Nome:
Localização: aaacarmelitas@gmail.com, Portugal

17 de fevereiro de 2011

N O V O 


SEM COMENTÁRIOS  III


Espaço disponibilizado para a continuação da troca de ideias, informações, comunicações, testemunhos, etc., que qualquer um possa ter para partilhar com os outros visitantes desta comunidade, nomeadamente Antigos Alunos do Seminário Missionário Carmelita, da Ordem do Carmo em Portugal.

Aconselha-se a deixar o  SEM COMENTÁRIOS II  e a passar para este espaço, pois o outro está a atingir o limite da sua capacidade.


Lembra-se que é em 9 de Abril que ocorrerá a próxima Assembleia-geral, para a qual se espera grande contributo dos Associados. Partilhem aqui as vossas ideias e sugestões.


Bem hajam

199 Comments:

Blogger EU said...

"O homem é do tamanho do seu sonho."
(Fernando Pessoa)


"Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
(...)

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpetuo movimento.



Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
mascara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperanca,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de danca,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
para-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do atomo, radar,
ultra-som, televisao,
desembarque em foguetão
na superficie lunar.



Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos duma criança"



- Pedra Filosofal, António Gedeão

17 fevereiro, 2011 20:58  
Anonymous Anónimo said...

Olá, pessoal.
Não pude participar no placard anterior pelos motivos que vos disse. Mas cá estou hoje, já que descobri que, como anónimo mas embora assinando, consigo entrar.
Logo se início tentei dar uma opinião acerca da "associação, que futuro?" e escrevi ( o que não saíu) que o Augusto Castro & Cª- merecem toda a nossa gratidão pelo esforço com que sempre levaram com êxito a vida da Associação. A Associação tem pernas para andar e, como se vê por tudo o que se tem escrito neste Blogue, merece que se não deixe ir abaixo.Porisso deixo um apelo aos mais novos que nós para que se organizem e saltem para os cornos do touro, o mais difícil e que mais valor tem.
Cada um de nós está hoje na nossa terra, com a nossa família e os nossos amigos. Mas não fomos já nós, noutros tempos, uma autêntica família e irmãos verdadeiros uns dos outros? Hoje, quando bebo um copo com os meus colegas,( sem que o Dr., aquele estupor que me proibiu de beber, veja, )lembro-me muitas vezes que estou convosco, a beber água da Falperra, que só tinha menos um grau que o vinho do Fraião! E quando vinha o dia do então Beato Nuno,( agora felizmente promovido a S.Nuno), o dia de S. Pascoal, a Páscoa e o dia da Srª do Carmo, quem é que vos ajudava a beber o vinho de que muitos de vós não gostáveis? Era cá o "je", que eu sempre gostei de ajudar os meus colegas . E então no fim, quando tinha que ir para o palco fazer teatro ou tocar, nunca reparastes que a peça saía sempre impecável e que a cítara e a flauta tinham um som mais humano e harmonioso, parecendo que tinham vida?
Era assim mesmo.
Por isso, vamos continua com esta maravilhosa Associação.Que prazer sinto quando vos dou um abraço, seja em Fátima, seja no Sameiro!
Este ano talvez não possa ir a Fátima já que:
A) A minha filha faz anos dia 10 de Abril.
B) Dia 9 de Abril há a comemoração da Batalha de La Liz, e eu, como faço parte da Direcção do Núcleo de Mirandela da Liga dos Combatentes, terei que estar presente nas respectivas cerimónias aqui em Mirandela.
Mas lá vos encontrarei no Sameiro.
Outras coisas gostava de falar convosco, como, p.ex. mandar uma abraço ao Lima Barbosa, de Geraz do Lima,que era do meu tempo. Nessa altura o Lima Barbosa pregou-me uma partida de que eu fiquei muito magoado mas que agora vos explico:
Andávamos no 1ºano e o Pe. Nuno dáva-nos diàriamente um selo sobre a vida de Jesus, com que se completava a história. Traduzido para os tempos modernos,era como hoje os episódios da Telenovelas: Nós recebiamos então o sêlo, hoje vê-se o episódio, e no fim, quer num caso quer noutro,fica sempre a história completa.
Mas acontecia o seguinte: Quem se portasse mal na sala de estudos, não recebia sêlo!
Ora num sábado, era o Lima Barbosa o encarregado de anotar quem se potava mal. E eu tinha um dilema: Na 2ª feira seguinte tinha que me ir confessar e ainda não tinha pecado. Como é que eu podia chegar ao pé do PE. Olavo, meu confessor, e dizer-lhe que não tinha pecados? Era impossível! Então lembrei-me: Tenho que arranjar um pecado, mas não pode ser na sala de estudo senão fico sem o sêlo.Optei por o fazer no corredor, antes de entrarmos na sala. E então, no corredor, enquanto íamos na fila e em silêncio, espetei um pontapé ao Constantino, que ia à minha frente. Caro que ele se ressentiu e protestou. E o Lima Barbosa assentou o meu nome e fiquei sem sêlo. Mas, felizmente, tive um pecado para confessar, e assim senti-me mais feliz por não ir ao confessionário de mãos vazias!
Um abraço, Barbosa.E para vós todos.
Emídio Januário

17 fevereiro, 2011 22:56  
Blogger EU said...

Meu Caríssimo E.J.

Tenhamos FÉ, que outros continuem esta AAAC


Numa freguesia aqui das redondezas,um novo padre foi nomeado. Antes da sua posse, visitou na companhia do antigo padre todos os membros “colaborantes” da igreja e convidou-os para que no dia da posse, iniciassem uma campanha de oração para pedir chuva, já que a região atravessava um longo período de seca, ressalvando porém, que só os que tivessem fé comparecessem.
No dia marcado, reuniu-se uma grande multidão em frente a igreja, que estranhamente estava com as portas fechadas.
Crentes e não crentes, todos queriam participar na campanha, pois o prejuízo com a falta de chuvas era grande, atingindo o comércio, plantações etc.
Uma hora de espera e a multidão já começava a desanimar, quando o padre chegou. Foi a cada um dos presentes, examinou-os demoradamente e dirigiu-se à porta da igreja, onde com alta voz falou:
-Voltem para casa, incrédulos! Vocês não podem participar na campanha de oração.
Um dos presentes, o mais corajoso, perguntou:
-Mas foi o Senhor quem nos convidou, porque é que não podemos rezar pela chuva?
-Vocês têm fé, que rezando, o Senhor nos manda chuva ainda hoje?
Temos! responderam todos.
-Então, onde estão os vossos guarda-chuvas? Mostrou o seu e entrou na igreja sozinho, trancando a porta.
A multidão dispersou enquanto grossas gotas de chuva começavam a cair. Antes que chegassem a suas casas, uma chuva torrencial caía sobre a Freguesia.
A verdadeira Fé é assim.
- Anos 60 ... palavras do púlpito-
- hoje já não é a mesma coisa!...

18 fevereiro, 2011 13:59  
Blogger Mario Neiva said...

Fizeste-me lembrar, amigo EU, com essa tua história da fé e da chuva, aquela multidão de crentes na felicidade que os espera depois da morte, mas que se agarram à vida com unhas e dentes, quase se lhe podendo ler nos lábios da descrença o velho ditado popular de que "mais vale um pássaro na mão que dois a voar".
Falo por mim: quem me dera saber que depois de fechar os olhos me encontrava com os meus entes queridos falecidos. Adorava voltar abraçar os que já partiram e contar-lhe as novidades lá da terrinha.
Assim, até era capaz de morrer com um sorriso a iluminar-me o rosto.
O mais certo, porém, é comparecer no adro da igreja sem chapéu de chuva. E o senhor abade vai continuar a entrar na igreja sozinho para rezar com a fé como deve ser...

18 fevereiro, 2011 17:38  
Blogger EU said...

Lindo o teu pensar, mas cá entre nós, como "valorizaríamos" o amor se ele não nos fizesse chorar? Como sentiriamos a falta da alegria, se, não provássemos as tristezas? A isso chamamos "VIDA" e faz o favor de te lembrares que tudo passa.

(Isto aprendi com o Mário Neiva)

18 fevereiro, 2011 18:38  
Blogger ROSALINO DURAES said...

Como seria lindo que se começassem a posicionar aqueles que gostariam de ver os destinos da AAAC em boas mãos

Rosalino Durães

18 fevereiro, 2011 18:48  
Blogger Teresa said...

Como valorizaríamos o amor se ele não nos fizesse chorar? Como sentiríamos a falta de alegria se não provássemos as tristezas?

Tudo na vida tem as duas faces da mesma moeda. Não se pode dissociar uma da outra elas são parte integrante. Com ela aprendemos a felicidade e a tristeza, o amor e a decepção.
Com ela aprendemos, com ela lutamos por sermos melhores. São estas as nossas lutas diárias a fim de saber ser, estar, fazer, consigo próprio e com os outros.
Outro aspecto fundamental desta nossa caminhada na vida: a fé. Para mim o mais importante de tudo, o que deveria ser o exemplo de vida, o caminho a seguir. Com ele fazemos caminhada lado a lado, erramos sim mas por isso mesmo somos humanos, mas temos a capacidade para ver o erro e resolvê-lo da melhor forma.
Basta acreditar e por em prática aquilo que acreditamos. Ele está sempre connosco, basta escutar, basta compreender alguns sinais.
Vai ter momentos altos e momentos baixos? Claro que sim daí a caminhada fazer-se neste sentido procurar sempre um dia melhor que o anterior daí chamar-mos este dia de presente.

18 fevereiro, 2011 23:53  
Anonymous Anónimo said...

Pois é, minha gente. A fé move montanhas. E eu, desde pequeno, ensinado pela minha mãe, sempre acreditei. Quando cresci, comecei a duvidar: Será? Não será? Mas, felizmente, a fé nunca se foi embora e parece-me que aumentou. Tenho 63 anos e estou convencido que já não chegarei aos 120.( Claro que já passei os 2.000, vai para 11 anos)
Mas confio que de facto ( e se calhar de fato e gravata), lá irei levado de pés juntos. Que eu por mim, sòzinho, não irei. E estou certo, caro Mário Neiva, que hei-de encontrar o meu pai, o meu avô barbeiro, o meu avô Alexandre (que não conheci) e as minhas duas avós (que também não cinheci.) E, claro, o meu bisavô Januário, de quem recebi o apelido e a minha bisavó Maria do Carmo.(Concerteza que foi esta que me mandou para a Falperra...) Por isso continuo, quando na missa vem a hora do credo, a refletir: "Creio na ressurreição dos mortos e no mundo que há-de vir".
Estarei errado? Se estiver, paciência... Depois se verá.
Claro que não andei nas filosofias e teologias que tu, Mário, o Jorge e outros, óptimas e honestas pessoas como vós, andastes, mas cá se vai aguentando com o meu 5º ano da Falperra, o 7º no Liceu de Bragança, e uma passagem pela Faculdade de História na Universidade do Porto.
Não é muito mas deu-me para, cada vez mais, aumentar sem fanatismo a minha pobre e ignorante fé.Por isso, não me atrevo a discutir convosco os vossos elevados pensamentos...
Mas, aqui para nós que ninguém nos ouve, quando leio as vossas teorias, vem-me à memória um facto que se passou aqui em Mirandela:
Havia aqui uma velha mendiga, careca, que se embebedava e fumava e que, quando pedia esmola,tirava o lenço da cabeça para mostrar a sua calvês, e assim podia angariar um tostão ou dois a mais. E havia, e ainda há, o Ernestino, relojoeiro com a 4ª classe, autodidacta, que lhe deu para estudar e aprofundar os seus conhecimentos. Lia tudo quanto lhe viesse à mão e enfiava tudo na memória. Com o 25 de Abril adquiriu e meteu na cabeça todos os artigos da constituição e posteriores leis que saíram. Assim, estivesse onde estivesse,discutia sobre estes assuntos fosse com quem fosse, argumentava e ninguèm o levava de vencida, pelo que, já toda a gente lhe fuga, inclusive eu, pois notava-se que os fuzíveis dele já tinham queimado.
Ora num determinado dia em que a velha careca estava deitada à sombra a curtir uma, o Ernestino aproximou-se dela e fez-lhe uma valente
dissertação sobre as obrigações do Estado em tomar conta dela e prover ao seu sustento, sem que ela necessitasse de andar a pedir esmola. E ia argumenando com os artigos da Constitução e leis e decretos-lei que se seguiram. Enquanto ele falava foi-se aglomerando uma pequena multidão a ouvir e ver o que se estava a passar. Até que, enquanto o Ernestino falava, a velha se levanta, olha para ele de frente e diz-lhe sem mais nem menos: "Olhe, sabe que mais? Cale-se lá e mande mas é para cá um cigarrito!"

E hoje ficamos por aqui.

Um abraço para todos, extensível à D. Teresa, que tem muito bom senso e lógica nas suas intervenções.

Emídio Januáio

19 fevereiro, 2011 15:11  
Blogger Teresa said...

o homem é do tamanho do seu sonho..

Esta frase daria pano para mangas, como se costuma dizer. O sonho comanda a vida. E então porque não podemos transformar o nosso sonho em realidade? Alguns são possíveis, outros são fruto da nossa imaginação e representam o mais intimo de nós e muitas vezes não os compreendemos, mas mais tarde quase de certeza os vamos compreender.
Os sonhos têm sempre a ver com a realidade em que vivemos, com as experiências de vida, com a nossa vida, com as relações que entre nós acontecem, seja de amizade, sejam relações profissionais, sejam maritais ou parentais.
Por vezes sonhamos dormindo outras vezes acordados. A nossa imaginação é muito fértil está sempre a acontecer algum tipo de pensamento mesmo que não queiramos há sempre uma corrente mais forte que nos põe a magicar sempre alguma coisa.
O sonho pertence a cada pessoa. Por isso o homem é do tamanho do seu sonho.
Há uma frase que Jesus diz: O amor é tudo. Esta frase deveria ser o exponente máximo do sonho de cada um. É o sonho tornado realidade a começar por mim. O amor em tudo o que fazemos. Amar os outros como Jesus o demonstra no amor que tem por nós. Tem que se batalhar no amor para termos um mundo diferente, para melhor com mais esperança, com mais interacção entre as pessoas.

19 fevereiro, 2011 19:15  
Blogger Mario Neiva said...

Ó Emidio, com essa da velhinha careca a pedir esmola lembtraste-me uma também verdadeira passada na minha aldeia de Balugães.
Havia um "pobre de pedir" que se aproximava das pessoas, estendia a mão e começava a rezar o "pai-nosso". Recebeu por isso a alcunha de "o pobre rezador".
Normalmente o homem conseguia comover a alma piedosa dos fregueses e, ainda ia o pobre rezador em meio "padre-nosso" e já a esperada e parca esmolinha pousava na concha da mão.
Num belo dia, conta quem estava presente e tinha ouvido bem afinado, o pai-nosso foi rezadinho até ao fim e de esmola nada. Inconformado, o pobre rezador dá meia volta para ir bater a outra porta e, entre dentes, sai-lhe o inesperado impropério: "lá se foi mais um "padre-nosso" pró c...alho".
Pelos vistos não era primeira vez que rezara em vão...

19 fevereiro, 2011 21:28  
Anonymous BATISTA said...

Mário, acerca da fé, quero contar-te o que se passou comigo um dia de muita dor que poucas vezes gosto de lembrar.A Minha esposa estava com uma grande depressão causada pelo duplo emprego, não descansava nada, implicava com tudo e com todos, começava até a dizer que os filhos não gostavam dela etc. Começou uma fase ainda mais grave a ponto de não receber o médico; passava os tempos de descanso metida na cama sem comer e só com o desejo persistente de por termo à vida.Eu ía trabalhar com o coração nas mãos a chorar todo o caminho. Dormir com medicamentos ao lado era um perigo real.A minha mãe , que sempre foi para mim um exemplo de fé e na sua morte por cancro de uma resignação exemplarmente cristã, passou a ser sempre e continua aliás a ser o meu santo devoto. é sempre a ela que dirijo os meus receios; aconteceu que naquele dia de angustia, foi de uma união profunda ; para ela passei todos os meus sérios receios.Nesse dia , já noite, era tempo de inverno, e como todos os dias anteriores, o meu maior receio era chegar a casa e encontra-la estendida . nesse dia,eu tinha uma mistura de convicção e receio, surgiu-me com uma grande estufação dizendo-me: Estou espantada; até me arrepio quando me lembro do que me aconteceu hoje quando estendia a roupa no estendal; estava , como os dias anteriores a chorar, revoltada com a vida, só tinha um desejo que era suicidar-se, quando do meio do estendal a ponto de a assustar lhe falou a minha mãe dizendo-lhe perentoriamente : Não faças isso! O João está a sofrer muito, e os teus filhos precisam de ti! Ela no meio da roupa não sabia de onde vinha aquela vós que logo conheceu; depois contei-lhe o meu pedido. Nunca mais na vida esqueci este acontecimento, e logo me vem à memória de infância, quando este meu anjo nos dizia na brincadeira , como é óbvio, que não sabia se haveria céu, porque de lá nunca ninguem mandou uma carta.

MEU DEUS,.....EU CREIO.....

20 fevereiro, 2011 17:06  
Blogger EU said...

A receita AAACARMELITAS

Barrar a frigideira com muito Carinho
Adiciona confiança ...um pouqinho
Uma pitada de despreendimento,
Que é bom condimento

Pique em cubinhos um coração
E reserve...
Lave muito bem a alma
E observe

Se no armário tem solidariedade...
Misture com um pouco de amizade
...Junte muita alegria,
Abuse da sabedoria!

Sinceridade, nem é preciso falar...
Jamais deve faltar´,
Se gosta agridoce,junta ...mel uma colher
E todo o amor que tiver.

Partes iguais de fé e esperança,
...Algo que ficou na lembrança
Tanto o bom, como o Ruim
... Junta também a mim.

Serve fresco ou acalorado
Ah...cada cubo reservado..
Oferece a quem seja estimado,
... Com o molho ensinado.


“Acreditava não ter nada, porém ao descobrir a esperança, compreendi que tinha tudo...”(Hillel)

EU ACREDITO AUGUSTO CASTRO!

20 fevereiro, 2011 20:08  
Blogger Mario Neiva said...

Meu caro Batista, ainda bem que vieste porque depois de uma aparição para te identificares, demoraste muito, até esta segunda recente visita.
Contas-nos uma história comovente, verdadeira, porque seria o último a não acreditar no teu testemunho.
Ainda bem que tudo correu pelo melhor e posso imaginar o tamanho da fé que te une à santa da tua devoção, afinal, a tua própria mãe.
O meu comentário acerca da história da súplica pela vinda da chuva surge na sequencia da critica tremenda do padre aos seus paroquianos "de pouca fé". E tu podes constatar, tal como eu, que a maioria dos crentes desligou o seu cotidiano da fé que diz professar, reduzindo-a à prática rotineira de cerimoniais.
Pelo que depreendo da tua história tu não és desses e foste tão longe na tua fé, que fizeste da tua mãe, a tua "santa".
Com tal fé, meu caro Batista, não duvido que se cumpra em ti o que para mim desejaria: encontrar depois da morte as pessoas falecidas que me são queridas e morrer com o rosto iluminado por um sorriso. E já lá tenho um menino lindo, brutalmente ceifado à vida aos treze anos, num acidente de viação.
Vives na certeza da tua fé que se tornou esperança. Não penses, porém, que o teu amigo Mário vive na escuridão e na desesperança. Muito menos numa espécie de revolta surda. Nada disso. Vivo um amor lindo, um dia depois do outro, amando e sentindo-me profundamente amado. Partilho as alegrias, as dores e as incertezas dos meus quantro filhos e dos amigos que vão chegando até mim. Tu és mais um que veio ao meu encontro, surgindo de um passado que guardo no coração.
Apesar das voltas que a minha vida deu, tudo colocado no prato da balança, parece-me sempre que dei muito menos à vida do que aquilo que dela recebi.
Evidentemente que poderia fazer uma interpretação diferente do que aconteceu com a tua esposa, mas que interesse tem isso? O que importa é que agora está bem e tu és mais feliz. O resto fica por conta dos mistérios da vida, nos quais vivemos mergulhados.
Um grande abraço daquele que conheceste como frei Mário.
P.S.
Estou em contacto com outro noviço do nosso tempo, o frei Carmelo. Lembras-te dele?

20 fevereiro, 2011 22:20  
Blogger Augusto said...

Eu também acredito, querido "EU" ! É, de facto, uma excelente receita...
Obrigado e Bem Hajas !!!
augusto

20 fevereiro, 2011 23:12  
Blogger domingos coelho said...

Ontem depois de falar com o M.Bessa, fiquei a pensar!...(AAAC)


Será que já paramos para pensar sobre o esperar?
Será que não percebemos que sempre estamos a esperar algo, alguma coisa ou alguém?
Será que sem querer fechamos-nos no nosso mundo num constante rebuscar?
É ... parece que estamos a passar subtilmente pelo mundo, mas...que mundo? o mundo real ou apenas o mundo das ilusões que sofregamente costumamos idealizar para nós mesmos?
É...esperar ás vezes vale muito a pena, mas ás vezes dá pena esperar, pena de nós e pena de algo ou alguém que nunca chegou e que achamos tenazmente que chegaria... e enfim de tanto esperar o cansaço e o desánimo chegam, domina-nos e torna-nos pessoas amórficas sem forças para reagir diante do tudo e nos reerguer diante do nada, mas como já disse um poeta lusitano...Navegar é preciso...viver não é preciso..." porém precisamos estar vivos para sentir o doce marulho das águas no nosso navegar pela vida.

Que sejamos dignos do que fomos e do somos!
D/C.

21 fevereiro, 2011 13:31  
Blogger jorge dias said...

Lindo, haja animação na praça e na palavra!

Boa, caro DC!

E ali pelo fim do ano de que se falou tanto por aqui? Do empaturramento de Deus, da pedincha, das bençãos, das gratuitidades (das graças), que sempre solicitamos e esperamos! Então, não foi!? Nós somos a mão, o braço de Deus para erguer, proteger, alimentar, a narrativa de Deus aqui e agora! Somos a graça, a benção, até o pão que o outro, sobretudo o outro mais fraco, espera na sua qualidade de humano, direito de viver, de continuar vivo, sobrevier e superviver. Os outros reclamam a graça da nossa narrativa ... obviamente, vivos... que benção lhes traríamos mortos?
E daí, talvez, libertos da nossa obesidade de bens espirituais e capacidade infinita de sermos múmias. Dignidade, mas quanta!? E tanta, mas mesmo tanta, que os outros teriam para nos dar, e juntar à que já temos, se a nossa narrativa fosse escrita com a tinta do bem de termos ido ao seu encontro...

22 fevereiro, 2011 15:58  
Anonymous Anónimo said...

Amen

23 fevereiro, 2011 19:45  
Blogger Limabar said...

Olá amigos! Tinha perdido o fio da conversa, pois ainda estava nos antigos comentários.
Um abraço ao Emídio que tão bem se lembra de mim, mesmo se me apresenta como o “mau da fita”. Meu CARO Emídio se me podes perdoar a “afronta” aqui tens as minhas desculpas. E se pudesse era um abraço do tamanho do mundo que te daria. Talvez na minha próxima passagem por Mirandela, quem sabe? Bonita terra!
No entanto, o episódio de que falas, agora que o relembraste, diz-me qualquer coisa, mas muito vagamente, o que não dá para duvidar da tua sinceridade. Para mim é uma descoberta na memória do esquecimento. É verdade que já lá vão cinquenta anos, e o tempo é um insidioso sedativo. Se o nome ficou sempre vivo na minha recordação, já não posso dizer o mesmo da visão que hoje me resta do Emídio, nem sou capaz de lhe assentar umas feições reconhecíveis. Mas o que me “diz” ainda hoje o nome é suficientemente esclarecedor e reconfortante. E a felicidade de poder lembrar e dirigir-me a um amigo reencontrado faz parte dos bons momentos da vida.
Emídio, um abraço! E a todos... força amigos, enquanto há vida há esperança!

24 fevereiro, 2011 16:54  
Anonymous Anónimo said...

Olá, pessoal.
Acabo de chegar, há cerca de uma hora, de Lisboa, onde fui passar umas mini férias que me foram proporcionadas pela festa dos 8 anos do meu neto. Larguei tudo, deixei as podas a meio, e por lá me entretive a levar e ir buscar o meu neto ao Colégio Alemão e a minha netinha de 3 anos,ao “Kindergarten”, também sob orientação de uma senhora alemã. Hoje, como não podia deixar de ser por ser domingo, lá fui à missa, à Igreja de Nª Srª da Conceição no Largo do Rato, missa essa que foi presidida pelo nosso Padre Frei Ismael, transmontano como eu e natural do Concelho de Valpaços, o qual foi acolitado pelo Frei Nuno. Tive o prazer de os cumprimentar a ambos.
Durante estes dias e nas horas mortas dei-me ao cuidado de ir lendo qualquer coisa, e veio-me à mão o Livro “LENDAS DO PORTO” da autoria de Joel Cleto, 1ª edição Novembro de 2010 de Quidnovi. E achei engraçado, (mesmo que não tenha graça nenhuma,) uma lenda descrita na Pág. 123, que se intitula “Zé do Telhado na Casa de Ramalde”.
E que é que esta lenda tem a ver connosco, e onde está a piada?
Tem, e muito.
1º - Quem é que não sabe que “falperra”, quer dizer “covil de ladrões”? Quem é que de nós não ouviu dizer que o Zé do Telhado esteve escondido e montou o seu quartel-general na nossa Falperra? Terá sido verdade? Não sei, mas que se falou disso, tenho a certeza.
Ora o Zé do Telhado era uma espécie de Robin dos Bosques, que roubava aos ricos para dar aos pobres (ao contrário dos nossos políticos que fazem o oposto). Por isso, na nossa juventude e na nossa imaginação, muitos de nós admirávamos o Zé do Telhado. Tanto assim que numa votação para dar o nome ao restaurado campo de futebol do SMC , ganhou a designação “Estadio Zé do Telhado” contra “Estádio da Restauração”. Mas, como quem manda pode, o veto do Pe. Reitor fez com que o estádio tomasse mesmo esta última designação. Hoje reconheço que foi a melhor solução.
2º. – Lembram-se de uma senhora ter doado ao Seminário Carmelita uma quinta situada para os lados de lá do Bom Jesus? Já não me lembro do nome da Quinta, nem sei se ainda pertence ou não à Ordem do Carmo. Mas lembro-me que essa senhora se chamava “D. Maria da Conceição de Noronha e Menezes Da Mesquita Melo Portugal (da Prelada). Fizémos-lhe uma pequena homenagem com discursos, Teatro, cânticos, e foi posto em destaque no palco a pintura do Brasão da sua família, sendo feito uma grande evocação( parece-me que pelo Neiva e pelo Delfim) das grandiosidades e magnanimidade da mesma família. Eu tive a suma felicidade de tocar cítara nesse dia, juntamente com os demais colegas da nossa orquestra, e é o Brasão dessa família que se vê como pano de fundo na fotografia que muitos de nós temos e que já um dia foi publicada neste Blogue.
Pois então, e é isso que li no referido livro na pagina 124, aconteceu que um determinado titular faleceu sem deixar descendência e sucedeu-lhe como morgado da “Casa de Ramalde” um sobrinho, na altura com 18 anos. Grandes festas, grandes bailes e a presença da nata da alta sociedade do Porto. E diz o referido livro (sic): ”… além de diversas famílias aristocráticas vindas do Porto, fez-se notar, também, a presença dos mais ilustres e possidentes ramaldenses. Caso de D. Manoel de Noronha de Meneses de Mesquita e Melo que, apesar de passar a maior parte do tempo em Braga, é o senhor da outra grande propriedade fidalga da freguesa, a Quinta da Prelada.
E que é que acontece? A páginas tantas, quando a festa ia a altas horas e com toda a gente a divertir-se na maior, entra o já nosso conhecido “Zé do Telhado” como seu grupo, e limpa as jóias e enfeites às senhoras, aliviando do seu peso a carteira e o dinheiro dos cavalheiros. Tudo feito limpamente de surpresa e sem qualquer possibilidade de resistência por parte da segurança e criados do novo morgado da Casa de Ramalde! E entre os aliviados, lá estavam os antecessores da nossa generosa benfeitora D. Maria da Conceição…
É este facto que, sem qualquer outro comentário, quis trazer ao vosso conhecimento.
Um abraço.
Emídio Januário

01 março, 2011 07:57  
Blogger E.DOMINGUES said...

Ó Emídio nunca esgotes o teu tinteiro, tu que escreves como falas, assim diz o povo é a falar que a gente se entende.

Delicias-nos com as tuas histórias rendadas com o humor que sempre te caraterizou e identificam-se com a tua sinceridade e ampliam os nossos limites de memória apagada de tempos passados, continua.

Apareci para recordar o espero que a minha memória não apagará as amizades renovadas que foram acontecendo através dos tempos, trinta anos no Restaurante " COZINHA PORTUGUESA ", foram tantos colegas e alguns Padres que na passagem pela cidade do Porto tinham na agenda a visita, individual ou em família não dispensavam o abraço amigo. Recordo o Emídio quando que sempre me visitou já na década de setenta na Praça dos Poveiros e depois em Campanhã quando vinha esperar ou partia ou chegava de visitar a família na ALEMANHA, são motivos bastantes para dizer que
os meus amigos AAACARMELITAS fazem parte da minha vida.

03 março, 2011 09:30  
Blogger Mario Neiva said...

Falta eu aparecer por lá, Evaristo, falta eu...Quero ver se meto pernas ao caminho, antes que feches para obras. Apetite é o que mais há.

03 março, 2011 13:02  
Anonymous Evaristo Domingues said...

AMIGO NEIVA lamento, gostaria que as minhas energias me dessem mais algum tempo, mas com a crise que atravessamos a nossa atividade já foi chão que deu uvas, é verdade que com alguma mágoa me despeço da Restauração, quarenta e sete anos já chega.

Ficam muitas e belas recordações, pois quando o trabalho é feito com alegria, para singrar neste ramo os problemas ficam em casa.
É muito rico o variado leque de profissões e figuras públicas que no dia a dia nos deparamos, assim como: Figuras do Estado, Política, Teatro, Música, Televisão, Empresários etc., Então dá-nos alento para continuar e fazer melhor quando vemos que repetidas vezes as mesmas pessoas nos procuram porque gostam do nosso serviço.

Compreende-se que dada a localização do restaurante em frente à principal estação de comboios no Porto “ CAMPANHÃ “, o público alvo são os clientes de passagem que de um modo geral partem para, ou chegam de Lisboa incluindo o metro directo ao aeroporto Sá Carneiro e também durante muitos anos servimos muitos Banquetes, excursões e Casamentos.

Já agora aproveito para contar uma passagem verídica. Uma frase comum entre casais: gosto muito de vir a este restaurante mas comer bem é em nossa casa. Então com o devido respeito pelas donas de casa mandei fazer uns cartões de publicidade, que ainda duram onde mandei imprimir a frase: É DEPOIS DE SUA CASA ONDE MELHOR SE COME. São momentos interessantes que ficam na história.

