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4 de julho de 2010

*ENCONTRO* ANUAL DOS ANTIGOS ALUNOS CARMELITAS

SAMEIRO 2010

Convido todos quantos estivemos no Seminário Missionário Carmelita do Sameiro - Braga - a aguardar, silenciosamente, as impressões dos nossos habituais comentadores, El Cantante e Salvador Costa Santos, uma vez que nos garantiram a sua presença no evento. Isto para ficarmos a saber se sempre estiveram lá pois, se assim foi, devem ter algo a dizer sobre o que, de interessante por lá se passou.
Logo que tenha fotos publicá-las-ei de imediato.

augusto 

134 Comments:

Blogger EL CANTANTE said...

Jorge, podias ter aparecido no Sameiro até Bispos tivemos

05 julho, 2010 21:43  
Blogger Salvador Costa Santos said...

Augusto, porquê apenas o ElCantante e o Salvador Costa Santos?
Os outros não são gente?
Essa caiu fora do penico, não achas?
Na próxima serás mais astuto, penso eu de que!...

06 julho, 2010 03:54  
Blogger teresa silva said...

Então caríssimos gostaram do encontro?
Partilhem as vossas opiniões sobre este encontro. Dêem a conhecer a quem vos lê o que lá se passou, que sentimentos trouxeram renovados, enfim histórias passadas e recordadas neste encontro.

06 julho, 2010 22:34  
Blogger jorge dias said...

Pois podia caríssimo "El Cantante", mas há escolhas que quando tocam na algibeira devem merecer ponderação e, por mim, Fátima, Assembleia Geral, foi a minha opção. Quanto a Bispos no encontro estou mesmo desenquadrado, a menos que o plural, seja apenas expressivo das qualidades do Bispo que, suponho, terá estado presente. Então, e a tua opinião, qualquer que seja a vertente que refiras, a biológica, a psicológica (religiosa), a social?

É típico dos machos latinos ignorarem os sentimentos, os afectos, às vezes, até os pensamentos, com medo da apreciação pública. Serei sempre de aplausos sem fim perante as almas que derramam, obviamente, como típico macho latino que também sou. Aguardo, seja de quem for.

06 julho, 2010 23:36  
Blogger Augusto said...

É simples, caro SCS, mencionei os pseudónimos dos anónimos mais badalados desta praça. Tão simples como isso...

07 julho, 2010 09:50  
Blogger Mario Neiva said...

Já refeito do enjoo provocado pela tempestade que por uns tempos abalou o nosso blog, vou voltar, não apenas para dizer «olá», mas para partilhar convosco pensamentos e emoções. Ninguém interprete a minha fala como forma de ataque a quem pensa e sente de modo diferente. Pretendo, simplesmente, o confronto do pensar e sentir diferentes, sem nunca perder de vista que em primeiro lugar está a pessoa humana e convencido de que de uma tal discussão vai nascer mais luz.
Naturalmente, recomeço com Sameiro 2010.

07 julho, 2010 16:12  
Blogger Rosalino Durães said...

obrigado Mario, obrigado Jorge e todos quantos dão forma a este espaço!

Como gostava de ver o homem
de cara descoberta,
parece que comem
e ficam de boca aberta.

entrem, entrem e consumam,
o desprevenido e o humilde
e até os que se aprontam
sem terem escolha.

RD

07 julho, 2010 21:43  
Blogger jorge dias said...

Ora não dei nem uma para a caixa dos Bispos... apanhadinho!

Quanto ao Mário, claro, bem vindo! Mas houve mesmo tempestade?

Com ou sem tempestade, na vida e em suas múltiplas vicissitudes sociais, entramos e saímos de organizações, por razões que sabemos, às vezes, mas a maioria das vezes onde é que estão essas razões? Por mim falo, os outros também ditam o meu enjoo, mas a isso não chamaria tempestade, apenas a vida que ora se manifesta em interioridade ora alteridade, sempre interdependentes entre si, e nessa lógica e dinâmica devo crescer e viver sempre e só com os outros.

E do convívio? Nada? Só as fotografias?

Marotos!

A mim Rosalino, não agardeças, eu sei que é o teu muito gostar da aaacarmelitas... mas se entramos nessa de agradecer, como te agradeceria!?

08 julho, 2010 02:08  
Blogger Mario Neiva said...

Sinais de Universalidade

Todos ficamos admirados com a presença, inesperada, dos bispos carmelitas brasileiros. Não eram novidade, para mim, as demonstrações de afecto daqueles dois homens vindos do outro lado do mundo, quando abraçavam os seus confrades carmelitas portugueses. Habituei-me, desde a Falperra, a ver holandeses e brasileiros a cuidar de nós, no lugar de pais. Nem sempre bem? E quantos pais não maltratam até à morte os próprios filhos?
Mas neste dia 3 de Julho 2010, eu estava a fazer uma leitura diferente do que acontecia. Vi os bispos sentirem-se em sua casa e dentro da sua família, desvalorizando-se, até à desconsideração completa, os particularismos da nacionalidade e a separação efectiva do espaço em que se desenrola a vida de cada um. Já não falo da secundarização da “dignidade” do cargo, quando o arcebispo D.António fez coro, brindando, com alguns aa, ao bagaço do Emifio, na velhinha cantiga «Dizem que cachaça é água…».
O encontro das pessoas, a motivação mais distintiva da nossa condição humana, estava ali patenteada naqueles abraços afectuosos de “estranhos” vindos de tão longe e na alegria do convívio com gente (os aa) que não conheciam de lado nenhum.
E pensei na nossa AAAcarmelitas. Sei que muitos não vêm aos encontros anuais porque acham que aquilo é para «beatos». É uma ideia errada, que também eu próprio alimentei. Em primeiro lugar convêm frisar que a Associação não é o formulário dos seus Estatutos, como a democracia não é a sua Constituição democrática. Estatutos e Constituição são apenas um conjunto de fórmulas orientadoras porque, na prática, uma e outra serão aquilo que nós fizermos nelas e por elas.
E nós podemos fazer do encontro anual da AAAcarmelias um sinal de uma universalidade que radica na pessoa humana. Nesse sentido, para ali não são convocados os antigos seminaristas «beatos», mas os antigos alunos que, antes de tudo, são pessoas. São convocados para viver um pouco da festa da vida e o pretexto podia ter sido um qualquer. Mas, no nosso caso, o pretexto foi termos partilhado, um dia, o mesmo tempo e o mesmo espaço. Talvez, em muitos casos, o mesmo ideal.
Desvalorizada será a sua condição particular de «muito crente», «pouco crente», «não crente» ou «ateu», tal como a presença daqueles prelados fez sobrepor a ideia da fraternidade humana, à ideia da nacionalidade, tantas vezes considerada “sagrada” e alimentada como valor fundamental. E não é. Fundamental é a pessoa e a harmonia entre as pessoas. Ser português, brasileiro ou chinês é secundário.
Sacrossanta, mesmo, é a «pessoa humana». E esquece-se este nobilíssimo pensamento cristão com demasiada facilidade.
Disse «pensamento cristão» e disse bem. S. Paulo teve que confrontar-se, duramente, com o messianismo judaico-cristão, que traía tanto a universalidade proclamada no Adão do Génesis, como o universalismo do «novo Adão», Jesus Cristo. Não foi nada fácil, para este lutador incansável em prol de uma humanidade unificada, vencer a oposição daqueles que identificavam o homem com a sua nacionalidade, a sua religião, a sua cultura e até a sua ética e a sua moral privativas: «Não há judeu nem grego, nem homem nem mulher, nem senhor nem escravo…e mesmo que tenhas uma fé capaz de mover montanhas, de nada valerá…».
De uma certa forma, eu vi, no Sameiro 2010, sinais deste universalismo. É o fermento a levedar a massa.

08 julho, 2010 15:44  
Blogger Mario Neiva said...

(continuação)

São divagações da treta? Para mim, não são. Quando chega a hora de tomar decisões decorrentes deste pensamento cristão, centrado no valor fundamental da pessoa humana, relego para segundo plano tradições e costumes, por mais intocáveis e “sagrados” que eles me sejam pintados, quero dizer, pregados. Segundo este meu modo de pensar, uma ética e uma moral só poderão ser validadas à luz de uma filosofia humanista. E a teologia de S. Paulo fundamentou-se na humanidade do próprio Deus. Mais radical não podia ser!
Como não tive o privilégio de S.Paulo de ir ao Céu e voltar à Terra («no corpo ou fora dele, não sei, Deus o sabe», como ele conta) vou-me contentando em viver de acordo com o seu humanismo proclamado, consciente de que acerto de qualquer jeito, porque começo pela humanidade. Como S.Paulo afirma que o nosso destino é a gloriosa transformação, acho que estou a bordo do barco certo. Se calhar ainda vou parar ao céu sem saber como…
Mas porque não segui os passos de Paulo de Tarso e desatei a pregar a Boa-Nova?
Não me argumentem, meus queridos aa crentes: então não te chega a palavra de Paulo de Tarso para seres um crente como deve ser? Porque eu pergunto: e porque é que não foi suficiente para ele, Paulo, a palavra viva dos próprios Apóstolos de Jesus? De facto, Paulo só se converteu depois de lhe mostrarem o que “mais ninguém viu”. Assim até eu, meu caro Paulo…
Há tempos dizia a um querido amigo, católico dos sete costados, que é a «revelação divina», situada num tempo determinado, de forma fortuita e avulsa, que me separa da fé da minha juventude. Porque é que o meu querido amigo Paulo foi ao céu e viu o que viu, e os outros não?
Sei bem que a teologia católica, actualmente, não coloca desta forma o problema da «revelação». Mas a esmagadora maioria dos cristãos ainda pensa que Paulo foi mesmo ao céu e voltou para contar como era. Pena que não conseguiu encontrar palavras para descrever o que viu. Como ele confessa.
Mais afortunado, consegui detectar e contar, no Sameiro 2010, sinais do valor universal da pessoa humana. Vi, irmanados e em festa, portugueses e brasileiros;
bispos, padres, frades e leigos; «beatos», crentes mais-ou-menos e descrentes.
E adivinhei o pensamento de todos que ficou por dizer: que pena não terem vindo muitos mais!

08 julho, 2010 15:46  
Blogger Santos Costa Salvador said...

AS CORES DO SILÊNCIO

Diz o ditado: a palavra é de prata, mas o silêncio é de ouro. Fala por si só, tem linguagem própria, basta interpretá-lo e decifrar a sua mensagem. É uma forma de protesto, de reagir contra as vicissitudes da vida, de desafiar a palavra com a observação. Não é exclusivamente uma forma de omissão, pois pode significar uma manifestação de oposição. Quem cala nem sempre consente. O silêncio crítico fala. Intriga, mas não fere. Ilumina, mas não queima. É regido por símbolos enigmáticos e por leis muito próprias.

O silêncio é também o do conformismo e da falta de esperança. É mãe sem leite e sem mel que abraça o filho doente. É linguagem do amor que transcende à da palavra. O silêncio cristaliza mudas dores pela falta de referência. É voz tão audível, muito além das palavras.

A inspiração do artista é momento contemplativo único. Revoada de pássaros nocturnos. Um código secreto.A palavra não dita, expressa no papel, nas tintas do pintor, na dança do pirilampo tem a linguagem do encantamento. O maestro comanda a orquestra com a batuta na mão. Um raro momento de encontro do homem com o Criador.

O valor do silêncio é comparável ao ouro. Jóia preciosa. As palavras vulgarizam as emoções, pois são desnecessárias diante da força dos quatro elementos. Os olhos falam a linguagem do coração, expressam a grandeza do sentimento. Metal finamente lapidado à luz dos sentidos.

A voz do silêncio sentida nos lábios de quem não fala. Nos olhos daqueles que muitos sentem. Na esperança dos que tanto crêem e não desistem da luta pela vida. É canto calado dos justos, homens de boa vontade, guiados pela fé peregrina.

E assim são as cores do silêncio, vozes de tempos mudos que passam e desafiam o valor menor da palavra. O som e o grito perdem-se na fugacidade do vento, mas o silêncio permanece no caminho do crescimento e na força da oração.

S.C.Salvador

08 julho, 2010 22:31  
Blogger Salvador Costa Santos said...

E esta Afonso!... Dizia a alguém, em tempos idos, o caro e amigo Jorge, " como eu te entendo ".
Este S.C.Salvador, tem o sperto no cabeça. Bem apanhado mas assim não chegas lá... Estavas com os copos , ou foi elaborado esse pensamento, já após a piela que apanhaste no Sameiro?
Notei que alguns andavam quase a trocar os pedais de tanto emborcarem, do bom tinto . Ouve alguém que me sussurou ao oivido; quem será o Salvador...Respondi, não faço ideia, mas pelo que noto, deve ser branco e entrado na idade como nós!Ia agora dizer que era eu, para me cairem em cima, com reportagem e fotografias, rsrsrs. Quem sabe ficará para a próxima, se lá chegarmos e que seja por muitos e bons anos.
Gostei do encontro e a carismática Direcção, como diz o Jorge, está de parabéns.

09 julho, 2010 00:29  
Blogger Santos Costa Salvador said...

O Homem Não É Um Animal!


Pensar por conta própria custa certo esforço, como todo acto criativo, e exige preparação, treino, exercício diário. É diferente de sonhar, lembrar, imaginar. Ao criar, a imaginação, o sonho e a recordação poderão ajudar. Seja uma pintura, um filho, um pensamento, o criador confunde-se com a sua obra, vive nela.

Pensar é respirar. Sem ar o corpo expira. Sem pensar, a alma dorme. Quem não pensa vive repetindo coisas pensadas por outros, submete-se, repete-se.

A rotina é inimiga da criação, como a preguiça, a indiferença e o conformismo. Os animais repetem-se, o homem pode-se diferenciar, transformar-se, mudar no breve hiato entre o nascimento e o desenlace fatal. Se ele fosse um animal – com o perdão de Darwin – estaria sujeito à lenta lei evolutiva que rege todos os processos da natureza. O fato de se cogitar que os seres vivos descendam de um ancestral comum não significa que o homem, resultado de uma evolução biológica, seja um animal. Devemo-nos contrapor às ondas anacrónicas do criacionismo, mas daí a nos nivelar aos animais é um pouco diferente. Como tem inteligência e pode ser consciente, o seu corpo está sujeito àquela lei na sua conformação biológica, mas a sua inteligência e a sua sensibilidade, a sua alma enfim, podem empreender a sucessão de mudanças evolutivas que os conhecimentos permitem.

A rotina leva à depressão. A monotonia da repetição traz tristeza. Alegria tem a ver com renovação. A passividade e a ignorância podem nos levar a confundirmo-nos com os animais. A actividade e o conhecimento elevam-nos e libertam-nos da mediocridade que nos querem impor os mercadores da verdade.

As perguntas que todos devemos formular são as seguintes: Porque estou eu neste mundo? O que devo fazer dele? O meu nascimento e a minha vida são obra do acaso ou têm uma finalidade? O meu existir é contingente?

Talvez tenhamos nascido para viver, criar e sonhar. Talvez para saber a razão desta existência. A passividade e a ignorância podem nos levar a confundirmo-nos com os animais. A actividade e o conhecimento elevam-nos e libertam-nos da mediocridade que nos querem impor os impostores.

O facto de se cogitar que os seres vivos descendam de um ancestral comum não significa afirmar que o homem, resultado de uma evolução biológica, seja um animal. Se não somos filhos privilegiados desta criação, por que somente o homem é capaz de pensar, criar e se modificar?

O homem do futuro, biológica e mentalmente falando, será herdeiro do homem do presente. Os evolucionistas cépticos parecem não perceber essa ligação hereditária, pois ao homem biológico sucedem os pensamentos que ele for capaz de criar, dar vida, e que a ele sobreviverão, e poderão inspirar outros homens a que pensem também, que criem pensamentos que se imortalizem em obras que beneficiem toda a espécie.

A vida do homem na Terra é um átimo no infinito processo universal. Espelhar-se nele é factor inteligente para a pequena espécie que, prematuramente, muito grande se julga.

Os cépticos dizem que todo esse processo evolutivo é obra do acaso. Seria o caso de lhes perguntar se o que entendem por acaso não seria o Deus mesmo. Nada a ver com os deuses imaginários criados por mentes pré-históricas que encabeçaram empresas lucrativas que vêm a explorar a ingenuidade dos incautos, senão aquele cuja face visível é o Universo, e a invisível os processos que o homem vai descobrindo através de sua incipiente ciência e a sua consciência em formação.

S.C.Salvador

09 julho, 2010 14:09  
Blogger teresa silva said...

Muito se diz e muito se pensa aqui por estes lados.
Bem-vindo Mário pelo teu regresso.
Então Salvador estiveste também no encontro? E gostaste? Fizeste a vontade lá do pessoal ou nem por isso? A identificação que estavam à espera!!!
Li mais acima que alguém te sussurrou ao ouvido se o Salvador andava por lá. Engraçada esta.
Pelos vistos parece que não. Fica para uma próxima vez não é verdade?

10 julho, 2010 00:04  
Blogger Evaristo said...

A presença de dois Bispos Brasileiros ilustraram o nosso encontro, começando pela “ CELEBRAÇÃOI EUCARISTICA “.
O nosso convívio como sempre deixa tristes aqueles que queriam vir e não puderam como por exemplo o Amaro Alves que está em recuperação de uma cirurgia. Rápida recuperação Amaro. Um abraço.
Lamento não ter sido possível capitalizar as dezenas que vieram ao Sameiro em 2009 e este ano ninguém voltou. ( Vieram ver a Bola e não gostaram do jogo… )
Temos que enaltecer todo o trabalho de um grupo fantástico, que é a nossa Direcção e suas Esposas, que nestes inventos prestam com empenho e dedicação um voluntariado que culmina na perfeição e no carinho com que todo o repasto que é elaborado com o esmero caseiro, como fora da nossa casa estamos pouco habituados.
Julgo poder dar em nome de todos, já que lá ninguém usou da palavra os nossos Parabéns.
Há que reflectir na forma e nos conteúdos como estamos a realizar este invento.
Dizia conteúdos, quero-me referir à ementa. Meus amigos, o Churrasco com arroz de Feijão e Saladas estavam deliciosos. No que toca às Tripas sou suspeito, no entanto vou confessar a minha aventura aos mais exigentes que com quarenta e sete anos de profissão na restauração foi a primeira vez que cozinhei Tripas. Só tinha a experiência de as ver confeccionar. Dei o meu melhor. Aumentei bastante a quantidade, porque no ano que passou rapou-se o tacho, veio muita gente, nunca tinha acontecido, gosto daquela frase : Antes que sobre do que falte.
Sou um saudosista dos tradicionais magustos. Era mais um encontro que arrastava muita gente.
Todos se recordam das casas dos amigos: António Silva e mais tarde na do saudoso Cruz de Viatodos, que foi para onde fui convidado a levar pela primeira vez as Tripas, vários anos e depois seguiu-se a “ CASA DA MATA “.
Não faz sentido assar sardinhas ao fim da tarde depois de um almoço tão bom e tão calórico.
É uma tarefa e um desgaste a meu ver desnecessários, que poderia voltar para o sábado mais próximo do dia 11 de Novembro juntamente com as castanhas e o tal bom vinho de S. Martinho.
Em qualquer dos inventos é sempre bom incentivar os convivas a trazerem as suas sobremesas caseiras, onde cada um dá o seu melhor para apresentar uma especialidade.
Recordo alguns nomes que já vi no Sameiro e nos Magustos e que gostaria de voltar a ver:
Acúrcio Salomé, Parcídio Teixeira, Feliciano Azevedo, Manuel Joaquim Gonçalves, António Castro, José Rebelo, João Carviçais, João Rodrigues, Artur Gomes da Silva (com a sua Banda) António Abreu Pereira, Fernando Ramalho Moreira, Tito Lopes Venâncio, António Rebelo Fernandes, Rui Feixinho, Joaquim Rodrigues da Costa, Irineu Ferreira Adelino, Machado, Casimiro Fernandes; David Cordeiro, Fausto Caetano, Joaquim.
A todos um caloroso abraço, e voltem que como costumo dizer aos meus clientes a vossa assiduidade é compensada com mais saúde e anos de vida.
,

11 julho, 2010 00:51  
Blogger jorge dias said...

Meus caros, isto é que vai aqui uma açorda!
Ora levo porrada, ora sou citado, ora fico perdido no oceano da vida ao fazer análise de conteúdo das vossas fotografias. E nem imaginam o que eu li, senti, presenti... mas não me senti nada bem... Podeis imaginar...
Mas claro que esta direcção é mesmo carismática. Te aplaudo no reconheccimento S C Salvador.

Hoje vivi um raro prazer de durante mais de dez horas poder participar, tocando violão, numa das muitas folias que cantam a maravilha da palavra e da partilha, que as festas do Espirito Santo, celebradas na autarquia de Ponta Delgada, hoje em solene desfile, tornaram vida. Mas a maravilha decorre do facto de tocar violão para acompanhar um improvisador sem par, o António. Depois deste privilégio, tudo no mundo nos parece mais pequeno. Grande mesmo, só a palavra e a humanidade. No caso, o Espirito Santo, a Trindade, a partilha... Desfile etnográfico em que a folia (grupo de cantares) canta as maravilhas da partilha, primeiro para doze mil comensais, e de seguida para trinta a quarenta mil em desfile, são coisas raras. A realização da humana criatura passa ter outros parâmetros.

Amanhã, para alguns milhares, a folia acompanhará os humanos dons ao altar do Deus da partilha, em canto único e desafiante da alma açoriana, onde vive há séculos a provocar arrepios, em celebração eucaristica em eucaristia campal em espaço frontal à matriz micaelense.

Perfeita consonância com o Mário, surpresa absoluta com o sc salvador, mas não menor consonância.

Hoje, percebo melhor que nunca, como foi acertada a minha opção de colaborar nas humanas partilha e construção, da maneira como o venho fazendo.

Comovem-me estes irmãos carmelitas, bispos... comovem-me e como os sinto e percebo na linguagem que um comentarista deles expressa. Comovem-me, porque a outra escala, é esse desafio que todos os que atingem um certo patamar cultural vivem no seio da aaacarmelitas. No caso, nós todos... Afinal, bispos, feitores de Jesus para o bem.

Hoje fico por aqui com a minha alma a transbordar de partilha e mistério perante a necessidade das razões de viver que não conseguimos dar a quem precisa! Mas temos que dar? E se não dermos como saímos da crise?

Em Katakolon as primeiras palavras da guia para explicar as razões dos jogos olímpicos (Olympia)foram. Os diferentes Estados (cidades) decretaram: "Podemos fazer guerra três anos, mas um ano será para jogos olímpicos". Jogos de paz como os deuses no Olimpo. Não, não é pela paz porque isso aqui sempre houve, é para onde vamos, com quem vamos, quantos vamos e como vamos e se vamos ou ficamos mesmo por aqui! Onde afinal? Claro na aaacarmelitas! Alarme! Tocar a rebate? Apenas um olhar de arrepio pelas imagens! Conteúdos? É só ler...

Ser ou não ser esta a questão, eis a questão!

11 julho, 2010 01:37  
Blogger jorge dias said...

Açorda I

Meus caros, isto é que vai aqui uma açorda!
Ora levo porrada, ora sou citado, ora fico perdido no oceano da vida ao fazer análise de conteúdo das vossas fotografias. E nem imaginam o que eu li, senti, presenti... mas não me senti nada bem... Podeis imaginar...
Mas claro que esta direcção é mesmo carismática. Te aplaudo no reconheccimento S C Salvador.

Hoje vivi um raro prazer de durante mais de dez horas poder participar, tocando violão, numa das muitas folias que cantam a maravilha da palavra e da partilha, que as festas do Espirito Santo, celebradas na autarquia de Ponta Delgada, hoje em solene desfile, tornaram vida. Mas a maravilha decorre do facto de tocar violão para acompanhar um improvisador sem par, o António. Depois deste privilégio, tudo no mundo nos parece mais pequeno. Grande mesmo, só a palavra e a humanidade. No caso, o Espirito Santo, a Trindade, a partilha... Desfile etnográfico em que a folia (grupo de cantares) canta as maravilhas da partilha, primeiro para doze mil comensais, e de seguida para trinta a quarenta mil em desfile, são coisas raras. A realização da humana criatura passa ter outros parâmetros.

