Nome:
Localização: aaacarmelitas@gmail.com, Portugal

15 de janeiro de 2008

TEXTO PARA REFLEXÃO

A propósito dos comentários que têm aparecido nos últimos dias, na notícia do almoço muito especial, estando eu a ler um livro de Lee Carroll, que relata revelações de uma entidade do outro lado do véu, Kryon, (livro 7, pgs. 155,156, PDF, de Lee Carroll, tradução portuguesa de Vitorino de Sousa, em www.velatropa.pt), pareceu-me ser interessante dar aos frequentadores deste blog, a oportunidade de reflectir no conteúdo do excerto que aqui coloco (o livro é muito grande para ser colocado aqui) O texto está exactamente como no original. Não tem qualquer modificação no português. Quem quiser poderá dizer de sua justiça. Eis o texto:


“Jesus e Paulo
Pergunta 1: Querido Kryon, no seu Livro 6 disse que o Apóstolo Paulo foi um canal espiritual. Não foi ele, por acaso, o responsável da versão distorcida dos ensinamentos de Jesus que logo se converteram na Cristandade ortodoxa? De facto, segundo penso, os outros apóstolos consideraram-no um herege do pior tipo.
Tem algum comentário específico acerca de Paulo?
Pergunta 2: Nesta vida como Trabalhador da Luz sinto-me muito chegado a Jesus. Às vezes até sinto que tive uma vida passada no tempo de Jesus. Todavia, não posso identificar-me com a história de Jesus como está contada na Bíblia e como se ensina nas igrejas actuais. Estas versões parecem-me muito afastadas da verdade!
Quão verdadeira é a descrição bíblica de Jesus? Por favor ajude-me a entender.
Resposta: Estas perguntas são apresentadas juntas, dado que ambas são ocasionadas pelo mesmo tópico central acerca de qual é a verdade. Em Fevereiro de 1999, demo-vos uma canalização acerca deste importante assunto (ver o Capítulo 1, “A Integridade de Deus”). Aqui se seguem uns comentários, para que os considerem como parte da mensagem.
Primeiro, estas perguntas podem evidenciar conjecturas vossas referentes ao que se passou na história. A Cristandade ortodoxa contém mais de 300 divisões entre aqueles que sentem o sorriso de Deus só sobre eles.
Qual delas teve a perspectiva distorcida? Quem está certo? Que guerras e massacres relacionados com as crenças de Jesus na “forma certa” pensam vocês que foram avalizadas pelo Espírito (Deus)? Pensam realmente que um ser humano muito rico não pode ir para o céu? Acreditam ser verdade que os sacerdotes mudaram um pouco quando também foram os chefes do governo durante tantos anos? Dariam vocês ao Congresso Norteamericano as vossas doutrinas religiosas mais preciosas, por mais de 300 anos, para que eles as mantivessem puras e só as alterassem quando fosse necessário? Ainda assim, isso foi o que sucedeu. Acreditam realmente que Deus odeia os Humanos que têm pesados atributos cármicos de identificação genérica nas suas vidas?
Acreditam que um Deus amoroso e temível, que criou os Humanos à sua imagem (a Família), os mataria um por um, torturando-os no inferno para sempre, porque não seguiram algumas regras ou não encontraram a verdade nas suas vidas, incluindo as crianças? Isso é o que vos dizem que é Deus.
Ora bem, vocês perguntam se acreditam que têm a história certa? Evidentemente alguma coisa não está a ser bem traduzida ou perdeu-se pelo caminho.
Só faço estas perguntas, de forma de retórica, para assinalar que a informação que vocês pensam que possuem não vos dá uma visão completa e precisa. Sabem que os sacerdotes judeus chamaram a Jesus o “sacerdote maldito”? Se pensavam que Jesus era maldito, não é de estranhar que alguns dos outros seguidores se obstinassem com a liderança de Paulo? Qual dos outros apóstolos recebeu o tipo de milagre que recebeu Paulo na estrada de Damasco? Recordam a diferença entre apóstolo e discípulo? Acreditam que poderá ter havido competição entre eles? Recordam-se de algum dos atributos dos vossos próprios tempos religiosos modernos? Exponho estes temas para dar-lhes a informação de que não só enquanto Jesus vivia, mas também imediatamente depois, os Humanos encontraram-se numa luta interna sobre o seu imenso poder e sobre o que pensavam que ele tinha dito ou feito. Muito poucos o “entenderam” realmente. Imediatamente houve muitas divisões, e algumas delas levaram, em nome do Espírito, a acções da mais baixa energia que alguma vez se fizeram sobre a Terra.
Para responder à vossa pergunta directamente, não, vocês não conhecem a história completa. E para tornar as coisas mais interessantes, toda a história (relativa à vida de Jesus) encontra-se dentro dos conhecidos papiros sagrados. Então, vocês perguntarão: Porque há tantas versões do que se passou? Há tantas regras diferentes a seguir? Tantas ideias diferentes de a quem e como render culto com exactidão? A razão é que há muitos Humanos diferentes.