Sinto-me feliz pelo universo de amigos e colegas do Seminário e suas Famílias terem-me visitado inúmeras vezes, mas ao mesmo tempo penhorado por tanto afecto e carinho que jamais conseguirei retribuir.

Foi várias vezes local de reunião de trabalho de Direcção dos AAA CARMELITAS, no tempo do Manuel Joaquim, Salamonde, Freixinho, continuando com Augusto Castro.
Já na Presidência de Augusto Castro, realizamos um jantar com colegas e famílias que rondou as cinquenta pessoas.
Há uns quatro anos servimos um outro no Sameiro também do mesmo número, realizado a convite do Presidente Augusto Castro funcionou em forma de “ESTADOS GERAIS” para impulsionar a unidade e o crescimento da Associação.

Tomei a iniciativa de citar nomes ( com as suas Famílias ), corro o risco de me esquecer de alguns o que desde já peço desculpa: Augusto Castro, António Castro, Emídio e Marcelino Januário , Bessa, Feliciano Azevedo, Acúrsio Salomé, Casimiro Fernandes, Rui Freixinho, António Silva, Manuel Fernandes, Manuel Gonçalves, José Gonçalves, António Fernandes (Salamonde), Rito, José Cachetas, Joaquim Alves Pinto, Fernando Ramalho Moreira, José de Sousa Marques, João Carviçais, José Augusto Rebelo, Amadeu Teixeira, Rosalino Durães, Domingos Coelho, Américo Vinhais, Gabriel Carvalho, Adriano Moreira, Tito Lopes JoãoRodrigues, Joaquim Rodrigues da Costa, José Cruz de Via todos, Manuel Alves Vaz, António Costa, Fernando Madaleno, Alexandre Sampaio.

( CONTINUA )

03 março, 2011 23:18  
Anonymous Evaristo Domingues said...

Sinto-me honrado quando o nosso amigo Fernando Venâncio escolheu este o Restaurante, r temporariamente residindo no Porto para escrever o seu romance “ EL – REI NO PORTO “ oferecendo-me a disquete dos escritos originais que guardo como valioso tesouro oferecido por um amigo que jamais esquecerei, também pela forma afável e amistosa como nos recebeu na Holanda, ajudando-nos a saciar a nossa ansiedade em conhecer a linda cidade de Amesterdão .

Não me posso esquecer da amável visita dos amigos Padres, tais como : Pe. Celso, Pe. Fernando Faria, Pe. Xico, Pe .Monteiro),e outros, D. Vitalino e o irmão Frei Miguel, Dr. Arie Kallenberg.

Repito é este manancial rico de muitíssimos clientes que no decorrer do tempo, pela simpatia e hospitalidade com que são recebidos, formam uma onda crescente de amigos incutindo-nos a força anímica para uma boa gestão e um ambiente sadio e familiar entre entidade patronal e colaboradores, alguns deles durante mais de vinte anos.
Com a certeza que mesmo com a melhor vontade nem tudo sai perfeito, cumprimentámos diariamente, os nossos clientes com uma frase que criei entre algumas nas ementas dizendo : “ PREMIAMOS A SUA FIDELIDADE SERVINDO HOJE MELHOR QUE ONTEM “.

Senti várias vezes necessidade de me actualizar, frequentei a Escola Hoteleira na década de setenta e voltei mais tarde no ano lectivo de 19997/98, frequentando o curso de especialização de gestão de unidades de Restauração.

Como com todos nós vai acontecendo, o crer, a vontade e a imaginação continua, mas o corpo já pede uma actividade mais calma menos activa, então optei por encerrar definitivamente o RESTAURANTE, há um ano que estou em obras no Prédio com r/c, mais 1º , 2º e sótão, com duzentos metros quadrados de construção com dez quartos, optando pelo segmento alojamento local para estudantes e enquanto DEUS quiser, tenho a minha filha para atender todos os dias e será com isto que me irei entreter nos próximos tempos.

O espaço está para alugar para o mesmo ramo ou não, pena perder um alvará dos antigos que jamais se consegue igual, mas por efeitos da crise não aprece quem dê continuidade.

E assim com saudade, mas tudo tem um fim, me despeço de uma vida profissional preenchida de coisas boas ficando o substrato para a vida que resta para recordar.

A todos por tudo estou grato, tenho-vos no coração. Até sempre

03 março, 2011 23:28  
Blogger Mario Neiva said...

Cheguei tarde, Evaristo, e nem sonhava que estavas em fim de época.
Segue em frente, que estás a meio da caminhada, apenas.

04 março, 2011 17:41  
Anonymous E. DOMINGUES said...

FERNANDO MADALENO, é um nome que a muito deve despertar curiosidade porque nunca apareceu nos nossos encontros.

Certo dia fui surpreendido por este cliente que me procurou e se identificou, conhecendo-me pelas notícias do “ VÍNCULO “, relacionadas com as tripas( pena ter acabado ). Pessoa simpática e que várias vezes me visitou.
Vou-lhe telefonar incentivando-o a ir a
Fátima.

Consultei O “ LEMBRAS-TE DE “ ,não é demais repetir um bom trabalho como tantos outros do nosso Presidente Augusto Castro que nos documentou com elementos de pesquisa com a identidades que frequentaram o Seminário. Cheguei à conclusão que entrou em 23/09/1963
Natural de Carviçais. É advogado em Lisboa ( se despertar curiosidade a alguém, indo ao Google – Fernando Madaleno Advogados, lá aparece), pena é que não apareça.

No mesmo ano entrou o Irmão do Mário Neiva, JOSÉ DE OLIVEIRA NEIVA, e um outro meu cliente e amigo já falecido que ainda consegui levar a alguns encontros o Advogado ADRIANO DE SOUSA MOREIRA.

04 março, 2011 18:55  
Anonymous Evaristo Domingues said...

ATENÇÃO, reli e reconheço a escrita suscetível de confusão, - PENA TER ACABADO " O VÌNCULO ".
que era um mensageiro da vida da AAACARMELITAS.

PARA CONFECIONAR AS TRIPAS ESTAREI SEMPRE
DISPONÍVEL.

04 março, 2011 23:14  
Blogger jorge dias said...

Leio e releio um Evaristo revelado! Com dons de abrangência e inclusão que sempre senti ocultos num verbo perdido em distrações!
Não sou de sentir pena, mas gostava que este Evaristo que agora se me revela se continuasse a evidenciar no restaurante! Há culturas, cuja perduração para além dos autores, lhes reclamam a vida inteira...

Em pleno a trabalhar no projecto "16 de Julho de 2011, Senhor do Carmo."

05 março, 2011 23:07  
Blogger jorge dias said...

Senhora do Carmo, claro!

05 março, 2011 23:08  
Anonymous Anónimo said...

Encerrado para balanço?

08 março, 2011 19:09  
Anonymous Anónimo said...

Quem o Restaurante do Evaristo

09 março, 2011 00:49  
Anonymous Anónimo said...

O Blog, está moribundo!!!

09 março, 2011 12:03  
Blogger domingos coelho said...

É sempre necessário um momento de reflexão na nossa vida. Temos necessidade de parar para pensar, reavaliar atitudes, ver o que estamos a fazer, como estamos a viver, para chegar a conclusões sobre o que realmente queremos para nós. São momentos em que temos que definir “algo” para o nosso futuro. E para tanto, é preciso fechar para balanço, fazer um recolhimento interior, e consultar a nossa alma.
Como importantes são esses momentos de recolhimento interior, que nos permitem uma reavaliação de atitudes, um repensar na vida, ajudando-nos a chegar a um porquê sobre as mais diversas coisas que direta ou indiretamente podem afetar a nossa vida e a de terceiros.
É importante meditar profundamente, pois assim, muitas vezes poderemos descobrir acertos ou erros que poderiam ter passado despercebidos num primeiro e apressado julgamento.
Devemos sempre meditar profundamente antes de certas atitudes. Principalmente quando poderão causar profundas modificações nas nossas vidas. E mais ainda, que podem afetar a vida de pessoas muito próximas a nós. Das nossas decisões, poderá depender “vida”(aaac) e o bem estar de mais alguém. Portanto, o momento exige uma reflexão muito bem feita. Muitas vezes, não poderemos voltar atrás para corrigir eventuais falhas que um julgamento apressado poderá provocar.
Assim, após uma meditação bem feita, para se ter a certeza de que aquilo que vamos fazer, realmente, é o melhor para nós. E pode ser o melhor para quem está à espera do que decidirmos.
Coisas importantes não devem jamais ser resolvidas num impulso de momento, principalmente quando existir outras pessoas que poderão sofrer os efeitos do que resolvermos. Todas as mudanças na vida devem ser decididas após um "Silêncio Meditativo". Após uma "mesa redonda" com demais interessados. Afinal, temos que conhecer a sua opinião.
Assim, quando a decisão for tomada, ela será consciente e definitiva.
Espero que todos estejam de acordo com uma decisão que vou tomar agora. Estou decidido a ter um bom dia e vós o direito à cópia. Penso que todos estarão de acordo com esta decisão decisiva decididamente tomada...

Para meditar: Não se deve levar a vida muito a sério... Afinal ninguém sairá vivo dela.
D/C.

09 março, 2011 13:03  
Blogger Mario Neiva said...

Anda p'raí uma voz anónima e agoirenta a buzinar a morte do blog. Não sei onde colheu a notícia para tão infausto anúncio.
Vai ter que suspender os preparativos do funeral.
Só uma gripe arreliadora me tirou a disposição para vir aqui. Mas hoje é um dia que me traz lembranças da infancia distante e quero assinalá-lo. Quarta Feira de Cinzas.
Vão ver porqê.

09 março, 2011 13:30  
Blogger Mario Neiva said...

E, antes disso, aqui vos deixo um apontamento da minha converssa com outro aa, o Lima Barbosa, na minha Lage Negra. Como ele é programador informático, falamos mesmo de "formatação" da mente...


Os nossos cérebros são, como dizes, formatados pelo meio onde nascemos, pela época em que nascemos, pela cultura que recebemos. Não dá para fugir a essa realidade. E porque eu referi a visão religiosa cristã da criação do mundo, lembrei-me que há dias li uma citaçao do grande teologo católico, Hans Kung, em que ele afirmava que as pessoas assumem a religião do meio religioso em que nascem e crescem. As que são crentes, naturalmente. E diz mesmo que ele, católico dos quatro costados, seria mulçulmano ou indu se tivesse nascido noutras paragens.
Tudo isto é verdade, meu caro Lima, mas também é verdade que o ambiente de liberdade, pluralismo, comunicabilidade universal, informação crescente, tende a tornar as pessoas capazes de suplantar uma "formatação" definitiva. A liberdade de escolha aprimora-se perante a abundancia da oferta. As civilizações "formatadoras" entraram numa espécie de concorrencia e o homem, como sempre, vai querer o melhor, que será o mais verdadeiro. Afinal, nunca o homem desistiu de procurar a verdade e não vejo, actualmente, o minimo sinal de que tenha mudado nesse aspecto. Antes pelo contrário, a ciência transformou-se numa verdadeira caça ao tesouro da verdade em todas as direcções. Fico maravilhado ver a dedicação apaixonada daqueles homens e mulheres, por exemplo na série National Geographic, na descoberta dos segredos do nosso planeta e do nosso cosmos.
Claro que a imensa maioria dos cinco biliões que somos luta apenas pelo pão de cada dia ou para sobreviver à peste e à guerra. No seu desespero, tanto se lhes dá que sejam formatados desta ou daquela maneira. Querem é ver uma saída, por minima que seja, para a sua sobrevivencia e que alivie o seu desespero. E se lhes garantirem que essa saída vem do "céu", nem vão discutir.
Apetecia-me concluir assim: gigantes são aqueles que superaram a formatação dos seus cérebros e criaram novos "programas".

09 março, 2011 18:04  
Anonymous Anónimo said...

Amen!!!

10 março, 2011 09:45  
Blogger jorge dias said...

Amen e amem!
Que os mortos enterrem os seus mortos porque os vivos têm mais que fazer! Moribundo o blog? Cada um mede à imagem da sua grandeza ou minúcia pequenina! Cada um mata segundo o desejo de não crescer ou de não viver! Secundo, de resto, no horror e no vómito, este amen pequenino e anónimo, mas afinal, sinal de vida! Porque pior, muito pior, é não vir aqui! Mas é como o dia de hoje, dia dos "à rasca" que me têm querido fazer, mas nunca conseguirão... nem o anónimo deste amen nem o de tantos outros, por que mais que parar para pensar e reflectir eu uso um truque, meu caro comentarista supra, penso sempre e reflito antes, para, face ao problema, poder logo gritar e disparar luz como relâmpago! Chamo a esta técnica a antecipação do problema! Temos por hábito cá em casa anteciparmos imagináriamente os problemas e procurar-lhes respostas. Nem imaginas o efeito que produz nos "bem-falantes" ocos! Agoirentos, caro comentarista, e funerários! "Libera nos Domine"! Senhor, por favor, livra-nos mesmo porque só nos sorvem as energias e não acrescentam nada, melhor, acrescentam... escolham. E a provocação para o caminho... hoje não levam mais nada... e cito, aves agoirentas! Amen e amem... aaacarmelitas blog sempre renascerá porque essa é a lógica cultural da palavra... Amen e amen...é pouco, vais ter que dizer mais qualquer coisa porque o amen de enterro é terra para cima ou lume para a fogueira ou água para os bofes ou sangue esvaído! ou ou ou, amen!

13 março, 2011 00:10  
Anonymous Anónimo said...

Amen...

13 março, 2011 07:39  
Blogger domingos coelho said...

AMEN!!! AMEN...

(eu sei quem tu és! PF,não destruas.)


Pense profundamente.
Fale gentilmente.
Ame bastante.
Ria frequentemente.
Trabalhe com afinco.
Dê com generosidade.
Pague pontualmente.
Ore fervorosamente.
E seja bom.

(Elmer Wheeler)

13 março, 2011 13:10  
Blogger domingos coelho said...

Vamos Pensar e reflctir ...

Quando percebemos que somos pessoas infelizes, quer por um motivo ou outro, penso que devemos fazer uma reflexão, para tentarmos entender o porquê de nos consideramos pessoas infelizes. Creio que às vezes, essa infelicidade seja provocada pela nossa próprio forma de ser. Se o problema for esse, creio que devemos tentar modificar-nos, e com a essa mudança, sermos mais felizes.

Não importa que tenhamos cometido muitos erros, mesmo que à custa deles, tenhamos magoado ou, mesmo afastado de nós aquelas pessoas que realmente gostavam de nós de verdade.Temos que crer que nunca é tarde para corrigirmos os nossos erros. Para efectuarmos tamanha correção, é necessário que tenhamos boa vontade.

Como escreveu Fernando Pessoa no seu poema Mar Português: ”Tudo vale a pena se a alma não é pequena”.Não podemos, portanto, pensar que não vale a pena tentar tornar realidade um dos nossos sonhos ou, mesmo desejarmos que seja realidade aquilo que há muito procuramos encontrar. Ao contrário devemos pensar que é possível encontrar ou mesmo conquistar alguma coisa que seja da nossa querência. Essa procura valerá a pena, porque a nossa alma não é pequena.

13 março, 2011 13:28  
Blogger domingos coelho said...

Quando acabar o sonho
Quando acabar a juventude
Quando acabar a saúde
Quando acabar a vida
Quando acabar a saudade
Quando acabar a lembrança
Quando acabarem as fotos
Quando nem DEUS souber
Que um dia tu viveste
E que não haja mais
Nenhum conhecido teu vivo
Que não tenha ouvido falar de ti
Quando isto acontecer
Vais entender como me sinto.

15 março, 2011 13:27  
Blogger Mario Neiva said...

O poema é a confissão do cúmulo do desespero. O poeta não diz se é por desgosto de amor ou fracasso na vida. Fica o desabafo. E nós sem poder ajudar porque o poeta não diz onde lhe doi.

15 março, 2011 15:05  
Anonymous Anónimo said...

Pelo que se lê, o Poeta fala do e ao Amigo. Assim, Mário, já podes saber onde lhe dói. anónimo1

15 março, 2011 18:41  
Anonymous Anabela Vasquez said...

Domingos Coelho, sem o conhecer pessoalmente, deixo-lhe aqui os meus agradecimentos por tamanha grandiosidade de alma. As suas palavras tocam no fundo do nosso coração, desmistificam tantas duvidas, descobrem o que incobrimos, pelo medo de SENTIR, pelo medo de SER,pelo medo de VIVER...
Obrigada!

15 março, 2011 22:29  
Blogger Mario Neiva said...

Não, não sei a causa de tamanho desespero, que é isso que falta dizer. É um grito de alma de quem tudo perdeu, isso está claro. Mas porquê? Camões agoniza na sua maravilhosa lirica mas expõe claramente a causa. O poeta é assim: sentido sincero e humilde. Vale a pena recordar.

"Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa [a] que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!"

Luís de Camões

15 março, 2011 23:43  
Blogger domingos coelho said...

Meu Caro EMÍDIO JANUÁRIO

(...da n/conversa de hoje!)

Sem a mente a atormentar
Sem ilusões para aprisionar
Com os pés no chão
Sem interferências da emoção
...
Encontrar um sentido válido
Que conduza por caminhos
Possíveis de se percorrer
Sem tantas vontades “de correr”
...
Observar a natureza que nos convida
No levantar de cada dia
Agradecer o bailar da vida
Que segue sem querer nos entender!

16 março, 2011 11:00  
Anonymous Anónimo said...

Amen

17 março, 2011 08:55  
Blogger ACOSTA said...

"FOLIA DE LETRAS"

"Palavras livres, leves, soltas, sem muito pensar.
Às vezes, o raciocínio cria amarras, revive preconceitos e impera sobre o sentir.
As eloquentes pontas dos dedos divertem-se no teclado, adquirem vida própria e liberam letras, palavras e sentires.
A essência dos leitores criará as imagens e interpretará o que vai por aqui.
Vôo livre.
Animo. Entusiasmo. Resiliência.
Tal qual a vida."

18 março, 2011 13:07  
Blogger Mario Neiva said...

LUA MARAVILHOSA

Não é metáfora, é mesmo uma lua cheia como há dezoito anos não se via. A Lua no perigeu, isto é, quando atinge o ponto mais proximo da Terra, por oposição ao apogeu, quando está no ponto mais afastado ou mais "alto" do seu giro gentil e fiel, namorando quem a cativa...Para os apaixonados que gostam de um beijo ternurento e bucólico à luz do luar (como já não se usa), seria uma noite de luar inesquecivel.
Aqui em Balugães, amanhã, vou estar de nariz no ar, ali fora no quintal, a pensar no tal beijo romântico que não vou ter, certamente, porque o meu amor está longe, mas a deslumbrar-me com uma lua cheia mais perto do que nunca. Não sei se terá alguma influencia nas culturas, uma lua tão farta e próxima, mas a verdade é que hoje plantei bróculos e alfaces e semeei feijão verde. Depois conto se tinham um sabor especial.
Sem saber porquê, lembrei-me do presidente da nossa aaacarmelitas, o Augusto, que passa por uma fase muito dificil e dolorosa quanto à sua saúde. Se eu soubesse que podia, haveria de pedir à Lua grande de amanhã um carinho especial para ele. E porque a Lua nâo pode, posso eu por ela, e aqui fica expresso.

18 março, 2011 21:29  
Blogger domingos coelho said...

SOFRIMENTO EM ALEGRIA
(Salmo 126)

Quando o Senhor mudou a sorte de Sião
Parecíamos sonhar:
A boca encheu de risos
E a nossa língua canções.

Até entre as nações se comentava:
“O Senhor foi grande com eles”
Sim, O Senhor foi grande connosco
por isso estamos alegres.

Que o Senhor mude a nossa sorte,
Como as torrentes de Negueb.

Os que semeiam com lágrimas,
Ceifam no meio de canções.

Vão andando e chorando
Ao levar a semente.
Ao regressar,voltam cantando,
Trazendo seus feixes.

18 março, 2011 23:09  
Blogger Teresa said...

Hoje é o dia do pai... Dia de São José...
Aqui fica a minha homenagem a todos os pais do mundo inteiro que deram vida aos seus filhos, que os educaram, que um dia resolveram construir uma família e juntamente com as esposas deram à luz a um novo ser que se designa por filho.
Ao nosso pai eterno aqui vai também a minha homenagem por amar tanto os seus filhos como ninguém que até deu ao mundo o seu próprio filho.
Que amor maior que este podemos querer???
Obrigada pai.

19 março, 2011 18:02  
Blogger eu said...

“Não é dia do meu pai
Pois meu pai já não tem dia
Neste tempo que se esvai.
Todo o tempo é do meu pai
Numa outra dimensão
Duma só eternidade…
Ou na cósmica harmonia
De qualquer constelação.
Para mim este é o dia
Duma lágrima que cai
Na mais profunda saudade
Do sorriso do meu Pai.”

19 março, 2011 20:16  
Anonymous Anónimo said...

Dominus tecum...

20 março, 2011 16:47  
Anonymous AV said...

Hajam muitas luas, que retribuam os pedidos de quem algo pede para quem tanto merece.
Um Augusto tão especial, para quem o conhece verdadeiramente, porque quem o conhece, Ama-o incondicionalmente!!

20 março, 2011 19:51  
Blogger domingos coelho said...

AUGUSTO, AMIGO + que AMIGO

Ao longo destes anos contigo aprendi...

Que a Humildade é a maior Virtude, o Amor o maior Dom e quando perdoamos e esquecemos resolvemos muitos problemas.

OBRIGADO

21 março, 2011 11:45  
Blogger Mario Neiva said...

A Ressurreição das cinzas (1)

Tenho consciência de que este título é assaz provocador. Às vezes é necessário proceder assim para melhor fazer passar a mensagem que quero transmitir.
Repetitivamente tenho-me referido a Paulo de Tarso, o S. Paulo do cristianismo, como o "meu querido Paulo de Tarso". Não o faço para receber a simpatia dos meus amigos da aacarmelitas, muito piedosos cristãos. Declaro-vos que é uma genuína simpatia, pela lição de vida que me deixou.
Não quero ter a mínima pretensão de me comparar a tão genial teólogo e lutador incansável pela fé que o inspirava. Ele é um gigante e eu sou um anão.
Mas não posso deixar de fazer um paralelo entre o percurso da sua fé e o meu próprio caminho.
Ambos fomos apaixonados pela fé em que nascemos e fomos criados; e ambos mudamos de rumo, num dado momento da nossa vida. Não interessa muito saber a forma como Paulo ou eu "mudamos de ideias". O que é importante, mesmo, é avaliar as novas ideias abraçadas.
Paulo não abjurou a fé dos seus antepassados. Nem eu abjuro. E cada um de nós fá-lo no seu próprio tempo e à sua maneira. Paulo seguiu uma nova revelação; eu faço, na época que me foi dado viver, outro tanto. Paulo evoluiu de um judaísmo nacionalista e de um messianismo restrito para uma fé universalista. Eu embarquei nesta abertura extraordinária de Paulo e pensei-me cidadão do Universo. Se ele teve uma visão reveladora que o fez inflectir, eu tenho a sorte de ser presenteado com revelações surpreendentes em cada ano que passa.
Há uma diferença marcante entre mim e Paulo e que faz dele um gigante e de mim um anão. É que Paulo de Tarso foi um "revelador" genial e eu quase que me limito a aproveitar a revelação e o exemplo dos sábios como ele. Cada um na sua época, cada um na sua especialidade. E as especialidades de hoje e os sábios de hoje nada devem aos contemporâneos de Paulo.
Obrigado a todos.
Nos próximos comentários vou tentar expor-vos como S.Paulo soube harmonizar com genialidade a fé dos seus antepassados com o "seu evangelho”.

21 março, 2011 15:10  
Blogger domingos coelho said...

MJ/AC

É incrível como as pessoas entram nas nossas vidas do
nada e de repente representam tanto...
Essas pessoas trazem alegrias, realizam os nossos sonhos e fazem com que tudo ao nosso redor se torne ainda mais belo.
Com certeza essas pessoas tornam-se "mais que amigos" e esse sentimento cresce cada vez mais, tornando-nos quase irmãos.
E como em todo círculo de amizades, altos e baixos existem..., é impossível nunca existirem..., e isso só faz crescer e fortalecer, e são nesses momentos que se descobre o real sentimento.
Verdades, risos,lágrimas, são partes desse sentimento tão verdadeiro que carregamos dentro de nós.
Mas os amigos são anjos enviados por Deus, e tudo o que passa pela mão Dele é perfeito e com certeza Ele sabe tudo o que nos reserva.

E vós, meus Amigos + que Amigos, sabeis o quanto sois importantes na nossa vida e mesmo que haja sol, chuva, e a ferrugem que vier para corroer tudo aquilo que construimos, sabei que nada poderá afectar a nossa disponibilidade, pelo contrário, só fará crescer.
Porque aprendemos a conhecer e a respeitar. Porque além de amigos, vós sois + que Amigos...Irmãos.
M/L e D/C

23 março, 2011 22:32  
Blogger Mario Neiva said...

A Ressurreição das “Cinzas” (II)
O Entrudo, a Quarta Feira de Cinzas, a Quaresma e a Páscoa constituem-se como um bloco único das memórias da minha infância cristã. Para mim “estava tudo ligado” , tendo tudo a ver com tudo. Mas não podia suspeitar que esse período guardava o coração do “Evangelho” de S. Paulo, como ele gostava de chamar à sua pregação.
Recordo-me, ainda menino, na fila, para receber a “imposição das cinzas”, uma pequena cruz , na testa, de cinza humedecida , e da magia das palavras murmuradas em latim, que a gente acabava por decorar: “memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris”.
Não me lembro de me ser explicado, nessa altura, o significado exacto do ritual, até porque a missa desse dia não tinha direito a homilia, reservada, então, para as missas dominicais. Não sei se pela catequese, se pela homilia do Domingo Gordo, o certo é que me ficou uma vaga ideia de que a imposição das cinzas era um “sinal de penitência” pelos pecados. O sr. Abade falava, muito, em “pecados da carne” e eu ficava sempre a pensar que os visados seriam os comilões que aproveitavam o Domingo Gordo e o dia de Entrudo para tirarem a barriga de misérias. Porém, quando cheguei ao seminário, percebi que o “pecado da carne” era a fornicação, e eu fiquei um pouco à rasca para entender o que seria.
Não vou trazer aqui o historial desta liturgia nem sequer o significado que lhe foi dado ao longo dos séculos de cristianismo. Prefiro reportar o que possa ter estado no pensamento de Paulo de Tarso quando anunciou, quase compulsivamente, a Boa Nova da ressurreição dos filhos de Adão, que o mesmo é dizer, do “barro da terra”. Que escândalo! Onde se ouviu dizer que o pó da terra poderá voltar à vida! Como se pode anunciar a “ressurreição” da inconsistente matéria (corpo)da filosofia platónica?
Pensemos, por um momento, na “irracionalidade” -loucura- da Boa-Nova de Paulo e compreenderemos porque tem sido tão mal compreendido. O próprio cristianismo que ajudou a fundar , rejeitou, na prática , a sua pregação. A prova mais evidente está no culto das “alminhas do purgatório”.
É que, para este imenso apóstolo, não existem almas imortais como na cultura grega de Platão. Existe, isso sim, e de acordo com as Escrituras Sagradas em que foi doutor, o novo prodígio, em nada inferior ao da Criação, o acto criador da Ressurreição do homem feito de frágil barro até à sua essência. Tão simples quanto isto: S. Paulo limitou-se a anunciar a ressurreição para a imortalidade de um Adão bíblico que nunca o tinha sido desde a sua criação!
A Ressurreição é uma dádiva absolutamente nova e não o reconhecimento da inicial condição humana, porque nessa condição primordial o homem era simplesmente barro da terra , que fazia dele um ser ainda mais precário que uma árvore, pois esta, quando praticamente destruída , ainda pode lançar rebentos capazes de a fazer rejuvenescer.
Leiam esse, que é considerado um dos mais belos poemas da Humanidade, o bíblico Livro de Job.
Os teólogos que pensam que a Ressurreição consiste num percurso espiritual da alma “da vida para a morte” estão a falar do homem grego de Platão e não do homem bíblico de S.Paulo.
Não é por acaso que S.Paulo apresenta Jesus Cristo como o “novo Adão”. Quem o souber ler, e felizmente os grandes biblistas actuais como o Pe Carreira das Neves, fazem-no, poderá designar a ressurreição de S.Paulo como uma “nova criação”. Será sempre uma “transformação”, porque feita sobre o “barro da terra”. Afinal, o homem bíblico desde Adão.

25 março, 2011 12:35  
Blogger domingos coelho said...

E se não fosse "O Mário Neiva !"

Como seria este Blog !

Meu DEUS!

Até o Evaristo desapareceu!

25 março, 2011 13:18  
Blogger domingos coelho said...

Meditando...

"...Quando estais ao serviço do vosso próximo, estais somente ao serviço do vosso Deus"
"Mosias 2 :17"



Servir o próximo não é uma tarefa assim tão hercúlea e desgastante.
Não é preciso grandes obras ou investimentos.
Tudo que se precisa é o desejo de partilhar.
Partilhar um sorriso é muitas vezes o suficiente para mudar o dia de alguém.
Quem nunca desejou um abraço de alguém, apenas um abraço, num determinado momento da vida?
Quantas vezes um simples telefonema de alguém, nos faz ficar mais felizes?
Ou encontrar na nossa caixa de “mails” aquele sonoro "bom dia!"
Ou ler uma poesia...então...servir o próximo também é apenas querer iluminar o dia de alguém com gestos simples, mas muitas vezes esquecidos nas gavetas do nosso escritório, perdidos no meio dos nossos papéis.
Vamos lá, tira um tempinho hoje...
escreve um “mail” ou outra coisa qualquer...pequeno que seja, e manda para aquele amigo esquecido, pega no telefone, diz meu AMIGO sem medo, sorri para a primeira pessoa que vires...
Que sirvas de alguma maneira, pois todos precisamos de alguém que nos faça lembrar que existem motivos para sorrir.

E nós Antigos Alunos Carmelitas,temos sempre alguém, para dizer:
OLÁ, COMO VAIS AMIGO ?

25 março, 2011 13:49  
Anonymous Anónimo said...

ABRIR A JANELA PARA O MUNDO

Ó El Cantante, tens estado ausente?
Não nos fixemos demasiado em nós!Acho que recebemos a formação para vivermos comunitáriamante; senão, rodemos o filme para trás. O que nos diziam os nossos formadores:Tudo o que entrar no Seminário, passa a ser de todos.
(As castanhas que o pai do Américo Lino mandava de TRás-Os-Montes, eram para o nosso Magusto, as uvas, os folares trasmontanos, o vinho verde que alguns pais levavam, eram para alimentar os estômagos dos Marianos).
SOLIDARIEDADE foi, desde logo, muito apreendida.