Amanhã, para alguns milhares, a folia acompanhará os humanos dons ao altar do Deus da partilha, em canto único e desafiante da alma açoriana, onde vive há séculos a provocar arrepios, em celebração eucaristica em eucaristia campal em espaço frontal à matriz micaelense.

11 julho, 2010 01:39  
Blogger jorge dias said...

Açorda II

Perfeita consonância com o Mário, surpresa absoluta com o sc salvador, mas não menor consonância.

Hoje, percebo melhor que nunca, como foi acertada a minha opção de colaborar nas humanas partilha e construção, da maneira como o venho fazendo.

Comovem-me estes irmãos carmelitas, bispos... comovem-me e como os sinto e percebo na linguagem que um comentarista deles expressa. Comovem-me, porque a outra escala, é esse desafio que todos os que atingem um certo patamar cultural vivem no seio da aaacarmelitas. No caso, nós todos... Afinal, bispos, feitores de Jesus para o bem.

Hoje fico por aqui com a minha alma a transbordar de partilha e mistério perante a necessidade das razões de viver que não conseguimos dar a quem precisa! Mas temos que dar? E se não dermos como saímos da crise?

Em Katakolon as primeiras palavras da guia para explicar as razões dos jogos olímpicos (Olympia)foram. Os diferentes Estados (cidades) decretaram: "Podemos fazer guerra três anos, mas um ano será para jogos olímpicos". Jogos de paz como os deuses no Olimpo. Não, não é pela paz porque isso aqui sempre houve, é para onde vamos, com quem vamos, quantos vamos e como vamos e se vamos ou ficamos mesmo por aqui! Onde afinal? Claro na aaacarmelitas! Alarme! Tocar a rebate? Apenas um olhar de arrepio pelas imagens! Conteúdos? É só ler...

Ser ou não ser esta a questão, eis a questão!

11 julho, 2010 01:40  
Blogger Evaristo said...

Repeti por lapso o texto quatro vezes, na mesma publicação. É possivel iliminar depois de publicar? Para fazer correcção.Quem souber agradeço comunicação por email. Obrigado.

12 julho, 2010 01:18  
Blogger Mario Neiva said...

...é pra ver os estragos que faz o bagaço do Emidio...A mim até me saiu «Efídio»!

12 julho, 2010 05:42  
Blogger Santos Costa Salvador said...

Sem Amigos não Somos Nada!


A vida é a escola que nos auxilia a ser FELIZ, objectivo esse que nem sempre alcançamos e por diversas razões.
Valores distorcidos, onde achamos que a felicidade é uma aquisição egoísta que visa somente o EU, ou mesmo que se encontra no TER, sem se dar conta, de que o importante é SER.
Para SER é preciso uma avaliação profunda de si mesmo, e que, necessita de uma reforma íntima, o que muitos não se encontram dispostos a fazer, ou se fazem, erram por ter como guia ilusões do mundo, na superficialidade das relações e na aquisição de coisas efémeras, esquecendo-se de que o maior de todos os orientadores e guia indiscutível para essa tão almejada busca, nos deixou o roteiro preciso para essa conquista.
JESUS CRISTO e seu EVANGELHO
Ninguém pode negar que a sua doutrina moral e pacificadora é o móvel que direcciona todas as religiões, mesmo aquelas que não o conhecem ou professam outro messias e difundem os seus ensinamentos, pois seja qual for o profeta, a sua mensagem está claramente inserida nos princípios morais e evolutivos do espírito, o que indiscutivelmente reflecte os ensinamentos de Jesus, e mais, é através d’Ele que aprendemos a trabalhar na aquisição do maior de todos os sentimentos e a praticá-lo.
AMOR
Agradeçamos por tudo que, através da sua misericórdia, recebemos...
Obrigado Senhor, pela vida!
Obrigado Senhor, pelas dificuldades que nos leva à reflexão!
Obrigado Senhor, pelas relações, principalmente aquelas que temos dificuldades, porque nos auxiliam a identificar em nós aquilo que no outro nos incomoda!
Obrigado Senhor, por não termos tudo, justamente para valorizar o que nos falta!
Obrigado Senhor, por me dar a visão dos meus defeitos e a possibilidade de os corrigir!
Acima de tudo Senhor, obrigado, mas muito obrigado mesmo, pelos amigos que temos e pela oportunidade de dizer a todos que os amamos e desejamos que as nossas relações se estreitem mais e mais para que somente a fraternidade, o trabalho, e o desejo sincero do bem seja o legado da nossa existência!
Como não estiveram no Sameiro (2010 e os não abracei eu os recordo: Feliciano, Gameiro, Acúrsio, Casimiro, Jorge Dias, Amaro, Freixinho, Tabuada, Marcelino, Ramos, Parcídio, João C., Helder, Bartolo, Benjamim, A.Castro, Sampaio, Topete.
Para todos um abraço
S.C.salvador (pseudónimo)

12 julho, 2010 15:08  
Blogger Evaristo said...

Resta-nos a honra de PORTUGAL ter abandonando a África do Sul com o passaporte carimbado pelo


CAMPEÃO DO MUNDO.


VIVA A ESPANHA


Amigo Neiva só agora li com atenção gostei da a narrativa sobre o encontro do Sameiro.


É verdade que estás a bordo do barco certo.


Olha o ditado:


Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és.


Cito a tua frase:


Se calhar ainda vou parar ao céu sem saber como...


Recomendo-te que escolhas o melhor caminho, mas atenção não compres a viagem na
“MARSANS”.



Ó Emídio a tua água benta é milagrosa. Já viste, todos beberam e a partir daí chegaram os consensos...


Ficamos sorridentes ao ver renovada a “consonância”, perdure oxalá para sempre, entre o Jorge, Salvador e Neiva.


Quando tiramos os galões e reconhecemos que nascemos e morremos todos iguais, poderá
Vencer a igualdade a Fraternidade e a humildade.



PARABÉNS

13 julho, 2010 00:19  
Blogger Mario Neiva said...

Campeão do Mundo

Viva o Campeão do Mundo e cada um de nós com ele

Parece um fenómeno estranho, esta exaltação impressionante de uma nação à volta de um triunfo desportivo.
Talvez não se trata de um simples evento desportivo.E não é de todo.
Recordo os versos do nosso poeta maior:

«aqueles que por obras valorosas
se vão da lei da morte libertando».

Camões refere-se aos heróis de todos os tempos. A heroicidade traz a fama e esta a imortalidade que perdura na lembrança dos povos.
O herói sai do anonimato pelos seus feitos assinaláveis. O herói emerge do nada que a todos cobre como uma capa silenciosamente pesada e ganha um nome e um lugar na história, talvez sonhando que assim nunca morrerá.
Uma forma de imortalidade e de uma verdadeira ressurreição de quem se sente morto e enterrado no anonimato.
Não é nada de novo, o crente sentir como seu o grande poder do seu Deus, o súbdito sentir como sua a glória do seu rei, o cidadão sentir-se engrandecido no triunfo dos seus atletas.
Habitualmente não nos damos conta, mas nós chegamos a vibrar como um corpo e um espírito em uníssono, em alegria arrebatadora, contagiante e genuína. A pele que se arrepia dentro do estádio é a alma de cada um que sonha sair do anonimato para se afirmar como «alguém».
As lágrimas que correm pela face do peregrino no «adeus à virgem», em Fátima, são "prova de vida" e expressão dolorosa de quem se despede «daquela que me ama, me vê e compreende até ao âmago do meu ser». E como ninguém. Pode não passar de um profundo anseio, mas o peregrino estremece da cabeça aos pés, sonhando com tal possibilidade.

Sempre o eterno desejo de vencer a solidão do anonimato, pelo amor que podemos dar e receber, que não é mais que o primeiro gesto de um reconhecimento que se quer total. Como se cada um de nós precisasse de ouvir
«és tu!»
e nós podermos responder, eternamente reconhecidos,
«sim, meu amor, sou eu!»
A hora vitória é a hora do reconhecimento. É a hora em que alguém ou muitos olham para nós e nos dizem: sois fantásticos.
A derrota não pode ser o momento da solidão. Mas é o que tantos, tantas as vezes, sentem.
E "bebem para esquecer".

13 julho, 2010 08:04  
Blogger Rosalino Durães said...

Sim

Obrigado Senhor, pelo salvador, este é o verdadeiro homem que tirou da cartola o verdadeiro amor, agora sim, é ele mesmo, bem me parecia!

Parece-me que daqui a dias te descubro, falta pouco, continua com as tuas dissertações, porque este é o verdadeiro SCS.

Grande………………

RD

13 julho, 2010 19:59  
Blogger Santos Costa Salvador said...

Caríssimo ROSALINO DURÃES




“Só quando chegamos a saber que também valemos alguma coisa para os outros, sentimos o significado da própria existência”, disse o tenente Hoffmiller, personagem criado por Stefan Zweig em Coração Inquieto.
Acrescentaríamos à perspicaz observação do escritor austríaco que devemos valer, antes de tudo, alguma coisa para nós mesmos para sentirmos um significado ainda maior da própria existência, pois ninguém pode dar ao outro o que não tem, ensinar antes de ter aprendido, ajudar sem antes ter ajudado a si próprio.
Quando valemos alguma coisa para outra pessoa, a nossa vida amplia-se; junta-se ao nosso minúsculo existir uma outra existência dando à nossa um significado que desconhecíamos.
O espírito humano traz consigo a vocação por se unir, mental e sensivelmente, a outros seres. Essa vocação permite-lhe, na família e na sociedade, sentir e compreender que a sua trajectória evolutiva depende dessa expansão do existir individual no coração e na mente de outros seres humanos. Assim é como se pode experimentar dentro de si a realidade de outras vidas, de outros seres, e também expandir a própria existência em outras existências.
O jovem Hoffmiller inquietou-se ao sentir, pela primeira vez, o sofrimento alheio. Empenhou-se, profundamente, em estabelecer uma relação de amizade com uma deficiente. Mal sabia o personagem que acabava de tomar contacto com uma capacidade sensível que todo o ser humano tem e que lhe pode ser muito útil na experiência da vida: a capacidade de consentir, quer dizer, de experimentar dentro de si o sofrimento ou a alegria de outras pessoas. E que essa capacidade latente pode ser desenvolvida de forma que se possa ampliar o nosso sentir e ser úteis a nós mesmos e aos outros seres humanos.
Essa ampliação da nossa capacidade de sentir e de consentir poderá nos livrar da indiferença, um mal psicológico que nos afasta da humanidade, que nos torna frios diante do sofrimento alheio e nos faz olhar para a humanidade como se não fizéssemos parte dela.
O mutismo da morte é indiferente a tudo. E a pior morte é a morte em vida, a inércia absoluta. Assim, somos capazes de presenciar um pôr-do-sol e nada sentir; de respirar o primeiro ar da manhã e deixar os primeiros raios solares tocarem a nossa pele com a mais absoluta indiferença; ou presenciar cenas de barbárie nas guerras documentadas ou no telejornal sensacionalista e olhar para tudo como obra de ficção, algo irreal que nada tem a ver connosco.
Possivelmente, o coração do personagem Hoffmiller não sobreviveria neste mundo onde os horrores e os sofrimentos que nos cercam vão crescendo de forma exponencial, assim como não sobreviveu o seu ilustre criador o escritor - Stefan Zweig - ao por fim à própria vida por não se conformar com os horrores da grande guerra que presenciou.
Se, por um lado, não podemos ser indiferentes a nada, devemos, também, ser fortes para sobreviver às tormentas que se abatem sobre nós e intervir no processo de reconstrução de um novo mundo, de um novo homem que haverá de surgir das cinzas do velho homem irascível e violento, e tal qual o pássaro imortal, ressurgir das próprias cinzas.
Se o homem é a medida de todas as coisas, como disse há séculos Protágoras, e se temos dentro de nós uma voz divina, como disse Sócrates, há então para nós alguma esperança.
E talvez cheguemos a compreender o que Hoffmiller não conseguiu: deveremos chegar a saber que valemos alguma coisa para nós mesmos e para os demais para que a nossa vida tenha algum significado.

S.C.Salvador pseudónimo)

14 julho, 2010 11:05  
Blogger Mario Neiva said...

"Só quando chegamos a saber que também valemos alguma coisa para os outros, sentimos o significado da própria existência”.

Estou a citar o S.C.Salvador. A convicção com que o diz, leva-me a pensar que assim sente e vive. Pois bem, na partilha de experiêcias de vida, eu testemunho de outra forma. No decorrer da minha já longa vida, descobri que a medida do sentido da minha existência correspondia à medida em que me senti descoberto e amado. Como se recebesse a vida duas vezes: a primeira, quando nasci e a segunda, quando me descobri amado. E eu respondi, como gente, amando quem primeiro me amou, a minha mãe e, depois, quem me descobriu e amou, o meu amor.
Este duplo nascimento proporcionou-me o encontro com uma vida de pleno sentido: amar e ser amado. Tudo o que vier por acréscimo, é ganho. O principal, porém, já cá tenho: a vida que conscientemente ama e é amada.
E, atando o meu pensamento ao pensamento que nos trouxe o S.C.Santos, eu sei quanto valho para o meu amor e quanto o meu amor espera de mim.

Ao fim e ao cabo, olhando por dois ângulos, a humaníssima realidade do amor consciente.

14 julho, 2010 14:58  
Blogger Santos Costa Salvador said...

INTERESSE…
…INDEFERÊNÇA !

Meus caríssimos a.a.c.


A palavra interesse tem a sua origem no latim e significa estar entre. Podemos dizer que é uma postura mental activa diante de algo que nos chama a atenção. Leva-nos a aprofundar no objecto que estamos a ver ou a analisar com os olhos mentais, a observação e o entendimento. Quando existe o interesse, os factos, as sensações, as experiências fixam-se fortemente nos arquivos da vida, os da mente e da sensibilidade, sendo jamais são esquecidos. Podemo-nos interessar por uma pessoa, associação (aac), um animal, um objecto, uma paisagem, um conhecimento. Deveríamos, antes de tudo, interessar-nos por nós mesmos; pelo que somos e poderemos ser. O interesse implica sempre numa responsabilidade, numa profundidade, e nunca na superficialidade, como no caso da curiosidade, que pode ter a sua utilidade nas primeiras etapas da vida do homem na Terra, como o tem para as crianças que reproduzem aquela fase da evolução da espécie, mas que quando adultas deverão substituir a curiosidade pelo interesse, a superficialidade pela profundidade.
Existe um tempo para a curiosidade e um tempo para o interesse, como um para infância e outro para a maturidade, embora devamos procurar manter nas nossas mentes e nos nossos corações a criança que fomos um dia como um tributo de gratidão àquela fase iluminada e feliz.
No livro Deficiências e Propensões do Ser Humano, o educador caracteriza a curiosidade como um pensamento com origem num impulso instintivo, adequado ao rude homem primitivo e aceitável também nas crianças. E que no adulto este impulso natural pode transformar-se num grave defeito que leve a pessoa a bisbilhotar a vida alheia, sempre ávida de informação, ocupando-se do que não se deveria ocupar e causando muitos problemas para si mesmo e para os outros. Grave defeito que tem distanciado tantas pessoas, pois o intrometido e indiscreto está sempre a vigiar os outros esquecendo-se de si mesmo, que é quem mais deveria lhe interessar.
Para que a pessoa mude e se torne circunspecta, explica o educador, será necessário mudar esta postura curiosa e passar “do superficial ao profundo das coisas, do que não é transcendente ao importante e transcendente, da curiosidade ao interesse que se justifica no fim perseguido”.
A tarefa não é fácil e nem difícil. Exigirá a vontade e o empenho de quem pretenda deixar de ser curioso e superficial para se interessar por motivos e assuntos que transcendam a vulgaridade que enfeitiça e hipnotiza as mentes que vagam sem uma orientação definida.
No mesmo livro o autor descreve o interesse como antípoda da indiferença, outro pensamento negativo que provoca ausência mental e sensível da pessoa em relação ao que lhe rodeia. Uma indiferença que pode surgir de fracassos, derrotas e levar uma pessoa a ficar doente pelo desleixo com a saúde, ou até ao suicídio em casos extremos.
E conclui o autor exortando a quem padeça do mal da indiferença para que lute contra esta tendência negativa: “A vida não deve ser indiferente a nada. A morte, sim, é indiferente a tudo, e a frieza da indiferença assemelha-se, eloquentemente, ao mutismo da tumba”.
Tais palavras trazem-nos à memória a Comédia de Dante onde o poeta diz que “o pior dos suplícios é sentir-se morto sem acabar de morrer, é sentir-se quase vivo estando morto, e, ansiando morrer, seguir vivendo”.

S. C. Salvador (pseudónimo)

15 julho, 2010 11:16  
Blogger Salvador Costa Santos said...

Se não tens que fazer, vai verter águas quentes para o monte, oh calhordas!...Ou incomoda-te o silêncio de quem tem mais que fazer?
Não costumo ligar a provocações, mas que és asno, ou treinas para isso, é um facto!...
Essa tua ladainha já eu rezei à muito, mas a ti parece que te dá jeito remexer na trampa, mesmo com o pseudónimo, para cheirar mais mal. Podes chafurdar á vontade que eu ando sem tempo para estas andanças, estou aproveitando os bons dias de praia, por isso nem levas a resposta que mereces.Talvez um dia, se me der na real gana, para acertar, na tua psicologia e filosofia barata que encanta quem anda de boca aberta.

15 julho, 2010 16:56  
Blogger Rosalino Durães said...

Oi cara! Bota aí palavra.

Salvador Costa Santos, Santos Costa Salvador, dois nomes, um só homem, bem disfarçado de lobo e cordeiro.

O verdadeiro homem, é amigo do seu amigo, inteligente e que desculpa todas as maldades.

Convém que assim seja, porque já percebi o estilo, nunca deixará de amar, desde que haja quem quer ser amado.

Até as palavras menos boas ou mais más, trazem amor, ok. Salvador, sejas o princípio ou o fim!

Um daqueles abraços apertado que me costumas dar, com a paz de Cristo.

Não te esqueças de meter gasolina no carro!

Eu assumo, ainda que!.........
Rosalino Durães

15 julho, 2010 20:34  
Blogger Santos Costa Salvador said...

ABENÇOADA IGNORÂNCIA

Salvador, meu alter-ego, um companheiro de absoluta confiança, numa das suas inúmeras aventuras pelo reino do desconhecido, pelo mundo sem poluição do inconsciente (pessoal e colectivo) e pelo ambiente pouco estável da imaginação, conheceu Zeus. Isso mesmo, Zeus. O deus dos deuses. Proprietário do Olimpo, chefe da rapaziada, comandante da tropa, dono da bola.

Salvador, que diferente de mim, não tem muitas papas na língua e nem muita vergonha na cara, aproveitou a oportunidade e logo começou a disparar:

- Com que então és tu o Zeus? Tu que és o rei da “cocada”, o manda-chuva, o deus do mar e das águas...
- Não mortal, esse é Neptuno.
- Ok, ok. Mas, cá entre nós, tu tens participação naquele aguaceiro todo, não tens?
- O que é que tu pretendes, entrar aqui no meu reino e encher os meus sentidos de dúvidas, inquietações e coceira?
- Nada demais, meu amigo Zeus... Nada demais. Apenas passear. E recolher informações para um amigo meu (eu). Sei que estás ocupado, deves ter muito que fazer, então tentarei não gastar muito a tua majestosa paciência.

Zeus tinha uma expressão no rosto que misturava ansiedade, curiosidade, fome e vontade de torcer algum pescoço. Salvador, com o seu ar de tranquilidade e com aquela certeza que só tem quem não sente dor, caminhava calmamente de um lado para o outro na frente daquele ser majestoso, de medidas avantajadas e cabelos amarelos.

- Bela casa que tens aqui... É própria?
- Mortal, o que te incomoda tanto? Fala depressa para que eu possa continuar a minha vida que, como tu sabes, é eterna e para que eu possa retornar à minha rotina.
- Zeus, meu velho, já que és eterno, qual é a pressa? Relaxa e verás que tudo se resolve.
- Tu falas como se tudo fossem flores...

Zeus, acomodado no seu trono roxo com detalhes em azul claro , começou a remexer-se como se mil pulgas o estivessem a morder o seu magnanimo traseiro. Na sua busca constante, porém sem “stres”, pelo conhecimento, Salvador apenas circulava pelo salão, até que, de repente, como que a querer apanhar o seu interlocutor de surpresa, bradou com um ar sério:

- Zeus, “o negócio” é o seguinte: porque ignoramos algumas coisas que parecem ser tão importantes? Porque não temos o poder de saber o que realmente se passa na cabeça dos outros mortais? Porquê...?

Zeus interrompeu Salvador e, deixando claro a sua pressa, começou a falar com um tom imponente:

- Ingénuo mortal. Tantas perguntas e tantas dúvidas! Ignoras que "ignorar" é certamente uma dádiva concedida aos da tua raça. Ignorar o que aconteceu nas vidas passadas é uma benção. Saber, seria tirar ao ser humano toda a espontaneidade e beleza do processo de evolução. Ignorar os ingredientes da feijoada do restaurante do “TI EVARISTO” é uma benção. Saber, seria ter que procurar ajuda médica ou preocupar-se em providenciar um jazigo, enquanto é tempo. Ignorar que foi traído pela pessoa amada é uma benção. Saber, é uma merda... Sim, mortal, também usamos linguajar chulo por aqui. Ignorar o que se passa na cabeça de outros mortais é uma benção. Saber, seria doloroso demais ou sem graça nenhuma, portanto, inútil.
- Mas e...
- Então, pobre mortal, aquieta a tua mente e convence-te de que ignorar, muitas vezes, é um bálsamo para as tuas dores... E agora, deixa-me em paz!

Salvador, contrariado, fez questão de deixar claro a sua frustração. Tinha mais algumas perguntas mas, como Zeus não deixava dúvidas de que o encontro tinha acabado e lhe apontava o caminho da saída, resolveu ir embora. Teria tempo... Numa outra oportunidade. Mas, não podia deixar de se sentir abandonado. Abandonado pelo deus dos deuses...

Pelo menos foi assim que o Salvador me disse que se sentiu.

S.C.Salvador (pseudónimo)

15 julho, 2010 21:37  
Blogger Mario Neiva said...

E agora, Reverendíssimos Bispos?

Dentro de alguns meses ou alguns anos a Igreja Católica Portuguesa vai ser confrontada com famílias resultantes de casamentos homossexuais. São famílias “desobedientes”, como já o foram os católicos que optaram pelos anticoncepcionais. A Igreja pôde acomodar-se a esta “desobediência” dos anticonceptivos com relativa facilidade, porque tudo se processava de modo informal e no segredo da vida íntima.
No caso do «casamento homossexual» passou a existir uma exposição pública e permanente do «pecado». O perdão sacramental torna-se impossível e a Igreja vê-se empurrada para o exercício da excomunhão, caso os nubentes sejam cristãos.

O mais certo é que opte por fechar os olhos e deixar que a história siga o seu curso. E faz bem.

