do sec. XXI, diz Tofler, constitui a grande revolução que prencherá o século como polo aglutinador na sequência das outras grandes revoluções, nomadismo, sedentarismo-agrícola, indústria, informática-telemática e, finalmente, agora, o homem espiritual...

Não dou a minha bençao de crente a estas exclusividades de proselitismos há muito enterrados e que não fazem mais que alimentar uma religião alienante sempre que não perceptível e sempre que desenquadrada do tempo dos homens que, teoricamente, a religião porsélita gostaria de ajudar a ser mais. Antes não ser crente...

E se aceito que o Paulo da nossa fé e Gandhi
"foram pessoas altamente comprometidas com as causas humanísticas do seu tempo e não adoradores contemplativos e alienados de um Deus sem substância e sem presença no mundo real", palavras que cito, a análise de vida e dos conteúdos que nos chegam, dos outros em referência, está longe, mas muito longe mesmo, de qualquer consenso que não o da "santidade conveniente" de uma Igreja Hierárquica!

Prefiro muito mais a transversalidade de uma espiritualidade comum a todos os humanos onde cada um se faz e a faz... e, se com fé, nos homens e em linguagem humana, mas só nos homens e pela inteligência, Deus é.

01 março, 2010 00:59  
Anonymous Mário Neiva said...

Concordo com a afirmação do Jorge de que a espiritualidade está para a humanidade e não para a cristandade em exclusivo.
A revolução operada pela comunidade cristã judaica de cultura helenistica à qual se converteu Saulo de Tarso vai exactamente nesse sentido. O «povo eleito» deixou de ser um qualquer grupo de pessoas para ser a própria humanidade.
Compreendo mal que alguém leia S.Paulo e não chegue de imediato a esta conclusão e tire daí as devidas consequências. O ecumenismo que as igrejas cristão querem, está sempre a ser sabotado por discursos tradicionalistas e repetitivos como o que acaba de fazer o Miki.A impressão que me dá é que os cristão sentem uma necessidade de mudança mas têm medo do que se segue.
Porque as mudanças serão estruturais e de discurso. Linguagem e simbolos têm o museu da história à sua espera.
Apenas um exemplo. Aprendemos na catequese que o «sacramento realiza aquilo que significa». Pensemos que a Igreja, enquanto estrutura física, é um sacramento, se for pensada como o «corpo místico». Digam-me lá se a estrutura visivel e material (como o pão e o vinho da eucaristia) concretizam aquilo que significam! Toda a pompa das vestes e dos templos separa, em vez de fazer comunhão.
Não estou a ter a minima originalidade em dizer estas coisas. Francisco de Assis chapou tudo na cara do Papa e dos seus cardeais. Disse da estrutura da Igreja aquilo que Jesus criticou da igreja oficial do seu tempo. Aliás, Francisco de Assis foi muito mais comedido que o seu Mestre.
Não vale a pena arranjar mil desculpas para não mandar para os museus as vestes, os cerimoniais e os discursos que já fizeram o seu caminho.
Não penso, como afirma o Miki, que o homem seja corpo e alma, como uma dualidade, apenas interactiva. Antes pelo contrário, sigo o pensamento judaico-cristão e paulista da unidade essencial do homem. Por mais paradoxal que pareça, embora cada vez menos, a «materialidade» do homem gera a sua espiritualidade, como o gão de trigo se transforma "milagrosamente" em nova vida, parecendo morrer na terra onde foi lançado.S.Paulo «viu» esta realidade há dois mil anos mas não sabia explicar. Hoje sabemos muito mais acerca desse verdadeiro milagre. E nós somos bem mais que um grão de trigo em complexidade prodigiosa.
Não há dualismo na vida de um grão de trigo nem na vida de um de nós. O facto de não compreendermos esta realidade não nos dá razão para a negar. E as consequencias desta negação acabam por ser funestas e geradoras de mentira como acontece quando se pensa que cuidamos e amamos as almas e não nos importamos de ver mirrar os corpos. Não nos importamos de distribuir orações pelas almas e ordenados de quatrocentos euros pelos corpos. E até convivemos muito bem com a consciência de que centenas de milhões vivem com um euro por dia. Porque a alma é a nossa prioridade!
É caso para dizer: seja anátema esta filosofia das duas naturezas!
Uma Igreja vestida de púrpura só se for sacramento da indignidade.
Felizmente, a sociedade laica vai anunciando a construção do «homem espiritual» e já proclama que o século que iniciamos vais ser o século da espiritualidade, como assinalou o Jorge no seu comentário.
Se Deus precisa de mim, como diz o Miki, então talvez seja para dizer estas coisas. Vou continuar.