Há algumas semanas atrás," vagueando pelo mundo",
descobri que o Frei Pedro Bravo, " "posou" para a posteridade nos aposentos papais, onde, além do anfitrião o Papa Bento XVI, aparece D. Vitalino e (na altura) Frei Wilmar Santin-agora Bispo, ordenado no passado dia 19. Congratulo-me com mais esta ordenação na Ordem Carmelita da Província de Sanrio Elias, e convido até os meus amigos aaac a visualizarem algumas das quinhentas e tais fotos deste evento.Tentei descortinar algum dos nossos Confrades da Província Lusitana, mas não consegui ver. Quem também esteve presente na Concelebração foi aquele Bispo Carmelita(D.António)que esteve no nosso Convívio(no Sameiro)o ano passado.
(para ver fotos consulta www.donfreiwilmarsantin

25 março, 2011 15:30  
Blogger ACOSTA said...

Corrijo o comentarista:não é anónimo ,mas A.Costa o comentador anterior

25 março, 2011 15:33  
Blogger ACOSTA said...

Pf.retirar "don". www.freiwilmarsantin

25 março, 2011 15:43  
Blogger Mario Neiva said...

Rectificação

"Os teólogos que pensam que a Ressurreição consiste num percurso espiritual da alma “DA MORTE PARA A VIDA” estão a falar do homem grego de Platão e não do homem bíblico de S.Paulo".

25 março, 2011 21:39  
Blogger Mario Neiva said...

A Ressurreição das Cinzas (III)

Quando S.Paulo fala em ressurreição ou transformação, tem sempre em mente não só a transformação espiritual como a transformação física, porque nas Escrituras o homem é um todo indissociável. E aqui que começam todos os problemas.
É muito fácil verificar que alguém se pode transformar num homem bom ao longo da vida. Mas ainda é mais fácil constatar que ao longo da vida esse mesmo homem envelhece e acaba por morrer. Isto significa que a transformação espiritual não vai acompanhada da transformação corporal. Rejuvenesce o espírito enquanto definha o corpo, até sucumbirem um e outro, solidariamente.
Em vez de se aceitar esta tremenda realidade da morte total do homem e manter firme a fé na ressurreição das cinzas, a cristandade entrou numa deriva herética, adoptando a alma imortal de Platão, sem se dar conta que, deste modo, a sua Páscoa perdia todo o sentido. De facto, não pode ressuscitar aquilo que nunca morreu: a alma.
Onde está, nesta Páscoa cristã, a fé de Paulo de Tarso?
Como um verdadeiro eco da doutrina da ressurreição paulina, chegaram até nós histórias de casos isolados de santos místicos que morriam em “odor de santidade”, porque, literalmente, exalavam um estranho perfume de corpos estranhamente incorruptíveis. Não menos estranhamente, a teologia cristã nunca deu importância a essas histórias, para desenvolver a doutrina da ressurreição cristã.O mais provável é que os teólogos tenham considerado um mito a história de corpos incorruptíveis exalando perfume. O certo é que não chegou nenhum até nós e também certo é que tais histórias geraram actos de verdadeira selvajaria entre os crentes, na ânsia de conseguir reliquias de santos incorruptíveis. Lembro a este propósito, que o corpo da carmelita Santa Teresa de Ávila foi cortado aos bocados, feito em reliquias, pelos nobres piedosos. Nobres carniceiros!

26 março, 2011 00:31  
Blogger Roshne said...

Nada como realmente !!! Pobre Teresa ....Quem diria !!!

26 março, 2011 10:07  
Blogger Mario Neiva said...

A Ressurreição das Cinzas (IV)


Grande conhecedor das Escrituras, Paulo sabe, do Génesis, que o homem foi criado “barro da terra” , verdade lembrada todos os anos na liturgia da Quarta Feira de Cinzas. “Memento homo…”
Teve sempre presente, quando proclamou o “seu Evangelho” que Adão nunca, nem antes nem depois do pecado, foi imortal, nem no todo nem em parte. Está ali bem claro no Génesis que Adão foi expulso do paraíso “antes” de comer do fruto da “árvore da vida”, que lhe daria o dom da imortalidade, atributo exclusivo de Deus. E é nesta verdade das Escrituras que ele fundamenta o seu anúncio de um amor ilimitado de Deus à Humanidade. Vejamos o que terá inspirado este apóstolo extraordinário, quando começou a pregar, como um “louco”, a Ressurreição..
Em primeiro lugar S. Paulo esquece a “pequenez” de um messianismo para judeus. O Génesis relata a criação do mundo e tudo o que ele contem e não a criação de um pequeno grupo privilegiado. Adão é pai de todos e não só dos judeus. A universalidade da “salvação” é fundamental na pregação de Paulo.
O seu Evangelho será para o mundo.
Depois . S. Paulo expõe outra ideia surpreendente. Diz ele que o primeiro Adão, desobedecendo, apropriou-se indevidamente do “conhecimento do bem e do mal” e foi expulso do paraíso, antes de se apoderar do fruto da árvore da vida, a imortalidade. Pois bem, Deus, em vez do ressentimento pela sua desobediência, concedeu-lhe toda a abundancia dos frutos da “árvore da vida” , gerando uma nova Humanidade através de um novo Adão. De uma forma lapidar ele proclama: “ Onde abundou o pecado, superabundou a graça”. E esta graça veio por Jesus Cristo, tal como o “pecado” viera por Adão.
E de novo para a Humanidade e não para um povo privilegiado!
Este Evangelho causou uma profunda perplexidade junto dos judeus cristãos e uma verdadeira “batalha ideológica” na comunidade cristã. Leia-se a carta de S.Paulo aos Gálatas.

26 março, 2011 19:24  
Blogger jorge dias said...

Não e não, não vou comentar!
Provocar só um pouquinho!

Entrei por aqui dentro agora, no fim de um tempo de menor disponibilidade, vejo tanta coisa bonita, mas mesmo tanta coisa bonita que me fico a pensar nos cultos de personalidades que por aqui andam semeados! Vá lá! Mas é preciso? Claro que não e não havia necessidade... afirme cada um a sua personalidade dando-se voz na palavra. Nenhum de nós faz falta, mas só todos fazemos a coisa...

Senhora do Carmo, 16 de Julho, em definitivo assumida e em contagem decrescente.

Será na paróquia de Covoada,Ouvidoria de Ponta Delgada, pela tardinha...

Será um organização do grupo litúrgico local Sra D. Maria do Rosário Aragão, da minha companheira Fátima e do signatário. Terá como convidado um grupo coral da paróquia da Fajã de Baixo e todos os que cada um de vós quiser convidar...

Na componente para-litúrgica os dois grupos cantarão as vésperas, bem como os aas presentes que o queiram fazer.

Na componente litúrgica ocorrerá a celebração da palavra e eucaristia com cânticos adequados.

Na componente social, pela noite dentro, teremos as açorianíssimas sopas do Espirito Santo, cantares ao divino (Espirito Santo) pela folias adulta e juvenil... Na lógica dos dons as sopas do Espírito Santo só requerem apetite e boa disposição para conviver. Sempre são acompanhadas de bebidas adequadas a cada um, mas vinho e massa sovada (uma espécie de pão adocicado e fofo) nunca podem faltar.

O livro vai existir. A sua estrutura (tamanho) será ditada pelo maior ou menor número de aas presentes.

As viagens marcadas antecipadamente e em grupo saiem mais baratas. Há ligações directas de Lisboa e Porto e a sua duração não vai além de duas horas. A pista de Ponta Delgada tem 2500m e é muito segura.

São Miguel é um oásis de verde e de poesia em recantos mil com o magma a espreitar com seus calores deificamente espalhados por recantos muitos... mas nada que meta medo ao susto.

Conto convosco

27 março, 2011 02:07  
Blogger Mario Neiva said...

Este comentário foi removido pelo autor.

27 março, 2011 11:30  
Blogger Mario Neiva said...

A Ressurreição das Cinzas (V)

Uma terceira “revelação” de S. Paulo, profundamente perturbadora para a época e para muitos séculos depois, foi a ideia de que o dom da ressurreição concedido à Humanidade, através do segundo Adão, era pura “graça” tal como a criação do Génesis. A partir desta base S. Paulo vai sustentar a sua famosa doutrina da “justificação pela fé” e não pelo mérito das nossas boas obras. Nem “merecemos “ ser criados, nem “merecemos “ ser ressuscitados . Os dois actos divinos são puro acto do seu infinito amor. Em consequência, S. Paulo nunca foi um “moralista” nem se apegou às leis. Com uma argumentação imbatível arrasa os que fazem depender a “salvação” do homem do cumprimento da sacratíssima Tora, a “Lei”. Para sustentar a sua tese radical, lembra aos judeus-cristãos que Abraão foi “chamado” por Deus quando era um “incircunciso”. Como se Paulo estivesse a dizer, na sua Carta aos Romanos, que antes de existir a Lei ou qualquer lei, Deus “justificou” Abraão”, chamando-o e amando-o, quando não havia lei. Quem ousaria contestar que Deus amou Adão quando o criou e que amou Abraão quando o “chamou”? Quando nem “Adão” nem “Abraão” sequer existiam, já Deus amava a Humanidade. Olhando para o percurso da sua própria vida, Paulo de Tarso percebeu, em profundidade , que também ele tinha sido amado no Genesis, “chamado” em Abraào e nas Escrituras e impelido, compulsivamente, pelo “Espirito Santo” a dar testemunho deste inacreditável e revolucionário Evangelho do amor de Deus Pai.
Nas cartas de S. Paulo, o amor de Deus é a verdadeira “Tora” (Lei).

E o amor com amor se corresponde.

Quem souber ler com sabedoria as cartas de Paulo de Tarso, depressa vai descobrir que elas são um hino ao amor entre a Divindade e a Humanidade. Como de pai para filho.
S. Paulo fez passar o amor divino por um Mediador, Jesus Cristo , apresentado, em simultâneo, como primogénito de Deus e primogénito da Humanidade, condição que a Igreja haveria de consagrar no dogma de Jesus Cristo “Deus e Homem verdadeiro”.
S. Paulo prega o seu Evangelho como se tivesse chegado a “plenitude dos tempos” e ele estivesse a contemplar todo o “projecto divino”. E assim vemo-lo a proclamar a graça da criação no Génesis e a anunciar, para breve, a concretização de uma graça ainda maior, “a ressurreição final”. E esta última será diferente, imortal e gloriosa, mas tão abrangente quanto a criação do velho mundo. Não se estranha, pois, que à ressurreição do homem apareçam associados novos Céus e nova Terra.

Acredito que muitos poderão sentir-se vexados por verem os animaizinhos, as flores e as estrelas gloriosamente ressuscitados com eles. Afinal, tal como no Génesis, o Amor Divino é para tudo e para todos todos.

S. Francisco devia estar a pensar na ressurreição de S. Paulo quando se dirigiu ao burro como “o meu irmão burro”.

27 março, 2011 11:42  
Blogger domingos coelho said...

Snr. Jorge Dias

Hoje escrevo duas palavras para "Você",para lhe dizer que conheci os Açores no tempo do meu serviço Militar(Pára-quedista). Pensei, tenho uma grande oportunidade de ver a realidade Açoreana! Enganei-me. V.Exª. estragou os meus planos. Na minha terra dizem: “quem não se sente, não é filho de boa gente.” E eu sou. Porque estou na vida de "PÉ" e não de "Cócoras". V.Exª, mais uma vez, e sem conhecer razões , resolveu estragar ou melhor quebrar a minha vontade de estar nos Açores no próximo mês de Julho. Para que conste , a minha forma de estar na vida é simples : SER SOLIDÁRIO.

27 março, 2011 21:37  
Anonymous Anónimo said...

Parte 1
Olá, Mário Neiva e Olá a todos.
Para a minha prédica de hoje quero pegar nas palavras do Mário que foram ditas no dia 26 de Março.
Diz ele que “…o corpo de Santa Teresa de Ávila foi cortado aos bocados, feito em relíquias, pelos nobres piedosos. …”, ao que o Roshne (que não sei quem é) respondeu e muito bem. “Pobre Teresa”
Pois eu hoje quero falar de pessoas piedosas, mas não dos nobres, antes sim daqueles que andaram lá pela Falperra, no nosso tempo. E tu, Mário, e demais do meu tempo, deveis lembrar-vos deste episódio que se passou há já tantos anos, mas que o conto para o relembrardes e para que aqueles que a ele não assistiram tomem conhecimento.
Como todos se lembram, depois do jantar havia um recreio no fim do qual nos dirigíamos para a capela a fim de fazermos as orações da noite e o exame de consciência antes de nos deitarmos.
Já não me lembro bem das questões que eram postas no exame de consciência, mas sei que uma delas era assim: “Faltei à castidade?”
“Que é que diabo será isto de castidade?” perguntava eu para comigo próprio. Cheguei a perguntar aos mais velhos, mas ninguém me soube dizer nada. Fui ao dicionário e lá referia a palavra “pureza”. Para mim ser puro era não ter pecados. E como não tinha tempo nem ocasião para pecar, tudo bem. Só mais tarde soube o que a palavra significava.
Mas, como estava a dizer, depois das orações da noite e do exame de consciência, saíamos da capela, beijávamos o escapulário e lá íamos nós em fila e em silêncio para o dormitório onde eu, como muitos dos colegas, logo após me enfiar na cama adormecia como um justo.
Mas isto não acontecia com todos, já que alguns, certamente por acharem insuficientes as orações na capela, fosse porque tivessem pecado muito, fosse porque eram piedosos de mais, ainda se ajoelhavam ao lado da cama e, recolhidos e em silêncio, faziam ainda mais umas rezinhas.
Claro que eu e outros como eu, como bons samaritanos que éramos, ao vê-los assim naquela posição, tínhamos pena deles e ao passar por eles elevávamos ligeiramente o pé e, num movimento brusco e rápido, silenciosamente e sem comentários, aplicávamos-lhe no rabo com a parte exterior da bota aquilo que, se fosse com a biqueira , se chamaria um pontapé! Contribuíamos, assim, para que, além da piedade que praticavam, apanhassem também uma pequena mortificação que muito proveitosa lhes seria para o bem da alma…
Entre os que, como eu, faziam tal acto, estava incluído o Aurélio, da terra do Evaristo, e que agora se encontra no Canadá, se é que ainda não saiu de lá. (Um abraço para ti, Aurélio, e não leves a mal o que vou contar, já que tem a sua piada e tu foste um herói cómico nessa pequena para ti tragédia)

(Continua)
Emídio Januário

27 março, 2011 23:15  
Anonymous Anónimo said...

Pois, como ia a contar, o nosso amigo Aurélio numa determinada noite alterou o seu procedimento e, em vez de elevar ligeiramente o pé e aplicar o golpe como de costume, optou por se ajoelhar ao lado de um colega que se encontrava já nessa posição junto à sua cama. E assim ao lado dele, pôs as mãos e a cabeça em posição de recolhimento e oração, elevando de seguida e lateralmente a perna direita, dando um ligeiro movimento à anca e mandando um daqueles de mau cheiro que sonoramente ecoou por todo o dormitório!
Mas, azar dos azares, ninguém se riu, já que toda a operação foi presenciada pelo Pe. Olavo, nessa noite de prefeito, e que havia acabado de entrar no dormitório.
E o Pe. Olavo, indignado virou-se para o Aurélio (vou tentar transcrever foneticamente o sotaque característico do Pe. Olavo):
- “Aurrélio, tu que fijeste?”
Ao que o Aurélio, coitado, apanhado daquela maneira, tentou emendar e justificar-se com cara de anjo:
- “Eu não fiz nada, Sr. Padre”
- “Tu não fijeste nada?” – continuou o Pe. Olavo , muito severo.
- “Eu estava a rezar!” - justifica-se nova e humildemente o Aurélio.
Mas o Pe. Olavo mais uma vez lhe responde com nova pergunta e dá a setença final:
- “Tu estavas a rejar? Vai já de joelhos para a porta do quarto do Pe. Reitor!”
E o Aurélio, que remédio teve, lá foi. E por lá esteve até que o mandaram deitar, estavam já as luzes apagadas no dormitório.
E foi assim, caro Neiva e demais condiscipulos, que naquele dia à noite o Aurélio rezou piedosamente mais duas vezes do que nós e mais uma do que aqueles que costumavam ajoelhar-se ao lado da cama!
Bonito, não é?
Um abraço para ti, Aurélio.
E para vós todos.
Emídio Januário

27 março, 2011 23:20  
Blogger jorge dias said...

Mas que desejo de guerrear caro DC! Estou noutra e noutra vou continuar no blog e na vida que cada vez se me afigura mais curtinha e estou tão contente com tanta coisa linda que aqui se semeia dia a dia e em mim tem nascido! Quanto à vida também eu faço por estar de pé (não de cócors) e não ser rasca, mas confesso que por vezes não sei se consigo, não obstante parecer que a minha auto-estima me diz que sim. O senhor e o você agradecem-te mas não os devolvo, foram para o lixo! Fico com a festa proposta no meu comentártio e o teu desafio de sossego! Querias monólogo? Mas isso não era blog... pois é, aqui acontece palavra... mesmo que seja com membros da direção! Blog é palavra e palavra, no meu modo de ver, educada, mas livre, repito educada, mas livre! E, até prova em contrário, a minha foi educada e, obviamente, livre! Solidário!? Mas anda por aqui alguém que o não seja?

Que felicidade sem fim me dá o anónimo (Emídio Januário e tantos outros comentaristas, claro o Mário também e o Dc, porque não?), na leitura que ele faz das nossas vivências de criação (educação) e que felicidade sem fim me dá ver este blog a gritar felicidade de crescimento e realização sobretudo quando, comparando, já o vimos tão parado e paradinho! Quase só jornal de notícias! Mas porque não gozas? Cada um pega as coisas a seu jeito... sempre que aqui mergulho sinto-me gratificado, infinitamente, pela provocação que me fazem, pela que eu faço e pela que outros se fazem...Como cresci amarrado a este teclado a remoer as palavras, a inventar as suas ligações, a reclamar-lhes que me revelassem as emoções e a alma... Como as emoções e as lágrimas me deram os outros e a eles me levaram em desafios mil de boa nova que para mim me fizeram traçar e neles perseverar!
Eu sei que devagar, devagarinho, parado, paradinho era capaz de ser tempo e espaço sem ondas, mas nessa altura já não estaria vivo! E por aqui me fico, por aqui e agora, para sempre poder voltar de alma aberta e coração grande, mas sempre e sempre provocante, e sempre tentando dizer só o que quero dizer! Pois alevá...

28 março, 2011 02:20  
Blogger Anónimo said...

Às mulheres esapeciais do “BLOG”
Pelos caminhos da vida,
Passadas inquietas,
Indefinidas,
Alma de poeta,
Olhar esperançado,
Embora, cansado
De assimilar,
A dor concreta,
De derramar,
Lágrimas secretas,
Cinzelar as retinas,
Pelos caminhos da vida,
A vida ensina,
A duras penas,
A questionar,
Mudar a sina,
O comportamento,
A transpor muros
Acreditar na felicidade,
Na capacidade feminina
Na possibilidade,
De um presente seguro,
Ser mais do que apenas,
Um mero alguém,
Entre os sois e as nuvens,
Sorvendo o acre vinho,
Quebrando os espinhos,
Impostos pelo homem,
Sem a menor clemência,
Pelos caminhos da vida,
Face aguerrida,
Heroína da resistência,
Essência divina,
Luz do amanhecer,
Serenidade,
Aprendendo a ser,
Aprendendo que viver por viver,
É sofrer – é morrer bem devagar,
E por isso dobra os instantes,
Enfrenta os gigantes,
Da impávida realidade,
Sem deixar de sonhar,
Sem deixar de ser menina.

D

28 março, 2011 12:02  
Blogger Mario Neiva said...

Tudo Na Mente, Até A Pila

Há dias reencaminharam-me um clip que representava uma cabeça de homem e os respectivos apêndices sexuais em bailado exibicionista dentro do cérebro, posta a descoberto numa ressonancia magnética. A mensagem era de leitura fácil, mesmo para quem desconecesse a acusação procadora de que o homem pensa com a pila. Quem mo enviou foi uma senhora amiga e eu comentei-o assim:


Apetecia-me dar um titulo a este meu comentário, qualquer coisa como "o mito e a realidade".
Essa história de termos o pénis na cabeça é mais realidade que mito. Penso que virou mito por ser, ao mesmo tempo, tão real e tão intrigante.
Qualquer rapazinho normal, por exemplo, aqui o Mário de outras idades, ainda menino descobre uma pilinha que parece ter vida própria, que ele controla tão pouco quanto a vontade de fazer chichi. Também cedo se apercebe das sensações agradáveis que acompanham as persistentes erecções. Se não houver por perto uma adulto ignorante e castrador, o menino acabará por ter uma relação cada vez mais interessante com a sua pilinha buliçosa e prazerosa. Ao atingir a puberdade, a transformação é explosiva em todos os sentidos. E, de novo, se não houver por perto um adulto "maldoso" ou simplesmente ignorante, o rapazinho testemunha uma nova vitalidade da sua tão "independente" pilinha. Não só se estica como nunca, como convida, teimosa e persistentemente, à sua manipulação, até ao clímax do orgasmo ejaculatório. E pouco adiantará "esquecer porque é feio". Reprimir, no estado de vigilia, a vontade indómita da pilinha, vai proporcionar o espectáculo de uma finta magistral, (se quiserem, de uma rasteira à má fila) quando o rapazinho dorme a sono solto! Isso mesmo! É quando acontecem os "sonhos molhados" , que os técnicos designam por "poluções nocturnas" e que não são outra coisa que uma inesperada ejaculação , com a endiabrada pilinha a não aceitar o jugo de uma abstinência forçada e a impor a sua autonomia.
Diga-me lá, Maria Emilia, como é que nós, os homens saudáveis, podemos furtar-nos à presença impositiva e persistente da nossa pilinha na mente!
Vemo-la, sentimo-la e queremo-la, não podemos, nunca, ignorá-la. Ficaria muito preocupado se a ressonância magnética não acusasse a sua presença, relevante, no meu cérebro.
Eu gosto muito da minha pila.
Felizmente, a minha mulher também.

Hoje, aqui no blog, posso acrecentar, em fidelidade à ciência de Damásio: de facto, a pila está mesmo presente no cérebro do homem e se caparem um infeliz portador da mesma, lá continuará para todo o sempre, apenas com uma nota angustiada em rodapé: cortada!
Publicada por Mario Neiva em 17:34 (Blog Laje Negra)

29 março, 2011 18:10  
Blogger Filho do Manuel "Fodorico" said...

Pela tua animação MARIO NEIVA!



Uma pergunta, ou, uma afirmação ?

Hoje, eu digo que é uma afirmação.

Porque sinto como é divertido escrever.

Pergunto-me, como se teriam divertido as grandes “penas” do passado, se já houvesse nas suas respectivas épocas a INTERNET.

Mas, para se divertir a escrever ou escrever divertindo-se, é necessário não levar a coisa muito a sério. Aliás, para que te divirtas, seja lá no que for, se levares a sério, não te divertirás, tanto quanto se o não levares (a sério).

Porém não façam como a esposa do meu vizinho, que logo após o acto sexual, quando o marido lhe perguntou se teria gozado, disse que não, pois tinha levado a sério ...

Para se divertir a escrever ou escrever divertindo-se, primeiro: faz-se outra vez mister, não aspirar nenhum retorno financeiro da escrita; segundo: não depender da escrita sob nenhum aspecto, principalmente emocional.

Vejam só o caso exemplar do nosso monge recluso Dalton Trevisan.

Ele, desde rapazinho ( nunca fora bandido), gostou das letras. Conta-se que a senhora sua (dele) mãe, quando ele ainda tinha que ficar na ponta dos pés para mijar no penico, só o alimentava com sopa de letrinhas ... e vejam no que deu ...

É por isso que ele nunca dependeu, nem tampouco depende do resultado financeiro do que escreve para viver. Os seus livros, lidos ou não lidos; comprados ou não comprados, não interferiam e nem interferem no dia-a-dia. Ou seja, a cama para dormir, a roupa para vestir, e a comida na mesa, ele as teria, e continua a ter, independentemente do que escreve ou deixa de escrever.

Dalton Trevisan não dá entrevista, não faz palestra, não recebe biógrafos, não participa em mesas redondas, nem em debates, não frequenta academias, etc.

Então ele escreve, o que quer, quando quer, e, como quer. E quem não gostar, que vá à m..da, ou, tomar ar, mormente se for um leitor ou um editor.
No meu caso, eu não tenho ainda o topete de um Dalton Trevisan, para tais reações para com os meus leitores e editores (se os tivesse a ambos).

Aceito, respeito e acolho, qualquer comentário a qualquer texto que tenha escrito.

Penso que, ao dar ao público, o que se escreve, qualquer tipo de comentário terá que ser admitido dos leitores. Eles (os leitores) fazem um favor aos escritores em lê-los, portanto têm o direito a os comentar (os textos).

E unicamente o texto.

Mesmo que o comentário seja de mau gosto ou malcriado.

Penso que se o leitor expõe tal ou qual a reação, a partir da leitura de um texto, isto é muito importante para o autor. Pois, salvo as excepções, que confirmam a regra, todo o autor quer ser lido.

O porquê de eu dizer que me divirto a escrever...

Vou lhes contar: coloquei um texto numa página, do site literário onde ela (a página) está. E fiz a divulgação do facto, com estardalhaço.

Cada um divulga como acha que deve. Um leitor, disse-me que o meu texto não tem nada de original, e que se frustrou na sua expectativa ao o lêr.

Até aí respeito e defendo o direito que o leitor tem ao comentário, inclusivé em dizer explicitamente que não lhe agradou, ou que lhe causou mal estar em o lêr.

Entretanto, dizer que eu não devia ter feito o que fiz para o divulgar ...

Acontece que, eu faço: como eu quero, quando eu quero, e, o que eu quero, para divulgar os meus textos.

Infelizmente não tive outra alternativa (para o tal aconselhamento à pessoa deste autor que lhes escreve), excepto mandar o comentarista às ....

E é por estas e outras que é muito divertido escrever ...

30 março, 2011 13:56  
Blogger Teresa said...

De facto é muito divertido escrever...
Escrevendo damos a nossa opinião acerca de determinados assuntos, concordamos ou não, transmitimos as nossas ideias aos outros que podem concordar ou não com as nossas. Rimos, sentimos, libertamos a alma ao escrever, aprendemos, choramos também ou então a escrita também pode provocar mágoa. Trocamos opiniões sobre os mais variadíssimos assuntos.
No entanto cada pessoa que escreve é livre e está em aceitar ou não o comentário do outro, mas com o devido respeito claro porque este espaço ou outro qualquer é público. E nestas andanças da internet qualquer um pode dar um saltinho até cá.

31 março, 2011 23:21  
Blogger Teresa said...

Estamos a viver um tempo de incerteza a nível nacional quer em termos políticos quer em termos económicos sempre ameaçados com a possível entrada do FMI.
Temos a confirmação hoje de que as próximas eleições legislativas serão no dia 5 de Junho. E até lá teremos um governo em gestão. Se o país já está tão mal com um governo em pleno exercício de gestão não tem poder de tomar decisão sobre determinados assuntos. E até lá como vamos ficar?
Vou ser sincera hoje em dia não acredito nos políticos, são todos iguais todos prometem, mas ao fim e ao cabo resultados não se vêem. E tenho muitas dúvidas se Portugal irá sair desta crise. Para isso os políticos têm que esquecer algumas divergências e juntarem-se para um bem comum, tirar o país da crise em que se encontra. Serem solidários.
O próximo governo que vier vai continuar com as medidas de austeridade e vamos ter mais do mesmo, seja da cor laranja ou da cor rosa.
Outra coisa que não dá para entender é tanto tempo até às novas eleições. Sei que segundo a constituição é necessário um determinado período de tempo até novas eleições, mas deveria ser menos tempo a fim de se poder tomar decisões o mais rapidamente possível, principalmente agora devido ao estado do país.
Outra coisa que se vê que nunca é cumprido são as obras públicas. Nem prazos nem orçamentos, saem sempre muito caros e nunca cumprem os prazos para que estão previstos, estão sempre atrasados, é triste mas é verdade.
A ideia que tenho de Portugal é de um país que se quer fazer rico perante os outros, mas que no fim das contas e a dura realidade é que é pobre e não tem condições de sobrevivência por si só.

31 março, 2011 23:46  
Blogger Mario Neiva said...

Nota interessante sobre o momento da Polis. Permito-me acrescentar ao cometário da Teresa que, de facto, nenhum país, actualmente, "tem condições de sobreviver por si só". A interdependencia é enorme, como nunca foi na história da humanidade. As exportações e importações são artérias por onde circula o oxigénio das nações. Dá para constatar que um país que tenha estas "artérias" em mau estado, não tarda nada, entra em coma.
Estamos condenados a partilhar. Pena que a lei fundamental que rege este intercambio seja a lei do mais forte, do mais esperto, do mais capaz e, sobretudo, se venere até ao endeusamento o Santo Lucro.
Sei, porém, que estamos apenas na fase inicial do processo que nos conduzirá a um governo mundial, para os já proclamados universais direitos do homem.
O que cada um de nós poderá fazer para acelerar esta evolução?

01 abril, 2011 09:14  
Blogger Lima said...

Saiu-me mesmo assim, à maneira antiga.
---
Abril, 1

Manhã de Abril, ouço chamar... Quem era?
Stão a bater com ténue ligeireza.
Corro as cortinas, olho, que tristeza!
Mentira!
Tinham-me prometido a Primavera!

Abro a janela, a chuva, que surpresa,
Invade tudo, não respeita nada.
É salutar o ar da madrugada?
Mentira!
Este ar é doentio, de certeza.

Retomo confiança, esqueço a maçada,
Cada manhã renasce a fé no além...
Atrás de um dia, outro dia vem...
Mentira!
Um dia terá fim a caminhada.

Haja esperança, que afinal também
Nem tudo é mau, nem tudo é negro assim;
Há bem-me-queres e rosas no jardim...
Mentira!
E os espinhos que as rosas têm?

Manhãs de Abril, aromas de jasmim.
Sonhos de amores e felicidade,
Anseios d'evasão, d'eternidade...
Mentira!
Se a alma nunca acaba, a vida sim.
---
ALB em: http://a.lima.b.online.fr/

01 abril, 2011 09:23  
Blogger jorge dias said...

Coisas bonitas!
Mas para reforço do título "Tudo na Mente, Até a Pila" fica-me uma pergunta intringante, e a outra parte que nos faz todo e de que os homens são apenas a metade? Não tem direito à mente?

01 abril, 2011 14:13  
Blogger Mario Neiva said...