Os papiros estão disponíveis e são poderosos. Contêm informação que molestaria e desequilibraria as mesmas doutrinas centrais daqueles que acreditam que conhecem tudo relativo a Jesus. Porque é que os sábios hesitam tanto em revelá-los? Realmente, quanto tempo leva a formar opiniões sobre as mensagens neles contidas? Até agora, os sábios estiveram com eles por mais de 40 anos. Sabem vocês quais são as verdadeiras interpretações, as que sustentam um perfil baixo? Alguns sim, e tiveram grandes dificuldades com o tema, do que fazer com esse tipo de conhecimento. Alguns desejaram não o ter sabido. Alguns revelaram-no e foram ridicularizados.
As nossas instruções para vós, relativamente a este assunto, não se alteraram desde que começámos a dar-vos as mensagens, há 10 anos. No que se relaciona com Jesus: Ele foi um avatar e um xamã de grande importância, ele deu informação surpreendente à Humanidade relativa à iluminação humana. Ele mostrou o caminho numa vertente espiritual onde a Humanidade estava lentamente ganhando a possibilidade de compreender o deslocamento vibracional. Ele curou os Humanos. Ensinou o Amor. Mostrou a Pedro como caminhar sobre a água, ensinou-lhe como poderia fazê-lo por si mesmo, e Pedro fê-lo! Só quando duvidou, tomou as mãos de Jesus para que o ajudasse. Todavia, hoje muitos sacerdotes interpretam isso como se “Pedro não pudesse fazê-lo sem Jesus”. Esqueceram a verdadeira mensagem de iluminação. Este é um exemplo de quanto do que Jesus fez, foi alterado para significar outras coisas, coisas que geralmente não davam poder ao Humano individual, mas à organização ou ao sacerdote em sua representação.
Não é tão difícil entender porque havia tantos sacerdotes iluminados? Tantas regras?
Faz 10 anos que vos falámos sobre a religião: “Permaneçam tranquilos e desejem que o amor seja o vossodiscernimento”. Dissemo-vos muitas vezes que cada um de vocês tem a verdade no seu interior. Não têm de unir-se a nada nem de seguir qualquer Humano para a encontrar. Muitas vezes vos pedimos que estabeleçam a vossa maior prioridade relativamente às vossas diferenças religiosas: a de amar a cada um dentro das vossas possibilidades. Dissemo-vos que não pensem em mudar os outros, somente que os amem. Pedimos que conduzam as vossas vidas à sabedoria. Dissemo-vos anteriormente que nunca podereis eliminar a enorme quantidade de doutrinas e crenças variadas que há sobre a Terra. Não se espera que elas se unam numa vasta provação. O que de facto podem esperar é a sabedoria que traz a solução da tolerância, o entendimento de que os Humanos têm o direito de encontrar Deus/Espírito da forma que gostem. Deixem de pensar que os outros membros da Família estão enganados. Deixem de te ntar que eles acreditem no mesmo que vocês. Preocupem-se com os vossos próprios assuntos espirituais, depois desejem aos outros, ao resto da Família, ter vida, assim como a vocês, e a
seguir louvai-os.
Querido, você relaciona-se com o amor de Jesus? Realmente! Todos nós também. Relaciona-se com o amor e os sábios ensinamentos espirituais de Eliahu? Todos nós também. E com os outros grandes mestres de tantas culturas? Nós louvamo-los e relacionamo-nos com o seu amor! O amor é o amor e será encontrado em muitos lugares do mundo. Os avatares estão vivos hoje e têm grandes poderes espirituais sobre a matéria e a energia. São uma matéria-prima para o planeta. Porque eles existem, não quer dizer que estejam contra aqueles que acreditam em Jesus. Compreendam que todos estão à procura da iluminação, então, amem-se uns aos outros! Dêem espaço inclusivé aos que parecm estar errados relativamente a Deus. Permitam-lhes que encontrem a sua própria integridade e verdade, e celebrem a vida deles!
A verdade básica é: o Amor é o centro da questão. O Amor é a chave da capacidade futura da Humanidade para mudar a Terra. A religião falou-vos muito sobre os homens, não sobre Deus. No entanto, cada religião contém sementes da verdade básica. Vocês não necessitam da religião para serem iluminados, só necessitam transformar-se a vocês mesmos. Mas se desejam participar numa religião, façam-no. Se desejam seguir algo, sigam o amor. O poder reside no indivíduo, não na organização, não na quantidade de interpretações que se fizeram sobre o que aconteceu, tão pouco nas regras estabelecidas pelos homens. A verdadeira mensagem de Jesus foi a de que cada um tome o seu próprio poder porque, realmente, tem a capacidade para o fazer.
O Mestre judeu Jesus, foi um dos muitos Mestres de todas as épocas. Ele é quem representa a maior visibilidade dentro da vossa cultura e é por isso que o tema é tão recorrente nas páginas do material de Kryon no continente americano. Não é o mesmo para outros canais de Kryon de outras culturas. Como tantos outros Mestres, Jesus iluminou homens e mulheres com o Amor. E como muitos outros Mestres a sua mensagem foi: Amem-se uns aos outros! Então, quando forem capazes de entender a mensagem, sigam em frente e caminhem sobre a água.”