01 março, 2010 10:22  
Anonymous Anónimo said...

Que beatice de novo

01 março, 2010 14:30  
Blogger teresa silva said...

Às vezes apetecia-me fazer da missa um ritual diferente. Em que pudessemos fazer perguntas, questionar o padre sobre as leituras. E não deixar a omilia por conta dele.Aí eramos capazes de aprender mais alguma coisa em relação à palavra de Deus.Ser um ritual muito mais participativo por parte do povo.Porque não?
Claro que teria sempre as coisas fundamentais como a comunhão entre outras.
A frase fundamental é "Amai-vos uns aos outros como EU vos amei".
Aí está toda a espiritualidade demonstrada. Engloba todas as pessoas independentemente da raça, religião, credo. A humanidade inteira.
Amor,perdão,laços de amizade, dúvidas, humildade, fraternidade, alegrias, tristezas, desalentos, frustrações. Jesus também passou por isso tudo, por isso se fez Homem. Passar pela condição humana. E no fim ressuscitou e deixou-nos o Espírito para nos guiar até ao fm dos tempos.

01 março, 2010 22:47  
Blogger jorge dias said...

Está aí um enorme espaço de abertura cristã. Com ou sem beatice de novo! Já não percebo nada porque este anónimo é de muito poucas palavras... mas devemos ter ideias diferentes deste fenómeno que não é nem humanizante...

Quanto à espiritualidade em grau de I a XVI não há digestivo que melhore... e ainda me pergunto se não foi sonho meu! Mas que me fez sonhar depois de ler, lá isso fez, e senti-me voltar ao pior de tudo o que passei em vida nos lugares disfuncionais de amor por onde passei. Mas, se alguma lógica eu posso dar a estas coisas, é a de que concordo com o Mário e comigo mesmo e por isso cito:
"Se Deus precisa de mim, como diz o Miki, então talvez seja para dizer estas coisas. Vou continuar."

Vou continuar mesmo nem que a mim me doa no corpo e na alma porque só há uma saída, a saída do homem que se realiza e faz deliz...

01 março, 2010 23:18  
Anonymous Anónimo said...

Já dizia o velho Hiródes, " ou te calas ou te foges " , para não dizer pecados.
Saiba que o anónimo, é dos que pensa que quem muito fala pouco acerta e como eu sou telegráfico só quero acertar o passo a quem me ofender. De resto até tem graça, ás vezes, o que se vai escrevendo por aqui, mas mudem de tema porque talvez apareça mais gente a votar faladura. Sempre a mesma ladainha, torna-se fastidioso e deve ser por isso que pouca gente mesmo anónima, mete aqui o bedelho.
Tanta coisa engraçada para relembrar da Falperra e do Sameiro, dos bons e maus malandros, porque que os havia, isso foi um facto.

02 março, 2010 11:04  
Anonymous Mário Neiva said...

Muito bem, caro anónimo, assim é que se fala. Agora passe à acção e bote faladura sobre as coisas engraçadas da Falperra e do Sameiro, para não serem sempre os mesmos a vir ao blog, uns com beatices, outros com teologias e filosfias baratas, porque as caras e de qualidade só mesmo nas universidades católicas e laicas dos nossos professores doutores que enxameiam a classe politica nacional ou giram à sua volta.
Pegando nas tuas palavras, cheinhas de humor popular, agora sou eu que te defafio à maneira do Rei-Herodes: ou escreves ou te foges...Literalmente!

02 março, 2010 13:57  
Anonymous Miki (1947) said...

! ... ?...