Bravissimo, Lima Barbosa! Lindo, lindo! Sério e profundo. Pode ser mentira o calendário, mas o teu poema é verdadeiro.
Estava um tanto sombrio, triste um pouco, e a tua poesia levantou-me o ânimo. Como a oração que eu fazia na nossa Falperra, e depois, e depois...Sim, eu rezava para espairecer da tristeza que me enevoava a alma.
Nâo permitas que a inspiação te escape, que a vida stá precisada de um poema assim.

01 abril, 2011 17:09  
Anonymous Anónimo said...

Que é feito do El Cantante?

02 abril, 2011 02:06  
Blogger Mario Neiva said...

Apelo da Primavera

Estará rouco, o nosso canário? Ele volta, ele volta. Quando a rouquidão passar. E de voz afinada, neste começo de primavera promissor, apesar de alguma chuva que, espero bem, não tenha constipado a minha linda cerejeira. Estava magnifica no auge da floração. Rezava, só de olhar para ela. Tantas flores nascidas do nada ou do inverno feio, escuro e frio.
E ainda há quem persista na busca de milagres de outros mundos, de outras naturezas.
Só pode ser porque não enxergam os que nascem diante de si todos os dias.
Só pode ser porque a surdez os impede de ouvir a voz do canto das aves numa madrugada ainda criança.
Só pode ser porque se afadigam em passos apressados até ao stress, sem uma pausa para sentir o bater do coração e a respiração da alma.
Para não parecer mal de todo e, de algum modo, provar que ainda são gente, deixam um beijo apressado e distraído nos lábios do "seu amor" ou na face do filho que, tantas vezes, está à espera de um carinho atento e demorado.
Até que um dia, de uma vida deste jeito distraída, haveremos de sentir e pensar que a não vivemos.
E, então, fica a certeza de que já é tarde para recuperar o que não foi vivido.
Deixemo-nos perder, sem pressa, num beijo de ternura aos que amamos, já que a primavera nos convida, ano após ano, a sair do triste inverno e a renovar a vida.

02 abril, 2011 10:45  
Blogger Mario Neiva said...

Ressurreição das Cinzas (VI)

S. Paulo «à rasquinha »?
Realmente assim parece, quando lemos a Carta aos Romanos cap.7,14-24, enrolado numa teia que ele próprio teceu. Soube desenvencilhar-se muito bem. Os seus seguidores, nem por isso.
Esta carta de S. Paulo é considerada por muitos biblistas como uma síntese de toda a sua mensagem, embora fique aquém de tudo o que pregou. Nela, as palavras “carne” (humanidade, corpo), “pecado” e “morte” aparecem de tal forma associadas que acabam por expressar, muitas vezes, a mesma realidade.
Todos se lembram de ouvir, dos Evangelhos, que alguém que contraísse doença ou nascesse doente era considerado “pecador” ou “nascido em pecado”, pelos judeus. “Quem pecou”, perguntaram os judeus a Jesus, “foi ele ou os seus pais, para que tivesse nascido cego?”. Sabemos qual foi a resposta de Jesus e também referi, no comentário anterior, a possível resposta de S. Paulo: “nem pecou ele nem seus pais, mas para que se manifestasse nele a glória de Deus” ou, segundo Paulo, “onde abundou o pecado, superabundou a graça”.
Normalmente as prédicas dominicais e dos “retiros” , perante relatos deste género, fazem uma deriva para reflexões descontextualizadas , tomando como metáforas a cegueira, a doença e a morte. E lá vem mais um sermão sobre “cegueira espiritual”, ficando por explicar aos “fiéis” o sentido profundo escondido em palavras que nos parecem familiares. A nenhum de nós passaria pela cabeça dizer que a lepra, a paralisia ou a surdez são “pecados vivos”. Mas para os judeus, a quem os evangelhos se destinavam, eram exactamente isso. E S. Paulo tira todas as consequências desta convicção e vai ainda mais longe, a ponto de afirmar que cada um de nós é um “pecado “. Ao próprio Jesus Cristo, Deus “fê-lo pecado”, por amor dos homens. Fê-lo pecado e submeteu-o à morte.
Vejam só a audácia de S. Paulo, amassando na carne, no pecado e na morte, trilogia de maldição, o “Primogénito” de Deus e da Humanidade, ao anunciar Jesus Cristo como filho legítimo de Adão!
No evangelho de Paulo de Tarso fica claro que, desde Adão, ser homem é ser carne-pecadora e morte. Daí o seu grito de angústia e estupefacção: “Quem me livrará deste corpo de morte!”.
Percebe-se uma certa perplexidade em S.Paulo, quando pretende explicar como o pecado aconteceu. Vale a pena reler a Carta aos Romanos sobre esta doutrina. Por um lado afirma que a existência da Lei conduz à transgressão, à desobediência, ao pecado. Mas por outro lado diz que a Lei é boa e santa. E chega-se a uma situação paradoxal de ter sido Deus o autor da “Lei que conduz à desobediência”, ficando a pairar a ideia de que Deus, sendo autor da Lei é, no mínimo, co-autor do pecado.
E eu penso que será a este o sentido profundo das palavras incompreensíveis de S.Paulo: “Deus fê-lo pecado”, a Jesus Cristo, por amor à Humanidade. E, no mesmo sentido, embora já numa perspectiva um pouco diferente da de S. Paulo, a Igreja irá cantar, na liturgia da Semana santa: “Oh felix culpa!”. Literalmente: abençoado pecado!
Pelo que vou escrever a seguir, o mais correcto seria cantar: abençoada a Criação de Deus!

05 abril, 2011 17:37  
Blogger domingos coelho said...

Meu Amigo Mário Neiva

...Quem persiste no conhecimento e na prática da “Palavra de Deus”,esse descobre na sua vida a eficácia da graça e o poder dos dons de Deus.

Lamentavelmente, para muitos de nós católicos, o estudo da Bíblia não é visto como uma prioridade. Devemos ser executores da Palavra e não meros ouvintes. Ao falar aos seus amigos, o apóstolo Paulo afirma que “toda a Escritura é inspirada por Deus, e é útil para ensinar, corrigir, refutar e educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, apto para toda a boa obra” (cf. 2Tm 3,16s).
O facto é que o espaço de tempo que a Missa dominical dedica à reflexão da Palavra é insuficiente. Em geral são quatro textos para reflectir em cerca de dez minutos. É muito pouco. Como consequência sou forçado a dizer que entre os cristãos, de uma forma geral, os católicos são os que menos sabem Bíblia. E quem não conhece tem dificuldade em perfilhar as suas exigências.
Ouvir a Palavra e colocá-la em prática é como construir uma casa sobre um fundamento de uma rocha (cf. Mt 7,24s). Do contrário, o desastre é iminente.
Conta uma “historieta”, que um homem dizia que era cristão há mais de vinte anos, que achava não dever ir mais à igreja, pois tinha escutado cerca de dois mil sermões e homilias, mas que não se recordava de nenhum deles, achava que não só ele, mas também padres e pregadores tinham perdido o seu tempo. Um amigo que escutava o desabafo discordou, dizendo que era casado há mais de vinte anos, e que nesse período a sua esposa lhe fizera milhares de refeições, cujo cardápio ele não recordava, mas tinha certeza de que, sem aquela comida ele não se teria mantido vivo. Todas as refeições feitas carinhosamente pela esposa o tinham alimentado e dado a força que ele precisava para fazer o seu trabalho.
Na Igreja a palavra de Deus alimenta a nossa fome espiritual. Hoje eu estaria morto espiritualmente se não fosse ela. A fé vê o invisível, espera o impossível e recebe o inacreditável. A eficácia da Palavra está no facto de ser como a chuva; ela nunca deixa de cumprir a sua missão.
Quem persiste no conhecimento e na prática da Palavra de Deus, esse descobre na sua vida a eficácia da graça e o poder dos dons de Deus.

05 abril, 2011 21:36  
Blogger Mario Neiva said...

A Ressurreição das Cinzas (último)

Para entender a Carta aos Romanos e o evangelho de S. Paulo temos de fazer a ligação estreita com o acto primordial da Criação, a mesma Criação que “sofre como que em dores de parto” ( Paulo é demais!).Este imenso Apóstolo dos Gentios (e como ele gosta de ser chamado o “apóstolo para o mundo” e não para os judeus!) nunca deixa de ter presente que o “mundo velho” carrega em si a condição mortal, porque tudo é “cinza”. Mas o Adão desse mundo velho também carrega em si a semente (premissas, diz Paulo) da vida ressuscitada e imortal –“um tesouro em vasos de barro”- (divino poeta este Paulo!). Com isto está a dizer-nos que a nossa condição presente está prenhe de pecado e sofrimento e morte, mas, pela luz da fé, também está grávida da “esperança da ressurreição” futura. Uma ressurreição, insisto, que não será, efectivamente, nem para a alma nem para o homem, judeu, grego ou gentio, mas para o universo integral, saído da Criação.
S. Paulo não conseguiu libertar-se da linguagem de uma tradição que pensou sempre que o sofrimento a que estamos sujeitos (as dores de parto) são a justa punição pelo pecado da desobediência. E assim vemo-lo também designar Jesus Cristo de “redentor” ou “salvador”. E os cristãos acentuaram tanto este aspecto da sua doutrina que esqueceram o coração do Evangelho paulino. Não fizeram caso da sua advertência: “uso esta linguagem por causa da vossa fragilidade” .
Depois de ler S Paulo, permito-me concluir que ele intuiu que a Criação é o próprio “Corpo de Deus”. Somos pecado e morte, tal como o “Filho de Deus” foi pecado e morte quando se identificou com a Humanidade. É a loucura de pregar um “Deus Crucificado”. Não para expiar culpas (embora o diga “por causa da vossa fragilidade” -ignorância), mas porque a Criação é como é, pecado e morte no “barro da terra”, mas contendo no seu interior a semente da eternidade.
Quem anda à procura de Deus, pense que Deus será, o que o mundo é. E o cristão tem motivos de sobra para assim pensar porque “Deus fez-se mundo” em Jesus Cristo. É isso mesmo que se aprende desde os bancos da catequese, quando se decora o dogma de Jesus Cristo “Deus e Homem Verdadeiro”.
Não te esqueças, amigo e companheiro aa carmelita, de que ao entrares no laboratório para perscrutar os segredos do universo, estás a debruçar-te sobre o “Corpo de Deus”. Para o conhecer melhor, talvez; e porque já o amas, com certeza.
Se pensarmos que o nosso espírito é a “alma do nosso corpo”, bem poderíamos dizer que a entidade que designamos por Deus é a “Alma do Corpo do Universo”. Alguém que queira viver uma fé, que viva esta do tamanho do Universo. E pense nisto: se o corpo é assim tão fascinante, quanto mais não será o misterioso espírito do universo.
Deste “Deus” também eu sou crente e há muito que me apaixonei pela sua infinita e cativante beleza.
Tenham uma boa Páscoa, pensando mais na “ressurreição do mundo” que na ressurreição de uma alma (platónica) que, afinal, seria imune à morte…Eu sei que era muito mais confortável ter a ressurreição servida numa bandeija , que ter o trabalho de a criar e fazer-lhe o parto. Mas quem disse que o “caminho “ era largo, sem cruz, sem espinhos e sem calvário? E sem as dores de parto?
Deixo-vos um desafio final em forma de pergunta, ciente de que, sem ele, esta predica vale menos que zero: Como se constrói a ressurreição da Humanidade?
Evidentemente que este desafio só vale para quem acredita no futuro e na “ressurreição das cinzas”.

05 abril, 2011 23:15  
Anonymous Anónimo said...

DEUS, Amigo Neiva, é o UNO do VERSO: eu diria que o VERSO é o UNO manifestado: UNIVERSO.... e... a partir daqui...................... pc

05 abril, 2011 23:25  
Blogger jorge dias said...

Reconheço que a lógica subjacente ao comentário VI Ressurreição das cinzas de MN e o subsequente do DC me levam para além dos limites em que normalmente já vivo pelas problemáticas colocadas!

Refiro-me no segundo caso, à consideração de que o tempo da palavra, na celebração da palavra, é pouco. Sempre julguei que o importante era o aproveitamento que os católicos (hierarquia) fazem desse tempo.
Refiro-me no primeiro caso à citação não identificada:"Deus fê-lo pecado"!

Se o primeiro emerge irrelevante, o segundo é o que é... nem classifico, porque limites por limites cada um mete-se onde lhe apetece, embora me fique a sensação de despropósito em espaço tão aberto onde a presença de "experts" para o contraditório não existem e por as supostas teses serem tão contraditórias e nunca provadas... e nada acrescentarem ao evangelho(boa nova)...


Após algumas leituras cruzadas só posso ver na citação referida e não identificada uma arreliadora distração do seu autor.

O penúltimo comentário apareceu agora mesmo e só lerei depois.

Na eminência de mais nenhum contraditório, ao menos este! ...pois alevá!

06 abril, 2011 00:20  
Blogger Mario Neiva said...

E, a partir daqui, estarias a dizer o mesmo que eu...Mas só aparentemente, parece-me, porque eu não reduzo o espirito do universo ao corpo do universo, tal como não identifico o meu espirito com o meu corpo, por estranho que possa parecer. Lá no meu blog Laje Negra tenho batalhado sobre esta questão absolutamente paradoxal: a minha alma não é redutivel ao meu corpo e nem a alma nem o corpo (não disse cadáver)subsistem um sem o outro. Aqui reside o mistério por resolver da mente consciente. Os neurocientistas acreditam que só quando formos capazes de construir uma mente consciente poderemos, talvez, compreendê-la. Dizem, avisadamente, "talvez",porque mesmo construindo-a, não teremos a certeza de poder entrarar dentro dela, como eu não posso entrar na tua ou tu na minha.
Não me provoques, "Pereira de Castro", senão isto começa a ficar pesado e os neurónios a esquentar. Mas gostei que truxesses o teu "velho" e querido UNO à colação.

06 abril, 2011 00:22  
Blogger Mario Neiva said...

Voltando ao tema do UNI-VERSO (eu avisei que isto podia ficar pesado)queria acrescentar, caro anónimo pc (se traduzi mal desculpa-me), que o grande desafio que se coloca ao homem é conseguir manter a integridade do fabuloso binómio da vida que é o ser humano. Como se o espirito do homem quisesse inventar um suporte "físico" que lhe permitisse viver mais que um tempo limitado dos seus dias. E este sonho humano de imortalidade, preservando a integridade de um todo indissociável, o corpo-alma, esteve também na origem do pensamento, do sonho e da fé daqueles que falam de uma ressurreição como aquela que prega Paulo de Tarso.
Estás a ver, PC, porque tanto me fascina o Apóstolo?
Estás a ver que, embora eu fale no universo como o "corpo de Deus", não estou simplesmente a identificar Deus com o Universo?
Se, na prática, é para mim tão difícil e impossível identificar-me seja com o meu corpo, seja com a minha alma , em separado, muitíssimo mais complicado será fazer o exercício da compreensão do Cosmos Infinito.
Não me resta mais que comtemplá-lo a partir da minha insignificância.
E já não é nada pouco, esta capacidade que nos foi dada de olhar o Infinito e apaixonar-nos por Ele.

06 abril, 2011 12:10  
Blogger Mario Neiva said...

Heresia na Prática, Fidelidade no Dogma.

Por influencia da filosofia grega, por um lado e, por outro, como resultado da não concretização da "segunda vinda de Jesus Cristo", a cristandade afastou-se da fé na ressurreição como S. Paulo a pregara e começou a interessar-se exclusivamente pela salvação da alma. Cuidou-se da beleza do espirito e desprezou-se a beleza do corpo. Isto significou que "meio-homem" foi atirado para o caixote do lixo. Na realidade, mesmo à luz da doutrina paulina, atirou-se o homem todo para a fogueira, pois sabemos que corpo e alma são uma realidade indissociável, tanto na criação como na ressurreição.
A ideia da ressurreição paulina, fundamentada na iminencia do apocalipse e da transformação do mundo, deixou de ter sentido para uma cristandade que via os anos e os seculos sucederem-se e a ressurreição não havia meio de acontecer. Resvalou-se para a heresia da filosofia grega da alma e, literalmente, o homem-cristão perdeu o corpo. Mas ganhou o céu por antecipação, agora reduzido a um espirito.
Contudo, a teologia cristã conservou intacta a dourtina da ressurreição segundo S. Paulo. Eu considero este facto extarordinário e penso que chegou a hora em que os teólogos poderão tirar proveito da magnífica fé de S. Paulo na ressurreição do homem integral. Com efeito, num momento em que a ciência é cada vez mais assertiva na afirmação da unidade do ser humano e quando se valoriza como nunca a nossa realidade corporal, é a hora para os teólogos retomarem e reinterpretarem a doutrina da ressurreição paulina.
Já se percebeu que a "ressurreição" não será como S. Paulo imaginava, nem para quando a esperava. Talvez se deva pensar que o dom da ressurreição é uma tarefa a ser concretizada pelo homem, na perfeita continuidade do dom da vida.
A ser assim, o reencontro do homem com o seu corpo, cuidando da sua beleza e elevação, tanto quanto da saúde e elevação do espirito é o "sinal dos tempos" para ressurreição da humanidade. Quem achar a palavra "ressurreição" demasiado arcaica, chame-lhe "transformação".
Nunca foi tão perceptível como nos nossos dias, a transformação das sociedades. Para bem? Para mal?
Devo confessar-vos que ficou para sempre em mim um eco da “ressurreição “ de Paulo de Tarso. Deve ser por isso que sou um incorrigivel optimista. E continuo a acreditar que aquela transformação será para o sucessso da Humanidade. Em corpo e alma.
També penso que a pregação irá cerder o lugar à ciência. Einstein profetizou: "Os padres devem converter-se em professores".
(Se alguém fizer questão, posso indicar a página, o livro, a editora etc, como mandam as regras editoriais. Mas como estamos só a conversar, fica mesmo assim)

07 abril, 2011 00:02  
Blogger Mario Neiva said...

Este comentário foi removido pelo autor.

07 abril, 2011 12:23  
Blogger Mario Neiva said...

Da heresia, outra vez

Será que ainda há por aí alguém convencido que se passa das “trevas para a luz” ou da “morte para a vida”, sem ser através da transformação do homem integral, corpo e alma?
Nunca poderei estar, “em espírito”, absolutamente, com os meus colegas da AAA carmelitas em Fátima ou no Sameiro. Repito, nunca absolutamente “em espírito”, pela evidente razão de que nem eu nem os meus amigos somos espíritos. De modo que, se quiser estar verdadeiramente com eles, ou vou mesmo ou faço chegar a minha voz, a minha imagem, a minha palavra. Também já se diz que qualquer dia até vou poder fazer chegar o meu cheiro. Fica a promessa de que, antes de estabelecer o contacto, tomo um duche perfumado…e abstenho-me de comer grão-de-bico com toucinho ou arroz de feijoada, à maneira da nossa Falperra.
A minha convicção é de que o nosso corpo terá de fazer o percurso exacto da alma, porque um e outro não subsistem por si sós e o destino de um é o destino do outro. S. Paulo exprimiu-o à sua maneira e de acordo com o que lhe era possível no seu tempo, legando-nos a sua fé extraordinária na ressurreição do homem todo.
Esta ressurreição é um osso tão duro de roer, que só mesmo à martelada os cristãos vão acabar por compreender e aceitar o meu Paulo de Tarso. Até lá, não sei por quanto tempo mais, vão continuar a acreditar nas “almas do outro mundo”.
“Almas penadas”, diz-se aqui por Balugães.

07 abril, 2011 12:33  
Anonymous Anónimo said...

Arreeeeeeeeeeeeee macho, penados (depenados) vamos ficar nós agora, com o advento do FMI!...

08 abril, 2011 16:15  
Blogger jorge dias said...

De tanta ressureição, O Mário, já percebi, vai-se enjoar com o seu paulinho, sempre exagerado e radical como judeu e como convertido ao cristianismo, facto que os seus comentários já evidenciam. "No que toca à Lei fui fariseu; no que toca ao zelo, perseguidor da igreja; no que toca à justiça - a que procura a Lei - irrepreensível" Carreira das Neves,"O que é a Bíblia", Casa das Letras, Alfragide, 2008, pg 375; cf Fl 3,5-6 e 1 Cor 15,9.

Quanto a mim, se há coisa em Paulo de que gosto muito, a caridade é uma delas! Mas há leituras e leituras que de evidentes no exagero recuso liminarmente. Paulo é um seguidor como nós da boa nova de Jesus e tudo o que não seja lido nesta perspectiva não me seduz e recuso. Mas tem mais porque ao contrário dele eu nem sou nem fui perseguidor da Igreja. Os exagerados, seja Paulo ou outros, levam a recusa de todos os que calmamente, no seus actos reconditos e humildemente, amam os outros, cultivam a solidariedade, exortam os outros a ser e também são o que podem e acham que devem ser. Com tanta coisa que tem de bom, temos que dar o desconto a um PAULO que era exagerado em tudo! A verdade é que nem no amor pode haver exageros!

Quanto às ressurreições do Mário e de Paulo estamos conversados, acresce até que nunca percebi, na minha estupidez e ignorância, porque é que sem ressurreição nada faria sentido! Mas a questão é o exagero! Nada de confusões... Como se pode derrotar tantos humanos e condená-los a estúpidos por serem doutro pensar. Eu sei que o problema é meu e desses outros, Mas posso expressar-me, em contrário e em contraditório e ser na mesma feliz e gostar da boa nova. Eu percebo Paulo, nos seus problemas de saúde crónicos, manco de uma perna, com problemas de visão, careca e de estatura reduzidíssima, 1,5m de altura... só podia ser uma de duas coisas, um ignorado ou um radical. Foi a segunda. E tem piada que esta leitura que faço da sua personalidade até me agrada. Mas tenho que fazer o devido desconto para atingir a verdade e limar os exageros.

Sobra o tempo da celebração da palavra na missa, celebração da palavra e eucaristia, comentário de contraditório sobre um comentário de DC, devo esclarecer que posteriormente me dei ao trabalho de voltar a ler a exortação apostólica de Bento XVI, Verbum Domini, (Palavra de Deus) e curiosidade das curiosidades, este nosso Papa, agora que deixou de ser polícia da fé, e é mais pastor, explicita de uma forma muito interressante os múltiplos modos de celebrarmos a Palavra, sempre partindo do prólogo do Evangelho de S.João que, na prática, são as 24 horas do dia que se tornam espaço de celebração da palavra. Claro, isto é possível porque esta hierarquiazinha acha que agora já podemos ler a Bíblia! Há meio século os zelosos sacerdotes das comunidades rurais , e não só, ainda mandavam queimar a Bíblia e organizavam a reza do terço durante a missa! Cantei muita leitura em Latim em Santa Maria Madalena na década de cincoenta do século passado...Isto de tão recente ainda nos queima... que tristeza! Pois que haja saúde e alegremo-nos por ter mudado!

Uma outra ideia que tenho vindo a ventilar com pessoas ligadas à catequese, mormente hierarquia(sacerdotes)é o facto de que a profissionalização da catequese afastou as crianças dos momentos catequéticos por excelencia que eram os da celebração da palavra e eucaristia (missa)com as consequências óbvias que se têm vindo a evidenciar.

Pois alevá, contributos proactivos.

10 abril, 2011 02:59  
Blogger Augusto said...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

10 abril, 2011 17:24  
Blogger AAACARMELITAS said...

Na Rubrica do Vínculo há novidades.

10 abril, 2011 17:27  
Anonymous Mário Neiva said...

Dificilmente Paulo de Tarso foi alguma vez tão grosseiramente insultado como neste triste comentário do J.Dias. O empenho entusiamado de uma vida é considerado nada mais que fruto das suas pretensas fragilidades físicas! " manco de uma perna, com problemas de visão, careca e de estatura reduzidíssima, 1,5m de altura..."!!!
Foi preciso chegar a esta idade para ver um ex-frade, que se confessa cristão praticante, reduzir a meia dúzia de palmos a estatura colossal de um homem como o S.Paulo do cristianismo.
Consola-me hoje, mais do que nunca, a lembrança de mais um ditado popular, perfeitamente ajustado ao desastrado comentador: "vozes de burro não chegam ao céu".
E ainda sinto que estou a ofender o pobre do animal.

10 abril, 2011 23:42  
Blogger Teresa said...

Há uma frase muito bonita da Primeira Carta aos Coríntios que significa muito para mim:"O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, o coração do homem não pressentiu, isso Deus preparou para aqueles que o amam"(1Cor 2,9).
Isto significa a vida eterna, a vida para além da morte. A surpresa que Deus tem para nós. Para todos e para cada um sem distinção de raça, credo, sexo.
A vida na terra é limitada, tem um fim. Todos nós sabemos qual o limite: a morte. Então porque nos agarramos tanto às coisas deste mundo? Sejam elas materiais ou afectivas. Estamos aqui de passagem caros amigos, quer queiramos quer não.
Nada é de ninguém, ninguém é de ninguém como diz a canção.
Alegremo-nos porque Jesus está connosco para todo o sempre quer nos momentos bons e menos bons das nossas vidas. Ele está, Ele é a vida, nunca nos falta nem nunca nos faltará.
Jesus ressuscitou no dia da sua morte então nós como cristãos que somos temos que acreditar que o mesmo se passará connosco. O dia da morte é o dia do nascimento para a vida com Deus Pai.Ficarei triste sim quando os meus entes queridos morrerem,mas não revoltada porque separei-me deles apenas por breves momentos, até ao meu dia final também. Mas sei no entanto que com Deus estão melhor porque ele é Pai e quer o melhor para os seus filhos.
Apenas uma nova forma de vida a Ressurreição.

11 abril, 2011 00:01  
Blogger Mario Neiva said...

"O dia da morte é o dia do nascimento para a vida com Deus Pai". (Teresa Silva, coment anterior).

Foi exactamente isto que ouvimos "desde os bancos da escola". A genialidade e novidade (de Boa-Nova) da ressurreição de S.Paulo consiste em sugerir-nos que "o nosso nascimento para a vida com Deus Pai" faz-se no momento da Criação, que não é outra coisa senão o primeiro acto do amor divino, sendo que o segundo acto é "plenitude da Graça" na ressurreição com Jesus Cristo. Assim, a vida humana de cada um é um continuum nunca interrompido, e cada pessoa é amada desde o primeiro instante. A "primeira vida" seria para a morte, não fosse o anuncio da ressurreição. Este anuncio reduz a zero o aparente sucesso da morte ("Onde está, ó morte, a tua victória?" (carta aos Romanos).
S. Paulo ensina que vivemos no amor de Deus desde o nascimento e por isso afirma que trazemos em nós a semente da vida eterna,carregamos um tesouro em "vasos de argila e somos o templo do Espirito Santo.
Em linguagem moderna S.Paulo poderia dizer: o nosso futuro (ou a nossa ressurreição)já começou. E começou quando nascemos
Diga lá, Teresa, se esta perspectiva não é muito mais aliciante e consoladora!
E verdadeira, no conjunto da teologia de S.Paulo
Penso eu.
Grande Paulo de Tarso.

11 abril, 2011 08:43  
Blogger jorge dias said...

Pois é, afinal reagiste numa de emburrar! Cada um lá sabe o que serve na mesa da vida! E como dava agora para te dar a resposta com as leituras de ontem, e logo a de Lázaro... mas virias dizer que eu estava contra o teu Paulo de Tarso. Afinal só complicações e leituras travessas porque Jesus já tinha dito tudo e muito mais e de forma absolutamente mais clara e radical. Lê e relê Lázaro..., lê e relê. E para mim até foi por acaso que relembrei a leitura na liturgia dominical de ontem. E a homilia até que ajudou... Nem de propósito.

Mas há os que não gostam e sempre querem que os outros vejam só com os olhos que eles vêm, neste caso, os de Paulo. São jeitos … Na linguagem de burro a albarda vai sempre à vontade do dono.

No tocante ao Paulo dos cristãos tenho-o em grande estima e consideração não obstante, insisto, o crivo que temos que usar para lhe perceber os exageros! Não alinho nem pouco mais ou menos nas teorias do evangelho paulino ou coisa que o valha! A Paulo o que é de Paulo, grande, apesar das limitações humanas que a todos nos constrangem, mas a boa nova é Jesus e só Jesus.

11 abril, 2011 12:44  
Blogger jorge dias said...

Quanto às limitações físicas!

Cito parte do meu comentário e que exasperou o Mário:
“Eu percebo Paulo, nos seus problemas de saúde crónicos, manco de uma perna, com problemas de visão, careca e de estatura reduzidíssima, 1,5m de altura... só podia ser uma de duas coisas, um ignorado ou um radical. Foi a segunda. E tem piada que esta leitura que faço da sua personalidade até me agrada. Mas tenho que fazer o devido desconto para atingir a verdade e limar os exageros.”

Agrada-me mesmo e escrevi-o de propósito e não fora os exageros dele e de algumas interpretações, e de outra ordem seria o comentário.

Andas muito mal avisado, caro Mário, quanto às fraquezas, às limitações físicas dos humanos! Mais mal avisado ainda quando me dizes coisas dessas! Outros me disseram com arrogância parecida o contrário: que eu me devia distanciar mais dos que me pediam ajuda para as suas limitações físicas e psicológicas.
Leva-se por ter cão, leva-se por não ter cão! Ou então é a história do homem, do velho e do burro! És livre, se te der gozo, dá-lhe mais. Não no burro, que não tem culpa nenhuma...

O melhor cantador de improviso das folias do Espírito Santo de São Miguel, pessoa muito minha amiga e que prezo quanto posso, tem talvez menos que 1,55 cm de altura, foi vítima de poliomielite, usa uma prótese para andar e formou-se na arte de tão brilhantemente cantar as maravilhas do Espírito Santo por causa do isolamento em que sempre viveu por força da sua reduzida mobilidade! Chama-se António, trabalha num pequeno bar de aldeia, é um improvisador exímio e sábio porque lê muito sobre os conteúdos que canta. Por duas, três ocasiões, cada ano, toco violão na sua folia! Na grande parada do Espírito Santo, nas festas da cidade; na grande missa campal em frente à matriz local(ofertótio); nas sopas do Espírito Santo (mais de 12000 comensais no último ano) e sempre nas festas da freguesia. Meu caro, tocar com o manco a cantar é uma honra e um privilégio, e sempre sempre uma surprêsa os conteúdos!

11 abril, 2011 12:53  
Anonymous Anónimo said...

Saíste-me cá um perneta!... Borras a escrita e depois tentas disfarçar, com outro manco, mais curto que o primeiro.
Ganha juizo pá, já és grande.
Arre burrooooooooooooooooooo !...

11 abril, 2011 15:54  
Blogger jorge dias said...

