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10 de novembro de 2009

CELEBRAÇÃO EM HONRA DE SÃO NUNO - SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DO ALÍVIO

CELEBRAÇÃO EM HONRA DE SÃO NUNO

DIA 6 DE NOVEMBRO DE 2009,


Santuário de N.S.ra do Alívio



PORQUE ESTA CELEBRAÇÃO.



Escutámos há pouco um trecho do Livro de Ben Sirá, dirigindo-nos o seguinte convite:


“ Celebremos os louvores dos homens ilustres, dos nossos antepassados através das gerações.

O Senhor realizou neles a sua glória, a Sua grandeza desde os tempos mais antigos.”


Desde há séculos que Nuno Álvares Pereira, foi aclamado como o grande Herói da Independência nacional, a quem Camões nos Lusíadas se referia ao escrever: “Ditosa pátria que tal filho teve”.

Foi celebrado e invocado como o Santo Condestável. Como diz o cronista do tempo: “Logo que os sinos do convento dobraram a finados, multidões acorreram junto do esquife do amado velho, e a voz anónima da rua clamava que ele era santo”.

Monumentos, estátuas, associações, livros, tradições têm feito memória dos seus feitos grandiosos, da sua inteligência, dos seus conselhos, das suas sábias palavras, das suas virtudes.

As suas obras justas não foram esquecidas.

A sua descendência permanece para sempre e jamais se apagará a sua memória.

Nesta dia da Solenidade Litúrgica de São Nuno, a primeira como Santo, pois foi a 26 de Abril deste ano 2009, que o Papa Bento XVI o canonizou, estamos reunidos para celebrar as maravilhas que o Senhor realizou em São Nuno. Para exprimir a nossa alegria e gratidão pelo reconhecimento oficial de santidade heróica de mais um filho da nossa pátria portuguesa, da nossa Igreja.

E mais, estamos reunidos para assumir com realismo e esperança, o tempo que nos é dado viver, ressaltando algumas das virtudes heróicas de S.Nuno, cuja imitação nos ajudará a responder aos desafios do tempo presente.

Numa NOTA PASTORAL da Conferência Episcopal Portuguesa, de 6 de Março de 2009; os nossos Bispos, ao referir o acontecimento eclesial e patriótico que foi a canonização do nosso Santo diziam:


É motivo de júbilo e de esperança, mas também ocasião de reflexão sobre as qualidades e virtudes heróicas desta relevante figura histórica, digna de ser conhecida e imitada nos dias de hoje, ajudando-nos a responder aos desafios do tempo presente.



Alguns dados biográficos:



Quem foi Nuno Álvares Pereira?



Pelo estudo da História de Portugal todos sabemos, ou deveríamos saber, quem foi esta grande figura da nossa terra.

Mas quero recordar-vos algumas datas e acontecimentos para o situar no tempo.

Nasceu em 24 de Junho de 1360 em Cernache de Bonjardim, segundo uns, ou em Flor da Rosa, Crato, segundo outros, filho ilegítimo de D. Álvaro Gonçalves Pereira, Prior do Hospital do Crato, e de Iria Gonçalves do Carvalhal, aia da corte.

Foi educado na corte de D.Fernando e D.Leonor. A Rainha D.Leonor, vendo a sua inteligência e esperteza, fá-lo seu escudeiro aos 13 anos. Forma-se nos ideais da Cavalaria, que significava naqueles tempos um projecto de vida, particularmente para os jovens.

Segundo um historiador (Edgar Prestage) “as três virtudes primárias da Cavalaria, no aspecto militar, eram a coragem, a lealdade e a generosidade. As três virtudes secundárias, relativas à religião, eram a fidelidade à Igreja, a obediência e a castidade. As três virtudes terciárias, de natureza social, eram a cortesia, a humildade e a beneficência”.

Nuno escolhe como seu modelo a figura de Galaaz, um dos Cavaleiros da Távola Redonda no qual se inspira para uma vida de virtude. Como ele, quis ser puro para merecer seguir a sua dama escolhida, Nossa Senhora.

Contudo, aos 16 anos, por obediência ao pai, tem de renunciar aos seus propósitos e contrai matrimónio com D.Leonor Alvim, de quem teria três filhos. Dois deles morreram precocemente. Apenas a Filha, D.Beatriz chegou à idade adulta, casando-se com D.Afonso, filho do rei D.João I, dando origem à Casa de Bragança.

Surge a crise de sucessão dinástica provocada pela morte do rei D.Fernando.