Descontraídas, as letrinhas brincavam no parque do abecedário. Elas iam e vinham, numa algazarra enorme, fazendo figuras e sombras, arranjos e combinações. Tinha letras de todas as cores, azuis, vermelhas, verdes, alaranjadas, cinzentas e brancas. Nesse brinquedo, via-se as maiúsculas a puxar as minúsculas, as góticas a deslumbrar as cursivas, enquanto as simpáticas vogais olhavam para as consoantes, numerosas mas desorganizadas, com certa pena. E lá iam todas as letras, a caminhar para um não sei onde, sem um objectivo, arredias a qualquer construção lógica. Foi quando alguém perguntou: “Afinal, quem somos nós? Para que servimos? De que nos adianta termos sons se não os podemos organizar?”. As outras assentiram, meneando as suas cabecinhas vazias, preocupadas com a inutilidade das suas vidas. Uma delas sugeriu: “E se a gente mandasse buscar um mágico, um técnico ou alguém especialista em montagens?”. Enquanto algumas consentiram, outras tiveram uma ideia diferente: “Quem sabe se mandássemos buscar um padre ou um ministro, para casar as mais afins?”. Entre debates e votações, ficou decidido que chamariam alguém que resolvesse tão angustiante problema, e que desse solução, de uma vez por todas, acabando com a enorme solidão que elas sentiam. E veio o especialista. Ele começou, primeiro por observar. Depois fez a pesquisa. Para o trabalho, trouxe consigo uma mala cheia. Curiosas, as letrinhas azuis foram ver o que tinha dentro. Lá encontraram pastas, envelopes e pacotes, onde se lia: inspiração, técnica, criatividade, coragem, disciplina, conhecimento. E perguntaram-se intimamente: “Será que só isso vai trazer-nos a felicidade?”. O artista começou a trabalhar. Dispôs as letras em formação, como num desfile militar, e foi juntando os seus sons, as suas cores, formando ideias, conceitos, juízos. Teimosas e apressadas, algumas queriam, por si, formar conjuntos. O “R” colocou-se à frente, a chamar o “O”, o “M” e o “A”. “Pronto, disse eufórico, escrevi Roma, a capital do mundo!”. O técnico sorriu, e inverteu a ordem: ficou AMOR; e disse: “apesar de todas aquelas ferramentas que vocês viram na minha pasta, jamais conseguirão criar algo de bom se não acrescentarem o amor”. As pequenas letras adoraram o casamento, começaram a multiplicar-se na magia do amor, adquiriram vida e forma, sob a orientação do chefe. Surgiram contos, crónicas, ensaios, romances... Por fim, uma delas perguntou: “Mestre, como é o seu nome?”. Solicitamente ele respondeu: “Uns chamam-me amigo, outros de ministro da união; alguns dizem que eu sou um técnico, muitos acham que sou feiticeiro porque faço mágicas... Eu prefiro que me chamem pelo nome: Eu sou…” (p.f. Acaba a frase)

Miki (1947)

02 março, 2010 15:30  
Anonymous Anónimo said...

Quem não se lembra do ex-padre Pascoal que numa célebre apitadela num time de futebol, quando eu preguei uma valente canelada no adversário, no meio campo carregado de pedregulhos, marcou um penálti que ficou para a história?
E aquele nosso amigo que fugindo do lado dos piriquitos do padre Igídio mergulhou de foçinheira na fossa. Acho que ainda hoje deve cheirar mal, rsrsrs.
Mas o que era gostoso era o vinho de missa que a gente sugava pela calada da noite, antes de ser benzido, claro, senão era um pecado mortal. Outras passagens ficam para para depois, porque os beatos não vão achar piada nenhuma, mas que fez parte da nossas tropelias por lá, não tenham dúvidas.

02 março, 2010 15:42  
Anonymous Mário Neiva said...

Vamos lá ser democrátricos, pá. Tens todo o direito de não gostar do que escrevem os beatos, e os beatos têm todo o direito de não gostar das caneladas que lhes afinfas. Para não ficar ninguém desgostoso, cada um fale do que lhe vai na alma ou sobre aquilo para que tiver mais jeito. E tudo vai valer, bem ou mal contado, porque afinal é isso que nós somos hoje e não outra coisa qualquer. Isto não é um blog de literaturas, de filosofias, de beatices ou de lembranças do nosso passado comum. É isso tudo, quando nos dispomos a vir à net, para contactar uns com os outros. E se na Falperra nós já carimbávamos os "santinhos", os "manias" e os "galos vaidosos", quem vai levar a mal que revivamos também esse passado brincalhão? Só é proibido zangar-nos.

02 março, 2010 17:08  
Anonymous Mário Neiva said...