Pois é, dava-te jeito, mas o que está escrito, está escrito e não é o que tu querias, foi apenas o que quis escrever e não rima com o que dizes. Mas, não obstante julgar que já tenho o juizo necessário, um pouco a mais do que é bom não faz mal a ninguém mesmo que servido com desdém! Mas blogue precisa de tudo até de um anónimo que só apareceu por causa do Paulo de Tarso dos crentes... Blogue é sempre tempo de coisas lindas que a palavra provoca... nas cento e vinte páginas que acabei de imprimir da primeira parte de um almmoço especial (TNRoman,12), ali se vêm as maravilhas produzidas por todos nós em palavra livre e libertante, por isso criadora! Unanimismos não são para aqui chamados porque essa é marca humana de cada um de nós, ser pessoa.

11 abril, 2011 19:45  
Blogger Mario Neiva said...

Se estás a sugerir que sou o anónimo do "arre burro" pára aí, que eu digo de cara descoberta aquilo que penso. Assinei sempre pelo meu nome próprio, excepto quando me nominei "O Malho", para a poesia e "Arimo", quando me iniciei no blog.
Voltando ao assunto que gerou esta breve picardia, foi pena que não tivesses feito o contraditório. E o contraditório faz-se argumentando sobre os facto, no caso, a "ressurreição segundo S.Paulo". Se as coisas não são como as expus, então como são e porquê?
Era por aqui que devias ter ido e não evocar as hipoteticas deficiencia físicas de S.Paulo, para desvalorizar o meu "parecer" e cometer a indignidade de ridicularizar o Apóstolo. O que mexeu mesmo comigo foi a tua aberrante e estapafúrdia conclusão de que a pregação de S.Paulo é o bolsar de um mesquinho complexo de inferioridade. Armado em perspicaz psicólogo reduziste à insignificancia a fé e a obra da enorme figura de S.Paulo.

11 abril, 2011 23:54  
Blogger domingos coelho said...

Meu Caríssimo Mário Neiva

Também eu esperava MAIS de outras cabeças.

Já agora e para esclarecer o digo, que não sou acólito.

12 abril, 2011 00:13  
Anonymous Anónimo said...

Sejam amigos, porque pernetas, manetas, ou o que quer que sejam, também têm direito à vida, penso eu de que...
Muitas vezes são os mais bonitos e jeitosos que pior ficam na fotografia. Olhem como ficamos de pantanas, com a sapiência destes carolas, todos aprumadinhos. E esses serão o quê? Rabetas?
Como diz o povo, cada um é como cada qual e cada qual é como realmente é!...

12 abril, 2011 18:05  
Blogger Filho do Manuel "Fodorico" said...

Mário

“ GRANDE TRABALHO”

Realmente a teologia paulina é um tratado, especial e privilegiado, sobre a graça de Deus. Lá encontramos inúmeras referências ao dom da salvação, gratuitamente colocado à disposição de quem crê, pelo Deus rico em misericórdia, que nos arrancou da morte e nos deu vida.

São Paulo é um comunicador por excelência. Ele rompe o círculo vicioso da pregação religiosa do seu tempo, em que os sacerdotes não saíam dos templos. Ele fez uma coisa que ainda hoje em dia há necessidade : saiu para ir onde o povo estava. Por esta razão, o papa Paulo VI disse certa vez que, se São Paulo vivesse hoje, certamente seria jornalista. Dentro dessa perspectiva é preciso ler a sua obra como uma reportagem que nos relata a grandeza de Deus e o grande amor do gesto redentor de Cristo.

Assim como um crítico especializado tenta, através de apologias, nos convencer do valor de um livro, de um filme ou de uma ideologia qualquer, assim o apóstolo viveu, viajou, pregou, fundou igrejas e deixou documentos para mostrar a todos a eficácia do Evangelho da salvação.

Compreender Paulo e a sua obra é sedimentar o nosso conhecimento sobre o cristianismo. Depois da Virgem Maria, ninguém amou mais Jesus que o apóstolo de Tarso. Ele é uma figura decisiva para a fé cristã e para a Igreja.

(Teria sido muito bom, ter encontrado o Mário Neiva em Fátima 2011)

12 abril, 2011 20:16  
Anonymous Anónimo said...

Ó Filho do Manuel"FODORICO":Achas que a pessoa que mais amou Jesus foi Paulo de Tarso( a seguir à Virgem Maria?) E a outra Maria-será a Madalena- de quem Ele disse..."Maria escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada"?

13 abril, 2011 00:30  
Anonymous Mario Neiva said...

Um perfeito anónimo disse de sua justiça. Cá por mim abstenho-me desse campeonato, que estou interessado noutro.

13 abril, 2011 09:06  
Anonymous Mario Neiva said...

Eu nem te reconheceria, FMF, a não ser que te revelasses. Vem ao Sameiro, que até poderemos trocar umas palavras acerca do Apóstolo que admiramos. De preferência antes de completarmos o repasto com um bagacito do Emidio porque, depois, vai ser mais complicado acertar no caminho para Damasco...
NO teu comentário referiste que S. Paulo "saiu dos templos, para encontrar o povo onde ele estava". Nem mais. Mas não terá sido porque tinha "espírito de jornalista" ou, na leitura do J Dias, porque sentia necessidade de superar o seu terrível complexo de inferioridade. Parece-me, sim, que saiu a pregar por todo o lado, porque para Paulo o Templo de Deus era o próprio povo, e cada pessoa o"templo do Espirito Santo". Quando exorta, com insistência, por vezes angustiado, para que os cristãos "tenham maneiras", ele está a pensar no "tesouro" que é cada pessoa, indistintamente de ser judeu, grego, gentio, homem, mulher, livre, escravo, nobre ou plebeu. E de modo algum exclui aqueles que nem sonham quão preciosa é a sua vida aos olhos de Deus, porque nunca ouviram o anúncio da extraordinária revelação que vem fazendo. S. Paulo sente-se impelido por uma visão grandiosa e gloriosa do destino da Humanidade inteira e é por isso que, incansavelmente vai i ao seu encontro.
Pouco lhe importa as leis e tradições. Que cada povo tenha as suas. O que ele suplica, às vezes com a alma em sangue, é que as pessoas tenham um comportamento de acordo com a nobreza ímpar da vida de cada um e com o destino glorioso reservado para todos, sem excepção. Pouco se importa Paulo que as pessoas comam ou não carne de porco. Podem valer pouco ou nada os rituais nos templos , o respeito pelo “sábado” ou o cumprimento estrito da Lei. E até não adianta insistir nos pedidos a Deus, porque o Pai sabe o que cada um precisa. Aliás, todos os dons de Deus já foram disponibilizados em abundancia aos homens. A todos os homens. Por Jesus Cristo, repete constantemente.
Eu podia trazer aqui inúmeras citações dos "quatro evangelhos" onde estes ensinamentos radicais de Paulo ecoam e escandalizam.
Quem repete quem? Como quem diz, quem escreveu primeiro? Parece que os biblistas concordam que foi S. Paulo!
Por duas únicas vezes S. Paulo refere os ensinamentos de Jesus n as suas Cartas. Uma das razões seria porque nenhum Evangelho fora ainda escrito…
Onde já vamos, FMF!

13 abril, 2011 09:07  
Blogger Filho do Manuel "Fodorico" said...

AMIGO Mário Neiva


"O Sameiro interessa-me
mas, os teus escritos muito mais"

A teologia de São Paulo é eminentemente cristológica. Embora use pouquíssimas vezes a expressão “filho de Deus”, Paulo sabe que esse título significa simultaneamente a cristologia (ontologia) trinitária e a função salvadora de Cristo. Toda a cristologia de Paulo é soteriológica (refere-se à salvação) em torno do mistério pascal, que abarca a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Acrescente-se aqui duas categorias típicas de Paulo para indicar, no crente, o fruto da obra salvadora: a reconciliação e a justificação.

É interessante observar que na sua teologia, Paulo emprega alguns “títulos cristológicos” bem reveladores, através dos quais exprime a sua fé no Ressuscitado e a sua forma de entender as realidades e expectativas soteriológicas. Recordemos alguns desses títulos, revendo o seu significado e ambientação cultural de cada um:


1. Cristo
É empregado por Paulo mais de quatrocentas vezes, mais que Jesus (usado 213 vezes); o Cristo-Messias dos judeus perde em Paulo o caráter nacionalista para significar somente o salvador escatológico de todos os homens;

2. Senhor
Utilizada cerca de 275 na literatura paulina, essa expressão kyrios (Senhor) foi transmitida a Paulo pela comunidade primitiva (cf. Fl 2,11; 1Cor 12,3; Rm 10,9). Esse título, em Paulo, é objecto de profissão de fé, e está ligado ao quadro da parusia (segunda vinda de Cristo), especialmente em 1Ts 3,13; 4,15s; 5,23;

3. Filho de Deus
Trata-se de uma expressão empregada muito menos (15 vezes) que as duas anteriores e indica uma relação íntima de Jesus com Deus-Pai. A ressurreição e a exaltação de Jesus tornam manifesta a sua condição de Filho de Deus.

13 abril, 2011 13:18  
Anonymous Anónimo said...

Imaginem, se o Paulo, não fosse manco, feio e baixinho, o que teria ele ensinado aos homens de barba rija e de caroço, medidos aos palmos, como se o tamanho fosse alguma qualidade!...
Arre burrooooooooooooo...

13 abril, 2011 18:33  
Anonymous Mário Neiva said...

Com têm reparado, não costumo identificar as citações biblicas que vou fazendo, não por displicência mas porque, normalmente, são "passagens" tâo conhecidas das pessoas que lêem este bloge que me permito este tratamento aligeirado.
Quem frequenta a missa dominical e não foi lá para "bater uma soneca", está fartinho de ouvir o que vou citando "de cor". Outras vezes, as verdades contidas são tão evidentes que pouco interessa quem as afirma. Se escrever aqui que a lua é o satélite natural da Terra, dispenso-me de identificar a fonte desta informação...
Posto isto e porque o J Dias não conseguiu localizar em S.Paulo, apesar das suas "leituras cruzadas" e das milhentas vezes que as ouviu na missa, aqui refiro a localização exacta, para memórias futuras, das palavras que lhe provocaram o desabafo "isto demais!" (ou algo parecido), como se pode ler aí acima.
Pois fica assim:
"Aquele que não conhecera o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que, por ele, nos tornemos justiça de Deus". E então aqui vai: 2 Corintios, Cap V, 21.
Quem diria que o J Dias teve como professor das Sagradas Escrituras e de exegese biblica um dos mais conceituados biblistas actuais, o frei Raimundo de Oliveira, confrade de frei Bento Domingues, ambos dominicanos! Eu também tive a sorte de aprender com eles e porque o assunto me apixonava, ainda hoje guardo tudo na memória e no coração.
E não vou à missa!

14 abril, 2011 08:24  
Blogger ACOSTA said...

Pois Mário Neiva, referes acima que não vais à missa, mas quem vai, talvez vá reparando que nalgumas igrejas, os antigos confessionários estão a ganhar pó,pelo pouco uso que porventura terão. Nem de propósito.Um clérigo da nossa praça queixou-se de que durante uma tarde de"confesso de desobriga" em que estavam 11 confessores, atenderam"de confissão" uma dúzia
(pasme-se) de penitentes.A seguir veio a pergunta a que deveria ser respondida pelo perguntador: O que está acontecer nesta paróquia?
Os fiéis acreditam no dito Sacramento da Confissão,tal e qual como hoje se apresenta? E acima de tudo, saberão o que estão a fazer quando estão frente-a-frente com o confessor?
Que formação é ministrada aos fieis durante o ano para que haja algum acto de reconciliação ?
Segundo a história da Igreja, os catecúmenos preparavam-se durante um período para receberem o Batismo.A isso chama-se trabalhar. E sem trabalho, não há resultado.

Este ano ainda"não cheira a Ramos nem tão pouco
a tempo pascal".Amanhã vou tentar ir para o meio
do"povo" e ver se começa a haver na rua algo que me convença de que estou errado, ou se este povo está mesmo alheado "das coisas do alto"(leia-se tempo de Paixão,como se dizia noutros tempos).

15 abril, 2011 00:53  
Anonymous Mário Neiva said...

Sexo a sério e a brincar

A propósito de um pequeno vídeo que recebi e reencaminhei, contendo uma cena de sexo explícito entre dois jovens. Serão imagens colocadas na net pelos próprios jovens ou serão retiradas de um qualquer programa big-brother. Reecaminhei para todos os meus contactos, sem distinguir idades ou “sexo”. Uma amiga minha que vive na Australia disse que não apreciava estas coisas e seria incapaz de reencaminhar para qualquer um dos seus filhos, já todos homens feitos. Considero a sua reacção normal e até seria de admirar que fosse outra. Com muito gosto, respondi-lhe assim:
Eu também não gosto absolutamente nada desses programas do big-brother e nem sei se as imagens foram retiradas de um desses programas ou se foram colocadas na net pelos jovens intervenientes na cena de sexo. Parece que agora há muitos que o fazem por simples brincadeira. A mim isso faz-me uma certa confusão, porque ligo muito o sexo à intimidade do amor verdadeiro entre duas pessoas, aliás como faço com tudo o que eu e o meu amor somos. Também por isso nunca fui capaz de sexo com prostitutas, pensando que me abandalhava e abandalhava a elas como seres humanos.

Quando "apertadinho" pela juventude de uma sexualidade exuberante, desenrasquei-me sozinho.

Há quem faça negócio vendendo sexo como quem vende a voz nos palcos ou a habilidade de pernas nos campos de futebol. (Não falo da aberração da escravatura do sexo, que está no plano da escravatura no trabalho).

Este casal de jovens estava a exibir a pujança da sua juventude sexual, possivelmente apenas divertindo-se e não vendendo um espectáculo.

Nós os dois fomos criados no seio de uma mentalidade anti-sexo, de uma forma ou de outra. Repara, BEBE, que nós podemos vender tudo o que é fruto dos dons que recebemos: o pensamento (pelos livros), a capacidade artística ou a força de trabalho, intelectual ou braçal. Fazemo-nos pagar, e bem, pela capacidade olfactiva, (a ciência dos perfumes), dos sabores (culinária), das imagens, dos sons...Mas, quando chegamos à nossa realíssima e importantíssima sexualidade, bloqueamos!

Ora a este respeito estamos numa fase de viragem e os jovens, como aquele casal, parecem fazer sexo com o mesmo à-vontade e prazer com que saboreiam uma bela refeição. E nós, "os velhotes", dizemos, lá no mais recôndito dos preconceitos herdados: "Mas que pouca vergonha!" Isto, se não for uma pontinha de inveja da sua juventude ou decepção por nunca termos tido a oportunidade de aproveitar a plenitude das nossas capacidades sexuais.

A nossa tarefa de pais ou avós é fazer-lhes distinguir aos jovens a brincadeira, da coisa a sério. Como em tudo nesta vida, afinal.

Acontece que a sexualidade é de tal maneira envolvente de toda a nossa pessoa, corpo e alma, que qualquer abuso pode ter efeitos devastadores na saúde mental e física. E terá sido a consciência e a experiencia deste facto que conduziu aos tabus sexuais. Penso que a intenção dos nossos pais e avós foi sempre a melhor, quando criaram aqueles tabus. E se hoje temos de fazer um esforço para compreender os jovens que "brincam" com o sexo, não é menos importante que façamos um esforço para compreender os nossos antepassados.

Acabo sempre a confessar quanto amo os meus avós e os compreendo...

Um abraço

Mário

15 abril, 2011 09:14  
Blogger Filho do Manuel "Fodorico" said...

Amigo Mário Neiva

Só um pouco mais...

Uma vez conhecida a obra escrita de Paulo, entendemos que seja mais fácil viver de forma aprofundada o nosso ser-Igreja, despertar o nosso senso missionário e conhecer a universalidade da oferta da salvação, tentativa que, sem o conhecimento das epístolas, seria uma temeridade, ou mesmo um trabalho com bases doutrinárias insuficientes, isto equivale a dizer que as cartas de São Paulo trazem consigo todo o fundamento teológico da salvação que ele viveu, pregou e legou eternamente à Igreja de Jesus Cristo.

É este o motivo, porque as epístolas de Paulo constituem, não só para o cristianismo, mas para todo o pensamento ocidental, um ponto alto capaz de reunir em si a antropologia das raças envolvidas no processo, as culturas que se reuniram sob a doutrina, bem como as características históricas de uma época. O pensamento ocidental – nunca é demais repetir – seria bem mais pobre se não possuísse as razões filosóficas, as construções literárias e a teologia mística de Paulo de Tarso.

15 abril, 2011 18:44  
Anonymous Mário Neiva said...

Isso é bem verdade, FMF. S. Paulo, ao transformar Jesus Cristo no novo "Pai da Humanidade" (o novo Adão) abriu os horizontes do estreito e restrito "messianismo judaico", conferindo ao cristianismo um carácter universalista e cósmico, associando, definitivamente, a humanidade toda e o mundo, ao plano de "salvação" de Deus.
O trabalho dos teólogos terá de ser feito a partir desta base tão abrangente quanto extraordinária na sua visão, apresentando propostas para a interpretação, aqui e agora, de como se realiza a "salvação" e até mesmo em que consiste.
S. Paulo falou da ressurreição como um "mistério". E tentou dar umas "dicas" aos Corintios como se processaria: grão de trigo lançado à terra, que morre para dele nascer a nova planta.
Pois até hoje continua mistério, excepto para aqueles (hereges) que negam a morte completa do homem.
Compete aos teólogos fiéis à ressurreição do "homem" segundo S. Paulo, tentar penetrar nesse mistério e saber ler na história humana e na história do próprio universo os sinais do ressurgimento profetizado. Porque se é o mundo e o homem que hão-de ressuscitar ou transformar-se, terão de ser perceptíveis os avanços nesse sentido glorioso.
Quando isso acontecer, isto é, quando os teólogos assumirem, sem reservas, a incrível e paradoxal proclamação da ressurreição do Homem e do Mundo, nesse dia vê-los-emos, os teólogos, debruçados atentamente sobre os desenvolvimentos da História de ontem e de hoje, conscientes de que a ressurreição é um processo em curso. E também teremos, finalmente, uma Igreja com os olhos postos no presente e no futuro, com o mesmo empenho com consegui u preservar ao longo de dois mil anos o messianismo revolucionário da universalidade do destino do homem e do mundo.
E se Paulo de Tarso foi o pai desta ideia, quem a fecundou, de facto, foi quem lha revelou: Jesus Cristo.
Por isso, FMF, dizes bem que "toda a cristologia de Paulo é sotereológica", significando isso que a "salvação" vem pela ressurreição. Primeiro, do próprio Jesus Cristo, depois e por sua graça, de todos os homens e do próprio mundo.
Quem não entender esta intima conexão entre Jesus Cristo, a humanidade e o mundo, no nascimento, vida, morte e ressurreição de todos eles, nunca entenderá "direito" a cristologia de S.Paulo, que eu considero o coração do cristianismo e que foi preciosa e religiosamente preservada na teologia católica.

16 abril, 2011 10:49  
Anonymous Anónimo said...

Aprende JD, porque quem fala (escreve) assim não é coxo, nem maneta...

16 abril, 2011 12:55  
Anonymous Mário Neiva said...

Antes de escrever mais um apontamento sobre a ressurreição cristã queria pôr em relevo um facto de extrema importância para, por um lado entender S.Paulo e, por outro, como os teólogos deverão pensar a ressurreição no sec . XXI.
Insisti na comparação que Paulo de Tarso faz entre Adão e o Novo Adão, Jesus Cristo. Naturalmente, S.Paulo baseou a sua cristologia no pressuposto de que Deus realizou a criação no curtissimo espaço de tempo de apenas seis dias e terá suposto que a ressurreição da Humanidade seguir-se-ia imediatamente à chegada da "plenitude dos tempos", a nova criação em Jesus Cristo. Esta, como a antiga, realizar-se-ia num breve tempo.
Assim, nunca podemos ler S.Paulo sem pensar que ele escreveu, convencido de que a História do "velho mundo" chegara ao fim (e Paulo não falava em sentido figurado, mas do mundo real e do homem real) e uma criação nova estava iminente.
Neste século XXI sabemos que o "velho mundo" não foi criado nem em seis dias nem em seis biliões de anos. Também, se quisermos ser rigorosos, nem foi criado em tempo algum, porque...simplesmente não havia tempo! Pois é verdade: o próprio tempo é parte integrante da obra da criação!
E já que estamos aqui, permito-me lembrar que a ciência, depois de muito tempo sem saber o que pensar do tempo em relação ao universo, decidiu-se que o tempo não existe fora do universo mas é uma das suas componentes. Lógicamente, nem existiu antes, nem lhe poderá subsistir. Isto é do caraças!
Concluo, portanto: quando os teólogos "actualizarem" a narrativa da criação do Genesis para a ciência dos nossos dias, caber-lhes-á também a tarefa de actualizar a ressurreiçao de Paulo de Tarso para uma humanidade em evolução. No minimo, e como já sugeri, terão de pensar uma ressurreição em desenvolvimento.
No fundo, será fazer a Paulo o que ele fez ao judaismo: abrir horizontes insuspeitados, a partir de uma fé antiga que ele nunca deixou de compreender e amar.

18 abril, 2011 23:38  
Blogger jorge dias said...

Caríssimos aacarmelitas,
Apenas para dar sinal de vida já que a preparação de "Um almoço Muito Especial" para livro me tem levado dias atrás de dias!

Estou vivo e satisfeito com as nicadas que vou levando! Satisfeito por ver quebradas barreiras e a palvra expressa, mesmo que agressiva ou de desdém, à boa maneira portuguesa,
a produzir os seus efeitos catárticos, generativos. Verifico também muita palavra pela afirmativa e provocatoriamente desafiante!

As duas faces da moeda sempre estarão presentes na vida humana! Essa é a nossa condição!

Ao ler, reler, realinhar todo "Um Almoço Muito Especial" vezes sem fim me dei conta das vicissitudes mil que a palavra vai tomando, das emoções que exprime e de como no rasto do seu turbilhão emerge aaacarmelitas e a amizade entre os comentaristaultimar. Como está a ser gratificante...
Deixo-vos com um naco da nota introdutória que pessoa amiga está a ultimar. Volto

19 abril, 2011 01:47  
Blogger jorge dias said...

Meus caros aas,

Excerto:

"São vibrantes,intelectuais, emotivos, às vezes, redondos!
Provocação e picardias mil!
Vêem na montanha, vales e variedades que ninguém supunha ela conter.
Têm desafios míticos e místicos, cósmicos e galáticos, contemplativos e ascéticos, individuais e coletivos!
Tratam Deus por tu, por irmão, por irmã, por pobre, por rico, por pessoa, por gente! Por fonte, uno, a energia sem fim… Assumem até que estariam lá onde as pessoas são para Ele ser, se por hipótese não fosse.
Querem o mundo pensado, à mão; querem encontar as margens, inventar rios navegáveis, lançar pontes…
Vão a todas porque, quando se trata o pensamento por tu, sentem que estão em família e o pior que pode acontecer…é que só se podem salvar com todos os outros! Não são mais religiosos professos nem padres, mas é como se fossem! E ainda bem.
Para onde vamos?
Eles sabem que vão… e que indo fazem acontecer a narrativa das suas vidas, do outro homem, de Deus…e parecem felizes.

Para onde vamos?
Quando lemos os comentários destes aas sabemos que vamos…que todos vamos, porque aqui ninguém fica de fora!
Como vamos e o que nos dizemos e fazemos no caminho a cada momento, a cada dia, até à margem para onde vamos, eis a questão, eis os comentários…

Um Almoço Muito Especial é um espaço e um tempo, de um ontem feito hoje, onde todos têm lugar e o vento da palavra é sempre, provocatoriamente, fresco!"

19 abril, 2011 02:03  
Blogger Filho do Manuel "Fodorico" said...

A aproximação da Páscoa, por todas as reflexões que nos suscita, leva-nos a pensar no mistério da salvação que o Pai, por meio de Cristo, preparou para nós. A salvação, indiscutivelmente é um dom de Deus! Ela é graça, algo que o Pai nos dá “de graça”, sem que mereçamos. Ele nos dá os seus dons – e privilegiadamente a salvação – porque ele é rico em misericórdia . A História da Salvação, que tem início com a própria história do homem, revela aquele mistério de uma divindade que, podendo bastar a si mesma, preferiu contar com o concurso dos homens na conclusão da criação do mundo.

Quando nos vem à cabeça o assunto salvação, nunca é demais lembrar que “Deus escolheu todos para a salvação”, embora muitos, cegos pelos ídolos modernos, da riqueza, da vaidade e do prazer, neguem, duvidem ou rejeitem essa oferta. A História Sagrada está cheia de gestos de salvação. Na verdade, o termo salvação aparece mais de oitenta vezes na Bíblia, isso sem contar os seus derivados (salvar, salvado e salvador).

Todos os escritos do antigo Testamento, entre eles alguns que citamos abaixo falam a respeito da salvação que vem de Deus:

• Em tua salvação espero, ó Senhor (Gn 49,18);
• Sinto-me feliz com a tua salvação (1Sm 2,1);
• O Senhoré minha luz e salvação (Sl 27,1);
• Sim! Deus é minha salvação! (Is 12,2);
• [...] e todos verão a salvação de Deus (52,10);
• Só o Senhor nosso Deus é a salvação Israel (Jr 3,23);
• Ao Senhor pertence a salvação (Jn 2,10).

O facto é que encontramos notas à salvação desde o Gênese (49,18) até o Apocalipse (19,1). No episódio da expulsão de Adão e Eva do paraíso encontramos, ainda que meio encobertos pela linguagem antropomórfica do autor sacro, dois gestos que apontam para a salvação futura: a) a promessa de inimizade entre a descendência da mulher e a posteridade do mal; b) a manutenção de um anjo à porta do paraíso, guardando a entrada, evidenciando que ele estava reservado, a espera do homem, após cumpridas as suas etapas de salvação.



Quem perseverar até ao fim será salvo! (Mc 13,13).

19 abril, 2011 18:26  
Anonymous Mário Neiva said...

Meu caro FMF, falta referir o principal, para sabermos do que estás a falar: o que é a "salvação" e o que quer dizer "ser salvo"? A pergunta é legitima porque, olhando à nossa volta, verificamos que aquilo que normalmente se entende por salvação não aconteceu para ninguém, pois todos continuamos sujeitos a uma vida mais ou menos atribulada e todos desaparecemos no pó da terra de onde surgimos.
Parece-me, FMF, que não dá para contornar o "Evangelho de Paulo de Tarso", que também poderiamos chamar de "Evangelho da Ressurreição".
Reentrar no paraíso original é impossivel, pela presença do anjo que guarda a entrada. Mas também não é do interesse do homem lá entrar, depois de ter saboreado o fruto da arvore da ciência e ter começado a sonhar com a imortalidade...

21 abril, 2011 01:25  
Anonymous FMF said...

Vamos mais adiante ...

No Novo Testamento, a partir da encarnação, na hora da anunciação o anjo revela a Maria que Jesus salvará o seu povo dos pecados (cf. Mt 1,21). Há uma fé que salva: Tua fé te salvou (Mc 5,34). Na práxis do Messias constatamos que o Filho veio buscar e salvar (Lc 19,10). O apóstolo Pedro, com medo das ondas, bradou: Senhor salva- me! (Mt 14,30).

Em Filipos, Paulo e Silas catequizam o carcereiro: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo; tu e a tua família” (At 16,31). De facto, Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores (1Tm 1,15). A grande verdade é que a Igreja professa a sua fé nessas realidades: “A nossa proteção/salvação está no Nome do Senhor, que fez o céu e a terra”.

Quando estudamos alguma coisa a respeito da salvação, ouvimos falar em soteriologia, um termo estranho que no princípio mais confunde que ajuda. Na verdade, trata-se de uma palavra grega que se refere à sotéria (salvação). Assim, soteriologia é a justaposição de sotéria com loguia (estudo). Soteriologia, portanto, academicamente definindo, é a parte da teologia que estuda a salvação que vem de Deus através do seu Cristo. Nesse particular, Jesus é o sotér (salvador).

A salvação é um dom gratuito

Deus ama-nos e deseja que saibamos que a salvação não ocorre pelas nossas “boas obras”, mas é um dom. O caminho da salvação provido por Deus é receber Cristo pessoalmente, confiando nele somente para nos salvar.

Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom
gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso
Senhor (Rm 6,23).

Não podemos alimentar a vaidade de nos considerar dignos
da graça de Deus. Salvação – nunca é demais repetir – é um
dom gratuito ao digno e ao indigno, ao que não merece, e
todos nós estamos nesta categoria, afinal, Cristo morreu
pelos ímpios (cf. Rm 5,6).

Porque pela graça vocês foram salvos, mediante a fé; e isto
não vem de vocês, é dom de Deus; não das obras, para que
ninguém se glorie (Ef 2,8s).

21 abril, 2011 14:24  
Anonymous Mário Neiva said...

UM GRANDE EQUIVOCO NA SALVAçAO

(A pedido de uma senhora amiga que faz parte de um grupo de reflexão sobre "Igreja como Comunhão", da diocese de Viseu, escrevi este texto que se encaixa bem no tema da ressurreição que tenho vindo a tratar e no comentário do FMF).
Então aqui vai:

“Salvar”, “salvação”, “ser salvo” , “salvador”, “plano de Salvação”.

Quem foi criado dentro da cultura cristã ouviu insistentemente, desde criança, uma pregação que nos garantia um destino com final feliz. Mais do que um “final feliz” , a mesma doutrinação falava de uma verdade muito mais próxima, actual mesmo, garantindo-nos que já “estamos salvos”, porque “fomos salvos” pela “chegada do salvador”, Jesus Cristo.
Anteontem, ouvi o cardeal Patriarca D. José Policarpo, numa breve declaração para a TV, fazer a afirmação, recorrente em qualquer prelado ao clérigo, de que “Jesus Cristo transformou o mundo”. É, nem mais, uma outra forma de afirmar que “Deus nos salvou”.
Adivinho o comentário irreverente de um desses jovens da “geração à rasca” ou mesmo de uma geração desenrascada: ah pois! Está-se mesmo a ver em que resultou essa transformação!
De facto, olhando à nossa volta, para trás ou perspectivando o futuro próximo, o que nos ocorre dizer é precisamente o contrário, que estamos salvos coisa nenhuma e a transformação parece ter sido para o caos.
E começa aqui o grande desencontro entre a pregação cristã e as aspirações legitimas de jovens que cresceram a ouvir anúncios e promessas de um sucesso ou de uma realização para a nossa vida , promessas nunca até hoje concretizadas. Constata-se que o panorama não podia se mais desolador.
As palavras “salvar”, “salvação” e “salvador” soam ridículas e falsas ou, em alternativa, a conclusão lógica é que se referem-se e destinam-se a outra realidade, a outra humanidade, a outro mundo que terão muito pouco, ou nada, a ver com o nosso universo.
Os cristãos que lerem o que acabo de escrever, se pararem um pouco para meditar, hão-de intuir que algo está profundamente errado. E posso adiantar-vos que a “culpa” do grande erro não pode ser assacada ao pecado ou à dissolução crescente da ética e da moral, como os “pregadores” pretendem, mas à ignorância de quem catequiza e à passividade de quem , desse jeito,se deixa catequizar.
Não há como ir à raiz das coisas para detectar a falha e corrigir o percurso.
O falhanço da pregação cristã ficou a dever-se à infidelidade gritante ao “evangelho” por parte dessas igrejas cristãs e, nomeadamente, da cristã católica onde me criei. As igrejas cristãs andam há muitos e muitos séculos a pregar para “meio-homem”, desprezando, por vezes até ao absurdo, a outra metade.
O cristianismo recebeu um Evangelho lindo que se destina ao homem inteiro e foi a pregação desviante até à heresia, que mutilou inesperadamente a humanidade, pregando para o espírito ou alma humana um evangelho destinado ao homem uno e integral, que vive solidário, morre solidário e ressuscitará solidário. Ao esquecer, na prática, a “ressurreição da carne”, retirou todo o sentido à ressurreição, até porque a alma passou a ser considerada imortal. Logicamente, aquilo que não morre não carece de ressurreição.
Depois dos sinais tão claros- os milagres evangélicos-de que a salvação se destinava ao homem integral de corpo e alma, custa a compreender como ainda se persiste no desvio. A cura da lepra, da cegueira ou da paralisia, bem como dar de comer, dar de beber ou vestir ao irmão, são actos que estão na mesma linha da ressurreição de Lázaro. Neste último sinal da ressurreição de Lázaro, não é a simples cura de uma enfermidade ou o socorro de uma necessidade particular, mas a salvação completa do homem, arrancado às garras da doença total que é a morte.
Perdeu-se o verdadeiro sentido dos sinais milagrosos.