Deveria suceder-lhe sua esposa D.Leonor. No entanto, estando amantizada com o Conde Andeiro, a sua subida ao trono provocaria grande escândalo.

Alguns cavaleiros portugueses( inclusive alguns irmãos de Nuno) defendiam o direito do trono de Beatriz, filha de D.Fernando, casada com o Rei de Castela. Tal situação levaria a que o reino de Portugal fosse incorporado no reino de Castela.

Outros, como D.Nuno, D.João e D.João da Regras, defendiam o direito do trono a D.João, irmão de D.Fernando.

Assim surgem as guerras pela independência, das quais se destacam as de Atoleiros (1384), depois da qual D.João subiu ao trono, nomeando Nuno como seu Condestável;

de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385) e de Valverde.

A paz definitiva foi assinada em 1411.

Entretanto, em 1387, fica viúvo.

Nega-se a contrair novo matrimónio. A vida de piedade e penitência (que sempre tinha tido) acentua-se mais. O Condestável, herói de tantas batalhas, famoso guerreiro ao serviço do rei, vai, pouco a pouco, adquirindo a reputação de homem piedoso e santo.

Estando consolidada a paz, decidiu aprofundar os ideais da Cavalaria e dedicar-se mais intensamente aos valores do Evangelho, sobretudo à prática da oração e ao auxílio aos pobres.

Assim, pediu para ser admitido como membro da Ordem do Carmo, que conhecera em Moura e apreciara pela sua vida de intensa oração, tomando o profeta Elias e Nossa Senhora como modelos no seguimento de Cristo.

Em 1422 entra na comunidade do Convento do Carmo, em Lisboa, que ele mandara construir e, em 15 de Agosto de 1423, professa como simples irmão donato, encarregado de atender a portaria e ajudar os pobres.

Passou a ser simplesmente o Fr. Nuno de Santa Maria, deixando de lado o título de Condestável, pois dizia: “o condestável morreu e está enterrado num santuário…

Morreu em 1 de Abril de 1431.

Valores e virtudes afirmadas na vida de Fr.Nuno de Santa Maria

Segundo a Nota Pastoral da C.E.P. os valores pelos quais se pautou a vida do Beato Nuno podem agrupar-se em três planos:

- no plano militar: a coragem, a lealdade e a generosidade;

- no plano religioso: a fidelidade à Igreja (lembrar a sua adesão à Igreja de Roma, quando os castelhanos estavam com a antipapa de Avinhão), a obediência e a castidade;

- no plano social: a cortesia, a humildade e a beneficência.


Fazia parte dos seus ideais a protecção às viúvas e aos órfãos, assim como o auxílio aos pobres.

De realçar o desprendimento que fez de todos os seus bens em favor dos seus companheiros de armas, mas sobretudo, de instituições religiosas e sociais.

Esta foi a última batalha da sua vida. Para ela se preparou com as armas espirituais de que falam a carta aos Efésios e a Regra dos Carmelitas: a couraça da justiça, a espada do Espírito (isto é, a Palavra de Deus) o escudo da fé, a oração, o espírito de serviço para anunciar o Evangelho da paz, a perseverança na prática do bem.


Há alguns aspectos, talvez mais desconhecidos, para os quais somos convidados a olhar.


1. Nuno,santo da Eucaristia.

Ele tinha uma profunda piedade eucarística. Expressava-se no seu desejo de restaurar igrejas para que a Eucaristia nelas pudesse ser celebrada com dignidade; fundação ou restauração de Confrarias do Santíssimo Sacramento; solene celebração da festa do Corpo de Deus.

Quer como Condestável do exército, quer mais tarde no convento, participava frequentemente na eucaristia, preparando-se espiritualmente com muita seriedade e com penitências e jejuns. Por que tal prática?

Ele respondeu: Quem quiser ver-me vencido nas batalhas que me afaste deste sagrado convite, no qual o próprio Deus, pão dos fortes, vigora os homens. Portanto, fortalecido com este manjar, revisto-me de ânimo e valor necessários para vencer o inimigo…

Este pode ser um elemento que nos pode ajudar a ver na Eucaristia o pharmakon( como lhe chamam alguns Padres Gregos) para vencer os inimigos mais perigosos, como o pecado, a violência , o egoísmo.



2. Nuno, santo de Maria.

Já na sua vida de soldado se encomendava à protecção das Virgem Santíssima, antes das batalhas, e pedia também aos soldados que o fizessem.