11 Comments:

Anonymous jorge dias said...

Se entendermos sigam em frente e caminhem sobre as águas como segui amando-vos, não é uma boa nova? Adorei o texto, no fundo é a mesma luta por um espaço, uma realidade que a todos nos defenda, liberte.A reflexão final é elucidativa: "Como tantos outros Mestres, Jesus iluminou homens e mulheres com o Amor. E como muitos outros Mestres a sua mensagem foi: Amem-se uns aos outros! Então, quando forem capazes de entender a mensagem, sigam em frente e caminhem sobre a água.”
Não podia encontrar melhor forma de me exprimir...

15 janeiro, 2008 00:56  
Anonymous Anónimo said...

CRISTO veio fazer os outros felizes!
E,(eu) tu consegues ser feliz?
Passaste por cá para fazer os outros felizes e a partir daí tu o serás.
Dá e receberás.
Procura e encontrarás.
Bate e abrir-se-te-á.
Rosalino Durães

19 janeiro, 2008 19:50  
Anonymous arimo said...

At� hoje, n�o fiz um coment�rio, a s�rio, sobre o TEXTO PARA REFLEX�O. Chegou a altura de o fazer.
Desde a primeira leitura havia-me ficado a impress�o que o texto � profundamento her�tico em rela�o � religi�o crist� e, particularmente, em rela�o ao catolicismo. N�o � dificil perceber que o autor se coloca � margem das religi�es, quando se l�:"Voc�s n�o necessitam da religi�o para serem iluminados, s� necessitam transformar-se a voc�s mesmos. Mas se desejam participar numa religi�o, fa�am-no". N�o conhe�o o livro nem o autor, mas quem assim fala, dever� ser algum seguidor do Budismo. Com efeito, se acrescentarmos a este discurso distanciado das religi�es, o apelo ao amor, toler�ncia e � realiza�o solit�ria que se consegue atingindo a ilumina�o, temos a descri�o de um budista assumido. Para percebermos esta filsofia de vida do budista, temos de conhecer em que principios ela se baseia. Sabemos, logo � partida, que para o Budismo n�o h� um Criador e a sua Criatura. Existe simplesmente o C�smos que ser� por assim dizer, o "corpo" de Deus. A humanidade e, portanto, cada um de n�s, faz parte deste todo que � Deus (=Cosmos/Universo). O objectivo, nesta vida, � descobrir esta realidade de perten�a a Deus/Cosmos, senti-la e viv�-la at� ao extase. Quem o conseguir atinge a ilumina�o, o conhecimento fundamental, a consci�ncia arrebatadora de que � PARTE do TODO.
Desaparece o CRIADOR, a teologia baseada no PECADO e na REDEN�AO DO PECADOR. Desaparece o SOBRENATURAL, porque n�o existe uma ENTIDADE EXTERIOR ao Universo. Desaparece, definitivamente, o DEUS PESSOAL, substituido pelo frio ABSOLUTO IMPESSOAL. DEntro desta l�gica percebe-se ent�o porque � que o autor considera Jesus "o Mestre judeu Jesus...um dos muitos Mestres de todas as �pocas". Como quem diz, um mestre como qualquer outro. Afirma-se, tamb�m, que andam por a� uns avatares, incarna�es de seres "iluminados", que n�o est�o contra aqueles que acreditam em Jesus, porque Jesus veio ao mesmo: � procura da ilumina�o e pregar o amor... Aquele que para os crist�os � Deus Incarnado para redimir a Humanidade, unindo o "Sobrenatural" com o "Natural", o Criador e a Criatura, n�o passa,para o autor do TEXTO, de um avatar (incarna�o iluminada") ou de um poderoso xam� (curandeiro). De uma s� penada, todos os d�gmas fundamentais do cristianismo reduzidos a p�.
N�o questiono a bondade ou heresia do autor. Apenas estou a chamar a aten�o para as propostas do TEXTO, em flagrante contradi�o com as propostas que nos foram servidas desde a catequese nas nossas par�quias.
J� me espanta, isso sim, a leviandade com algu�m que diz ser carmelita agora e para sempre -e contemplativo (n�o o faz por menos)- aceita, sem pestanejar, tal discurso, a ponto de dizer que n�o encontraria melhor forma de se exprimir. Se bem est�o lembrados, o Dalai Lama (avatar dos avatares, neste momento?) esteve em F�tima e meditou... O Papa Bento VI reagiu muito mal, lembram-se tamb�m. Como te�logo e professor de teologia que foi, sabe muito bem o que � o Budismo e n�o quer confus�es. Quanto a mim, desde que comecei a participar neste espa�o, chamei a ten�o para o rigor dos conceitos e verberei as interpreta�es abusivas das Escrituras. Pois bem, e como todos leram, at� me mandaram tratar da cabe�a. Cam�lo, at� posso ser, mas que eu saiba, at� ao momento, considero-me cam�lo sadio.