21 abril, 2011 16:40  
Anonymous Mário Neiva said...

(Continuação)

A ressurreição evangélica destina-se a este homem que morre de verdade e não é, a ressurreição, figura de uma ressurreição espiritual, de uma coisa estranha chamada alma. O evangelho não ressuscita ou salva almas, mas ressuscita ou salva homens. O evangelho não propõe a perfeição dos espíritos mas a perfeição dos homens. Em linguagem clara se dirá que o evangelho anuncia tanto a perfeição dos sentidos quanto a perfeição do espírito. Em consequência , não existe perfeição de uns sem a perfeição do outro.
E nisto consiste a proclamada ressurreição cristã, que de forma afrontosa para os platónicos e maniqueus consagrou na fortíssima expressão “ressurreição da carne”.
E a teologia católica preservou esta preciosidade.
À luz deste evangelho “escandaloso” não é possível um crente cristão imaginar que pode “fazer comunhão” aproximando-se “em espírito” de alguém a quem, “em espírito”, considera irmão. Infelizmente é este espectáculo vazio de sentido que me foi servido desde criança: dentro da igreja, na missa, somos “caríssimos irmãos” e, fora de portas, foi sempre um salve-se quem puder para comer, vestir-se, abrigar-se, educar-se. O cristianismo do evangelho degenerou na “salvação da alma”.
Temos de reconhecer que é bem mais fácil pregar sermões para o espírito que cuidar da perfeição do corpo e da alma do nosso irmão.
Sobretudo muito mais barato.

21 abril, 2011 16:43  
Blogger Lima said...

Verdadeiro "evangelizador", o Mário!

21 abril, 2011 19:33  
Blogger jorge dias said...

Gostei bastante destes dois últimos textos. Um de FMC e outro de MN.

Duas observações. Uma para cada um dos comentários no termo desta metanoia que estamos acabando de viver!

Para o FMC,
Se a fé é que nos salva, e se ela é dom de Deus, que necessariamente uns terão e outros não, afinal qual será o critério da escolha de Deus? Ou será que o dom é universal?

Para o Mário,
Julgo que é preciso ir mais longe que o que vais no teu texto - comentário. Bento XVI vai muito mais longe na explicitação da salvação na encíclica "In spe salvi facti sumus".

Continuo a cuidar do nascimento de "Um almoço muito especial!"

Para o Rosalino, então, porque é que FMF não é também verdadeiro evangelizador"?
E já agora a quem mais será extensiva a mística cristã deste espaço bloguista!?

Sede grandes e gritai que sois... A auto estima sempre começa por nós e sempre reverte para os outros.

21 abril, 2011 23:51  
Anonymous Anónimo said...

Andas com dor de cotovelo.

Boa Páscoa, para todos.

22 abril, 2011 09:28  
Anonymous Mario Neiva said...

Este Lima é de Lima Barbosa e não Durães. Em breve poderei abraça-lo, aqui em Balugães. Espero levá-lo à Senhora Aparecida e desafiá-lo a passar por debaixo do penedo da aparição. Se tiver pecados mortais, o pedregulho cai-lhe em cima. Eu passo primeiro, e se o penedo não cair (como das outras vezes) sobre este excomungado, a integridade do aa Lima Barbosa está garantida.
Ia desejar Boa Pascoa para todos, mas fica para depois porque, antes, ainda vem mais um texto sobre a ressurreição, em plena Semana Santa, que é suposto ser de sofrimento e morte.

22 abril, 2011 15:39  
Anonymous Anónimo said...

1)
Olá amigos todos,e em especial Mário Neiva, Jorge, FMF, Duraes, Coelho e etc. que tendes vindo a discutir tão sumas e divergentes verdades, com elevado grau de sabedoria e conhecimento.
Nesta Sexta feira Santa, também eu vos venho pregar um bocadinho, já que nunca me esqueci das procissões da Semana Santa em Braga, em que éramos integrados, assim como me não esqueci das via sacras que se faziam na minha aldeia quando eu era criança e a que ninguém podia faltar, sob pena de ser criticado e apontado por toda a gente na aldeia.
No que se refere às primeiras, isto é, às procissões da Semana Santa em Braga, ainda me recordo vagamente das que ocorreram quando eu andava no 1º ano , pela Páscoa de 1959. Fomos lá na 5ª Feira Santa e na 6ª. Feira Santa. Numa delas, já não sei em qual, se quinta se sexta, mas foi numa que decorreu durante a noite, choveu que Deus a dava! E lá íamos nós a apanhar água, que guarda chuvas não havia. E aquela gentinha, que estava nos passeios devidamente agasalhada a ver a procissão passar, lá ia tecendo os seus comentários que eu ia captando. E íamos tão molhados que, a páginas tantas, uma matrona que estava no passeio , chega-se ao pé de nós, toca nas orelhas parece-me que do Maciel, e tece este comentário: “Coitados. Este até as orelhas leva encharcadas!”
Chegámos à Falperra com a roupa colada ao Corpo e foi um alívio tirar a roupa molhada e vestir o pijama. Lembro-me também que a camisa branca do Constantino estava toda colorida com a tinta azul do fato que ele usava…
Bons tempos.
Mas o que mais interessa é entrar agora na discussão dos vossos elevados pensamentos doutrinais. Pois, como acima disse, na minha aldeia havia a via sacra e ai de quem faltasse!
E porquê? Porque, além de ser criticado, ia direitinho para o inferno. É que a religião não era brincadeira. E, ou se era cristão e se ia à igreja, ou era o cabo dos trabalhos. E isto porque na altura só havia 2 hipóteses: Ou se era cristão , ou se era mouro. Havia duas espécies de cristãos e duas espécies de Mouros. Havia os mouros que eram mesmo mouros, e os” mourinhos”. Os mouros mesmo mouros iam para o inferno. Os “mourinhos” eram as criancinhas acabadas de nascer que ainda não estavam baptizadas. Logo que fossem baptizados, passavam a cristãos e já podiam ir para o céu.
Quanto aos cristãos, as duas espécies eram: Os que iam à missa e os que não iam. Para os que iam à missa, tudo bem. Os que não iam, eram chamados de Maçónicos e iam para o inferno. E havia também os judeus, estesa só em papel e nas capelas da Senhora da Assunção,em quem escarrávamos por serem maus e haverem matado Nosso senhor. Mas estes não eram mouros nem cristãos.
(Continua)

22 abril, 2011 17:11  
Anonymous Anónimo said...

2) - Continuaçõ)
Então esta teoria não é muito mais simples que a vossa? Para quê andar a queimar pestanas e a gastar as ferrites do cérebro com tanta coisa como vós fazeis?
E a respeito da via sacra: Num certo dia foi à nossa aldeia um “peleiro” dos lados de Vimioso que andava a comprar peles e a vender navalhas. Ia a cantar escarranchado em cima da mula em plena sexta feira santa. E logo a ti Maximina, que era uma das mordomas da igreja, o repreendeu: “Ó homem, então vossemecê está a cantar? Não vê que está Nosso Senhor morto? Ao que ele, muito inocentemente respondeu: “Ai está morto?... E eu que nem soubera que ele estivera doente!” E o “peleiro” lá teve que ir à via sacra com a restante gente. Era a minha tia Marquinhas que rezava a via sacra e ela lá ia declamando: “Jesus cai pela 1ª vez”, ao que o “peleiro”, comovido, exclamava: “Ai coitadinho”. Quando a minha tia ia dizendo “Jesus cai pela 2ª vez”, ou “Jesus cai pela 3ª. Vez”, e dali em diante“Jesus é flagelado”, “ Jesus é coroado de Espinhos”, etc. , lá vinha o comentário do “peleiro” : “Ai coitadinho”.
Foi-se embora o” peleiro” e por mera coincidência voltou no ano seguinte e lá foi também à Via Sacra. E ficou muito espantado ao ouvir a minha tia dizer : “ Jesus cai pela 1ª vez”, “Jesus cai pela 2ª vez”, “Jesus é flagelado”, Etc. etc. E então o ”peleiro” não se conteve e disse em voz bem alta: “Foi-lhe muito bem feito! Já no ano passado cá veio e fizeram-lhe a mesma coisa! Para que é que ele cá voltou este ano,o burro?”
E é assim.
Um abraço
Emídio Januário

22 abril, 2011 17:26  
Blogger FMF said...

Jerusalém, até hoje, século XXI, existe uma porta que se mantém fechada (a “porta dourada”), à espera, segundo os habitantes da cidade, do dia em que o Messias chegar, ele vai cruzar por ela.

Nos tempos messiánicos, Jesus foi reconhecido pelo acto de “partir o pão”, prefigurando a fartura do Reino. A Igreja anunciou o dia da salvação, como um acontecimento salvífico já em ocorrência (cf. 2Cor 6,2). Ao referir-se ao tempo favorável (um kairós) o Novo Testamento está-se a referir a um período oportuno, próprio para a construção dos caminhos da salvação. Sob a inspirada óptica de São Paulo, a salvação tem os seguintes envolvimentos:

• a filiação divina, pela graça (cf. 1Ts 5,5);
• o arrependimento (cf. At 2,3s; 2Cor 7,9);
• a conversão (cf. 1Tm 4,16);
• a justificação (cf. Rm 3,21);
• a santificação (cf. 1Ts 4,3);
• uma transformação segundo Cristo (cf. Cl 2,10);
• a glorificação do homem (cf. Rm 8,30).

Repetindo, Jesus foi reconhecido pelo acto de “partir o pão”. E nós? O que fazemos com os nossos bens, com os nossos talentos, com o nosso pão. Esta é uma questão pela qual podem passar todas as nossas perspectivas de salvação. Como o clímax das “coisas novas”, a boa notícia consiste em que todos saibam que “o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo” (cf. 1Jo 4,14).

A essência dessa boa notícia de Cristo é a salvação que Deus preparou para o homem desde o início dos tempos. Deus é amor e criou o ser humano num gesto de amor, para o amor.

Toda a História da Salvação poderia-se resumir nas descidas de Deus para tornar possíveis as subidas do homem. No evangelho, do começo ao fim, Cristo aparece sempre a descer. Desce ao pobre para saciar-lhe a fome; desde ao cego para restituir-lhe a luz dos olhos; desce ao paralítico para lhe dar movimento; desce ao cadáver para vivificá-lo com o sofro da vida; desce ao pecador para lhe dar a bênção do perdão. Desce, finalmente, até à morte de cruz, para que nós pudéssemos subir até à vida divina.

Eu espero, sinceramente, que se sintam despertados pelo desejo de salvação e, ao mesmo tempo percorram os itinerários que conduzam à bem-aventurança eterna, projectando a sua conversão ao Deus da vida, na imitação da fé e da coragem dos santos. Nas orações que fazemos diuturnamente, nunca devemos esquecer a necessidade de orarmos pela salvação. A nossa e a dos outros.

Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em
teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos,
serás salvo (Rm 10,9).

22 abril, 2011 21:55  
Blogger domingos coelho said...

DESEJO A TODOS VÓS uma PÁSCOA FELIZ


Para os Judeus a páscoa é a data que celebra a saída do seu povo da condição de escravo na terra do Egito rumo a terra prometida. Um dia onde os Judeus celebram a Libertação. Já para os cristãos, páscoa também tem o mesmo significado, ou seja, libertação, porém numa dimensão mais profunda, isto é, uma libertação para sempre. Jesus o Deus Encarnado após descer de sua realeza assumindo toda a condição humana, menos o pecado, instala o Reino dos Céus no meio de nós vence a morte com sua Ressurreição.

Jesus (Deus Filho), após se fazer cordeiro e ao se entregar por amor liberta a humanidade. No seu sangue, através da sua morte, e morte de cruz como relata São Paulo, fomos lavados e purificados de toda a iniquidade com a sua Ressurreição abre os céus a todos nós, e assim, somos agraciados com a vida eterna. Portanto, em Jesus tornamo-nos vencedores, porém ele pagou um preço muito alto pela nossa liberdade alforriando-nos com a sua própria vida.

Em suma, celebrar a páscoa é reflectir este grande mistério. O mistério da vida que vence a morte pela ressurreição, trazendo-nos a certeza que todos em Cristo somos vencedores. Destruir a morte é acreditar que através da Ressurreição se destroem as doenças, as enfermidades, os males físicos e mentais que nos aprisiona e nos mata a vida.

Eu penso que a “Pior” morte não é a biológica, mas sim a morte espiritual, a morte da esperança, pois é aquela que nos mata para a beleza da vida impossibilitando de a viver na sua plenitude e abundancia. Viver a páscoa é construir uma nova filosofia de vida. É viver uma nova proposta de vida, acreditar na eternidade, se não acreditarmos nesta verdade, vã é a nossa Fé. A Fé do cristão está contida em acreditar na vida eterna, na Ressurreição que foi conquistada, não pelos nossos méritos, mas pela graça, pela misericórdia e pelo sangue precioso de Jesus Cristo.
D/C.

22 abril, 2011 22:34  
Anonymous Mário Neiva said...

"Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em
teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos,
serás salvo (Rm 10,9)".

Meu caro FMF, pegar assim em frases de S.Paulo e isolá-las do conjunto do seu "evangelho" conduziu aos maiores equivocos, ao longo da história do cristianismo. Ficaram para a história relatos de cristãos que, interpretando à letra, passagens como a citas de Rom.10,9, saiam para rua gritando o nome de Jesus,e confessando espontaneamente a sua fé e provocando, desse modo, os romanos a fim de que estes os prendessem e matirizassem, convencidos que, assim, ganhariam de imediato o paraíso, pois a fé seguida do martirio os absolvia de todos os pecados.
Como era fácil uma tal salvação! Dois coelhos numa só cajadada: deixava-se uma vida miserável e ganhava-se a felicidade eterna!

"Eu penso que a “Pior” morte não é a biológica, mas sim a morte espiritual, a morte da esperança, pois é aquela que nos mata para a beleza da vida impossibilitando de a viver na sua plenitude e abundancia".

Meu caro Domingos,não se pode põr em confronto "morte biológica" e "morte espiritual" porque são duas realidades completamente distintas. A morte biológica significa o fim de tudo. Não mais se pode respirar ou comer, como também jamais se pode amar ou pensar. E é uma realidade irreversivel.
A "morte espiritual" ocorre solidariamente com a morte biológica, a não ser que estejemos a falar de "morte" em sentido figurado, como acontece na citação que trouxe do teu comentário. E este género de "morte" é perfeitamente reversivel, podendo o "morto" reganhar a esperança perdida.
Assim sendo, parece-me bem pior a morte biológica porque esta, sim, leva-nos tudo e definitivamente.
Parece uma diferença pequena e "inocente", não é verdade? No entanto, se pensarmos bem, aqui se vê a diferença entre a vida e a morte.

Não há esperança alguma sem corpo, mas pode haver uma vida sem esperança, até que um dia a mesma esperança comece a emergir no horizonte.

Definitivamente, nós não somos um espirito encarcerado num corpo. O nosso espirito, isso sim, é a mais extraordinária realização do corpo humano. E, como tal,se apaga juntamente com o derradeiro suspiro.

A ressurreição cristã é a fé na recuperação deste surpreendente conjunto e não a fé na sobrevivência de uma alma imortal.

23 abril, 2011 00:42  
Anonymous Mário Neiva said...

Lamento as gralhas que aparecem no texto. Não reli para corrigir e também não aparece mais o cestinho para deitar fora e recomeçar.

23 abril, 2011 10:24  
Blogger jorge dias said...

Caros leitores,
Quanto ao remoque de um anónimo mais acima julgo que, a coisas semelhantes à por ele expressa no seu comentário telegráfico, se referia a "acta de um almo muito especial" quando um certo aa aludia às razões de os antigos alunos não aparecerem aos convívios e obviamente no blogue, digo eu agora.

Lamento a confusão com Lima Durães e peço desculpa.


Quanto a tanto esforço para comentários tão trabalhados... é de saudar, seja qual for o conteúdo e goste-se ou não do conteúdo.

Não é hora de grandes comentários na urgência da hora a caminho do aleluia da passagem ... sobre os conteudos. A deixa das minhas convicções vai no sentido de que em vão serãos os nossos trabalhos se por um momento julgarmos que qualquer um de nós se pode salvar sozinho!

23 abril, 2011 17:39  
Blogger jorge dias said...

Caros leitors,

Em tempo de afirmação de salvação! Salvar de quê?
Em sexta feira santa, ainda de celebração teatro, espectáculo, ou pior, com marca de cariz autista, senão mesmo com marca sádica ou masoquista, como a aquela em que acabei participando incomodadíssimo e onde lembramos a morte de um, exorcizamos a sua cruz salvificamente, não vá o diabo tecê-las, e com alívio ignoramos mortes tanto ou mais violentas e de indentica injustiça, desde logo as provocadas pela fome, pelo garrote… cadeira eléctrica, injecção letal, espada, guilhotina, forca… Nem lembramos as do abandono, do aborto, da solidão, do desamor… Em semana santa da boa nova!
Sexta feira santa, sacra ou dessacralizada nos horrores de tantas mortes e tantos instrumentos de morte ignorados em conveniência de politicamente correcto! Mas já chegou aqui!
Semana à margem do tempo de boa nova!

Salvar de quê dizia a minha amiga Martinha?
Esgotou-lhe a inteligência todos os canais de procura e, pior, de respostas. Nem sequer teve, no pináculo do arranha céus, a tentação de grandeza! Teve sim a certeza de que no precipício se libertaria da vertigem do seu desequilíbrio.

No meio de uma religião, relutantemente, à margem do homem, foi reconfortante ouvir Bento XVI recentrar a semana santa na essência: a boa nova. A salvação como rasto luminoso provocado pela actuação dos cristãos junto dos atribulados, não obstante a vergonha pelos erros cometidos. “Rastos luminosos das pessoas que pelo seu amor dão esperança ao mundo”. Dão “amor restaurador aos homens sem olhar à sua posição ou confissão religiosa (…) O mundo é atravessado por um rasto luminoso de pessoas que tem a sua origem no amor de Jesus pelos atribulados e doentes” Correio dos Açores, 23 de Abril.

Pois aleluia para este sinal de auto estima e de boa nova…! Afinal ela anda por aí, mesmo na semana santa, e lá vai abrindo caminho, salvando da vertigem do desamor.

Boa Páscoa, passagem! Só faz sentido se a passagem for para a roda dos outros!
Que o esforço necessário à tarefa vos saia compensado com amêndoas ou “rasto luminoso” (Bento XVI).

23 abril, 2011 17:47  
Anonymous Anónimo said...

Olá, colegas.
Estou espantado com estas modernidades...
Então não é que "Jesus" foi crucificado dois dias antes ( 4ª feira Santa em vez de 6ª feira santa) e ressuscitou um dia antes (Sábado Santo em vez de Domingo de Páscoa)?
Isto só em Portugal... Parece impossível!!!...

Emído Januário

23 abril, 2011 23:07  
Anonymous Mário Neiva said...

Ó Emidio, não sei onde ouviste a noticia que te escandalizou. De qualquer maneira deves ter ouvido mal,porque os académicos que estudam minuciosamente o enquadramento histórico daquilo que a Biblia tem de realidade historica, datam a a morte de Jesus no ano 30 da nossa era e, por exemplo,o biblista James D.Tabor, na sua obra A Dinastia de Jesus, afirma a este respeito: "Tal como os judeus sabem, o próprio dia de Páscoa é também um "Sabat", ou dia de descanso, independentemente do dia em que cai. No ano 30 d.c. a sexta-feira calhava a 15 de Nisan e era também um Sabat, por isso houve dois Sabats consecutivos, sexta e sábado.Mateus parece saber isto , pois quando afirma que as mulheres que visitaram o túmulo de Jesus vieram num domindo de manhã, "depois dos sábados": no texto grego original está no plural (mateus, 28,1)".
Mas há outros indicios fortes que apoiam esta tese. O evangelho de João relata o empenho em retirar os corpos da cruz antes do inicio do sabat, "porque este Sabat era um dia muito solene" (João, 19,31
). E ainda o facto de todos os relatos dos evangelhos referirem que Jesus partilhou "um pão" com os seus discipulos, utilzando a palavra grega "artos" que designa o pão normal e não a palavra "matzos" utilizada para disignar o "pão áziomo", achatado, que os judeus comem na refeição pascal. (James Tabor, ibidem)
Há muito mais indicios nos evangelhos que apontam para o facto da morte de Jesus ter sido na véspera do Sábado Pascal e não do Sábado do calendário normal.
Uma tradição tardia e pouco familiarizada com as tradições judaicas assumiu, com alguma ligeireza, que o sabat referido nos evangelhos era simplesmente o Sabat judaico e passou a celebrar a morte de Jesus na véspera, a nossa sexta-feira.
Não vejo em que uma simples mudança de data possa perturbar a fé dos crentes. E se for esta a verdade, a verdade é sempre bem vinda.
Boa Páscoa para todos

24 abril, 2011 00:46  
Blogger jorge dias said...

Quando a palavra ocorre...
No reino (convento) onde a minha família reina, eu sou apenas parte, embora me julgue de igual nobreza dos restantes membros. Sou um entre pares e só o nosso consenso lidera! A praxis do melhor para o bem comum, a cidadania, emerge naturalmente de cada uma das partes mesmo que não seja necessariamente prática católica. A satisfação dos velhos (eu e a minha companheira) reside na gratificação do teatro da procura a que os filhotes e amigas se dedicam… Ficamos especialistas de observação! Dá gozo ver crescer e dar-lhes tudo o que temos para a viagem… tudo partilhado (partilhas ontem). Cada vez mais comunidade… Há coisas que nos ficaram em fermento…
A propósito de quê? A propósito da palavra… A propósitos dos afectos que a palavra deixa, a propósito da transversalidade da partilha das coisas boas de todos nós para todos nós. Basta? Não, porque só Deus basta! Mas temos a obrigação de brindar às estrelas que em lógicas de suas vidas sempre nos brindam com o melhor de si… mesmo que, por hipótese, não foram só fantasias. Mas são muito mais, são gritos, são mesmo tantas vezes o limite, quase o inacessível, na procura sem tréguas a que as suas mentes se dedicam para entenderem o homem, seja na abordagem da revelação, Deus manifestado, seja na leitura antropológica, o homem em crescimento e sempre a fazer-se, senão mesmo na leitura cósmica (2012 à porta) e temporal.
No humano, há intemporalidades que só quem as vive e viveu consegue intuir. Há grandezas de gente que dos humanos limites se erguem em hinos de humanidade, mesmo que nem todos concordem com tudo…
Eu queria ter o dom da palavra e da suprema partilha para declarar este espaço um espaço de limites que tantas vezes foi no pior e no melhor ultrapassado! Mas que bom! Somos humanos!
Que a palavra seja e nela rejubilemos e nos alegremos! Parabéns a um touro que anda por aí e que tanto tem provocado! Parabéns MN… que os anos te façam o mesmo que ao vinho do Porto e que em definitivo se entenda que a palavra sempre, mas sempre é criadora, seja anónima, de desdém, narcísica, sádica, masoquista ou simplesmente criadora ou manifestação de Deus. De uma coisa eu tenho a certeza, dos encolhidos ou desdizentes, dos não acolhedores, não reza a história. Encontraremos sempre maneiras de manifestar Deus nos homens, hoje! Ou se preferires, encontraremos sempre maneiras de evicenciar a epopeia do homem que sempre tem quebrado os seus limites.
Parabéns

24 abril, 2011 02:08  
Anonymous Anónimo said...

Quem sabe, se esse touro sem cornos, até é bom rapaz, mas inssiste em provocar, para ver se aguentam as nicadas que são insignificantes, comparando com as provações sofridas por Nosso Senhor Jesus Cristo. Aguentem firmes, companheiros, porque dos fracos não reza a história.
Não há dúvida de que alguém merece umas agulhadas, no frasco, porque lança também umas papaias, em jeito de bate-orelhas que por aqui se vão lendo. Toca a todos e se assim não fosse, apenas viamos por aqui rezadores e pregadores a clamarem no deserto.
Continuação de Boa Páscoa, para todos os caríssimos amigos, companheiros e leitores em geral.
Já agora, se tiverem boas dentuças, trinquem muitas amêndoas, acompanhadas de pão leve ( pão de ló ), como dizem por estas paragens.

24 abril, 2011 08:31  
Anonymous Mário Neiva said...

Agradeço ao Jorge Dias os parabéns pelo meu aniversário, desejando, sinceramente, em dobro para ele, tudo o que de bom proporciona aos outros e a mim deseja. Em nome de todos os meus amigos aa.s que por ventura não se lembrem que hoje é dia do teu aniversário, e em meu nome, desejo tudo de bom para ti.
Vai também o meu abraço
Mário

24 abril, 2011 09:38  
Anonymous Anónimo said...

Ó Mário Neiva, eu não me estava a referir a NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, mas sim ao outro Jesus, o Jorge, que foi crucificao pelo FCP para a taça de Portugal na 4ª feira Santa e ressuscitou no sábado Santo,vencendo a taça da Liga. Só isto...

Um abraço.
EJ

25 abril, 2011 09:26  
Anonymous Mário Neiva said...

De qualquer modo ficaste a saber que Jesus poderá ter sido crucificado na quinta -feira santa. "Felix culpa".

25 abril, 2011 11:09  
Anonymous Mário Neiva said...

O Primado da Incerteza

Não tenho em mente a física de Heisenberg, mas algo tão perto de mim e de todos, que está mesmo dentro de cada um, fazendo de nós o que somos.
Pus-me a imaginar como seria, se todas as horas seguintes e os dias e os anos estivessem programados "ao milímetro", em resultado de uma planificação soberba e indefectível e estivesse assegurada, previamente, a sua execução também sem falhas. Imagine-se, ainda, que sou possuidor de uma clarividência total sobre as horas e dias e anos futuros de um tal desígnio. Concluiria que estava dotado do dom da certeza e da infalibilidade efectiva. E também concluiria por uma vida assim inútil, onde tudo já estaria certinho e feito.
Porém, esta não é a nossa condição e realidade.
A vida desenrola-se sob o primado da incerteza e a nossa victoria e a alegria de viver são também sofrimento e incerteza persistentes.
Postas as coisas nesta perspectiva, não se vislumbra como o conhecimento perfeito possa proporcionar a alegria da perfeita liberdade e realização. Bem pelo contrário, constata-se que são a incerteza e o desconhecimento do futuro o alimento fecundo dos sonhos da humanidade e a raiz da liberdade e da felicidade possíveis. Estou a lembrar-me da citação que Einstein faz de Lessing , de que "a busca da verdade é mais preciosa que a sua posse". Não será, com certeza, o elogio da ignorância mas a afirmação da nossa verdadeira condição.
Confrontando este pensamento com as propostas das religiões, ocorre dizer que, no limite, o primado da incerteza nos torna mais humanos que as certezas dos dogmas da fé religiosa.
Mas nada impede que o crente percorra o calvário da sua natural condição. Basta que aceite que não pode antecipar o futuro e comece por incluir a sua fé no próprio sonho da humanidade. Mais do que isto seria negar o primado da incerteza e, com isso, negar a real condição humana.
Não estou a dizer novidade nenhuma. Os cristãos, mesmo os “santos”, partem desta vida sob o primado da incerteza. Alguns, corajosamente, como Teresa deCalcutá, chegam a confessar o verdadeiro estado do seu espírito.

(também publicado na Laje Negra)

28 abril, 2011 09:02  
Blogger domingos coelho said...

“Eu tenho a certeza”... A certeza trás com ela segurança, solidez, deixa-nos fortes e não suscita dúvidas ou perguntas. Existe até as que são “absolutas”, que pairam no intocável “Olímpio” da verdade. As certezas são o alvo diário das perseguições, todos procuram consegui-las, não importa a idade, cor, raça ou credo. Quando alcançadas são exibidas como troféus e rapidamente divulgadas, pois o mundo precisa de tomar conhecimento da certeza que eu tenho.
A morte é a certeza absoluta campeã universal, em qualquer idioma essa certeza é pronunciada. As religiões são as maiores produtoras de certezas absolutas e inquestionáveis, os dogmas. A ciência, um pouco mais ponderada, mantém as suas certezas só até prova em contrário e há muito que aboliram o absoluto do seu vocabulário.
E é nesse mar de certezas que me encontro perdido, já que não consigo ter nenhuma. Porém, ao mesmo tempo agradeço por não as ter, pois abençoadas sejam as “incertezas” que me deixam livre para escolher. Que me mostram a todo o instante que algo novo pode acontecer.
Abençoadas incertezas que deixam vivas, em mim, as esperanças. Que trazem surpresas boas e ruins, mas que me fazem aprender lições e evoluir para ser, um ser humano melhor.
Abençoadas incertezas que me dão a chance de todos os dias construir um mundo mais igual. Que são democráticas e não me condenam a ser, estar e permanecer sempre o mesmo.

(Uma pequenina nota com a certeza que é sentida: Parabéns a quem esteve e vai estar de “Parabéns”. Continuai felizes!)

28 abril, 2011 13:49  
Anonymous Mário Neiva said...

Bom complemento ao meu texto.
A nota "parabens", pequenina e atrasada, recebo-a de coração aberto, porque assim se acolhe um sentimento sincero dado e proferido.

29 abril, 2011 05:36  
Anonymous Mário Neiva said...