Antes da famosa batalha dos Atoleiros, dirigiu aos seus soldados as seguintes recomendações:

Sendo a primeira, que se encomendassem a Deus e à Virgem Maria, sua Mãe, que os quisesse ajudar contra seus inimigos e lhes desse a fé na vitória.

Não só dizia, mas também o fazia, como reza o cronista: “avistado o inimigo, Nun’Álvares apeou-se do seu cavalo, fincou os joelhos em terra, e fez sua oração à imagem do Crucifixo e de sua preciosa Madre que trazia pintada em sua bandeira.

Também no final das batalhas, peregrinava para algum santuário mariano.

Mandou reconstruir alguns dos que estavam em mau estado. Faz construir outros novos. Além de outros, principalmente em terras alentejanas, destacam-se os templos de S.ta Maria das Vitórias (Batalha) construído pelo rei D.João I a instãncias do seu Condestável, para comemorar a Batalha de Aljubarrota, e o convento do Carmo, dedicado a N.S.ra do Vencimento, e que ele doou aos carmelitas que trouxera de Moura.

Supõe-se que a sua devoção a Nossa Senhora tenha crescido no seu contacto com os carmelitas. Mas o mais significativo foi ter escolhido o seu nome religioso como “Nuno de Santa Maria”.

Consta que passava horas de oração diante de uma imagem de Nossa Senhora.

O seu exemplo deve ter contribuído para que o templo do Carmo se convertesse num importantíssimo centro de espiritualidade mariana.



3. Nuno, santo da humildade.


Mesmo sendo Condestável e uma das figuras mais célebres e admiradas da Coroa portuguesa, Nuno foi sempre um homem humilde, que fugia das honras excessivas e das ambições de poder.

Sendo donato carmelita, o príncipe D.Duarte teve de o proibir de mendigar pelas ruas de Lisboa, como era seu desejo, e de o impedir de ir para um convento longínquo onde não fosse reconhecido.

Recusou ser sacerdote para evitar que o impedissem de fazer os trabalhos mais humildes e baixos do mosteiro

Esta humildade de Nuno é um aspecto muito significativo para a nossa vida cristã actual.

Num mundo que idolatra o poder, a fama, o prestígio social; num mundo que fomenta a vaidade das riquezas e dos títulos; num mundo em que, apesar de tanta gente passar fome, se faz ostentação de riquezas e luxos; num mundo em que vivemos como escravos da imagem pessoal, do visual, das aparências, do culto do corpo e do politicamente correcto… o exemplo de São Nuno recorda-nos o valor da humildade e da simplicidade.


4. Nuno, um convite à conversão radical


Num determinado momento da sua vida, Nuno sente, como tantos santos, o convite a uma opção mais radical pelo Evangelho.

Deixa tudo, abandona honras, títulos, nobrezas e prestígio para se entregar de forma radical a uma vida de penitência e oração.

A sua figura deve ser também, para as nossas consciências, uma abanão, foi um chamamento à radicalidade, um convite a rever os nossos critérios, a purificar as nossas intenções, a viver o Evangelho sem mentiras nem meias tintas. È esta a grande mensagem e actualidade dos santos.

Na parte final da Nota Pastoral dos nossos Bispos acerca deste acontecimento é feito um “apelo à Igreja em Portugal e a todos os homens e mulheres de boa vontade”, convidando-os a estar atentos a alguns aspectos de particular actualidade, desafiando-os a uma resposta positiva:

- Nuno Álvares Pereira foi um homem de Estado, que soube colocar os superiores interesses da Nação acima das suas conveniências ou carreira. Fez da sua vida uma missão, correndo todos os riscos para bem servir a Pátria e o povo.

- Num tempo de grave crise nacional, optou por ser parte da solução e enfrentou com esperança os enormes desafios sociais e políticos da Nação.

- Coroado de glória com as vitórias alcançadas, senhor de imensas terras, despojou-se dos seus bens e optou pela radicalidade do seguimento de Cristo, como simples irmão do Carmo.

- Não se valeu dos seus títulos de nobreza, prestígio e riqueza, para viver num clima de luxos e grandezas, mas optou por servir preferencialmente os pobres e necessitados do seu tempo.

Num tempo de crise global, que tem origem num vazio de valores morais, o testemunho da vida de S.Nuno constituirá uma força de mudança em favor da justiça e da fraternidade, da promoção de estilos de vida mais sóbrios e solidários e de iniciativas de partilha de bens.