03 março, 2008 01:03  
Anonymous Arimo said...

Texto para reflexão
Comentario II

"Querido Kryon...às vezes até sinto que tive uma vida passada no tempo de Jesus". Esta passagem do texto é um afloramento claro da ideia subjacente ao Budismo ( e ao Hinduismo) da REENCARNAÇÃO. O acto de reencarnar significa, segundo a crença, a entrada da alma humana num corpo que não era o seu anteriormente. Esta crença não tem nada a ver com a teologia da RESSURREIÇÃO de São Paulo e adoptada pelo cristianismo, ao longo de dois mil anos. Segundo São Paulo, "nem todos morreremos, mas todos seremos transformados" (I Corintios, 15,51). Será a ressurreição da carne, professada no credo católico, pela transformação miraculosa deste "corpo corruptivel, revestido da incorruptibilidade e este corpo mortal revestido da imortalidade" (I Cor 15,54). Ou seja, o nosso corpo não ficará à mercê de qualquer alma desencarnada (o povo diz alma penada), para ser possuido e utilizado como invólucro descartável. Tal como o Senhor Jesus Cristo assim seremos todos: O seu corpo glorioso é o mesmo corpo corruptivel, agora glorificado. Ora,segundo a ideia da reencarnação, o homem acaba por não ser (também) um corpo e vai-se introduzindo hije num, amanhã noutro e depois outro e mais outro...Será caso para perguntar, se um dia nos vierem bater à porta: Ó alma penada do caraças, tu não vês que isto já tem dono? O trabalho que tiveram os meus antepassados para eu chegar até aqui, desde o pai do avô do visavô da minha avó!
Mais uma diferença fundamental entre cristianismo e budismo: São Paulo, na sua teologia da ressurreiçaõ procura recuperar (salvar) o homem na sua integridade. Miraculosamewnte, é certo, mas recupera o homem como um todo. O budismo não tem homens, mas sim almas, mentes, espiritos, forças, energias...Não tem história nem pretende participar participar nela. A figura típica do monge budista, trajado a rigor, em pose estática, à procura do êxtase e da iluminação, sentado sobre os calcanhares o tempo todo, até ganhar calos no "frasco" (vocábulo sublimado no linguajar mariano-falperrense) nunca me seduziu. De longe preferia o monge carmelita, contemplativo e tudo, que nunca usurpou o corpo de ninguém. E já agora, não acham estranho nunca terem visto uma monja budista? Será que os tais espiritos, ao encarnar, têm uma predilecção especial por machos?
O que me surpreende nesta ideia da reencarnação é o afastamento da historicidade humana.Está mais que demonstrado que sempre que nos afastamos da realidade histórica, estamos a afastar-nos de nós próprios e do nosso futuro, que se prepara aqui e agora. O tema da historicidade do homem é recorrente na minha maneira de pensar, porque não vejo outra maneira de o homem SER e REALIZAR-SE a não ser na história. Se nós fossemos um ESPIRITO budista, seria o corpo e o seu prolongamento, que é o Universo, uma imensa e absurda inutilidade?
Sentados nos seus calcanhares, às vezes penso que se riem de nós: trabalhem que nós contemplamos...