S. Paulo no Século XXI

A ressurreição de Paulo de Tarso deverá ser entendida em dois planos distintos e necessariamente complementares. Primeiro, ao nível da transformação da nossa materialidade, de” corpo corruptível em corpo incorruptível”. E depois ao nível da transformação espiritual, em que o crente assume comportamentos em conformidade com tão glorioso destino, reservado a todos os homens.
O comportamento dos crentes não será motivado pelo cumprimento de leis ,nem nelas baseado, por mais “sagradas” e intocáveis que a tradição as tenha considerado, mas terá como fundamento o destino do homem novo criado para a incorruptibilidade. Nesta perspectiva, é dado aos homens um “mandamento novo” e também único, súmula das leis e transcendendo-as todas: o amor mútuo, à imagem de quem partilhou a essência da sua vida com a Humanidade: a própria Divindade. “Por Jesus Cristo e em Jesus Cristo”, lembra repetidamente Paulo de Tarso. Não vem, com o novo Adão, uma nova “proibição” mas uma dádiva (“graça”), que não é outra coisa que a capacidade de amar, atributo divino por excelência. Paulo apresenta Deus como pessoa, “Pai”, e a nós (Por Cristo e em Cristo-o mediador constante) como “filhos” e “se somos filhos , somos herdeiros” dos da vida de Deus . A relação de Deus com o Homem é de “pai para filho” , em verdade e de facto, e não de” Deus para com a sua criatura”, uma vez que” por Jesus Cristo, com Jesus Cristo e em Jesus Cristo” o homem acedeu à divindade! E, desta vez, o homem não precisou de desobedecer para “comer do fruto da árvore da vida” reservado a Deus, porque a imortalidade divina foi partilhada com a humanidade no “ mistério da encarnação”. Esta “partilha” recebeu uma designação fortíssima e foi consagrada na cristandade na fórmula mil vezes repetida : “comunhão com Deus”. Infelizmente, desviando-se da doutrina do evangelho de Paulo, a cristandade acabou por considerar esta “comunhão com Deus” quase como uma metáfora, reduzindo-a a uma “comunhão espiritual” , desvalorizando completamente o dom da incorruptibilidade corporal que coloca o homem em “parceria” efectiva com a imortalidade e eternidade divinas. Quando os evangelhos apelam à perfeição, “Sede perfeitos como o vosso pai celestial é perfeito”, não se trata de um simples apelo ao bom comportamento, porque isso já por todo o lado se pregava, de uma forma ou de outra. É, isso sim, um a apelo à comunhão e identificação com Deus: ser deuses como Ele é. É um apelo que nunca poderá ser entendido como “comportai-vos como Deus se comporta”, pois estaria a admitir-se que Deus se podia comportar bem ou mal…

29 abril, 2011 06:57  
Anonymous Mário Neiva said...

(Continuação)

Sendo este o verdadeiro sentido da doutrina da Ressurreição de S. Paulo, estaremos perante uma verdadeira revolução na forma de pensar a “salvação”, na medida em que a incorruptibilidade do corpo é apresentada como o dom primeiro e maravilhoso de Deus, repetindo-se a dádiva da criação, mas sendo agora concedida a imortalidade, ausente no Adão do primeiro paraíso. E aquilo que se tomou como “ascese espiritual” deverá fazer-se como ascese do homem todo e integral, por forma a transformar o ser corruptível que somos num ser incorruptível. O extraordinário “Apóstolo dos Gentios” pensou que isto se faria, assim de repente, como repentino havia sido o prodígio da Primeira Criação. Seis breves dias! Ele não podia adivinhar quão mais magnifica é a história do Universo e quanto tempo faltava ainda para crescer…até à imortalidade.
Na minha modesta opinião, para se manter a fidelidade à “ressurreição segundo S.Paulo”, levando em conta as novas ciências do universo e do homem, a teologia cristã deve procurar sinais que apontem no sentido de tornar a nossa humanidade incorruptível. E com isto quero dizer que a humanidade tem de superar tanto as “doenças do corpo” como as do “espírito”, porque umas nunca irão sem a outras ( António Damásio dixit).
E não é nada disto que se está a pregar! O que se prega é a “salvação da alma”, parecendo que ninguém leva a sério aquilo que mil vezes professa no credo: a ressurreição da carne.
Porque esse credo é uma “perfeita loucura”, eu sei.
Porque não dizer, actualizando a linguagem, “perfeita utopia”?
E como a Humanidade, sempre jovem,se deixa-se fascinar pela utopia!
Até eu, que já estou em idade para ter juízo.

29 abril, 2011 07:01  
Anonymous Mário Neiva said...

João Paulo II, Morto ou Ressuscitado ?

Está em curso o processo de canonização de João Paulo II. É impossível não associar este nome a S. Paulo. Depois de tudo o que aqui escrevi sobre a “ressurreição segundo S. Paulo”, impõe-se a pergunta: o Apóstolo, de acordo com tudo o que escreveu, “morreu na esperança da ressurreição” e permanece morto até ao “soar da trombeta” no Dia do Juízo Final ou está ressuscitado, como entende a Igreja, vivo e interventor junto de Deus em favor dos crentes e não crentes (porque não terá deixado de ser o “Apóstolo dos Gentios”)?
Como se vê neste processo de canonização e no culto das “almas do purgatório” a Igreja não aceitou a dureza ou loucura da morte integral do homem e da promessa de uma ressurreição futura, incessantemente anunciada por S. Paulo. Não suportou a demora de duzentos ou dois mil anos para a “Segunda Vinda de Cristo” e acomodou-se a uma fé diferente. No entanto, diferente apenas na pregação e nas práticas litúrgicas, porque a teologia não abriu mão da verdadeira fé e esperança de Paulo, mantendo o dogma da ressurreição da carne.
Seria muito importante que assumisse a divergência entre o que prega ou pratica e o que professa, reconhecendo corajosamente que, se Paulo não sabia nem a hora nem a forma de ressuscitar, a Igreja não sabe mais do que ele.
Não vale a pena fingir que do além vêm cartas ou milagres, remetendo para arquivo das velharias a loucura de S. Paulo, que prega a morte total do homem, feito cinza a aguardar o milagre de uma nova criação divina. E S. Paulo está a ser um homem não só de fé mas de inteligência. Com efeito, ele acreditou que se Deus realizou o prodígio da criação do “velho mundo” a partir do nada, porque não poderia realizar um outro ainda maior sobre as cinzas do “ velho homem”?
Voltando à “falta de fé” da Igreja, podemos perguntar: se a cura milagrosa de uma religiosa é “prova de vida” e de santidade de João Paulo II onde fica a fé e a esperança na ressurreição? Que espaço sobra para a fé, quando a razão é esmagada pelas provas irrefutáveis de uma ressurreição acontecida aqui e agora? Que espaço sobra para o “mistério da vida”, que enche a boca dos pregadores por tudo e por nada, para contrapor à descrença de um racionalismo redutor?
Com toda a justiça se poderá acusar os que ressuscitam mortos e os santificam de que andam a falar de um mistério “faz-de-conta” porque, na realidade, já ostentam orgulhosamente “as provas de vida” daqueles a quem o Apóstolo do Gentios apenas anunciou a esperança de uma ressurreição futura.

03 maio, 2011 09:17  
Anonymous Mário Neiva said...

(Continuação)

É gritante, neste caso de João Paulo II, como nos outros todos, o recurso aos milagres para substituir a fé e a esperança de Paulo de Tarso. Pudesse ele levantar-se do túmulo e gritar bem alto: não foi isto que anunciei!
Com a história dos milagres pretende-se subverter as leis da natureza e destruir o mistério da vida. E, ainda pior do que isso, a história dos milagres fabrica uma divindade que actua “a pedido”, arrasando a fé daquelas pessoas que depositavam a sua última esperança de amor e justiça num Deus-Pai, de verdade, que a todos haveria de tratar como filhos. A mensagem que a Igreja faz passar é a de uma divindade milagreira que, actuando “a pedido”, salva da morte a freira doente, ao mesmo tempo que deixa morrer afogados num tsunami trinta mil japoneses de uma vez só.
Não me impressionam as duzentas mil almas na Praça de S. Pedro. Dois biliões acompanharam um casamento real e facilmente duzentas mil pessoas se juntam dentro de um estádio de futebol.
Custa-me ver a Igreja onde me criei abandonar a fé dos seus fundadores, substituindo- a por uma corruptela que deixa indiferente uma juventude predisposta a ser despertada para o mistério da vida, servindo-lhe um espectáculo de milagres em vez de lhes sinalizar o milagre da vida e do universo. Deixou de entender e de pregar que é no mistério que o ser humano encontra espaço para “respirar”. Mistério mesmo, e não um jogo do faz-de-conta-que- não- sabe, mas sabe tudo sobre o que está para lá da morte.
Até sabe que ninguém morre, pensando a morte como se ela fosse um faz-de-conta. E apresenta as provas: os milagres que os mortos fazem!

03 maio, 2011 09:19  
Anonymous evaristo Domingues said...

Olá todos bem. Hoje vivemos um lindo dia de
Primavera.

04 maio, 2011 15:25  
Anonymous Anónimo said...

Por aqui, nem chove, nem faz orvalho, está um tempo do carago!...
Faz falta um milagre do Neiva.

04 maio, 2011 18:29  
Anonymous Antonio Costa said...

Ressurreição, Beatificação de João Paulo II e a necessidade dos Milagres

Tal como já vem sendo hábito de há uns tempos para cá, a suprema hierarquia da Igreja Católica estará mesmo interessada em anunciar ao Mundo inteiro a Páscoa da ressurreiçao de Jesus como um prémio para todos os seus seguidores por viverem tal como o seu Maestre? Ou ,está a trabalhar para satisfazer mais uma vez os interesses terrenos- e tentar abafar a cada vez maior crise intestina que vai grassando nas suas fileiras? Refiro-me concretamente à tentativa da vários cardeais em fim de carreira a conferenciarem em Congressos, reuniões, celebrações a tentarem desvirtuar, achincalhar "as propostas"(palavras referidas por esses dignatários)das diversas determinações do Concílio Vaticano II, e, também ,segundo os patrocinadores, sob o beneplácito do Papa BBento XVI. Também se sabe que alguns teólogos estão a proceder de modo contrário, tentando "ressuscitar" o que resta do Vaticano II e dando sinais de que deve avançar nalgumas propostas de renovação que "cairam" no final das sessoes do Concílio.


Eu atrever-me-ia a dizer que, à falta de melhores assuntos para os "media,"a beatificação de João Paulo II , vem colmatar a ideia de que , como por Roma não tem havido nada de relevante, a Cúria e os Dicastérios estão a justificar a razão de sua existència e que afinal este Papa é
sensível às ansiedades "do povo de Deus", e para dar a entender que ele não é só um Papa de transição, mas mais qualquer coisa.
Esta dos milagres " a pedido" é a velha hisória de considerar Deus longinquo, um Deus de interesses mesquinhos e não de um Pai que ama muito os seus filhos e que quer só o seu bem

05 maio, 2011 00:09  
Anonymous Mário Neiva said...

Ainda bem, anónimo, que desleixaste a rima. E foi mesmo o subtil e fino descuido que me proporcionou uma sonora gargalhada.
Muito melhor que a pornografia do palavrão é sermos confrontados com a prova de uma inteligencia bem humorada.

05 maio, 2011 15:38  
Blogger FMF said...

Duas linhas

Resolvi escrever algumas linhas de um homem que sem duvida foi (É) uma referencia da história da humanidade e das religiões. Um homem que trouxe uma nova filosofia para a humanidade, este homem é João Paulo II.

Não sou um profundo conhecedor da sua biografia, sei aquilo que todos sabem de forma superficial, porém esta superficialidade já é muita para podermos fazer referencias e admira-lo.

Começaria por dizer sobre os designos de Deus, Ele tem os seus caminhos que são diferentes de os do homem, como diz as Escrituras.

Um jovem, órfão, com tendências para as artes; que sofreu as atrocidades do nazismo ordenado padre, bispo e desempenha um trabalho maravilhoso na sua diocese, chegou a cardeal.

Morre o papa Paulo VI, no conclave elege-se João Paulo I (o papa sorriso) com apenas trintas dias de pontificado morre, e aquele cardeal polonês mariano por excelência é escolhido para novo chefe da maior religião cristã do mundo.

João Paulo II, não foi apenas o homem numero um de uma religião, foi o grande homem da humanidade, isto aconteceu porque conhecia o coração do homem; vivia numa sintonia perfeita com Deus; era um homem de oração constante e profunda, assim, cada vez mais Deus lhe dava discernimento não só para dirigir a Sua igreja, mas para construir a paz mundial.

Papa totalmente voltado para Maria, onde a tinha como mestra, tanto que fez questão de visitar todos os Santuários dedicados a ela. A tentativa de assassinato dá-se num dia 13 de maio, porem ela intercede a seu filho (Jesus) e Ele atende-a. Com este episódio confirma-se que este homem era um protegido e escolhido por Maria.

Existem pessoas que gostam de observar os detalhes e as coincidências e ao analisar a vida de João Paulo II veremos muitos acontecimentos que canalizam para uma mística profundamente mariana.

A experiência de vida de Karol Voitilla, um garoto sem mãe; a experiência do sofrimento na época do nazismo; a inteligência nata, de conhecimento intelectual e a sua espiritualidade fazia-o ver mais longe tendo respostas a todos os lideres mundiais, que viam em João Paulo II, segurança e a certeza da procura de soluções pacificas para as grandes crises mundiais.

Um dos maiores responsáveis pelo derrube do muro de Berlim e reunificação da Alemanha. Responsável pelo desmontar da URSS sem derramamento de sangue. João Paulo II dizia o que pensava e o que precisava ser dito sem o mínimo de medo. Com discursos directos e objectivos apontando os problemas sociais onde visitava sem receio dos seus governantes.

Um papa que não teve vergonha de se esconder para pedir publicamente perdão à humanida, de e pelos erros da igreja, pelas suas omissões e atitudes do passado; teve a coragem de rezar diante o tumulo de Matinho Lutero, num gesto profundo de humildade reconhecendo a importância daquele momento da história da igreja.
...

05 maio, 2011 18:35  
Blogger FMF said...

Duas linhas
...

O papa que mais beatificou e levou aos altares muitos homens, inclusive vários santos contemporâneos, cujo objetivo primeiro era induzir o homem à santidade. Pessoas do nosso tempo que souberam viver o Amor de Cristo, na renuncia das suas próprias vidas em favor do evangelho.

João Paulo II, não teve medo, foi ousado, ( se assim o quisermos) um segundo Paulo de Tarso, que saiu por todo o mundo, visitou quase todos os países com muita coragem, feito este nunca ocorrido por outro pontificado.

Não teve medo de sustentar a doutrina da igreja e defender o evangelho mesmo sofrendo a pressão da sociedade moderna, onde sempre se levantou a questão do aborto, da eutanásia, do casamento de homossexuais, o casamento dos padres. Enfim, sempre manteve firme na defesa da família, no valor do Sacrifício Eucarístico. Quando pensavam que ele adotaria posturas mais sociais do que cristãs defendia a igreja católica com documentos, encíclicas assumindo o controle da igreja. Falava tanto a linguagem dos movimentos pentecostais dentro da igreja quanto a linguagem da Opus Dei. João Paulo II sempre trouxe para si a responsabilidade do pastoreio.

Um homem firme de posição; sereno como um pai; de correcção os erros dos seus pastores; carisma com os jovens; amável com todos os povos. Cantor, compositor, escritor, afinado na arte de interpretação. Enfim, um homem contemporâneo e profundamente em sintonia com a realidade humana e com a vontade de Deus, um verdadeiro pastor dos cristãos e da humanidade. A personalidade do século XX e XXI.
A Isto eu chamo MILAGRE!

FMF

05 maio, 2011 18:36  
Blogger Evaristo said...

Quando envio um comentário não por URL, mas sim pela conta google, perguntam-me se desejo receber todos os comentários por e-mail e se eu subscrever assim acontece, recebo os comentários de todos os intervenientes por e-mail, estando assim mais diretamente conhecedor, isto é vem o blog ter comigo sem o procurar, é mais cómodo.

05 maio, 2011 18:43  
Blogger Evaristo said...

Isto vem na sequência da conversa tida com o Costa, parece-me interessante, pois é uma forma de nos fidelizarmos vivendo mais de perto com os intervenientes estimulando ou aguçando o apetite para um assíduo acompanhamento,para muitos não devo estar a dar novidade nenhuma, mas é mais uma achega
para revitalizar o blog

05 maio, 2011 19:30  
Anonymous Anónimo said...

É verdade! Bem dito; galinha não é pito!...
Bons milagres.

07 maio, 2011 10:46  
Anonymous Anónimo said...

Cadê o Jorge?!!!!!!
Vota daí um dos teus milagres, carago!!!!!!

08 maio, 2011 08:14  
Blogger jorge dias said...

A mim mesmo me dei um desafio! Não imaginava se era a edição em livro de Um Almoço Muito Especial ou muito mais do nosso blogue! O facto é que o desafio era triplo:
- Festa da Senhora do Carmo a 16 de Julho em Ponta Delgada - Covoada com publicação do livro do Livro; antigos alunos presentes e sopas do Espirito Santo.
Farei a minha parte.
A festa é irreversível, o livro cada vez mais e as sopas também! Quanto aos aas convidados o problema é deles!

O livro tem dado muito trabalho e é só sobre Um Almoço Muito ESpecial. Vai ficar a bater as 300 páginas a trinta e cinco linhas por página. Terá dois apêndices um sobre a Ordem e outro sobre a aaacarmelitas.
Tem sido um tempo de enorme crescimento e feflexão, diria mesmo que vbai representar uma face social e de exposição pública para a nossa associação.
Naturalmente que até 16 de Julho tenho compromissos.

09 maio, 2011 00:13  
Blogger Mario Neiva said...

Como devem ter reparado, no tema sobre João Paulo II nem uma palavra disse acerca da sua pessoa. Falei, sim, sobre o facto de se pensar na canonização de um "morto ou ressuscitado?" Situei-me, portanto, no estrito domínio do pensamento cristão acerca da condição do homem depois da morte. E disse que, segundo Paulo de Tarso, João Paulo II morreu na esperança da ressurreição, que acontecerá com a "segunda vinda de Cristo". E quem reza o "credo católico" professa exactamente esta esperança.
Recordando, aqui fica do credo católico a citação do que interessa ao que estamos a tratar:
“ (Jesus Cristo) DE NOVO HÁ-DE VIR em glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim…Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica. Professamos um só baptismo para remissão dos pecados. ESPERAMOS A RESSURREIçÃO DOS MORTOS e a vida do mundo que há-de vir. Amém”.
Repito o que já disse: esta fé é difícil, “é loucura”, e por isso sucederam-se derivas na pregação e nas práticas litúrgicas ao longo de séculos de cristianismo. Chegamos ao que todos conhecem, mas foi mantido intacto e passou de geração em geração um credo tão inverosímil quanto gerador de esperança. Não tenho dúvidas de que contribuiu, e muito, para alimentar os sonhos da Humanidade.
É este CREDO que me interessa recuperar da pregação de Paulo de Tarso. A beatificação de João Paulo II e a canonização de “fiéis” aparecem-me como uma daquelas derivas da fé, porque se pretende com tais actos antecipar o que no credo se professa como um acontecimento futuro. As “provas” apresentadas para sustentar o claro desvio são os milagres realizados pelos “defuntos”, considerados já ressuscitados. Até poderia ser uma boa interpretação para o Credo da esperança na ressurreição dos mortos, a ideia de que o “mundo que há-de vir “ é o que começa imediatamente após a morte de cada homem, ocorrendo desse modo uma ressurreição também imediata. E vai nesse sentido a tradição da Igreja celebrar não a data de nascimento do cristão canonizado, mas a data da morte do santo, porque na morte ele “nasce” ou ressuscita para a vida imortal.
Mas há um grande óbice a esta interpretação tão linda quanto infundada, face ao credo católico professado, pois permite pressupor que ressuscita a alma e não o homem; que morre um corpo e não um homem.
E não é nada disso, como muito bem sustenta o Pe Anselmo Borges : “A morte afecta o homem todo e não apenas uma parte dele. Não é o corpo que morre, quem morre é o homem. Este é o carácter dramático da morte humana”. (Citação do art. publicado no Jornal o Publico em 01.11.1990).
E o HOMEM não é, e nunca foi, uma “alma”. Em S. Paulo não é de certeza absoluta. E no credo católico, que bebeu a sua fé em S. Paulo, também não.
Ora isto significa, simplesmente, que sem ressurreição do corpo não acontece ressurreição da lama. E o cristianismo, através da Igreja Católica, não se afasta desta doutrina de S.Paulo, professando-a desassombradamente nos dogmas da Ascensão e da Assunção.
Onde estão os mortos, e também João Paulo II, em corpo e alma? À luz da fé paulina só podem estar defuntos, aguardando a ressurreição.

09 maio, 2011 10:04  
Blogger Mario Neiva said...

(Continuação)

Pensar ou imaginar o homem sem corpo é como pensar o homem desligado do universo. No limite, é negar a própria criação divina do Génesis, “ lembra-te, homem , que és pó…”; e negar, também, o coração do evangelho de S. Paulo que anuncia a transformação “ do pó”, na nova criação em Jesus Cristo.
Nunca por nunca o homem pode ser considerado “fora” deste mundo, como se tivesse existido “antes” do próprio universo e pudesse subsistir para além dele.
Pelos caminhos das ciências actuais reencontra-se, surpreendentemente, a ideia de homem subjacente à fé de Paulo de Tarso: Uno e integral.
E, digo eu, profundamente misterioso na sua evolução até à mente consciente, fazendo de nós a consciência do universo.
Sendo verdade que esta consciência não o faz o homem, nem maior nem menor que o próprio universo, não é menos verdade que deixa cada um de nós a sonhar para o resto da vida.
Não tenho a mínima dúvida de que uma “pastoral” dirigida aos “homens” terá de ser completamente diferente de uma dirigida às “almas”. Ninguém que professe a fé de Paulo de Tarso vai pensar na “salvação da alma”, remetendo para o “médico” a salvação do corpo.
E quem disse que a “eucaristia” não foi uma verdadeira refeição para o HOMEM?
Mas todos sabem que ela foi transformada numa “refeição” para a ALMA. Muito mais prática, fácil e económica.
Alguma coisa tem de estar profundamente errada para que algo tão importante na vida das pessoas como um encontro para festejar a vida e manifestar gratidão pela sua dádiva, comendo e bebendo os frutos da terra, seja tão marginal e monótono, mesmo na vida dos próprios crentes.

09 maio, 2011 10:06  
Blogger ACOSTA said...

Meus caros: Não foi por acaso que o Concílio Vaticano II deu a maior ênfase à Liturgia da Eucaristia( vulgo Missa) por que nessa "Divina Liturgia"-como muito bem apelidam os Ortodoxos-estão todos os "ingredientes" da ´verdadeira fé dos cristãos: a Liturgia da Palavra, a Profissão de Fé(Credo) que o Mário Neiva apelidou de "difícil" e de"loucura" e que está repleta dos supremos mistérios(que não é por acaso que demoramos o ano inteiro a meditar nesses mesmos mistérios e que mesmo assim acho que não chega; há sempre algo para meditar.Outra "loucura": o Sacrífício ( que esteve em acesa discussão teológica vários séculos.E depois, tornando o mistério ainda maior, participando nesse mesmo mistério tomamos parte nesse convívio, "tomando e comendo" da refeição oferecida pelo Sacrificado.

Gostaria de estar à altura de começar a compreender o alto valor deste e de outros mistérios da fé que eu recebi dos meus progenitores.

10 maio, 2011 01:47  
Anonymous Mário Neiva said...

Advogado do Diabo

Para quem não sabe, trata-se de um douto clérigo a quem cabe o papel de fazer o contraditório num processo de canonização, trazendo a terreiro todos os "defeitos" de quem se quer beatificar.
Face ao discurso apologético do FMF sobre João Paulo II, com o maior respeito pelas suas opiniões e pela sua fé, vou deixar, para reflexão, alguns apontamentos, bem ao jeito de um "Advogado do Diabo".
João Paulo II restaurou o prestígio da Igreja, muito abalado em finais da década de setenta, com o caso do Banco Ambrosiano.
Quanto a ser aquele pastor de que fala o FMF com tanto entusiasmo, penso de modo diferente. Penso que falhou naquilo que era a sua competência especifica, precisamente a reforma das práticas da Igreja e da pastoral.
Deixou um Estado do Vaticano prestigiado e uma Igreja com todos os problemas de ajustamento à realidade actual, por resolver.
O ecumenismo foi um fracasso rotundo, quando mais do que nunca era necessário que os crentes entendessem de uma vez por todas que o Deus que dizem amar é o mesmo em todas as religiões.
João Paul II não foi capaz de um acto de coragem como Paulo de Tarso, que deixou de parte os particularismos “sagrados” da tradição recebida e amada na sua juventude, para abraçar a condição de todos os homens, porque percebeu até ao mais profundo do seu espírito que a Divindade era uma só e a Humanidade era uma só. S.Paulo, literalmente, mandou às ortigas leis tradições sacratissimas, porque o que interessava era a ressurreição oferecida à Humanidade. E quanto a tradições e leis ( hoje diríamos cultura), que cada um viva as suas, desde que não se perca de vista que o homem destinado à ressurreição do corpo e da alma é o tesouro mais precioso do próprio Deus.
João Paulo II passou ao lado de S.Paulo. Flagrantemente, digo eu, que sou o Advogado do Diabo.
Não basta pedir perdão a Galileu e ajoelhar no túmulo de Lutero, como não basta dizer que cada ser humano é "único e irrepetível", para no momento seguinte pregar uma "lei natural" que tudo uniformiza, fazendo de nós soldadinhos vivos mas todos perfeitamente idênticos e ajustáveis à mesma lei. E isto é feito ao arrepio da evolução das ciências que, essa sim, vai no sentido de respeitar cada ser humano “único e irrepetível" quando já pensa, por exemplo, em desenvolver medicamentos "personalizados". No fundo não é outra coisa que dizer com o evangelho: “ o Sábado foi feito para o homem e não o homem para o Sábado”. E quando se fala em “homem”, fala-se em grego ou gentio, em judeu ou romano e não numa qualquer abstracção.
Porém, esta frase “revolucionária” foi convertida pela pregação numa tirada de retórica!

10 maio, 2011 10:48  
Anonymous Mário Neiva said...

João Paulo II, no seu apego ao legalismo e às tradições escondeu na gaveta o evangelho da ressurreição. Neste sentido merece uma imediata canonização, bem à maneira tradicional.
Durante trinta anos o Beato João Paulo II viu os seminários e casas religiosas esvaziarem-se; as paróquias perderem os seus pastores; as práticas religiosas transformarem-se cada vez mais em folclore; os sínodos diocesanos, os retiros, os grupos de reflexão enredarem-se em aspectos secundaríssimos do conteúdo da Biblia... E que fez? Prestigiou perante o mundo o Estado do Vaticano. É muito pouco para merecer a santidade dos altares.
Digo eu que sou o Advogado do Diabo.
E tudo isto numa altura em que a Humanidade tanto precisa de tocar o Mistério da Vida, que eu considero ser também o Mistério de Deus.

O testemunho e a apologia do FMF são bem elucidativos do desnorte que grassa na Igreja saída do mais longo reinado pontifício.
Apenas duas citações:

"A tentativa de assassinato dá-se num dia 13 de maio, porem ela intercede a seu filho (Jesus) e Ele atende-a. Com este episódio confirma-se que este homem era um protegido e escolhido por Maria". (FMF)
"João Paulo II, não teve medo, foi ousado, ( se assim o quisermos) um segundo Paulo de Tarso, que saiu por todo o mundo, visitou quase todos os países com muita coragem" (FMF)

Na primeira citação não podia ser mais flagrante a ideia herética de um Deus que actua "a pedido", o Deus da "cunha" (bem ao gosto dos latinos). Um Deus que faz "um jeito" a quem se ajoelha a seus pés, suplicante...
Onde fica o Deus que dá a vida no Génesis e a dá em superabundância na Ressurreição, através do novo Adão, Jesus Cristo? Uma vida que não foi pedida nem merecida. É de "graça" e para todos e não especificamente para os "amigos de Nossa Senhora"!
E passo logo à segunda citação.
Deixa-me, a mim, Advogado do Diabo, os cabelos em pé, comparar as viagens do meu Paulo de Tarso e os perigos e sofrimentos por que passou, indo de terra em terra a anunciar o Evangelho da Ressurreição, com as viagens em avião particular ou sob a protecção de guarda-costas e papamóvel...
Francamente! Ao menos respeite-se a memória da vida real de S.Paulo. Ao menos isso! E não me digam que “os tempos são outros”, porque já no tempo de S.Paulo os “Chefes de Estado”, reis, imperadores ou altos dignitários “ do clero ou do povo” tinham as suas guardas pretorianas…

10 maio, 2011 10:52  
Blogger Lima said...

Paulo e João Paulo não serão talvez tão diferentes como afirmas. Cada um no seu contexto, os dois foram gigantes. Cada um à sua maneira, os dois lutaram até à exaustão por o ideal que lhes consumiu a vida. Quanto ao resto, Santo ou Beato, isso já não é, (nem foi) o problema deles...

10 maio, 2011 23:44  
Anonymous Mario Neiva said...

O que eu penso, Lima, é que S.Paulo tinha uma mensagem nova para a Humanidade. Concreta. João Paulo II não teve nada de novo para a Humanidade. Mas teria, se a nâo deixasse esquecida na sacristia, a Boa Nova da Ressurreiçao do homem "em corpo e alma". Foi eleito, ou deveria tê-lo sido, para explicar aos crentes como se concretiza nestes novos tempos a ressurreição do homem integral.
O Advogado do Diabo diz que não explicou e até complicou. E foi pena, porque teve tanto tempo para o fazer...
Mas não há drama. O "fermento" está na "massa" e o processo é obra da Humanidade inteira e não de um homem em particular.
Numa apreciação global sobre o pontificado de João Paulo II, penso que ele teve medo da inovação e preferiu preservar a estrutura da Igreja tal como a recebeu. É pouco para tantos anos de pontificado. E o mundo tem urgencia de muito mais.

11 maio, 2011 01:01  
Anonymous Mário Neiva said...

Em complemento ao que acabei de escrever, acrescentaria que a Igreja deixada por João Paulo II e por ele tão bem preservada, é um belo e magnifico museu.
E um museu contem estraordinárias lições de História.
Não estou a ser irónico. Já uma vez disse o mesmo, neste blog, sobre as ordens religiosas e o que hoje resta delas. Disse também que os poucos frades e freiras que integram esses "museus vivos" têm precisamente uma missão identica à dos "conservadores" dos outros museus.
Ainda há dias participei na festa das "bodas de ouro" da profissão religiosa de uma das minhas irmãs freiras. Havia uma velhinha, de 96 anos, com quem conversei na sua perfeita lucidez, envergando o velho habito que resistiu à reforma pós-Vaticano II.Era a única. Achei comovente por dois motivos:primeiro, a fidelidade da "irmã" à alegria de quando tomou a veste da sua vocação, qual esposa que mantem guardado para sempre a preciosidade do seu vestido de noiva; depois, o respeito manifestado pelos superiores hierarquicos para com este membro "especial" da sua comunidade. Um belo exemplo de como se respeitam os "direiros humanos" à escala de uma pequena comunidade religiosa.
Num pequeno pormenor se afirma e põe em prática um principio fundamental: cada ser humano é único e irrepetivel.
E como a liberdade é surpreendentemente bela, tanto mais quando estampada no rosto de uma ferira velhinha que fez voto de obediência!