Preside à Igreja católica em Portugal um bispo, o cardeal D.José Policarpo, a quem já me habituei a ver colocar a pessoa acima da lei. Não concorda, mas “compreende”.
A calma de D.José Policarpo e as declarações desassombradas do bispo D.Januário Torgal Ferreira, ao afirmar que compreende o amor de um homem por outro homem e de uma mulher por outra mulher, contrastam com a berraria de alguns “ilustres católicos”, opinadores de ocasião e mais papistas que o papa. Tanto sabem da economia que os doutorou, como da teologia, que aprenderam nuns cursos de verão. É o caso do conhecido economista César das Neves.
Li, há dias, um artigo dele em que exaltava o casamento até ao céu, esquecendo ou ignorando que no reino dos céus que há-de vir, «nem eles se casam, nem elas se dão em casamento» (palavras de Jesus, mas o César é que sabe de teologia).
Para César das Neves, a vida aqui na terra e o modo como a sociedade se organiza para rumar ao futuro, parece não ter nada a ver com o esperado «reino dos céus» e a «vida do mundo que há-de vir». Ou talvez tenha, desde que não se toque em nada das estruturas presentes, criadas exactamente há sete mil anos e em seis dias, como conta a linda história do livro do Génesis. Está tudo como deve ser e está tudo como há-de ir. «Nem eles se casam, nem elas se dão em casamento» isso são coisas do outro mundo. Neste mundo há-de ser sempre como sempre foi. Diz o César. E «a César o que é de César».
D.José Policarpo, há poucos dias atrás, afirmava que pressente que a renovação das instituições da Igreja seria cada vez mais obra dos leigos. E eu pressinto que não será, com certeza, com leigos muito mais conservadores que os próprios clérigos.
Enquanto que estes dois bispos, D.José e D.Januário, claramente vão agitando as águas paradas do charco com pedradas certeiras, um outro bispo, D.Manuel Clemente, apontando as dezenas de diáconos leigos casados que têm sido ordenados na sua diocese, incompreensivelmente, afirma que «não é para suprir a falta de sacerdotes que se ordenam diáconos» mas para dar cumprimento à determinação do concilio Vaticano II de restaurar o diaconato.
Cinquenta anos depois! Este senhor Bispo sabe melhor que toda a gente que a «sua» Igreja de conservadores lutou até ao cisma, com o bispo Lefevre, para impedir a renovação da Igreja e, concretamente, travou a restauração do Diaconato, porque tal significava introduzir a sexualidade no sacramento da Ordem, pois o diaconato já é uma “graduação” sacerdotal.
D Manuel Clemente sabe tudo isto e sabe que os conservadores, como ele, só concedem o diaconato porque não há padres suficientes.

16 julho, 2010 07:55  
Blogger Mario Neiva said...

(Continuação)

Por haver tantos bispos como este, a assobiar para o lado ou a enterrar a cabeça na areia, é que vejo os católicos meio perdidos, como ovelhas sem pastor.
Depois de lhes ter sido anunciado um evangelho que perspectiva ou profetiza um «reino» onde os homens serão «como anjos», os «pastores» investidos para transmitir essa profecia, ainda se perdem em discussões sobre rituais e regulamentos do velhinho acasalamento.
Ainda não entenderam que as leis acabarão diluídas no amor. Escandalizando, talvez, os meus amigos e companheiros da aaacarmelitas, eu afirmo que a «família homossexual» não é paradigma, mas prenúncio da família do “homem espiritual”, onde todos «serão como anjos».

Mas só poderá pensar assim quem admitir que a união pelo casamento se faz, primordialmente, PARA AMAR e não PARA ACASALAR.

Enquanto esse dia não chegar, D.Januário, clarividente e profético diz, com simplicidade, que compreende o amor de um homem por outro homem e de uma mulher por outra mulher. Por contraste, César das Neves aposta na eternidade do casamento tradicional. Pergunto-vos: quem está mais próximo do Evangelho, o bispo ou o economista? E pergunto ainda: quem olha para «a vida do mundo que há-de vir» e quem olha para a vida de um mundo que já foi?

Convido-vos a abrir o coração e o espírito.

16 julho, 2010 07:56  
Blogger domingos coelho said...

Meu Caro AMIGO DURÃES

Serve o presente "comentário" para te esclarecer
que NÃO sou o SALVADOR COSTA SANTOS. Nada tenho a ver com o dito cujo e mais,
penso que não é Antigo Aluno Carmelita. Antigo aluno não tem uma linguagem destas. É por causa desta e outras situações que vou deixar de pertencer à Direcção da Associação.
Um abraço
Domingos Coelho

16 julho, 2010 12:10  
Blogger S.C.Salvador (pseudónimo) said...

Meu Caríssimo Mário Neiva


Casamento, amor e adultério... I


Casamento era uma coisa e amor outra coisa, até que a Igreja os uniu na cultura ocidental cristã. Casamento, historicamente, sempre foi uma aliança material: assegurar ou evitar guerras. Já o amor, é a roupagem social da natureza biológica. Quem juntou casamento com amor foi a Igreja e, por isso, a união nunca deu completamente certo.

A autora do livro “Repressão Sexual”, demostra como o casamento monogamico foi instituído como sacramento pela Igreja nos fins do século 13, após estabelecer o controle sobre a sociedade e sobre as alianças da nobreza. A Igreja controlava tudo: com quem quer casar, os dotes, os esponsalícios, a estabilidade ou não do casamento com fins de herança.
Toda a pedagogia cristã baseia-se na origem da “queda do paraíso”: a punição do pecado teria de ser paga com castidade, com sublimação do amor profano em amor divino. A opressão da mulher é norma no cristianismo, inclusive pelas declarações de St. Agostinho, S. Paulo, S Tomás de Aquino: a mulher foi a responsável pela “queda” de Adão, veio de uma costela de Adão, tornou-se inimiga da serpente, enfim, perigosa e sedutora.
Foi a influência do apóstolo Paulo que levou a igreja a aceitar o casamento como “remédio” contra o pecado, a luxúria e a prevaricação. Os primeiros padres, Gregório de Nilza, Graciano e outros viam o casamento com desprezo.
Portanto, casamento nunca foi divino, nem eterno, nem indissolúvel. Basta consultar os atlas Antropológicos de Murdoch, de Ford e Bearch, ou estudar a história das civilizações, onde se encontram várias formas de casamento directamente ligadas à produção (agrícola, pastoril, comunitária etc.)
Com o controle sobre a sociedade, sobre os casamentos, a Igreja estabeleceu o domínio sobre a sexualidade, especialmente com os confessionários. O casamento era “permitido”, segundo S. Paulo, desde que realizado com o consentimento dos noivos, dentro da Igreja (antes era realizados nos castelos pelos senhores feudais) e com uma condição fundamental: o sexo tinha se ser “honesto”, unicamente para procriação, sem luxuria e sem prazer. Mulher, pensar em orgasmo, para Igreja Católica, até a renascença, jamais.
Por outro lado, o amor romântico, esse superlativo do afecto, antes desconhecido, iniciou-se na França, segundo Edgard Gregersen – História da sexualidade humana, ligado ao cavalheirismo, à cavalaria, ao feudalismo e aos menestréis, que realizavam trovas e canções em homenagem à mulher inacessível. O amor romântico surgiu para a mulher do outro...

16 julho, 2010 16:22  
Blogger S.C.Salvador (pseudónimo) said...

Casamento,amor e adultério - II


Somente em fins do século 19 a Igreja uniu amor e casamento na monogamia. A desgraça estava feita. Tinha ela necessidade de controlar a família, vista como autoritária e símbolo de opressão do Estado pelos movimentos socialistas emergentes.
Os gregos, por exemplo, desfrutavam de três tipos de mulheres: as esposas, de pouco valor, com finalidade de transmitir a herança; as hetaíras, para divertimento; e as concubinas, para a prática do amor.
Portanto, o facto de uma pessoa acreditar que se está "a casar por amor" não invalida a história da humanidade.
Na Santa Ignorância, afirmamos que a virgindade é coisa sagrada, quando, de facto, foi instituída pela opressão dos homens para ter certeza do primogénito na transmissão da herança.
Posso falar, romanticamente, com lágrimas nos olhos de emoção, que o adultério é pecado contra Deus, quando, na história dos homens, ele foi instituído especialmente contra as mulheres para evitar a participação do filho bastardo nos bens familiares. Prova disto é que as leis romanas - Lex Julia de Adulteriis e Lex julia de Maritandiis - só puniam as mulheres da aristocracia. A plebe romana tinham sexo sem restrições no Direito Público.
Por exemplo: já li um estudo que mostra que homens e mulheres das elites portuguesas são os que mais adulteram e menos se separam com medo de perder os seus privilégios.
Quem mais se casa e se descasa, como quem troca de roupa, é a classe média liberal (artistas, intelectuais, médicos, engenheiros, advogados etc.), justamente esse "exército de reserva da burguesia" – mais livre e menos comprometido com as relações de produção.
Na realidade, casamento monogamico-patriarcal, adultério e prostituição constituem um triunvirato perfeito de contradições e hipocrisias. Um interdepende do outro, de tal forma que, unidos, asseguram a sobrevivência da falsa moralidade burguesa.
Um ABRAÇO (igual ao do Sameiro 2010)
S.C.Salvador(pseudónimo)

16 julho, 2010 16:23  
Blogger Rosalino Durães said...

Meu querido amiguérrimo Coelho;

O que tu pensas eu não penso, eu nunca disse o que o meu amigo quer dizer.

Tenho muitos amigos, que me apertam os ossos com a mesma fugacidade que tu o fazes, tenho um amigo que a semana passada ficou sem gasolina no carro e que eu ajudei, o Jorge Dias e o Mário Neiva, por exemplo cumprimentam-me da mesma forma que tu o fazes e são pessoas por quem nutro uma grande amizade.

Tenho um amigo de S. Martinho de Sande, que também foi aacarmelita que escreveu e que é actual para esta circunstância.

Se pensas que penso em ti
Pensa bem que pensas mal
Eu nunca pensei
Nem penso pensar em tal.

Não digas aquilo que eu não disse, mas se estás a puxar troço, pensa bem que não consegues.

Um abraço.

RD

16 julho, 2010 19:53  
Blogger Mario Neiva said...

Pois é Santos Costa. Também eu fiquei admirado por terem-te confundido com o Costa Santos. Mas é muito bem feita, para não andares a brincar aos «pseudónimos». Tenho esperança de ver, um dia destes, toda a gente de cara descoberta. Deixemos as burkas medievais com as pobres islâmicas.
Como há-de ser lindo quando pudermos andar todos de rosto e alma ao léu!
E toma lá também o meu abraço, parecido com aquele do Sameiro 2010.

17 julho, 2010 08:53  
Blogger Mario Neiva said...

Transcrevo, para reflexão dos aa


No mesmo documento ontem tornado público, a Santa Sé reafirma, de forma inequívoca, que "toda a tentativa de ordenar uma mulher" constitui um dos "crimes mais graves" contra a legislação canónica, "um delito grave contra a fé" e "contra o sacramento".» [DN]

Apetece comentar: o Sacramento dos Sacramentos foi ministrado por uma mulher, Maria, mãe do Senhor.
As outras mulheres, irmãs de Maria ou Jesus só em metáfora, são gente desqualificada para o sacerdócio no «Reino da Igreja». Por isso há cada vez mais cristãos a deixar o «Reino da Igreja» para encontrar o «Reino de Deus».
É como a história do diaconato que não é para «suprir a falta de padres».

17 julho, 2010 09:21  
Blogger domingos coelho said...

PADRE Francisco Rodriguues O. Carm.


Exemplo de bondade e humildade

Serviço e disponibilidade

dignidade, amor e Santidade.

Parabéns neste dia que comemora a sua
Ordenação Sacerdotal

Domingos Coelho

19 julho, 2010 22:44  
Blogger jorge dias said...

Repesco do Mário mais acima a oportunidade de referência à mulher sacerdote e a oportuna referência a Maria, sacerdote... Mas nesta referência, nada de novo porque todos os crentes cristãos são por definição "Povo de Reis, de Sacerdotes e de Profetas". Não são sacerdotes às ordens de um bispo (ordenados), e isso faz mesmo tanta diferença assim? Alguma, seguramente, mas só perante os homens! Mas alguém quer saber disso para alguma coisa? Como esta Igreja anda perdida na catalogação dos crimes! Que os mortos enterrem os seus mortos... nós, sendo vivos, temos mais amor para fazer... em sacerdóico de fraternidade universal em que acreditamos. Apenas uma questão de perspectiva cristã! Esta perpsectiva cristã só tem quem, calejado pela vida, com os outros chega lá, à boa nova. Em palácios de heranças culturais do Imperdor Constantino fica mais dificil, muito mais dificil mesmo. Por isso, agora percebo melhor que nunca a frase que li algures: o pior que podia ter acontecido ao cristianismo foi a protecção do Imperador Constantino.

Que esta Igreja continue a pensar a mulher no rés do chão da cristandade dá que pensar! Que lhe negue um sacerdócio (Ordem) que a nossa fé consigna na essência dessa fé, é inquietante...para todos nós que por esse mundo a fazemos. Inquietante e preocupante.

21 julho, 2010 01:53  
Blogger Mario Neiva said...

Meteram o Evangelho na gaveta!

Não queria fazer passar a ideia de que estou numa parceria com o Jorge para "malhar" na Igreja. Mas parece.
Domingo fui à missa, acompanhando a minha mulher e uma das minhas irmãs freiras, que passa férias aqui na minha casinha de Balugães. No caminho de Ponte de Lima fica Vitorino dos Piães, terra natal e de repouso eterno dos meus sogros. A filha, de saudade, colocou na campa um ramo de flores. Ali perto, na igreja paroquial, já se ouviam as vozes juvenis de um coro nem sempre muito afinado. Entramos mesmo a tempo de ver subir em direcção ao altar um cortejo aberto por um jovem empunhando uma singela cruz de madeira castanha sem o Crucificado, e fechado pelo sacerdote. Contei três meninas e três meninos, vestindo imaculadas túnicas brancas, cingidas pela cintura com um cordão, alvo como as vestes para a cerimónia. Os mais pequeninos teriam seis ou sete anos e os mais crescidos não passariam dos doze. Não estou certo, mas penso que todos desempenaram alguma tarefa ao longo da celebração eucarística. Parei a minha atenção na menina (dez anitos?) de longos cabelos loiros, a lembrar-me uma pequena Maria Madalena, quando se aproximou do altar, ocupou o lugar central, tomou o cálice e "preparou-o para a Ceia", recebendo de um menino o vinho e as «gotinhas de água» para a consagração.
Eu estava embevecido, ora recuando aos meus tempos de menino onde tal cena era impensável, ora avançando no futuro, anunciado diante dos meus olhos: uma pequena sacerdotisa, linda, loira e pura como um anjo, preparando a refeição do amor partilhado...
Nas catequeses de um Vaticano acorrentado à lei e às tradições, aquela cena profética não passa de uma diabólica aleivosia. Felizmente, nem o jovem pároco nem aquelas inocentes crianças parecem ter tido notícia das mais recentes diatribes lançadas pelos velhos e empedernidos bispos romanos contra a possibilidade do sacerdócio feminino.
Mas não tarda muito e aquela menina de cálice na mão vai ficar a saber que, por ter nascido sem pilinha, jamais poderá completar o ritual da Sagrada Ceia.
Tão jovem, o pároco, e tão longe da esperança evangélica!
A homilia foi lida de um papel, talvez recebido do Bispo diocesano. Repetiu-se o que sempre se ouviu: comportem-se como gente de bem, seguindo os bons exemplos dos profetas, no caso presente, Abraão.
(Aqui para nós, eu digo-vos para não irem à Biblia ler a história do Pai Abraão, com a intenção de lhe seguir os passos, porque ele enriqueceu prostituindo a mulher, formosa e cobiçada. Apresentou-a como irmã aos poderosos que a desposaram e cobriram o irmão (afinal marido) de riquezas. Quando descoberto o engodo, teve de sair do Egipto. Mas como as coisas correram bem da primeira vez, o Pai Abraão repetiu a dose, quando atravessava outro reino. Voltou rico à terra dos seus antepassados, aproveitando-se bem da beleza da esposa. Exemplar! Numa ou noutra passagem ainda encontramos na história do Pai Abraão uma réstia de humanidade...pescada para a homilia do dia. Quanto ao resto, o povo não precisa de ser elucidado. Nem foi à missa para tal. E é verdade.

21 julho, 2010 12:39  
Blogger Mario Neiva said...

(continuação)

E como muito pouco se elucida na missa ao Domingo, o jovem pároco, tão pouco elucidado como os paroquianos, quando apelava para que abrissem os cordões à bolsa para as festividades da Senhora de Lurdes e outras obras meritórias, sai-se com esta tremenda ofensa ao cristianismo: as pessoas vivem enterradas no egoísmo, num mundo cada vez mais egoísta.
Para quem, como eu, desde pequeno foi ensinado a viver da fé e da esperança cristãs no novo mundo, é chocante ouvir proclamar do alto do altar a mensagem da desesperança na humanidade. Literal e ignorantemente, o jovem pároco proclama que a humanidade caminha não para a ressurreição-transformação, mas para o precipício do egoísmo infernal.
Desinformado, longe de uma filosofia e de uma teologia cristã prenhes de esperança, acena com um mundo fantasmagórico que há-de cair do céu aos trambolhões no dia do Juízo Final. Serão um mundo e uma humanidade que não têm nada a ver com isto que nós somos e com o que estamos a construir.
Como se a História da Humanidade fosse apenas lenha para a grande fogueira do «fim dos tempos».
Ainda se prega isto nas homilias ditas cristãs!

21 julho, 2010 12:40  
Blogger ACOSTA said...

Caros AAAC: Tenho andado bastante arredado destas paragens, por força das minhas actividades, o que não quer dizer que de quando em vez tenhon vindo espreitar, o que comprova o interesse que nós nutrimos pelos comentários e reflexões que neste espaço vamos fazendo.Não posso deixar passar em claro que considero este nosso último convívio do Sameiro dos que mais repercussão está a ter, até pelos comentários que foram surgindo entretanto, e se calhar outros que estarão ainda no interior de cada um.É que se aquelas dezenas de pessoas não eram uma família(comunidade),não existe família nenhuma à face da terra que se deseje ver-se,reencontrar-se,irmanar-se tão bem como nós.È que as nossas vidas, de repente, misturam-se com as de todos os que pisámos aqueles caminhos daquela serra.Terá havido alguns momentos menos bons, mas o resultado(a amizade criada)suplantou tudo.Parabéns a todos os obreiros desta organização.

24 julho, 2010 00:05  
Blogger ACOSTA said...

Apenas uma informação de interesse:Hoje,24 de Setembro,pelas 11,30 passa na TSF uma entrevista creio que às Irmãs que estão em Tibães.

24 julho, 2010 00:18  
Blogger Mingos said...

Senhor gestor do "Blog"


Estamos sem notícias e sem
NOTÍCIAS não há comentários


- Noticias da O. Carm. e seus membros
- Noticias dos AAC, pesoais e colectivas
- Há eventos que podem e devem ser conhecidos
antes da sua realização
- Divulgar cultura
- etc.

24 julho, 2010 18:18  
Blogger Mario Neiva said...

Na missa não se aprende nada…


É minha convicção de que os cristãos não vão à missa para se instruírem mas impelidos pela sua fé.
Se pensarmos bem, a fé já respondeu às questões fundamentais que, de uma forma ou de outra, já todos formulamos: quem somos, donde viemos e para onde vamos. Podem relegar-se para segundo plano as primeira e segunda questão, mas a terceira, «para onde vamos», não sai da nossa cabeça, porque é o nosso destino final que está em jogo e parece claro que, desde os alvores da consciência humana, ninguém se conforma com o desgosto de uma existência tão breve. E, depois, a consciência das tragédias que assolam a vida de quase todos considera injusto que, além de curta, a vida seja permanentemente atribulada. Uma verdadeira luta pela subsistência.
É neste contexto que surge a fé numa vida que se prolongará para além da morte, superando-se a brevidade da existência, a mesma fé que traz a esperança de uma vida de felicidade total, em contraponto a esta vida presente sofredora.
No íntimo de cada crente que em cada domingo se dirige à sua missa subsiste o confronto com a consciência mais clara ou menos nítida com o nosso destino. Um destino que parece irremediavelmente trágico e ao qual só a fé oferece uma saída airosa.
Durante muito tempo, quase o tempo todo da história humana, a existência de uma Entidade criadora e protectora era aceite com a mesma naturalidade e certeza com se olhava o sol e a natureza, ao ponto de se identificar essa Entidade criadora e protectora com a própria natureza.
Mas chegou um tempo em que a ciência quebrou essa harmonia, onde tudo estava no seu devido e seguro lugar: Deus, a Natureza, o Homem. Desfez-se a identificação e confusão entre a Entidade criadora-protectora e a Narureza. Mas ao fazê-lo, a ciência criou um novo problema, porque se a natureza é a realidade palpável e mensurável, Deus (a entidade criadora protectora) perdia visibilidade e sustentabilidade e não podia ser deduzido pela razão humana. Tornou-se, como a teologia actual propõe, numa "dedução" da fé.
Sobre esta questão a teologia cristã pronuncia-se com firmeza e muita clarividência: a fé é um «dom de Deus» e não uma conquista da nossa razão.
Infelizmente, uma miríade de teólogos, encartados ou não, parece desconhecer esta afirmação soberana da teologia cristã e anda por todo o lado a tentar provar a existência de Deus, essa Entidade que se tornou invisível, quando deixou de ser confundida ou identificada com a Mãe Natureza.
Não vale a pena o senhor abade perder-se em longas homilias, pensando que ensina aos fieis coisas novas acerca de Deus, porque eles não vão à missa para aprender acerca de Deus mas quase só para alimentar e robustecer a sua fé. Uma fé em Deus que a dispensou «por graça», tal como ofereceu a própria vida.
Com a mesma simplicidade e espontaneidade com que aceitam todas as questões sem resposta acerca do nascimento e da morte, os cristãos aceitam o mistério de um Deus invisível e incomensurável.
No seu íntimo, é como se concluíssem: se não compreendo o mistério da minha própria vida que sinto e penso, como hei-de ter a pretensão de compreender Deus que não sinto nem penso!
A fé preenche esse vazio do sentimento e da razão.
A quem sentir o vazio e tiver uma mente inquieta.

25 julho, 2010 10:28  
Blogger Augusto said...

Ao teu comentário, caríssimo Amigo Mário, daqui, do remanso minhoto, da "Casa de Abbades", para onde me recolhi por uns dias, abordo a tua questão sobre o pretenso destino do homem. Os Seres, agora "in-carnados" neste formato terreno, não têm destino. São, digamos assim, o seu destino. Mas, como estão propositadamente esquecidos (enquanto aqui in-carnados), não se lembram de quem são e do que é que aqui andam a fazer. E, este é, mesmo, o problema maior dos humanos aqui, agora presentes. Por isso, é que é necessário que se proceda a algumas "rectificações" nos parâmetros vivenciais terrestres, para que aqueles que estão já despertos para a "Vida Viva" possam proceder ao encaminhamento adequado dos que se predispõem a seguir o caminho que para si traçaram antes de aqui chegar. Aos restantes, restará ser colocados em outros ambientes (o Universo está cheio deles) mais adequados à prossecução da sua caminhada evolutiva, de acordo com a maior ou menor resistência que ofereceram à penetração da LUZ dentro da seu Ser Individual.
E, em termos temporais, a operacionalização de tudo isto está a ser desenvolvida desde 1986/7 e prolongar-se-á até 2012,(e depois), de acordo com as "Divinas Orientações". Por isso tanto se fala de 2012.
Pessoalmente, penso que o importante não é discutir esta ou aquela religião, este ou aquele ensino....
O importante é começar cada um a descobrir-se a si próprio, a descobrir a sua grandeza divina, a sua Unidade Essencial com o Divino, a reconhecer que não é o corpo em que habita , que todos somos um só (por isso; o que fazemos aos outros a nós o fazemos), que devemos despir-nos do nosso egoísmo, libertar-nos dos nossos medos, sentimentos de culpa, ressentimentos, raivas, iras, enfim, de tudo o que separa e enriquecer-nos do AMOR Universal que é a Única "Realidade" que persiste em todos os Universos, por toda a eternidade.
Agora, "não posso" dizer mais.
A todos um grande abraço.
A ti, Mário, continua a tua jornada e procura contribuir para que rua, de vez, toda a teoria que só tem destruído o objectivo divino da humanidade.

25 julho, 2010 20:21  
Blogger Mingos said...

Gostei Mário Neiva!