Lindo momento, o do Miki. Quando sai da "igreja" é outro.

02 março, 2010 17:12  
Anonymous Anónimo said...

O Neiva gostei, mas o cara de pau do anónimo manda umas bicadas mais ácidas, porque não dá a cara.A frontalidade é inimiga da hipocrisia.É salutar recordar, e cada um falar um pouco de tudo.Por exemplo o Jorje pode-nos dizer se as condições climatéricas na ilha de s. Miguel já melhoraram, e se não foi afectado. Sabemos que o cadáver do rapaz de 10 anos já apareceu.Há dias viajando no google earth fui até Balugães e lá encontrei um video mostrando a festa da Senhora da Aparecida, via-se muita gente mas não vi o Neiva a pegar ao Pálio ...- Ouvia-se se o Padre a orar com os peregrinos com muita vivacidade apregoango a Na. Sra. da Aparecida.Já agora vou-vos contar uma história que tenho sempre presente passada no refeitório do Seminário. Certo dia a refeição continha grão de bico, pois tal coisa nunca tinha comido. ( não sei se foi o Jorge que me serviu, sei que quando não gostávamos pediamos pouco e a resposta era tenho que pôr quatro colheres.)Como na nossa mesa de três ninguém gostava, lá ficamos sózinhos, sem recreio a ingonhar a olhar para o prato a fazer que comiamos com a vigilância sempre presente do Padre Calisto. Meus amigos estava difícil. Por sorte um outro Padre não me recorda quem veio chamar o P.e Calisto, então foram falar para o corredor, ainda bastante tempo, então pensamos no desengasca, e assim foi.Dois optaram por embrolhar, o grão de bico nos guardanapos, eu pensando que os guardanapos poderiam ser controlados entendi tirar os sapatos e meter lá o dito grão de bico. O Padre Calisto acabou a conversa entrou e disse então já comeram.Podem ir para o recreio. La fomos para o muro do recreio mandar o grão para a horta, claro está tive que lavar os pés e mudar de sapatos e meias.Tentei responder, com uma história a pedido do anónimo. mas não lhe devia dar cavaco, por não gosto de toupeiras.Já agora hoje adoro uma meia desfeita. Quem souber o que é que me responda. Abraços Evaristo Domingues

02 março, 2010 19:25  
Anonymous Anónimo said...

Já te viste ao espelho? Deves ter foçinho de porco. Alguém te tratou mal? O Neiva, falou e muito bem, sem ofensas!... Vens agora armado em cágado, com tanta aversão aos anónimos que não têem foçinho como o teu para vasculhar a terra. Volto a lembrar-te, olha para o espelho, antes de insultar os outros, para não azedares as conversas.

02 março, 2010 23:13  
Blogger jorge dias said...

Este anónimo é de respeito. Pois fica-te por aí, caro anónimo, que cada um faz a sua riqueza e, nesse jeito específico, és bem rico. Mas, como estamos num espaço público, estamos autorizados a escrever aqui o que sentimos quando te lemos ou não? Se deres licença podes crer que, embora eu seja um pobretanas, nesse teu estilo beligerante, não obstante, dou-lhe um jeito e também sei alinhar uns focinhos de porco, com feijão e perninhas de rãs (cágados?), espelhos também se arranjam e para vasculhar a terra, à maneira de São Miguel, há por aqui uns sachos bem fechados e de cabo curto (máximo 70 cm) para trabalho rasteiro por debaixo das latadas, que aqui são a 40 cm do chão. A giga baixa até adoça a alma quanto mais o corpo!

Já agora, por acaso, até gostei também de um outro anónimo que dá pelo nome de Evaristo Domingues. Este, macio, o outro mais corisquinho! Coisas de infância que nos fazem para o resto da vida! Coisas marcantes...