11 maio, 2011 09:28  
Anonymous Mário Neiva said...

Carta a um amigo, na Austrália e de origem portuguesa, que quer saber mais sobre o cristianismo. Alterei alguns pormenores, mas o essencial trago para vossa reflexão.


Olá Pedro

Desculpa o atraso na minha resposta. Tenho andado um pouco atarefado e fui adiando a correspondencia.
Quanto ao teu português está bem melhor que o meu inglês, que nem tento escrever. Nunca pratiquei, desde a escola há mais de quarenta anos. Fui mais para o francês que leio fluentemente e também sou capaz de escrever.

Quanto ao cristianismo ser “de Pedro” ou “de Paulo”.

A história dos primórdios do cristianismo nunca foi bem contada até ao seculo XX por uma razão muito simples: quem contestasse as verdades oficiais acerca da Biblia era simplesmente queimado ou enforcado, em praticamente todo o mundo cristão. Exactamente como acontece no mundo islâmico até hoje, em relação ao Corão. As sociedades ocidentais libertaram-se do pesadelo do medo de estudar a Biblia, depois que se estabeleceu a separação dos poderes do Estado dos poderes da Religiâo e assim vamos vivendo em democracia e liberdade, apesar de haver por toda a parte grupos cristão radicais. Só que já não podem matar ninguém porque a "lei civil" não permite.
Como sabes, Pedro, no islão a lei civil confunde-se com a lei religiosa, aliás como sempre aconteceu nos seculos passados entre os cristãos.
Agora que os arqueólogos e os teólogos podem pensar e investigar livremente, começa a vir ao de cima a verdade acerca dos primeiros cristãos.
Já é ponto assente que houve uma grande divisão entre os seguidores de Jesus, logo depois da sua morte. Ele atraiu a si judeus de cultura grega (que o Novo Testamento chama de "helenistas") e judeus de cultura tradicional hebraica. Estes, mais fechados sobre a sua cultura e reunidos à volta de Tiago, Pedro e João, os “Pilares da Igreja” como diz S. Paulo, entenderam que o Messias era só para o Povo Eleito, os judeus. Os "Helenistas", apesar de baseados na mesma tradição bíblica, entenderam que o Messias era para todo a humanidade.
S.Paulo começou por atacar e perseguir os "helenistas" e depois acabou por converter-se ao messianismo universal que estes pregavam. E como ele era um verdadeiro génio e foi o primeiro a escrever (é verdade!), a divisâo entre os cristãos-judeus tradicionais e os judeus helenistas acentuou-se. Mas chegaram a um acordo, porque a tradição bíblica e a pessoa de Jesus unia-os a todos. Assim dicidiram, no que foi considerado o primeiro concílio da história do cristianismo, que Paulo iria pregar para o meio dos pagãos e o grupo dos apóstolos que tinham acompanhado Jesus até à morte, ficariam a converter os judeus tradicionais...Este grupo de Tiago, Pedro e João continuou a praticar o judeismo e a esperar a "segunda vinda de Cristo", ao passo que o grupo de Paulo pôs-se a correr o imperio romano a converter gentios e fundar comunidades cristãs.

15 maio, 2011 10:20  
Anonymous Mario Neiva said...

(Continuação)

No ano 70, Roma arrasa Jerusalém e as comunidades cristã-judaicas são dispersas e mortas. As de S.Paulo, bem longe da Palestina, continuaram activas e a multiplicar-se.
Os evangelhos tentam conciliar estes dois pensamentos diferentes acerca do messianismo judaico e do verdadeiro papel de Jesus ea coisa está de tal modo baralhada que só os especialistas conseguem perceber o que aquilo quer dizer.A verdade é que estes especialistas estão a fazer um trabalho notável, porque agora não têm medo de ser enforcados por apresentarem uma visão dos factos bastante diferente daquela que passou à tradição. E o retrato começa a ser bastante diferente, apesar de manter Jesus Cristo como a figura central.
A primeira grande conclusão é que a teologia cristã fundamenta-se mais nos ensinamentos de S.Paulo e dos cristãos helenistas do que nos ensinamentos de Jesus e do seu grupo de apóstolos. Apenas um exemplo, que concretiza esta ideia: a epistola de S.Tiago, a quem Paulo trata por "irmão do senhor", a muito custo conseguiu entrar no grupo dos livros do Novo Testamento (fechado no principio do sec.IV). E porquê? Porque esta epístola é a reprodução dos ensinamentos de Jesus (é o Sermão da montanha dito por outras palavras) e nela nunca é referido, nem sequer sugerido, que Jesus seja o “Filho de Deus”, como anunciam os cristãos helenistas e S. Paulo.
Espantado, Pedro?
Muito mais se há-de vir a saber e de fonte segura, porque a exegese e a ciência ainda têm muito trabalho pela frente. Inclusive a arqueologia.
Vamos continuando a conversa.
Um grande abraço
Mário

15 maio, 2011 10:23  
Blogger ACOSTA said...

TEMPO PASCAL/ALELUIA!!!!BIN LADEN FOI O CORDEIRO IMOLADO (Oferecido)POR AMOR AOS AMERICANOS? Mas, segundo o Corão ele não foi ter com(mais, digo eu)não sei quantas virgens???

Eu nem queria acreditar!!! Não é que até o Cardeal americano que esteve em Fátima deu a entender que os seus "patrícios" estavam satisfeitos com a morte de Bin Laden! Eu acho que os muçulmanos poderão dizer que, uma vez que não foi mostrado ao mundo o seu "corpo", poderão simplesmente referir que ele "BIN LADEN" fez um milagre (logo poderá ser um deus) ressuscitando.
E, mais uma vez, em tempo de crise, este dia 13 de Maio iria ficar para a história com mais "um milagre do sol" não fora os técnicos dos astros desmistificar o falso mistério.

Hoje fico-me com este pensamento" Aceito ou não que a minha morte decida do meu fim? Recusar a ressurreição equivale a resignar-se a acabar."

16 maio, 2011 00:01  
Anonymous Mário Neiva said...

Meu Caro Costa, na minha modesta interpretação da doutrina da "ressurreição" , penso que esta é uma realidade em processo contínuo e progressivo, pelo qual eu serei hoje mais vida do que era ontem, e, amanhã, serei mais humanidade do sou hoje.
Nesta perspectiva, como tu bem dizes, resignar-se é parar e morrer, recusando a ressurreição de cada dia.
O que faz da fé na ressurreição uma "loucura" não é a realidade palpável de que a humanidade enquanto tal ressuscita para mais vida em cada nova geração. O que me deixa, mesmo, os neurónios em curto-circuito é o facto de a minha aventura individual chegar ao fim no dia em que fechar os olhos, como aconteceu com os meus pais e avós. É verdade que ficam os filhos e os netos, quando ficam. E quem não procria morre de vez? Os filhos são apenas a sobrevivência dos meus genes e não da "minha vida" , porque a minha vida são os meus amores, os meus sonhos, os meus pensamentos. E, naturalmente, o meu corpo.
Apesar dos esforços da medicina em ajudar-me a prolongar a vida e do meu esforço em tornar-me num espírito de rectidão, a verdade é que me sinto encurralado entre o nascimento e a morte individual.
Tal constatação arruinou-me a vontade de ser arauto da ressurreição à maneira de Paulo de Tarso. Foi-se-me a vocação, mas não o sonho.
Perante a misteriosa realidade em que estamos mergulhados deixo-me embalar na esperança de que a Humanidade de amanhã será mais sã de corpo e de espírito do que é hoje, se eu próprio contribuir em mim para que isso aconteça, cuidando dos valores da saúde do corpo tanto como dos valores da alma. E tantos os meus genes como os meus sonhos , esperanças e realizações constituem-se como herança para os meus netos . Do mesmo modo que herdei os genes dos meus pais e me deixei contagiar pelas lições de esperanças de Paulo de Tarso.
O que verdadeiramente admiro nele é não ter-se conformado com a morte certa. É coisa secundária a forma como ele imaginou a ressurreição. O que interessa é que acreditou nela e de uma forma tão intensa como eu não sou capaz.

16 maio, 2011 15:48  
Anonymous Anónimo said...

Está moribundo!............

18 maio, 2011 12:46  
Anonymous Mário Neiva said...

Um blog é feito por quem o administra, por quem escreve e por quem lê. Para saber da vitalidade do meu blog confiro as estatisticas da audiência. Quanto ao aaacarmeitas só a Direcçâo tem acesso a consultas. Já agora podia responder aqui ao anónimo, para sabermos se os leitores desertaram.

18 maio, 2011 14:43  
Anonymous Anónimo said...

Nem S. Paulo te ajuda! Tirando as beatices, pouco mais é do que isso!

18 maio, 2011 15:54  
Blogger jorge dias said...

Sempre haverá "mochos"... assim me diziam em criança, que eram agoirentos... Afirmar o não caminho sempre é mais fácil, sempre, embora não necessariamente azarado ou impeditivo de caminho para os outros... só que é menos um a colaborar no para onde deveremos ir... Estes são os que sempre gostam de andar ao colo ou servindo-se sem trabalho. Mas iremos...
Se há coisa que aprendi neste blogue é um pouco o inverso de algumas afirmações que me dizem que escrevemos beatice! Era bom que quem o afirma lesse e escrevesse um pouco mais que logo encontrariamos por força da sua pena conteudos menos beatos! Mas escrever dá trabalho e exige muita pesquisa.
"Um Almoço Muito Especial" está uma delícia, na lógica de pessoas que não são beatas ou que o sendo se rendem à escrita e aos seus desafios e à provocação nela vertidos....
Vai nascer livro: Palavra em Um Almoço Muito Especial, antigos alunos carmelitas...
Bem gostava eu que este espaço tivesse mais visibilidade e facilidade de acesso e mais seria a manifestação da palavra que por aqui anda e mais leitores que congregaria.
Covoada - Ponta Delgada, festa 16 de Julho, Senhora do Carmo e nascimento do livro...

Sobre João Paulo II lembro a apoteótica homília proferida em Ponta Delgada,1991, onde a todos desafiou, mas sobretudo aos jovens: "Jovens, sede santos... não tenhais medo!"
João Paulo II beatificado? Porque não se até vós que me ledes sois santos!

18 maio, 2011 17:29  
Blogger Augusto said...

TODOS OS LEITORES TÊM ACESSO ÀS CONSULTAS A QUE A DIRECÇÃO TEM ACEsSO E QUE SÃO AS CONSULTAS LIVRES E GRATUITAS.
No rectângulo à esquerda onde está escrito shiny stat,há um número que corresponde ao número de visualizações do blog. se clicarem nesse número abre-se uma janela com muitos dados.
Depois cada um pode cuscar o que quiser. Clicando sobre o boneco onde se diz visitas, abre-se uma nova janela com mais dados. E à esquerda há uma coluna com umas palavras; cliquem sobre global e vejam o que aparece.
Creio que é de simples interpretação.
Em termos de blogs, o nosso é dos bem lidos a nivel mundial. Podem cuscar até os países onde se visuliza o blog e até o tipo de operadoreds através dos quais se acede ao blog.
E dizer que o nosso blog está moribundo, tal só acontece na cabeça de quem o diz.
De facto, apesar de na televisão se dizer (canais discovery), que a ignorância é uma benção, tenho para mim que tal não é inteiramente verdade.
Se seguirem estas dicas, penso que poderão diariamente estar informados do número de pessoas que lá vão e até os países de onde se fazem as visualizações. Até são acessíveis alguns dados estatísticos interessantes. Pesquem bem que vão encontrar dados interessantes.
augusto

18 maio, 2011 22:29  
Anonymous Mário Neiva said...

Amigo anonimo, falar da fé que as pessoas receberam dos seus avós, não é beatice coisa nenhuma.
Falar de gigantes, como foi S.Paulo, não é beatice coisa nenhuma.
Falar de assuntos que têm a ver com o nosso destino individual e colectiva, não é beatice coisa nenhuma.
Levantar os olhos do chão para perscrutar o horizonre misterioso da vida, não é beatice coisa nenhuma.
Sonhar com a imortalidade, seja pensando que temos uma alma imortal, seja que morremos para ser ressuscitados, não é beatice coisa nenhuma.

Beatice é alguém afogar-se numa pia de agua-benta ou engolir a Biblia ou o Corão sem "mastigar".

18 maio, 2011 22:32  
Anonymous Mario Neiva said...

Alain Decaux , uma vida de S.Paulo
O nosso colega e meu amigo Lima Barbosa emprestou-me um livro de Alain Decauax, intitulado “L’Avorton de Dieu, com o subtítulo Une Vie de Saint Paul. Este membro da Academia Francesa, a partir das Epistolas de S.Paulo e dos Actos dos Apóstolos (que, na verdade, mais parecem os “actos de S.Paulo) refez, no terreno, o que terá sido o percurso da sua pregação, com comentários oportunos e sábios. Fiquei encantado com o livro e vou tentar comprar a versão portuguesa, se existir. E também fiquei muito feliz porque a obra serviu para eu confrontar-me com o que tenho escrito sobre S. Paulo, nomeadamente acerca da Ressurreição. Estamos de acordo.
Decaux afirma, com as letrinhas todas, que a Ressurreição “ é o epicentro” do pensamento teológico de Paulo de Tarso. O “tarsiota”, como ele escreve.
Quando comenta a passagem de S. Paulo pelo Areópago de Atenas, referida por S.Lucas nos Actos dos Apóstolos, anota que foi este tema central da Ressurreição que impediu qualquer espécie de diálogo com a filosofia dos epicuristas e dos estóicos, que no Areópago explanavam o seu pensamento de um Deus impessoal que se identificava com o universo. E por isso riram-se de S.Paulo, quando este lhes anuncia que Deus - pessoalmente - enviara alguém para nos comunicar a Boa Nova da ressurreição.
Como aqueles atenienses eram gente culta e bem educada, em vez de insultos, ameaças ou denúncia de um qualquer delito de opinião (como diríamos hoje), muito diplomaticamente, mandaram-no pregar para outra freguesia.
Diz Alain Decaux que S. Paulo terá ficado zangado com estes filósofos gregos que apenas admitiam a sobrevivência do homem como memória no espírito das gerações futuras. Estaríamos vivos enquanto fossemos recordados. Nada mais.
Zangou-se e não voltou a Atenas.
Mas pouco adiantou a Paulo esta fuga de Atenas e do confronto com os filósofos epicuristas e os estóicos , porque a seguir foram os cristãos das suas queridas comunidades a questioná-lo sobre a “sua ressurreição”. Queriam saber quando e como seria, uma vez que foi passada a mensagem de que tudo estava para breve, com a “segunda vinda do Senhor” , criando-se até a convicção de que eles tinham sido eleitos para serem os primeiros a ressuscitar (aqui a ressurreição é claramente a “transformação” de S.Paulo). Acontece, queixavam-se eles, de que havia cristãos a falecer e nem para os falecidos acontecia a ressurreição, nem para os vivos acontecia a transformação na incorruptibilidade.
Vale a pena ler a I Carta aos Tessalonissenses e ver como S.Paulo procurou acalmar a impaciência dos cristãos. Quem quiser conferir, consulte 1 Th cap. IV, 15-18 e Cap V 1-2.
Para quem não se quiser dar ao trabalho ou não tiver à mão o NT, transcrevo esta passagem significativa sobre a “vigilância, aguardando a Vinda do Senhor (Biblia de Jerusalem): “No tocante ao tempo e ao prazo, meus irmãos, é escusado escrever-vos, porque vós sabeis, perfeitamente, que o Dia do Senhor virá como um ladrão nocturno”.

19 maio, 2011 08:43  
Anonymous Mário Neiva said...

(Continuação)

É frequente encontrar nos evangelhos passagens das cartas de S.Paulo e nós podemos perguntar “afinal quem é o autor”. Este académico francês, Alain Decaux, no seguimento de biblistas conceituados, pensa que Paulo foi o “primeiro a escrever”. Aliás, um dos Evangelistas, Lucas, foi companheiro de Paulo em muitas viagens apostólicas. Assim, aquelas palavras foram levadas de S. Paulo para os Evangelhos. Pensa o autor que a celebrada formula da “consagração”: “Tomai e comei, isto é o meu corpo…” Conferir I Corintios, cap 11, 17-27 teve também origem na pregação de S.Paulo.
Não sabemos, realmente, como terá sido, mas não podemos deixar de estranhar que o evangelho de S.João omita a “consagração” e o primeiro dos evangelhos a ser redigido, o de S.Marcos, omita todo o episódio da ressurreição de Jesus, pois os exegetas sabem, de fonte segura, que o capitulo XVI (o da ressurreição)é um acrescento tardio e alheio a S.Marcos.
Estes factos possíveis convenceram muitos biblistas de que a teologia da ressurreição é essencialmente obra de S.Paulo, que pregou Jesus Cristo Ressuscitado, enquanto que Pedro, Tiago e João pregaram Jesus de Nazaré, o messias para os judeus.
Podemos imaginar S.Paulo, na magna reunião de Jerusalém, dizer para Pedro Tiago e João, os “pilares da Igreja”: vós anunciais “Jesus na carne” (na vida terrena); eu anuncio o “Senhor Jesus” (na vida ressuscitada) .
Quem conhece a teologia dogmática da Igreja Católica sabe que estes dois “anúncios” , em vez de serem tomados como contraditórios, constituíram-se como o “Credo” fundamental do cristianismo, consagrado na fórmula radical de “Jesus Cristo Deus eHomem verdadeiro”.
Quem estiver atento à leitura do evangelho em cada missa dominical vai dar-se conta da completa baralhação entre estes dois anúncios fundamentais. Vão escutar ora a voz de Paulo ora a voz de Pedro, ressoando duas verdades distintas de uma só pessoa verdadeira: Jesus de Nazaré , Cristo Senhor.
Receio, porém, que o mais certo é passarem o tempo a bocejar. E alguém é responsável por tanta indiferença. Depois admiram-se que eu fale em museus.

19 maio, 2011 08:45  
Anonymous Anónimo said...

Chega-se à conclusão que vale a pena acicatar os ánimos dos beatos, porque deitam logo as antenas de fora , para defenderem a sua dama! Outra coisa também não era de esperar!Acho muito bem.
Porém, devo dizer que ignorante foi quem talhou as orelhas, a quem tem a ousadia de querer impor a sua grande sapiência aos ignorantes.Tem juizo que já és grandinho e tens idade para isso.
Quanto ao " mocho ", na realidade foste sempre esquesito. No entanto, acho eu que te assenta melhor o apelido de " pavão ", já que adoras emproar-te e ficares acima de todos os mortais, no teu mundo à parte. Manias!... e pouco mais sumo que isso.

19 maio, 2011 10:01  
Blogger Roshne said...

E quem é este energúmeno - anónimo - que aqui aparece a dar cabo da cabeça de meio mundo, de modo tão despudorado?

19 maio, 2011 18:05  
Anonymous Anónimo said...

Certamente deve ser um ranhoso fedorento , pior que tu, seu pato bravo!

19 maio, 2011 18:22  
Blogger Roshne said...

Este comentário foi removido pelo autor.

19 maio, 2011 20:54  
Blogger Roshne said...

Pato Bravo? Ao menos não sou fedorento. Mas já descobri quem é este "anónimo"... só não lhe ponho a vida ao léu, para isto não ficar ainda mais "ranhoso e fedorento".....

19 maio, 2011 20:59  
Anonymous Mário Neiva said...

Há homens e mulheres "de corpo inteiro" que aompanham este blog. E não são poucos. Podiam poupá-los a estes desabafos. Aproveitem o tempo de primavera, de luz e de temperaturas amenas, para dar uma passeio nas praias semi-desertas ou nos montes verdes e floridos de belissimas preciosidades selvagens, para descomprimir. Vâo ver que regressam ao nosso convivio com outra disposição. Tudo menos muribundos, fedorentos ou ranhosos.
Tragam para cá um cheirinho da primavera que respiraram. A malta agradece porque mais vida é que faz falta.

20 maio, 2011 07:46  
Anonymous Anónimo said...

Olha tu, pidesco, já descobriste a pólvora seca? Manda então os teus palpites.
Pôr a vida ao léu que raio de trampa é essa, palerma! Estás a querer assustar quem?
Insultas as pessoas e depois vens com ameaças?
Quatro lostras bem dadas, nessa foçinheira é que tu merecias!

21 maio, 2011 16:27  
Blogger domingos coelho said...

Antes de mais, quero desejar ao nosso "AMIGÃO AMADEU - GRANDE", rápida recuperação e que tudo não tenha mais sequelas. Força AMIGO, um ABRAÇO!

E já agora que somos ...


Muitas vezes somos dominados pela impaciência, pela revolta, quando não conseguimos obter aquilo que queremos, e não conseguimos realizar as coisas que tínhamos planeado.
Principalmente se tais insucessos se devem a fatores alheios à nossa vontade. Por exemplo, se foram determinados, por inabilidade de terceiros, ou mesmo por questões imponderáveis, quando alguns imprevistos surgiram para atrapalhar o nosso êxito. Algo que não conseguimos consertar.
Quaisquer que sejam as razões, não representam motivos para explosões de ira, ou para uma revolta, seja pessoal, quando não soubemos planear adequadamente, ou seja contra outrem, quando falhas de terceiros nos prejudicaram.
De nada nos adiantará explodirmos, pois não será isso que solucionará a questão. Pelo contrário, poderá atrasar mais ainda, pois o tempo assim perdido, poderia ter sido bem melhor aproveitado com um novo planeamento, feito com mais cuidado, ou ter escolhido melhor os companheiros.
A propósito, quando em Angola, conheci uma Prece Indígena, que nos mostra que eles tinham um conhecimento profundo da mente humana, vejam:
Que caia sobre a sua cabeça, esta sagrada chuva, suave, serena, calma, tranquila, e que lhe ensine a ter mais tolerância, resignação e paciência, para saber a hora certa de fazer as coisas..!! Tudo a seu tempo..!!!
Metaforicamente falando, a chuva a que se refere a prece, são as dificuldades que fatalmente encontraremos no nosso caminhar. Seria mais agradável se tudo corresse lindamente sobre os trilhos que imaginamos. Mas, imprevistos sempre ocorrem, e temos que os esperar, para não sermos surpreendidos pelos seus efeitos. Devemos encará-los como uma chuva suave, serena e calma, embora ribombem trovões. Se estivermos sob proteção dos pára-raios, que são a nossa paciência e tolerância, não sentiremos tanto os seus efeitos devastadores, e poderemos reorganizar as coisas. Nunca deveremos esquecer de que a raiva sempre será uma péssima conselheira, podendo levar-nos a atitudes irreflectidas.
Devemo-nos espelhar na sabedoria dos velhos sábios indígenas, procurar saber, não só a hora certa de fazer as coisas, como também, a maneira exacta de as fazer. Analisar ponderamente o porquê de não ter dado certo, para replanear adequadamente tudo.
Ponderação e reflexão servem para toda e qualquer situação problemática em que nos encontremos. De nada nos valerá agir no impulso de uma raiva de momento.
E isso vale em toda e qualquer circunstância, seja nos negócios, seja na nossa vida familiar, seja neste blog (elo nosso com...).
Quanta coisa é perdida, quanta vida é destruída porque não se parou para pensar. Porque não perdemos alguns minutos para estudar melhor uma atitude a ser tomada, ou palavras a serem ditas.
Quantas vezes nos arrependemos depois, daquilo que fizemos ou dissemos, esquecer que “a palavra uma vez dita, a pedra atirada ou a flecha lançada jamais voltarão atrás”.
Valerá mais a pena esperar a poeira baixar, esfriar a cabeça, e a chuva mansa poderá ajudar o “arrefecimento”. Fazer assim, para que se possa reavaliar a situação, e encontrar, calmamente a melhor solução.
E para melhor encontrar soluções, que tal começar com um muito Bom Dia...

21 maio, 2011 20:24  
Anonymous Mario Neiva said...

Meus caros pseudónimo e anónimo, nâo interessa mesmo nada quem atirou o primeiro "piropo". Façam uma quadra, mesmo que seja de versos carregadinhos de escárneo e mal-dizer. É para o que me dá, quando quero "aliviar os fígados". Acreditem: até o visado pode achar graça.E acaba aí a pirraça.

21 maio, 2011 20:25  
Anonymous Zé Gato said...

Vá lá, sejam amigos, porque um dizer mata , o outro a dizer esfola,chega-se à conclusão que nenhum tem razão.
Eu sei que são bons rapazes, nem adianta ficarem ressabiados!Deixem isso para os políticos desesperados que mentem como cestas rotas, sem despudor, nem pejo algum, apenas e só, com o objetivo de alcançar o poleiro, para depois nos mandarem fazer sacrifícios de toda a ordem, enquanto eles são capazes de gastarem com uma muquenca o que a gente ( maioria) ganha num mês.
Quem tem fé, ainda vai dizendo que Deus não dorme,será verdade?
Na certeza porém, sempre ouvi dizer que o que os ricos têm a mais, pertence aos pobres que como o suor do seu duro trabalho lhes deram tanta riqueza material, claro, porque muitos ,são uns pobres de espírito!
Diz o povo e com razão " Quem não rouba nem herda, toda a vida é um merda ".
Nunca nos nosssos tempos , este adágio popular esteve tão patente neste cantinho à beira mar desesperado.
Façam por isso, o favor de serem felizes e se possível amigos, caros aaac...

22 maio, 2011 08:21  
Blogger Lima said...

A Vida é Curta

E de repente foi um silêncio sepulcral!
Porque paraste na tua caminhada, amigo?
Força, coragem, de coração estamos contigo,
Parar é conceder espaço ao teu rival.

Se no caminho há asperezas e mau cheiro
Deitemos água fresca, óleos e perfume...
Não agitemos ventos para agitar o lume...
Quem sabe a direcção das chamas do braseiro?

A vida é curta, pouco mais é que um dia.
Estamos na sobremesa do último jantar.
Vamos erguer, todos, os copos e brindar,
Esquecer! Assim se acalmará quem tem azia.

31 maio, 2011 13:15  
Blogger Lima said...

É de lamentar a paginação organizativa deste blogue. Merecia melhor!

01 junho, 2011 20:40  
Blogger Augusto said...

Boa noite a todos:
Li com atenção o comentário do Lima, o que agradeço. Como a minha imaginação não é tão brilhante como eu desejaria e, considerando que a observação do Lima se fundamenta num conhecimento adequado de como deve ser uma boa “paginação organizativa”, agradecemos que partilhe connosco as ideias mais adequadas para uma melhor organização deste espaço. Assim todos poderão beneficiar do seu contributo. Bem hajas. Augusto Castro

01 junho, 2011 21:32  
Blogger Lima said...

Se me excedi no meu comentário, peço desculpa. A intenção não era provocatória. O minha reacção foi de um desabafo, depois de me aperceber que toda a gente já estava em “Paulo” quando eu continuava em “Pedro. Com o agravamento de não ser a primeira vez que isso me acontecia neste blogue.
Bom! -De que te queixas? - dirão alguns. Certo, assumo! Mas penso cá para mim, (que não sou propriamente um neófito nestas coisas), que o mesmo deve ter acontecido a outros que por aqui passam, mas que não ousam o que eu não pude evitar: dizê-lo.
Mas quero ser claro: não estou contra ninguém, nem tenho criticas a fazer a quem quer que seja. É uma apreciação pessoal, uma constatação que me desola um pouco, porque, tendo em conta o conteúdo e a frequentação deste blogue, repito-me, ele merecia uma apresentação e um modo de funcionamento mais adequado. E que estes reparos, que bem modestamente faço, não sejam tomados como críticas de um “expert” pronto a tudo refundir, impondo os seus pontos de vista. Sou nulo em “webdesigner” e arrenego o “marketing”. As minhas observações têm um sentido construtivo e apontam para a possibilidade de oferecer aos visitantes deste blogue um maior conforto de utilização. Não conheço as possibilidades ofertas por Blogger nesse domínio, mas certamente que são ao menos equivalentes à concorrência neste sector do web.
Assim, penso que não seria difícil à administração elaborar uma breve lista de alguns pontos a rever nos actuais parâmetros do blogue, (pois trata-se simplesmente de parâmetros e não de programação), de forma a corrigir certos comportamentos actuais que, por minha parte, acho menos práticos e, como no meu caso, (e penso que não sou o único), podem provocar uma rejeição momentânea no visitante.
Passo a nomear:
- Quando acedemos ao blogue “aaacarmelitas.blogspot.com” é-nos apresentada a página do último “post”, o que é aceite como normal. Porém, um visitante noviço ou não atento ao funcionamento do blogue terá dificuldade em descobrir os verdadeiros últimos “posts” e comentários, visto que estes estão noutra página cujo caminho não é forçosamente evidente para todos
- Isto deriva de uma outra anomalia evidente, que é a não diferenciação de “posts” e comentários. Isso, além de não facilitar a leitura do conteúdo, provoca uma certa confusão na apresentação do mesmo, pois, não só para o leitor, como para o comentador não facilita a clara associação de um comentário ao respectivo “post”. Disto resulta uma desgraciosa e interminável lista de “posts” e comentários, que nos obriga a manobrar o rato e os botões para atingir o tão desejado fim. Neste cenário, o articulista vê-se acanhado no espaço que lhe é dado e o comentarista sente dificuldade em dirigir convenientemente as suas observações.
A modificação deste ponto preciso, comporta, no entanto consequências que é preciso ter em conta: A edição de “posts” necessita a devida autorização do administrador do blogue e, por consequência a devida inscrição do interessado. A solução à vista seria autorizar a edição a todos, ( que, na prática, é o que se passa actualmente), mas ganharíamos em clareza na apresentação do conteúdo.
- Outro ponto, este menos consequentemente, é a utilização do nome “anónimo”. Quando nos dirigimos a um “anónimo” nem sempre é evidente de qual “anónimo” se trata. Uma solução simples seria a interdição do nome “anónimo” nos pseudónimos.
- Outros pontos são susceptíveis de aperfeiçoamento, dependendo da percepção pessoal da direcção, como seja a largura do espaço destinado ao texto, a disposição do espaço comentários, (se separados do espaço “posts”), etc.

Não pretendo aqui impor seja o for. Esta é a minha modesta opinião. Se dela resultar uma qualquer utilidade para o bem da comunidade deste blogue, sentir-me-ei recompensado do trabalho que tive para o dizer.

Um abraço a todos.

04 junho, 2011 11:02  

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