E o que me diz o meu vizinho do lado!
(mestre em cultura Geral)


Existem três terminologias que dão significados a palavra “Missa”. A que vem do grego músis (iniciação), o hebráico (unctio?) e o latim missa. Explicam os exegetas nos seus estudos que a origem da palavra como está colocada acima, não condiz com a realidade. Senão vejamos: “A origem da palavra não pode ser nem o grego nem o hebraico. A razão é fácil de ser explicada. O Cristianismo que veio do Oriente, tem todas as palavras litúrgicas de origem grega ou hebraica e são registadas na Liturgia ou na Literatura das Igrejas Orientais. O que não acontece com a palavra missa, que é privativa da” Igreja Latina “. Baseando-se nessa premissa os estudiosos dizem que missa vem do latim. E aqui podemos supor duas origens: o feminino do adjectivo missus, que quer dizer enviado, e um substantivo missa, com o sentido de demissão, acto de despedir, despedimento. Podemos até deixar essa polémica de lado, e explicar melhor dentro das nossas possibilidades e conhecimentos”. Sendo adjectivo ou substantivo, a palavra Missa não vai mudar de nome, nem de ritual. Há mais de oito mil anos, na Etiópia, já se dizia Missa com a mesma identidade de hoje. É o que professa a Igreja católica nos dias actuais. A Missa quer queiram ou não, é mais um ritual religioso composto de várias etapas. “A hóstia que o pontífice, sacerdote ou padre, era uma consagração ao Deus Supremo, ao Todo-Poderoso, como o denominavam citadas entidades religiosas”. “Jô também pontífice e os demais que o conhecido Livro de Jô nomeia, tinha a forma circular, impressa nos dois lados. De um, a imagem do Sol, simbolizando a dinastia solar e, do outro lado, o Cordeiro, que era a mais pura representação da religião de Rama”.
A hóstia e o vinho são produtos das primícias da lavoura, eram consagrados pelo pontífice reinante ao Pai Todo-Poderoso, numa missa campal, na qual o povo comungava, juntamente com ele. Dizer que a missa foi criada pela religião católica é mais um facto de neófitos que não conhecem a sua religião. Ela foi introduzida na Igreja católica, que, aliás, copiou quase tudo das religiões antigas, pelo alexandrino Ammonius Sachha, fundador da escola neoplatónica de Alexandria e mestre de Plotino, Orígenes Longinos entre outros, quem a copiou e a deu aos padres católicos, que a souberam adaptar repticiamente ao seu culto. Entretanto, isso não quer dizer que seja desonra, mas que os adeptos da religião deveriam saber. Isso aconteceu depois da morte de Jesus Cristo, e serve de forte apoio ao romanismo. Na ilhas da Oceania é bastante festejada. Era conhecida como Avahna-Pudja, ou festa da presença Real de Deus; Suagata, elevação do cálice; Hassanah deu origem a Hosana. Invocação. Segue-se: Arkia consagração à hóstia; Madu-Parka, comunhão (no cálice de ouro), Dupa, incensamento do altar e do tabernáculo; Atchamavis, ablução das mãos (no alguidar de prata), Asservadam, benção aos fiéis e aspersão da água lustral ou benta como queiram, Niveddia, comunhão dos fiéis. Com esses apetrechos foi criada a famosa eucaristia. Era uma comemoração alusiva à presença de Deus e uma suposta antropofagia, onde se sacrifica Jesus, comendo-lhe a carne e bebendo-lhe o sangue.

25 julho, 2010 22:37  
Blogger jamissone said...

Boa, Mingos, gostei do teu comentário, pelo que de esclarecimento e recordação ele implica, para que as pessoas não andem a cantar de galo, pensando que o que o cristianismo(e cristianismo católico) tem, e diz ser seu, não é mais que puro plágio adapativo. Que prevaleça a verdade histórica.
Boa! Continua que dessas é que este blog precisa.....

25 julho, 2010 23:02  
Blogger jorge dias said...

Ora aqui está uma mão cheia de dicas para reflexão. Em absoluto, concordo, com parte da radicalidade do Jamissone. "O Plágio adaptativo" está por todo o lado no mundo Cristão e em suas praches liturgicas e para-liturgicas (como e.g. o mantra em que se transformou o Rosário, ou melhor, o mantra que é o Rosário). Outra coisa bem diferente, na estrita lógica da espiritualidade é a de concluirmos que que só por isso a liturgia cristã-católica e suas paraliturgias são destituidas de sentido ou em absoluto não produtivas, na lógica do nosso caro Mário ou até, neste caso, o Augusto que "os seres são, digamos assim, o seu destino". Há muito mais ciência naquela referência a 2012 que podemos imaginar! Entrem nessa literatura cósmica e garanto-vos a surpresa das descobertas.
Ha muito, mesmo muito tempo, que me inquieta a vacuidade imensa daquela celebração eucarística. Mas há tanto tanto tempo como esse me inquieta a ausência de um espaço que una, cultive, culturalize, faça crescer e engrandeça, dê razões de viver, crie sistemas de autocrontrolo e sistemas de relacionamento e relacionamento inter-activo como a missa nas gentes que a frequentam. É de tal maneira notória essa falha cultural para os não frequentadores da missa (entenda-se religião) que é comum afirmar-se que à medida que a religião (missa) sai, tem que entrar a polícia. Eu concordo e penso mesmo que essa afirmação só peca por defeito. Acrescentaria a essa missão de auto-controlo a cultura do espiritual. É indiscutivel a existência de um espaço de espiritualidade que se comunga na "alma" de uma celebração eucarística (missa). Não obstante a radicalidade de um certo Vaticano, aquelas crianças seriam mesmo já hoje "vergonhosamente" nesta cultura vaticanesca uma "diabólica aleivosia"(Mário).

Caro Mário, não vejo nem nunca vi onde é que a ciência se opõe à missa (celebração eucarística e liturgia da palavra)... Afinal a fé não é mais que uma forma de conhecimento oral e de tradição... (cuidado com o dom de Deus! Aí há mesmo muito problema!) incompatível com a ciência? Onde? Em quê? Talvez queiras dizer que há exageros na fé! Nisso estamos de acordo. Que certo clero não sabe ao que anda... pois, pois... de acordo! Às vezes até aposto comigo próprio a saída que vão tomar quando começam a calvalgar a asneira... Aprendi a dar o desconto e a tomar notas dos acertos...

Gostei muito de ver o Costa entrar com a sua leitura do enconttro do Sameiro, a família, a irmandade, a amizade... Eis a questão, como fazer da aaacarmelitas no tempo, de geração em geração, este espaço de família ou de famílias? Como seremos daqui a cem anos?

26 julho, 2010 00:58  
Blogger jorge dias said...

Ora aqui está uma mão cheia de dicas para reflexão. Em absoluto, concordo, com parte da radicalidade do Jamissone. "O Plágio adaptativo" está por todo o lado no mundo Cristão e em suas praches liturgicas e para-liturgicas (como e.g. o mantra em que se transformou o Rosário, ou melhor, o mantra que é o Rosário). Outra coisa bem diferente, na estrita lógica da espiritualidade é a de concluirmos que que só por isso a liturgia cristã-católica e suas paraliturgias são destituidas de sentido ou em absoluto não produtivas, na lógica do nosso caro Mário ou até, neste caso, o Augusto que "os seres são, digamos assim, o seu destino". Há muito mais ciência naquela referência a 2012 que podemos imaginar! Entrem nessa literatura cósmica e garanto-vos a surpresa das descobertas.
Ha muito, mesmo muito tempo, que me inquieta a vacuidade imensa daquela celebração eucarística. Mas há tanto tanto tempo como esse me inquieta a ausência de um espaço que una, cultive, culturalize, faça crescer e engrandeça, dê razões de viver, crie sistemas de autocrontrolo e sistemas de relacionamento e relacionamento inter-activo como a missa nas gentes que a frequentam. É de tal maneira notória essa falha cultural para os não frequentadores da missa (entenda-se religião) que é comum afirmar-se que à medida que a religião (missa) sai, tem que entrar a polícia. Eu concordo e penso mesmo que essa afirmação só peca por defeito. Acrescentaria a essa missão de auto-controlo a cultura do espiritual. É indiscutivel a existência de um espaço de espiritualidade que se comunga na "alma" de uma celebração eucarística (missa). Não obstante a radicalidade de um certo Vaticano, aquelas crianças seriam mesmo já hoje "vergonhosamente" nesta cultura vaticanesca uma "diabólica aleivosia"(Mário).

Caro Mário, não vejo nem nunca vi onde é que a ciência se opõe à missa (celebração eucarística e liturgia da palavra)... Afinal a fé não é mais que uma forma de conhecimento oral e de tradição... (cuidado com o dom de Deus! Aí há mesmo muito problema!) incompatível com a ciência? Onde? Em quê? Talvez queiras dizer que há exageros na fé! Nisso estamos de acordo. Que certo clero não sabe ao que anda... pois, pois... de acordo! Às vezes até aposto comigo próprio a saída que vão tomar quando começam a calvalgar a asneira... Aprendi a dar o desconto e a tomar notas dos acertos...

Gostei muito de ver o Costa entrar com a sua leitura do enconttro do Sameiro, a família, a irmandade, a amizade... Eis a questão, como fazer da aaacarmelitas no tempo, de geração em geração, este espaço de família ou de famílias? Como seremos daqui a cem anos?

26 julho, 2010 00:58  
Blogger Mario Neiva said...

«Ha muito, mesmo muito tempo, que me inquieta a vacuidade imensa daquela celebração eucarística»

Citei o Jorje Dias

Sobre a mesma reunião eucaristica eu escrevi:
«Não vale a pena o senhor abade perder-se em longas homilias, pensando que ensina aos fieis coisas novas acerca de Deus, porque eles não vão à missa para aprender acerca de Deus mas quase só para alimentar e robustecer a sua fé».

O que para o Jorge é «vacuidade imensa», para mim é fonte de alimento para «robustecer a fé».

A minha lógica é que tudo o que um crente faz, mesmo que seja participar numa celebração liturgica aparentemente rotineira, é produtivo.
Pode não produzir conhecimento, e é pena, mas alimenta o seu sonho do paraíso, ou seja, de felicidade. E para isso o crente vai à missa e não para aprender a semear batatas.

26 julho, 2010 14:30  
Blogger Mario Neiva said...

«Caro Mário, não vejo nem nunca vi onde é que a ciência se opõe à missa (celebração eucarística e liturgia da palavra)... Afinal a fé não é mais que uma forma de conhecimento oral e de tradição...»

Citei o Jorge Dias

E eu escrevi: «No seu íntimo, é como se (os crentes) concluíssem: se não compreendo o mistério da minha própria vida que sinto e penso, como hei-de ter a pretensão de compreender Deus que não sinto nem penso!
A fé preenche esse vazio do sentimento e da razão».
Trocando por miúdos: onde se revela a insuficiencia da razão humana para compreender os misterios da vida, a fé (pela missa, neste caso)aparece a colmatar as lacunas da razão e não como antítese da ciência.
Será sempre um artificialismo contrapor a ciencia à fé ou vice-versa, porque estamos a falar de realidades humanas diferentes. Não posso dizer que a fé e a ciência são produtos da nossa razão porque a teologia cristã abriu um novo capítulo nesta discussão, apresentando a fé como uma «graça concedida» e não como uma descoberta da fulgurante inteligencia humana.
É uma peculiaridade fabulosa da teologia cristã, a abrir um novo capítulo na relação do Homem com a Divindade.
O cristianismo tem destas pequenas maravilhas que me surpreendem e cativam.
Neste caso está a afirmar, simplesmente, que o cristão não se rende perante o impasse a que chegam constantemente os esforços da ciência.
Estabelece uma relação pessoal de amor ou amizade com o Infinito que nos seduz com as suas «graças», os seus «dons».
E quem não adora ser seduzido pelo amor de alguém, do qual andamos justamente à procura desde o dia em que nascemos!

26 julho, 2010 15:05  
Blogger Mingos said...

“Será sempre um artificialismo contrapor a ciencia à fé ou vice-versa, porque estamos a falar de realidades humanas diferentes. Não posso dizer que a fé e a ciência são produtos da nossa razão porque a teologia cristã abriu um novo capítulo nesta discussão, apresentando a fé como uma «graça concedida» e não como uma descoberta da fulgurante inteligência humana.”
Citei o Mário Neiva


E eu digo que:
vivemos um momento impar de nossa civilização, pois passamos por uma mudança profunda na compreensão da pessoa, da natureza e da identidade do nosso existir. Paira sobre nós uma espécie de insegurança, pois os paradigmas anteriormente estabelecidos foram sensivelmente abalados pelas mudanças inauguradas pelo advento da nova civilização em curso.

A modernidade, sobretudo a partir do Sec. XVI, com a filosofia cartesiana de Renê Descartes, abriu os horizontes do pensamento para novas tentativas de compreensão das perguntas instigantes sobre a existência humana e o seu fim, sobre a história e o fenómeno social. Ao lado do estabelecimento das novas solicitações, tivemos outros grandes incrementos ocidentais, a saber: a Revolução Francesa e a Revolução Industrial que favoreceram grandes deslocamentos do eixo no pensamento humano e por conseguinte no comportamento dos povos.

O Advento da ciência, sobretudo impulsionada pelo positivismo de Augusto Comte, influenciou sobremaneira a metodologia de compreensão da pessoa e do mundo que a circunda. Não é de se negar que houve um endeusamento dogmatizante da ciência e do próprio homem como a medida de todas as coisas. O resultado não foi o melhor, pois o autoritarismo do cientificismo sem regras éticas ou simplesmente impulsionado pelo interesse económico acabou por inaugurar um certo desencanto com a existência que dia a dia cresce entre nós. Com todo o aparato científico e os seus desdobramentos vivemos a incerteza da conservação da vida no planeta, pois a própria ciência colaborou para estragar e adoecer a natureza.
Com todo o avanço técnico e científico não tivemos como evitar duas grandes guerras que ceifaram milhões de pessoas na pior das atrocidades contra a dignidade e a liberdade humanas. Certos teóricos chegaram a prenunciar, banir a fé e a religião da vida da sociedade. O filósofo alemão Nietsche chegou a anunciar que havia matado Deus. Mas quando morreu, em 1900, um estudante de Nova York fez questão de escrever num viaduto que Nietsche havia morrido e quem estava a dar a notícia era o próprio Deus.

Creio ser importante pensar um pouco sobre o acto de crer e o acto de saber, de pesquisar. Há muitos que defendem a oposição cerrada entre fé e ciência. Tal mentalidade chega até a dar a entender que ter fé, professar uma religião é algo tremendamente atrasado e infantil. Esse tipo de postura nada mais é do que um reducionismo autoritário de um pensamento que diminui a realidade da pessoa humana e subleva a possibilidade do aperfeiçoamento do seu ser.

O homem não é apenas um composto bioquímico de elementos conjugados que lhe confere um comportamento de compreensão do que o circunda. O homem é um ser, uma entidade viva e vivificadora, capaz de transcender e fecundar com a sua existência os desdobramentos do pós muro histórico, ou seja, o homem é transcendente, é imortal, é espírito.

Dotado de inteligência e vontade, o homem é o único ser livre por excelência, pois recebe a liberdade do próprio principio incriado que é Deus, o princípio sem princípio, a fonte sem fonte. Obviamente que pela via racional o homem é capaz de ascender de si mesmo e da realidade fenomenológica que o circunda e mergulhar na luz eterna que é o seu Criador.

26 julho, 2010 20:17  
Blogger Mingos said...

Eu digo que: II

Mas será possível as pessoas serem cientistas e ao mesmo tempo terem fé e expressar essa fé mediante uma prática religiosa? Claro que sim, é perfeitamente possível ter ciência e ter fé, pois ambas as solicitações se conjugam na unicidade do único ser que é o homem. Uma das coisas que mais nos entristece, é encontrar um homem da Ciência que seja ao mesmo tempo homem sem fé.

Isto, pela simples razão de que o pesquisador é aquele que mais de perto pode “tocar” a face de Deus, oculta, mas presente, nas maravilhas da natureza. Muitos pesquisadores não se abriram para a transcendência do mistério de Deus, que sustenta toda a natureza.
O cientista deveria ser o “primeiro” a dobrar os joelhos e curvar a cabeça para adorar e servir “Aquele que É” (Ex. 3,14) e que criou todos os seres, do nada.

Que alegria, por outro lado, quando, por exemplo, podemos lembrar Max Planck (1858-1947), prémio Nobel de Física em 1918, pela descoberta do “quantum” de energia, afirmar: “O impulso do nosso conhecimento exige relacionar a ordem do universo com Deus”. “... desde a infância a fé firme e inabalável no Todo Poderoso e Todo Bondoso tem profundas raízes em mim. Decerto os Seus caminhos não são os nossos caminhos; mas a confiança Nele nos ajuda a vencer as provações mais difíceis.”

A importância da fé foi também reconhecida pelo pintor impressionista Auguste Renoir, que ao comentar certas obras de grandes pintores disse: “Nas obras de antigos mestres jaz uma confiança suave, serena. Ela provém duma conduta despretensiosa, simples, que não existiria sem a fé religiosa como motivo primeiro. O homem moderno, porém, enxotou Deus - e assim perdeu segurança.”

Ou quando Andrews Millikan (1868-1953), prémio Nobel de Física, em 1923, pela descoberta da carga elétrica elementar, também dizer que: “A negação de Deus carece de toda a base científica”.

Da mesma forma Antoine Henri Becquerel (1852-1908), Nobel de Física em 1903, descobridor da radioactividade, afirmou: “Foram as minhas pesquisas que me levaram a Deus”.

Albert Einstein (1879-1955), Nobel de Física em 1921, pela descoberta do efeito foto-eléctrico, disse: “Quanto mais acredito na ciência, mais acredito em Deus”. “O universo é inexplicável sem Deus”.

Erwin Schorodinger (1887-1961), prémio Nobel de Física em 1933, pelo descobrimento de novas fórmulas da energia atómica, afirmou: “A obra mais eficaz, segundo a Mecánica Quantica, é a obra de Deus”.

O próprio Voltaire, racionalista e inimigo sagaz da fé católica, foi obrigado a dizer: “O mundo perturba-me e não posso imaginar que este relógio funcione e não tenha tido relojoeiro”.

Eddington, astrofísico falecido em 1944 afirmava convicto que “nenhum inventor do ateísmo foi pesquisador da natureza”. Muitos cientistas, infelizmente, ´obrigam-se´ a atribuir ao “acaso” toda a criação de Deus, como que para não pronunciar o seu nome.

A antiga revista soviética Questões fundamentais de Ateísmo Científico, do Instituto para o Materialismo, que circulava nos tempos do comunismo na União Soviética, chegou a escrever, no passado, que: “os seres vivos formaram-se por si mesmos, desenvolvendo-se por um processo natural de necessidade interna, sem recorrer, para tanto, à intervenção sobrenatural de um (algum) “deus´criador”, como quer a religião” (É bom lembrar que isto foi antes da queda do comunismo).

Os cientistas que se dizem materialistas, querem substituir Deus pelo acaso, como se este fosse inteligente e capaz de programar e executar algo. Vale a pena lembrar aqui a palavra do Dr. Adolf Butenandt, falecido em 1995 e prémio Nobel em Bioquímica:
“Com os átomos de um bilião de estrelas, o acaso cego não conseguiria produzir sequer uma proteína útil para o ser vivo”.

O acaso é cego e não pode criar nada. Tudo o que existe fora do nada é “obra” de uma inteligência. O Dr. Edward Cooling, biólogo americano, afirmava aos adeptos do acaso que: “A probabilidade de se ter a vida originada por acaso é comparável à probabilidade de um dicionário completo resultar da explosão de uma tipografia”.

26 julho, 2010 20:19  
Blogger Mingos said...

Eu digo que III


Na verdade, como disse o Dr. Edward Mitchell, astronauta da Apolo 14, um dos primeiros homens a pisar na Lua: “O Universo é a verdadeira revelação da divindade, uma prova da ordem universal da existência de uma inteligência acima de tudo o que podemos compreender”.

Mingos

26 julho, 2010 20:21  
Blogger jorge dias said...

Caro Mário, cito-nos,citando-te:
"O que para o Jorge é «vacuidade imensa», para mim é fonte de alimento para «robustecer a fé».Em absoluto de acordo só que para mim essa vacuidade também robustece a fé (conhecimento) como aliás bem sobressai do contexto por inexistência de outra ou outras nstituições.

Felicito-te pela maravilha dos cordelinhos que pegaste.

Tenho tentado perceber a fé, como dom,terminologia que uma vez mais usaste, e, cada vez, que penso no tema da fé-dom, ela me parece algo bem mais natural e ligada às nossas capacidades cognoscitivas e menos a uma hipotética dádiva exclusiva de uns e não de tanto outros. Cada vez mais a fé emerge na minha mente como forma de cohecimento ou, se isso for relevante, cada vez mais como um dom comum a todos os que se encontram dentro do universo dos que puderam ouvir falar dos seus conteudos, seja na família, comunidade, seja pela tradição ou leitura da Bíblia. Resultado final: fazer o bem e evitar o mal e sempre em peregrinar colectivo: caminhai e amai-vos...fazei o bem. Tudo o mais é só enchido a gosto do freguês e para manter activas as instituições.

Como comecei, vacuidade às vezes também dá alma, gozo e um bom par de foguetes "lembram" a Deus que estamos em festa. E, não obstante, tenho uma enorme gratificação em saber que por uma cereminónia formal de baptismo me fizeram parte de uma das maiores instituiços do mundo e, de resto, o carisma do líder, Jesus, claro, tem hoje, incrivelmente, mais força e vigor que há dois mil anos. Servidores fracos os da tal vacuidade!? Pois, e eu que servidor sou na mesa do bem?

Pois alevá.

27 julho, 2010 02:52  
Blogger Mario Neiva said...

Foi Você Que Pediu Um Cálice de Platonismo?


Alguém lembrou que era necessário introduzir temas para puxar o comentário e eis que o caro Augusto se prontificou a servir-nos, em odres novos, a velhíssima e sempre saborosa “pinga” de Platão.
Ai Platão, Platão! Partiste o homem em dois pedaços a que se chamou «corpo» e «alma» e como está difícil juntá-los, agora, para reconstruir o ser humano.
Quase pachorrenta, a história da Terra prosseguiu o seu curso, vencendo as investidas de secas e dilúvios prolongados, de milénios de calores tórridos a alternar com eras glaciares.
Devíamos estar orgulhosos de uma mãe tão valorosa, heróica mesmo, que enfrentou os céus e os infernos para nos dar à luz e colocar num berço paradisíaco. Fez-nos vislumbrar, desde o princípio, a ternura e a determinação no seu olhar, preparando-nos para a mesma luta que desde sempre foi a sua para nos gerar.
Era a nossa vez e a Mãe Terra estava a dizer-nos: sede heróis pela vossa vida como eu fui no vosso parto.
Estavam mãe e filho «postos em sossego», cada qual cumprindo o seu papel, e eis que surge Platão, tentando separar o que uma feliz maternidade desde sempre unira.
Consciente da sua personalidade adulta, atrevido quanto baste, Platão considera-se auto-suficiente e chega a esboçar um ar de desdém para com a Mãe-Terra que o trouxera á luz do dia, ao fim de biliões de anos, num parto bem sucedido.

Filho ingrato que és, ó Platão! Esqueceste o ventre que te gerou e, quem sabe, as mãos que haviam de amparar cada partícula do teu ser, na hora em que tudo parece esfumar-se em nada.
Vens dizer-nos, Platão, que não somos filhos da nossa mãe, só porque pensamos e sentimos como alguém que atingiu a maioridade e já não precisamos dela para nada. É certo que ganhamos a nossa independência. Olhamos a Mãe-Terra e não paramos de lhe fazer perguntas, como um miúdo irrequieto, inteligente e insaciável na vontade de saber. Mas isso não devia levar-te a esquecer a ternura do olhar materno e a vida que te deu a vida.

Platão, menino traquinas e genial, afastou-se da sua mãe, esqueceu-se da nossa vida em seu rosto e acabou a ensinar que nós, filhos legítimos da Terra, somos apenas sombras de vida!
Falou de nós como se estivéssemos desterrados, exactamente quando usufruímos todas as delícias que a Mãe Terra nos dá como presente, considerando uma ilusão a vida que vivemos, sentimos e pensamos.
Contentou-se com pouco, em sua mente, quando a Mãe-Terra tudo lhe dava.
Hoje em dia, os seguidores de Platão não dizem que somos «sombras» do SER. Dizem que somos « formas» do SER, que é mais moderno. Partindo-se sempre do princípio de que somos dois pedaços irreconciliáveis, justapostos ao nascer e separados na hora da morte.
Eruditamente diz-se «re-incarnação» e «des-incarnação».
Não seria mais sensato aceitar a realidade simples e harmoniosa que emerge envolta no mistério que nos empolga, intriga e desafia?
E nos faz perguntar: Mãe-Terra, quem somos nós?
Impacientes, muitos chegam a recriminá-la: porque nos deixas sem resposta?
Vinda das profundezas do Tempo, a voz do Infinito, calma e sábia, questiona a minha e a tua impaciência:
A Mãe-Terra demorou uma eternidade a dar-te à luz e tu queres ver realizado o teu destino mal acabas de nascer?