04 março, 2008 14:18  
Anonymous Arimo said...

TEXTO PARA REFLEXÃO
Comentario III

Não posso deixar de pensar que, no texto em apreço, citam-se os Evangelhos e Jesus apenas como engôdo dirigido aos cristãos. O episódio de Pedro que anda sobre as águas e se começa a afundar, é exemplo paradigmatico: "Mostrou a Pedro como caminhar sobre a água, ensinou-lhe como poderia fazê-lo e Pedro fê-lo... Hoje muitos sacerdotes interpretam isto como se Pedro não pudesse fazê-lo sem Jesus...Esqueceram a verdadeira mensagem de iluminação...A verdadeira mensagem de Jesus foi a de que cada um tome o seu próprio poder..." E noutra passagem insiste-se: "O poder reside no individuo, não na organização..." Em tal contexto, falar de amor é ironia ou ignorancia total do que seja o amor. Apropriar-se, em tal contexto, das palavras do Evangelho "amai-vos uns aos outros" é contraditório e a mim faz-me pensar que o que se pretende dizer é antes: não se chateiem uns aos outros! (Daí a tal tolerancia para com tudo e com todos). Não me perturbem,nem ao meu poder fantástico individual, para que possa atingir a iluminação e o êxtase até à levitação; andar sobre as aguas e tudo; dispensar, até, a vassoura voadora da bruxa, e pairar no céu do meu poder...
Quem se habituou a ler, nos textos canónicos do cristianismo, que a salvação é uma dádiva -a graça- poderá começar a pensar que alguém estará a querer enganar alguém.
Se Paulo distorceu ou não os ensinamentos de Jesus, é uma questão que pode ser colocada e hoje os teólogos estão a fazê-lo como nunca foi feito. Mas eu dou como certo: este texto do Kryon não fala do Jesus nem de Paulo nem de Pedro. É um outro Jesus, um mestre da iluminação como outro mestre qualquer. O cristianismo, de que São Paulo é o teólogo fundamental, fala sempre de um povo, de uma "ecclesia", enfim de uma humanidade que caminha, redimida por Cristo, em direcção à glorificação depois da morte. Mas nunca de um individuo que procura, através da ascese, a iluminação, porque tudo já foi revelado em Cristo.
Só no contexto de uma "ecclesia", de uma comunidade, se pode falar de amor, de partilha, de fraternidade. Só neste contexto surge a sinfonia, o côro a cinco vozes, o onze de futebol, o bailado sincronizado, os aaa...É uma fraternidade que até já se provou ser biológica (os nossos genes o atestam!). Já ninguém tem desculpas para não ser fraterno. Que maravilha ter descoberto que o Zé Moreira é meu irmão de sangue! Tal como o Bessa, que ontem me telefonou. É só contar avôs e avós.
A descoberta incrivel do genoma humano não é um argumento contra, mas o reforço de qualquer ideal fraterno. Mas o valor desta descoberta biologica é que ela contribui para desmascarar a futilidade de projectos individualistas, sejam eles de caracter teológico ou filosófico. Jean Paul Sartre, filósofo existencialista, disse que "o inferno são os outros". "Mutatis mutandis", o nosso Kryon está lá bem perto. Diria, se falasse claro: " não me chateiem, deixem-me em paz a caminho da iluminação".
E a ascese cristã? Anda próxima de uma atitude semelhante? Até pode ser, mas o ensino oficial da Igreja Católica mantem-se fiel a São Paulo.

05 março, 2008 13:32  
Anonymous j dias said...