Ora, o tempo por cá acalmou um pouco, caro Evaristo! Ontem aliás não estve por aqui um tempo especialmente mau. Acontece que choveu um pouco mais intensamente na área do concelho do Nordeste. Ali pela zona da Algarvia (local de encontro mais conhecido, para os que alguma vez já subiram ao ponto mais alto da Ilha - o Pico da Vara), o motorista de um autocarro, carreira, iniciou a marcha, aí pelas sete horas. A bordo, o motorista, dois filhos seus, gémeos (um rapaz e uma menina - 10 anos)e mais uma menina... Iniciada a marcha quase logo ali ao virar da esquina deparou-se com água abundante que caindo de uma ravina lhe indicava perigo. Jovem de 34 anos, rapaz cuidadoso, parou a viatura. Atrás de si outras viaturas... Uns instantes e a ravina em lama e água veio em cima do autocarro parado e levou-o encosta abaixo, por cima da barreira da estrada, muro de pedra que se manteve, partindo-se o autocarro em dois numa queda em ravina de mais de 100 metros e ali morreu ele e a filha (não o menino - esse está vivo). Com ferimentos a outra menina e o outro seu filho, foram retirados quase logo. Ele, o condutor, foi encontrado ontem umas seis horas depois, o cadáver da menina (não o menino como dizes no comentário) só hoje ao fim da manhã foi resgatado. Estava debaixo de um pedregulho(penedo) maior e só um sexto sentido levou à sua descoberta.

Um momento particularmente doloroso pelo desaparecimento de gente nova, de que tão carecidos estamos, numa Ilha de sonho, face a um fenómeno de deslizamento de terras que demorou dois a três segundos e que com a violência de que este se revestiu, não há memória. No regaço de Deus para que por eles todos saibamos, doravante, que na ravina donde correm águas podem deslizar terras. Saberei ler o que a vossa morte me ensina! Obrigado!

03 março, 2010 00:33  
Anonymous Anónimo said...

Um anónimo, não se deve sentir ofendido.Dizia o Neiva digam tudo só é proibido zangar-nos.Entendo que ao dizer que não gosto dos anónimos, este não devem levar a mal, porque anónimo é um ser inconsistente, sem identidade. Vive no abstrato.Gosta de se fantasiar.É um actor sem rosto não identificado.Portanto faz o papel de ficção.Até pode ser bom rapaz, mas não acredito porque não aguenta a critica, tem mau feitio com tendência pelo que conta para a violência.Acreditamos que ao usar o seu nome no blog, abstraia-se de comentários baixos de bregeirisse rasca.Diz que está várias vezes ao nosso lado e que tem as cotas em dia.Ora temos a prova que ao nosso lado ninguém se recorda de critico com esta postura,daí tudo o que atrás disse dá-me razão.Amigo Jorge obrigado pelo relato mais permenorizado.É de lamentar estes infaustos acontecimentos,em que o ano 2010 vai ficar na história.Daqui mando os meus restosos cumprimentos à Teresa Silva, porque se bem entendi abraça uma profissão nobre´.Vai para enfermagem que gosta do seu semelhante.Vida de entrega de amor e sacrifício. Os meus sinceros parabéns.Tenho uma filha que trabalha no U C I do Hospital de S. João á 14 anos .Bem haja até sempre. Evaristo Domingues

03 março, 2010 02:36  
Anonymous Anónimo said...

Ressalvo p/ Teresa Silva respeitosos cumprimentos, porque de certeza que é boa pessoa. Evaristo Domingues

03 março, 2010 02:39  
Anonymous Mário Neiva said...

O repto

Fica lançado, desde agora, aos «não-beatos», para que digam de sua justiça. Também já estou um bocado cansado de ouvir só do lado das sacristias, das filosofias e das teologias. Venham a terreiro aqueles que sairam do seminário fartinhos de padre-nossos e ave-marias, testemunhem uma realidade diferente e, por ventura, mais humanizada; venham aqueles que já não aguentam ouvir falar em padres e freiras, em almas e espiritos, em missas e baptizados; venham aqueles que gostaram muito de estar no seminário e do que lá aprenderam, mas estão pela ponta dos cabelos de tanto ouvir um «irmão, irmão», sonoro nos lábios e mudo no coração; venham os que pensam que as palavras «céu», «salvação», «redenção», «ressurreição», «caridade», «igreja, «eucaristia» «comunhão», «missa», «evangelho», «bispo», «papa», «paramentos», «santos e santas»,«aparições», revelações» «Cristo», »Nossa senhora»... são tudo peças de museu!
Falem abertamente sobre tudo isto e o mais que vos ocorra, porque, podem ter a certeza, anda muita gente à procura de novos caminhos para a esperança.
Mas peço que não confundam com «beatices» a fé e a esperança daqueles que à sua maneira e à maneira dos nossos avós a vivem com sinceridade de coração. É a hora do respeito, porque nas questões de fundo da nossa vida e da nossa morte ninguém é sábio. E quem pensa que é, não se deu conta que anda a "dormir na forma" e facilmente incha como um sapo, até rebentar de estupidez. Não é um espectáculo lá muito agradável, diga-se de passagem.
Quando nos convencermos, todos! da insuficiência da nossa sabedoria, começaremos a trilhar o caminho seguro da fraternidade. E até entrarmos, de vez, por essa via, não custa nada ir tentando. A começar por este blog

03 março, 2010 08:42  
Anonymous Anónimo said...