27 julho, 2010 14:58  
Blogger Augusto said...

A propósito do comentário do Amigo Mário Neiva:

Quando estudante, os ensinamentos de Platão foram-me transmitidos como se fossem, ou abstracções puras, ou belas histórias para entreter "papalvos". Os anos passaram, os estudos continuaram e, eis que começo a constatar que os "estudiosos" de Platão, não tinham, simplesmente, percebido fosse o que fosse de Platão. E mais, constatei que, há mais verdade nos ensinamentos de Platão do que em muitas escrituras ditas "reveladas".
Por agora aqui me fico, pois brevemente abordarei uma das tais histórias (ou alegorias) que, na minha perspectiva, ao longo dos séculos, raríssimos entenderam.

27 julho, 2010 20:03  
Blogger Mario Neiva said...

«Tenho tentado perceber a fé, como dom, terminologia que uma vez mais usaste, e, cada vez que penso no tema da fé-dom, ela me parece algo bem mais natural e ligada às nossas capacidades cognoscitivas e menos a uma hipotética dádiva exclusiva de uns e não de tanto outros».

Neste pequeno trecho, Jorge, pegas o cerne da questão. Cautelosamente, e fazes bem, escreves que te «parece algo bem mais natural» que a fé resulte de alguma forma de conhecimento, seja pela tradição, seja pela actividade especulativa. Assim sendo, a fé estaria ao alcance de qualquer um, que a ela podia aceder através do meio cultural em que nasce e cresce ou, «a posteriori», através do estudo ou da pregação que resulta em conversão. Nos casos extremos, quando normalmente se criam novas religiões, nem é a tradição cultural nem o estudo, mas uma «revelação» ou uma «aparição» que despoletam uma forma de fé.
Não vou perder tempo com o conteúdo de cada fé, porque, na verdade, é o que menos me interessa e também o que mais desavenças, guerras e morticínios provoca. O que me interessa mesmo é o “movimento “ do coração do homem na procura incessante para conhecer e realizar o seu destino, se algum destino existe. E o crente pensa que existe um destino para si.
E eu também penso que existe um destino para o homem. Discordo é das formas sonhadas e criadas para o descobrir e realizar. E o problema, e mais que problema é mistério, começa logo ali, quando a gente constata que desconhece qual seja o nosso destino. Por isso nos sentimos embaraçados e perplexos quando olhamos as diversas formas para a sua concretização, expressas nas liturgias e nas teologias dos crentes.

A peculiaridade da teologia cristã, a tal que me prende a atenção, é propor a fé como um dom a que nem todos têm acesso, como se tratasse de uma «dádiva extra», tão gratuita como o próprio e universal dom da vida. Lembremos a parábola dos assalariados do Evangelho. Foi acordado um salário para a jorna, entre o dono das terras e os trabalhadores. Se no fim do dia o dono resolve pagar tanto ao que trabalhou o dia todo como o que trabalhou apenas duas horas, ninguém deve sentir-se injustiçado. A dádiva inesperada para quem apenas trabalhou duas horas releva da abundância da generosidade de coração do dono da seara.
Concluiríamos que o dom da vida (o salário contratado) é o justo e é universal. O dom mais restrito da fé é um carinho que revela o amor do Dono da Seara e, como amor que é, não segue as normais leis da justiça e do contrato. Como quem diz, o amor está acima da lei, como se fartou de pregar Paulo de Tarso. E é este amor a revelação última do que acontece no coração do Dono da Seara.
Com este exemplo fica claro que a fé, como um dom, não resulta nem do normal esforço humano, nem do conhecimento de todas as leis da natureza. Bem poderíamos esperar sentados, se estivéssemos à espera de conhecer todo o universo, para depois começar a acreditar…
De uma forma maravilhosa, a teologia cristã “dá a volta ao texto”, introduzindo a deliciosa e surpreendente variável do amor do Dono da Seara.

Foi a descoberta da minha vida. Esta vida que me foi dada, de imediato pelos meus pais, viria a ser contemplada com o amor de quem me ama.
Mesmo antes de eu saber quem sou ou donde venho, vi, ao fim de um dia ou de vinte anos de trabalho, ser-me oferecido um dinheiro que não ganhei e não mereci.
E o amor é isso. E é retribuir um salário imerecido.
Apetece perguntar esta loucura: quando acabará o “trabalho” remunerado?

28 julho, 2010 09:01  
Blogger cultura em pacotes said...

S O S - Pedido de socorro

Interessado em resolver o problema de como usar a electricidade para enviar mensagens à distância, o inventor americano Samuel Finley Breese Morse (1791-1872) patenteou junto do governo do seu país, em 1837, um sistema composto por transmissor de mensagens, receptor magnético e código de cliques e pausas, que ao serem recebidos e devidamente aproveitados, se transformariam na impressão de letras ou caracteres comuns de escrita. Era o sistema de telegrafia, que no entanto só viria a ser aceite sem restrições pelas autoridades mundiais após o decorrer de muitos anos.

Em 1845 Morse criou um alfabeto de fácil memorização, constituído de pontos, linhas e espaços que ao serem combinadas formavam letras e números. Para isso ele aproveitou o trabalho do físico e inventor italiano Tibério Cavallo (1749-1809), que em 1795 já tinha concebido a ideia de transmitir sinais por meio de linhas e pontos. Poucos anos depois, quando uma comissão de países europeus trabalhava na definição do Código Morse Internacional, os seus membros decidiram adaptá-lo a algumas necessidades que haviam levantado, e para isso introduziram modificações no sistema. Uma delas foi a criação de um sinal específico para pedidos de socorro, fácil de ser lembrado em situações de emergência mesmo por quem não tivesse os maiores conhecimentos de telegrafia.

Assim nasceu o S O S sem pontuação, que muitos dizem ser abreviatura das palavras “save our souls”, que significam “salvai nossas almas”, ou então “save our ship” (salvem o nosso navio), que outros tantos garantem ser o verdadeiro sentido da mensagem em sigla. Na realidade, o motivo dessa escolha foi a facilidade da sua memorização, pois além de ser a mais simples possível (oralmente diz-se "di di di da da da di di di")., já que era formada por três pontos (toques curtos), representando a letra “S”, e três traços (toques longos) representando a letra “O” (... --- ...), a transmissão de um pedido de socorro também seria rápida, ao contrário de um OSO (--- ... ---), por exemplo, que levaria mais tempo para ser expedida.

O primeiro país a adoptar esse sinal foi o governo da Alemanha, no 1º de Abril de 1905, enquanto os demais passaram a aceitá-lo como padrão mundial durante a realização da segunda International Radiotelegraphic Convention, em 3 de Novembro de 1906. Essa disposição foi efectivada posteriormente, no dia 01 de Julho de 1908, quando ele então substituiu definitivamente o que se usava até então (CQD). Como registo temos que o primeiro navio a enviar um SOS pelo rádio foi o Arapahoe em 1909, que se encontrava perdido ao norte do continente americano.

O fim do sentido original do SOS deu-se em Janeiro de 1999 quando foi oficialmente “aposentado” o serviço de telegrafia Morse nas comunicações marítimas. A Autoridade de Segurança Marítima da Austrália foi a última organização internacional a deixar de reconhecer oficialmente o sistema. A Rádio Melbourne realizou a transmissão final em código Morse no seu Serviço Móvel Marítimo às 23:59 UTC do dia 31 de Janeiro de 1999.

Em relação a Morse, ele lutou contra constantes entraves judiciais respeitantes ao direito da patente, que o obrigaram a gastar somas consideráveis, até que finalmente venceu a questão. Agraciado pelos governos de toda a Europa, inclusive com honorários, o inventor passou a ser considerado um benfeitor da humanidade.

28 julho, 2010 15:50  
Blogger jorge dias said...

Felizmente que os sistemas binários ultrapassaram o Morse. Mas em dois me fico para me reportar ao comentário do Mário muito ao de leve e muito sumariamente. Eu esperava de ti algo do género e não. Face ao que dizes, em expressão solidária, dir-te-ia, que assim sendo, preferia não ter fé. Por outra, nestas circunstâncias tenho a mesma fé que tu. E eis, meu caro, como se pode dar a volta à questão "dogmaticamente" e sem ferir susceptibiliades: assim não quero ter fé porque eu apenas quero ser como todos! Porque haveria eu agora de ser excepção, mesmo que por escolha de um Deus? Sabes, estas escolhas não se coadunam bem com o meu Deus de boa nova...

29 julho, 2010 01:56  
Blogger cultura em pacotes said...

CINTO DE CASTIDADE – Verdade ou mentira?

O cinto de castidade é uma espécie de faixa fechada a cadeado que os maridos mais zelosos usavam na Idade Média com a intenção de guardar a castidade das suas mulheres. Para ser utilizado o objecto metálico era devidamente ajustado ao corpo da esposa e depois trancado à chave pelo marido desconfiado, permanecendo desse jeito até que ele retornasse ao lar. Sobre tal costume alguns historiadores duvidam de que seja verdadeiro, enquanto outros acreditam que a razão da existência desse tipo de cinto não tinha nenhuma relação com a preocupação dos maridos quanto a fidelidade das esposas, mas sim com a certeza de que os filhos gerados por elas eram realmente deles, para que a linhagem familiar continuasse a manter o domínio das propriedades.

Uma outra corrente de estudiosos defende a tese de que os cintos de castidade, na verdade, teriam surgido no século 19, durante a chamada época vitoriana, um período marcado por forte puritanismo, mas contrariando essa opinião o poeta grego Homero, que viveu entre os séculos 11 e 7 antes de Cristo, diz na sua Odisséia que Hefesto, deus do fogo e da fundição, forjou um cinturão de bronze para que a sua amada Afrodite permanecesse fiel a ele, enquanto outras obras da Idade Média também fazem referência a essa estranha peça imaginada para impedir o prazer de muita gente. Para completar, há pouco tempo foi divulgada a notícia de que arqueólogos tinham descoberto o esqueleto de uma mulher que viveu entre fins do século 16 e princípio do século 17, no qual eles encontraram uma faixa de metal protegendo a região genital.

Para complicar ainda mais a situação, o Museu de Cluny, na França, e o Museu Britânico, na Inglaterra, descobriram em 1966 que os cintos de castidade pertencentes aos seus acervos e considerados como medievais, eram falsificações do século 19, e por isso eles foram retirados das vitrinas. Mas apesar da existência de dúvidas e interrogações sobre essas incómodas peças íntimas do vestuário feminino, aparentemente elas estão a ressurgir em casas especializadas no comércio erótico.

E por incrível que pareça, os jornais noticiaram, em Fevereiro de 2004, que uma britânica de 40 anos activou o alarme do detector de metais no aeroporto de Atenas, porque estava a usar um cinto de castidade. Segundo um jornal da capital grega, ela explicou aos policias que o seu marido a obrigara a usar o cinto para se assegurar de que ela não o enganaria durante a sua breve estada naquele país.

29 julho, 2010 09:56  
Blogger Mario Neiva said...

Tudo bem, Jorge, mas não fui eu que criei a teologia da fé «como um dom». Limitei-me a referir a novidade da teologia cristã.Por mim, escolhe a formula de que mais gostares porque eu limito-me, nestes casos, a olhar os movimentos da vossa alma.

29 julho, 2010 12:20  
Blogger Mario Neiva said...

Este comentário foi removido pelo autor.

29 julho, 2010 13:41  
Blogger Mario Neiva said...

"Baculum Castitatis"

Meu caro Pacore de Cultura

O saudoso Pe Casimiro era Prior da comunidade carmelita da Casa da Mata, em Felgueiras, onde funcionava o noviciado da Ordem. Bondoso, culto e brincalhão, certo dia contou-nos, durante um daqueles belos passeios pelos arredores do noviciado, que era costume, nos conventos carmelitas, pendurar um pequeno bastão de madeira nas casas de banho, para ajudar os fradinhos a enfiar a fralda da camisa nas calças, precavendo-se, deste modo,a tentação de tocar os «santos órgãos» genitais ao executar a rotineira e prosaica função.
Nós, os jovens noviços, fartamo-nos de rir com o querido Pe Casimiro.
Mais um memória dos meus tempos de carmelita,o «pau da castidade». E se pau havia, meu deus!

29 julho, 2010 13:48  
Blogger Mario Neiva said...

Pacote, Pacote...

29 julho, 2010 13:49  
Blogger Salvador Costa Santos said...

Ena pá que tantos gabirus agora pululam por aqui.
Acho que vou suspender as vacancas, para votar aqui quatro labórdias daquelas de arrepeiar os mais santificados e piadosos, aaac e quem sabe, até os fingidos, como me recordo de alguns lá pela Falperra. Mesmo assim, belos tempos!

29 julho, 2010 20:24  
Blogger domingos coelho said...

Rosalino Durães

Família

De Deus o sinal mais belo

Da Sociedade o maior elo

Da Terra a maior União

Do Céu a Maior doação!

" Será que eu fui digno do teu gesto? "

Obrigado por aquele Domingo
coelho

29 julho, 2010 22:16  
Blogger E.DOMINGUES said...

« Ó COELHO »

Se fosse oito dias para a frente, diria

que fostes à Santa Marta com o Durães.

Onde quer que fosseis foi óptimo, limaram

arestas. E diz o Povo da discussão nasce a Luz.

Fico feliz. Que a vossa amizade perdure para

sempre.


E as nossas recordações!... - Porque não dizer

saudades, porque eramos mais novos, hoje

tinhamos a Festa de Santa Marta, lá iamos cantar

a missa, recolhiamos ao Seminário, refeiçao me-

lhorada e ontem como hoje funciona o profano e

nós aí isolados, dar uma passeata pela festa

nem pensar, é como diz um amigo meu é mundo

eram outros tempos, mas ao menos cheirava a

férias, era véspera de fazer as malas, toca a

ir matar sardades para a nossa aldeia,

apresentar-nos ao Sr. Pároco, disponibilizan-

do-nos para colaborar, na Missa na Catequese

enfim saudades ...


Pobre Faperra, velha amiga de contos aterrado-

res, reproduzidos de lar em lar nas aldeias de

todo o norte.

Como te chegou a decadência, Nem um assalto à

mão armada, nem um indício sequer de uma qua-

drilha de ladrões para que a gente pensasse

atraverssar-te de pistolasno arção da sela e

clavina aperrada, pronto a desfecher contra o

primeiro bandido, quando nmão era contra a

primeira sombra ! ...


P O B R E F A L P E R R A - Enxerto de cele-

bríssima obra do « MINHO PITORESCO » da

autoria de José Augusto de Oliveira - 1887


Terreiro de Santa Marta

Eu heide mandar varrer

Com um raminho de oliveira

Que D,oiro num Pode ser



Santa Marta da Falperra

Eu heide Mandar Bordar

Um Tapetinho de Linho

Para as Moças nele Dançar



Santa Marta do Leom

Eu pró Ano heide lá ir

Ou Casado ou Sulteiro

Ou criado de Serbir



Santa Marta das Cortiças

Lebo Augua para Regar

Sou criado de Serbir

Nom me posso demorar



Ó Santa Marta do Alto

Abaixai-me Esta Barriga

Que nom sei não sei que trago nela

Sé de Garrafa ou Sé de Pipa



Ó Santa Marta do Alto

Alumiai-me o caminho

Estou triste e cansado

já estou muito velhinho


E assim recordei aquele pulmão verde que nós
jamais esqueceremos, como estaria a Nossa
Falperra se o nosso « Casarão » , não fosse
recurado para um hotel.
Lamentávelmente é sempre um lugar de rivalidades
entre Braga e Guimarães ou melhor entre Santa
Cristina de Longos e Nogueira, com uma festa
onde polifera o profano com desgarradas e
Consertinas, feira e comesainas, e talvez pelas
rivalidades que como em todas as romarias, aqui
o profano e o sagrado não andam de mãos dadas.


A Falperra poderia ser muita coisa. Um Parque
Natural urbanizado; esplêndida Zona para Lares de idosos; e porque não um grande Hospital. Enfim um bela área paradísiaca que com insentivos daria uma bela estância turistica.


Era preciso a mesma sorte do CONVENTO DE TIBÃES.

29 julho, 2010 23:59  
Blogger Mario Neiva said...

Foi você que pediu um cálice de platonismo?
II
Caro Augusto

Não tenho a mínima vontade de esmiuçar a filosofia de Platão. Também não briguei propriamente com Platão mas com o «platonismo». Platão expôs o seu pensamento sob forma de mitos e alegorias, como se estivesse a dizer-nos que uma pequena história vale por uma multidão de discursos.
Na sua famosa «Republica», conta o mito do destino. Neste mito a personagem Er morre numa batalha e ressuscita ao fim de 12 dias. Pode contar aos homens a sorte que os espera depois da morte. Cada um voltará à vida para recomeçar e poderá aproveitar a experiência da vida anterior e optar por uma vida mais virtuosa e sábia. Nenhum demónio ou divindade vai escolher por si. É livre, ao recomeçar, em nova encarnação.
O fatalismo da morte acaba, quando o homem tem a possibilidade de reencarnações sucessivas, escolhendo criteriosamente a forma de viver a nova vida depois de toda a experiência e conhecimento acumulado em vidas anteriores.

Como este, Platão inventou mitos carregados de lições para vida. Estes mitos foram interpretados como expressão do seu pensamento, o que está certo, mas também foram considerados como narrativas factuais. O que está errado! Por exemplo, como se ER, no mito do destino, tivesse travado uma batalha concreta e tivesse sido morto e ressuscitado doze dias depois para contar como era, de facto, o nosso destino.

Extrapolou-se do mito para a realidade e passou a acreditar-se que a cada morte segue-se uma ressurreição. Platão quis dizer isso?
Responda à pergunta o caro Augusto, porque eu, seguramente, não pertenço ao grupo dos «raríssimos» que entenderam bem Platão…
Por mim diria que Platão era inteligente demais para confundir mito com realidade e ele saberia por experiência própria e introspecção profunda que nunca antes vivera uma outra vida. Tão pouco dera conta que o seu adorado mestre Sócrates ressuscitara depois de beber a cicuta fatal. E como ele desejaria beber-lhe, mais uma vez,as sábias lições!
O que Platão conhecia era aquela verdade incontornável proclamada por outro grande filósofo grego Heraclito: «nenhum homem se banha duas vezes nas águas do mesmo rio, porque nem o rio nem o homem são os mesmos».
Platão percebeu que a nossa história é como um rio em fluxo, em perpétua mudança. De facto, amanhã não serei o mesmo e posso escolher hoje a forma como vou viver depois de acordar em cada manhã.
No mito do destino, o homem é alertado para escolher convenientemente a sua conduta e pode, assim avisado, recomeçar uma nova vida.
Quem terá «forçado o texto» e inventado uma cadeia de vidas e ressurreições anteriores de que nenhum de nós, nem Platão, tem memória?
Não me importava, nem um pouco, que fosse verdade. E já agora, era capaz de deixar para amanhã, quer dizer para uma outra vida, o que poderia fazer já nesta. Afinal, teria pela frente uma infinidade de vidas para viver…
Platão ensinou isso, caro Augusto? Responde-me, se acaso pertences ao número dos «raríssimos» que o entenderam.

30 julho, 2010 00:36  
Blogger cultura em pacotes said...

DICIONÁRIOS

– Qual foi o primeiro?

Dicionários são colecções de palavras de uma língua, dispostas em ordem alfabética e com o seu significado na mesma ou numa outra língua. Eles existem desde a Antiguidade, quando os impérios de Assírios e Babilónios, que floresceram por volta de dois mil e quinhentos anos antes de Cristo, empregavam algo parecido para explicar os sinais cuneiformes que formavam seus ideogramas, precursores do alfabeto escrito hoje utilizado.

Mas os verdadeiros criadores dos dicionários foram os gregos, a começar por Apolonio de Alexandria (século I da nossa era), gramático grego conhecido como O Sofista, que preparou o primeiro deles, o “Léxico das palavras de que se serviu Homero”. Depois surgiram outros, tratando das palavras e frases ambíguas dos poetas trágicos e cómicos, ou então dos termos de culinária, vasos de beber, gritos de animais e sinónimos, das obras de Platão e Hipócrates, etc. O gramático grego Ateneu, que viveu no século 2, revela nos seus escritos a existência de nada menos que trinta e seis dicionários perdidos para nós.


Foi entre os séculos XIII a XVII que surgiram na Europa os dicionários na forma como hoje são conhecidos. O mais famoso deles foi o do religioso italiano Ambrósio Calepino (1438-1511), que dedicou a sua vida à organização do Dictionarium, impresso pela primeira vez em 1502, na cidade de Régio. Durante o século XVI esta obra foi consultada por todos os sábios da Europa e teve diversas edições publicadas, das quais a mais completa é a da Basiléia (1590), que abrange onze línguas, tornando-se tão famoso que o termo “calepino” passou a ser sinónimo de dicionário. Algumas décadas mais tarde (1572), o impressor francês Henrique Estienne (1531-1598) publicou o Thesaurus Linguae Graecae, obra em quatro volumes e de grande erudição.

O primeiro dicionário português, autoria de Jerónimo Cardoso, surgiu em 1569 com o nome de Dictionarium Lusitano-Latinum / Latinum-Lusitanum, e teve sete edições publicadas até 1694. Continha cerca de seis mil termos ou frases latinas, com a respectiva tradução na língua portuguesa, mas foi acompanhado logo depois, em 1711, pelo Dictionarium Lusitano-Latinum, de Agostinho Barbosa, uma obra enriquecida por quantidade expressiva de novas palavras. Como regista Inocêncio Francisco da Silva no seu Dicionário Bibliográfico (1860, vol IV: 259), a obra de Jerónimo Cardoso:

"Era o primeiro vocabulário deste género que se imprimia para subsidio do estudo das línguas latina e portuguesa; e por isso mereceu extraordinária aceitação; o que bem provam as repetidas reimpressões que dele se fizeram, ainda depois de aparecer o outro Dicionário de Agostinho Barbosa e até a Prosódia de Bento Pereira".

Diversos outros dicionários da língua portuguesa podem ser citados, ente eles o Vocabulário Português e Latino, de D. Rafael Bluteau, publicado de 1712 a 1718, em oito volumes e incluindo muitos provérbios; o Dicionário da Língua Portuguesa (1789), de António Moraes Silva, em dois volumes mas com uma segunda edição ampliada em 1813; e o melhor de todos, o Grande Dicionário Português ou Tesouro da Língua Portuguesa, editado em cinco volumes entre os anos de 1871 e 1874.

30 julho, 2010 10:18  
Blogger Mario Neiva said...

Carissimo «Cultura Em Pacotes»

Sabes muito bem que sei quem tu és. Um grande amigo, por sinal. Não sei porque recorres insistentemente ao pseudónimo. Gosto mais de olhar a tua "camisola".
O que nos transmites é útil mas isso já temos, ao alcance de um clic, no Google. Ao nosso blog vimos como antigos condiscipulos (e não como gabirus, como diz o Costa Santos)para trazer um pouquinho de nós próprios e, ao fazê-lo, acabamos por dizer aquilo que nunca foi dito. Porque por nós ninguém fala, quando falamos nós! Ninguém nos subtrai ou usurpa a palavra, nem que esta seja uma simples réstia do que somos.
Mas faz como entenderes, querido amigo, porque, quem sabe? alguém espera a informação proporcionas.

30 julho, 2010 18:18  
Blogger jorge dias said...

António Feio
Homenagem a um homem que viveu e exortou a viver em limites, em celebração de imortalidade:

"Aproveita cada dia, cada momento! Agradece e não deixes nada por dizer, nada por fazer..."

30 julho, 2010 23:37  
Blogger jorge dias said...

Para o Mário e todos os que nos lêm:
Eu nunca viverei um dia que seja na fé de um Deus que escolhe uns e rejeita outros. Arruma lá melhor essa coisa dos dons que há muita pedra a partir! O que a uns pode parecer banal para outros é uma questão de limite essencial! Essa da teologia que referes é verbo de encher! serve para qualquer um, mas não e nunca para ti, aliás condenaria ao nada todas as tuas análises! Todos sabemos que tens muito mais a dizer ou a dizer melhor...