Sou muito suspeito, mas habituei-me a saber esperar e quando me preparava para um brevíssimo sinal de vida, deparei-me com uma intervenção de Arimo, que senti muito interessante. Claro que ele sabia que tão pouco nos separava, como eu sei. Nem podia ser de outra forma. Infelizmente, não estou tão preparado assim para dirimir certas questões teológicas. Por outro lado e em primeiro lugar, acresce que deixei de ter necessidade mental e afectiva de o fazer, idêntica à dos meus vinte anos, embora ainda o faça ocasionalmente porque continuo a gostar de mergulhar nas questões e, sobretudo de fazer sínteses de vida e para a vida. Hoje, não questiono o caminho dos outros, se socialmente realizante e integrador. E se às vezes questiono é porque mo solicitam ou porque procuro os caminhos da mudança que me pagam para fazer. Hoje não curo de demonstrar que os outros estão errados ou de que o que está feito está errado. Curo mais de me melhorar bem como tudo o que me rodeia. Melhorar-me conforme o modo como entendo fazer-me e fazer melhor. E o meu melhor, em sociedade, só acontece porque os outros, e veja-se o que acontece neste blog, me motivaram. É evidente que São Paulo diria isto doutra maneira. Por mim atribuo isso a razões de contexto. Sem querer criar turbulência penso que a linearidade do seguidismo de São Paulo já foi muito maior na Igreja. A título de curiosidade veja-se a reviravolta que Bento XVI faz na parte inicial da encíclica sobre a esperança "Spe salvi facti sumus". Está ao nível do que os melhores consultórios psicológicos fariam... isto para não referir o sentido, subreptício, dado pelo Papa ao termo salvação. Quanto a mim não tem nada a ver com o que alguma vez vi escrito sobre o tema. Recebi há dias uma mensagem de um aaacarmelita que a dado passo dizia: "Só uma coisa é bela: o amor é o mais belo de tudo".Para mim não deixa de ser outra leitura, daquela que foi redescoberta: "amai-vos uns aos outros como eu vos amei". Se ao fazer isto passo por tolo..., mas quero lá saber disso. E será que o sou por causa disso? Primarismos e infantilidades cada um pega nos que quer. Até aquele outra frase que Arimo refere:"trabalhem que nós contemplamos". Riem-se de nós? Mas rir é proibido? Li uma vez que por uma questão de economia deviamos rir mais porque ao rir utilizamos vinte oito músculos e ao chatiar-nos trinta e dois. Então "estar com ele e disponível" é menos trabalho? Numa coisa eu concordo, há contemplação e contemplação... e sem o outro vejo o caminho muito apertado para a sua existência. Esta contemplação sem o outro penso que não cabe na Regra do Seminário e conventos por onde andamos... Este texto de Arimo tem um sumo gostoso e outra maturidade. Provocante quanto baste, dialogante, quase no limite, como entendeu que convinha… manifestamente, acho eu, de bloguista como convém ou não?

05 março, 2008 18:56  
Anonymous Arimo said...