Meu caro senhor, aproveite agora o seu talento e físico, para pegar nessas ferramentas, tais como, sachos, picas , picaretas e o diabo a quatro e ajude ou outros.Eu nunca tive queda para isso e estou longe de voçês para ajudar.
Era o que faltava, chamavam toupeiras e outros nomes mais supostos civilizados, aos anónimos e estes tinham de ficar calados.
Já disse que levam a resposta à medida da vossa cultura e civilidade.
Se tiveram uma infância fedorenta e ficaram recalcados, o problema é vosso, porque eu não me posso queixar, lembrando aquilo que observava na altura.
Quanto aos anónimos, há milhares por este nosso Portugal e lá bem no topo, porque não é por acaso que todos os dias saiem notícias de segredos de justiça cá para a praça pública. É o que está a dar na alta sociedade.Eu não dou notícias falsas. Aqui só leva a estocada quem gostar de ofender os outros, mesmmo empregando palavras mais intelectuais, como se isso fizesse alguma diferença!... O insulto com palavras mais elegantes vai dar ao mesmo e certamente com maior imbecilidade por advirem de pseudo-letrados.
A conversa nem era consigo, mas como meteu o foçinho na pia, leva a resposta ao nível da sua categoria.
Na sequência do cementário do Sr. Evaristo, eu pergunto quem é o sr. para fazer julgamentos?
Mesmo que eu fosse esse tal pecador preverso que graças a Deus não sou!... Onde está a sua doutrina cristã? A Cristo fizeram tudo e mais alguma coisa e até o Pedro o renegou. Que dizia Cristo a quem lhe fez mal? " Perdoai-lhes Senhor, porque não sabem o que fazem ". Deve ser o meu caso, mas não preciso do vosso perdão, porque estou bem e recomenda-se a quem estiver mal. Coitado de mim se precisasse, já estava condenado por voçês ao degredo. Estou bem atento a quem quer ser, mais e melhor que os outos, exibindo-se com reportórios talvez copiados dos contos da carochinha e bonitinhos alguns.
Para a SENHORA D. Teresa Silva, vai o meu muito obrigado, pela sua postura inteligente e civilizada que nunca com suas palavras ousou ofender ninguém, mas pode criticar que eu sei estar à altura da crítica construtiva sem ofensa ao nosso próximo.
Bem haja quem vier por bem, porque com todos os defeitos e feitios, ninguém, como esses senhores, podem julgar quem quer que seja, sem tirar primeiro o argueiro, pau ou lá que for do seu olho.
Bem haja quem vier por bem. A bem dos aaacarmelitas

03 março, 2010 09:53  
Anonymous Anónimo said...

Abraços.A.costa

03 março, 2010 15:49  
Anonymous Anónimo said...

Estou em testes.Um abraço

03 março, 2010 15:52  
Anonymous Anónimo said...

Testa bem isso, mas não sejas o testa de ferro. Falamos em Fátima.
Um abraço do anónimo mais contestado deste blog.

03 março, 2010 19:19  
Blogger jorge dias said...

Uma questão de pormenor. Seja quem for que o conteste eu nunca desejei conntestar aqui seja quem for, fosse quem fosse. Penso mesmo que não é um anónimo contestado! Por mim, no seu caso, quando julgo que se trata de si, apenas tenho feito algumas referência e muito leves a alguma linguagem específica que entendo ser menos adequada a este espaço e, como da última vez que comentei, até com algum humor, julgo.
Voltarei sempre com toda a elegância de palavra de que for capaz e a dizer tudo o que entender que devo dizer. Penso que esse é mesmo o caminho, mesmo que a fonte inspiradora seja a sua caro anónimo. De resto, sabe muito bem que a linguagem de que se tem servido, às vezes, é mesmo como que uma directiva para os comentaristas deste espaço, qual Deus pai todo poderoso, mascarado em seu cadeirão celestial,cabelo grisalho e barba branca a apontar o bem e o mal, neste caso, sobretudo o mau comportamento dos pacóvios dos seus colegas que só agora dão os primeiros passos nos perfumes da vida e dores dos homens. Anónimo contestado! Nem pense, apenas algumas palavras do que diz!