30 julho, 2010 23:44  
Blogger Evaristo said...

Jorge lembrar com mérito o actor que com cinquenta e cinco anos tem mais de quarenta de profissão, completando a mensagem transcrita fatava a grande frase « ajudem-se uns aos outros », por aqui se vê o grande ser humano, amigo e solidário que só se sente bem quando os outro estão bem.


Neste momento realiza-se o funeral de António Feio, recordo-o com saudade. Algumas vezes que nos vimos foi no Restaurante Cozinha Portuguesa nos fins da década de noventa.

António Feio e Esposa, Maria Rueff e Marido e António Pedro Gomes.

Pessoa simples e hulmide assim como todos os nomeados.

É dos humildes que nascem grandes talentos e calebridades. António Feio e José Pedro Gomes são queridos pelo grande público, pela naturalidade como encenavam e representavam os seus espectáculos com humor da expressão popular, não recorrendo a fantasias desencontradas da realidade.

Todos temos que partir, mas tão cedo oxalá não,

Nascemos sem crer e morremos sem crer.

Não te esqueças que o tempo passa rápido
estamos de visita neste lugar.


Nós estamos de passagem, viemos observar, aprender, crescer e amar e voltar para casa.



Não esqueçamos a mensagem de António Feio.

31 julho, 2010 18:48  
Blogger Salvador Costa Santos said...

REZEM-LHE PELA ALMA, SÃO TODOS BONS DEPOIS DE MORTOS!...

02 agosto, 2010 21:34  
Blogger jorge dias said...

Não comungo a ideia de que todos são bons depois de mortos, pela razão simples de que depois de mortos costumo manter a mesma opinião que dos mortos tinha em vida!Se não for favorável não a emito. Claro que esta questão obriga-nos a uma postura mais tolerante e mais acolhedora em vida. Aliás, ontem, faleceu igualmente um jornalista, Mário Bettencourt Resendes (58 anos), cuja palavra, escrita e opinião me habituei a seguir e cuja morte me afecta pessoalmente pela parte do bem que fazia e entusiasmava a fazer, publicamente.
De António Feio não só comungo o que eu escrevi como o que o Evaristo complementou: "Ajudem-se uns aos outros".
"Aproveita cada dia, cada momento! Agradece e não deixes nada por dizer, nada por fazer..."

Já muitos disseram o mesmo, mas por mim tenho o prazer imenso de me irmanar com quem o diz seja em vida seja em morte, pela sua atualidade. Seguramente não lhe vou rezar pela alma porque a felicidade com que viveu e nos desafiava era já a sua salvação.

04 agosto, 2010 01:10  
Blogger Mario Neiva said...

Também não concordo com o Salvador C Santos. A tragédia da morte,

a morte é trágica, a morte suspende,

coloca-nos frente a frente com a verdade que tantas vezes, por facilidade negamos: todos temos um lado bom e um lado menos bom. Muitas vezes e muitos de nós, temos um lado muito bom e um lado muito mau. Se o lado muito mau teve expressão demolidora, a história não perdoará, tal como nunca esquecerá o lado muito bom, "canonizando" quem deve. Porém, a maioria de nós, morre na mediania. Generosamente, os vivos fazem prevalecer, nestes casos, o melhor de nós.
Que bom e que estímulo para os vivos irem mais além.
A minha saudade para o António Feio e para o Mário Betencoutr.
Para mim, superaram a mediania.

06 agosto, 2010 18:37  
Blogger Mario Neiva said...

Meu caro Augusto, acredito que estejas de férias e venho só recordar-te o repto que te lancei sobre Platão. Afinal, a sua «ressurreição-reincarnação» é mito ou realidade?
Uma coisa é certa: os seus mitos entranharam-se profundamente no tecido da cultura, do oriente ao ocidente, emergindo a toda a hora do pensamento e sentimento cristão e outros mais. De uma forma quase lapidar, aqui veio expresso no nosso blog pela mão do Evaristo:

«Nós estamos de passagem, viemos observar, aprender, crescer e amar e voltar para casa».

Quem não estiver atento vai pensar que o Evaristo traduz o pensamento cristão. Podemos aceitar, se esta frase não for mais que "um modo de falar".
Mas a experiência ensinou-me que não é bem assim. De facto, na mente do cristão foi-se firmando a ideia de que esta vida é «uma passagem».Um «vale de lágrimas», mais precisamente.
Ora a teologia cristã ensina que apenas Jesus Cristo «foi» antes de o «ser» e porque reunia em si a Divindade e a Humanidade.
Cada um de nós é como que um principio absoluto, potenciados na «Mente Divina» e passando a «acto» na Criação.
E, acrescenta a teologia cristã,um acto de amor.
Isto quer dizer, simplesmente, que não viemos de casa alguma e nem teremos de regraessar a casa alguma.É muito mais aliciante do que isso a perspectiva da teologia cristã: uma vez colocado na arena da vida, na Criação, cada ser humano será responsável pelo paraíso ou pelo inferno que construir para si. Como quem diz, construiremos a "casa-paraíso" que que havemos de habitar.
Não estamos, efectivamente, "de passagem", nem iremos à boleia de uma qualquer brisa.

Perspectiva mais aliciante, dizia eu, mas muito mais exigente e até perturbadora. Com efeito, se olho para trás e não vislumbro uma «casa» de onde procedo, como encontrar o rumo certo da existencia?
Lá temos que viver como que às apalpadelas, perscrutando o nosso "interior" e o "exterior", tentando interpretar a «vontade» do Criador.
Perante uma teologia tão exigente não admira que o cristão resvale para a facilidade do ciclo de vidas do mito platónico, encarnando e desencarnando, numa eterna sucessão.
Talvez por um vício de cultura, inclino-me para a loucura do pensamento cristão, que coloca nas minhas mãos a responsabilidade pelo meu destino.
Aparentemente, Platão diz o mesmo.

06 agosto, 2010 19:46  
Blogger cultura em pacotes said...

PLATÃO - I


Nascido em Atenas (428 ou 427 a.C.), o filósofo grego era de origem aristocrata, mas assimilou as concepções democráticas defendidas por alguns membros da sua família. Influenciado por Sócrates, de quem foi amigo e discípulo, sentiu muito a morte do mestre (em 399 a.C.) e por isso retirou-se para Mégara, que é presentemente um subúrbio de Atenas (a nova cidade de Megara foi construída sobre as ruínas da antiga). Depois viajou pelo Egito, por Cirene, na África, uma antiga colónia grega na actual Líbia, visitou algumas partes da Itália, e quando regressou a Atenas, em 387 a.C., fundou a Academia, que exerceria uma influência profunda em toda a vida cultural grega e teria muitos discípulos eméritos, entre os quais Aristóteles.

Em 367 ou 366 a,C. foi convidado para ensinar a Dionísio II, o Jovem, tirano que reinava em Siracusa, comuna italiana da região da Sicília, uma filosofia apropriada ao exercício daquele poder, mas teve a sua acção tolhida por intrigas palacianas que conduziram aquele país a uma guerra civil e provocaram o assassinato do rei que o chamara. Na viagem de regresso à sua terra a embarcação em que viajava foi interceptada por piratas e o filósofo acabou por ser vendido como escravo no mercado da ilha de Egina, próxima de Atenas, mas um antigo aluno comprou-o e reconduziu-o à Academia, que ele nunca mais abandonou.

Platão valorizava os métodos do debate e conversação como formas de alcançar o conhecimento. De acordo com o filósofo, os alunos deveriam descobrir as as coisas superando os problemas impostos pela vida, funcionando a sua educação como processo de desenvolvimento do homem moral, envidando esforços no sentido do aprimorar-lhes a competência física e intelectual. Para isso eram ministradas aos aprendizes aulas de retórica, debates, educação musical, geometria, astronomia e educação militar. Quanto aos alunos das classes menos favorecidas, aconselhava Platão que deveriam procurar trabalho a partir dos 13 anos de idade, afirmando, também, que a educação da mulher precisaria ser idêntica à aplicada aos homens.

A Academia de Platão foi tão importante que este termo “passou” a sinónimo de um local onde se ensina e pesquisa o conhecimento: as Universidades fazem parte da “Academia” e propagam o “saber académico”. Recentemente, o termo deteriorou-se e passou a designar um local onde as pessoas fazem exercícios físicos orientadas por professores especializados nesse mister, mas na Grécia Antiga o local equivalente seria conhecido como Ginásio.

Dos seus inúmeros escritos, cartas e apontamentos, subsiste apenas uma pequena parte, sendo alguns, porém, de origem duvidosa. Da sua autoria comprovada chegaram aos nossos dias, entre outras, as seguintes obras: Apologia de Sócrates, em que o autor valoriza os pensamentos do mestre; Críton, onde Sócrates explica a necessidade de cumprir o dever político para com a cidade que o criou e condenou, mesmo que isso leve à morte; A República, tratado expondo um sistema de governo e o modo de vida ideal, e como se chegar até eles, O Banquete, sobre o amor ao belo; Crátilo, em que é explicada a relação entre as coisas e os nomes que lhes são dados; Górgias, sobre a violência; além de Protágoras, Lachetes, Cármides, Lisias, Eutifrónio, Menon, Eutidemo e algumas outras mais.

06 agosto, 2010 22:47  
Blogger cultura em pacotes said...

PLATÃO - II


A República começa com um sofista, Trasímaco, declarando que a força é um direito, e que a justiça é o interesse do mais forte. As formas de governo fazem leis visando as suas conveniências, determinando o que é justo e punindo como injusto todo aquele que transgredir as regras por eles criadas.(onde é que eu já vi isto?!...) Para responder à pergunta Como seria uma cidade justa? Sócrates começa a dialogar principalmente com Gláucon e Adimanto. Platão salienta que a justiça é uma relação entre indivíduos, e depende da organização social. Mais tarde ele fala que justiça é fazer aquilo que nos compete, de acordo com a nossa função, e sendo assim a justiça seria simples, se os homens fossem simples. O ser humano viveria a produzir de acordo com suas necessidades, a trabalhar muito e a ser vegetariano, tudo sem luxo. Para implantar esse seu sistema de governo, Platão imaginava que se deveria começar da estaca zero, e como primeiro passo os filhos precisariam ser afastados das suas mães. Ele repudiava o modo de vida que permitia a promiscuidade social e a ganância, sustentando, também, que o luxo e os excessos dominavam os homens ricos de Atenas, que nunca se contentavam com o que tinham e sempre desejavam as coisas dos terceiros, resultando daí a invasão de um grupo por outro, e em consequência, a guerra entre eles.

Platão achava um absurdo que homens com mais votos pudessem assumir cargos da mais alta importância, pois nem sempre o mais votado é o melhor preparado. Era preciso criar um método para impedir que a corrupção e a incompetência tomassem conta do poder público, Mas atrás desses problemas estava a psyche humana, como havia identificado Sócrates (a palavra grega psyche é traduzida para o português como alma, mas não se deve achar que ela tenha um significado único. Usualmente, também quer dizer "vida" ou "vitalidade", e às vezes, "o ego").

Para Platão o conhecimento humano vem de três fontes principais: o desejo, a emoção, e o conhecimento, que fluem do baixo ventre, coração e cabeça, respectivamente. Essas fontes seriam forças presentes em diferentes graus de distribuição nos indivíduos. Elas se dosariam umas às outras, e num homem apto a governar estariam em equilíbrio, com a cabeça liderando continuamente. Para isso é preciso uma longa preparação e muita sabedoria. O mais indicado, para Platão, é o filósofo: "enquanto os homens deste mundo não tiverem o espírito e o poder da filosofia, a sabedoria e a liderança não se encontrarão na mesma pessoa, e as cidades sofrerão os males".

Platão morreu em Atenas, em 348 ou 347 a.C., durante uma festa a que comparecera. Já velho, com oitenta anos de idade, aproximadamente, ele dirigiu-se a um canto e ali dormiu. Quando foram acordá-lo, de manhã, descobriram que estava morto. Uma multidão de admiradores acompanhou-o até o túmulo.

06 agosto, 2010 22:48  
Blogger Salvador Costa Santos said...

O Salazar também era mau, mas fazia cá falta para acbar com estes GATUNOS...
Sabem onde vamos parar? " A fossa como diz o brasileiro "
Nunca tivemos tantos badalhocos a roubar o país, já miserável por natureza!...

07 agosto, 2010 19:44  
Blogger cultura em pacotes said...

CURIOSIDADES SOBRE A BÍBLIA I

• A palavra Bíblia vem do grego, através do latim, e significa: livros
• A Bíblia já foi traduzida por mais de 1500 línguas e dialetos.
• No ano de 1250 o cardeal Caro dividiu a Bíblia em capítulos, que foram divididos em versículos no ano de 1550, por Robert Stevens.
• A Bíblia inteira foi escrita num período que abrange mais de 1600 anos.
• É uma obra de cerca de 40 autores, das mais variadas profissões: de humildes agricultores, pescadores e até renomados reis.
• O Antigo Testamento foi escrito em hebraico, com excepção de algumas passagens em Esdras, Jeremias e Daniel que foram escritas em aramaico.
• O Novo Testamento foi escrito em grego.
• O Codex Vaticanus é provavelmente o mais antigo exemplar da Bíblia em forma completa.
• A primeira tradução completa da Bíblia para o inglês foi feita por Wycliffe, em 1380.
• Martinho Lutero foi o primeiro tradutor da Bíblia para a língua do povo alemão.
• Na biblioteca da Universidade de Gottingen, Alemanha, existe uma Bíblia que foi escrita em 470 folhas de palmeira.
• O Livro mais antigo da Bíblia não é o Genesis, mas Jô. Acredita-se que foi escrito por Moisés, quando esteve no deserto.
• O primeiro Salmo encontra-se em II Samuel 1:19-27, uma elegia de David em memória de Saul e seu filho Jonatas.
• A Bíblia contém 1189 capítulos e 31102 versículos.
• Ester 8:9 é o maior versículo da Bíblia.
• No livro de Ester e no livro de Cantares não se encontra a palavra Deus.
• O Antigo Testamento termina com uma maldição, e o Novo Testamento termina com uma benção.
• O último livro da Bíblia a ser escrito foi III São João.
• Há 3573 promessas na Bíblia.
• O livro de Isaías assemelha-se a uma pequena Bíblia: contém 66 capítulos; os primeiros 39 falam da história passada, e os 27 restantes apresentam promessas do futuro.
• Dos quatro evangelistas só dois andaram com Jesus; Marcos e Lucas não foram seus discípulos.
• Todos os versos do Salmo 136 terminam com o mesmo estribilho: "Porque a Sua misericórdia dura para sempre."
• O profeta que veio depois de Malaquias foi João Baptista.
• Judas foi o único dos doze apóstolos que não era Galileu.
• João era o discípulo mais jovem dos doze.
• Os versículos 8, 15, 21 e 31 do Salmo 107 são iguais.
• Matusalém, o homem mais velho da Bíblia, morreu antes do seu pai, Enoque, que ascendeu ao Céu.

08 agosto, 2010 22:34  
Blogger cultura em pacotes said...

CURIOSIDADES SOBRE A BÍBLIA II

• Ló era o pai de Moabe e Bem-ami, e também o avô dos dois porque "as duas filhas de Ló conceberam do próprio pai". (Gen. 19:36-38)
• 42 mil pessoas perderam a sua vida por não saberem pronunciar a palavra Shiboleth. (Juízes 12:5, 6)
• Adão não teve sogra.
• A única idade de mulher que se menciona na Bíblia é a de Sara (Gên. 23:1)
• A primeira cirurgia foi realizada por Deus, quando tirou uma costela de Adão. (Gen. 2:21,22)
• Além de Jesus, Elias e Moisés foram os únicos homens que jejuaram 40 dias e 40 noites. (I Reis 19:8 e Deut. 9:9)
• A arca de Noé tinha três andares. (Gên. 6:16)
• O Salmo 119 é o mais longo da Bíblia, é um acróstico. Os 176 versículos estão divididos em 22 secções de oito versos cada uma, correspondendo a cada uma das letras do alfabeto hebraico.
• Em Gate houve um homem de grande estatura, que tinha 6 dedos em cada mão e em cada pé. (II Samuel 21:20)
• Elias teve o privilégio de comer uma refeição preparada por um anjo.
• Existem muitos dados curiosos relativos às estatísticas bíblicas. Um dos números que mais aparece na Bíblia é o 7. Entre os Hebreus este número era considerado sagrado e símbolo da perfeição.
• Noé tinha 600 anos quando terminou a arca.
• O sábio Salomão deixou mais de três mil provérbios.
• A operação matemática mais rendosa foi efectuada por Jesus quando multiplicou 5 pães e 2 peixes para alimentar mais de cinco mil pessoas e ainda sobraram 12 cestos cheios.
• Talento era uma moeda grega que valia o equivalente a uns mil e quinhentos euros.
• Judas vendeu Jesus por 30 moedas de prata, equivalentes a uns 20 Euros.
• Calcula-se que o presente que Naamã ofereceu a Eliseu, do qual Geazi finalmente se apropriou, equivalia a uns 48.000 euros.
• Tiago, filho de Zebedeu, foi o primeiro dos apóstolos a morrer pela sua fé. Foi decapitado à espada por ordem do rei Herodes Agripa I, por volta do ano 44 de nossa era.
• Paulo, o grande apóstolo dos gentios, foi decapitado em Roma por ordem do tirano Nero.
• Em I Samuel 17:18, o queijo é mencionado pela primeira vez na Bíblia.
• Em juízes 14:18 encontramos um dos exemplos mais antigos de enigma.
• Dois reis dos Amorreus foram postos em fuga por vespões.
• A última cidade mencionada na Bíblia é a cidade santa. (Apoc. 22:19)
• Salmo 117 é o capítulo mais curto da Bíblia
• Salmo 118 é o capítulo que está no centro da Bíblia. Há 594 capítulos antes e depois do Salmo 118
• O Versículo que se encontra no centro da Bíblia está em Salmo 118:8

08 agosto, 2010 22:36  
Blogger Mario Neiva said...

Carta a um sacerdote e amigo carmelita

Aqui em Balugães habituei-me a lidar com a morte. Vão morrendo, um a um, os velhinhos que, na minha meninice, eram apenas os adultos. Aqueles nomes das lápides do cemitério são o mundo de gente que povoava a aldeia da minha infância. Na semana passada partiu mais um, vizinho da minha casa e que até durante uns tempos aqui habitou, por aluguer. Tinha oitenta e muitos anos e nove filhos...
Agora tenho um cunhado com um cancro nos pulmões e problemas sérios nos bronquios. De dia para dia sofre mais e vejo-o a apagar-se. Faz quimioterapia, o que complica tudo.

Este abraço com a vida e com a morte não me permite que entre em devaneios fáceis.

Há dias, no meu blog Laje Negra, escrevi sobre o «O Prodigio Maior», que é a consciência humana. É uma singularidade que nos faz ao mesmo tempo sofredores e sonhadores. É como se, depois de ter vislumbrado o Infinito, nunca mais nos conformássemos com uma vida bem mais breve que a da oliveira e tão precária como a de qualquer ser vivente.
Deste inconformismo nasceu a fé dos homens e a determinação de viver, mais forte que o "instinto" de sobrevivência.
Se numa cidade inteira, arrasada por um tsunami, sobrar um jovem apenas, ele vai seguir em frente até fundar uma cidade nova. E fá-lo-á, sabendo que o tsunami pode voltar uma vez e outra. Lúcida e corajosamente esse jovem pensa que se escapou da primeira, estará mais prevenido para enfrentar uma segunda ou uma terceira crise.

E segue em frente, apesar de todos os mortos...

O que é mesmo completamente absurdo é não aceitar esta realidade e imaginar ou pensar uma realidade alternativa. Ter esperança no dia de amanhã e na vida não é a mesma coisa que imaginar e pensar uma «realidade alternativa» porque isso equivaleria a negar «esta nossa» e primeirissima realidade. E é esta realidade que nós somos que tem de ter um futuro, apesar do susto do tsunami da morte. O jovem que sobra da cidade destruída recomeça a caminhada «aqui e agora», como quem diz, neste tempo e neste espaço que é o nosso.

Absurdo e alienação é tentar fugir de nós próprios, do nosso tempo e do nosso espaço.

10 agosto, 2010 09:05  
Blogger Mario Neiva said...

Este comentário foi removido pelo autor.

10 agosto, 2010 09:08  
Blogger Mario Neiva said...

(continuação)

E agora num registo mais pessoal...
Fico a pensar no que me diz sobre o seu apego à «espiritualidade carmelita». Se lhe pedisse para definir o que isso seja, talvez o pudesse atrapalhar um pouco. Digo talvez, porque pode acontecer que tenha conseguido chegar a uma ideia bem concreta e definida, formando um quadro mental pelo qual orienta o seu espirito e nele encontra algum conforto e sossego, no meio do desconforto que a vida sempre proporciona.
Vou permitir-me perscrutar-lhe a alma amiga e querida que tive a sorte de um dia ver cruzar-se com a minha. Não falarei de cor, porque também persegui essa mesma espiritualidade. É verdade que não me embrenhei tanto nessa floresta de sentimentos e pensamentos, porque o meu tempo foi outro. E outras, muitos diversas, foram as minhas vivências.
O que eu penso é que a sua dedicação à «causa carmelita» o fez empenhar-se a fundo e pela vida fora, no sonho que fez parte da sua juventude e não só.

E aquilo que nós fazemos, faz-nos a nós.

Isto equivale a dizer que o nosso passado não é o nosso «passado» mas, efectivamente, o nosso presente. Certamente, num tempo e num espaço novos. Prosaicamente se dirá, numa nova “fase”.
Por isso não me admiro que se sinta «realizado». A sua vida é o "contínuum" do projecto pessoal que nunca abandonou. O desencontro que constata com a «igreja oficial» ou «religião oficial» traduz a sua fidelidade à vida que se desenrola em continuo fluxo. A pessoa que agora é incarna todo seu passado, tornando-o perpétuo e vivo presente, enquanto que a que diz ser «sua igreja» permanece petreficada e inerte, como peça de museu ou corpo morto (só em parte, porque a vida é uma corrente imparável e os homens dessa igreja são homens e não pedras).
É lindo o que lhe aconteceu.
Gosto de ver o seu percurso.
Espero que compreenda o meu que, só por suprema vaidade ou por eu ser um incorrigivel brincalhão, considero mais lindo que o seu...

10 agosto, 2010 09:12  
Blogger cultura em pacotes said...

E, eu aprendi que ...

O homem deve aprender a viver equilibradamente em dois mundos simultaneos: o interior e o exterior, ambos intimamente relacionados, que merecem a maior atenção. Eles complementam-se e fazem parte duma mesma e única realidade. O desequilíbrio ou a ausência de qualquer deles causa o vazio e a depressão.
Viver sempre fora de si mesmo, só para o mundo exterior é triste, vazio, incompleto. Enquanto que viver só para dentro de si mesmo é solitário, egoísta, monótono. As duas vidas, a interior e exterior, devem caminhar bem, e paralelamente. A crise de uma significa o desastre da outra.
Os seres humanos deverão transformar-se para poder voltar a se entender com o mundo. Essa transformação implica o despertar da consciência que é incompatível com um ambiente de opressão e fanatismo. A nova ordem mundial privilegiará o desenvolvimento humano, o da consciência.
Tudo o que distancie o ser humano dos seus semelhantes e da natureza não é verdadeiro e é contrário a Deus, pois Ele está em tudo e em todos, e magnificamente representado em cada inteligência, em cada coração, em cada amanhecer, em cada criança, no seu maravilhoso templo exterior chamado natureza, e no seu magnífico templo interior chamado consciência.
Obrigado a vocês que me ensinaram.

10 agosto, 2010 22:41  
Blogger Mario Neiva said...

Meu caro Pacote (que é que eu hei-de dizer, se escolheste um tão engraçado "nome falso"!)