Será também um apelo à cidadania exemplarmente vivida e um forte convite à dignificação da vida política como expressão do melhor humanismo ao serviço do bem comum.



QUE PODE INSPIRAR-NOS A FIGURA DE SÃO NUNO?

O Papa Bento XVI, na Homilia da cerimónia de canonização de S.Nuno em 26 de Abril passado, dava-nos a resposta:

“Sinto-me feliz por apontar à Igreja inteira esta figura exemplar nomeadamente pela presença duma vida de fé e oração em contextos aparentemente pouco favoráveis à mesma, sendo prova de que em qualquer situação, mesmo de carácter militar e bélico, é possível actuar e realizar os valores e princípios da vida cristã, sobretudo se esta é colocada ao serviço do bem comum e da glória de Deus”

Que pode dizer-nos hoje, aqui e agora, S. Nuno de Santa Maria?

A nós, carmelitas, consagrados, na vida religiosa e sacerdotal?

-- amai o Senhor de todo o coração, segui-O sem reservas, entregai a vossa Vida pelo Evangelho. Procurai o rosto de Deus pela oração e contemplação.

A vós, leigos empenhados numa sociedade mais justa, cristãos comprometidos numa Igreja mais viva e mais evangelizadora?

-- sede o sal da terra, sede a luz do mundo. Defendei os direitos do ser humano, das famílias, das crianças.


A vós, Corpo Nacional de Escutas?

-- Aos Lobitos:

- sede amigos de Jesus e dos outros meninos. Ajudai-os; reparti com eles as coisas que tendes; respeitai a natureza, os animais, as pessoas, principalmente as mais pobres, tal como fazia o vosso patrono S.Francisco.


-- Aos Exploradores:

- se aos 11 anos sonhava ser cavaleiro, tal como S.Jorge e o Galaaz e, por isso, explorava as movimentações dos inimigos contra quem teria duras batalhas para defender a justiça e a Fé em Jesus,

Procurai seguir o meu exemplo, cumprindo os vossos deveres para com Deus, para com a Igreja e para com a Pátria, ajudando os vossos semelhantes, orgulhando-vos da vossa Fé, sendo bons cidadãos e bons filhos de Portugal.


-- Aos Pioneiros:

-- cultivai os valores da solidariedade, da fraternidade, da lealdade e da amizade. Assim conquistareis a têmpera necessária para vencer o inimigo, o mal, nas duras batalhas da independência e da liberdade. Procurai ir sempre “mais alto”, “mais além”. Jesus deu-vos a missão de construir um mundo melhor através das vossas capacidades, das vossas descobertas para melhor servir os vossos concidadãos.


-- Aos Caminheiros:

- Se na porimeira vida eu defendi o reino de Portugal, na segunda vida defendei o Reino de Deus.

Tende sempre presente o ideal do Homem Novo. Aspirai aos bens mais dignos da pessoa humana em obediência aos superiores interesses de Deus e da Pátria..

Participai na construção de uma civilização do amor, da justiça e da paz.

Colocai-vos ao lado dos pobres, dos desprotegidos, dos marginalizados, das vítimas da violência e da injustiça, sempre norteados pela Fé e por uma sã liberdade.

A todos nós aqui presentes S.Nuno desafia-nos a sermos verdadeiramente homens, cristãos, portugueses de uma só cara, construtores de uma sociedade mais feliz e, finalmente, aspirantes à santidade.

Que a intercessão de S.Nuno torne realidade estas nossas profundas aspirações.

Por isso, rezemos:.

Senhor nosso Deus, que destes ao bem-aventurado Nuno de Santa Maria a graça de combater o bom combate e o tornastes exímio vencedor de si mesmo,

Concedei aos vossos servos que, dominadas as seduções do mundo, gozem com ele para sempre na pátria celeste.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

2 Comments:

Anonymous ROSALINO DURAES said...

:


Esta foi uma reflexão que, Padre Frei Antonio Monteiro, O.carm, pôs aos presentes no santuario e agora a todos que leem, uma meditação para a nossa vida.

Degustai e vede como é bom!

Eu homem, agradeço ao Padre Frei Monteiro.

Eu ser espiritual, dou graças a Deus pela sua inspirtação e sabedoria.

Foi bom estar no Alivio, revivi a transfiguração.

Rosalino Durães

12 novembro, 2009 19:49  
Blogger Associação Antigos Alunos Carmelitas said...

Este comentário foi removido pelo autor.

15 novembro, 2009 16:59  

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