Pois olhe que eu gosto bem de focinheira de porco com feijão e o sacho não era para si porque, como diz, não o saberia usar! Mas neste tempo da quaresma, que também de sementeiras, pode crer que o amanho da terra com sacho de cabo curto, adoça mesmo a alma e ajuda a vergar a cerviz. Em cada cavadela a terra me lembra terra donde vim, e de que em meu nome trago lembrança perpétua, porque Jorge isso mesmo quer dizer - nascer da terra e igualmente me lembra que a ela retornaremos e muito em breve.

Mas anoto que se espraiou bastante mais em seu último comentário, aliás, literariamente mais trabalhado e mais comedido até! Pode crer que screver ajuda a curar. Espraiou-se, como a maioria de nós, neste espaço, qual praia solarenga e catarticamente curadora e recuperadora de energias. Venha que nós lemos, venha que eu também escrevo para me encontrar, venha que não é o único que tem problemas, nós também temos, eu tenho! Sempre que se tentou condicionar a palavra dos outros, na vida dos humanos, deu asneira, deu menos um caminho. Prefiro sempre mais caminhos...

Não volto a comentar neste espaço. Sigo o conselho do Augusto. Vou para os desabafos!

04 março, 2010 02:35  
Anonymous Anónimo said...

Mas o sr. sente-se doente? Eu cá não preciso de cura, felizmente, nem física e moral. Intelectual, sei o que sei e deu para ter uma vida tranquila,livre de vergonhas do mundo e do próximo. De futuro Deus é que sabe!
Como tenho dito e rebato, esse promenor, a carapuça serve para quem a enfia, se tiverem cabeça para isso, porque todos os adjectivos que alguns pacóvios, como o sr. diz, empregaram eram ofensas fedorentas ao (s) anónimos.Neste mundo ainda vamos lutando, dente por dente , " olho por olho #. Também andei na guerra, mas confesso de que não tenho peito para bala e muito menos (c.)rabo, para cartucho. Pena é que na verdade seja quase tudo uma hipocrisia, apesar da religiosidade de avé marias , pai nossos e jeculatórias proclamadas para inglês ver. Eu também os rezo, mas não venho para aqui exibir-me, dizendo que não sou como aquele anónimo que é toupeira, incivilizado, doente,etc.. ou a PQP, este último para quem ficou com mais ódio. Dá pare entender, ou preciso fazer um desenho?
Já reparou que a SRª. D. TERESA SILVA, mantem neste blog uma postura de verdadeira cristã, dentro da fé dela, claro, sem ferir e enxuvalhar o próximo? E outra, penso que ela não andou no seminário a aprender coisas lindas como nós. Parabéns minha SENHORA e ensine a estes machos latinos e ranhosos que têem a mania que são os donos de toda a verdade e sobretudo melhores que os mais simples e humildes, porque destes, segundo rezam as escrituras, será o Reino dos Céus, se é que o vamos alcansar, penso eu de que...

04 março, 2010 10:52  
Blogger jorge dias said...

Estás mesmo doente, companheiro! Doente de agressividade... Estás a fazer o primeiro passo da cura, a catarse... Agora a Teresinha é que é a heroina! Está bonito com estas dos machos latinos e ranhosos! Porque não pacóvios, já que assim me intitulei? Mas que grande açorda! Noutro espaço e oportunamente... por agora outras tarefas me mandam. Mas estou satisfeito porque há pessoas que só se libertam se não entenderem o esquema psico-fisológico subjacente! Em frente, marche... 1,2,1,2,1,2,1,2, n+1.... esquerdo, direito, esquerdo. direito.... Ó pá, esse passo! só tu é que vais certo... esquerdo, direito, 1,2.... Chega égua e viva a grande cavalgada, a heroica...
Definitivamente noutro espaço...

04 março, 2010 19:50  

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