Subscrevo o final da tua intervenção, apesar de achar redundante a referencia a Deus. E porque? Porque há muito conclui que se há um rosto onde eu possa ler o amor, esse rosto é o teu e a tua consciência. Se Alguém se quis manifestar a mim está a fazê-lo através da voz que me chega de forma consciente em cada ser humano e em forma de música apenas, através da imensa diversidade da natureza.
Como dizia na carta que enviei a um amigo crente e reproduzi neste blog, pensar uma «realidade alternativa» a esta que é a nossa não me parece razoável. Penso que nós «somos» tudo e estamos «dentro» de tudo. Por isso dizes, e agora muito bem, que «Ele está em tudo e em todos».
Conclusão: quanto mais homem consciente te tornares, mais te aproximarás d'Ele. Por isso é que costumo dizer: com fé ou sem fé nós nunca erramos o caminho, sempre que nos aproximamos da perfeita humanidade.
Dir-me-ás, companheiro amigo, confirmado na fé que professas: vou por aqui e sei que vou bem; tu segues o rumo certo, mas não sabes para onde vais.
E dizes a verdade a meu respeito. Sei que vou bem, mas não faço ideia aonde nos conduz a caminhada.

11 agosto, 2010 22:06  
Blogger O Aluno said...

Esta será a GRANDE e definitiva CAMINHADA


“Sei que vou bem, mas não faço ideia aonde nos conduz a caminhada.”
Mário Neiva



Andar a pé faz bem.
Costumo mudar o trajecto para manter viva a ideia de que a rotina não é boa, e que se pode caminhar com os pés e com a mente, pois a vida é uma grande caminhada.
Andar, mentalmente, requer algum esforço: começando por saber o que existe dentro da mente, quais os pensamentos que estão a governá-la, se são úteis ou inúteis – grande mistério que, (se)decifrado, poderá constituir-se na reversão da condição humilhante em que a maioria de nós vive, escravizados por pensamentos que vêm a dominar os seres humanos há séculos.
Caminhar mentalmente implica libertar-se de preconceitos, da rotina e do temor – arma maligna dos que pretendem subjugar as pessoas pelo terror.
Todas as limitações humanas são mentais, provêm da ignorância que paralisa a inteligência do homem tornando-o um dócil instrumento nas mãos de pensamentos estranhos ao seu sentir, mas que a sua mente indefesa não consegue repelir.
A grande crise que vive o homem de hoje é mental, porque o ser humano deixou de pensar, e a anarquia em que vivemos é mental, causada por pensamentos que pervertem as mentes dos homens indefesos, ignorantes de si mesmos, pervertendo também a convivência humana que se vai tornando cada vez mais difícil e penosa.
Para se poder controlar é necessário aprender a pensar, criar pensamentos, ideias e soluções que nos permitam sair do labirinto em que nos encontramos, presas fáceis de pensamentos monstruosos que se foram criando nas mentes humanas através dos séculos. A crise mental é a causadora da crise social e humana.
O penso logo e o existo de Descartes acaba por ser uma quimera; se o homem pensasse, não se comportaria com o seu semelhante como tem feito, pois inteligência pressupõe convivência pacífica entre os semelhantes.
O homem continua a ser um mistério para si mesmo porque se desconhece, não sabe o que tem na mente e nem como aperfeiçoar este mecanismo, mas traz no fundo de seu coração a esperança de encontrar o caminho que o leve de volta para si mesmo.
Esta será sua grande e definitiva caminhada.

12 agosto, 2010 20:08  
Blogger Mario Neiva said...

Meu caro «Aluno»

Acontece que quero tudo menos voltar para mim mesmo, que é o que me estás a sugerir: «traz no fundo do seu coração a esperança de encontrar o caminho que o leve de volta para si mesmo». O que espero da vida não é encontrar-me com a minha solidão. Despertei como gente quando senti o abraço sufocante da solidão. E quando, ainda meio atordoado, abri os olhos, encontrei os "teus" e ouvi a "tua" voz a interpelar-me. Foi como se tivesse sido quebrado o encantamento. A minha alma despertara como a Bela Adormecida, ao toque suave e mágico do beijo do "Príncipe" do amor ou da amizade.
Conheci e amei quem me quis conhecer e amar. E o meu destino apareceu-me já não como o «meu destino» mas como o «nosso destino».
Continuo sem saber para onde vou, mas sei que vou em boa companhia, de mãos dadas com o meu amor. Sonho com um futuro que seja «nosso», porque a um passado «só meu» jamais quero retornar. Posso estar enganado, mas sinto que nasci para crescer e ser "contigo". Se alguém me concebeu, fez-me para a comunhão e não para solidão.
Um caminho que me «leve de volta a mim mesmo» será um caminho que me conduzirá ao "nada" que já fui.
O abraço do meu amor ergueu-me da solidão e se alguma coisa posso esperar para além da morte, será ainda um rosto, uma voz e um abraço.
Só assim imagino a vida para além da vida. Se vida houver, «porque de lá não vêm cartas».

13 agosto, 2010 01:44  
Blogger jorge dias said...

A caminhada sempre conduz à vida ... A sua ausência dá lugar ao seu antónimo, a morte.

14 agosto, 2010 02:40  
Blogger EL CANTANTE said...

E como dizia um caro amigo: " Mais vale morrer que perder a vida "

14 agosto, 2010 18:02  
Blogger ACOSTA said...

Assunção da Virgem Santa Maria/ou Dormição...
Uma questão de fé? Para este "dogma" também não se fala em Assunçao/dormição segundo a carne(corpo)e (alma) espírito que formam a pessoa humana? Os pescadores da Póvoa são muito devotos da Virgem da Assunção, dedicam-lhe a Ela uma das maiores festas da sua cidade, porque querem que os seus familiares tenham uma "vida" no mar consentânea com as suas necessidades,que são de ganhar a vida naquele mar que ora lhes dá grande felicidade, ora os atraiçoa.Eles(pescadores)tal como nós, se calhar gostariam que não tivessem que passar pela"dormição"(morte) e continuassem a "viver", que isso, sim, gera felicidade, porque amam e são amados.Será que ACREDITAMOS NISTO,tanto como esses tais pescadores? (Desculpai trazer este tema, mas eu estive na Póvoa de Varzim ontem, e vim de lá com muitas questões às quais não consigo respostas).

15 agosto, 2010 18:33  
Blogger Mario Neiva said...

Hei-de responder-te, Costa, mas hoje só quero falar da Senhora Aparecida de Balugães.
A grande peregrinação anual foi ontem, dia da Assunção.
Chegou até hoje pela tradição e ficou em registo perpétuo na «capelinha das aparições», no santuário comemorativo e nos "livros" da Torre do Tombo. E assim reza a história: em 1702, abrigando-se de uma repentina trovoada, um adolescente, de nome João Alves, tartamudo de nascença, quase mentecapto, recolheu-se, com as poucas ovelhas que pastoreava, sob um penedo. Foi quando lhe apareceu e falou a «Senhora» que lhe acalmou o medo e lhe prometeu acalmar também a fome, anunciando-lhe que em casa o esperava um forno de pão fresco, que a Mãe de Deus lhe preparara.
E assim se cumpriu.
E ficou o pedido da Senhora, recorrente em todas as aparições da Virgem, que lhe fosse construída uma capelinha. O pai do vidente era pedreiro e com a ajuda do filho, muito mais expedito na fala e no intelecto depois da visão mariana, cumpriu-se a vontade da Senhora, simplesmente chamada «Aparecida».
Foi reconhecida, oficialmente, como a primeira aparição mariana em Portugal. A devoção espalhou-se rapidamente e os cónegos da Sé do Porto chegavam a pedir dispensa da obrigação das suas rezas canónicas para virem em peregrinação a Balugães da Senhora Aparecida.´
Se o pão fresco no forno, como dádiva da senhora, é lenda, esta peregrinação dos cónegos da Sé do Porto e facto histórico. Como também é facto histórico a contribuição dos portugueses do Brasil para a construção do imponente santuário que se ergue em frente à capelinha das aparições.
Fico sempre a pensar se a lenda da Senhora Aparecida do Brasil, padroeira do enorme país, não será simplesmente um eco desta aparição de Balugães, levado até às terras de Vera Cruz pelos muitos emigrantes do norte de Portugal que povoaram o nordeste brasileiro.
Onde chove dinheiro, germina a ganância e os preciosos arquivos com os registos das remessas em ouro dos migrantes brasileiros desapareceram na voragem de um oportuníssimo incêndio, em vésperas de uma auditoria ordenada pelo arcebispado de Braga.

16 agosto, 2010 10:48  
Blogger Mario Neiva said...

(continuação)

Depois desta tragédia a festa foi perdendo força até se converter numa vulgar e animada romaria minhota.
Até que um frade franciscano, de nome frei Bartolomeu Ribeiro, descobriu o Santuário, quis conhecer a sua história e da lenda chegou aos arquivos da arquidiocese de Braga e da Torre do Tombo. E, quando na década de trinta do século passado já se começava a impor a aparição de Fátima, Frei Bartolomeu redescobre e projecta a de Balugães, transformando o folclore de uma romaria minhota numa festa essencialmente religiosa, que perdura até hoje, sem foguetes e sem bailaricos.
Foi o segundo milagre da «Aparecida».
O modelo das festividades segue de perto o que se faz em Fátima: procissão de velas na véspera e missa campal no dia comemorativo.
Mas há características únicas nesta peregrinação de Balugães. Assim, as festividades do dia 15 de Agosto são precedidas de uma novena vespertina, com missa cantada, sermão e «Benção do Santíssimo». Do dia 14 para o dia 15, o «Santíssimo» fica exposto e os peregrinos, vindos sobretudo da região do Alto Minho, "dormem" dentro do Santuário, onde, até há bem pouco tempo, se celebrava missa de hora-a-hora, enquanto não se iniciava a enorme procissão do dia 15, sempre presidida pelo Arcebisspo de Braga ou o seu Bispo Auxiliar. Esta procissão tem início num lugar chamado S.Bento, situado exactamente no cruzamento das estradas nacionais que ligam Braga a Viana do Castelo e Barcelos a Ponte de Lima. Daqui sobe-se ao Monte Castro, o lugar da aparição. E esta subida do Monte Castro não tem paralelo em nenhuma das festa religiosas que conheço. Ontem assisti ao desfile de dezenas de paróquias dos arredores de Balugães, que transportaram, muitas delas, para a peregrinação, tudo o que o possuíam de símbolos e organizações religiosos. Ricas cruzes de prata, estandartes de santos e santas da sua devoção ou padroeiros da terra, confrarias, grupos de «cruzada», de escuteiros e de «guias de Portugal».
E era também um desfile de cânticos, de rostos jovens ou maduros. Sorridentes e até divertidos os mais novos, compenetrados os mais velhos. E lágrimas nos olhos de muitos a dizer-nos que subiam, penosamente, o curto e íngreme monte de uma vida incerta, dura e de sofrimento.
A peregrinação tinha, e já não tem, dois momentos particularmente emocionantes. Primeiro, a chegada ao recinto do santuário do pequeno e singelo andor com a imagem da Senhora Aparecida, saudada pelo sacerdote orador e por milhares de pequenas bandeirinhas ou lenços brancos dos peregrinos. Depois, a cerimónia do «adeus à virgem» em tudo semelhante ao «adeus» de Fátima, após a missa campal.
Dois momentos que faziam estremecer as pedras da calçada e regar de lágrimas a face de muitos milhares de peregrinos.
Adivinha-se que, num futuro próximo, aqueles jovens que sobem, quase divertidos, segurando os «cordões» das bandeiras religiosas ou enfileirados nos grupos de escuteiros e «cruzados», não se comovam tanto quanto os seus pais e avós, confiando a sua saúde mais às mãos dos médicos que à protecção e misericórdia da Senhora Aparecida.
Mas enquanto dura a peregrinação, é lindo de se ver. Vale a pena vir a Balugães no dia da Senhora Aparecida.

16 agosto, 2010 10:49  
Blogger EL CANTANTE said...

Tás a melhorar, caro Neiva, já vais de velinha na peregrinação da tua santa terrinha.
Ou eu me engano muito, ou o tartamudo ainda fazer um milagre com tu...

20 agosto, 2010 01:30  
Blogger O Aluno said...

Meu caro Professor (Mário Neiva)


Que sentimentos!

Há sempre em nós o desejo de expressarmos os nossos sentimentos, não importa a sua natureza. Experimentamos uma infinidade deles, variando em intensidade, qualidade e frequência. Sentimos alegria, esperança, irritação, por vezes raiva, entusiasmo, carinho, impaciência, indignação, amizade, lealdade, ciúme, insegurança, enfim, uma gama de emoções que vão se exteriorizando e compondo a nossa personalidade.
Talvez seja nas nossas emoções que encontremos o “termómetro" indicando a tonalidade da nossa energia, a intensidade da nossa vibração.
É interessante observarmo-nos, não com olhos críticos, ou defensivos, mas com olhos inocentes, expectativos, aquele olhar sedento de aprender, de descobrir o sentido real das coisas...e assim, irmo-nos desvendando, e consequentemente nos compreendendo melhor!
O mais curioso é que ao entendermo-nos melhor, imediatamente passamos a compreender os outros mais facilmente. E isso, acredito que seja das actividades mais belas e fascinantes que podemos exercer.
Entre todas as emoções que experimentamos, julgo que duas delas são determinantes para a nossa felicidade. Alegria e amor! O coração que se predispõe a se abrir em contentamento pelo simples facto de viver, de apreciar o dom da vida que o preenche abundantemente, é sem dúvida nenhuma um coração que abriga a genuína felicidade.
A alegria é o espaço que acolhe o amor, o tempero da alma que encanta a liberdade, que por sua vez corteja a realização plena da vida.
Assim, podemos observar que a alegria expressa claramente o sentimento de um coração que ousa amar, vibrando de entusiasmo puro, independente do que o cerca. Um coração que vai descobrindo, no decorrer de sua jornada por esta terra, que a maior benção que existe, é de facto viver, e viver sempre, não importa o que acontece, coerente nos sentimentos que abriga no seu interior; fiel à liberdade que nele pulsa fortemente, desfrutando a harmonia que o une a toda terra!
Como eu gosto de ver este sentir e ver este viver!
Quando a origém é de valores e principios, resulta nesta sentida emoção.
Obrigado Professor por esta manifestação de AMOR.

20 agosto, 2010 19:38  
Blogger jorge dias said...

Estava cá eu nos meus pergaminhos a pensar na assunção da Póvoa de Varzim, entenda-se da Assunção universal de Nossa Irmã Maria ao céu, na lógica dos humanos da Póvoa de Varzim, mais acima tão provocadoramente postada neste espaço por um certo Costa e eis que me surge mais um teatrinho a concorrer com o de Fátima, desta feita; (à desportiva), o de Balugães já meu velho conhecido, que não na postagem nem no nosso caro Mário! Pois que Maria irmã esteja convosco e em mentes múltiplas vos apareça como me aparecem os meus manos e manas que nisso tudo verei normalidade e, se for o caso, espiritualidade, se nesses espaços as vidas se refizerem, as almas em emoções se elevarem e crescerem em dádivas de compreensão e entendimento aos outros, transformadas em mudanças consistentes de vida e obras de misericórdia e de bem aventuranças aos que nos partilham, que são todos os que nos fazem e nós fazemos ser.
Só me resta mesmo parafrasear com uma pequenina nuance:
Como eu gosto de viver e de sentir este viver.

21 agosto, 2010 02:29  
Blogger EL CANTANTE said...

Ena pá!...não deve ser apenas e só teatro, pois algumas promessas e sacrifícios, me parecem ser bem dolorosos.Como diz o ditado " sofrer por sofrer que sofra o meu pai que é mais velho ".
Pergunto eu; será que esses milhares de fieis e crentes, serão todos asnos? Ou serão a minoria dos críticos que se julgam mais inteligentes do que os demais!...

21 agosto, 2010 07:13  
Blogger jorge dias said...

Para "El Cantante" que eu sei que sabe ler. E se leu que releia. E se releu que medite. Por mim falo, asno por asno, asno fiel (de fé), antes acompanhado que só enunca em nada sou só.

"Pois que Maria, irmã, esteja convosco e em mentes múltiplas vos apareça como me aparecem os meus manos e manas que nisso tudo verei normalidade e, se for o caso, espiritualidade, se nesses espaços as vidas se refizerem, as almas em emoções se elevarem e crescerem em dádivas de compreensão e entendimento aos outros, transformadas em mudanças consistentes de vida e obras de misericórdia e de bem aventuranças aos que nos partilham, que são todos os que nos fazem e nós fazemos ser.
Só me resta mesmo parafrasear com uma pequenina nuance:
Como eu gosto de viver e de sentir este viver."

Só teatro? Mas porque haveria?

21 agosto, 2010 20:43  
Blogger Evaristo said...

V I V A O B R A G A


A gestão do SPORTING DE BRAGA, já alguns anos que dá que pensar.

Mete num bolso os três grandes.

Já não me recordo de tamanha gargalhada,feito
louco frente ao televisor.

Grande Equipa de Futebol que faz milagres
com um ínfimo orçamento.


« GRANDE SPORTING DE BRAGA »



Julgo que todos temos uma costela desta Cidade e des CLUBE.

Bons tempos quando viamos o futebol no monte picoto.

Ainda estou a viver a ressaca da grande vitória histórica, num estádio onde nenhuma equipa Portuguesa nunca ganhou.

São uns heróis.

O que dirá a imprensa Espanhola.

ADIOS -- S E V I L H A --

24 agosto, 2010 23:49  
Blogger Mario Neiva said...

Com um pé em férias (!) venho aqui para acompanhar o Evaristo na saudação ao SC.Braga. Afinal, foi vendo jogar o Braga, à boleia de um «fatinho preto», que me iniciei no espectáculo do futebol a sério.

25 agosto, 2010 22:23  
Blogger Salvador Costa Santos said...

Grande Braga.Faz ver às equipas de milhões, como se ganha com tostões!...Força Domingos, ensina o Queiróz a construir uma equipa de guerreiros, não de senhorinhas fedorentas cheias de manias a passear as peidolas pelos gramados.

26 agosto, 2010 06:29  
Blogger jorge dias said...

Pois, pois Salvador e esta senti-lhe o humor, que não o cheiro! Do Braga e companhia, monte picoto e outros desafios a lembrança e, do Braga, provocações sem fim, porque não à selecção? Porque será que nos cegam?

26 agosto, 2010 16:48  
Blogger Mario Neiva said...

Hoje, para o Costa

Ia jurar que foste à Póvoa de Varzim para fotografar a festa da Assunção ou Dormição. É assim que se chama mesmo?
Segundo aprendemos na catequese o dogma da Assunção está associado ao dogma da Ressurreição e Ascensão de Jesus Cristo.
A tradição cristã interpretou estes dogmas de acordo com a ideia do homem como um todo indivisível, realizando-se em Jesus Cristo, em primeiro lugar, o que depois se realizaria em toda a Humanidade, no Final dos Tempos. Podendo dizer-se que a Ressurreição de Cristo prefigura e pré-anuncia a nossa própria ressurreição. Dentro desta doutrina, e porque se quis destacar a figura da Mãe de Jesus, a Igreja decidiu antecipar em Maria o que está reservado a todos os homens. Deste modo, e para ser fiel à doutrina da ressurreição cristã, Maria foi ressuscitada do único modo que está previsto para todos nós: em corpo e alma, porque nós somos essa indivisivel realidade humana. E, muito logicamente, será inútil procurar os ossos de Jesus ou Maria porque Jesus «ascendeu» ao céu, sendo o próprio Deus e sua Mãe foi «elevada aos céus em corpo e alma», porque é simplesmente uma de nós.
Curioso notar como o cristianismo resiste à tentação do platonismo que pensou o ser humano dualista, de um corpo que é habitáculo ou prisão de uma alma. E, segundo este platonismo, no mundo para onde vai a alma não há lugar para a miserável, efémera e corrupta carne.
A teologia da Ressurreiçao de Jesus e da Assunção de Maria são a proclamação do sucesso do homem integral. É como se esta extraordinária teologia nos estivesse a ensinar que o universo (material) não existe por acaso ou para enfeite ou simplesmente para nos chatear, mas faz parte integrante do «Plano Divino da Salvação», onde o homem é a figura central do desvelo divino.
E a mesma teologia acrescenta, ensinando como se processa a ligação do Céu com o Universo: Por Cristo, Com Cristo e Em Cristo -Deus e Homem verdadeiro.
Caro Costa, quando ouvires falar em Assunção ou Dormição da Mãe de Jesus, lembra-te da carta de S.Paulo aos fiéis de Corinto, onde ele afirma «que nem todos morreremos, mas todos seremos transformados». Segundo a velhinha tradição da Igreja e confirmado em dogma Maria já foi «transformada», pela graça da ressurreição do seu divino filho.
Como bom crente que és, tem calma, que também há-de chegar a tua vez. E também podes, sem cometer nenhum sacrilégio, chamar «dormição» à hora da tua morte. Só não sabes, nem tu nem ninguém, que o malandreco do S.Paulo não revelou esse segredo, quanto tempo vais ficar a «dormir». Mas deixa lá, porque o que importa é que acordes, e acordes inteiro. Para eu te reconhecer e tu a mim. Porque se me aparecesses feito alma (penada), matavas-me de susto. Porquê? Porque a última coisa que eu espero encontrar nesta vida ou noutra qualquer é um «homem desincarnado».
Não sei se matéria e energia são as duas faces da mesma realidade. Seja como for, ambas são a nossa "natureza" mais intrínseca e para onde for uma há-de ir a outra.

Devo esta convicção à teologia cristã

E «eu», que me pus a falar a partir de dentro desta coisa tão misteriosa que é a minha “natureza” (ou a tua) não me importava nada de subsistir, tal como sou, agarrado à nem que fosse à mais ínfima partícula de matéria e porção de energia.
Porém, sozinho nunca, que a solidão é o rosto da morte.
Nem esta nem qualquer outra viagem eu quero fazer sozinho.
E vamos sempre dar ao mesmo: o Amor de que falava o “Aluno” mais acima.

27 agosto, 2010 01:29  
Blogger jorge dias said...

Acabei de perder por inabilidade um texto sobre o comentário supra do Mário. Encurtando razões há dias em Éfeso desejei ardentemente ter junto de mim o Mário para, olhando-o nos olhos, sentirmos as mesmas coisas de Maria. Ali viveu, segundo a tradição, ali foram os cristãos perseguidos e levados ao circo para comida de animal esfomeado durante os primeiros quatrocentos anos do nosso registo temporário. Mas também ali, caro Mário, os nossos mais velhos, perceberam que Maria teria que ser como "Artemísia", "Artemis" em seu templo, o Artemision. Se assim o pensaram, com Constantino logo o fizeram. Se ali tivesses estado comigo, teriamos piscado um olho e só poderiamos ter ficado de acordo. O resto meu, caro, cada cavadela sua minhota e nestas coisas importa mesmo que as minhocas não sejam muitas. O que importa mesmo é que o homem se ultrapasse. Nisso, aqueles cristãos de Éfeso, foram uma radical surpresa e uma lança no futuro. A imagem de Maria, que hoje encima a cidade arqueológica de Éfeso, é a leitura suave e acolhedora da mesma Artemisia ou Artemis que ali reinou, no seu ntemplo na planície, séculos e séculos, antes de Constantino... A mim não me importa quem reina, apenas que o homem seja e realizado... e se não for comida para Leão ou afim, melhor...

04 setembro, 2010 00:02  
Blogger Mario Neiva said...

A «Medolandia» de Isabel Ferreira

Numa saltada a Viseu e à Bertrand, tive nas mãos a última obra de Isabel Ferreira, titulada «Entre o Medo e a Liberdade».
Na introdução ao livro destaco esta passagem reveladora do seu conteúdo:

«…«Entre o Medo e a Liberdade» é uma história que nos é contada por dentro, pelo lado de nós onde tudo se desenha e decide. É o lado onde guardamos os nossos sonhos, as nossas mágoas, os registos e as impressões que ficam armazenadas durante toda a viagem. Os processos interiores são infinitos e, de acordo com estimulações e motivações ocultas e inconscientes, desenham a estratégia para cada momento da nossa vida».