TEXTO PARA REFLEXÃO
Comentário IV

Saudando o regresso do Jorge Dias, aqui estou para mais uma opinião sobre o texto do Kryon que, devo confessá-lo, me deixou de cabeça quente. Eu já tinha percebido, falando até com amigos aas, que há muita gente a deixar-se seduzir por este tipo de filosofia de vida. Ainda há pouco tempo vi na RTP um desses monges, por acaso o chefe máximo em Portugal, e uma atriz e cantora famosa, Adelaide Ferreira, toda vidrada no monge, na meditação iluminante, arrepiada só pela presença do monge. E pouco falfou para entrar em transe quando o homem fez soar o sino que o acompanhava, num son que parecia vir das profundezas do espaço. Eu sei bem o que é estar arrepiado de emoçao, como quando cantavamos Os Sinos de Mafra a 4 vozes (mais ou menos afinados); quando ouvia o P.e Pascoal cantar o Precónio Pascal... Os arrepios vão e vêm e ninguém vive de arrepios. Há mais vida para além dos arrepios, por mais sublime que seja a sua causa.
Desviei-me do nosso Kryon. Voltemos. A 2ª pergunta do autodenominado "Trabalhador da Luz" (pomposo e curioso nome, mas a principio até pensei que se tratasse de um electricista), inclui esta afirmação: ...Não me posso identificar com a hist´ria de Jesus como está contada na Bíblia e como se ensina nas igrejas actuais". O mestre Kryon concorda inteiramente com ele, como se vê pela resposta, e inventa-lhe um Jesus à medida. Vejam só: Não aceita o Jesus da Bíblia, nem qualquer interpretação que dele fizeram as igrejas. Onde foi o ilustre mestre buscar este outro Jesus, de quem Pedro nem ninguém precisa? Aliás, nem Pedro alguma vez viu este Jesus que não vem na Bíblia!
Isto é um bocado caricato mas espelha bem que doutrinação se vai fazendo por aí. Por isso disse, numa das primeiras intervenções, que melhor servidos estamos (eu ainda não provei) com as tripas do Evaristo (salvo seja) do que com esta salgalhada servida por pregadores iluminados.
Escolhi esta passagem do Kryon para comentário, porque tem saido, nos últimos anos, muita literatura sobre Jesus e outras personagens do Evangelho. Li bastantes. Do melhor e do pior. E pude constatar que o que de melhor se escreveu foi baseado, quase exclusivamente, nos textos canónicos, apoiados por documentos coevos de outras origens, que ajudam à contextualização das Escrituras e da mais correcta interpretação. Há um certo tipo de abordagens que é feita, imaginem, pelo que se pode ler nas entrelinhas! Isto é, atiram-se a adivinhar. E lá surgem as namoradas de Jesus, a traição de Judas, que afinal foi combinada com o atraiçoado, a morte na cruz que não chegou a ser, etc. Lendo nas entrelinhas cada um tira dos textos tudo o que pretende. E vende bem. O nosso Kryon foi mais radical: Nem o das linhas nem o das entrelinhas. Faça-se um novo. Fez-se e aqui nos foi apresentado, com tanto rigor histórico como a história do achamento da corda com Judas se enforcou (parafraseando o Frei Bento Domingues, meu professor de Teologia Dogmática). Se me permitem um conselho, meus caros aas, repito as palavras de Paulo: Omnia autem probate... mas retende só o que for bom. Em liberdade, devemos ler tudo mas com critério. Não se iludam com lindas palavras de amor que podem ser engôdo de namorados traiçoeiros. Usem o crivo da razão.

06 março, 2008 00:32  
Anonymous Anónimo said...

Gostei tanto de vos ler ao passar por aqui e por acaso. Que bonito.. Vocês têm ideias lindas. Revelam que estiveram no Seminário.Essas ideias fazem falta. Indiscutivelmente são originais e pensadores.Discutam e complementem~se.Por favor não se anulem.Sou mulher e voltarei para vos ler. Um beijinho, já que Sábado é o dia da mulher e não gosto de um blog só de homens.Afinal onde estão as mulheres desses aaacarmelitas? anónima

07 março, 2008 01:19  
Anonymous arimo said...

Sejas ben-vinda MULHER DE UM AA (ia-me saíndo "mulher dum caraças"). Por ter a coragem de aparecer, neste blog de homens. E lembrou-me que amanhã tenho de comprar uma prenda à minha Maria.
Faz um apelo a que o jorge e eu não nos anulemos. Garanto-lhe que nunca pretendi anular ninguém, nem o tal de Kryon, quanto mais um aa. O que não deixo passar em claro, e isso não posso evitar, é o erro ou o que me pareça sê-lo. E também não tenho culpa que me tenham metido na cabeça, quando ainda era uma criança, "as obras de misericórdia". Precisamente uma delas é CORRIGIR OS QUE ERRAM. Desde aí, deixei de tender a pactuar com o erro, onde me parecer que ele exista. A começar em mim próprio. Por isso com tanta frequência me chamo camêlo e côdeas, num solilóquio que mais parece um rosário de jaculatórias: "ès muito camêlo, pá!" Sem falsas modéstias e muito menos falsa humildade evangélica. É que às vezes dizemos ou fazemos cada coisa... Um abraço para esta mulher anónima, extensiva a todas as outras, até que os braços me doam.

07 março, 2008 10:21  
Anonymous Anónimo said...

cialis cialis kaufen deutschland
acquisto cialis costo cialis farmacia
cialis cialis
generique cialis generique cialis

14 novembro, 2012 06:44  
Anonymous Anónimo said...

[url=http://achetercialisgenerique20mg.net/]cialis[/url] cialis commander
[url=http://comprarcialisgenerico10mg.net/]cialis[/url] comprar cialis contrareembolso
[url=http://acquistarecialisgenerico10mg.net/]cialis acquisto[/url] cialis
[url=http://kaufencialisgenerika10mg.net/]cialis[/url] billige cialis

29 dezembro, 2012 19:19  

Enviar um comentário

<< Home