Embora o Jorge tenha desvalorizado, aqui no blog, o «Bebé Filósofo», a verdade é que a autora, psicóloga e filósofa, conduz-nos aos primeiros tempos da criação das nossas memórias, emoções, intuições e ligações lógicas de acontecimentos, de que resulta um verdadeiro mapa mental. Este mapa vai sendo desenvolvido e actualizado ao longo da vida, num continuum que nos permite a identificação do caminho percorrido. Por isso podemos olhar para trás e reconhecermo-nos na criança “inconsciente”que fomos, no adolescente sonhador, no jovem de energia inesgotável, no homem temperado e maduro, pronto a enfrentar o declínio do vigor da juventude.
As «motivações ocultas e inconscientes» de que fala Isabel Ferreira, há muito tempo que não constituem mistério para a ciência. Freud remexeu, de uma forma sistemática, como nunca antes havia sido feito, nessas «motivações ocultas e inconscientes» e que eu só não identifico com os «mapas mentais» do «Bebé Filósofo», porque estes «mapas mentais» são muito mais abrangentes do que a restrita interpretação dada por Freud aos conteúdos da nossa mente, da nossa psique, do nosso espírito.
O que me espanta neste género de obras como as de Isabel Ferreira, Osho, Deepak Chopra e tantos outros que agora estão na berra, é o quase desprezo pelas descobertas científicas dos últimos cem anos no campo da psicologia, psico-fisiologia, neuro-ciências e biogenética. Abordam o verdadeiro e espantoso mistério, que ainda continuam a ser a mente e a consciência humana, de uma forma tão primitiva e irracional como os nossos antepassados encaravam os raios e trovões das tempestades: um tenebroso Deus os disparava sobre eles para lhes infernizar a existência.
A Isabel Ferreira fala do Senhor Medo, no país da Medolandia.

04 setembro, 2010 12:05  
Blogger Mario Neiva said...

(Continuação)

Desde o útero materno e até desde a «pré-existencia», por via da herança genética, nas células do pai e da mãe que se fundem para uma nova vida, se começa a desenhar e encher de conteúdo aquilo que será o mapa da vida de cada um de nós. Nascem aqui e, depois, serão como rio a engrossar caudal até desaguar no mar, as tais «motivações ocultas e inconscientes».
Quando o bebé abre os olhos e começa a identificar os rostos que sobre ele se debruçam, começa também a ler os sorrisos e a indiferença, o carinho e a agressividade. Interage com este novo mundo, desenvolvendo o mapa da sua vida, mesmo que não esteja consciente do que se passa. E não está. Mas “ajuíza” de uma forma mais severa e certeira do que um dia o poderá fazer como adulto consciente. É que, por paradoxal que pareça, a consciência atrapalha muito porque é o momento em que nos damos conta da nossa individualidade única e irrepetível. Normalmente nem sabemos o que nos está a acontecer, mas a verdade é que passamos a murmurar: «eu e os outros; eu e o resto do mundo». É a primeira sensação de isolamento absoluto. Se isto acontece quando estamos «felizes», isto é, em paz com o mapa interior que fomos desenhando e tudo «correu bem», poderá ser o momento mais empolgante da vida de um ser humano, porque descobre a sua grandeza sem par. Sente-se como se olhasse «do alto» o universo inteiro, porque pensa que o abarca com um simples pensamento. E é verdade, mas apenas no que respeita ao seu universo conhecido.
O primeiro instante da consciência é apenas o primeiro passo para desenvolver o definitivo “mapa da vida” que nos torna humanos.
Aconteceu na «espécie» e é necessário que a aconteça no «indivíduo».
Mas este momento do despertar da consciência humana poderá ser também o momento da tragédia, se o que vemos no mapa da nossa vida é desastre tão grande ou maior do que aquele que se passa à nossa volta. Onde, antes da consciência da minha individualidade, tudo era «certinho», «preto ou branco», «certo ou errado», agora assalta-nos a insegurança, quando ficamos face a face com um mundo a perder de vista e não conseguimos «definir». Literalmente, não sabemos onde estamos. Surge o medo, não um senhor tenebroso, misterioso e ameaçador, mas o simples fruto da consciência da nossa ignorância. É a lucidez desta descoberta que nos dará um sentimento de liberdade e não a crença, terrivelmente errada, de que somos uma dupla realidade em luta fratricida e penosa da matéria contra o espírito ou do corpo contra a alma, como se cada um de nós fosse um «eu» mais outro «eu».
Se estes dois «eu» estão separados e em luta, quem foi que os separou? Talvez um terceiro «eu».
Ou o diabo, como diziam os nossos antepassados.

Os conselhos dos autores como Isabel Ferreira poderão servir de alívio ao desassossego que nos assalta quando descobrimos quão esfarrapados estão os mapas da nossa vida. Poderão até prevenir-nos ou salvar-nos de piores desastres individuais. Mas essas obras não nos apresentam um «projecto de vida» que sirva de vestimenta e que qualquer um pode enfiar e ficar “apresentável”.
Porquê? Porque sabemos tanto acerca de um tal «projecto» como sabemos acerca das verdadeiras dimensões do Universo.
Não dá para fugir à verdadeira luta e ao desafio que nos é colocado: temos que descobrir o projecto da nossa existência, na exacta medida em que o formos SONHANDO E CONSTRUINDO.
Agora soe dizer-se: faz-se caminho, caminhando.

04 setembro, 2010 12:06  
Blogger jorge dias said...

Pois vamos então ao medo!
A Senhora Isabel Ferreira faça lá o que ela quiser a viver e a escrever, mas, caro Mário, a ideia que fica é que tu também te embrulhas bem nessa lenga lenga dobadoura de fugas, lutas, obrigatoriedades e viveres obrigatórios... Sempre detestei isso, sempre detestei que me embrulhassem no que só está na cabeça dos outros, sempre detestei desafios que não quero viver, lutas quixotescas ou mariquices marialvas... Gosto de ser eu, livre, de cara virada ao vento fresco e nem quero saber das verdadeiras dimensões do universo, embora goste de lhe sentir o cheiro, mas o cheiro que eu cheiro. Caminhando se faz caminho, e gosto de caminhar e estar com os outros, mas nada de confusões, o caminho de cada um é só de cada um.


Podes dizer mil vezes que desvalorizei no blog "O Bebé filósofo" de Alison Gopnik. Tens obgrigação de saber o que eu disse. Lembro-te aliás, quais são as páginas do livro em que a autora diz o que vai escrever, páginas 27 a 31. Touro de signo, não tenho jeito para bandarilhado e costumo devolver a maior parte. Relembro-te que o que eu disse foi que o livro não era científico. E não é. Tudo o que neste livro é apresentado como hipoteticamente novo é apresentado como sugestão ou narrativa de que em certos casos terá ocorrido. Nesta perspectiva, julgo mesmo que a autora pisou terrenos eticamente não aconselháveis quando se quer fazer ciência. Seguramente, até por isso,o livro não passa de um abrir de hipóteses de trabalho. Ora isso eu acho muito bem.

07 setembro, 2010 00:26  
Blogger jorge dias said...

A questão do medo levou-me também até à leitura de

"A Inquisição, O Reino do Medo" de Toby Green, ed. Presença,

acabado de traduzir.

Percebi um pouquinho mais sobre a grandeza da minha ignorância destes "santos ofícios" inquisitoriais e fiquei deveras estupefacto por a Igreja não ter acabado na Europa e na Ibéria! Caminhamos para lá? E porque não? Depois desta leitura até percebo melhor certas lógicas sexuais que todos conhecemos. Sobretudo percebi muito mais e melhor o misticismo neurótico e sexuado de alguns dos nossos carmelitas bem como o "desmedimento" de alguns fraditos envolvidos no pagode inquisitorial. Mas numa coisa fiquei aliviado na minha auto-estima, quem mesmo se enterrou até ao máximo da estupidez foram os dominicanos e os jesuitas! Que pagode de fornicação e aproveitamento, eliminando a torto e a direito! Mas os humanos logo se repetem, paralelo semelhante só o extermínio hitleriano...
Dura cerviz...

Parafraseando Martin Niemöller

Primeiro, vieram buscar os judeus;
E fiquei calado por não ser judeu.

Depois, vieram buscar os cripto-judeus;
E fiquei calado por não ser cripto-judeu.

A seguir, vieram buscar os homosexuais e bígamos;
E fiquei calado por não ser conhecido...

Então, vieram buscar-me;
E já não havia quem me defendesse!

(A todos se deu a fogueira para Inferno, aqui...)

07 setembro, 2010 00:52  
Blogger jorge dias said...

“Não há caminho, se faz caminho ao andar”

Cantares
Antonio Machado ,
poeta espanhol, Sevilha

Tudo passa e tudo fica
porém o nosso é passar,
passar fazendo caminhos
caminhos sobre o mar

Nunca persegui a glória
nem deixar na memória
dos homens minha canção
eu amo os mundos sutis
leves e gentis,
como bolhas de sabão

Gosto de ver-los pintar-se
de sol e graná voar
abaixo o céu azul, tremer
subitamente e quebrar-se...

Nunca persegui a glória

Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais;
caminhante, não há caminho,
se faz caminho ao andar

Ao andar se faz caminho
e ao voltar a vista atrás
se vê a senda que nunca
se há de voltar a pisar

Caminhante não há caminho
senão há marcas no mar...

Faz algum tempo neste lugar
onde hoje os bosques se vestem de espinhos
se ouviu a voz de um poeta gritar
"Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar"...

Golpe a golpe, verso a verso...

Morreu o poeta longe do lar
cobre-lhe o pó de um país vizinho.
Ao afastar-se lhe vieram chorar
"Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar..."



Golpe a golpe, verso a verso...


Quando o pintassilgo não pode cantar.
Quando o poeta é um peregrino.
Quando de nada nos serve rezar.
"Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar..."

Golpe a golpe, verso a verso.

Tradução Maria Teresa Almeida Pin

07 setembro, 2010 00:56  
Blogger Mario Neiva said...

Valeu, Jorge! Maravilhoso poema. Vou guardar e lembrar-me sempre onde o li a primeira vez: no nosso blog, colocado por ti.
Quanto à Alison Gopnik não és obrigado a gostar do que escreve. Aliás, acho que se exprime mal mas, na minha modesta opinião, e porque é uma cientista no campo da psicologia, aquilo que nos dá no livro é fruto da sua investigação e eu adorei. Gostos e opiniões. A tua será mais avalizada, sem dúvida, que te formaste no ramo.

07 setembro, 2010 01:51  
Blogger jorge dias said...

Bom, verifico que leste o poema e gostaste! Eu também. Limitei-me a seguir a tua ideia que aplaudo.

Quanto à Alison Gopnik, meu caro, ainda me considero bem discreto, isto é, lúcido! Eu não disse que ela não era cientista. Mas, em boa verade, nem sei se é e nem me interessa. A minha mulher defendeu uma tese que considero científica... e depois? É tudo científico daí em diante!? Pára o barco e deita amarras no cais.

Repara como és injusto no que opinas. Mas onde onde te dei eu a entender que não gosto do que ela escreve?

Eu gosto do que ela escreve! Mas o que ela escreve não é científico. Eu também gosto de opiniões e de ver os gostos dos outros. Eu não sei se ela se exprime mal e acho também que a tua opinião é tua e ponto final. Se é modesta ou não é lá contigo. A minha não é nada mais avalizada se eu não a justificar e tem mais: não tenho nenhum prazer em contradizer-te.

Compreenderás que algo está mesmo muito mal quando alguém depois de ler esta senhora escreve e cito o verso da capa: "uma obra que enterra de vez as ideias falsas ou enganadoras herdadas de Sigmund Freud e Jean Piaget, o pioneiro da psicologia do desenvolvimento" Anthony Gottlieb no mundialmente famoso "The New York Times".

Meu caro, nem as ideias, provadas, de Sigmund Freud, são falsas e muito menos enganadoras... Bom, quanto a Piaget, o cronista e analista literário, revela apenas absoluta ignorância científica e dá dó que a autora de um livro com tanta ideia feliz tenha induzido um jornalista em tamanho disparate. Era a este propósito que eu falava de ética, "terrenos eticamente não aconselháveis quando se quer fazer ciencia". Mas há mais evidências... limitei-me a esta. Que bom que gostas do livro. É mesmo muito melhor que tantos e tantos que andam por aí... mas também tem disparate que mete medo. Bom para desencadear múltiplas teses de mestrado e doutoramento, mesmo muito bom. Bom sobretudo por não se acomodar, por provocar, mexer no instituído, na vertigem do "establishment"!

08 setembro, 2010 01:06  
Blogger jorge dias said...

Bom, estava à espera da bandarilha de morte e nem nada!

O Reino do Medo de Toby Green é bem mais científico, bem mais científico e, também por isso, palpável, escrito com base em factos que ocorreram, factos que o autor relaciona com outros de outras latitudes e longitudes, em ocorrer simultâneo, com diferenças significativas dos maestros. Incrivelmente provocante, estimulante. Absolutamente não omisso nas abordagens das místicas neuróticas, de origem sexual, nos conventos, na bruxaria, nos exorcismos, nos confessionários, nas vidas... Julgo mesmo que vai ser um marco histórico na compreensão dos povos que a Inquisição dominou, seus atrasos e mediocridades.
Sobretudo, é um sinal da pouca vergonha, da desfaçatez, do descaramento, do lobo que levamos dentro de nós, sinais que são transversais a todos nós e que nos fazem ser pequenos. Que nunca esqueçamos, se lá tivéssemos estado teríamos apoiado a Inquisição. Nós, hoje, ainda somos a Inquisição...

09 setembro, 2010 00:35  
Blogger EL CANTANTE said...

Bom Dia

CADÊ A TERESA?

13 setembro, 2010 10:14  
Blogger EL CANTANTE said...

Uma inquisição de colarinho branco... mete nojo, mas vcs são os culpados, porque deixam essa cambada de asnos se apoderarem de tudo
( poderes). Ainda não entenderam que esses asquerosos, só vos arreganham os dentes e as bordas de cima, na altura das eleições e passado isso, cospem na cara dos saloios.
Deixei de votar já á alguns anos, porque era um desperdício, perder meu tempo com trampolinices, desses trampolineiros.
Não tenho escolha possível infelizmente e oiço o povo dizer; " volta , volta Salazar, pelo menos não sabias roubar ".
Liberdade!... Podridão, negação de valores, morais , éticos e humanos... é essa a gente que nos quer governar!!! Era o que faltava, gastar minhas solas dos sapatos, quando não temos gente o honesta, para escolher e confiar.
Que teremos agora de seguida, para enterter a populaça, enquanto os ( peidófilos )vão tratar dos seus recursos, para conseguirem desmontar a máquina da inquisição!!!

14 setembro, 2010 10:04  
Blogger EL CANTANTE said...

entreter a populaça, quis eu dizer.Fica a rectificação.

15 setembro, 2010 11:24  
Blogger jorge dias said...

Eu cá não sou culpado de nada ou melhor se sou culpado de alguma coisa da Inquisição do século XV e seguintes, sou-o na mesma excacta medida que o "El Cantante" me culpa. Ele também é culpado! Cá por mim voto e acho que devemos votar e até criar o hábito de emitir opinião, afinal outra forma de voto e de poder, a palavra. Vivamente, vos desafio a lerem um excelente trabalho sobre a palavra que vem publicado na revista ÚNICA que vem com o Expresso da semana passada, dia 14 Setembro.

Aqui, não me dedico a entreter ninguém, opino, porque gosto e delicio-me com a opinião dos outros. Sinto-me mais vivo! Aprecio quem gosta do Salazar, como os que gostam de mulheres bonitas, ou os que estimam e se revêm nos seus filhos, os que afirmam valores éticos e morais, os que não se importam de fazer caminho para dar uma alegria, nem que seja a um animal, quanto mais a um humano! Como aprecio jovens que se erguem com ideias para melhorar o nosso futuro! A seguir? Bom, a seguir teremos aquilo que merecermos, pior, só teremos o que cosntruirmos! Qeuriam boleia? Mexam essa ... máquina que ela bem sabe trabalhar!

17 setembro, 2010 23:54  
Blogger EL CANTANTE said...

A máquina não funciona, o óleo está queimado e podre...

20 setembro, 2010 08:51  
Blogger jorge dias said...

Aprendi desde longa data, ainda na meninice da idade que levo, pelas minhas duas primeiras dezenas que cada um anda com o que tem. E ouvi de um amigo dizer que quando nos cortam as pernas só nos resta andar com os tocos! E levei isto muito a sério! Por essa altura,costumava parar pela entrada do Metro dos Restauradores, depois as vinte horas, um mutilado da Guerra do Ultramar que nem tocos tinha e que ainda revejo em minhas imagens mentais: muito bem pentiado, sua linda camisa e casaco de cabedal curto, castanho brilhante, a condizer e nada mais porque não tinha mais nada para vestir! Mas tinha orgulho de ser pessoa... pedia esmola, mas era grande!

Máquinas lubrificadas com óleo, o que é isso!? Que cada um ande e se lubrifique com o que tem! Os mineiros suterrados recebem alimentos e só a água lubrifica o vai-vém que os manté vivos...

Claro que há mais lubrificações, a do amor sempre será a maior!

24 setembro, 2010 02:22  
Blogger EL CANTANTE said...

Oh pá, não fales dessa, ou não te lembras que deram uma trincadela ao Neiva, por causa daquela da praia!?

24 setembro, 2010 10:57  
Blogger jorge dias said...

Foi? Mas que bom, que por isso vale a pena levar as trincadelas todas do mundo! És capaz de lembrar aí que o meu eu já não me lembra! Meu caro el cantante, depois dos orgasmos místicos de origem neurótica que fizeram santos, e santas em tempo de inquisição, com o calor das fogueiras que consumiram em holocausto miles de miles de humanos, só por qualquer coisa menor que o buraco da agulha, vou a tudo e nenhuma excomunhão me atrapalha, porque há uma coisa que aprendi, quem excomunga é que é... claro, medroso!

25 setembro, 2010 01:07  
Blogger EL CANTANTE said...

Que é isso de excomunhão? Mais um invenção dos pedófilos? Ou de outros caquéticos do passado?

26 setembro, 2010 13:58  
Blogger jorge dias said...

Concretamente, ali acima, referia-me àquela reacção, mesmo que não escrita, de rejeição ou de não integração nos cânones de uma certa hierarquia. Se substituires a palavra por rejeição fazes uma boa leitura.

A propósito lembro os excomungados de Moure. Excomungados pelo Arcebispo de Braga porque numa festa colocaram o disco da "Mariazinha é tecedeira...". Cada um tece com o que tem...

Pois, mas foi interessante. Iam à MIssa aos Capuchicos a Barcelos, confessavam-se e comungavam. Moral da estória, o bispo lá levantou a excomunhão quando entendeu, não obstante ter submetido a paróquia a um tempo de missão especial. Os excomungados é que nunca lá foram... e diziam que sempre estiveram em comunhão e que o problema era do Bispo (arcebispo). Ele que se amanhe. Grandes gatões...

Julgo que não eram pedófilos, este Padre e este bispo. Julgo também que não eram caquéticos antes sim queriam ser catequéticos. Mas o tiro saiu pela culatra! Sabes o que é o tiro sair pelas culatra? Eu sei que sabes, mas também sabes o que é excomunhão?! Mas os caquéticos não são de todos os tempos?

28 setembro, 2010 01:11  
Blogger EL CANTANTE said...

Os termos utilizados, foram propositadamente colocados para sinalizar gente ultrapassada, quer no tempo, quer na moral, quer nas ideias. O outro mais recente e em moda é para indicar um turbilhão de coisas que quase todos encobriam debaixo daquelas saias fedorentas e carrunchosas.Qual excomunhão , qual trampa, ninguém dá mais valor a essas fantochadas! Pergunta aos teus filhos e aos meus que te vão responder, para que serve essa cretinice, vinda de quem vem. Desgraçado de quem caisse, em tempos idos, nas garras da bufaria. Entendes mais alguma coisa!... Olha, que salvo erro, quase toda a padralhada colaborava com a célebre inquisição ( pide ).
Ainda agora, pregam para os pobres, mas comem com os ricos, ou como ricos. Tem excepções, claro.

28 setembro, 2010 10:00  
Blogger jorge dias said...

Nós todos estamos ultrapassados no tempo e na moral... Nós somos, perdão eu sou um "tareco". Mas explica aí, que haveria eu de ser se não o que sou? Saias fedorentas e mini-saias bem diferentes e mais pecadoras? Qual carapuça! Provocantes... mas olha que é nas covas que se afogam os gatos. Não há covas hoje... é tudo liso... pelo contrário as curvas são mais complicadas. Saias para os padres é figuração que já foi. Os sacerdotes hoje somos nós. " Povo da nova aliança, povo de sacerdotes, povo de reis e de profetas, povo santo do Senhor". Tu escolherás o teu lugar... por mim há muito escolhi os três. Tem piada que, por isso não tenho razão de queixa, embota tenha passado a receber queixas... estranho fenómeno este do ser humano queixoso e que só não se queixca de si! Estranho e, quem sabe, talvez não tanto. Maus hábitos. Todos são senhores em suas análises. E então o rei vai nu? Mas com certeza! Alguém tem dúvidas? Trabalhem, escrevam, publiquem que ele logo se vestirá.Beijufas era o que queriam!? Passem fora seus animais...

10 outubro, 2010 00:10  
Blogger jorge dias said...

E nem assim provocados apareceram... pois venham como quiserem. Haja beijufas....

10 outubro, 2010 22:49  
Blogger EL CANTANTE said...

Acho que eles não querem dar confiança a mal vestidos. Pode ser que com a redução de salários se juntem aos pobres, mas caso contrário temos de puxar dos galões e dizer que também não somos mendigos de tostões.
Fora de brincadeira, alguns ficaram feridos na sua sensibilidade e vai ser um caso sério, para voltarem e entrar no rego, mas como dizia um caro amigo e nosso colega, para tudo é preciso ter ténis e tonescos, rsrsrs....

11 outubro, 2010 14:09  
Blogger EL CANTANTE said...

Ohhhhhhhhhhhhhh Evaristo!... Tens cá disto???
Também não dizes mais nada, ou será que ando no terreno errado e há certamente ontro ponto de encontro, onde eu ainda não consegui meter o bedelho?
Assim também começo a desanimar, pois nem posso dar umas lambecas nas coisas boas que alguns ex-frades ( boa gente ), por aqui tem deixado registado, temas dignos de respeito e saber.

13 outubro, 2010 16:14  
Blogger EL CANTANTE said...

O Jorge, nem parece reformado, andas a dormir na forma e deixas o Blog ficar vazio de ideias. Sabes que eu sou apreciador dos vossos escritos e quanto mais provocadores, no bom sentido, calro, mas me aguça o apetite de os ler de fio a pavio. Porém quando estou de pavio curto, também dou uma no cravo outra na ferradura, para espantar o burro, quando se abeira do sono cómodo da noite cinzenta que muitas vezes aparece.

13 outubro, 2010 16:21  
Blogger jorge dias said...

Pois, pois, o meu caro gosta é de papa feita. Mas isso nota-se há tempo sem fim... e eu é que sou o reformado, seu cão danado e de reforma completa. Logo eu que não tenho para onde me virar. Viva o burro... ou burra e manda ideias para a praça que o pagode quer rir! Caro cantantante, não estás doente!? Então, faz de burro... que eu há muito burro sou... mas sempre espreito pelo canto do olho, e tu não me escapas porque eu marco os outros todos. Só alguns pedófilos me levaram na infância. Alguns panascas bem tentaram, mas nessa altura eu já dominava a literatura. Cuida-te e dá-te à escritas que, já que deves cantar bem, também podes ter bons dotes das artes da palavra. Se não tiveres, treina... beijufas.

17 outubro, 2010 00:07  
Blogger EL CANTANTE said...

Qual quê, qual carapuça, para escrever, não falta quem, só aqui falta quem escreva bem,mas há que tocar o burro com as esporas , para que este Blog, não pare, mesmo com algumas calinadas pelo miolo.
Eu já falei aqui que o meu negócio é números, mas quando posso, tabém gosto de dar uma trincadela com o meu português macarróneo, mas que para bom entendedor, meia palavra basta.
Quem não atingir que ponha o dedo no ar, pois temos aqui quem arreganhe o olho aos menos letrados.
Como tu dizes muitas vezes " viva a festa " e peguem o touro pelos cornos, porque quem for burro vá abanando as orelhas , para sacudir as moscas.

17 outubro, 2010 19:07  

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